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A Ministra da Educação, Samaria Tovela, apelou à paciência dos professores que reclamam o pagamento de horas extraordinárias em atraso, reconhecendo a legitimidade das suas reivindicações, mas sublinhando que o Estado não dispõe de capacidade financeira para liquidar toda a dívida de uma só vez.

A governante reagia à nova onda de paralisação das aulas protagonizada por docentes que exigem a regularização dos valores em dívida. Apesar de reconhecer o direito dos professores a reclamarem os seus créditos, Samaria Tovela considera que a interrupção das actividades lectivas não constitui a melhor forma de protesto, por prejudicar milhares de alunos.

A ministra alertou ainda que os docentes que aderirem à paralisação poderão enfrentar implicações e procedimentos administrativos previstos na lei.

Recorde-se que o Governo anunciou ter regularizado integralmente o pagamento das horas extraordinárias referentes ao ano de 2022 e parte de 2023. Contudo, continua por liquidar o remanescente desse ano, bem como a totalidade dos valores correspondentes a 2024.

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A obra “Reformas Eleitorais em Moçambique” é o mais recente livro lançado esta quinta-feira, na cidade de Quelimane, da autoria do Professor Doutor Luís Cavalo. A publicação reflecte as dinâmicas do processo eleitoral ao longo dos anos no país.

Com 236 páginas, estruturadas em oito capítulos, a obra interpreta o presente com vista a perspectivar o futuro. Subordinado ao tema Reformas Eleitorais em Moçambique: um olhar à Comissão Nacional de Eleições, o livro apresenta uma análise crítica, baseada na experiência de quem dedica a sua vida ao órgão de gestão eleitoral, com destaque para o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral.

Gaudêncio Matavel foi, na ocasião, um dos apresentadores da obra. Na sua intervenção, destacou que o livro retrata a realidade moçambicana e as instituições responsáveis pela gestão eleitoral, defendendo a necessidade de reformas que promovam a união entre os actores políticos em prol do bem comum.

Luís Cavalo ocupa, actualmente, o cargo de Director do STAE na província de Nampula.

O Museu Banco de Moçambique, na cidade de Maputo, acolheu a exposição temporária “Diálogo das Paisagens de Jacob e Mucavele”, que reúne 12 obras de pintura de dois nomes de referência, Jacob Macambaco, a título póstumo, e Estêvão Mucavele. 

A inauguração da exposição temporária “Diálogo das Paisagens de Jacob e Mucavele” surge numa iniciativa que cruza as diferentes abordagens técnicas destes autores e destaca o contributo das artes plásticas para a identidade cultural moçambicana. 

Jacob Macambaco é reconhecido como um dos primeiros artistas plásticos negros do País e as suas criações são inspiradas em locais onde viveu e que percorreu, transformando memórias e observações directas em narrativas visuais marcantes. 

Ao lado de Macambaco, Estêvão Mucavele apresenta um estilo distinto, marcado por cenários imaginários e pela liberdade criativa. As suas obras exploram uma dimensão mais poética e abstracta da paisagem, criando um contraste que enriquece o diálogo artístico da exposição.

Segundo os organizadores, a iniciativa visa valorizar o papel dos artistas e aproximar o público das artes. “É uma celebração das artes e uma forma de fazer as pessoas perceberem o valor destes artistas, sobretudo para encorajar aqueles que continuam a produzir”, destacou Felisberto Tlhemo, Curador da exposição.

Para Languana, presidente do Núcleo de Arte, a exposição evidencia ainda a complementaridade entre os dois estilos. “Estamos a ver paisagens de diferentes formas: o Macambaco com uma abordagem mais rural e o Estêvão com uma visão mais criativa. No fundo, fundem-se numa só paleta”, afirmou. 

Trata-se de uma iniciativa do Banco de Moçambique, que reforça o compromisso desta instituição com a promoção das artes nacionais. O banco central já promoveu 3 exposições temporárias no Museu Banco de Moçambique e prevê realizar mais 2 até ao final deste ano. 

Estevão Mucavele, actualmente com 85 anos, considerou o reconhecimento significativo e aproveitou a ocasião para incentivar as novas gerações. “Não pensava que a minha obra pudesse estar aqui tão bem-apresentada. Os jovens devem trabalhar mais e apostar na arte”, apelou. 

Além das obras do Banco de Moçambique, fazem parte da exposição 5 obras de um coleccionador anónimo. A exposição está patente até ao mês de Maio.

O número de vítimas mortais resultantes da insurgência armada na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, subiu para 6.518 desde o início do conflito, em outubro de 2017, segundo dados recentes divulgados pela organização ACLED (Armed Conflict Location & Event Data).

No seu mais recente relatório, que cobre o período entre 23 de março e 5 de abril, a ACLED indica que foram registados três incidentes violentos nas últimas duas semanas, dos quais dois envolveram grupos extremistas ligados ao autoproclamado Estado Islâmico em Moçambique (EIM). Estes episódios provocaram três mortos, contribuindo para o aumento do número total de vítimas.

Desde o início da insurgência, foram contabilizados 2.345 eventos violentos, sendo que 2.174 estão associados a elementos do EIM.

Apesar da continuidade da presença insurgente, a ACLED descreve o período mais recente como relativamente calmo. De acordo com o relatório, os insurgentes mantêm गतिविधade no distrito de Macomia e deslocaram-se a áreas de mineração em Meluco, alegadamente com o objetivo de realizar ações de extorsão.

Na zona costeira, as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) prosseguem operações de patrulhamento, com enfoque na foz do rio Messalo, numa tentativa de conter movimentações insurgentes. Contudo, persistem tensões entre as forças de defesa e as comunidades locais, sobretudo após o alegado massacre de pescadores ocorrido a 15 de março.

Num relatório anterior, a ACLED, com base em fontes locais, atribuiu à Marinha moçambicana a responsabilidade pela morte de 13 pescadores em Mocímboa da Praia. As FADM rejeitaram essas acusações, afirmando que o ataque terá sido perpetrado por insurgentes disfarçados com uniformes militares.

Cabo Delgado, uma província rica em recursos naturais, particularmente gás, tem sido palco de ataques armados há cerca de oito anos. O primeiro incidente foi registado a 5 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

Entretanto, o Presidente da República, Daniel Chapo, admitiu recentemente a possibilidade de diálogo como uma das vias para a resolução do conflito no norte do país. Em declarações prestadas no Porto, à margem de uma cimeira com Portugal, o Chefe de Estado sublinhou que o principal objetivo é alcançar a paz.

Chapo recordou ainda a experiência de Moçambique na resolução de conflitos através do diálogo, destacando o fim da guerra civil entre o Governo e a Renamo, que culminou com a assinatura dos Acordos Gerais de Paz, em Roma, a 4 de outubro de 1992.

Um ataque levado a cabo por grupos jihadistas contra uma base militar no nordeste da Nigéria provocou a morte de um general do exército e de vários soldados, segundo fontes governamentais e de inteligência citadas pela Africanews.

O Brigadeiro-General Oseni Omoh Braimah é o segundo oficial de alta patente a ser morto em cinco meses, numa altura em que se regista um agravamento da violência no norte do país, maioritariamente muçulmano.

De acordo com quatro fontes, incluindo o exército, o ataque ocorreu durante a noite numa base localizada a cerca de 75 quilómetros de Borno. Uma fonte de inteligência apontou para pelo menos 18 mortos.

Este balanço eleva para quase 100 o número de vítimas mortais desde domingo no norte da Nigéria, onde grupos jihadistas e gangues criminosos têm intensificado ataques contra instalações militares e aldeias, sobretudo em zonas próximas do Sahel.

A Nigéria, o país mais populoso de África, enfrenta há cerca de 17 anos uma insurgência jihadista, iniciada em 2009 com o grupo Boko Haram e posteriormente agravada com o surgimento de dissidências, como a Província da África Ocidental do Estado Islâmico.

Mais de 70 países juntaram-se esta sexta-feira à Indonésia para condenar os ataques contra a Força Interina da ONU para o Líbano , num contexto de escalada da guerra contra Beirute, apesar das conversações de paz com Israel.

Embaixadores de uma dezena de países expressaram profunda preocupação com a escalada da tensão no Líbano desde 02 de março do ano corrente e o impacto na segurança das forças de paz, na sequência da morte de três forças de manutenção de paz das Nações Unidas e depois de militares de França, Gana, Nepal e Polónia terem ficado feridos.

As missões diplomáticas sublinharam que as forças de paz nunca devem ser alvo de ataques e alertaram que estes factos podem constituir um crime de guerra, ao mesmo tempo que fizeram um apelo à ONU para que continue a investigar todos os ataques.

Estas delegações também deram ênfase à situação humanitária no Líbano, especialmente devido ao elevado número de vítimas civis, à destruição generalizada de infraestruturas e à deslocação em massa de mais de um milhão de pessoas.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que o Governo israelita iniciará negociações directas com o Líbano para desarmar o Hezbollah e estabelecer relações pacíficas. 

Israel foi instado a cessar imediatamente a agressão militar contra o Líbano, reiterando que o cessar-fogo também inclui este país. Os bombardeamentos massivos violam o direito internacional, após o assassínio de mais de 300 pessoas no Líbano desde o início da trégua.

O Seleccionador Nacional de Futebol Sub-17 garante que, apesar de Moçambique estar num grupo forte, há condições para passar a segunda fase do Campeonato Africano da categoria.  Inserida no Grupo C da prova, a selecção nacional vai defrontar o Mali, Tanzânia e Angola.

A um mês do arranque da prova, Moçambique já conhece os seus adversários, tal como ditou o sorteio. Sem escolhas nem preferências, o seleccionador nacional tem noção do que vai encontrar no seu Grupo.

A selecção nacional parte para a competição com a ambição de qualificar para a segunda fase, sonho que só se pode concretizar com muito trabalho.

Moçambique está no Grupo C juntamente com o Mali, Tanzânia e Angola. A prova será disputada de 13 de Maio a 2 de Junho, em Marrocos.

O Presidente Volodymyr Zelensky disse que os militares ucranianos abateram drones Shahed, de fabrico iraniano, em vários países do Médio Oriente, durante a guerra com o Irão, confirmando a participação em missões no estrangeiro. 

Zelensky fez o primeiro reconhecimento público das operações internacionais na quarta-feira, em declarações à imprensa.  

Segundo o Presidente da Ucrânia, citado por Lusa, as forças de Kiev participaram em operações no estrangeiro utilizando aparelhos aéreos não tripulados de intercepção de fabrico ucraniano, eficazes contra drones Shahed de fabrico iraniano utilizados pela Rússia na Ucrânia.

A Ucrânia participou nas operações defensivas antes do cessar-fogo provisório no Médio Oriente, alcançado entre o Irão e os Estados Unidos.

Zelensky não identificou os países envolvidos, mas afirmou que os efetivos ucranianos operaram “em várias nações”, ajudando a reforçar os respectivos sistemas de defesa aérea.

Anteriormente, Zelensky tinha declarado que 228 especialistas ucranianos estiveram destacados na região do Médio Oriente.

Em troca, a Ucrânia está a receber armamento para proteger as instalações de energia, bem como petróleo, gasóleo e, em alguns casos, apoio financeiro, disse o chefe de Estado.

O líder ucraniano afirmou que os acordos vão reforçar a estabilidade energética da Ucrânia e descreveu as parcerias como algo que será promovido, à medida que Kiev procura formalizar e expandir conhecimentos no setor da defesa.

A revelação surgiu no momento em que há preocupações de que o conflito no Médio Oriente possa desviar o apoio militar ocidental da Ucrânia, particularmente o fornecimento de equipamento para a defesa aérea.

Zelensky afirmou que os parceiros da Ucrânia continuam a fornecer mísseis aos sistemas Patriot, adiantando que um novo lote chegou nos últimos dias e que a Ucrânia está a trabalhar com todos os parceiros para garantir que as defesas aéreas se mantêm em funcionamento.

Os economistas Júlio Saramala e Moisés Nhanombe apontam que a decisão do Governo moçambicano de mobilizar cerca de 700 milhões de dólares das reservas internacionais líquidas para liquidar compromissos junto do Fundo Monetário Internacional (FMI) pode representar um risco elevado para a estabilidade macroeconómica do país, ainda que traga ganhos pontuais em termos de credibilidade externa.

A análise foi feita no programa O País Económico da STV, onde os economistas convergiram na ideia de que a medida do Executivo, embora compreensível sob o ponto de vista reputacional, levanta sérias reservas quanto à sua racionalidade técnica no actual contexto económico nacional.

Moçambique dispõe actualmente de cerca de 4,1 mil milhões de dólares em Reservas Internacionais Líquidas, segundo dados do Banco de Moçambique, um nível que garante entre quatro a cinco meses de cobertura de importações, por exemplo em situações  de crise, considerado o mínimo aceitável por padrões internacionais. No entanto, este “colchão financeiro” está sob pressão, num contexto marcado por elevada dívida pública, escassez de moedas estrangeiras e o difícil acesso ao financiamento externo.

Para Júlio Saramala, o uso destas reservas deve ser analisado com cautela, tendo em conta a vulnerabilidade estrutural da economia moçambicana. “Pode parecer uma decisão financeiramente estratégica a curto prazo, sobretudo do ponto de vista da reputação internacional, mas envolve riscos significativos para economias abertas e frágeis como a nossa”, afirmou.

O economista referiu ainda que a medida reduz a capacidade de resposta do país a choques externos e limita a margem de intervenção do Banco de Moçambique no mercado cambial. “Ao reduzir o volume de reservas, estamos também a reduzir a capacidade de estabilizar o metical e de responder a pressões inflacionárias. O risco cambial aumenta consideravelmente”, alertou.

Por seu turno, Moisés Nhanombe questiona a urgência da decisão, considerando que o país enfrenta restrições financeiras internas severas que deveriam ser priorizadas. “É pouco racional usar reservas neste momento histórico da economia moçambicana para um pagamento que poderia ser faseado”, disse.

Nhanombe destacou que, internamente, persistem atrasos nos pagamentos do Estado a empresas e dificuldades na execução orçamental, factores que comprometem o funcionamento da economia. “Há pressões fiscais significativas e uma economia com necessidades urgentes. Canalizar recursos para a dívida externa, ignorando essas pressões internas, levanta dúvidas sobre a racionalidade técnica da decisão”, referiu.

Um dos pontos de convergência entre os dois economistas é o impacto potencial da medida sobre o mercado cambial. Ambos consideram que a retirada de 700 milhões de dólares americanos das reservas poderá agravar a escassez de divisas no País, num momento em que empresários já enfrentam dificuldades para aceder à tal moeda estrangeira.

“Há relatos concretos de operadores económicos que não conseguem obter dólares para importar bens essenciais. Isso mostra que há uma desconexão entre o nível de reservas anunciado e a disponibilidade efectiva de divisas”, apontou Saramala.

Segundo explicou, esta aparente contradição resulta do facto de as reservas internacionais servirem prioritariamente como garantia do Estado e instrumento de política monetária, não estando necessariamente disponíveis para o sector privado. Ainda assim, defende que o Governo poderia ter optado por uma estratégia alternativa. “Se foi possível mobilizar reservas para pagar o FMI, também poderia haver uma intervenção mais directa no mercado cambial para aliviar a pressão sobre os empresários”, indagou.

Nhanombe reforçou o argumento, alertando para o risco do surgimento de mercados paralelos de dólar, rand e euros. 

“Com menos reservas disponíveis, a capacidade de responder à procura por dólares diminui. Isso pode pressionar a taxa de câmbio e incentivar práticas informais no mercado cambial, com efeitos negativos a médio e longo prazo”, disse.

Ainda assim, os economistas reconhecem que a decisão pode trazer ganhos em termos de imagem externa. Pagar antecipadamente uma dívida ao FMI pode sinalizar compromisso e disciplina financeira, factores valorizados por investidores internacionais.

“Neste aspecto, há um ganho reputacional claro. O país demonstra capacidade de honrar compromissos, o que pode melhorar a percepção de risco e facilitar futuras negociações com parceiros internacionais”, referiu Nhanombe.

Contudo, alerta que este benefício pode ser temporário e até ilusório. “A questão central é saber se os efeitos negativos internos não vão superar esse ganho de imagem. Se a economia enfraquecer, o impacto sobre o investimento pode ser contrário ao esperado”, advertiu.

Saramala também reconhece este potencial ganho, mas sublinha que ele depende de medidas complementares. “Por si só, esta decisão não resolve os problemas estruturais da economia. É preciso que seja acompanhada por políticas fiscais e monetárias consistentes, caso contrário corremos o risco de entrar num ciclo vicioso”, afirmou.

Outro ponto crítico levantado no debate foi a priorização da dívida externa em detrimento da dívida interna. Para Nhanombe, num contexto como o de Moçambique, poderia ser mais vantajoso canalizar recursos para o pagamento da dívida interna, por ter um efeito directo na dinamização da economia.

“Quando o Estado paga a dívida interna, injeta liquidez no sistema financeiro, permite que as empresas operem com mais capacidade, cria emprego e estimula a actividade económica. Isso tem um efeito multiplicador que não se verifica da mesma forma no pagamento da dívida externa”, explicou.

Apesar disso, reconhece que a dívida externa está sujeita a factores que fogem ao controlo do país, como taxas de juro internacionais, o que pode justificar, em parte, a decisão do Governo.

No final, a decisão de utilizar reservas internacionais para pagar dívida ao FMI surge como uma medida controversa, dividida entre ganhos de curto prazo e riscos estruturais. Como sintetizou Saramala, “parece ser uma decisão mais orientada para a reputação externa do que para a produção interna”, deixando em aberto o verdadeiro impacto desta estratégia na economia moçambicana nos próximos anos.

A mineradora Montepuez Ruby Mining (MRM) transferiu ao Estado moçambicano o equivalente a 23% das suas receitas totais em 2025, segundo dados divulgados pela Gemfields, responsável pela operação mineira em Namanhumbir, distrito de Montepuez, na província de Cabo Delgado.

A informação foi divulgada esta quinta-feira, no relatório do indicador “G-Factor para Recursos Naturais”, mecanismo adoptado pela Gemfields para medir a proporção das receitas geradas pela exploração de recursos naturais que é efectivamente canalizada para os governos dos países anfitriões, sob a forma de impostos, royalties e outras contribuições fiscais.

De acordo com os dados apresentados, a MRM gerou receitas totais avaliadas em 49,9 milhões de dólares norte-americanos em 2025, tendo transferido 11,3 milhões de dólares ao Estado moçambicano. Este montante inclui, essencialmente, o pagamento de royalties minerais e do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRPC).

No acumulado de dez anos, entre 2016 e 2025, o “G-Factor” da MRM fixa-se em 26%, o que significa que, em média, mais de um quarto das receitas obtidas pela empresa neste período foram canalizadas para os cofres públicos moçambicanos. Já no horizonte de cinco anos (2021–2025), o indicador mantém-se nos 23%.

O CEO da Gemfields, Sean Gilbertson, destacou que o desempenho da MRM reflecte tanto o contexto operacional quanto às dinâmicas do mercado internacional de pedras preciosas.“Os resultados de 2025 do ‘G-Factor for Natural Resources’ da Montepuez Ruby Mining (MRM) evidenciam como as contribuições para os países anfitriões variam em função das condições de mercado e operacionais. Em Moçambique, a Montepuez Ruby Mining pagou 23% das suas receitas ao Governo de Moçambique em 2025.”

O responsável acrescentou que, apesar da redução dos pagamentos totais em termos absolutos, a contribuição proporcional manteve-se sólida:

“Embora os pagamentos totais em numerário tenham sido inferiores aos de anos anteriores, por consequência da redução da produção de rubis premium, adiamento do leilão de rubis de dezembro e as incursões de mineração ilegal, a contribuição fiscal proporcional manteve-se robusta.”

Gilbertson reforçou ainda o compromisso da empresa com a transparência no sector extractivo, “mantemo-nos comprometidos com a transparência proporcionada pelo ‘G-Factor para Recursos Naturais’ e continuamos a incentivar uma adopção mais ampla na indústria, para que os governos anfitriões e os seus cidadãos possam avaliar melhor a gestão dos seus recursos.”

Os dados surgem num contexto de crescimento significativo da produção de rubis em Moçambique. Informações oficiais do Ministério dos Recursos Minerais e Energia indicam que o país produziu mais de cinco milhões de quilates em 2025, representando um aumento de cerca de 29% em relação ao ano anterior.

Este desempenho reflecte a forte procura internacional e o reforço da actividade das empresas mineiras. No entanto, o sector continua a enfrentar constrangimentos relevantes, com destaque para a mineração ilegal, que tem afectado operações, infra-estruturas e receitas.

A própria MRM já havia alertado recentemente, para a necessidade de medidas mais firmes contra redes que financiam e incentivam a exploração ilícita de rubis, após incidentes registados na sua concessão em Cabo Delgado.

Além disso, o adiamento de leilões internacionais e atrasos operacionais, incluindo dificuldades na entrada em funcionamento pleno de novas infra-estruturas de processamento, também condicionaram o desempenho financeiro da empresa ao longo de 2025.

O “G-Factor para Recursos Naturais” é calculado com base na relação entre o total de pagamentos efectuados ao governo, incluindo royalties, impostos sobre lucros, dividendos e taxas de exportação e as receitas totais da empresa num determinado período.

Trata-se de um indicador de referência que permite aferir, de forma simplificada, o grau de retorno financeiro que os países anfitriões obtêm da exploração dos seus recursos naturais. Contudo, a própria Gemfields reconhece que o mecanismo não capta a totalidade das contribuições fiscais, uma vez que exclui impostos indirectos, contribuições sociais e outras taxas relevantes.

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