A 61.ª edição da Feira Agro-Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), que encerra já este domingo, tem na exposição da pecuária um dos seus pontos de maior destaque. O certame serviu de palco para o anúncio, por parte do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, da importação de 800 touros com o objectivo de melhorar a raça de gado bovino no país.
O certame, que decorre desde segunda-feira, permitiu aos criadores exibir exemplares de genética melhorada, animais de crescimento precoce e elevada qualidade de carne. Este esforço colectivo tem como meta estratégica reduzir a dependência das importações e fortalecer a soberania alimentar.
O Governo reiterou, na ocasião, que acompanha de perto o movimento, garantindo que esta iniciativa será acompanhada pela transferência de tecnologia e pela implementação de boas práticas junto dos produtores.
Para os pecuaristas, que aproveitaram o leilão realizado no sábado para transaccionar os seus melhores animais, começa a consolidar-se uma mudança de paradigma. A consciência de criar gado de corte, vocacionado para o mercado, ganha terreno face ao modelo tradicional de acumulação de cabeças de gado por longos períodos.
O apelo aos investidores nacionais é claro: existe um vasto mercado por explorar, uma vez que a oferta interna se revela ainda deficitária face às necessidades de consumo.
A modernização estende-se, igualmente, a outros sectores. Além dos bovinos, a feira exibiu aves de elevada produtividade, demonstrando que a procura pela qualidade se alastra a toda a produção pecuária.
Moçambique enfrenta agora o desafio de fazer crescer os efectivos exponencialmente, aproveitando as oportunidades de negócio que a FACIM, uma vez mais, evidenciou como motores para o desenvolvimento económico do país.
Há empresários que não conseguem importar a matéria-prima devido à escassez de moeda estrangeira no mercado financeiro nacional. Caso o problema perdure, o sector privado prevê o encerramento de algumas indústrias.
Começa a soar o alarme vindo do sector privado, dando conta dos possíveis impactos causados pela falta da moeda estrangeira no mercado financeiro nacional, sobretudo o dólar, explicou Vítor Miguel, Presidente da Associação Moçambicana dos Panificadores.
A escassez de divisas não afecta apenas o sector de panificação, conforme explicou o Director-executivo da CTA, Eduardo Sengo, que diz que o problema é bem mais antigo, de total conhecimento do Banco Central e que, inclusive, já houve propostas para melhorias.
Mas o Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, nega haver falta de liquidez.
Sengo apela ao Banco Central a ser mais realista e a procurar soluções.
Durante uma visita à província de Nampula, na semana finda, os empresários disseram ao Presidente da República que enfrentavam falta de divisas. Daniel Chapo prometeu buscar soluções.
A CTA avançou ainda que caso a situação se mantenha, muitas indústrias poderão fechar as portas.
O Ministério dos Recursos Minerais e Energia deu início, esta segunda-feira, à revisão e modernização do quadro legal das áreas de mineração, petróleo e gás e energia como parte de reformas estruturantes para garantir o incremento da participação do sector na economia nacional, de forma sustentável.
De acordo com o comunicado de imprensa da instituição, Estevão Pale, Ministro de Recursos Minerais e Energia, disse, no seu discurso de abertura de lançamento das reformas legislativas, que o Governo de Moçambique pretende aumentar a transparência e combate firme às práticas que prejudicam o Estado, garantindo que os recursos naturais do País sejam geridos de forma eficiente e que beneficiem objectivamente a todos os moçambicanos.
“Nosso compromisso é ter um sector que gere benefícios tangíveis para todos, que seja transparente e que, por meio de um quadro legal actualizado, posicione Moçambique como líder energético na região e no mundo”, afirmou o Ministro Estevão Pale.
Pale acrescentou que “a modernização da legislação vai garantir a atracção de investimentos que agreguem mais valor ao país através do processamento de parte dos recursos em Moçambique, um elemento chave para ampliar a cadeia de valor, criar oportunidades de autoemprego e emprego, gerar renda e desenvolver novas indústrias que contribuam para as receitas do Estado”, disse.
Ao longo desta semana, quadros no activo, reformados e ex dirigentes e especialistas do sector, trabalharão na: Revisão da Lei dos Petróleos e seu Regulamento; Revisão da Lei de Minas e seu Regulamento; Criação do Braço Comercial do Estado no Sector Mineiro; Desenvolvimento de um regulamento para a Concessão de Produção, Transporte, Distribuição, Comercialização, Armazenamento, Importação e Exportação de Energia Elétrica; Estabelecimento de um Regulamento da Taxa de Acesso Universal; Elaboração da Lei de Conteúdo Local.
As reformas propostas também incluem fortalecimento das salvaguardas ambientais e a criação de incentivos para capacitação e transferência de tecnologia para empresas moçambicanas.
Ao fim da presente semana, o MIREME pretende ter documentos de base para posterior harmonização com outras legislações relevantes para evitar ambiguidades que possam levar a interpretações divergentes, além da socialização com diversos intervenientes, tanto do sector público assim como o privado.
Pretende-se que, ainda este ano, esses instrumentos estejam prontos para aprovação pelo Governo.
Além dos quadros do sector, participam no seminário representantes de Ministérios e instituições afins.
A crise económica agravada pela tensão pós-eleitoral colocou muitas pequenas e médias empresas moçambicanas à beira do colapso. A incerteza, a queda no consumo e as dificuldades de acesso a crédito tornaram o ambiente de negócios ainda mais desafiador. No entanto, há uma esperança para os jovens empreendedores: os diversos fundos disponíveis para apoiar a recuperação das empresas. Mas a grande questão é – estarão todos preparados para aceder a esse financiamento?
Foi essa a reflexão que dominou a cerimónia de implantação da Associação Nacional dos Jovens Empresários (ANJE) em Inhambane, um momento que reuniu empresários locais para discutir os desafios e oportunidades do sector. Lineu Candieiro, presidente da associação, foi categórico ao afirmar que, sem conformidade legal, muitas empresas continuarão de fora das oportunidades de financiamento.
“O acesso aos fundos não é automático. Os empresários precisam de estar regularizados, ter uma estrutura organizada, cumprir as normas fiscais e apresentar um plano de negócios sustentável. O Estado e as instituições financeiras querem garantir que o dinheiro investido realmente terá um impacto e não será apenas um alívio momentâneo”, frisou Candieiro, destacando a importância da formalização.
Para muitos empresários, a burocracia é um obstáculo. A falta de documentação, o desconhecimento sobre as exigências legais e as dificuldades para cumprir com as obrigações fiscais afastam muitos jovens da possibilidade de aceder a fundos de apoio. Candieiro defende que a formalização deve ser vista como um investimento e não como um fardo, pois além do financiamento, abre portas para novas oportunidades de crescimento, parcerias e participação em concursos públicos.
Por sua vez, a delegada da ANJE em Inhambane, Fatália Gulele, destacou que o apoio financeiro, por si só, não é suficiente. Segundo ela, muitos empreendedores conseguem captar fundos, mas acabam por fracassar por não saberem gerir o dinheiro. “O que temos visto são casos de empresários que recebem financiamento, mas que, por falta de conhecimento em gestão financeira, rapidamente entram em dificuldades e não conseguem honrar os compromissos”, explicou.
Com esse cenário em mente, Fatália anunciou que a ANJE vai promover iniciativas de treinamento e suporte técnico para capacitar os jovens empreendedores, garantindo que eles saibam gerir os recursos de forma eficiente e sustentável. “Queremos que os jovens empresários de Inhambane tenham conhecimento das ferramentas necessárias para gerir os seus negócios com responsabilidade, garantindo que o financiamento recebido gere crescimento real e duradouro”, destacou.
A delegada enfatizou ainda que a associação trabalhará para criar um ecossistema de negócios mais sólido, onde os empresários possam trocar experiências, criar redes de apoio e fortalecer o ambiente empreendedor da região. “A formalização e a capacitação são dois pilares fundamentais. Não basta apenas ter acesso ao dinheiro, é preciso saber usá-lo de forma estratégica para garantir que o negócio prospere”, afirmou.
A chegada da ANJE a Inhambane representa uma esperança para muitos jovens que tentam consolidar os seus negócios. A expectativa é que, com o apoio da associação, mais empresários consigam superar os desafios e aproveitar as oportunidades disponíveis, tornando-se parte ativa na recuperação económica da província. Com um mercado cada vez mais exigente e competitivo, a aposta na qualificação e na conformidade legal pode ser o diferencial entre o sucesso e o fracasso dos pequenos negócios.
A cerimónia de implantação da associação foi marcada por um clima de otimismo, mas também de realismo. O caminho para a estabilidade financeira das pequenas empresas ainda é longo, mas com as ferramentas certas, muitos empreendedores poderão transformar os seus desafios em oportunidades.
Neste primeiro dia de Abril, às 17h30, no Instituto Guimarães Rosa, na Cidade de Maputo, a Editorial Fundza vai lançar o livro “Crónicas de Desastres”, uma colectânea de crónicas escritas por estudantes de várias universidades do país.
A ser apresentado pela escritora Clévia Guivala, o livro “Crónicas de Desastres” resulta da terceira edição do Concurso de Crónicas, organizado pela Feira do Livro da Beira (FLIB), com o propósito de despertar o gosto pela escrita e estimular reflexões, entre estudantes do ensino superior, sobre redução de riscos de desastres.
O livro é constituído por 115 páginas e vinte crónicas. Nos textos, os autores fazem da literatura um instrumento de intervenção social, demonstrando a sua preocupação sobre um tema tão urgente de se debater, como o da redução do risco de desastres.
Para Editorial Fundza, os textos de “Crónicas de Desastres” são uma chamada de atenção ao ser humano sobre a necessidade de cuidar melhor o mundo que habita.
Segundo os organizadores da Feira do Livro da Beira, a escolha do tema decorre do facto de o país, frequentemente, ser assolado por desastres naturais, havendo necessidade de criação de estratégias para a sua mitigação. Daí ter-se visto na leitura, na escrita e na arte, instrumentos de construção do conhecimento para preparação, de modo a lidar com desastres, pode-se ler na nota de imprensa da Editorial Fundza.
Além de “Crónicas de Desastres”, a Editorial da Fundza já editou “Água” e “Estórias da paz e reconciliação”, ambos organizados pela Feira do Livro da Beira.
Os transportadores de passageiros, que circulam pela Estrada Nacional Número Seis, que liga Beira e Machipanda, em Chimoio, província de Manica, paralisaram, esta segunda-feira, as suas actividades, em contestação a existência de muitos postos de fiscalização da Polícia de Trânsito, o que, sob seu ponto de vista, resulta em prejuízos.
Vários carros de transporte de passageiros estão estacionados e os passageiros abandonados à própria sorte. Os condutores reclamam da existência de muitos postos de fiscalização, ao longo das suas rotas.
“As pessoas estão a fazer greve por causa dos postos de controlo. Os postos de controlo, antigamente, eram normais, havia dois postos aqui, estou a falar dessa via que vai a Machipanda. Agora, há alguns dias atrás, estenderam-se os postos. Está cheio de postos de fiscalização, por isso que as pessoas estão a fazer a manifestação”, disse um motorista de transporte de passageiros, que também aderiu à greve.
Outro transportador afirmou que os outros postos foram instalados devido ao acidente em Gondola, que, segundo a fonte, terá sido causado por um agente regulador do trânsito. “Então, este acréscimo de postos vem lesar a nós, quando saímos daqui para Manica são 2500 (…) o que nós estamos a pedir é que removam os três postos que colocaram a mais”, reclamou
A Polícia da República de Moçambique (PRM) diz que teve conhecimento da paralisação e explica que a instalação dos postos de fiscalização é uma medida que vem do Comando-Geral. “A Polícia vai intensificar as suas fiscalizações, em torno dos acidentes que vem ocorrendo ultimamente. Tivemos um caso de registo que ocorreu na semana passada (…) Esta situação acabou remetendo a um trabalho mais exaustivo de fiscalização”, disse o porta-voz da Polícia, acrescentando que nem todos os postos ao longo da via são de fiscalização.
Oito equipas disputam, a partir de amanhã, os quartos-de-final da Liga dos Campeões Africanos. O campeão em título Al Ahly do Egipto vai defrontar Al Hilal do Sudão, numa ronda em que o Mamelodi Sundowns da África do Sul terá pela frente o Esperance de Tunis.
O outro representante sul-africano, Orlando Pirates, vai medir forças com o MC Alger da Argélia, enquanto o Pyramids do Egipto defronta o AS FAR de Marrocos. Os jogos da segunda mão desta fase estão agendados para os dias 8 e 9 de Abril. O Al Ahly do Egipto é o clube com mais títulos africanos, contabilizando 12.
Aumentou para mais de 1700 o número de mortes causadas pelo sismo que atingiu Myanmar, na sexta-feira, segundo avançou, hoje, a junta militar do país. O porta-voz do Governo controlado pela junta, major-general Zaw Min Tun, disse à emissora estatal birmanesa MRTV que outras 3400 pessoas ficaram feridas e mais de 300 estão ainda desaparecidas.
O anterior balanço, também feito pela junta militar, que desde o golpe de Estado de 2021 detém o poder em Myanmar, apontava para 1 644 mortos, 3 408 feridos e 139 desaparecidos.
O sismo de magnitude 7,7 na escala de Richter foi registado às de sexta-feira e provocou o colapso de vários edifícios e monumentos em Myanmar, no sudeste asiático.
Devido ao abalo, pelo menos 18 pessoas morreram, outras 33 ficaram feridas e 78 estão desaparecidas em Banguecoque, capital da Tailândia, segundo o balanço mais recente das autoridades locais, divulgado no domingo.
Uma equipa de especialistas em catástrofes naturais do Governo japonês vai chegar, esta segunda-feira, a Myanmar, para avaliar os danos causados pelo sismo.
A equipa de cinco membros, composta por funcionários da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA, na sigla em inglês) e pessoal médico, viajará para a área afetada para monitorizar as necessidades das vítimas e a situação de segurança no local, disse hoje o porta-voz do governo japonês Yoshimasa Hayashi, numa conferência de imprensa.
O governo japonês decidiu fornecer mantimentos de emergência e artigos essenciais através da JICA.
Também hoje, a China enviou para Myanmar o primeiro lote de ajuda humanitária, que inclui tendas, cobertores e equipamento de primeiros socorros, de acordo com a Agência de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional da China, citado por Lusa.
No domingo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o sismo em Myanmar no nível mais alto de emergência e lançou um pedido urgente, para reunir oito milhões de dólares para salvar vidas e prevenir epidemias.
O Presidente da República, Daniel Chapo, empossa, hoje, Vice-Procuradora-Geral da República, Irene da Oração Afonso Micas e Uthui, e os Procuradores-Gerais Adjuntos, Mário Ernesto Sevene, Firmino Emílio e Eduardo Leovigildo André Barros Sumana.
As referidas entidades foram nomeadas pelo Chefe de Estado, através de Despachos Presidenciais, sendo que os três Procuradores-Gerais Adjuntos foram designados sob proposta do Conselho Superior da Magistratura do Ministério Público.
Pelo menos 18 pessoas morreram, outras 33 ficaram feridas e 78 estão desaparecidas em Banguecoque, após o impacto do terramoto de 7,7 graus na capital tailandesa na sexta-feira, segundo a última contagem divulgada, hoje, pelas autoridades locais.
A maioria das mortes (11) ocorreu depois do desabamento de um edifício em construção perto do mercado turístico de Chatuchak, na capital, enquanto as outras sete foram registadas noutros pontos da cidade, segundo o balanço do Governo de Banguecoque, divulgado na rede social Facebook.
As autoridades recuperaram, neste domingo, mais um corpo da montanha de escombros deixada pelo edifício que ruiu.
O governador de Banguecoque, Chadchart Sittipunt, disse que a prioridade é a operação de salvamento em Chatuchak, 48 horas após o terramoto, afirmando que há “sinais” de sobreviventes em algumas zonas do desmoronamento.
Numa conferência de imprensa à tarde, citada por Lusa, o vice-governador de Banguecoque, Tavida Kamolvej, disse que os 78 desaparecidos são pessoas que se julga estarem presas nos escombros da torre de 30 andares que ruiu em Chatuchak, enquanto as autoridades tinham anteriormente estimado o número de desaparecidos em 83.
A Tailândia não divulgou as nacionalidades das pessoas afectadas, mas está a transmitir informações sobre o incidente de Chatuchak tanto em tailandês como em birmanês, uma vez que muitos trabalhadores da construção civil no país são oriundos da empobrecida nação vizinha de Myanmar (antiga Birmânia).
O governador disse que os engenheiros tinham verificado 723 edifícios na capital e que apenas dois tinham sido declarados inseguros, após o forte terramoto, cujo epicentro ocorreu a cerca de mil quilómetros de distância, entre as cidades birmanesas de Mandalay e Sagaing.
Em Myanmar, a junta militar que detém o poder desde o golpe de Estado de 2021 avançou, no sábado, que o terramoto terá provocado 1 644 mortos, 3 408 feridos e 139 desaparecidos.