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A 61.ª edição da Feira Agro-Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), que encerra já este domingo, tem na exposição da pecuária um dos seus pontos de maior destaque. O certame serviu de palco para o anúncio, por parte do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, da importação de 800 touros com o objectivo de melhorar a raça de gado bovino no país.

O certame, que decorre desde segunda-feira, permitiu aos criadores exibir exemplares de genética melhorada, animais de crescimento precoce e elevada qualidade de carne. Este esforço colectivo tem como meta estratégica reduzir a dependência das importações e fortalecer a soberania alimentar. 

O Governo reiterou, na ocasião, que acompanha de perto o movimento, garantindo que esta iniciativa será acompanhada pela transferência de tecnologia e pela implementação de boas práticas junto dos produtores.

Para os pecuaristas, que aproveitaram o leilão realizado no sábado para transaccionar os seus melhores animais, começa a consolidar-se uma mudança de paradigma. A consciência de criar gado de corte, vocacionado para o mercado, ganha terreno face ao modelo tradicional de acumulação de cabeças de gado por longos períodos. 

O apelo aos investidores nacionais é claro: existe um vasto mercado por explorar, uma vez que a oferta interna se revela ainda deficitária face às necessidades de consumo.

A modernização estende-se, igualmente, a outros sectores. Além dos bovinos, a feira exibiu aves de elevada produtividade, demonstrando que a procura pela qualidade se alastra a toda a produção pecuária. 

Moçambique enfrenta agora o desafio de fazer crescer os efectivos exponencialmente, aproveitando as oportunidades de negócio que a FACIM, uma vez mais, evidenciou como motores para o desenvolvimento económico do país. 

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O Presidente da República, Daniel Chapo, no uso das competências que lhe são conferidas Constituição da República, nomeou, através de Despachos Presidenciais separados, Elias Jaime Zimba para o cargo de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Moçambique junto da Hungria, da República da Áustria e da República da Polónia.

Segundo um comunicado de imprensa da Presidência da República, Elias Zimba ascendeu à categoria de embaixador em 2015 e, ao longo da sua carreira diplomática, desempenhou diversas funções de relevo. 

Em 2023, foi nomeado Embaixador de Moçambique junto da República Federal da Alemanha, cargo que continua a exercer. 

Em 2024, passou igualmente a representar Moçambique como Embaixador junto da República Checa, acumulando estas funções com a sua nova missão.

O diplomata continuará a exercer as suas funções com residência em Berlim, Alemanha.

A implementação da Tabela Salarial Única (TSU) trouxe prejuízos para os magistrados que deixaram de auferir o subsídio de exclusividade e reduziram drasticamente o de risco. A classe diz ser urgente a alteração da Lei da TSU.

A Lei 5/2022, que aprova os critérios de remuneração de servidores públicos, vulgarmente conhecida por Tabela Salarial Única, TSU, vem sendo contestada desde a sua entrada em vigor em Outubro de 2022. Os magistrados, por exemplo, viram, com base na TSU, retirado o subsídio de exclusividade, que estava fixado em 50 por cento do salário base. Já o subsídio de risco foi reduzido de 40 para apenas 5 por cento, o que os deixa indignados, uma vez que é de Lei que um direito adquirido não pode ser suprimido, extinguido ou modificado.

Outra preocupação tem que ver com a sua segurança. Aliás, Manica foi palco, no ano passado, de série de assaltos a residências de magistrados e instituições da justiça.

O juiz da Quinta Secção do Tribunal Judicial de Chimoio diz que o problema também afecta a esta classe e começa a acreditar na solução.

Os magistrados falaram à margem do processo de eleição do presidente da Associação dos Magistrados do Ministério Público, havida na manhã desta quarta-feira à escala nacional. Na província de Manica, apenas dois procuradores votaram dos 40 existentes na província, porque os restantes 38 não pagam quotas.

O Gabinete provincial de combate à corrupção em Sofala emitiu um ofício ao sector da Educação a solicitar a base legal, que leva a cobrança de valores aos alunos e encarregados de educação, para pagamento de guardas, nas escolas públicas. A educação já respondeu e o Ministério Público diz  não estar  satisfeito com a resposta, por isso foi iniciada uma investigação. 

Inúmeras escolas públicas da província de Sofala têm efectuado cobranças aos alunos e encarregados de educação, para supostamente pagarem aos guardas. O caso é antigo e a legalidade do mesmo  já foi questionada em vários fóruns.

Recentemente, depois de uma denúncia no Ministério Público, dando conta que as cobranças eram ilícitas e, nalgumas escolas, não era destinadas ao pagamentos dos guardas, mas serviam para proveito de gestores da escolas, o Gabinete Provincial de Combate à Corrupção em Sofala decidiu clarificar o caso.

Assim, o gabinete, através de documento, que “O País” teve acesso, solicitou ao sector de Educação o diploma legal que prevê a cobrança dos referidos valores.

“Efectivamente, nós temos o processo crime que corre atinente a estas cobranças ilícitas que são efectuadas nas escolas públicas, alegando pagamento do Guarda. O processo está agora em fase de instrução, e nesta fase, o processo está em segredo de justiça”, avançou Saquina Jenga, do Ministério Público em Sofala. 

O Ministério Público disse que com este ofício pretendia ter a lista oficial das escolas envolvidas neste caso. O “O País” sabe que o sector de Educação em Sofala já respondeu a solicitação do Ministério Público.

“Relativamente a resposta, não vou avançar nada, porque já tinha dito que o processo está em fase de instrução e vigora o princípio de segredo de justiça”, reiterou a porta-voz do  Ministério Público

Uma fonte da Educação disse ao “O País”, sem gravar entrevista,  que a iniciativa de cobrar valores para pagar aos guardas partiu do conselho das escolas, numa reunião que envolveu os pais e encarregados de educação.   

O Gabinete Provincial de Combate à Corrupção em Sofala terminou garantindo que, oportunamente, vai se pronunciar para dar mais detalhes sobre as cobranças de pagamento de guardas nas escolas, mas só depois do encerramento do processo. 

O Estádio da Machava só estará pronto para acolher jogos de futebol entre Outubro e Novembro deste ano, segundo garantia dada pelo PCA do CFM, dono do campo. Agostinho Langa falava durante a visita teleguiada do Ministro da Juventude e Desporto e do Presidente da Federação Moçambicana de Futebol, esta quarta-feira. Caifadine Manasse ainda visitou, esta semana, o recinto do Estádio Nacional do Zimpeto, onde esteve acompanhado pelos técnicos do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, para acompanhar os trabalhos, mas também para olhar para questões de saneamento de meio

A visita do Ministro da Juventude e Desportos, Caifadine Manasse, acompanhado pelo Presidente da Federação Moçambicana de Futebol, inseriu-se na fiscalização para se inteirar do estágio das obras, convista a acolher jogos de futebol, quer das selecções nacionais, bem como dos clubes para jogos do Moçambola.

Na ocasião, os dois dirigentes ficaram a saber do PCA do CFM, Agostinho Langa, dos trabalhos que estão em curso, nomeadamente as intervenções na zona dos balneários, no túnel de acesso, na zona de imprensa, na tribuna, nas bancadas, no piso e na iluminação.

Quanto às bancadas, Agostinho Langa explicou que as mesmas vão ganhar cadeiras plásticas, como forma de fazer melhor aproveitamento do espaço, o que vai permitir que a sua capacidade aumente para 45 mil espectadores, enquanto o piso voltará a ser de relva natural, depois da retirada da relva sintéctica que era usada até 2022.

Relativamente à iluminação, o Estádio da Machava será totalmente remodelado e montado para permitir com que o recinto volte a acolher jogos de noite.

Por outro lado, no recinto desportivo remodelado será montado um sistema de vídeo-vigilância e um espaço para o vídeo-árbitro, bem como uma pista de atletismo de tartan que permita acolher provas nacionais e internacionais.

Entretanto, as obras não são de curto prazo para a sua conclusão, mesmo estando já em 70% d execução, havendo apenas perspectivas de que volte a acolher jogos entre Outubro e Novembro, em alturas em que a colectividade estará nas celebrações dos 101 anos de existência, de acordo com o líder dos verde-e-branco.

Para já, a maior perspectiva é que o recinto desportivo seja utilizado já em Junho, no âmbito das comemorações dos 50 anos da independência nacional, mas sem nenhuma possibilidade de acolher jogo nessa data.

“Se for essa a intenção, de se vir celebrar aqui os 50 anos, sim, o campo estará em condições. Mas para o futebol, não, porque se se concretizar a celebração dos 50 anos, nós não podemos pôr a relva, por razões óbvias. Só depois disso. E colocando-se a relva, precisamos de três meses para ela se consolidar. Portanto, não podemos considerar que a 25 de Junho o campo esteja pronto para o jogo. Não voltamos para a relva sintética, seria um investimento a retroceder-nos para o passado”, frisou o presidente dos “locomotivas” da capital.

Em termos orçamentais, Agostinho Langa revelou que o mesmo aumentou em perto de 50% devido aos reajustes efectuados, dentre eles para a iluminação eléctrica e para a modernização do túnel de acesso.

“Inicialmente estavam previstos 10 milhões de dólares como investimento. Algumas áreas, por exemplo, a área eléctrica, mesmo o túnel, aquilo que nós inicialmente tínhamos pensado, depois tivemos que evoluir para uma outra solução. Portanto, deslizou-se um bocado acima. Não vou dizer quanto é que vai ser, porque mais de 50% será, certamente”, esclareceu.

Caifadine Manasse satisfeito com execução das obras

O ministro da Juventude e Desportos mostrou-se satisfeito e impressionado com o projecto de requalificação do Estádio da Machava. Saudou a coragem da empresa CFM de melhorar o campo de forma a ter um perfil internacional. 

“O que nós sentimos é que o CFM tem uma direcção que olha o desporto como aquilo que tem que galvanizar cada vez mais a nossa economia, tem que fazer com que a juventude desta zona, assim como os moçambicanos, tenham a oportunidade de ter mais um campo com perfil de campos internacionais. Isto mostra que a decisão que o CFM tomou perante esta grande infraestrutura, que é uma infraestrutura que é aqui onde foi declarada a nossa independência pelo presidente Samora Machel, demonstra claramente que, ao pensar assim, a direcção do CFM merece a nossa saudação e merece o nosso agradecimento. Saímos daqui felizes porque temos tido problemas de infraestruturas desportivas”, disse o Ministro da Juventude e Desporto.

Aliás, o governante disse que o que viu mantém a sua visão de ver Machava como alternativa viva ao Estádio Nacional do Zimpeto para jogos internacionais dos Mambas e dos clubes nacionais envolvidos nas Afrotaças.

“Há de ver que há pouco tempo nós tivemos que jogar fora porque o nosso Estádio do Zimpeto não estava em condições. Nós sempre falamos que tem um campo alternativo que é este, que é o campo da Machava, e quando chegamos aqui hoje, vimos este grande trabalho que está sendo feito”, frisou Caifadine Manasse.

Já o Presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Feizal Sidat, congratulou a empresa CFM pelo projecto que está a executar e frisou que a organização que lidera está a acompanhar de perto o desenvolvimento das obras, tanto mais que serve como conselheiro do empreendimento.

Ainda assim, Sidat alertou que ainda há muito trabalho por ser feito, para que se cumpram os requisitos necessários para que seja aprovado para acolher jogos internacionais.

“Mas pela abordagem que tivemos com os donos da obra, a previsão é que as obras sejam finalizadas entre Outubro e Novembro, pelo que até lá acreditamos que muita coisa será feita”, frisou Feizal Sidat.

Apesar das projecções indicarem Outubro ou Novembro para que o Estádio da Machava esteja pronto, o líder da Casa do Futebol descarta a possibilidade de acolher os jogos dos Mambas, em Setembro e Outubro deste ano, do apuramento ao Mundial-2026.

“Há bastante trabalho por fazer, pelo que temos de ter outra alternativa para que possamos receber o Botswana e a Guiné-Conacry”, disse.

Para já, o maior prémio que o Estádio da Machava pode ter é a disputa da final da Taça de Moçambique, em finais de Novembro ou princípios de Dezembro, em função do calendário de jogos do Moçambola-2025.

AGOSTINHO LANGA – PCA do CFM

É um grande investimento. É do CFM, mas é um investimento do Estado moçambicano. O Estádio é um património nacional e nós, na discussão sobre a requalificação, quisemos manter o traço inicial do Estádio. Portanto, como digo, é um grande investimento nacional de preservação daquilo que é o Estádio Nacional, por tudo o que representa, sobretudo em relação à celebração da independência nacional. Nós estamos à espera que em Outubro, aproveitando o aniversário do Ferroviário, o estádio esteja em condições de ser utilizado. Desde o primeiro dia que convidamos a federação para nos assessorar, porque nós sabemos que nós somos especialistas na matéria, e todas as correcções que eles levantaram e propuseram, nós vamos tomar em consideração e penso que sim, podemos.

CAIFADINE MANASSE – Ministro da Juventude e Desporto

Aqui mostra-se claramente que os moçambicanos estão a assumir de forma séria, aquilo que é o patriotismo, e na gestão das empresas estão a olhar que tem que também trabalhar para aquilo que é bom para os moçambicanos. O desporto é bom para os moçambicanos. O desporto junta moçambicanos, junta várias sensibilidades. Isto significa que o CFM está a olhar com muita responsabilidade esta questão do desporto. Saímos felizes e encorajamos que a direcção continue por cima deste grande projecto, trabalhe no sentido de rapidamente termos esta infraestrutura terminada, porque só assim estaremos a contribuir ou a fazer as coisas de forma diferente para ter resultados diferentes, como disse o nosso presidente. E também trabalharemos com a direção do CFM para que este campo seja alternativa nos próximos momentos. Sabemos que o Ferroviário de Maputo vai para as Afrotaças e nós gostaríamos que os moçambicanos assistam aos jogos aqui neste campo, que é importante.

 

A Sala Grande do Centro Cultural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo, acolhe, Sexta-feira, às 20h, o espectáculo multidisciplinar “Só Elas”, da cantora e compositora Tchakaze. 

Acompanhada por uma banda feminina que dá nome ao projecto, Só Elas, a performance contará com a participação especial de Delta Acácio, Kayena Xihiwa e Sizaquel Matlombe na música, Dorcas Tamele e Cecília Rodrigues na poesia, Dina Francisco na dança, e Juliana de Sousa como Mestre de Cerimonia.

Para o Franco, focada em destacar o talento e a expressão artística feminina, em “Só Elas” Tchakaze promove o autoconhecimento e incentiva uma maior participação das mulheres no panorama cultural e social, reforçando a sua presença no mercado das artes e da cultura. 

A iniciativa baseia-se na ideia de que o empoderamento, a motivação e a inspiração transformam o indivíduo num agente activo, colocando a mulher no centro desse processo. Ao longo deste percurso, ganha autonomia para enfrentar barreiras e desafios, como a violência doméstica, enquanto desenvolve o autocuidado físico e mental e a sua expressão criativa.

Tchakaze, 34 anos de idade, natural de Maputo, é uma artista multifacetada: cantora, actriz, compositora, coreógrafa e activista social.

Formada em Psiquiatria e Saúde Mental pelo Instituto de Ciências de Saúde de Maputo, iniciou a sua carreira artística aos 17 anos, quando subiu ao palco pela primeira vez como corista do músico Penny Penny, na companhia das irmãs Belita e Domingas, e também como integrante da banda Omba Mô.

Em 2014, Tchakaze gravou as canções Nkata e Donguissa, que se tornaram grandes sucessos. Ao longo da sua carreira, recebeu diversos prémios, incluindo Artista Revelação e Melhor Voz no Ngoma Moçambique, e Melhor Canção pela 99FM. Ganhou grande destaque através do programa Super Tardes da STV, mas já se destacava antes como bailarina do grupo sénior Maxaqueninha e actriz em várias peças teatrais.

Com um estilo que mistura Pop e Soul com influências tradicionais, já partilhou o palco com grandes artistas nacionais e internacionais, como Penny Penny, Zahara, Nomcebo, Aniano Tamele, Yolanda Kakana e Deltino Guerreiro.

Com 10 anos de carreira, Tchakaze lançou um álbum e vários singles, disponíveis tanto em formato físico quanto digital. Actuou em festivais internacionais em Macau, África do Sul e eSwatini, e realiza apresentações em eventos de diferentes dimensões, desde festivais a celebrações privadas. Recentemente, integrou o elenco da série A Infiltrada, do grupo Multichoice, no papel de Janete.

“So elas” vai encerrar o programa de actividades do Mês dos Direitos da Mulher, uma iniciativa promovida pela Embaixada de França em Moçambique. 

O autor Liodêngua vai estreia-se em livro com “Lamúrias Para o Meu Amor”, chancelado 

pela Mapeta Editora. O lançamento do  livro está agendado para a cidade da Beira, dia 10 de Abril, no Centro Cultural Português, a partir das 18 horas. 

“Lamúrias Para o Meu Amor” é uma colectânea de poemas que aborda a violência baseada no género. Através de versos que expõem cicatrizes invisíveis e gritos sufocados, a obra literária mergulha na intimidade das vítimas, denunciando a brutalidade do silêncio imposto e a urgência de mudança.

Liodêngua é pseudónimo de Virgílio Teixeira Dêngua, nascido a 15 de Fevereiro de 1993, na cidade de Nampula. O autor iniciou a sua carreira artística muito cedo, ainda petiz, inspirado por seus irmãos. É escritor, artista plástico, artista gráfico, retratista, requalificador urbano, jornalista cultural e profissional de informática.

Luís Taiado Vasco Jone é Mestre em Gestão de Média Digital pela Universidade Eduardo Mondlane e Licenciado em História com Habilitação em Geografia pela Universidade Pedagógica. A sua carreira abrange comunicação, jornalismo, radiodifusão e produção multimédia, destacando-se em projectos de impacto social.

A apresentação estará a cargo do comunicólogo Luís Taiado.

 

Paulina Chiziane defende que a mulher deve voltar às raízes de modo a resgatar a identidade moçambicana. A escritora critica o excesso de uso de cabelos importados e considera importante exaltar a cultura.

Na palestra realizada na Universidade Pedagogica de Maputo, Paulina Chiziane foi directa e categórica ao criticar o que considera “auto colonização da mulher”, que se verifica de forma crescente, nos últimos tempos.  

“Eu não sei se estamos a evoluir, nem para onde vamos nós mulheres. As mulheres de hoje desprezam-se. Comprar cabelos e pôr na cabeça, porque? Eu também comprava cabelos, até descobrir a história do meu próprio corpo … e percebi que quando faço essas coisas, estou a colonizar-me, a mim mesma…África tem valores para dar”, explicou Paulina Chiziane. 

De mulher para mulheres, a escritora explicou que tal facto coloca em causa a verdadeira essência cultural da mulher moçambicana e a História.

“O cabelo da mulher negra salvou gente, mas vocês acham que ele não presta. Respeitem o vosso cabelo, reconheçam o papel histórico para a libertação humana através do vosso cabelo”.   

Na palestra subordinada ao tema “Educação da Mulher em Moçambique”, Paulina Chiziane interagiu com as participantes. 

A autora de Balada de amor ao vento entende, igualmente, que a mulher deve contribuir, por meio da academia, para que a História do país seja bem escrita, de modo a que a identidade não se perca. 

“Podemos juntos fazer este juramento, dizendo que com o conhecimento recebido na universidade, iremos mostrar ao mundo que a mulher tem história”.

Paulina Chiziane dirigiu a palestra no âmbito do Dia da Mulher Moçambicana, que se assinala na próxima segunda-feira.

A crise na Renamo já não pode ser ignorada. O partido, que durante décadas simbolizou a resistência política e militar em Moçambique, enfrenta uma contestação interna que cresce a olhos vistos. Em Massinga, província de Inhambane, o descontentamento atingiu um novo patamar, com membros do partido a fecharem a sede local e a queimarem cartazes com a imagem de Ossufo Momade, num claro sinal de rejeição à sua liderança.

A revolta é liderada pelos antigos guerrilheiros da Renamo, aqueles que, com armas na mão, sustentaram a guerra civil e, mais tarde, garantiram a presença do partido na arena política, mas que, agora, sentem-se traídos. Acreditam que Momade perdeu o rumo e conduziu a Renamo à inércia. Jovens e mulheres do partido também engrossam as fileiras da contestação, num movimento que já não se restringe apenas a uma ala específica, mas que atravessa gerações dentro da organização.

Alexandre Nucumba, desmobilizado da Renamo, é uma das vozes mais críticas da actual liderança. Para ele, o que está a acontecer não é apenas uma insatisfação passageira, mas um reflexo de anos de promessas não cumpridas e de uma gestão desastrosa do partido. 

“Ossufo Momade traiu os ideais da Renamo. O partido pelo qual lutamos e arriscamos a vida já não existe. Ele vendeu a nossa luta, entregou tudo de bandeja, e nós não vamos aceitar isso calados”, denunciou, visivelmente revoltado.

A indignação de Nucumba não é isolada. O sentimento de traição ecoa entre vários membros que, nas eleições passadas, viram a Renamo ser esmagada nas urnas sem uma reação à altura.

 “O que nos doi é que ele se calou depois das eleições. Sofremos uma das maiores derrotas da nossa história e, em vez de lutar pelos nossos votos, Momade ficou em silêncio e o partido parou desde lá. O que mais precisamos para perceber que ele já não nos representa?”, questiona.

Para muitos, o líder da Renamo tornou-se um nome associado à passividade. A sua postura frente às negociações políticas, sua incapacidade de mobilizar o partido e a ausência de uma estratégia clara para recuperar o espaço perdido são apontadas como as razões para o desmoronamento da confiança dentro da Renamo.

Se antes a contestação era dominada pelos antigos combatentes, agora o cenário mudou. Jovens e mulheres do partido, que outrora viam em Momade um líder de transição, após a morte de Afonso Dhlakama, agora também exigem a sua saída. José Armindo, representante da Liga Juvenil da Renamo, não esconde a frustração. “A juventude quer um líder com visão, com capacidade de nos inspirar e de enfrentar a Frelimo sem medo. Momade não tem nada disso. Ele acomodou-se, aceitou migalhas, enquanto nós ficamos sem direção”, critica.

A Liga Feminina da Renamo também se posicionou contra a actual liderança. Glória Damião, uma das vozes femininas mais influentes dentro do partido em Inhambane, reforça o coro de críticas. “As mulheres da Renamo sempre estiveram na linha da frente, mas hoje sentimos que o partido perdeu a sua essência. Não podemos continuar com um líder que não escuta, que não reage e que só nos enfraquece”, afirma.

O clamor por mudança não é apenas uma expressão de descontentamento – é um pedido formal. Os antigos guerrilheiros e as novas gerações dentro do partido querem a convocação imediata de um Conselho Nacional, onde possa ser eleita uma nova liderança capaz de revitalizar a Renamo e resgatar o partido da apatia em que se encontra.

Alexandre Nucumba é categórico: “Não estamos aqui para negociar. Exigimos um Conselho Nacional agora. A Renamo não pode esperar mais, ou vai acabar de vez. Precisamos de um líder forte, que saiba para onde estamos a ir. Momade já demonstrou que não é esse líder”.

A pressão por uma mudança no topo do partido tem crescido em várias províncias, e a crise que agora explode em Massinga é apenas um dos muitos focos de insatisfação. No início do ano, delegados distritais da Renamo em Inhambane já haviam marchado até à sede provincial para exigir a destituição do delegado político de Inhambane. Agora, a revolta escalou para um nível mais agressivo, tornando insustentável a permanência de Ossufo Momade sem enfrentar resistência interna.

A grande questão que paira sobre a Renamo neste momento não é se haverá mudanças, mas sim quando e de que forma elas ocorrerão. Se a liderança insistir em ignorar os sinais claros de colapso interno, a crise pode aprofundar-se ainda mais, levando o partido a um ponto sem retorno.

Ossufo Momade está sob cerco. As vozes que pedem a sua saída já não podem ser abafadas, e a pressão para que renuncie ou convoque um Conselho Nacional pode tornar-se insustentável nos próximos meses.

O Atlético de Madrid defronta, esta noite, o Barcelona, em partida da segunda mão das meias-finais da Taça do Rei da Espanha. A equipa de Reinildo Mandava empatou na primeira mão a quatro bolas. Real Madrid venceu Real Sociedad e está na final da prova.

Jogo de todas as decisões entre Atlético de Madrid e Barcelona para a Taça do Rei. Depois da vitória dos culés sobre os colchoneros para o campeonato por 4-2 há duas semanas, e do empate a quatro golos na primeira mão da Taça do Rei, o jogo desta noite será do tira-teimas.

Com Reinildo a titular nos dois jogos, a equipa de Diego Simeone quer repetir a proeza da vitória na primeira volta do campeonato, por 2-1, e alcançar a final da prova, à busca do 11º título.

Por outro lado, o Barcelona, Rei da Taça com 31 títulos, quer regressar a uma final quatro anos depois, e tentar o 32º troféu.

O vencedor da partida desta quarta-feira, a partir das 21:30, defronta o Real Madrid, que, na meia-final diante da Real Sociedad, venceu por 5-4 no agregado, com Rudiger a ser o herói madrileno.

A final da Taça do Rei está marcada para 26 de Abril corrente.

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