A 61.ª edição da Feira Agro-Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), que encerra já este domingo, tem na exposição da pecuária um dos seus pontos de maior destaque. O certame serviu de palco para o anúncio, por parte do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, da importação de 800 touros com o objectivo de melhorar a raça de gado bovino no país.
O certame, que decorre desde segunda-feira, permitiu aos criadores exibir exemplares de genética melhorada, animais de crescimento precoce e elevada qualidade de carne. Este esforço colectivo tem como meta estratégica reduzir a dependência das importações e fortalecer a soberania alimentar.
O Governo reiterou, na ocasião, que acompanha de perto o movimento, garantindo que esta iniciativa será acompanhada pela transferência de tecnologia e pela implementação de boas práticas junto dos produtores.
Para os pecuaristas, que aproveitaram o leilão realizado no sábado para transaccionar os seus melhores animais, começa a consolidar-se uma mudança de paradigma. A consciência de criar gado de corte, vocacionado para o mercado, ganha terreno face ao modelo tradicional de acumulação de cabeças de gado por longos períodos.
O apelo aos investidores nacionais é claro: existe um vasto mercado por explorar, uma vez que a oferta interna se revela ainda deficitária face às necessidades de consumo.
A modernização estende-se, igualmente, a outros sectores. Além dos bovinos, a feira exibiu aves de elevada produtividade, demonstrando que a procura pela qualidade se alastra a toda a produção pecuária.
Moçambique enfrenta agora o desafio de fazer crescer os efectivos exponencialmente, aproveitando as oportunidades de negócio que a FACIM, uma vez mais, evidenciou como motores para o desenvolvimento económico do país.
O sociólogo Rildo Rafael defende que a violência baseada no género (VBG) em Moçambique, que tende a subir ano após ano, tem origens nas profundezas da sociedade, na qual são inculcados valores sobre a masculinidade e feminilidade. Desde muito cedo a mulher aprende que é “um objecto do homem”.
“No seio deste processo de aprendizagem social é onde se inculcam esses valores ligados à virilidade e a violência, daí os homens terem essa pretensão de acharem as mulheres como objectos, em que eles a qualquer momento podem exercer esse controle sobre as mulheres, cometendo vários tipos de atrocidade”, explicou o sociólogo.
O sociólogo Rildo Rafael falava ao “O País” sobre as causas que estão por detrás da crescente violência contra as mulheres no país e, de forma particular, na província de Sofala. Rafael indicou que o modelo patriarcal, que é o processo de inculcação de valores, subalterniza as mulheres e eleva os homens.
“Muitas vezes, o que ocorre também (…) é exactamente a dramatização da violência, a espetacularização da violência por parte dos homens. É preciso começar a problematizar isso: como é que essa violência ocorre por meio da desigualdade de género. O que se dá entender, muitas das vezes, é que as situações ocorrem por questões passionais, o que dá a sensação que há um histórico de traição que envolve as mulheres, mas, o que na verdade sustenta esse tipo de violência é a reprodução do modelo patriarcal”, explicou.
O nosso entrevistado indicou que ultimamente o nível de violência contra as mulheres tende a crescer porque há um esvaziamento dos valores que são transmitidos na sociedade.
“Sobretudo, na família. Nós olhamos para a família como um sítio de paz, mas é na família onde grande parte das relações de poder são inculcadas nas crianças, sobretudo nas mulheres e nos homens. Então, é no âmbito da família e na escola, onde devem começar a se transmitir valores de equidade de género”, recomendou a fonte
Rildo Rafael terminou exortando a sociedade a reforçar a transmissão de valores ligados a igualdade de género, sobretudo na divisão dos papeis sociais, que para ele é o cerne do problema.
Um parceiro-chave da coligação, o partido Aliança Democrática (DA), votou contra o orçamento de 2025, na África do Sul, junto dos partidos da oposição o UMkhonto we Sizwe e os Combatentes pela Liberdade Económica.
Os legisladores aprovaram a estrutura fiscal na quarta-feira. A Aliança Democrática (DA) rejeitou o quadro fiscal, juntamente com os partidos de oposição uMkhonto we Sizwe e os Combatentes pela Liberdade Económica.
O controverso orçamento aumentará o imposto sobre valor agregado (IVA) do país, a partir do próximo mês.
O valor será aumentado em mais meio ponto percentual, no ano seguinte, colocando a taxa de
De acordo com o último orçamento, mais de 20 milhões de pessoas na África do Sul dependem de auxílios sociais, com a taxa de desemprego do país em pouco mais de 32%.
Em meio ao lento crescimento econômico e às altas taxas de desemprego, estima-se que o aumento de 0,5% gere cerca de 800 milhões de dólares em receita anualmente.
Isso poderia ser usado para financiar programas governamentais de saúde, educação e serviços sociais.
O promotor público pediu que o Tesouro fizesse mais para reanimar a economia lenta e revisasse os gastos do governo. Após a votação, o governo disse que contestaria o resultado do orçamento na justiça.
O DA juntou-se ao governo de unidade depois que o partido Congresso Nacional Africano (CNA) perdeu sua maioria parlamentar no ano passado.
A Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional, ACLLN, expressou, na abertura da Quarta Sessão do Comité Central da Frelimo, o reconhecimento e o empenho de todos os que têm conseguido acatar as orientações do Governo, que, de forma cautelosa e pragmática, está a guiar o país rumo à estabilidade política, social e económica.
Na percepção da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional, Chapo está a saber, de forma firme, conduzir os destinos do país, minimizando os impactos negativos das adversidades que o Estado enfrenta.
Para a ACLLN, Chapo inspira confiança ao povo e a comunidade internacional, pois, nas suas abordagens, demonstra que é líder pacifista e democrático. Pelo que, solicitou a ACLLN, que Chapo continue a granjear simpatia e segurança ao povo, para que se tenha um espaço em que crianças, adolescentes e jovens compreendam que a estabilidade reside na união de todo o povo moçambicano e, por isso, foi possível alcançar-se a independência nacional.
A Quarta Sessão do Comité Central da Frelimo foi convocada pela Comissão Política do partido, e, no dia da abertura, contou com a presença de 241 membros, dos 251 efectivos.
Cidália Chaúque disse que é essencial que seja encontrado um programa de governação que olhe para a realidade do país, e que tenha em conta a estabilidade social. A política moçambicana falava, hoje, à margem da sessão extraordinária do Comité Central da Frelimo.
Como membro do Comité Central, Cidália Chaúque disse esperar uma sessão de muita discussão, e ver a aprovação de um programa com o qual o Governo vai poder trabalhar e que tenha em conta a realidade social.
“Neste plano de governação, o principal que não pode faltar é a componente da realidade do país. Temos que encontrar um plano que transmita a realidade (…) um plano que o governo vai poder executar na sua máxima força, mas tendo em conta a estabilidade social e a paz do país”, disse Chaúque.
Judite Mussácula, por sua vez, diz ser essencial que os planos de governação tragam paz e reconciliação entre todos os moçambicanos. “Estes são elementos muito fortes, porque sem a paz teremos dificuldades de concretizar o nosso plano quinquenal. Então, os passos estão a ser dados muito bem, pelo presidente da Frelimo e Presidente da República, o camarada Daniel Chapo”, reiterou.
Há um local em Nampula onde os chamados “naparamas” impõem as suas vontades desde Dezembro do ano passado. A população convive com homens munidos de catanas, flechas e azagaias. O governador da província foi “devolver a autoridade do Estado”.
São 250 quilómetros que separam a cidade de Nampula do posto administrativo de Mutuale, mas a realidade entre os dois sítios é tão abismal que não parece ser o mesmo território. Falta ordem civil naquele posto administrativo, com os “naparamas” a passearem a sua classe, impondo as suas leis e circulando com catanas, flechas, azagaias e outros objectos perfurantes em plena luz do dia.
“Em honra da bandeira nacional, apresenta… arma” – ecoava assim a voz de uma militar, num ritual próprio, enquanto outros enrijavam os corpos numa pose de continência enquanto o outro protagonista militar içava a bandeira nacional.
“Nós viemos aqui para restabelecer a ordem pública e instalar toda a administração pública local”, diz Eduardo Abdula, governador de Nampula, explicando o sentido daquele acto simbólico que aconteceu na tarde desta quarta-feira, 02.04.
A forte presença de militares ajudava a compreender o ambiente social que se vive naquele território, e os edifícios do Estado vandalizados são o testemunho da violência que teve lugar num passado recente.
“Quero acreditar que isto aconteceu depois do início das manifestações violentas, de Dezembro a esta parte”, avançou o governante e precisou que durante esse período os serviços públicos não funcionavam em pleno porque a secretaria local foi incendiada, assim como outros edifícios onde funcionavam os diversos serviços, para além da residência oficial do chefe do posto que inclusivamente abandonou o seu território de jurisdição.
Mas a sede do posto administrativo não é o ponto central do problema neste momento. A mais ou menos um quilómetro e meio dali é onde os “naparamas” impõem as suas vontades e nem se deixam intimidar com a presença das Forças de Defesa e Segurança.
“Aquela situação de Venâncio é que provocou isto. Dali, eles se infiltraram e começaram a criar esta situação”, anotou Felismino Augusto Jorge, residente em Mutuale.
O comércio está fechado e os agentes económicos são extorquidos pelos “naparamas”. “Todos os dias levam catanas e mandam fechar as lojas. Assim, os ‘patrões’ não estão a vender. Hoje vieram às 13h00 e disseram para se fechar todas as lojas em todo o mercado e assim fecharam”, acrescentou Domingos Tomé, jovem de 25 anos residente em Mutuale.
O governador de Nampula ouviu o desabafo da população e tranquilizou assegurando que o Estado voltou a estar próximo do povo, três meses depois. “O que é proibido é pegar catanas e ameaçar pessoas; o que é proibido é queimar loja da população”, precisou, numa interação com um pequeno grupo de populares, a menos de dez metros de onde estavam os “naparama”.
Um assunto que desafia as Forças de Defesa e Segurança a evitar a continuação da violência, e por outro lado, cortar a existência de grupos que põem em causa a autoridade do Estado.
“Quero agradecer o vosso trabalho, o vosso desempenho e quero que continuemos firmes na defesa da nossa pátria e como acabais de dizer agora que a nossa moral combative está alta”, concluiu, numa breve comunicação com os militares que estão posicionados naquele local.
Nesta sexta-feira, pelas 10h30, será apresentado aos leitores o livro “Os três corações de Ndawina”, da autoria de Pedro Pereira Lopes, e ilustrado por Maurício Negro, integrada na Semana da Leitura.
A apresentação foi preparada pelos alunos do quarto ano da Escola Portuguesa de Moçambique, com o professor Pedro Camarinha, e terá como destinatários todos os alunos do quarto ano daquela instituição, bem como os alunos da Escola Portuguesa de Moçambique – polo da Beira e Escola Portuguesa de Cabo Verde, que assistirão à distância.
“Ndawina, a menina que descobre a magia de um livro em “Porque é um livro mágico” volta a encantar-nos ao descobrir os dilemas que teria de enfrentar se fosse como um polvo e tivesse três corações. Um texto que se lê com um sorriso sempre presente e um livro que se desfruta pela combinação do enredo e das imagens belíssimas de Maurício Negro”, adianta a nota de imprensa da Escola Portuguesa.
Pedro Pereira Lopes nasceu na Zambézia, em 1987. É professor e investigador em Ciências Políticas. Escreve poesia, contos, ensaios, relatos de viagem e autor de um romance. Escreveu vários livros para o público infanto-juvenil, vários dos quais editados pela EPM-CELP. Tem vários prémios literários e foi finalista do Prémio Oceanos. Realiza um importante trabalho na divulgação da literatura e dirige a editora Gala Gala.
Maurício Negro nasceu em São Paulo, Brasil, em 1968. Além de ilustrador, é escritor, designer, investigador, curador e gestor cultural. Ilustrou dezenas de títulos brasileiros e africanos e tem muitas obras de autoria afro-brasileira. É defensor das causas do ambiente e das minorias étnicas. Tem inúmeros prémios de todo o mundo no seu currículo e muitos dos livros por si ilustrados têm o selo do Clube de Leitura ODS.
Uma equipa conjunta do Conselho Municipal de Maputo e do Ministério da Juventude e Desporto, liderada pelo respectivo Ministro, Caifadine Manasse, efectuou uma visita, ao Estádio Nacional do Zimpeto, no início desta semana, para aferir de perto a situação de saneamento e meio que o recinto desportivo apresenta.
No local a equipa conjunta se deparou com enorme quantidade de lixo nos arredores da vedação do estádio, principalmente do lado onde se localiza o mercado, o que periga a saúde dos utentes da Piscina Olímpica que se localiza no espaço adjacente ao estádio, bem como dos utentes directos e indirectos do local.
Caifadine Manasse, que falava durante a visita ao Estádio da Machava, disse que o plano conjunto é resolver os problemas das águas residuais que danificam a infraestrutura desportiva.
“Tivemos uma audiência com o presidente do Município de Maputo, a quem agradecemos, porque um dos pontos que fomos lá colocar era a questão do Zimpeto. Nós temos um mercado ali ao lado em que também temos problema de águas que estão a sair da Vila Olímpica, que estão a criar algum problema ali dentro. Estivemos com técnicos do Município lá no Zimpeto para fazer avaliação e para trabalharmos para a melhoria daquela zona”, esclareceu Manasse.
O Ministro da Juventude e Desporto assegurou que o acompanhamento das obras que decorrem no Estádio Nacional do Zimpeto será permanente e semanal. “Estaremos lá todos os dias, estaremos por cima dos acontecimentos e trabalharemos para que o Zimpeto dos moçambicanos, o estádio dos moçambicanos, volte à sua normalidade”, disse, frisando ainda que “se eu não estiver lá, irá um quadro da direcção nacional, nesse caso o Diretor Nacional do Desporto, Secretário Permanente ou outro. A verdade é que o Zimpeto será visitado todas as semanas pela direcção do ministério até que esteja em condições”.
Caifadine Manasse assume o compromisso e a responsabilidade de colocar as infraestruturas desportivas nacionais em condições de serem utilizadas para o bem do desporto e dos moçambicanos. “É uma infraestrutura do governo que nós temos que trabalhar e para nos responsabilizarmos no sentido de que aquilo que é do povo esteja em condições. E nós estamos lá para isso”, finalizou.
As obras do Estádio Nacional do Zimpeto decorrem desde o mês de Fevereiro e não acolheu o jogo dos Mambas, em Março, devido a má qualidade da relva, sendo que os trabalhos acontecem em vários compartimentos, desde as casas de banho, vedação, bancadas, iluminação, torniquetes e balneários.
O Presidente da República, Daniel Chapo, reafirmou esta quarta-feira o compromisso do governo moçambicano com o desenvolvimento do sector energético ao receber, em audiência, o presidente da multinacional sul-africana Sasol, Simon Baloy. O encontro serviu para avaliar o progresso do Contrato de Partilha de Produção (PSA), um investimento de um bilião de dólares norte-americanos que se aproxima da sua conclusão e promete fortalecer a economia nacional através da produção de gás e electricidade.
À saída do encontro, Simon Baloy destacou a importância do projecto PSA para Moçambique, sublinhando que se trata de “um projecto maravilhoso que fizemos com o projecto moçambicano”. O investimento permitirá a produção de gás natural e o fornecimento de energia à Central Térmica de Temane (CTT), que também está em fase de conclusão.
O presidente da Sasol revelou ainda que o projecto contribuirá para a produção de gás de petróleo liquefeito (LPG), reduzindo, assim, a dependência de importações desta fonte energética. “Também produziremos LPG, que será usado para reduzir a quantidade de gás importado para Moçambique”, afirmou Baloy, ressaltando o impacto positivo para a segurança energética do país.
A Sasol, que opera em Moçambique há mais de duas décadas, reafirmou seu compromisso de longo prazo com o país. “Estamos neste país há mais de 20 anos e estaremos aqui até os próximos 20 anos e mais”, declarou Baloy, evidenciando a continuidade dos investimentos e parcerias estratégicas com o governo moçambicano.
O executivo da Sasol destacou ainda o ambiente favorável para os negócios proporcionado pela actual governação, apesar dos desafios enfrentados. “Mesmo que tivéssemos alguns desafios, estamos animados com a estabilidade que o Presidente está trazendo para o país, junto de todos os parceiros, para criar um lugar conjuntivo para o negócio”, afirmou.
A Central Térmica de Temane, que utilizará o gás fornecido pela Sasol, deverá elevar para o dobro a capacidade de produção energética com gás moçambicano, atingindo 900 megawatts. Este reforço na produção de electricidade é um passo fundamental para garantir a estabilidade energética do país e impulsionar o crescimento industrial.
Simon Baloy manifestou entusiasmo com a continuidade da presença da Sasol em Moçambique e com o impacto positivo que os seus investimentos trarão para o país. “Estamos animados para continuar contribuindo para o desenvolvimento da Sasol em Moçambique”, finalizou.
O Presidente da Frelimo, Daniel Chapo, visitou, esta quarta-feira, a Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLIN), para a escolha do secretariado, depois da morte do secretário-geral da instituição, Fernando Faustino.
Daniel Chapo disse à imprensa que é importante que sejam preenchidas as vagas do secretariados da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional. “Como sabem, a nível da ACLIN, perdemos o Camarada Fernando Faustino, o nosso secretário-geral da ACLIN, que Deus o tenha, e nós vamos ter que sentar como ACLIN, para ver como é que realmente podemos organizar este processo das eleições do nosso secretário-geral”, disse Daniel Chapo, reiterando a necessidade de “preencher as vacaturas a nível do secretariado da ACLIN”
Além desta associação, Chapo mencionou outros órgãos da Frelimo, que também carecem de novas eleições, para eleger o secretariado, pois os seus secretários-gerais ocupam outros cargos.
“Temos também a mesma situação a nível da OMM, a secretária-geral da nossa Organização da Mulher Moçambicana, que é a organização social do nosso partido, foi eleita para deputada da Assembleia da República, e achamos que também, ao nível da OMM, precisamos de fazer eleições (…). Ao nível da nossa OJM, também temos o nosso secretário-geral, que foi nomeado secretário de Estado na província de Niassa”, explicou.