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Adélia Macucule defende soluções adaptadas às mudanças climáticas para reforçar a produção de alimentos e desafia jovens a transformarem a agricultura numa fonte sustentável de rendimento.

A Primeira Secretária do Comité Provincial da Frelimo em Inhambane, Adélia Macucule, defendeu esta quarta-feira, no distrito de Funhalouro, uma mudança de paradigma na produção agrícola, sustentando que o combate à insegurança alimentar passa pela adopção de soluções inteligentes, resilientes e ajustadas às novas condições climáticas que afectam a província.

A dirigente falava durante o encontro que marcou o arranque da sua visita de trabalho ao distrito, uma das zonas mais vulneráveis aos efeitos das secas cíclicas e da irregularidade das chuvas, fenómenos que, nos últimos anos, têm condicionado a produção agrícola e agravado a vulnerabilidade de milhares de famílias.

Perante dirigentes locais do partido e membros do Governo distrital, Adélia Macucule defendeu que a agricultura em Funhalouro deve evoluir para um modelo mais adaptado às características agroecológicas do território, privilegiando culturas compatíveis com o tipo de solo, a disponibilidade de água e o comportamento climático da região.

Na sua intervenção, considerou que a produção de alimentos deve deixar de depender exclusivamente dos modelos tradicionais de cultivo e passar a incorporar práticas agrícolas mais resilientes, capazes de garantir colheitas mesmo em períodos marcados pela escassez de precipitação.

Para a dirigente, a resposta aos desafios impostos pelas mudanças climáticas exige inovação, capacidade de adaptação e um maior aproveitamento das potencialidades locais, transformando a agricultura numa actividade economicamente sustentável e suficientemente robusta para assegurar o sustento das famílias.

Um dos eixos centrais da mensagem de Adélia Macucule foi dirigido à juventude. A Primeira Secretária apelou aos jovens para que encarem a agricultura como uma oportunidade de criação de emprego e geração de rendimento, defendendo o aproveitamento sustentável dos recursos naturais disponíveis no distrito.

Segundo afirmou, o auto-emprego continua a representar uma das respostas mais eficazes para reduzir o desemprego juvenil, sobretudo em distritos predominantemente rurais como Funhalouro, onde a terra permanece como um dos principais activos económicos.

A dirigente incentivou igualmente os jovens a desenvolverem iniciativas inovadoras ligadas ao sector agrário, apostando na diversificação da produção, na adopção de tecnologias apropriadas e na valorização das cadeias de valor agrícolas, como forma de aumentar o rendimento das famílias e dinamizar a economia local.

A visita de trabalho enquadra-se na estratégia da Frelimo de reforçar o acompanhamento político e social das comunidades, através do contacto directo com a população e as estruturas locais do partido.

Durante a sua permanência em Funhalouro, Adélia Macucule deverá manter encontros de auscultação com diferentes grupos sociais, líderes comunitários e outras personalidades influentes do distrito, com o objectivo de recolher preocupações, identificar os principais desafios enfrentados pelas comunidades e acompanhar a implementação das políticas públicas ao nível local.

Espera-se que os encontros permitam recolher contribuições para o reforço das estratégias de desenvolvimento do distrito, com particular incidência sobre a produção agrícola, a segurança alimentar, a criação de oportunidades para a juventude e a adaptação das comunidades aos efeitos cada vez mais severos das mudanças climáticas.

A aposta numa agricultura resiliente surge numa altura em que Funhalouro continua a enfrentar desafios estruturais relacionados com a variabilidade climática, tornando cada vez mais necessária a adopção de práticas agrícolas capazes de garantir produção sustentável e maior resistência aos períodos de seca que afectam regularmente aquela região do interior da província de Inhambane.

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O Sumo Pontífice encontra-se no hospital há quase um mês, sendo que este é o quarto e o seu mais longo internamento desde o início do pontificado, em 2013.

O Papa Francisco, que está hospitalizado desde o dia 14 de fevereiro, passou mais uma “noite tranquila”, tendo acordado por volta das 08h00 (07h00, em Lisboa). “A noite foi tranquila e o Papa acordou por volta das 08h00”, lê-se na nota do Vaticano.

De recordar que, no boletim clínico de segunda-feira à tarde, foi revelado que o Papa está a ter uma “boa resposta” ao tratamento para a pneumonia bilateral, pelo que o seu prognóstico já não é reservado.

A Santa Sé acrescentou ainda que “tendo em conta a complexidade do quadro clínico e o importante quadro infeccioso apresentado na admissão, será necessário continuar a tratamento médico farmacológico em ambiente hospitalar por mais alguns dias”.

Houve confusão e pancadaria entre membros e simpatizantes da Renamo, na cidade de Tete.   O clima tenso instalou-se quando ex-guerrilheiros da Renamo, munidos de paus e outros instrumentos, decidiram encerrar as portas e expulsar os membros da actual direcção daquela formação política, por alegados maus tratos e enganos no processo DDR. Na sequência da confusão, quatro membros do grupo ficaram gravemente feridos.

“Nós somos militares, não há população. Todos que estão aqui são militares. O Presidente Ossufo está a maltratar-nos. Não recebemos o nosso dinheiro e estão a colocar população como delegados provinciais (…) Tem que sair, o delegado da província e o da cidade, não queremos mais, estão a estragar partido”, afirmou ex-guerrilheiro da Renamo.   

Os ex-guerrilheiros da Renamo, também exigem o afastamento imediato de Ossufo Momade do cargo de presidente, por estar a aniquilar os ideais do partido.  Caso não aconteça, ameaçam dirigir à revelia todas delegações políticas.

A polícia foi acionada, para garantir que parte dos membros da direção, que estavam trancados no interior do edifício onde funciona a delegação política da cidade, não fossem espancados. No entanto, a presença dos agentes não intimidou os militantes.

Devido a fortes ameaças dos ex- guerrilheiros, o delegado político da cidade junto de seu corpo de direção viram-se obrigados a renunciar aos cargos que exercem no partido para salvaguardar a sua integridade física.

“Para o meu bem e da minha família, a partir de hoje, deixo de ser delegado de Tete”, declarou Evaristo Sixpense. 

O delegado político provincial, já reagiu sobre o desentendimento no seio da Renamo em Tete e disse que se trata de indivíduos que pretendem desestabilizar o partido. 

 

Donald Trump poderá visitar a China, em Abril, para se encontrar com o seu homólogo chinês, Xi Jinping.A visita de Trump ocorre num momento em que Pequim impôs novas taxas alfandegárias sobre produtos norte-americanos.

O Presidente dos Estados Unidos já havia, bem antes da sua tomada de posse, em Janeiro, comunicado aos seus conselheiros sobre a vontade de visitar Xi Jinping durante os primeiros cem dias de governação.

A visita de Donald Trump ocorre num momento de fricções comerciais entre a China e os Estados Unidos. Na segunda-feira, novas taxas alfandegárias impostas por Pequim sobre vários produtos norte-americanos do sector agroalimentar entraram em vigor.

A imposição de taxas surgiu em resposta à decisão de Trump de duplicar para 20% as taxas alfandegárias adicionais impostas ao país asiático, desde que regressou à Casa Branca.

Em Fevereiro, a China impôs taxas entre 10% e 15% sobre outros produtos norte-americanos, além de estabelecer controlos de exportação sobre minerais essenciais e abrir uma investigação antimonopólio contra o gigante tecnológico Google.

Durante a primeira presidência, Trump impôs várias rondas de taxas de importações oriundas da China, às quais Pequim respondeu com taxas sobre as exportações dos EUA.

“Agente da passiva” é o título da exposição da artista plástica Maria Chale, a inaugurar esta quarta-feira, 12 de Março, às 18 horas, na Fundação Fernando Leite Couto (FFLC), Cidade de Maputo. 

“Agente da passiva” reúne dois conjuntos de quadros, de linguagens diferentes. O primeiro, adianta a nota de imprensa, são obras de pintura abstrata utilizando a aguarela sobre papel e sobre madeira, numa tentativa de traduzir o que se passa no seu interior, como se fosse um corpo, com as artérias, os músculos e os órgãos vitais expostos. São obras “moldadas pelo imprevisível encontro entre água e pigmento, oferecem uma leitura mais introspectiva e intuitiva da transformação. Uma reflexão sobre sentimentos de impotência, à luz de fenómenos correntes, sociais e políticos, onde a artista explora a sua própria passividade face à entropia da cor, onde o traço lhe pertence, mas o resultado está fora das suas mãos”, segundo Lumina Baptista, citada na nota de imprensa da FFLC.

Por outro lado, a exposição reúne um conjunto de retratos, em aguarela e acrílico sobre papel. “Os retratos captam feições delicadas, em uma reflexão sobre o equilíbrio entre a permanência e a mudança. Com expressões expectantes, os agentes propõem uma meditação sobre a vulnerabilidade humana frente à fluidez das experiências, em uma ponte entre expectativa e realidade”, escreve Lumina Baptista, no texto que nos introduz à exposição, pode-se ler na mesma nota de imprensa.

“Agente da Passiva” é, assim, um diálogo entre o actor e expectador, entre artista e obra, e entre o que pode ser feito e o que pode ser controlado.

A mostra tem curadoria de Yolanda Couto,

 

SOBRE A ARTISTA 

Maria Chale é uma artista visual de Maputo. Desde tenra idade, demonstrou um talento para as artes visuais e o artesanato. A sua visão criativa, aliada a um pensamento metódico, levou-a a licenciar-se em Arquitectura e Planeamento Físico, pela Universidade Eduardo Mondlane. No entanto, foi fora da sala de aula que a sua criatividade floresceu, verdadeiramente, quando, em 2013, começou a receber encomendas de retratos.

O percurso da sua evolução artística tornou-se evidente com a sua estreia em exposições, em 2018, ao participar numa mostra colectiva na galeria 16Neto, Cidade de Maputo, seguindo-se a sua primeira exposição individual, “Motif”, no mesmo espaço, em 2019. A partir daí, consolidou a sua posição no mundo das artes visuais com múltiplas exposições subsequentes, destacando-se a sua participação na instalação temporária “Vocal Streets: Poéticas do Quotidiano”, em 2022. A experiência multimédia imersiva permitiu-lhe conjugar a sua perspectiva artística com o conhecimento arquitectónico, através da cenografia.

Especializada em grafite e aguarela, com cores vibrantes e delicados toques de folha de ouro, a sua obra reflecte a natureza multidisciplinar da artista. 

As suas peças retratam e reinterpretam realidades espaciais, históricas e sociais, apropriando-se de narrativas e conferindo-lhes uma nova perspectiva.

Além das suas criações cativantes, Maria Chale partilha a sua paixão através da dinamização de workshops de aguarela, onde o seu percurso, experiência e entusiasmo servem de inspiração para aqueles que desejam explorar novas formas de expressão.

O Ministro de Energia de Israel, Eli Cohen, ordenou a suspensão imediata do fornecimento de energia para a faixa de Gaza e assegurou que usará todos os meios à sua disposição para garantir o regresso de todos os reféns israelitas. Reagindo a medida, o grupo palestiniano Hamas acusa o governo de TelAviv de promover uma escalada do genocídio em seu teritório. 

A suspensão do fornecimento de energia à Faixa de Gaza acontece há pouco mais de uma semana depois de o governo de Tel Aviv ter proibido a entrada da ajuda humanitária. 

O corte de energia anunciado pelo Ministro de Energia de Israel, Eli Cohen, abrange a única linha de eletricidade entre Israel e Gaza, através da qual é fornecida a energia para a principal usina de dessalinização de água, que abastece mais de 600 mil pessoas no território palestiniano. 

Em reação, o ministério das relações exteriores da palestina condenou veementemente a medida, acusando o governo do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de ter a pretensão de promover uma escalada ao genocídio na faixa de Gaza. 

Em uma nota divulgada pela mídia internacional, o  ministério das relações exteriores da palestina critica a falha na implementação das resoluções da ONU e das ordens provisórias do Tribunal Internacional de Justiça por alegadamente incentivarem as incursões israelitas contra os palestinianos.  

Os cortes no fornecimento de ajuda humanitária à faixa de Gaza são parte da estratégia de pressão adoptada por Israel no âmbito da guerra contra o grupo palestinano Hamas. 

As vendedeiras do Mercado de Frango e Magumba, ao longo da Baía de Maputo, ponderam abandonar o local devido à falta de clientes, associado ao surgimento de novos focos de venda informal junto da praia da Costa do Sol. 

Em funcionamento desde o final de 2021, o mercado Frango e Magumba foi concebido no âmbito do plano de desenvolvimento municipal 2019-2023, e custou cerca de 70 milhões de meticais. Dois anos depois, eis que nasce um novo paradigma.

Os vendedores que outrora foram transferidos para este local, retirados das proximidades da praia da Costa do Sol, reclamam da falta de clientes, motivado pela aparição de informais que estão a desenvolver o mesmo comércio junto da praia da Costa do Sol.

A dinâmica do negócio que sustenta mais de 2000 famílias de homens e mulheres ocupantes dos 100 quiosques erguidos no local, começa a ser abalado e o futuro menos risonho.

Segundo a Direcção da Associação das Vendedeiras do Frango e Magumba, a situação pode ser provocada pela falta de fiscalização para evitar que novos focos de venda informal reacendam na Costa do Sol.

As ocupantes do mercado pagam uma taxa mensal de mil meticais ao Município e várias não conseguem honrar com os compromissos, estando neste momento em situações de dívidas. A direção da AFRAMA não descarta a possibilidade de abandonar o local.

Esta terça-feira, às 17 horas, no Business Lounge do Nedbank, na Cidade de Maputo, será lançada a antologia de contos “Novas Vozes Novas Estórias” e anunciado o Prémio Literário Carlos Morgado (PLCM), edição de 2025.

A antologia publica as novas dez vozes da literatura moçambicana, cujos contos se destacaram como os melhores entre os 170 candidatos ao PLCM, na edição de 2024.

A criatividade, originalidade e a força da escrita descrevem os dez autores oriundos das províncias de Maputo, Nampula, Sofala e Zambézia.

“Através deste livro, pode-se entrar no universo misto e diversificado das sociedades moçambicanas, encontrando-se personagens, enredos e temáticas que reflectem o Moçambique contemporâneo aos olhos de jovens amantes da ficção narrativa. É esse, aliás, o objectivo dos organizadores, ao instituir o prémio, reforçar o seu compromisso em apoiar a literatura e os jovens escritores, incentivando a criação e valorização da cultura literária em todo o país”, lê-se na nota de imprensa.

Foram membros de júri da edição 2024 do PLCM, os escritores Dany Wambire, Hélder Faife, Virgília Ferrão, Rogério Manjate, a professora Marieta Namakoma e Marina Morgado.

Na mesma cerimónia do dia 11 de Março no Business Lounge de Nedbank, serão apresentadas as linhas que orientação a edição de 2025 do PLCM, cujas inscrições estarão
abertas de 13 de Março a 13 de Maio de 2025, para cidadãos de nacionalidade moçambicana (residentes ou não no país), com talento para a escrita de ficção no género “conto”, com idade não superior aos 35 anos.

“O prémio já se consolidou como um importante marco na cena literária nacional, é instituído pela Fundação Carlos Morgado e organizado pela Catalogus, com o patrocínio da MGC – Matola Gas Company, na edição 2025, tem como objetivo promover a produção literária nacional, dar visibilidade aos novos talentos e fomentar a troca cultural entre escritores e leitores, bem como celebrar Carlos Morgado enquanto cidadão moçambicano e defensor de causas nobres”, avança a nota de imprensa.

Continua a crise de água na cidade de Xai-Xai, província de Gaza. A situação afecta cerca de 6 mil famílias no maior posto administrativo de Xai-Xai, Patrice Lumumba. A empresa Águas da Região Sul diz estar ciente do problema e diz que estão em curso obras de construção de uma nova fonte de captação de água, que vai solucionar o problema em breve.

Um dano de vulto registado no subsistema de Patrice Lumumba, no ano passado, afectou a capacidade diária de abastecimento, passando das anteriores 16 horas, para menos de oito horas por dia.  

A situação mexe com a vida de 6 mil pessoas de 6 bairros do maior posto administrativo de Xai-Xai, em Gaza.  Fernando Afonso, 39 anos de idade, é residente do bairro 24 há mais 15 anos e queixa-se de cortes frequentes, que resultam da falta do líquido.A situação repete-se no bairro 6. Marcos Matias refere que a interrupção no fornecimento de água chega a perfazer mais de 15 horas, forçando os residentes a recorrerem a alternativas.

A crise de água, no entanto, não se faz sentir com intensidade nos bairros 13 e Tsandzantine, segundo moradores, mas a inquietação prevalece por conta da facturação.

Confrontado sobre o assunto, Rodolfo Daniel, director da ADRS, garantiu que a crise de água, que assola Xai-Xai, capital da província de Gaza, poderá ser reduzida em breve. 

A conclusão do empreendimento vai aumentar de seis para 16 horas diárias o fornecimento de água em todos bairros de Patrice Lumumba, bem como, para novas ligações.

A nova fonte de captação de tratamento de água, com capacidade de produção de 5000 metros cúbicos, está avaliada em mais de quatro milhões de Meticais. 

A selecção nacional de futebol vai jogar em Cairo, Egipto, depois da reprovação do Estádio Nacional do Zimpeto pela CAF. Só de logística, prevê-se que a Federação Moçambicana de Futebol gaste mais de 100 mil dólares. O Governo poderá ajudar com algumas despesas. Os adeptos descrevem a situação como vergonhosa e os comentadores desportivos apontam modelos para gestão do Estádio Nacional do Zimpeto.

O Estádio Nacional do Zimpeto foi inaugurado a 23 de Abril de 2011 e foi construído no âmbito dos Jogos Africanos. As obras custaram cerca de 53 milhões de dólares. Mais de 10 anos depois, a imagem aérea da maior e única imponente infra-estrutura do país é bonita, atractiva e de encher os olhos, mas de perto tudo isto não é o que parece.

É que o Estádio Nacional do Zimpeto tem sido, recorrentemente, reprovado pela Confederação Africana de Futebol para jogos internacionais, e isto força os Mambas a jogarem num campo emprestado, fora do país. A última reprovação foi neste mês. No dia 20 de Março, Moçambique vai jogar com Uganda no Cairo, Egipto, e isto tem custos para a Federação Moçambicana de Futebol.

A Federação Moçambicana de Futebol não revelou quanto poderá gastar com o aluguer do Estádio Internacional de Cairo, no Egipto, mas o jornal O País sabe que, só com despesas de passagens aéreas, acomodação e ajudas de custo para toda a delegação, poderá estar acima de 100 mil dólares, o correspondente a mais de seis milhões de Meticais.

A nossa equipa de reportagem soube de uma fonte do Ministério da Juventude e Desportos que o Governo vai apoiar os Mambas nesta deslocação para Cairo e, na terça-feira, poderá reunir-se com a Federação Moçambicana de Futebol para saber das suas necessidades.

JOGAR FORA PODE AFECTAR DESEMPENHO DOS MAMBAS, DIZEM COMENTADORES

Para os amantes do desporto-rei e adeptos dos Mambas, isto é um soco no estômago. Eles não poderão exercer o papel de décimo segundo jogador.

“É inadmissível um país que está no CAN pela segunda vez consecutiva, está no apuramento do mundial, está quase na mesma posição com a Argélia e estão a disputar o primeiro lugar, possivelmente podemos sonhar com mundial, mas como é que nestas condições não tem um estádio aprovado para jogos internacionais? Para mim, o Governo está a falhar bastante. Como é que vamos apoiar a nossa selecção no Egipto? Isso é ridículo, não faz sentido”, disse Eugênio Nhanombe, adepto dos Mambas, com um tom revoltado.

Já os analistas deportivos afirmam que jogar em casa alheia pode afectar o desempenho da selecção nacional de futebol.

“Se nós não conseguirmos a qualificação, se não conseguirmos resultados positivos nesses dois jogos que vamos fazer, sobretudo neste frente a Uganda, naturalmente, a culpa vai recair sobre quem não criou condições para Moçambique não jogar no Estádio Nacional do Zimpeto, porque nós vamos dizer que, se tivéssemos jogado no Zimpeto, de certeza poderíamos ter feito um resultado melhor do que um resultado que poderá acontecer, agora, fora do país”, observou Victor Miguel, dirigente desportivo.

Henrique Aly afirma que isto “pode implicar que haja jogos menos conseguidos. Os jogadores saem, à partida, prejudicados por não terem o apoio do público e, sob o ponto de vista psicológico, isso pode concorrer para que haja uma exibição menos conseguida”.

A Federação Moçambicana de Futebol pode ter escolhido o Estado Internacional de Cairo, Egipto, pela facilidade que os Mambas terão de se deslocar para Argélia, onde se vai defrontar com a selecção nacional daquele país.

JÁ VÃO QUATRO REPROVAÇÕES AO ENZ

E esta não é a primeira vez que o Estádio Nacional do Zimpeto é reprovado e os Mambas jogam fora do país.

De 2021 a esta parte, o Estádio Nacional do Zimpeto já foi reprovado quatro vezes pela CAF, e os motivos são os mesmos: mau estado da relva; más condições dos balneários e não funcionamento de torniquetes.

Por incumprimento desses requisitos, em 2023, os Mambas jogaram contra o Ruanda num campo emprestado na vizinha África do Sul.

Para esse embate, a Federação Moçambicana de Futebol gastou mais de dois milhões de Meticais com o aluguer do FNB Stadium.

 

QUE TIPO DE GESTÃO PARA O ENZ?

As recorrentes reprovações do Estádio Nacional do Zimpeto reacendem o debate sobre o modelo de gestão ideal para esta infra-estrutura do Estado. Neste momento, o Fundo de Promoção Desportiva é a entidade que gere o complexo desportivo e recebe um orçamento para o efeito. Mas é deste tipo de gestão que Zimpeto?

Só para se ter uma ideia, a manutenção do complexo desportivo do Zimpeto custa mais de dois milhões de Meticais por mês, dos quais 250 mil são para cuidar do campo.

Este dinheiro é do Orçamento do Estado e é gerido pelo Fundo de Promoção Desportiva, responsável por garantir a manutenção do Zimpeto.

José Pereira, antigo gestor do Estádio Nacional do Desportivo, revelou ao “O País” que, desde o início, este modelo de gestão seria um fracasso.

“Era um modelo de risco porque, por um lado, na altura não tinha técnicos habilitados para fazer uma gestão de uma infra-estrutura nova em Moçambique daquela dimensão. Não havia experiência sobre a matéria. Por outro lado, envolvia recursos financeiros que o Estado e o Fundo de Promoção Desportiva, por si só, talvez não estariam em condições e era necessário uma parceria. Portanto, o modelo adequado, em vez de ser o Fundo ou o Estado a chamar a si, era o de parceria público-privada. Então, o modelo que ficou foi o misto. Isto passa por buscar parcerias, por via de concurso ou outra via”, revelou José Pereira, antigo gestor do Estádio Nacional do Zimpeto.

E a outra via seria alugar o estádio para eventos não desportivos e os compartimentos à sua volta.

“Não se pode pensar que a rentabilidade do Estádio Nacional do Zimpeto se vai resumir na receita da bilheteira, que não é nada, não resolve nada. É bom que se diga. E, para além dos burlistas, convidados e outros tantos, é igual a zero. Portanto, não é por aí. A rentabilidade de outros espaços, está claro que tem de ser feita. Precisamos de espectáculos musicais robustos em termos financeiros, que na caixa deixem algum valor substancial que possa cobrir investimentos substantivos. Portanto, não estou a falar daqueles espectaculuzinhos que acontecem muitas vezes, de 30 mil Meticais ou 80 Mil Meticais. Isso não é nada, é uma contribuição residual. É preciso que se fale em grandes eventos, grandes espectáculos. Se fizermos uma vez por ano, um grande espectáculo de craveira internacional, não digo que podia resolver a totalidade dos problemas do Estádio, mas podia minimizar”, avançou José Pereira.

Pereira entende que, com um bom modelo de gestão, o Estádio Nacional do Zimpeto poderá ultrapassar os problemas que fazem com que seja recorrentemente reprovado pela CAF.

“É preciso que a reabilitação do Estádio Nacional do Zimpeto para responder aos requisitos da CAF, em paralelo, tenha, logo em seguida, um modelo de gestão que garanta que a degradação não entre na velocidade igual àquela a que nós assistimos desde 2011 até hoje. Não temos um campo de treino e, quando não temos um campo de treino, significa que há uma sobrecarga do campo principal, e, quando isto acontece, é óbvio que tanto o solo como a relva não aguentam. Dispensa comentários”, explicou o antigo gestor do Estádio Nacional do Zimpeto.

Já o jornalista desportivo, Henrique Aly, é da opinião de que a gestão do Estádio Nacional do Zimpeto deve ser totalmente privada.

“A receita é simples: deixar que essa gestão e todos os encargos financeiros estejam a cargo de uma entidade terceira, não se proibindo o Estado de continuar a ser titular daquela infra-estrutura e podendo utilizá-la quando assim o entende, obviamente, dando prioridade aos jogos das suas selecções e a outros eventos que queira fazer acontecer naquele recinto. Este, para mim, é o caminho que deve ser seguido pelo Estado moçambicano antes de criar direcções, comissões e seja lá o que for, porque, nesse exercício, o que vamos conseguir é continuar a colocar um peso desnecessário nas costas de um Estado, que já tem mil e um preocupações”, sugeriu Henrique Aly, jornalista desportivo.

O dirigente desportivo, Victor Miguel, defende que Moçambique deve copiar o modelo de gestão de estádios de outros países ou deixar que o Zimpeto seja gerido por alguns clubes.

“Era importante, aqui, que o Governo encontrasse um parceiro a nível interno. Quer dizer, os próprios clubes podem fazer isso. Há vários clubes, a nível da Cidade de Maputo, que não têm campo. Se à própria federação não pode ser entregue a gestão, mas pode ser feita com os próprios clubes para fazerem a sua manutenção e, depois, negocia-se os custos para o clube e benefícios para o Governo. Só não podemos deixar o Estádio que está ao deus dará”, avançou Victor Miguel, dirigente desportivo.

Mais do que criar uma direcção específica para gerir o Estádio Nacional do Zimpeto, Victor Miguel diz que é preciso colocar nela pessoas competentes. 

“É preciso colocar pessoas formadas nessas áreas, e nós temos neste país. Devemos colocar quadros que têm competências para isso, do que estarmos a gastar rios de dinheiro e depois as coisas não estarem a ser feitas como deve ser ou o que se recomenda e terminamos nessa vergonhosa reprovação constante”, referiu Victor Miguel.

O ministro da Juventude e Desportos, Caifadine Manasse, equacionou, na semana passada, a possibilidade de se criar uma direcção específica para a gestão do Estádio Nacional do Zimpeto, a qual será responsabilizada por qualquer acto que não der certo.

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