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O Presidente da República, Daniel Chapo, felicitou o pugilista moçambicano Tiago Muxanga pela conquista do título africano da International Boxing Organization (IBO), alcançado em Essex, Inglaterra, considerando o feito um motivo de orgulho nacional e uma demonstração do talento moçambicano no panorama desportivo internacional. 

Numa mensagem de felicitação, o Chefe do Estado endereçou, em nome do Governo, do povo moçambicano e em nome pessoal, as suas felicitações ao atleta, enaltecendo o mérito, a dedicação e o brilhantismo demonstrados ao longo da sua carreira.  

Segundo Daniel Chapo, a vitória de Tiago Muxanga demonstra que a disciplina, o trabalho e a determinação são factores essenciais para alcançar grandes conquistas, acrescentando que o pugilista honra a Bandeira Nacional e contribui para o reforço do prestígio de Moçambique no desporto africano e internacional. 

O Presidente da República considera igualmente que o atleta constitui uma referência para a juventude moçambicana, por inspirar os jovens a acreditarem que é possível transformar sonhos em realidade através do empenho e da perseverança.

Na mensagem, Daniel Chapo renovou os parabéns ao pugilista e formulou votos de contínuos sucessos ao serviço do desporto nacional, incentivando-o a prosseguir na conquista de novos títulos que dignifiquem Moçambique.

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“Oxigeniosia”, da autoria de Franklin Gravata, e “O Clamor do Tambor Negro”, da autoria de Vally Moronvick, serão lançados no dia 28 deste mês, no Centro de Interpretação Samora Machel, na cidade de Tete, a partir das 16 horas.

“Em ‘Oxigeniosia’, Franklin Gravata apresenta uma poesia de amparo para os dias cada vez mais sombrios que todos nós, em algum momento, encaramos nas nossas vivências”, adianta a nota de imprensa da Mapeta Editora, que acrescenta: “É uma proposta para rir, chorar, amar e odiar, sendo, enfim, um pilar para aqueles que, mesmo vergados pelas dificuldades, continuam a sua caminhada”.

Franklin Gravata, nascido a 27 de Abril de 1991, na cidade de Chimoio, província de Manica, é leitor e curioso na arte da escrita. É formado em Relações Internacionais e Diplomacia pelo então Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI) de Maputo. Publicou o livro de poesia Sereia do Zambeze (2020).

Em “O Clamor do Tambor Negro”, Vally Moronvick desafia as correntes que a sociedade impõe ao modo de vida, convidando o leitor a reavaliar o mundo ao seu redor. Cada poema é uma batida firme do tambor, ressoando com uma urgência que nutre o espírito, enquanto questiona as normas e provoca uma revolução silenciosa na mente.

Vally Moronvick é o pseudónimo de Valissóvia Felizardo Alexandre Paiva. É formado em Ensino de Português pela extinta Universidade Pedagógica – Delegação de Tete, e em Português como Língua Segunda pela Universidade de Santiago, em Cabo Verde. É também formado em Teologia pela Universidade Teológica de São Paulo – UNITESP, Brasil. Actualmente, é docente na Escola Secundária de Fonte-Boa-Tsangano, em Tete.

Ambos são livros de poesia, editados pela Mapeta Editora.

“Conhecimento Religioso: Entre a fé e a razão” é o título da obra de estreia de Joel Macedo, a ser lançada no dia 27 deste mês, no Centro Cultural Português da Beira, a partir das 18 horas.

Segundo uma nota de imprensa, a obra aborda a intrincada relação entre o invisível e o visível, o confronto eterno entre a fé e a razão, num percurso que atravessa os primórdios da humanidade, muito antes do surgimento da Filosofia e da Literatura.

“O autor explora temas que desafiam a percepção comum da divindade, propondo até a possibilidade de que o universo seja fruto de um jogo divino, repleto de enigmas e questionamentos sobre o propósito da existência”, pode-se ler na nota de imprensa.

Joel Macedo é formado em Ciências da Educação com habilitação em Educação de
Adultos, pela Universidade Licungo. Desde cedo, demonstrou um profundo interesse por questões existenciais, que foi intensificado pelo seu encontro com a Bíblia e a Filosofia, que o inspiraram a buscar respostas e a compreender o sentido da vida.

Com a chancela da chancelada Mapeta Editora, a apresentação estará a cargo do académico Edu Manuel, Doutor em Ciências da Educação com especialização em Organização do Ensino, Aprendizagem e Formação de Professores pela Universidade de Coimbra, em Portugal.

As províncias de Zambézia, Tete, Manica e Sofala são as que mais casos de desemprego registaram, no quarto trimestre de 2024, com 36.1 %, seguido da zona Sul, com 33,4%, e o Norte, com 30,5% de pessoas desempregadas. Os dados constam do relatório sobre mercado de emprego do Ministério do Trabalho, Género e Acção Social.

Entre Outubro e Dezembro de 2024 houve um aumento significativo do número de desempregados no país, comparado ao mesmo período de 2023.

Este boletim informativo de mercado de trabalho, desenvolvido pelo ministério do Trabalho, Género e acção social, analisou os números e concluiu que foi na zona centro do país onde houve maior número de desempregados.

O desemprego registado por região do país apresenta um perfil que coloca o Centro com mais desempregados, na ordem de 36,1%, o Sul com 33,4% e o Norte com menos desempregados, com 30,5%. 

Observando por sexo, segundo a região do país, o Sul apresenta 38,1%, o Centro 36,9% e o Norte com 25,0% de mulheres candidatas a

emprego”. O mesmo documento revela a existência de trabalhadores estrangeiros em Moçambique que viram seus contratos suspensos, devido a várias irregularidades.

O número de estrangeiros ilegais suspensos aumentou 29,4%, de Outubro a Dezembro do ano passado, se comparado ao período de Julho a Setembro do mesmo ano. 

Cidade de Maputo registou mais suspensões, com 50%, seguida de Sofala com 27,3%, Manica com  13,6% e província de Maputo com 9,1%. As restantes províncias não registaram casos de suspensão. Do total dos casos, 4,5% são mulheres”.

Analisando por ramo de actividade, o documento indica que dos trabalhadores suspensos, 63,6% são do Comércio, Restaurantes e Hotéis, seguido de Construção e Obras Públicas e Indústria Transformadora com 22,7% e 13,7%, respectivamente.

O boletim boletim informativo traz dados referentes ao último trimestre de 2024, o que significa que os dados sobre o desemprego no país podem ser mais assustadores, como resultado da vandalização, destruição e encerramento de muitos estabelecimentos, sobretudo privados, com destaque para as províncias de Maputo, Gaza e Inhambane.

O treinador do Ferroviário de Nacala, Chaquir Bemat, não aguentou a pressão dos adeptos e pediu demissão, mesmo antes do Moçambola iniciar. É o primeiro caso de saída de um técnico de um clube, ainda na pré-época, esta temporada

Moçambola 2025 ainda nem tem data para o seu arranque e já há clubes que perdem seus treinadores. Uma pré-época atípica, cujo período estende-se cada vez mais, uma vez que o arranque do campeonato nacional foi adiado para o mês de Abril, contrariamente a finais de Março, data inicialmente agendada.

Os clubes vão fazendo a sua pré-época e em Nacala já há um treinador que bateu com a porta devido à pressão dos adeptos.

Chaquir Bemat não aguentou a pressão dos adeptos que em todas sessões de treinos enchiam as bancadas do campo da Bela Vista, onde tem estado a trabalhar, com exigências em relação à prestação dos jogadores.

Outro factor que contribuiu para que o técnico batesse com a porta foram os resultados alcançados na presente pré-época, nomeadamente os últimos jogos, onde perdeu por 3-0 diante do homónimo de Nampula, e por 4-3, na marca das grandes penalidades, depois do empate a um golo no tempo regulamentar, frente ao rival de Nacala, o Desportivo, em ambos jogos inseridos num quadrangular local.

Nem mesmo as contratações feitas pela direcção do clube, nomeadamente o guarda-redes Manuel Tivane (ex-Ferroviário de Maputo), Mapangane (ex-Black Bulls), Sataca Jr. (ex-Baía de Pemba), Eládio e Pauluana (ex-Ferroviário de Lichinga), Miter e Betinho (ex-Associação Desportiva de Vilankulo), Brito (ex-Estrela Vermelha de Maputo), Dinis (ex-Ferroviário de Nampula), Kito (ex-Maxaquene), Yude e Mário (ex-Ferroviário de Maputo), Adnane (ex-Brera de Maputo) e mais recentemente Sidique, ido da União Desportiva de Songo.

O facto é que os “locomotivas” de Maiaia não tem conseguido encontrar um equilíbrio dentro das quatro linhas, mesmo contando com os experientes jogadores que integram o plantel.

A direcção do clube ainda não deu uma confirmação oficial da saída de Chaquir Bemat e nem mesmo avança com possíveis nomes para a sua substituição, numa altura em que se aguarda pelas novas datas para o arranque do Moçambola-2025.

Para além da data do arranque do campeonato nacional, a Liga Moçambicana de Futebol ainda não agendou divulgou a data para a realização da Assembleia geral, que vai debater questões relacionadas com a gestão do Moçambola, quer em termos de actividades, bem como do orçamento.

Sabe-se, porém, que o défice orçamental de mais de 30 milhões de meticais, bem como a falta de transporte aéreo para ligações de clubes, são apontados como os principais motivos para que a prova máxima do futebol nacional não tenha ainda data do seu início.

Anúncio da 14ª equipa do Moçambola é outro entrave

Para além dos argumentos apresentados acima, a Liga Moçambicana de Futebol ainda não tem o número definitivo de clubes que vão disputar o Moçambola-2025, uma vez que a 14ª equipa, o Brera Tchumene, desistiu da prova no mês passado.

Assim, de acordo com a Federação Moçambicana de Futebol, citado pelo Jornal Notícias, esta semana poderá ser anunciada a equipa que vai completar o leque os participantes na prova, uma vez que se espera pelo pronunciamento da Comissão de Licenciamento de Clubes em relação aos clubes convidados para preencher a vaga.

No caso espera-se pela definição do clube que terá concluído o processo de licenciamento entre os finalistas das poules do ano passado, nomeadamente Incomáti de Xinavane, pela zona sul, Matchedje de Mocuba, pela região centro, e Sporting de Nampula, no norte, para além do Textáfrica, despromovido da prova na época passada.

Ou seja, quem tiver o processo totalmente concluído poderá ser a 14ª equipa a participar do Moçambola-2025.

 

Quatro unidades sanitárias estão fechadas em Mogovolas, na província de Nampula, devido à violência que se vive naquele local. Tudo começou com a desinformação em relação à cólera e a seguir as manifestações, pós-eleitorais.

O distrito de Mogovolas vive momentos tensos, desde o mês de Dezembro do ano passado. A cólera que eclodiu em Outubro, num período atípico, levou a mortes e fez eclodir a onda de desinformação, onde alguns populares acusam os profissionais de saúde e agentes comunitários polivalentes de serem os propagadores da doença. 

Das oito unidades sanitárias existentes no distrito, quatro não estão a funcionar em pleno devido à vandalização e violência a que são sujeitos os profissionais de saúde.

“Neste momento, o distrito tem quatro unidades sanitárias encerradas (…)   Um dos centros de saúde esteve encerrado por quase dois meses, desde o mês de Novembro e Dezembro. Voltamos a reabrir em Fevereiro e tivemos que encerrar quase duas semanas depois. Infelizmente, tivemos um incêndio, no dia em que a unidade sanitária voltou a ser vandalizada, na farmácia e no laboratório da unidade sanitária”, avançou Selma Xavier, directora provincial de saúde em Nampula.    

O último episódio de violência e vandalização no centro de saúde de Nametil-sede foi na semana passada, onde foi vandalizada a farmácia e o laboratório.

“Antes da abertura do centro de saúde, eu sei que houve um encontro do Governo do distrito com a comunidade e pensamos nós que tinha sido aceite a abertura da unidade sanitária, e não voltaríamos a ter estes actos de vandalização, mas infelizmente voltamos a ter. O outro constrangimento que temos, adicionalmente a este, é que os nossos actores  comunitários, os activistas polivalentes também não estão a prestar cuidados de saúde, por temerem pela sua vida” disse Selma Xavier, acrescentando que se tinha feito um plano de reabrir gradualmente sanitárias, mas devido a situação actual, está a ser usada a liderança religiosa para passar informações a comunidade.    

Com a insegurança instalada, não se sabe por quanto tempo as quatro unidades sanitárias estão encerradas. Mogovolas tem 450 mil habitantes. A vila-sede dista pouco mais de 70 km da cidade de Nampula.

Os Mambas efectuaram, esta terça-feira, mais um treino no Egipto tendo em vista o jogo de quinta-feira diante do Uganda, inserido na quinta jornada do Grupo G da fase de qualificação para o Mundial 2026. 

A menos de um dia para o jogo contra Uganda, os Mambas, que se encontram no Egipto desde esta segunda-feira, já correm contra o tempo. Depois do trabalho de recuperação física no ginásio, a selecção nacional efectuou o primeiro treino no campo.

Em Gaza, uma menor  de seis anos perdeu a vida e a sua irmã, de 16  anos  de idade, ficou gravemente ferida,  na sequência de um acidente de viação, ocorrido, ontem,  na paragem senta-Baixo, comunidade de Venhene, no distrito de  Chongoene.

As irmãs de 6 e 10 anos de idade  vinham do Bairro 4 da comunidade de Venhene, em direção à escola primária de  Chongoene. Entretanto, o destino estava traçado para um dia trágico. Passavam 5 minutos depois das 7 horas e quem presenciou  o sinistro narra os factos.

“As crianças vinham do bairro quatro de Venhene para a escola. Com o número de carros que existem, a visibilidade é reduzida. Aquele  motorista andava mal e o acidente aconteceu por causa de ultrapassagem  irregular. O carro vinha a alta velocidade”, disse Alfeu Macamo

Sucede que o motorista da viatura  que seguia  o trajeto  Inhambane-Xai-Xai  teria tentado uma ultrapassagem irregular, na zona do Senta-Baixo e, na  sequência, atropelou e arrastou as menores por 15 metros. A menor de 10 anos de idade não resistiu ao embate e perdeu a vida no local,  a  outra de 6 anos foi socorrida para o centro de saúde distrital.  

“Aquelas crianças estavam a passar daqui eram três (…) o carro vinha a uma velocidade de 90 quilómetros por hora, o senhor não conseguiu diminuir a velocidade e bateu as crianças e foram parar lá embaixo”, esclareceu Matias Banze, testemunha do sinistro.

O centro de Saúde de Chongoene  confirma a entrada de uma paciente,  em estado grave, bem como o óbito. Medito Massinga, Director Clínico do centro de saúde de Chongoene diz que a paciente apresentava  várias fraturas e uma lesão grave na região da cabeça e, por isso, foi transferida para o Hospital provincial de  Xai-Xai.

“A menor apresentava um traumatismo no crânio encefálico moderado a grave e uma fratura completa fechada do fêmur direito. Referenciamos a paciente para o hospital provincial de Xai-Xai, para cuidados mais especializados”, avançou.

A falta de uma passadeira, bem como a morosidade no processo de transferência da paragem Senta-Baixo para a zona do mercado de Chongoene são apontadas  como causas do aumento de sinistros rodoviários naquele ponto da Estrada Nacional Número Um.

As autoridades da polícia de trânsito negaram prestar declarações à volta do sinistro. Com este  registo sobe de 27 para 28 o número de vítimas mortais por acidentes  rodoviários em Gaza.

Os rebeldes do M23, que capturaram áreas importantes no leste da República Democrática do  Congo (RDC), ricas em minerais, anunciaram, na segunda-feira, que se estavam a retirar das negociações de paz, programadas para esta semana com o governo congolês.

O grupo citou as sanções internacionais impostas pela União Europeia aos seus membros como um grande obstáculo às discussões. O porta-voz do M23, Lawrence Kanyuka, também citou as ofensivas militares em andamento do exército do Congo como complicadores adicionais das negociações.

Os rebeldes consideraram as negociações, programadas para terça-feira em Luanda, Angola, “impraticáveis”. Apesar disso, o governo do Congo, que inicialmente rejeitou as negociações com o M23, confirmou que ainda participaria.

Segundo a porta-voz do Governo, Tina Salama, uma delegação congolesa já estava em Luanda.

O conflito no leste do Congo intensificou-se em Janeiro, quando o M23 tomou a cidade estratégica de Goma, seguida por Bukavu em Fevereiro. Angola, que mediou o conflito, planejou negociações de paz directas entre o Congo e o M23. No entanto, as negociações de paz entre o Congo e Ruanda foram canceladas em Dezembro, depois que Ruanda exigiu diálogo directo entre o Congo e o M23, o que o Congo rejeitou.

O M23 é um dos muitos grupos armados na RDC, onde a competição por recursos minerais contribui para uma das piores crises humanitárias do mundo, deslocando mais de 7 milhões de pessoas.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU está a investigar alegações de atrocidades de ambos lados, incluindo estupro e execuções sumárias. As tensões também aumentaram internacionalmente, com a União Europeia impondo sanções a vários cidadãos ruandeses e congoleses ligados ao conflito, incluindo líderes do M23 e a refinaria de ouro de Ruanda.

Ruanda cortou relações diplomáticas com a Bélgica, acusando-a de tentar desestabilizar o país, após a suspensão da ajuda ao desenvolvimento pela Bélgica. Os EUA expressaram interesse em uma parceria de mineração com o Congo, com discussões já em andamento.

Em Inhambane, o retrato do transporte público é, muitas vezes, um reflexo das dificuldades e das escolhas limitadas que a população enfrenta diariamente. Por mais de dez anos, os populares “My Loves”, carros de caixa aberta destinados ao transporte de carga, desapareceram das ruas da cidade, mas hoje estão de volta, forçados pela precariedade das estradas e pela falta de alternativas viáveis. Contudo, o regresso destes veículos, que são usados para transportar passageiros, gera uma sensação de impotência, um retrocesso à aquilo que parecia ter sido superado.

No centro deste cenário está a paragem, um ponto de espera que se tornou sinónimo de angústia para muitos. Os passageiros, na sua maioria trabalhadores e estudantes, são forçados a aguardar por muito tempo até que um “My Love” passe, lotado e com o risco de uma viagem cheia de percalços. 

Ricardo Lázaro é um dos muitos que enfrentam diariamente as dificuldades do transporte público em Inhambane. Utilizador regular dos “My Loves”, ele explica que, ao chegar à paragem, a espera muitas vezes é interminável. A paragem é, para muitos, um lugar de esperança que se desfaz ao longo das horas. “Eu fico aqui na paragem todos os dias, esperando por um transporte que, muitas vezes, não aparece. Não é fácil, ficamos a pensar que vamos ficar o dia inteiro aqui sem conseguir ir a lado nenhum”, desabafa Ricardo, visivelmente cansado.

Ricardo Lázaro, ao contrário de muitos, tem uma opinião mais pragmática. Para ele, a alternativa que lhe é oferecida é o “My Love”, que apesar de ser uma viatura improvisada e desconfortável, é a única opção que existe. “Eu sei que não é o transporte ideal, sei que os carros são para carga, mas a verdade é que são os únicos que vêm para nos levar. E, quando eles aparecem, precisamos subir, mesmo que seja apertado, mesmo que a viagem seja desconfortável”, diz ele, com um tom resignado.

Ricardo, assim como muitos outros, é forçado a se adaptar a uma realidade onde as escolhas são poucas e as alternativas ainda mais escassas. “A cidade cresceu, a população aumentou, mas o transporte continua o mesmo. Os ‘My Loves’ voltaram porque não há mais carros para nos levar, e as estradas não ajudam. O que resta é o que temos”, conclui Ricardo, olhando para a paragem, onde mais pessoas aguardam, com a mesma esperança e frustração.

Abílio Pedro, automobilista de um “My Love”, partilhou com a nossa equipa a sua perspectiva sobre o regresso dos veículos de carga às ruas de Inhambane. Ele explica que, apesar de muitos verem o uso dessas viaturas como uma solução improvisada, a verdade é que os “My Loves” são, na realidade, a única forma de transporte disponível para muitas pessoas que vivem na periferia da cidade. “As estradas estão em péssimas condições, não tem outro jeito. O ‘My Love’ é o único veículo que aguenta essas estradas. Não tem outro meio de transporte que consiga chegar até as zonas mais distantes”, conta Abílio Pedro, com a preocupação estampada no rosto.

Para Abílio, as vias danificadas, cheias de buracos e de condições precárias, são a principal razão pela qual as autoridades não conseguem garantir um transporte adequado para a população. “Não é só questão de querer, é questão de condições. Se as estradas fossem boas, os autocarros e outras viaturas mais adequadas poderiam circular. Mas a verdade é que as estradas estão impossíveis. O que a gente faz? Só nos resta utilizar o que temos à disposição”, explica, enquanto observa os passageiros a subirem e descerem do “My Love” com a pressa de quem sabe que não há outra alternativa.

Rodrigues Gueze, presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários de Inhambane, reforça o ponto de vista de Abílio e explica que o regresso dos “My Loves” à cidade não é uma decisão voluntária dos transportadores, mas uma consequência das condições das estradas e da falta de alternativas viáveis. “O regresso dos ‘My Loves’ é reflexo de um problema estrutural mais profundo. As vias que ligam os bairros periféricos da cidade não são adequadas para veículos pesados e autocarros. A maioria dos carros que circulam por essas ruas são pequenos, robustos, como os ‘My Loves’, porque só eles têm a resistência necessária”, explica Gueze, com uma dose de frustração, mas sem atacar diretamente as autoridades.

Ele destaca ainda que a situação exige uma intervenção urgente e uma requalificação das vias para garantir que a cidade e os seus arredores possam ter acesso a transportes mais seguros e eficientes. “Precisamos de melhorias nas estradas e no transporte público. A cidade está a crescer, a população também, e os problemas de transporte apenas se agravam. O ‘My Love’ é uma solução momentânea, mas não pode ser a solução permanente”, afirma Gueze.

Para o presidente da associação, a responsabilidade não é apenas dos transportadores, mas de todos, incluindo as autoridades competentes, que precisam atuar para reverter a situação. “Não se trata de um problema apenas de transporte. Trata-se de um problema de infraestrutura. Sem as estradas adequadas, não há como garantir transporte seguro para a população”, conclui.

A volta dos “My Loves” representa um retrocesso na luta pela melhoria das condições de transporte em Inhambane. Apesar de serem vistos como uma solução prática para as dificuldades do dia a dia, esses carros de carga representam um perigo iminente para os passageiros, que enfrentam viagens desconfortáveis, sem qualquer garantia de segurança.

A cidade, que há pouco tempo se orgulhava dos avanços conquistados na modernização das suas infraestruturas, agora vê-se novamente refém de soluções improvisadas que colocam vidas em risco. O regresso dos “My Loves” à cidade de Inhambane é um alerta de que, por mais que se evolua, certos problemas estruturais ainda persistem e continuam a afetar os mais vulneráveis.

A cidade de Inhambane tem a capacidade de se modernizar e de garantir um futuro melhor para todos. Mas, para isso, é necessário investir em soluções duradouras e não em alternativas que, ao invés de resolver, apenas camuflam os problemas e colocam as vidas dos cidadãos em risco. O momento de agir é agora.

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