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A província de Cabo Delgado regista, em média, cinquenta casos de corrupção por ano, envolvendo, sobretudo, funcionários dos sectores da saúde e da educação. Entre os crimes mais frequentes destacam-se o desvio de fundos públicos, o suborno e outras práticas ilícitas relacionadas com a administração do Estado.

Apesar do elevado número de denúncias recebidas, a Procuradoria Provincial de Cabo Delgado revela que uma parte significativa dos processos acaba por ser arquivada, devido à insuficiência de provas que permitam sustentar a acusação em tribunal.

Os funcionários públicos continuam a liderar a lista dos arguidos, sendo os sectores da saúde e da educação apontados como os mais vulneráveis à prática de actos de corrupção.

Segundo a Procuradoria, o suborno para obtenção de serviços públicos ou de benefícios estatais de forma ilegal figura entre as modalidades de corrupção mais recorrentes na província.

Com o objectivo de aproximar a justiça dos cidadãos e incentivar a denúncia de práticas ilícitas, a Procuradoria Provincial tem vindo a promover campanhas denominadas “Tendas da Justiça”, uma iniciativa que permite recolher preocupações e denúncias da população fora do ambiente formal das instituições judiciais, reforçando a participação dos cidadãos no combate à corrupção.

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Por: João Alberto Houana

 

Ao Francisco Noa e ao José dos Remédios

 

“Literatura sem crítica é como se fosse uma literatura

sem uma especialização e isso não ajuda […] Deve

haver uma organização por detrás disso tudo, para que

exista, de facto, uma escola […].

Francisco Noa

 

 

A Literatura Moçambicana vem registando um crescimento significativo no que diz respeito à produção literária. Novos autores surgem dia-pós-dia. Argumentar sobre este assunto é como dar a luz a trigémeos recorrendo-se a uma cesariana. Portanto,

espero apresentar argumentos breves e afinados de modo a chegarem com qualidade aos ouvidos de quem deve ouvir.

Moçambique tem registado uma crescente na produção literária, quase em todas as

semanas ou meses as editoras anunciam a publicação de uma nova obra literária. Passar pela crítica é um direito que não pode ser negado a uma obra literária, ela ajuda-nos a resolver problemas da literatura e pela literatura.

No que diz respeito às obras literárias emergentes, em Moçambique, dois dos problemas que se deve resolver, primeiro, são: Depois de lançada a obra literária qual é o próximo passo para além de ser vendido comprado e lido somente? Onde está a crítica literária valorativa?

Nas oficinas organizadas pelo Camões – Centro de Língua Portuguesa, na Universidade Eduardo Mondlane, com o tema “A Escrita e a Crítica Literária e Jornalística”, sob orientação do ensaísta José dos Remédios, eu, na altura estudante do sagrado curso de Literatura Moçambicana, apresentei a proposta de criação de uma Escola Moçambicana de Crítica Literária ao dos Remédios. Sem efeito! Porque deu a entender que não quer ser pioneiro deste projecto, a semelhança de Francisco Noa, na conversa realizada na Galeria de Artes, na Baixa da cidade de Maputo, em 2023.

“A crítica foi uma actividade muito exercitada e muito respeitada nos tempos modernos… Hoje, em tempos ditos pós-modernos, ela anda um pouco anémica, reduzida ao rápido resenhismo jornalístico, necessário, mas não suficiente.” (Parrone-Moises, 1996 citado por Araújo, 2016)

E não é isso que tem acontecido? A passagem acima exorta-nos a repensar sobre a

crítica literária que se tem feito actualmente. Leva-nos a deduzir que não se pode confundir crítica literária com um simples comentário, como temos visto nos jornais e em outras plataformas.

Para se produzir uma crítica literária é necessária uma toda bagagem literária, bases

sólidas e conhecimento científico, de modo a se evitar cair em meras deduções e se confundir com uma crítica na sua essência. Mas afinal de contas, quem é que pode escrever uma crítica literária? Entendemos que todo aquele que tiver argumentos plausíveis acompanhadas de conhecimento científico relacionado, pode escrever, como é sustentado na passagem que se segue:

“O julgamento estético supõe valores consensuais, mesmo que estes sejam provisórios. O mesmo Kant dizia que, se não se pode provar o bom fundamento dos julgamentos estéticos, há, no entanto, pessoas capazes de fornecer argumentos, e comprovar assim certa autoridade nesse terreno. Os críticos são aqueles que fornecem argumentos em apoio a seus julgamentos.” (Parrone-Moises, 1996 citado por Araújo, 2016)

Para se fazer uma crítica literária, há um todo conjunto de saberes que devem ser evocados, uma espécie de julgamento fundamentado, mas a questão é: ainda há julgamento de obras literárias actualmente, ou só se elogia por ser mais uma obra que se ajunta as demais na literatura moçambicana?

Numa altura de muita produção literária em Moçambique, é imperioso haver uma escola de crítica literária para responder a essa demanda. Quando falo de Escola Moçambicana de Crítica Literária, numa primeira fase, não me refiro a uma infra-estrutura de grandes dimensões, que talvez precise de milhões para a sua materialização. Até porque o significado de escola está relacionado a uma instituição de ensino, a uma corrente composta por indivíduos defensores de uma ideia, etc.

Segundo Matola (2023), o académico Professor Francisco Noa diz que a crítica literária está em crise, e a solução é uma escola. O académico lamentou o facto de os jornais e a revistas, locais onde a crítica literária, há muito tempo, era feita de forma qualitativa e quantitativa, porque havia espaço, agora ser uma recordação. Disse ainda, que as revistas e os jornais já não têm espaço para tal:

“Literatura sem crítica é como se fosse uma literatura sem uma especialização e isso não ajuda […] Deve haver uma organização por detrás disso tudo, para que exista, de facto, uma escola […] Não precisa ser necessariamente um prédio, um edifício, tem a ver com a concentração daquilo que é o conceito das pessoas sobre a literatura…sobre livros […]

Uma obra literária ao ser submetida a júri popular, ou ao ser publicada, o autor espera reacções por parte dos consumidores ou público-alvo, porque só existe obra literária se existir o leitor. Todavia, as reacções podem ser diversas, algumas emotivas outras tecnicistas. Se, depois de lançada, a obra passasse por uma crítica de indivíduos instruídos (podendo ser estudantes de literatura moçambicana, comprometidos), talvez membros de uma escola de crítica séria, ao nosso entender, uma forma de dizer ao autor que bem ou mal, a obra foi recebida e criticada.

“O significado total de uma obra de arte não pode ser definido meramente em função do seu significado para o autor e os seus contemporâneos. Trata-se, antes, do resultado de um processo de adição, isto é, a história da crítica pelos seus muitos leitores em muitas épocas.” (Wellek & Warren, 2003).

Ter-se uma escola de crítica para avaliar as obras literárias que emergem, pode garantir que, pelo menos, as obras que são colocadas em circulação (em todo o país) usufruam do seu direito de passar pela crítica. Mas em fim, fico na esperança de que este sonho se desiutopise.

 

  1. Referências Bibliográficas

Araújo, Nabil. (2016). A crítica literária e a função da teoria reflexão em quatro tempos.

Belo Horizonte: FALE/UFMG.

Matola, Alexandre. (2023). Francisco Noa diz que a crítica literária está em crise e a

solução é haver escola. Maputo: O País.

Wellek, Rene & Warren, Austin. (2003). Teoria da Literatura e Metodologia dos Estudos Literários. São Paulo: Martins Fontes.

 

Neste 20 de Maio, às 17h00, no Instituto Guimarães Rosa, em Maputo, Natércia Chicane vai lançar o  livro “O baú dos infelizes”, pela Editorial Fundza.

O livro possui 164 páginas, e retrata um conjunto de problemas sociais, familiares e conjugais, que, sobretudo, giram em torno da poligamia ou do pensamento de que a mulher deve suportar calada os vícios e as traições do marido.

Para Lucrécia Paco, a prefaciadora do livro, o enredo de Natércia Chicane “faz-nos pensar no amor e seus tropeços, nas relações abusivas no sentido do homem para com a mulher, da mulher para com o homem e dos pais para com os seus filhos.”

“O baú dos infelizes” é uma das obras seleccionadas na terceira Chamada Literária da Editorial Fundza, uma iniciativa que tem vindo a revelar novas vozes na literatura moçambicana.

Desde 2022, já foram publicados mais de 40 novos autores de todo o país.

Natércia Chicane, natural de Maputo, é guionista e realizadora de cinema. É licenciada em Contabilidade e Auditoria e também possui formação em Literatura e Cinema. Estreou na ficção com o documentário “Johana – A Terra que roubou os nossos Maridos”, lançado em Maputo durante o Festival Dokanema, em 2009. Escreveu e realizou 7 filmes. Conquistou, em 2011, o Prémio de Poesia Nosside, realizado na Itália.

“Fomos educados para o crescimento, mas não para a felicidade…”, Pepe Mujica Fez-me comoção estas palavras!  Procurei na minha ingenuidade sulista, quer dizer terceiro mundista, o alcance. Os tempos são de incerteza. As manhãs continuam cinzentas, o eco dos pássaros desapareceu sob a floresta de concreto que nasce às catadupas nesta cidade atolada de miséria!

Navego como quem se espreguiça no soalho da infâmia pelas parangonas dos noticiários do outro hemisfério. Debalde! Simplesmente quase nada, algumas notas de pesar, quase nulas num rodapé raquítico.

As memórias do século XX vão desabando ao ritmo dos dispositivos electrónicos que trocam a interacção pessoal pelo distanciamento. Vivemos tempos sombrios! A solidão é uma constante! Um sonho ardido na alvorada do pensamento engajado. Pois é!

Cambaleamos com vídeos e fotos em lugares paradisíacos para esconder de soslaio o temor da solidão, ou a angústia nos olhos duma geração ensinada ao despesismo exacerbado!

Tudo é fugidio! Ninguém quer entender o outro! O sabor da espera foi trocado pelo refresco da pressa embrulhado entre os dedos da mão!

Será esta a sociedade do cansaço?

Que melodias assombram seus olhos?

Regresso a minha vigília pelos noticiários! O Presidente mais pobre do mundo morreu!

A miúde os seus pensamentos são colados por admiradores, gente comum, que ao virar da esquina aprendeu a soldo o sabor da miséria.

“A vida não é só trabalhar. Tem que se deixar um bom capítulo para as loucuras que cada um tem…”

Rio-me, com os olhos manchados de lágrimas, porque a poesia tem esses momentos inusitados de estar só com a escrivaninha e rir de nada e por nada.

Que loucuras faltam aos homens  do meu tempo?

Não há luz nas trevas! Abaixo do equador o cheiro da miséria faz escola! O silêncio dos bons não humedece a boca amarga!

A cada instante, o capital, este nazareno do  nosso tempo descerra os caminhos do vazio e constrói castelos sobre os mangais da esperança!

Deixo-me sentar nesta frondosa sombra de canhoeiro; beijam-me os raios raquíticos neste inverno ainda em flor. Eis a economia de mercado açambarcando os últimos resquícios de ideais por herdar.

 

O ex-presidente dos Estados Unidos da América, Joe Biden, foi diagnosticado com câncer de próstata, de acordo com um comunicado de seu gabinete. O homem de 82 anos procurou atendimento médico após apresentar sintomas que levaram à descoberta de um nódulo na próstata.

Exames confirmaram a presença de câncer na sexta-feira, e novos exames revelaram que ele já havia se espalhado para os ossos. Os médicos descrevem o câncer como agressivo, com um escore de Gleason de 9, próximo ao topo da escala usada para medir a gravidade.

Apesar de sua disseminação, o câncer é sensível a hormônios, um factor que abre caminho para opções de tratamento que podem ajudar a controlar a doença, mas não curá-la. O câncer de próstata com metástase é significativamente mais difícil de tratar do que quando localizado. No entanto, a terapia hormonal pode retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida. Especialistas afirmam que homens nessa situação geralmente são tratados com medicamentos, em vez de cirurgia ou radioterapia.

A saúde de Biden tem sido um tema de preocupação pública há muito tempo, especialmente durante os últimos anos de sua presidência. Embora ele tenha lutado contra um câncer de pele e tenha removido um pólipo pré-canceroso durante seu mandato, este diagnóstico marca seu maior desafio de saúde até o momento.

Biden fez da pesquisa do câncer uma pedra angular de seu legado político — principalmente por meio da iniciativa “Cancer Moonshot”, inspirada em parte pela morte de seu filho Beau, vítima de câncer no cérebro em 2015.

O Presidente da República, Daniel Chapo, promulgou e mandou publicar, esta segunda-feira, a lei sobre o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) 2025.

A referida lei foi aprovada recentemente pela Assembleia da República e  submetida ao Presidente da República para promulgação, “tendo o Chefe do Estado  verificado que a mesma não contraria a Lei Fundamental”, refere a Presidência da República.

O PESOE foi aprovado com 193 votos a favor da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e do Povo Otimista para o Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS) e com 23 votos contra da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

No documento, o Governo prevê para 2025 um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,9% (1,9% em 2024), uma taxa de inflação média anual de 7%, exportações de bens no valor de 8.431 milhões de dólares (cerca de 7.379 milhões de euros) e Reservas Internacionais Brutas de 3.442 de milhões de dólares (cerca de 3.045 milhões de euros), equivalentes a 4,7 meses de cobertura das importações de bens e serviços, excluindo os megaprojetos.

A receita do Estado em todo o ano deverá ascender a mais de 385.871 milhões de meticais (5.347 milhões de euros), equivalente a 25% do PIB, e as despesas totais a 512.749 milhões de meticais (7.107 milhões de euros), correspondente a 33,2% do PIB, gerando um défice orçamental de 8,2%.

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, planeja discutir oportunidades de negócios para as empresas de Elon Musk durante uma visita a Washington, esta semana, com o objectivo de melhorar as relações com o presidente dos EUA , Donald Trump, segundo escreveu Reuters. 

O Governo de Trump cortou o financiamento à África do Sul em Fevereiro e, na semana passada, concedeu título de refugiado a um grupo de sul-africanos brancos que, segundo explicou, estavam a enfrentar discriminação racial, uma alegação que o governo sul-africano nega.

Os dois chefes de Estado têm um encontro marcado para quarta-feira. E autoridades sul-africanas estão a preparar uma proposta comercial para apresentar a Trump, a fim de restabelecer o relacionamento.

 

A Primeira-Ministra, Benvinda Levi,  defende a importância de uma parceria entre a igreja Católica e o continente africano, nas áreas da Educação, saúde e outras áreas sociais. 

“Acho que se a Igreja Católica continuar a dar este apoio, e concerto que continuará, Moçambique tem muito a ganhar. Porque, qualquer país só se desenvolve se tiver uma área de educação muito forte. E a educação que é prestada pelas escolas, universidades católicas, é uma educação com um nível reconhecido a nível mundial” afirmou a governante, durante o balanço da sua participação na cerimónia de investidura do Papa Leão XIV.

Benvinda Levi manifestou o desejo que as relações entre o Papa e o país fossem mais próximas, mas advertiu que “Teríamos que esperar um pouco para ver qual será a posição a assumir. Nós gostaríamos, claro, que tivesse uma relação muito mais próxima, mas preferimos ser cautelosos. O Papa não se pronunciou a esse respeito”. 

A Primeira-ministra avançou ainda que o Presidente português manifestou o seu interesse em participar da comemoração do seu 50º aniversário de independência de Moçambique.

A Associação Back Bulls é a única equipa que teve um arranque vitorioso entre os últimos três clubes campeões do Moçambola das últimas três edições da prova. A União Desportiva do Songo, campeão em 2022, iniciou com empate e o Ferroviário da Beira, vencedor de 2023, perdeu contra os “touros”. 

Depois de muitas incertezas o Moçambola, principal escalão do futebol moçambicano, arrancou no último sábado. A abertura oficial da prova foi apadrinhada pelas formações da Associação Black Bulls e Ferroviário da Beira, curiosamente os últimos dois campeões da prova com o mesmo treinador, Hélder Duarte. 

Os “touros” acabaram por registar um arranque com vitória por uma bola sem resposta. Em quatro anos na prova, ou seja de 2021 a esta parte, a Black Bulls apenas somou uma derrota na primeira jornada, em 2022 diante da União Desportiva do Songo, por uma bola sem resposta. 

Entre os últimos três campeões do  Moçambola de 2022, 23 e 24, está a União Desportiva do Songo, que ergueu o troféu em 2022. Na presente edição, os “hidroeléctricos” não foram além de um empate diante do Ferroviário de Nacala a duas bolas. 

Eis a tabela de resultados da primeira jornada do  Moçambola.

 

Donald Trump fala, hoje, com Putin e Zelensky sobre a guerra russo-ucraniana. O presidente norte-americano revelou nas redes sociais.

Depois de ter falhado a promessa de ir à Turquia, na semana passada, Donald Trump promete agora falar com Putin e Zelinsky por telefone. A guerra na Ucrânia é o assunto principal. 

Numa publicação nas redes sociais,  Trump disse que começará por falar com Vladimir Putin, Presidente russo, e, de seguida, falará com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e com vários membros da NATO.

“Espero que seja um dia produtivo, que haja um cessar-fogo e que esta guerra tão violenta, uma guerra que nunca deveria ter acontecido, termine”, escreveu em suas redes sociais.

Nas negociações de sexta-feira, na Turquia,  a Rússia e a Ucrânia concordaram trocar, ainda sem datas,  mil prisioneiros de ambos lados.

Sobre um cessar-fogo definitivo, o Kremlin disse, no sábado, que vai entregar uma lista à Ucrânia de condições para o fim da guerra e que alguns acordos poderiam ajudar para um encontro entre Putin e Zelensky.

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