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A Prime Rate do sistema financeiro moçambicano está fixada em 15,50% para Novembro, mas o custo do crédito varia significativamente entre as instituições financeiras e as modalidades de financiamento. No crédito à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo entre os bancos comerciais, de 1%, colocando a taxa indicativa em 16,50%. Já no crédito ao consumo, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, enquanto nas instituições de microfinanças os juros indicativos podem atingir 60,95%.

Os dados constam do Comunicado n.º 10/2026 da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), de 30 de Outubro, que estabelece as margens de crédito a aplicar durante Novembro. A Prime Rate resulta da soma do Indexante Único, fixado em 9,30%, com o Prémio de Custo, de 6,20%, e constitui a taxa de referência para operações de crédito com juros variáveis.

Na modalidade de financiamento à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo, de 1%, seguido do Millennium BIM, com 1,20%. Em sentido contrário, o Vista Bank e o First Capital Bank apresentam margens de 6%. Considerando a Prime Rate de Novembro, as taxas indicativas para esta modalidade variam entre 16,50% e 21,50%.

No crédito ao consumo, destinado ao financiamento de bens e serviços como viaturas, electrodomésticos e mobiliário, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, seguido do ABSA, com 10,75%, e do FNB, com 10%. O Millennium BIM regista o spread mais baixo, de 3,91%. Neste segmento, as taxas indicativas variam entre 19,41% e 27,50%.

Para as empresas, os custos de financiamento também apresentam diferenças em função do prazo e da finalidade do empréstimo. Nos créditos de curto prazo, até um ano, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2% e 5%, correspondendo a taxas indicativas de 17,50% a 20,50%. Estes financiamentos destinam-se sobretudo à aquisição de meios circulantes e à cobertura de necessidades de tesouraria.

Já nos empréstimos de longo prazo, acima de um ano, as margens oscilam entre 1% e 6%, colocando as taxas indicativas entre 16,50% e 21,50%. Esta modalidade destina-se principalmente ao financiamento de investimentos empresariais, podendo o prazo de reembolso atingir sete anos.

É, contudo, no segmento das microfinanças que se encontram os encargos mais elevados. Para empréstimos ao consumo, os spreads variam entre 14% e 45,45%, dependendo da instituição e do prazo de reembolso. Com a aplicação da Prime Rate de 15,50%, as taxas indicativas podem chegar a 60,95%.

A MyBucks Mozambique apresenta uma margem de 45,45% nos empréstimos com prazos de seis e 12 meses, enquanto a Socremo pratica um spread de 44,50% nas mesmas maturidades. O Banco Letshego apresenta uma margem de 14% em todos os prazos de crédito ao consumo divulgados.

Nas operações de financiamento às empresas através das microfinanças, as diferenças também são expressivas. A MAIS – Microbanco de Apoio aos Investimentos apresenta spreads de 4% nos empréstimos de curto prazo e 4,25% nos de longo prazo. A Socremo regista margens de 20,10% e 20,50%, respectivamente, enquanto o Banco Letshego apresenta 19% nas duas modalidades.

ACESSO AO CRÉDITO EXIGE GARANTIAS

Para além dos juros, o acesso ao financiamento está condicionado ao cumprimento de requisitos definidos pelas instituições. Nos bancos comerciais, os clientes devem ter uma relação bancária de pelo menos seis meses, apresentar histórico de transacções e não possuir incidentes por regularizar na Central de Registo de Crédito do Banco de Moçambique. É igualmente exigida uma livrança em branco.

No crédito à habitação, os bancos estabelecem um prazo máximo de 20 anos e exigem uma hipoteca do imóvel com cobertura de 120% do valor financiado. A prestação mensal não pode ultrapassar 30% do rendimento líquido do mutuário, sendo também obrigatórios o seguro de vida e o seguro do imóvel.

Para o crédito ao consumo, o prazo máximo é de cinco anos. O requerente deve ter contrato de trabalho por tempo indeterminado e apresentar uma declaração da entidade empregadora que confirme as suas funções e rendimentos. A prestação também não pode exceder 30% do rendimento líquido mensal.

No financiamento empresarial, os bancos exigem garantias com cobertura mínima de 120% do valor do crédito pretendido, bem como contas auditadas dos últimos três anos ou, no caso dos empréstimos de longo prazo, um plano de negócios.

O comunicado estabelece ainda condições para operações de leasing, modalidade utilizada para financiar a aquisição de activos como máquinas, veículos e imóveis. No leasing mobiliário, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2,50% e 5%, enquanto no imobiliário os valores divulgados oscilam entre 0% e 4,50%. O financiamento pode cobrir até 90% do valor de avaliação do bem.

A Prime Rate é calculada com base em dois componentes. O Indexante Único é determinado mensalmente pelo Banco de Moçambique, tendo em conta a média ponderada das operações de liquidez realizadas no Mercado Monetário Interbancário para o prazo de um dia útil. O Prémio de Custo é calculado trimestralmente pela AMB e considera factores como a classificação de risco do país, o crédito em incumprimento, o crédito saneado e o coeficiente de reservas obrigatórias.

O modelo resulta do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano, que procura reforçar a transparência na fixação dos juros variáveis e melhorar a transmissão da política monetária ao mercado. A divulgação dos spreads permite aos clientes comparar as condições oferecidas pelas instituições, embora a taxa final dependa sempre da avaliação de risco e das condições específicas de cada operação.

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A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) negou que os cristãos na região estejam a ser alvo específico dos terroristas, contrariando as acusações do Presidente norte-americano, Donald Trump, de haver “um massacre” na Nigéria.

A CEDEAO chamou a atenção num comunicado divulgado na terça-feira para “o nível crescente de violência perpetrada por grupos terroristas de diversa índole em alguns países da região da África ocidental, incluindo a Nigéria”.

O bloco regional, que tem a sua sede na capital administrativa nigeriana de Abuja, afirmou que “os autores dessa violência atacam civis inocentes de todas as confissões religiosas, incluindo muçulmanos, cristãos e pessoas de outras religiões”.

“A violência relacionada com o terrorismo não discrimina por motivos de género, religião, etnia ou idade”, de acordo com “relatórios independentes [feitos] ao longo dos anos”, acrescentou-se no comunicado.

A CEDEAO apelou às Nações Unidas e aos seus parceiros para rejeitarem “qualquer alegação de que esses grupos terroristas atacam um grupo em particular ou de que está a ser cometido um genocídio contra um grupo religioso específico na região”.

O bloco rejeitou “energicamente essas afirmações falsas e perigosas que procuram aprofundar a insegurança nas comunidades e enfraquecer a coesão social na região”, sem mencionar directamente o Presidente norte-americano.

A CEDEAO apelou também à comunidade internacional para que apoie os países da região na sua luta contra o terrorismo “que atenta contra todas as comunidades”.

O Presidente dos Estados Unidos da América afirmou no sábado que ordenou ao Departamento de Guerra que se preparasse para uma “possível acção” na Nigéria a fim de “eliminar os terroristas islâmicos”, e acusou o Governo nigeriano de “permitir a matança de cristãos”.

Já na sexta-feira, Donald Trump tinha acusado sem provas a existência de “um massacre” de cristãos na Nigéria e anunciou que declarava o país como “nação de especial preocupação”, uma designação aplicada a países “envolvidos em graves violações da liberdade religiosa”.

O Governo nigeriano disse que tomou nota das declarações de Donald Trump, mas que as alegações “não reflectem a realidade no terreno”.

ONU alerta que Irão tem de melhorar cooperação no programa nuclear

O director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) afirmou, num artigo ontem publicado, que o Irão tem de melhorar a cooperação com os inspectores da ONU para evitar “mais tensões com o Ocidente”.

Ao jornal britânico Financial Times, Rafael Grossi considerou que a AIEA realizou dezenas de inspecções no Irão desde os ataques israelitas e norte-americanos em Junho, embora “não tenha tido acesso às instalações nucleares mais importantes do país”, como Natanz, Isfahan e Fordo.

Estas três instalações nucleares foram bombardeadas pelos Estados Unidos, em 22 de Junho, em ataques realizados na sequência da ofensiva de Israel contra infra-estruturas nucleares e militares em Teerão, a 13 de Junho.

Israel justificou os ataques como uma resposta à aceleração do programa nuclear iraniano, que Telavive considera uma ameaça. Teerão respondeu com disparos de mísseis balísticos e envio de drones contra alvos em território israelita.

Grossi declarou existir agora uma “necessidade imperiosa de retomar as inspeções” nas instalações de Natanz, Isfahan e Fordo, dado que, de momento, “se desconhece o destino de mais de 400 quilogramas de urânio enriquecido que se encontrava no interior” das centrais, quando ocorreram os ataques israelitas.

“Já devíamos ter retomado estas atividades”, sublinhou.

“Estamos a tentar gerir as relações com o Irão através do entendimento, mas o país terá de cooperar. O que não se pode fazer é dizer que se adere ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e depois não cumprir com as obrigações”, afirmou.

A AIEA desempenha um papel central e essencial na aplicação do TNP, um tratado internacional para impedir a disseminação de armas nucleares, promover o desarmamento nuclear e fomentar o uso pacífico da energia nuclear.

O director-geral da AIEA afirmou que a instituição “tem recorrido a imagens de satélite para monitorizar as instalações bombardeadas”, embora tenha descartado, por agora, “a necessidade de chamar a atenção do Irão no Conselho de Segurança da ONU relativamente a estas inspecções”.

O Ministro do Interior pede aos cidadãos para agirem de acordo com a lei, e encaminharem as suas reivindicações às autoridades competentes, evitando a justiça com as próprias mãos. Paulo Chachine reagia ao linchamento de um agente da Polícia em Zóbue, na província de Tete, ocorrido esta Terça-feira.

Celebra-se esta quarta-feira o Dia da Legalidade. As instituições de administração da Justiça e da Legalidade depositaram uma coroa de flores na Praça dos Heróis, em Maputo, para assinalar a efeméride. Na ocasião o Ministro do Interior reagiu ao linchamento de um agente da PRM em Tete. 

“É triste e infelizmente isso acontece, mas não deve acontecer, porque, quando nós falamos de conformidade com a lei, não fazemos esta exigência apenas para a Polícia, para as instituições de administração da justiça, mas para todo o cidadão. O cidadão também, nas suas acções, deve se conformar com a lei. Há justiça, e a justiça deve ser feita por instituições próprias, pelas instituições da justiça, não a justiça pelas próprias mãos”, disse o ministro, apelando que os cidadãos conforme as suas acções com a lei. 

Outro acto que atenta à legalidade em Moçambique são os raptos, e o Governante garante que há esforços para combater o mal.

“Raptos é um crime organizado, e tudo que é crime organizado tem uma teia de responsáveis, uma teia de responsáveis por este acto, desde o mais pequeno até ao dono, até ao mandante. E é por causa disso que, às vezes, se pensa que ainda não chegamos lá, mas vai chegar-se aos verdadeiros mandantes”, acrescentou o Chachine. 

O Dia da Legalidade é celebrado em Moçambique desde 1981.

Um tribunal marroquino condenou, na terça-feira, um homem a cinco anos de prisão e a uma multa de 107.300 dólares por tráfico de seres humanos, na primeira sentença do país contra alguém acusado de aliciar pessoas para trabalhar num esquema de exploração sexual na Ásia.

O caso envolveu vários jovens marroquinos que disseram ter sido atraídos por uma oferta de emprego online que prometia boa remuneração na Tailândia. Em vez disso, foram vítimas de tráfico humano para Myanmar e forçados a trabalhar a mais de 14.966 quilómetros (9.300 milhas) de casa, facilitando fraudes e golpes online.

O réu, Nabil Moafik, negou as acusações e classificou o tráfico de seres humanos como um “crime contra a humanidade” que ele jamais cometeria.

As Nações Unidas afirmam que cerca de 120 mil pessoas estão presas em centros de tráfico humano e que processos judiciais foram instaurados em todo o mundo para combater o tráfico de pessoas. Vários desses processos estão tramitando nos tribunais marroquinos.

Em Casablanca, vítimas presentes no tribunal disseram à Associated Press que testemunharam tortura e outros tratamentos degradantes nos centros de detenção de Myanmar. Algumas afirmaram ter conseguido a libertação após pagar resgates em criptomoedas, de acordo com documentos judiciais fornecidos pelos advogados.

Os promotores disseram que Moafik administrava um grupo no Facebook que ajudava imigrantes marroquinos a se adaptarem à vida na Turquia. Lá, ele publicou um anúncio para uma vaga de emprego em um call center na Tailândia. Uma pessoa, Youssef Amzouz, respondeu ao anúncio. Ele foi colocado em contacto com outro marroquino que cuidou do recrutamento, realizou as entrevistas e enviou o dinheiro para a compra de uma passagem aérea para a Malásia.

Um relatório policial lido em tribunal afirmou que Moafik apresentou Amzouz a outro marroquino que, posteriormente, exigiu que ele pagasse um resgate ou recrutasse outras 100 pessoas para garantir sua liberdade.

Moafik disse ao juiz que Amzouz ligou para ele depois de sair do local do golpe, dizendo que estava recebendo tratamento em um hospital devido a ferimentos sofridos em decorrência de tortura.

“Eu era apenas um intermediário de empregos. Recebia entre US$21 e US$107 por cada pessoa que recrutava”, disse Moafik. “Eu não fazia ideia de que tudo isso aconteceria.”

A Organização Internacional para as Migrações, um órgão da ONU, afirmou que os intermediários podem não ter consciência de que estão participando do tráfico de pessoas, o que dificulta a punição desses crimes transfronteiriços.

O procurador-geral argumentou que Moafik tinha como objectivo lucrar com o comércio de mercadorias, classificando-o como “um elemento essencial no crime de tráfico de pessoas”.

O portal de notícias local Hespress informou no início deste ano que o Ministério das Relações Exteriores de Marrocos conseguiu a libertação de 34 cidadãos que foram vítimas de tráfico humano para centros de golpes online em Myanmar. O ministério não respondeu às perguntas enviadas por e-mail pela Associated Press sobre o número total de marroquinos afetados.

A FIFA anunciou ontem a criação do “Prémio FIFA pela Paz – O Futebol Une o Mundo”, destinado a reconhecer acções em prol da paz e da unidade entre os povos.

O prémio pretende distinguir indivíduos que, através do seu compromisso e das suas acções, tenham lutado pela paz e contribuído para unir pessoas em todo o mundo.

De acordo com a FIFA, o galardão será atribuído anualmente, em nome de todos os amantes do futebol no mundo que, através do desporto, contribuem diariamente para o lema da instituição: “O futebol une o mundo”.

O primeiro vencedor receberá a distinção das mãos do presidente da FIFA, Gianni Infantino, no dia 05 de Dezembro, durante o sorteio final do Mundial 2026, que decorrerá em Washington DC, nos Estados Unidos.

“Num mundo cada vez mais instável e dividido, é fundamental reconhecer a contribuição extraordinária daqueles que trabalham para pôr fim aos conflitos e unir as pessoas num espírito de paz”, afirmou Gianni Infantino.

Com esta iniciativa, a FIFA pretende reforçar o papel social e simbólico do futebol como instrumento de união global e de promoção da paz através do desporto.

O Fórum Nacional sobre Paz e Reconciliação, realizado esta quarta-feira, em Maputo, destacou que a verdadeira paz em Moçambique não se conquista apenas com o fim do conflito, mas com justiça, inclusão social e respeito pelos direitos humanos.

Promovido pelo Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD) e parceiros, com o apoio da União Europeia (UE), o encontro reuniu representantes de instituições nacionais, organismos internacionais e membros da sociedade civil, com o objectivo de construir caminhos concretos para a reconciliação nacional.

“Haverá paz quando houver justiça e dignidade para todos. A paz não é apenas a ausência de conflito, mas a presença de equidade e respeito pelos direitos humanos”, afirmou Séverine Landeny, representante da ONU em Moçambique, sublinhando que o país ainda enfrenta desafios significativos na consolidação da unidade nacional.

O director do IMD, Hermenegildo Mulhovo, reforçou que o Fórum é apenas uma etapa de um processo contínuo: “Este é um espaço para recolher contributos para um diálogo nacional inclusivo. A reconciliação não é mágica, exige tempo, coragem e compromisso de todos os sectores da sociedade.”

O reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Jorge Ferrão, lembrou que Moçambique continua distante de alcançar uma paz plena. “Não podemos falar de paz verdadeira se não colocarmos a justiça e a dignidade no centro do nosso trabalho. O país ainda carrega feridas antigas que precisam ser tratadas com atenção e responsabilidade”, disse Ferrão.

Por seu turno, o Governo defendeu o abandono de julgamentos com base nas memórias do passado, apelando ao reforço do bem-estar comum como pilares da reconciliação. 

“A paz exige que olhemos para o futuro, priorizando o bem colectivo e a unidade nacional em detrimento de interesses individuais ou partidaristas”, afirmou o representante do Ministério da Justiça.

Já o Conselho Cristão de Moçambique (CCM) também se manifestou, apelando à superação de interesses particulares. “O momento exige que cada um de nós coloque o bem do país acima de objectivos pessoais e com sinceridade. Só assim poderemos consolidar a unidade nacional”, frisou Rodrigues Dambo, presidente do CCM.

Além disso, o político Óscar Monteiro alertou que muitas das tensões actuais têm origem em assuntos do passado ainda não resolvidos com bases étnicas. 

“Não podemos ignorar que problemas antigos continuam a gerar conflitos e desconfiança. Precisamos de coragem para enfrentar essas questões e construir um futuro melhor”, disse Monteiro.

Por seu turno, a União Europeia reconheceu os avanços de Moçambique no caminho da reconciliação, mas destacou que ainda há muito trabalho a ser feito. A ocasião serviu para o IMD anunciar planos de replicar o Fórum nas demais províncias, garantindo que o diálogo nacional seja verdadeiramente inclusivo e que a participação da sociedade civil seja ampliada.

Mais de 500 famílias afectadas pelas inundações, na cidade de Maputo, regressaram às suas casas depois do bombeamento das águas da chuva. O edil Rasaque Manhique diz que o reassentamento está refém  da criação de condições. 

Pelo menos 37 mil pessoas que se encontram nas zonas de risco poderão ser afectadas nesta época chuvosa 2025-2026, na Cidade de Maputo. Neste momento, cerca de 700 famílias ainda vivem em casas alagadas.  

A preocupação foi levada a Rasaque Manhique nesta quarta-feira, pelas bancadas municipais, durante mais uma sessão da Assembleia Municipal de Maputo. 

“Os munícipes clamam por uma intervenção que resolva o problema, pois mais famílias são obrigadas a abandonar as suas zonas de residência, o que agrava o cenário de pobreza  urbana. Aliás, o saneamento é uma emergência na cidade de Maputo. A preocupação é ainda maior porque iniciou o período chuvoso”, explicou Augusto Banzo, chefe da bancada municipal do MDM. 

Nos centros de acolhimento, algumas famílias continuam a viver na incerteza e queixam-se de falta de condições.

“De forma persistente, temos vindo a questionar sobre as medidas tomadas neste governo municipal, para resolver os problemas dos munícipes de Hulene, Magoanine, entre outros bairros propensos a inundações. Todavia, temos visto munícipes clamando por falta de assistência nos centros de acomodação, más condições de higiene e existência de apenas uma única casa de banho para todos. A pergunta que não quer calar é, se até hoje em algumas residências temos poças de água estagnada,  o que será destas famílias e de outras?”, questionou João Rebenze, Chefe da Bancada da Renamo.

Para a bancada municipal da Frelimo, o bombeamento de água em curso em alguns bairros,  é uma solução eficaz para resolver o problema.   

“Com o bombeamento e criação de sistemas que garantem uma maior capacidade de escoamento de águas pluviais, significa que nos próximos tempos teremos menos problemas decorrentes das descargas pluviométricas ”.

Por sua vez, Rasaque Manhique garante que centenas de famílias regressaram às suas casas, desde o arranque do processo. O edil fala de um espaço com capacidade para reassentar mais de 500 famílias, identificado no distrito de Matutuine. 

“Sobre o reassentamento, continuamos a dizer que não basta apenas identificar o local e levar a nossa população, sem que criemos condições mínimas. O Executivo está comprometido para que, além de receber os espaços, trabalhe para criar condições de habitabilidade ”

Na sessão da Assembleia Municipal, os deputados condenaram a ocorrência de raptos, na capital do país, e exigem o reforço da segurança. 

A Associação Moçambicana de Editores e Livreiros (AMEL) marca presença na 44ª Feira  Internacional do Livro de Sharjah (SIBF), que decorre desde o dia 1 de Novembro na Capital  Cultural dos Emirados Árabes Unidos. Moçambique é ainda representado por Paulina Chiziane, Jeffrey Mason, Huwaida Saleh e Pedro Perreira Lopes.  

Reconhecida como a melhor feira do livro do mundo  pelo quinto ano consecutivo, a SIBF reúne 2 200 expositores provenientes de 112 países e atrai mais de 2,17 milhões de visitantes, consolidando a sua posição como um dos maiores e mais  influentes encontros do sector editorial a nível global. 

O evento, que este ano decorre sob o lema “Entre ti e um livro”, iniciou com a Conferência de  Editores, que incluiu formações especializadas, mesas redondas e sessões B2B dedicadas à  aquisição e negociação de direitos de tradução e publicação. 

A AMEL foi representada pela sua Presidente, Sandra Tamele, da Editora Trinta Zero Nove,  que apresentou um catálogo de literatura moçambicana contemporânea publicada pelos  membros da associação, com o propósito de ampliar a visibilidade internacional dos autores  moçambicanos e fortalecer parcerias editoriais com o mundo árabe. 

Sob instância de Sandra Tamele, o programa da feira que vai até 16 de Novembro regista pela  primeira vez a presença dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), com  destaque para a participação de Paulina Chiziane, a primeira mulher Africana a vencer o  Prémio Camões, num painel sobre “Estórias de Pertença”, ao lado de Jeffrey Mason e da  Dra. Huwaida Saleh.  

A delegação de língua portuguesa inclui ainda Ondjaki (Angola) e Pedro Pereira Lopes (Moçambique), numa participação que Tamele descreve como “o reencontro entre os Países do  Golfo e a língua portuguesa”, esperando que seja “a primeira de muitas”. 

Durante o evento, a AMEL garantiu manifestações de interesse internacionais para a publicação  de: Niketche, de Paulina Chiziane, pela Sidra Publishing, uma jovem editora independente  emiradense especializada em tradução literária; uma antologia de poesia moçambicana pela  Nobilis Maison d’Édition SARL, sediada em Beirute; Teatro de Marionetes de Jofredino Faife  pela Al Arabi Publishing and Distributing, a maior editora do Egipto; e Uma Onça na Cidade de Deusa D’África pela Vakxicon Publications da Grécia, o país convidado de honra em  Sharjah em 2025. 

O músico moçambicano Nordino Chambal apresenta o concerto ao vivo de gravação de DVD, Masungulo, ao lado de Mingas, José Mucavel, Justino Ubakka e Obedes Lobadias, nesta sexta-feira, em Maputo.

Masangulo vai ser um ousado concerto a ser gravado para formar o DVD do músico Nordino Chambal, numa actuação a contar com os grandes nomes da música como José Mucavel e Mingas. Vai ser um espetáculo de estreia de novas músicas do jovem artista além das “febres” mamã, “ntombi ya kona”, “famba kwatsi” e “wanikufumeta”.

Moçambique está a abrir novas rotas no céu e no desenvolvimento. Com uma aposta clara na modernização das infraestruturas aeroportuárias e na ampliação da conectividade interna e internacional, o país procura consolidar-se como um destino turístico competitivo e sustentável. A empresa Aeroportos de Moçambique está no centro desta transformação, trabalhando para que cada pista de aterragem seja também uma porta aberta para novas oportunidades de investimento, negócios e lazer.

O turismo é hoje um dos sectores mais estratégicos para a diversificação da economia moçambicana, e os aeroportos assumem papel essencial neste processo. São o primeiro contacto de quem visita o país e, muitas vezes, o cartão de visita que define a experiência do viajante. “Os aeroportos são um braço do turismo, e o turismo precisa de conectividade. Se tivermos pontos de entrada de referência, como Vilankulo, Beira e Nacala, estamos a garantir que os turistas que vêm de longe encontrem novas rotas e melhores condições para chegar aos seus destinos”, explica Fonseca da Fonseca, administrador operacional da empresa Aeroportos de Moçambique.

O gestor reconhece que o turismo e a aviação vivem numa relação simbiótica. Um cresce com o outro, e o investimento em novas rotas é fundamental para dinamizar as duas áreas. “Os aeroportos sobrevivem do turismo, e o turismo sobrevive dos aeroportos. Queremos fazer desta relação um motor de crescimento”, reforça.

A expansão das rotas aéreas é, por isso, um dos pontos centrais do plano de desenvolvimento da empresa. Nos últimos meses, foram anunciadas novas ligações domésticas e internacionais que prometem aproximar Moçambique do resto do mundo. “Estamos a melhorar as comunicações em todo o país, e isso já está a ter impacto. O número de sobrevoos aumentou, o que mostra que o nosso espaço aéreo está a tornar-se mais atrativo para outras companhias”, afirma Fonseca.

Entre as novas ligações já confirmadas, estão as rotas Joanesburgo–Kruger, operada pela AirLink, e Nacala–Joanesburgo, com início previsto para fevereiro do próximo ano. “Temos também planos para fortalecer o aeroporto da Beira, transformando-o num verdadeiro hub regional”, acrescenta o administrador, revelando que novas rotas Beira–Porto, Beira–Vietname e Beira–Dubai estão também em execução.

A estratégia é transformar cada aeroporto numa plataforma de integração regional, capaz de responder à crescente procura por voos diretos e ligações rápidas para o turismo, o comércio e a cooperação internacional. A Beira, por exemplo, está a reposicionar-se como ponto de ligação estratégica entre o centro de Moçambique, o interior de África e as principais capitais do mundo.

Mas é o aeroporto internacional de Nacala que continua a ser o maior símbolo desta ambição. Concebido para ser um dos principais polos de conexão aérea do país, Nacala foi projetado com capacidade para receber grandes aeronaves e operar voos intercontinentais. A infraestrutura, moderna e tecnologicamente avançada, representa um investimento estratégico não apenas para o turismo, mas também para a dinamização económica do norte do país.

A empresa Aeroportos de Moçambique vê Nacala como peça-chave na integração das regiões norte e centro ao mapa global da aviação. O plano passa por atrair companhias internacionais, criar parcerias com operadores turísticos e desenvolver zonas comerciais complementares dentro e fora do aeroporto.

Nos últimos anos, o crescimento da procura turística tem impulsionado o tráfego aéreo em destinos como Vilankulo, Pemba e Tete, e a requalificação destas infraestruturas é essencial para consolidar a imagem de um país preparado para receber. “Acreditamos que o futuro do turismo passa pela conectividade. O viajante moderno quer facilidade, conforto e segurança, e nós estamos a trabalhar para oferecer exatamente isso”, sublinha Fonseca da Fonseca.

Além das novas rotas, o plano da empresa inclui investimentos em modernização tecnológica, expansão de terminais, melhoria da iluminação e sinalização das pistas e reforço da segurança operacional. Há também um foco crescente na digitalização dos serviços, com o objetivo de agilizar processos de check-in, gestão de bagagens e informações de voo.

Outro pilar essencial é a sustentabilidade. Os aeroportos estão a incorporar práticas ambientalmente responsáveis, incluindo a gestão eficiente de energia, o uso de fontes renováveis e a redução das emissões de carbono, numa clara resposta às exigências globais do turismo verde.

A aposta em novas rotas e aeroportos modernos está alinhada com o Plano Nacional de Desenvolvimento do Turismo, que prevê que o sector represente 10% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030. Para isso, a conectividade aérea é apontada como um dos fatores decisivos.

Com esta estratégia, Moçambique posiciona-se para competir com destinos tradicionais da África Austral, como Tanzânia, Namíbia e África do Sul. Vilankulo e Inhambane, por exemplo, já se destacam entre os destinos mais procurados para turismo de praia e mergulho, enquanto Gorongosa e Niassa ganham força no segmento de ecoturismo e safaris.

As novas rotas abrem também espaço para o crescimento de negócios locais. Hotéis, operadores turísticos, transportadoras e pequenas empresas ligadas ao turismo beneficiam diretamente da maior circulação de visitantes. Em paralelo, o aumento de voos comerciais cria empregos diretos e indiretos e estimula a economia regional.

No entanto, o desafio não está apenas em abrir novas rotas, mas em garantir que cada aeroporto se torne sustentável e eficiente. Para isso, a gestão integrada entre as autoridades de aviação, turismo e investimentos é vista como essencial.

Moçambique quer mostrar que está pronto para voar mais alto. Os novos aeroportos e rotas não são apenas corredores aéreos; são sinais de um país que está a abrir as suas portas ao mundo, apostando no turismo como caminho para o progresso económico e social.

Enquanto os aviões ganham altitude e cruzam os céus moçambicanos, há uma ideia que ecoa com força: o turismo é o novo combustível do desenvolvimento, e as asas de Moçambique estão novamente prontas para levantar voo.

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