A Prime Rate do sistema financeiro moçambicano está fixada em 15,50% para Novembro, mas o custo do crédito varia significativamente entre as instituições financeiras e as modalidades de financiamento. No crédito à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo entre os bancos comerciais, de 1%, colocando a taxa indicativa em 16,50%. Já no crédito ao consumo, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, enquanto nas instituições de microfinanças os juros indicativos podem atingir 60,95%.
Os dados constam do Comunicado n.º 10/2026 da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), de 30 de Outubro, que estabelece as margens de crédito a aplicar durante Novembro. A Prime Rate resulta da soma do Indexante Único, fixado em 9,30%, com o Prémio de Custo, de 6,20%, e constitui a taxa de referência para operações de crédito com juros variáveis.
Na modalidade de financiamento à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo, de 1%, seguido do Millennium BIM, com 1,20%. Em sentido contrário, o Vista Bank e o First Capital Bank apresentam margens de 6%. Considerando a Prime Rate de Novembro, as taxas indicativas para esta modalidade variam entre 16,50% e 21,50%.
No crédito ao consumo, destinado ao financiamento de bens e serviços como viaturas, electrodomésticos e mobiliário, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, seguido do ABSA, com 10,75%, e do FNB, com 10%. O Millennium BIM regista o spread mais baixo, de 3,91%. Neste segmento, as taxas indicativas variam entre 19,41% e 27,50%.
Para as empresas, os custos de financiamento também apresentam diferenças em função do prazo e da finalidade do empréstimo. Nos créditos de curto prazo, até um ano, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2% e 5%, correspondendo a taxas indicativas de 17,50% a 20,50%. Estes financiamentos destinam-se sobretudo à aquisição de meios circulantes e à cobertura de necessidades de tesouraria.
Já nos empréstimos de longo prazo, acima de um ano, as margens oscilam entre 1% e 6%, colocando as taxas indicativas entre 16,50% e 21,50%. Esta modalidade destina-se principalmente ao financiamento de investimentos empresariais, podendo o prazo de reembolso atingir sete anos.
É, contudo, no segmento das microfinanças que se encontram os encargos mais elevados. Para empréstimos ao consumo, os spreads variam entre 14% e 45,45%, dependendo da instituição e do prazo de reembolso. Com a aplicação da Prime Rate de 15,50%, as taxas indicativas podem chegar a 60,95%.
A MyBucks Mozambique apresenta uma margem de 45,45% nos empréstimos com prazos de seis e 12 meses, enquanto a Socremo pratica um spread de 44,50% nas mesmas maturidades. O Banco Letshego apresenta uma margem de 14% em todos os prazos de crédito ao consumo divulgados.
Nas operações de financiamento às empresas através das microfinanças, as diferenças também são expressivas. A MAIS – Microbanco de Apoio aos Investimentos apresenta spreads de 4% nos empréstimos de curto prazo e 4,25% nos de longo prazo. A Socremo regista margens de 20,10% e 20,50%, respectivamente, enquanto o Banco Letshego apresenta 19% nas duas modalidades.
ACESSO AO CRÉDITO EXIGE GARANTIAS
Para além dos juros, o acesso ao financiamento está condicionado ao cumprimento de requisitos definidos pelas instituições. Nos bancos comerciais, os clientes devem ter uma relação bancária de pelo menos seis meses, apresentar histórico de transacções e não possuir incidentes por regularizar na Central de Registo de Crédito do Banco de Moçambique. É igualmente exigida uma livrança em branco.
No crédito à habitação, os bancos estabelecem um prazo máximo de 20 anos e exigem uma hipoteca do imóvel com cobertura de 120% do valor financiado. A prestação mensal não pode ultrapassar 30% do rendimento líquido do mutuário, sendo também obrigatórios o seguro de vida e o seguro do imóvel.
Para o crédito ao consumo, o prazo máximo é de cinco anos. O requerente deve ter contrato de trabalho por tempo indeterminado e apresentar uma declaração da entidade empregadora que confirme as suas funções e rendimentos. A prestação também não pode exceder 30% do rendimento líquido mensal.
No financiamento empresarial, os bancos exigem garantias com cobertura mínima de 120% do valor do crédito pretendido, bem como contas auditadas dos últimos três anos ou, no caso dos empréstimos de longo prazo, um plano de negócios.
O comunicado estabelece ainda condições para operações de leasing, modalidade utilizada para financiar a aquisição de activos como máquinas, veículos e imóveis. No leasing mobiliário, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2,50% e 5%, enquanto no imobiliário os valores divulgados oscilam entre 0% e 4,50%. O financiamento pode cobrir até 90% do valor de avaliação do bem.
A Prime Rate é calculada com base em dois componentes. O Indexante Único é determinado mensalmente pelo Banco de Moçambique, tendo em conta a média ponderada das operações de liquidez realizadas no Mercado Monetário Interbancário para o prazo de um dia útil. O Prémio de Custo é calculado trimestralmente pela AMB e considera factores como a classificação de risco do país, o crédito em incumprimento, o crédito saneado e o coeficiente de reservas obrigatórias.
O modelo resulta do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano, que procura reforçar a transparência na fixação dos juros variáveis e melhorar a transmissão da política monetária ao mercado. A divulgação dos spreads permite aos clientes comparar as condições oferecidas pelas instituições, embora a taxa final dependa sempre da avaliação de risco e das condições específicas de cada operação.
Quatro jovens foram mortos pelos terroristas no fim-de-semana, no posto administrativo de Mazua, distrito de Memba. O administrador do distrito diz não ter informação concreta, mas assegura que as Forças de Defesa e Segurança estão no terreno.
As imagens que circulam nas redes sociais e que mostram corpos de quatro jovens que foram mortos pelos terroristas são chocantes. Um foi decapitado e outros três foram baleados. Todos mortos, supostamente pelos terroristas que assolam o Norte do país, com destaque para a província de Cabo Delgado.
O caso deu-se no povoado de Mecula, pertencente ao posto administrativo de Mazua, no distrito de Memba, província de Nampula. Supõe-se que o facto aconteceu na sexta-feira ou no sábado.
O administrador distrital, Manuel Cintura, não tem detalhes, mas garante que o local está a ser controlado e protegido pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique.
“O que tenho conhecimento é que as Forças Armadas estão em perseguição do inimigo, mas sobre as imagens ainda não tenho informação. Ainda não me reportaram, por isso ainda não tenho informação”, disse Manuel Cintura, administrador de Memba.
A falta de informação oficial, segundo justificou Manuel Cintura, deve-se à ausência do chefe do posto administrativo de Mazua e dificuldades de comunicação com outros funcionários da administração local.
“Infelizmente, o chefe do posto de Mazua, o chefe de posto do Lúrio, o chefe do posto de Memba-sede, todos os chefes de postos foram à Beira numa indução, por isso fica difícil”, disse.
Ademais, segundo o administrador de Memba, não está fácil ter comunicação com o pessoal administrativo, razão pela qual prefere não avançar com mais dados em relação a este ataque.
“O que sei é que algumas pessoas, como o chefe da secretaria, liguei, ontem (domingo), não consegui falar com ele. O telefone não chamava”, afirmou Manuel Cintura.
É mais um episódio de violência extrema a assombrar as comunidades do distrito de Memba, dando uma clara indicação de que os terroristas estão em movimento.
Uma bebé morreu carbonizada, no interior de uma residência, no bairro 2, arredores da cidade de Xai-Xai, na província de Gaza. O caso ocorreu na manhã deste domingo, na ausência da mãe. As causas do incêndio continuam sob investigação.
Um trágico episódio abalou o bairro 2 do município de Xai-Xai, na província de Gaza, onde uma bebé morreu carbonizada, na manhã deste domingo. Yasmin, de apenas um ano, estava na companhia do seu irmão de seis anos de idade, que conseguiu escapar quando a casa começou a arder.
“Ele viu o fogo de repente, ele correu, foi atrás do socorro, mas não encontrou ninguém, só conseguiu salvar-se”, avançou Eula Dzimba, mãe da vítima.
Entre choros e lágrimas, a mãe da finada conta que se ausentou de casa por volta das 6 horas, na sequência de uma jornada de limpeza na zona. Entretanto, antes de chegar ao local, a “tragédia” invadiu a sua residência e destruiu tudo. “Dez minutos depois, estamos a ver fogo. Corremos todos, mas quando chegámos aqui já era tarde”.
O fogo deflagrou na sala da casa em apenas sete minutos, alastrou-se para o quarto, onde se encontravam-se as duas crianças. Vizinhos foram os primeiros a chegar ao local e encontraram a criança de apenas um ano, envolta em fumaça.
“A criança estava lá dentro, então tentámos, na medida do possível, debelar o fogo para tentar retirar o menor, ele já estava sem vida”, disse uma testemunha.
As causas do incêndio, entretanto, continuam um mistério por desvendar.
“Então, significa que a criança levou fósforo a brincar com fósforo, acendeu a vela e a vela encostou naquelas cortinas e aconteceu aquilo ali. Viu aquilo ali, acho que saiu a correr”, disse Filimão Langa, secretário-adjunto do bairro 2.
No entanto, Júlio Sitoe, familiar da finada, avança outras causas. “É curto-circuito, foi um incêndio que apareceu rápido e terminou. As pessoas que vieram ajudar estavam aqui embaixo para limpar a vala”, disse.
Face às duas versões, o porta-voz do Serviço Nacional de Salvação Pública em Gaza, Abel Simango, considerou, sem avançar datas, que os resultados da perícia em curso vão determinar a causa exacta do incêndio.
“De forma mais detalhada, o SENSAP está a trabalhar para poder averiguar as reais causas deste incêndio, porque, para além do curto-circuito eléctrico, a família fala da possibilidade de as crianças terem brincado com fósforo e assim como a vela. O trabalho dos peritos do SENSAP poderão trazer com mais detalhes se, de facto, foi curto-circuito eléctrico ou mesmo a questão da vela”, disse.
Com este caso, sobe para 45 o número de incêndios que resultaram na morte de seis pessoas na província de Gaza neste ano.
Volodymyr Zelensky chegou na manhã desta segunda-feira a Paris, onde se vai reunir com o presidente francês, Emmanuel Macron. O encontro visa reforçar os laços entre as indústrias de defesa dos dois países e responder às necessidades urgentes de Kiev face aos ataques aéreos de Moscovo.
O líder ucraniano Volodymyr Zelensky aterrou na base aérea de Villacoublay, nos arredores de Paris.
Fontes oficiais citadas pela imprensa internacional indicam que a expectativa é de que sejam fechados novos acordos de cooperação militar, nomeadamente com o fornecimento por parte da França de aviões, mísseis e sistemas de defesa aérea.
A visita oficial acontece num momento difícil para a Ucrânia, pois com a cidade de Pokrovsk, importante ponto estratégico na região de Donetsk, prestes a cair em mãos russas.
Recorde-se que no final de outubro, Emmanuel Macron anunciou a entrega iminente a Kiev de mísseis antiaéreos bem como de novos caças Mirage 2000, três dos quais já foram entregues à Ucrânia.
Entretanto, no mês passado, Volodymyr Zelenskyy assinou uma carta de intenções para a compra de 100 a 150 caças suecos Gripen.e
A Primeira Ministra, Benvinda Levi, conferiu, nesta segunda-feira, posse aos Directores-Gerais do Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME), da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX), do Instituto de Cereais de Moçambique (ICM) e da Administração Regional de Águas do Centro (ARA centro). Durante o seu discurso, a governante apelou por inovações e agilidade aos recém-empossados.
São Luís José Machava, que passa a ocupar o cargo de Director-Geral da APIEX, Feliz Pedro Malate, que vai ocupar o mesmo cargo no IPEME, Luís José Job Fazenda, indicado para o cargo de Director-Geral do ICM e Hilário Morais Pereira, Director-Geral da ARA-Centro. Para cada um, Benvinda Levi deixou recomendações específicas.
Ao recém-empossado Director-Geral da APIEX, Levi disse esperar que a instituição continue a consolidar o seu papel de porta de entrada para o investimento no país, assegurando que os projectos aprovados sejam efectivamente implementados, em tempo útil.
Por isso, a governante recomendou o aprimoramento dos mecanismos de promoção e divulgação, a nível interno e externo, das potencialidades e oportunidades de negócios existentes no país; o desenvolvimento de actividades que visam criar sinergias no âmbito do processo da industrialização do nosso país; e assegurar a operacionalização efectiva das zonas económicas especiais e francas industriais.
A Feliz Pedro Malate, Director-Geral do IPEME, a Primeira-Ministra recomendou a realização de acções que estimulem a criação, desenvolvimento e modernização das Micro, Pequenas e Médias Empresas nacionais; o aprimoramento dos mecanismos que assegurem a assistência técnica e capacitação institucional contínua das MPME’s, incluindo o aumento das incubadoras empresariais; a promoção de acções que concorram para o acesso a mais recursos para as MPME´s junto das instituições financeiras e/ou de outros mecanismos existentes; e continuar a promover o estabelecimento de parcerias e ligações entre as MPME’s e as grandes empresas nacionais e internacionais.
Ao novo Director-Geral do ICM, a governante apelou ao aprimoramento dos mecanismos e acções que garantem modernização da gestão, logística e comercialização de cereais, em estreita articulação e coordenação com os sectores privado e familiar; e o robustecer o sistema de compra, armazenamento, conservação e escoamento dos excedentes agrícolas, assim a constituição de reservas estratégicas de cereais.
Por fim, Benvinda Levi recomendou a Hilário Morais Pereira, Director-Geral da ARA-Centro, a Implementação de acções concretas que conduzam a uma melhor gestão dos recursos hídricos e mitigação dos impactos das cheias e secas; o aprimoramento de medidas e acções que assegurem a preservação da qualidade de água, tanto para o consumo, abeberamento animal e para irrigação; e a adopção e implementação de acções que permitam a expansão, melhoria e modernização das infra-estruturas hídricas, de modo a garantir disponibilidade de água segura quer para o consumo, assim como para a produção agrária e industrial.
O Serviço de Investigação Criminal (SERNIC), na província de Maputo, deteve três indivíduos indiciados de envolvimento num suposto falso sequestro, em troca de 50 mil meticais de resgate, no bairro de Malhampsene, no município da Matola.
A vítima é esposa de um dos indiciados, que segundo ele praticou o crime porque precisava de dinheiro para uma dívida de 40 mil meticais que contraiu junto à sogra, tendo sido burlado o valor em causa. Para tal e com a ajuda dos amigos, efectuaram uma série de chamadas à sua esposa informando sobre o suposto sequestro.
“Quando eu fui burlado o valor tive receio de contar à minha esposa e à minha sogra. Agi no impulso e não pensei nas consequências. Arrastei os meus amigos para caírem nessa mentira”, explica o cabecilha do falso sequestro.
Segundo explica, os amigos desempenharam o papel de persuasão, ou seja, tinham a missão de ligar para a sua esposa para exigirem o valor de resgate. Os amigos confirmam o seu envolvimento, mas negam que do crime teriam alguma recompensa.
“O meu papel era de efectuar chamadas. Fi-lo para ajudar o meu amigo e não sabia que poderia terminar no estado em que me encontro. O SERNIC encontrou-me em Malhampsene onde exerço a minha actividade como mototaxista e fui recolhido para as celas”, explica um dos falsos sequestradores.
O terceiro indiciado anota que o suposto sequestrado, responsável por orquestrar todo o crime, garantiu-lhes que nada iria acontecer com eles, pois após receberem o dinheiro de resgate, duas semanas depois devolveria o valor à sogra e tudo voltaria à normalidade.
Segundo a porta-voz do SERNIC, Judite Alexandre, a detenção dos três indivíduos foi graças à denúncia anónima, tendo de seguida apurado a veracidade do caso. Em relação ao caso da jovem sequestrada em Marracuene, cujos vídeos circulam nas redes sociais, o SERNIC confirma o caso e diz já estar a trabalhar o seu esclarecimento.
Um total de 160 cidadãos palestinos desembarcou no aeroporto de Joanesburgo, na última quinta-feira, para solicitar refúgio na África do Sul. A informação é confirmada pelo Chefe de estado sul-africano, Cyril Ramaphosa, que diz serem oriundos da faixa de Gaza e afirma que os mesmos não serão devolvidos.
A chegada dos cidadãos de nacionalidades palestinianas aconteceu, na última quinta-feira, no Aeroporto Internacional Oliver Tambo de Joanesburgo, no distrito de Gauteng.
Trata-se de 160 cidadãos oriundos da faixa de Gaza, que buscam refúgio na África do Sul, cuja entrada dependeu da intervenção do Ministério das Relações Exteriores e Cooperação sul-africana, uma vez que não apresentavam vistos.
O Chefe de Estado sul-afriano, Cyril Ramaphosa, tomou conhecimento da situação e disse que deviam ser recebidos pelo facto de serem oriundos de onde há guerra.
“Mesmo sem os documentos necessários, essas pessoas vêm de um país devastado por conflitos e guerras, e por compaixão e empatia, devemos recebê-las e ser capazes de lidar com a situação que enfrentam. Parece que estavam sendo, sabe, expulsas à força”, Cyril Ramaphosa.
E garantiu que os mesmos não seriam devolvidos às suas zonas de origem. “Ontem, um avião com 160 palestinos pousou no aeroporto O.R. Tambo. Essas pessoas são de Gaza. Fiquei sabendo disso pelo meu Ministro do Interior, que queria saber o que deveríamos fazer agora, e eu disse que não poderíamos impedi-los de entrar”. Obteremos os detalhes mais tarde, mas do ponto de vista humanitário, não podíamos devolvê-los, por isso vieram”.
Já a agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA), pediu recentemente, um aumento nas contribuições internacionais, sob pena de ver comprometida a sua missão, particularmente na Faixa de Gaza.
O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos classificou a violência na cidade sudanesa de El-Fasher como uma mancha no historial da comunidade internacional, que se revelou incapaz de travar as hostilidades.
As atrocidades que estão a ocorrer em El-Fasher eram previsíveis e poderiam ter sido evitadas, mas não foram. Estes são dos mais graves crimes. O meu gabinete emitiu mais de 20 comunicados só sobre El-Fasher no último ano, com base em informações verificadas pela nossa equipa”, referiu o Alto-Comissário.
A guerra civil no Sudão, que se arrasta há dois anos e meio, é um conflito oculto que envolve vários países da região pela disputa de recursos e matérias-primas, e a comunidade internacional deve agir, segundo o Alto-Comissário. Nesta sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre os crimes cometidos durante e após o cerco à cidade de El-Fasher, na região de Darfur, no Oeste do Sudão, Türk enfatizou que o Conselho de Segurança deve remeter os abusos cometidos neste conflito para o Tribunal Penal Internacional.
Nesta guerra, “estão envolvidos inúmeros países da região”, salientou Türk na abertura da sessão, sem referir casos específicos. O Exército sudanês, por seu lado, tem acusado repetidamente os Emirados Árabes Unidos (EAU) de armar as Forças de Apoio Rápido (RSF), rebeldes que cercaram El-Fasher durante um ano e meio e que finalmente a capturaram a 26 de Outubro, derrubando assim o último bastião das Forças Armadas sudanesas no Darfur.
Após a conquista, Türk noticiou na sexta-feira que houve relatos de assassinatos em massa de civis, execuções por motivação étnica, violência sexual, raptos, detenções arbitrárias e ataques a profissionais de saúde, entre outros abusos. “Já tínhamos avisado que a queda da cidade para as Forças de Apoio Rápido poderia terminar num banho de sangue, mas os nossos avisos não foram ouvidos”, lamentou o Alto-Comissário austríaco, que alertou que a tragédia poderia repetir-se em Kordofan, a Região a Leste do Darfur, onde os combates estão actualmente concentrados.
“Todos os sinais apontam para isso: bombardeamentos, bloqueios, pessoas forçadas a abandonar as suas casas e um terrível desrespeito pela vida civil. Kordofan não deverá sofrer o mesmo destino que o Darfur”, declarou. Türk reiterou os seus apelos para que a comunidade internacional imponha um embargo de armas a todo o território do Sudão, e não apenas à Região Ocidental do Darfur, como tem sido o caso até agora, e para que faça tudo o que for possível para facilitar o fluxo de ajuda humanitária para o país.
EUA querem travar envio de armas para as RSF
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, apelou a uma acção internacional para travar o fornecimento de armas às Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla inglesa), um grupo paramilitar do Sudão acusado de assassinatos em massa em el-Fasher.
No final de uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, no Canadá, Rubio afirmou que as RSF cometeram atrocidades sistemáticas, incluindo assassinatos, violações e violência sexual contra civis.
O Exército sudanês acusa os Emirados Árabes Unidos de apoiar as RSF com armas e mercenários enviados através de nações africanas. Os Emirados Árabes Unidos negaram repetidamente estas alegações. As RSF combatem o Exército sudanês desde Abril de 2023, quando uma disputa de poder entre os seus líderes se transformou numa guerra civil generalizada.
Não é claro qual será o impacto do apelo de Rubio. Uma proposta anterior dos EUA para um cessar-fogo humanitário no Sudão já foi violada pelas RSF, embora estas tenham concordado com ela na semana passada. El-Fasher foi capturada no mês passado pelas Forças de Apoio Rápido (RSF) após um cerco de 18 meses, o que significa que agora controlam todas as cidades da vasta região de Darfur, no Oeste do país.
Uma parte da população conseguiu fugir da cidade, onde terão ocorridos massacres. Pilhas de corpos no chão e terra manchada de sangue são visíveis do espaço em imagens de satélite. Os grupos não árabes da região mais vasta do Darfur estão a ser sistematicamente visados pelas RSF no que equivale a genocídio, de acordo com os EUA e grupos humanitários.
Uma vitória sofrida do Maxaquene este sábado, diante do Estrela Vermelha de Maputo, por duas bolas a uma, coloca a equipa mais próxima do regresso ao Campeonato Nacional do próximo ano, o Moçambola 2026.
Os “alaranjados” até foram os primeiros a marcarem, ainda na primeira parte, por Abdul, a fazer jus à pressão e domínio que tinha na partida, mas também a dar resposta clara às declarações do seu treinador, no lançamento, que indicava uma vitória na partida.
Mas no arranque da segunda parte o Maxaquene transfigurou-se e chegou ao empate através de Egino, a colocar ordem no marcador e equilíbrio na partida.
Enquanto o tempo passava, as duas equipas procuravam de todas formas desfazerem-se do empate e tudo indicava que o 1-1 seria o resultado final, que deixaria tudo em aberto para o jogo da segunda mão.
Mas naquele que seria um dos últimos lances da partida, para lá dos 90 minutos, na cobrança de um pontapé de canto, Chico Mioche fez o 2-1 que coloca o Maxaquene mais perto de regressar ao Moçambola quase uma década depois da sua despromoção.
Tal como o Maxaquene, que venceu fora de portas, o Desportivo de Pemba também venceu pelo mesmo resultado e na condição de visitante, diante da Associação Desportiva de Pemba, na finalíssima da zona norte.
Abdala colocou o Desportivo de Pemba em vantagem na parte final da primeira parte, vantagem magra levada ao intervalo.
As coisas mudaram de rumo e estremeceram os intentos do Desportivo quando a Associação Desportiva de Pemba restabeleceu o empate aos 65 minutos por Maninho, a colocar justeza no marcador.
Tudo muda aos 83 minutos quando os “alvi-negros” beneficiam de uma grande penalidade castigar infracção dentro da área de rigor, que Sindi, chamado a converter, não desperdício e colocou a sua equipa em vantagem na eliminatória.
Finalmente no centro do país foi a Liga Desportiva de Sofala a sair com vantagem na finalíssima após derrotar o FC Beira por 1-0, com golo solitário de Ibraimo aos 73 minutos. Uma vantagem magra que também deixa a eliminatória em aberto para ser decidida na segunda mão, sábado, no mesmo palco, o Municipal da Beira.
Os três jogos da segunda mão estão marcados para o próximo sábado, 22 de Novembro, com o Maxaquene a receber o Estrela Vermelha no campo do Costa do Sol, enquanto os embates da finalíssima do centro e norte disputam-se no mesmo local dos jogos de sábado passado.
O combinado nacional de futebol, os Mambas, defronta esta segunda-feira a similar do Chade em partida de carácter amigável, inserido na Data-FIFA. Depois da derrota para o Marrocos na sexta-feira, impõe-se aos Mambas uma outra postura e outro resultado na partida desta tarde.
Uma derrota que muito peso e culpa para os jogadores, sexta-feira, diante do Marrocos, tem marcado a deslocação dos Mambas pelas terras marroquinas onde disputa jogos amigáveis da Data-FIFA.
Depois de não terem treinado na quinta-feira, naquele que seria o primeiro com todo conjunto completo, os Mambas entraram destemidos no novíssimo estádio de Tânger, onde Marrocos inaugurava com vista ao CAN deste ano e ao Mundial de 2030.
O início foi duro para Moçambique, que viu Ounahi marcar logo aos sete minutos, num portentoso remate de fora da área, sem hipóteses de defesa para Ernan, mais uma vez chamado para defender as redes nacionais.
Depois do golo sofrido os Mambas acordaram e equilibraram os acontecimentos nas quatro linhas, mas somente em duas ocasiões tentaram chegar à baliza adversária, principalmente de bolas paradas.
Marrocos foi sempre a equipa mais esclarecida e que buscou o segundo golo, que teimava em aparecer, muito por culpa da falta de pontaria dos seus avançados, mas também porque a defensiva moçambicana esteve sempre segura.
Na segunda parte Marrocos continuou a pressionar e a procura do golo da tranquilidade, que só não aparecia porque, por um lado, o azar perseguia os marroquinos, e por outro porque Ernan respondia positivamente quando fosse solicitado.
El Kaabi ainda teve a melhor ocasião de marcar, na marca de uma grande penalidade, mas atirou ao travessão, quando Ernan estava batido. Por três ocasiões o guarda-redes moçambicano mostrou-se seguro entre os postes, a dar também segurança à equipa nacional.
O resultado acabou por ser escasso para aquilo que Marrocos produziu e pelo facto dos Mambas não terem feito o treino conjunto, porém deixando ficar os seus processos em campo e um aviso aos seus adversários no CAN.
Chade para vencer e moralizar o balneário
Esta segunda-feira, a partir das 17h00 de Maputo, os Mambas voltam a jogar em solo marroquino, desta feira na Casablanca, diante do Chade, um adversário acessível para aquilo que são os objectivos da equipa técnica.
Espera-se, neste jogo, que Chiquinho Conde faça algumas alterações à equipa principal que defrontou o Marrocos, com entradas de jogadores que estiveram no banco na partida anterior.
Ernan poderá ser chamado novamente à baliza, ou então Ivan pode ser o escolhido, enquanto sector defensivo Mexer poderá continuar a fazer dupla com Chamboco ou com Nené, enquanto nas laterais podem vir a jogar Calila na direita e Bruno Langa na esquerda, no lugar de Edmilson Dove.
Alfonso Amade voltará a merecer a titularidade, podendo fazer dupla de pivôs com Ricardo Guima ou com Pepo, enquanto Dominguez e Geny Catamo continuam no centro e da direita, mas com Witi na esquerda, todos em apoio a Stanley Ratifo, que poderá voltar a titularidade.
Moçambique e Chade defrontam-se pela primeira vez na história num terreno neutro, concretamente no Stade Municipal de Berrechid, em Casablanca, esta segunda-feira a partir das 17h00.