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A Prime Rate do sistema financeiro moçambicano está fixada em 15,50% para Novembro, mas o custo do crédito varia significativamente entre as instituições financeiras e as modalidades de financiamento. No crédito à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo entre os bancos comerciais, de 1%, colocando a taxa indicativa em 16,50%. Já no crédito ao consumo, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, enquanto nas instituições de microfinanças os juros indicativos podem atingir 60,95%.

Os dados constam do Comunicado n.º 10/2026 da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), de 30 de Outubro, que estabelece as margens de crédito a aplicar durante Novembro. A Prime Rate resulta da soma do Indexante Único, fixado em 9,30%, com o Prémio de Custo, de 6,20%, e constitui a taxa de referência para operações de crédito com juros variáveis.

Na modalidade de financiamento à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo, de 1%, seguido do Millennium BIM, com 1,20%. Em sentido contrário, o Vista Bank e o First Capital Bank apresentam margens de 6%. Considerando a Prime Rate de Novembro, as taxas indicativas para esta modalidade variam entre 16,50% e 21,50%.

No crédito ao consumo, destinado ao financiamento de bens e serviços como viaturas, electrodomésticos e mobiliário, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, seguido do ABSA, com 10,75%, e do FNB, com 10%. O Millennium BIM regista o spread mais baixo, de 3,91%. Neste segmento, as taxas indicativas variam entre 19,41% e 27,50%.

Para as empresas, os custos de financiamento também apresentam diferenças em função do prazo e da finalidade do empréstimo. Nos créditos de curto prazo, até um ano, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2% e 5%, correspondendo a taxas indicativas de 17,50% a 20,50%. Estes financiamentos destinam-se sobretudo à aquisição de meios circulantes e à cobertura de necessidades de tesouraria.

Já nos empréstimos de longo prazo, acima de um ano, as margens oscilam entre 1% e 6%, colocando as taxas indicativas entre 16,50% e 21,50%. Esta modalidade destina-se principalmente ao financiamento de investimentos empresariais, podendo o prazo de reembolso atingir sete anos.

É, contudo, no segmento das microfinanças que se encontram os encargos mais elevados. Para empréstimos ao consumo, os spreads variam entre 14% e 45,45%, dependendo da instituição e do prazo de reembolso. Com a aplicação da Prime Rate de 15,50%, as taxas indicativas podem chegar a 60,95%.

A MyBucks Mozambique apresenta uma margem de 45,45% nos empréstimos com prazos de seis e 12 meses, enquanto a Socremo pratica um spread de 44,50% nas mesmas maturidades. O Banco Letshego apresenta uma margem de 14% em todos os prazos de crédito ao consumo divulgados.

Nas operações de financiamento às empresas através das microfinanças, as diferenças também são expressivas. A MAIS – Microbanco de Apoio aos Investimentos apresenta spreads de 4% nos empréstimos de curto prazo e 4,25% nos de longo prazo. A Socremo regista margens de 20,10% e 20,50%, respectivamente, enquanto o Banco Letshego apresenta 19% nas duas modalidades.

ACESSO AO CRÉDITO EXIGE GARANTIAS

Para além dos juros, o acesso ao financiamento está condicionado ao cumprimento de requisitos definidos pelas instituições. Nos bancos comerciais, os clientes devem ter uma relação bancária de pelo menos seis meses, apresentar histórico de transacções e não possuir incidentes por regularizar na Central de Registo de Crédito do Banco de Moçambique. É igualmente exigida uma livrança em branco.

No crédito à habitação, os bancos estabelecem um prazo máximo de 20 anos e exigem uma hipoteca do imóvel com cobertura de 120% do valor financiado. A prestação mensal não pode ultrapassar 30% do rendimento líquido do mutuário, sendo também obrigatórios o seguro de vida e o seguro do imóvel.

Para o crédito ao consumo, o prazo máximo é de cinco anos. O requerente deve ter contrato de trabalho por tempo indeterminado e apresentar uma declaração da entidade empregadora que confirme as suas funções e rendimentos. A prestação também não pode exceder 30% do rendimento líquido mensal.

No financiamento empresarial, os bancos exigem garantias com cobertura mínima de 120% do valor do crédito pretendido, bem como contas auditadas dos últimos três anos ou, no caso dos empréstimos de longo prazo, um plano de negócios.

O comunicado estabelece ainda condições para operações de leasing, modalidade utilizada para financiar a aquisição de activos como máquinas, veículos e imóveis. No leasing mobiliário, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2,50% e 5%, enquanto no imobiliário os valores divulgados oscilam entre 0% e 4,50%. O financiamento pode cobrir até 90% do valor de avaliação do bem.

A Prime Rate é calculada com base em dois componentes. O Indexante Único é determinado mensalmente pelo Banco de Moçambique, tendo em conta a média ponderada das operações de liquidez realizadas no Mercado Monetário Interbancário para o prazo de um dia útil. O Prémio de Custo é calculado trimestralmente pela AMB e considera factores como a classificação de risco do país, o crédito em incumprimento, o crédito saneado e o coeficiente de reservas obrigatórias.

O modelo resulta do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano, que procura reforçar a transparência na fixação dos juros variáveis e melhorar a transmissão da política monetária ao mercado. A divulgação dos spreads permite aos clientes comparar as condições oferecidas pelas instituições, embora a taxa final dependa sempre da avaliação de risco e das condições específicas de cada operação.

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Pelo menos 21 pessoas precisaram de atendimento médico, por inalar fumaça no incêndio que atingiu um dos pavilhões da Cimeira dos Líderes Mundiais sobre Mudanças Climáticas-COP30. O corpo de bombeiros afirma que o incêndio tenha tido origem num microondas. 

A organização da COP-30 informou que 21 pessoas precisaram de atendimento médico devido ao incêndio que atingiu o Pavilhão da África Oriental, nesta quinta-feira. 

Do total de casos, 19 estão relacionados a  inalação de fumaça e dois a crise de ansiedade, após o ocorrido. Não há, até o momento, registo de óbitos.

As chamas foram controladas em seis minutos e todas as pessoas foram evacuadas com segurança. A Convenção das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima declarou que as instalações atingidas, agora, estão sob a autoridade do Brasil e não são mais consideradas um território da ONU.

O Corpo de Bombeiros  avançou que a principal suspeita é de que o fogo tenha começado em um equipamento eletrônico, possivelmente um forno de micro-ondas instalado em um dos estandes.

No total, 56 bombeiros atuaram diretamente na resposta ao incêndio, além de uma equipe externa posicionada com um carro de combate. Foram utilizados 244 extintores de incêndio, além do acionamento de uma mangueira instalada no local.

A área afetada pelo incidente ficará, no entanto, isolada até a conclusão da COP30.

Pelo menos 33 pessoas morreram, esta quinta-feira, depois de mais uma ofensiva em vários pontos da Faixa de Gaza.  Trata-se de mais um ataque que é realizado mesmo após o acordo de cessar-fogo. 

É para já considerado um dos ataques mais mortíferos, desde o início do cessar-fogo entre Israel e Hamas, que teve início a 10 de Outubro. 

Até o momento, as autoridades sanitárias  locais contabilizaram 33 vítimas mortais, em resultado de ataques aéreos  realizados em vários pontos da Faixa de Gaza, nesta quinta-feira. 

O Hospital Nasser em Khan Younis recebeu parte dos corpos e confirmou que cinco vítimas são crianças mortas na sequência de ataques aéreos israelitas contra tendas que abrigavam pessoas deslocadas. 

Desde o início do cessar-fogo, que foi mediado pelos Estados Unidos da América, foram registadas mais de 300 mortes. 

 

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a ocorrência de chuvas fortes, acompanhadas de trovoadas, nas regiões centro e norte do país, para esta Sexta-feira e Sábado. 

As chuvas moderadas a fortes acompanhadas de trovoadas serão registadas na província de Niassa, nos distritos de Mecula, Marrupa, Nipepe, Maúa, Majune, Metarica, Cuamba e Mecanhelas; em Cabo Delgado, nos distritos de  Mueda, Montepuez, Balama, Namuno, Chiúre, Ancuabe, Meluco, Macomia e Muidumbe. 

Serão ainda registadas chuvas moderadas na província de Nampula, nos distritos de Malema, Lalaua, Ribáue, Mecuburi, Rapale, Murrupula, Mogovolas, Muecate, Nacarôa, Erati e cidade de Nampula; na província da Zambézia, nos distritos de Milange, Molumbo, Lugela, Namarroi, Gurúè, Alto-Molócue, Gilé, Ile, Mulevala, Mocuba e Mocubela; e na Província de Tete, em Macanga, Angónia, Tsangano e Chifunde.

Face ao mau tempo previsto, o INAM recomenda a tomada de medidas de precaução.

Três supostos integrantes de uma quadrilha foram baleados pela Polícia da República de Moçambique (PRM),no distrito de Manica, província com o mesmo nome, quando tentavam empreender fuga. Ao todo, são oito presumíveis criminosos neutralizados, que, segundo a Polícia, semeavam terror nas províncias de Manica, Tete e Sofala.

Há mais de um ano que o distrito de Angónia, em Tete, Nhamatanda e Dondo, em Sofala, e Bárue e Vanduzi, na província de Manica, viraram palco de crimes violentos, parte dos quais resultando em mortes. A autoria é atribuída a um grupo de oito homens, que nas suas incursões privilegiavam empresários do ramo de mineração. Agora, o grupo caiu nas malhas da Polícia e três deles estão acamados no hospital, porque foram baleados quando tentavam fugir.

“Após a Polícia ter tomado conhecimento através das suas fontes, fez-se ao local, e, no período em que estes vinham para protagonizar um assalto, a Polícia interviu e foi frustrado o assalto naquele instante. Eles, apercebendo-se da presença policial, puseram-se em fuga. A Polícia incerto diligências e perseguições e conseguiu neutralizar esses oito cidadãos”, avançou Mouzinho Manasse,  Porta-voz da PRM em Manica. 

Na posse do suposto líder da quadrilha agora sob cuidados médicos foi recuperada uma arma de fogo e instrumentos contundentes. Mesmo assim, o indiciado nega que o grupo se dedica à prática de crimes.

“Estou a encontrar Polícia na estrada, pegou-me e baleou o meu pé. Cheguei ao comando (…) mas eu não sabia que na minha pasta tinha pistola”, declarou o suposto líder da quadrilha.  

O Hospital Distrital de Manica diz que as balas atingiram com gravidade os supostos criminosos. A ter que continuar no mundo do crime, as próximas incursões podem ser feitas a partir de cadeiras de rodas.

“Um teve fratura exposta do fêmur um terço distal, os dois tiveram fratura exposta de tíbia e perónio, uma ferida avulsiva”, disse o médico.  

Dos oito membros da quadrilha desactivada pela Polícia e pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal em Manica, um é malawiano e os restantes são moçambicanos. Segundo fontes do “O País” , a quadrilha preparava-se para assaltar a cadeia distrital de Manica.

Maxaquene, Liga Desportiva da Beira e Desportivo de Pemba tem a oportunidade de garantir a sua qualificação ao Moçambola do próximo ano, devendo para o efeito vencer nos jogos que tem este sábado, na segunda mão da finalíssima. As três equipas venceram por números magros e deixaram em aberto a decisão final da qualificação.

Três equipas, três zonas do país, mesmo objectivo: a qualificação à maior prova futebolística do país, o Moçambola, na sua versão 2026.

O Maxaquene, pela zona sul, tem a dura missão de travar os intentos do Estrela Vermelha de Maputo, na finalíssima da capital do país, que quer virar o resultado e chamar a si o apuramento para o campeonato nacional de futebol do próximo ano.

O resultado tangencial de 2-1, conseguido na primeira mão e a muito custo, graças a uma reviravolta alcançada no último minuto pela cabeça do veterano e decano Chico Mioche, deu uma ligeira vantagem aos maxacas, mas sabem que os “alaranjados” tem tudo para virar o resultado, tal como demostraram no jogo do passado sábado.

Aliás, o treinador do Estrela Vermelha, Caló, garantiu que iria trabalhar a equipa para fazer frente aos “tricolores” e procurar reverter a eliminatória desfavorável. O facto é que o Estrela Vermelha está há mais tempo na “segundona” do que o Maxaquene e quer, por isso, puxar para si o regresso na próxima edição, mas os “tricolores” é que mais procuram o regresso, tendo, inclusive, falhado por duas vezes.

Basta recordar que nos três jogos até aqui disputados entre as duas equipas esta temporada, nomeadamente para as duas voltas do Campeonato da Cidade e para a primeira mão da finalíssima, o Maxaquene mostrou sua grandeza e domínio, vencendo os todos os jogos.

Sábado, no campo do Costa do Sol, será a doer para as duas equipas, com o resultado a ser incógnita, apesar das três vitórias conseguidas pelos maxacas esta temporada.

Na zona centro, por seu turno, a Liga Desportiva da Beira está em vantagem, mas magra, e em mais um frente-a-frente com o FC da Beira, a relva sintéctica do Municipal da Munhava vai levantar. 

É que a vantagem de 1-0 que a Liga Desportiva de Sofala leva para a segunda mão da finalíssima é bastante traiçoeira, se tivermos em conta que o FC da Beira também quer chegar ao Moçambola no próximo ano. O treinador do FC da Beira queixou-se da prestação da equipa de arbitragem e pediu maior rigor dos juízes que vão estar em frente do jogo para que o resultado seja o mais justo.

A liga Desportiva de Sofala já perdeu três finalíssimas nos últimos anos, nomeadamente para o Textáfrica, Ferroviário de Quelimane e Chingale de Tete.

Finalmente no norte, o Desportivo de Pemba está em melhores condições de garantir a passagem, ainda que tenha vencido de forma tangencial na primeira mão, por 2-1 à Associação Desportiva de Pemba.

É que os “alvi-negros” de Pemba, que procuram o regresso ao Moçambola depois de muitos anos fora do convívio dos grandes, continuam a fazer uma campanha frenética, desde o ano passado, mesmo onde perderam a finalíssima para o Desportivo de Nacala, mas também pela excelente campanha que vem fazendo na Taça de Moçambique, desta vez representando a zona norte na final four.

O Desportivo de Pemba é, claramente, favorito, em função da sua performance, mas terá que provar dentro das quatro linhas a sua supremacia, sob pena de voltar a sucumbir na praia, tal como no ano passado.

Estas três equipas procuram substituir no Moçambola 2026 as três equipas que serão despromovidas este ano, com o Desportivo da Matola e o Desportivo de Nacala a serem os que estão cada vez mais afundados, procurando-se ainda a terceira equipa que resiste entre os que estão na corda bamba, dentre eles o Textáfrica de Chimoio, Chingale de Tete e Associação Desportiva de Vilankulo.

Uma pessoa contraiu ferimentos graves, após um acidente de viação, esta quinta-feira, nas proximidades da Rotunda da KaTembe, na cidade de Maputo. Suspeita-se que o sinistro tenha sido causado durante uma tentativa de ultrapassagem irregular. 

A Estrada Nacional Número 1 volta a ser palco de sangue em menos de 48 horas. Mais um acidente de viação, na tarde desta quinta-feira, nas proximidades da rotunda da Katembe, envolvendo um camião de transporte de carga e uma camioneta, com o resultado de 1 ferido.

De acordo com testemunhas no local, o camião de carga pesado é que terá provocado o embate na trela da outra viatura que trazia pessoas na sua bagageira. 

Testemunhas no local explicam que o acidente terá resultado de uma ultrapassagem mal calculada feita por este camião que fazia o trajecto Maputo-Ponta D’Ouro. 

“É o camião que bateu, é verdade, vimos, sim. O caminhão vinha em alta velocidade, era uma ultrapassagem. Vinha em alta velocidade, sim, depois, ao ultrapassar, bateu, acho que bateu com a trela ao lado”, disse uma testemunha.

Entretanto,  o dono da viatura tem outra versão dos factos e diz que havia uma outra viatura que terá provocado o acidente.  

“Eu estava atrás de um turismo, queria entrar ali, e aquele turismo estava aqui no meio, então eu fiquei aqui, a tentar fazer a ultrapassagem. Então ele estava desse lado, não sei se estava no telefone, porque ele me apanhou aqui mesmo, veio me bater aqui no meio da estrada”, disse Luís Mimbire.

O condutor da viatura sinistrada diz ainda que na tentativa de fazer a ultrapassagem ao carro turismo que estava em frente, travou de repente. “Aquele turismo não piscou, não fez nada. Ele estava a fazer a ultrapassagem, eu já queria entrar naquela entrada ali, então eu fiz isso para passar aquele turismo, enquanto ele estava a virar em velocidade. O turismo ainda estava um pouco distante, então eu não entrou muito lá, aquele turismo estava diante, parou de repente”, confirma Luís Mimbire.

Minutos depois do acidente uma ambulância fez-se ao  local para prestar assistência e evacuar a vítima.  

 

Filipe Paúnde está em Nampula para cumprir uma agenda partidária e na conferência de imprensa que concedeu, esta quinta-feira, na cidade de Nampula, foi confrontado com a questão do possível envolvimento dos filhos da governadora de Manica na mineração, em pleno período em que vigora o decreto que suspende toda a actividade mineira naquela província.

A resposta do membro sénior da Frelimo foi no sentido de afastar a governante dos seus filhos pelo menos para não encontrar responsabilidade política. “A governadora não tem filhos. Quem tem filhos é uma cidadã chamada Francisca. Nós fazemos muita confusão. O governador não tem filhos. Governador é uma função, e ter filhos é uma questão social. Não misturemos as coisas. Quando alguém é ministro, os filhos não são do ministro, são dele. Agora, ministro é função. Os filhos do governador podem trabalhar, podem ser empresários, isto não está proibido. Agora, o que está proibido é contrariar as normas”, sustentou. 

Seja como for, os filhos da cidadã Francisca Domingos Tomás podem estar a contrariar a norma o que levanta questões que mexem com a lei, mas acima de tudo com a ética, pois a mãe é governadora da mesma província.

“Eticamente isto é correcto? Eu posso dizer que não é correcto, mas ninguém é proibido de realizar uma actividade por ser filho de um cidadão que tem funções de chefia sei lá onde. Agora, está bem? Não está, mas tenho informação de que há uma equipa que foi lá ontem, justamente para perceber melhor”, avançou.

O terrorismo que está a levar a mais uma vaga de deslocamentos massivos da população no distrito de Memba, em Nampula, também mereceu atenção na conferência de imprensa. Paúnde procurou minimizar o impacto ao defender que “houve tempos em que as sedes distritais tinham sido assaltadas, mas hoje no país não temos nenhuma sede que é ocupada pelos terroristas. O que fazem são esses ataques esporádicos. Já se dividiram em pequenos grupos e neste momento que estamos a falar as Forças de Defesa e Segurança estão em perseguição desses terroristas”. 

A resposta armada é até aqui a estratégia do Governo, mas 8 anos depois o problema prevalece, levando a questionar se não é tempo de apostar-se noutras formas de resolução. “Se não têm rosto. O que querem, ninguém sabe. Quem os manda, quem é o chefe. Vamos conversar com quem? Vamos lutando”, sentenciou Filipe Paúnde.

Casos de malária caem em 45% na província de Gaza, entretanto prevalecem sinais de alerta resultantes da onda de desinformação e rejeição às estratégias de combate à doença em seis distritos.

De acordo com dados da Direcção Provincial de Saúde de 2023, até esta parte, a província de Gaza tem alcançado progressos significativos no combate à malária.  

“Houve redução de casos notificados no ano de 2023 para o ano de 2024 em cerca de 80%”.

Em 2025, o cenário evoluiu ainda, aliás,  os casos caíram para 40 320 contra 73 503 casos do ano passado.

Este avanço representa uma redução de quase 45% no número de diagnósticos e um decréscimo acentuado na mortalidade, o que resulta de um conjunto de estratégias integradas de prevenção.

No entanto, apesar dos ganhos, a malária em Gaza é descrita como   endêmica, pois as condições climáticas favorecem a sua transmissão e disseminação, que ocorre ao longo de todo o ano, atingindo o seu pico no período chuvoso nos meses de Dezembro a Abril.

A situação é preocupante em seis distritos, nomeadamente: Chongoene, Limpopo, Bilene, Chókwè, Mandlakazi e Guijá. Autoridades comunitárias denunciam a recusa de famílias às estratégias de prevenção da doença, com destaque para as redes mosquiteiras, bem como pulverização intra-domiciliar.

“As famílias alegam que os produtos usados provocam ratos, baratas. Por isso, os casos de Malárias têm estado a subir na comunidade” disse, um líder comunitário de Guija.

PULVERIZAÇÃO INTRADOMICILIAR NA PREVENÇÃO DE CASOS DE MALÁRIA

Para o efeito está  curso na província de Gaza, a Campanha intradomiciliar que  vai abranger seis distritos.

“Orientada para as comunidades, bairros e localidades onde a incidência da malária é maior e se prevê obter melhores resultados na redução da doença, tanto a nível do distrito bem como da província” disse Margarida Mapandze, governadora de Gaza.

No total, até Janeiro próximo prevê-se uma cobertura de cerca de 148 330 casas.

“Protegendo 468 543 habitantes. Para a execução eficiente destas actividades, foram formados 802 rociadores sendo 515 do sexo feminino e 287 do sexo masculino, selecionados em coordenação com as lideranças locais, garantindo que actuem nas suas próprias comunidades, um factor essencial para a aceitação e eficácia da campanha.”

Uma das barreiras enfrentadas é garantir que as comunidades permitam o acesso dos técnicos às suas casas. Para isso, Margarida Mapandzene apelou que “cada cidadão colabore com as equipas de saúde, abrindo as portas das suas casas aos rociadores e mobilizando as suas comunidades para o sucesso da campanha”. 

Entre as prioridades estabelecidas pelas autoridades de saúde está a expansão das campanhas de pulverização intradomiciliar para áreas que ainda não foram abrangidas. Para isso, serão necessários investimentos adicionais em recursos humanos, materiais e logística. Além disso, pretende-se reforçar as acções de monitorização e avaliação para garantir que os inseticidas utilizados mantenham sua eficácia ao longo do tempo.

As estradas de Inhambane continuam a transformar-se num dos maiores factores de risco para a vida humana. Só este ano, mais de 60 pessoas perderam a vida em acidentes de viação na província, um número considerado “inaceitável” pela Polícia da República de Moçambique, que denuncia comportamentos negligentes e perigosos como as principais causas da tragédia. 

As autoridades voltam a soar o alarme e exigem disciplina, responsabilidade e rigor no cumprimento das normas básicas de circulação, numa província onde, segundo dados oficiais, os sinistros rodoviários já ocupam o terceiro lugar entre as causas de morte — logo a seguir aos suicídios e aos homicídios.

O cenário volta a ganhar força no Posto de Fiscalização Rodoviária de Lindela, ao longo da EN1, onde uma operação de rotina foi suficiente para expor uma série de irregularidades cometidas por transportadores de passageiros. Em poucos minutos, a Polícia identificou condutores a circular com documentação inadequada, transportes irregulares e incumprimentos graves das normas de segurança, colocando vidas em risco. Um dos casos mais flagrantes foi o de um condutor que realizava transporte público com uma carta incompatível com a actividade. “Verifico que está a conduzir ou a fazer transporte de passageiros sem que tenha carta compatível. Isto por lei é proibido”, alertou o agente de trânsito durante a fiscalização, sublinhando a obrigatoriedade da carta de serviços públicos para todos os que trabalham no transporte de passageiros.

Para perceber melhor a dimensão do problema, a comandante provincial da PRM, Joana Milisse, esteve no terreno a interagir directamente com automobilistas, transportadores e passageiros. A responsável não escondeu a sua preocupação e fez questão de apresentar números que retratam uma província em estado crítico. “A nossa província não está bem. Tivemos 61 acidentes que resultaram em 63 mortes, sem contar com os feridos graves e ligeiros, para além de danos materiais avultados”, explicou, destacando que o excesso de velocidade continua a ser o principal factor por detrás da maioria destes sinistros. A isso juntam-se manobras irregulares, ultrapassagens perigosas e a ausência total de respeito pelas normas mais elementares de trânsito.

Com firmeza, Joana Milisse sublinhou que grande parte destes acidentes poderia ser evitada caso houvesse maior disciplina entre os utilizadores da via pública. Para a comandante, a prevenção depende, acima de tudo, de um comportamento responsável. “Basicamente, a falta de observância das regras de trânsito é o maior problema para a nossa província”, lamentou. E deixou um apelo claro aos cidadãos: denunciar qualquer acto que coloque vidas em perigo. “Qualquer situação anómala, pedimos que denunciem. Nós estamos a trabalhar para resgatar a nossa imagem, para estar junto da comunidade e para melhorar as nossas acções. Quem cometer irregularidades será responsabilizado.”

A PRM reforça que não está sozinha neste esforço. A colaboração da comunidade é vista como essencial para reduzir o número de mortes, sobretudo nos distritos que mais contribuem para esta estatística trágica. Zavala, Massinga e Maxixe, todos localizados ao longo da EN1, continuam a liderar o número de óbitos por acidentes de viação — uma realidade que exige medidas de resposta firmes e imediatas.

Os dados são frios, mas o impacto é profundo: famílias destruídas, crianças órfãs, viúvas e viúvos deixados para trás, vidas interrompidas em segundos por decisões irresponsáveis. Em muitos casos, a negligência ganha forma no volante — motoristas alcoolizados, carros com problemas mecânicos, sobrelotação e ultrapassagens em locais proibidos. Em outros, é a ausência de prudência dos próprios peões, que atravessam estradas movimentadas sem atenção ou à margem dos passeios.

O desafio é gigantesco. As autoridades reconhecem que a resposta não passa apenas por operações esporádicas de fiscalização, mas por uma estratégia integrada que inclua educação cívica, reforço da fiscalização regular, punições mais severas e um esforço colectivo para transformar a cultura de circulação rodoviária na província. O comportamento nas estradas precisa de mudar — e precisa de mudar rapidamente.

Enquanto isso, a PRM promete continuar no terreno, intensificando operações, fiscalizando transportadores e monitorando comportamentos de risco. Para a comandante Milisse, cada vida perdida é um alerta de que o trabalho ainda está longe de terminar. “A prevenção começa em cada um. No respeito pelas regras, na consciência de que a estrada não perdoa erros”, afirmou.

Num ano em que Moçambique procura impulsionar o turismo, dinamizar corredores rodoviários e atrair mais investimentos, a segurança nas estradas ganha ainda maior relevância. Inhambane, uma província que se quer vibrante e segura, luta para inverter uma das suas estatísticas mais duras. E a PRM deixa claro que continuará a combater, com todos os meios ao seu alcance, a indisciplina que rouba vidas e ameaça a mobilidade de milhares de cidadãos.

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