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A Prime Rate do sistema financeiro moçambicano está fixada em 15,50% para Novembro, mas o custo do crédito varia significativamente entre as instituições financeiras e as modalidades de financiamento. No crédito à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo entre os bancos comerciais, de 1%, colocando a taxa indicativa em 16,50%. Já no crédito ao consumo, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, enquanto nas instituições de microfinanças os juros indicativos podem atingir 60,95%.

Os dados constam do Comunicado n.º 10/2026 da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), de 30 de Outubro, que estabelece as margens de crédito a aplicar durante Novembro. A Prime Rate resulta da soma do Indexante Único, fixado em 9,30%, com o Prémio de Custo, de 6,20%, e constitui a taxa de referência para operações de crédito com juros variáveis.

Na modalidade de financiamento à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo, de 1%, seguido do Millennium BIM, com 1,20%. Em sentido contrário, o Vista Bank e o First Capital Bank apresentam margens de 6%. Considerando a Prime Rate de Novembro, as taxas indicativas para esta modalidade variam entre 16,50% e 21,50%.

No crédito ao consumo, destinado ao financiamento de bens e serviços como viaturas, electrodomésticos e mobiliário, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, seguido do ABSA, com 10,75%, e do FNB, com 10%. O Millennium BIM regista o spread mais baixo, de 3,91%. Neste segmento, as taxas indicativas variam entre 19,41% e 27,50%.

Para as empresas, os custos de financiamento também apresentam diferenças em função do prazo e da finalidade do empréstimo. Nos créditos de curto prazo, até um ano, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2% e 5%, correspondendo a taxas indicativas de 17,50% a 20,50%. Estes financiamentos destinam-se sobretudo à aquisição de meios circulantes e à cobertura de necessidades de tesouraria.

Já nos empréstimos de longo prazo, acima de um ano, as margens oscilam entre 1% e 6%, colocando as taxas indicativas entre 16,50% e 21,50%. Esta modalidade destina-se principalmente ao financiamento de investimentos empresariais, podendo o prazo de reembolso atingir sete anos.

É, contudo, no segmento das microfinanças que se encontram os encargos mais elevados. Para empréstimos ao consumo, os spreads variam entre 14% e 45,45%, dependendo da instituição e do prazo de reembolso. Com a aplicação da Prime Rate de 15,50%, as taxas indicativas podem chegar a 60,95%.

A MyBucks Mozambique apresenta uma margem de 45,45% nos empréstimos com prazos de seis e 12 meses, enquanto a Socremo pratica um spread de 44,50% nas mesmas maturidades. O Banco Letshego apresenta uma margem de 14% em todos os prazos de crédito ao consumo divulgados.

Nas operações de financiamento às empresas através das microfinanças, as diferenças também são expressivas. A MAIS – Microbanco de Apoio aos Investimentos apresenta spreads de 4% nos empréstimos de curto prazo e 4,25% nos de longo prazo. A Socremo regista margens de 20,10% e 20,50%, respectivamente, enquanto o Banco Letshego apresenta 19% nas duas modalidades.

ACESSO AO CRÉDITO EXIGE GARANTIAS

Para além dos juros, o acesso ao financiamento está condicionado ao cumprimento de requisitos definidos pelas instituições. Nos bancos comerciais, os clientes devem ter uma relação bancária de pelo menos seis meses, apresentar histórico de transacções e não possuir incidentes por regularizar na Central de Registo de Crédito do Banco de Moçambique. É igualmente exigida uma livrança em branco.

No crédito à habitação, os bancos estabelecem um prazo máximo de 20 anos e exigem uma hipoteca do imóvel com cobertura de 120% do valor financiado. A prestação mensal não pode ultrapassar 30% do rendimento líquido do mutuário, sendo também obrigatórios o seguro de vida e o seguro do imóvel.

Para o crédito ao consumo, o prazo máximo é de cinco anos. O requerente deve ter contrato de trabalho por tempo indeterminado e apresentar uma declaração da entidade empregadora que confirme as suas funções e rendimentos. A prestação também não pode exceder 30% do rendimento líquido mensal.

No financiamento empresarial, os bancos exigem garantias com cobertura mínima de 120% do valor do crédito pretendido, bem como contas auditadas dos últimos três anos ou, no caso dos empréstimos de longo prazo, um plano de negócios.

O comunicado estabelece ainda condições para operações de leasing, modalidade utilizada para financiar a aquisição de activos como máquinas, veículos e imóveis. No leasing mobiliário, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2,50% e 5%, enquanto no imobiliário os valores divulgados oscilam entre 0% e 4,50%. O financiamento pode cobrir até 90% do valor de avaliação do bem.

A Prime Rate é calculada com base em dois componentes. O Indexante Único é determinado mensalmente pelo Banco de Moçambique, tendo em conta a média ponderada das operações de liquidez realizadas no Mercado Monetário Interbancário para o prazo de um dia útil. O Prémio de Custo é calculado trimestralmente pela AMB e considera factores como a classificação de risco do país, o crédito em incumprimento, o crédito saneado e o coeficiente de reservas obrigatórias.

O modelo resulta do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano, que procura reforçar a transparência na fixação dos juros variáveis e melhorar a transmissão da política monetária ao mercado. A divulgação dos spreads permite aos clientes comparar as condições oferecidas pelas instituições, embora a taxa final dependa sempre da avaliação de risco e das condições específicas de cada operação.

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Presidente do Brasil, Lula Inácio Lula da Silva, insta Moçambique a não cometer os erros políticos do passado, que retardaram o desenvolvimento do país. Lula destacou ainda a importância da democracia, paz e estabilidade político-social para que Moçambique atraia mais investimentos. 

Uma visita curta mas intensa, na qual o Chefe do Estado do Brasil dirigiu, juntamente com o presidente de Moçambique, o encerramento do Fórum Empresarial entre os dois países. No evento, Lula da Silva aconselhou Moçambique a tirar lições de conflitos políticos passados.

“Não repitam o mesmo erro do século XX no século XXI. O que faz um país crescer é  paz, tranquilidade, democracia. 

Segundo o chefe do estado brasileiro, para ter mais confiança dos cidadãos, os governantes devem oferecer estabilidade política porque ninguém investe num país que está em guerra a cada três meses, estabilidade econômica, fiscal, social e previsibilidade. Lula da Silva justifica que se tudo isso estiver num só pacote, qualquer um vai investir em Moçambique.

E é justamente por isso que Lula da Silva anunciou a retoma do apoio brasileiro a sectores como educação, saúde e agricultura.

O anfitrião, Daniel Chapo, expôs as potencialidades energéticas de Moçambique e os projectos em curso, embora alguns não tenham financiamentos já fechados.

Em 2024, o volume de negócios entre Moçambique e Brasil reduziu de 170 para 40 milhões de dólares, um cenário que se quer mudar neste ciclo de Governação.

O antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, lidera a Missão de Observadores da União Africana às eleições gerais, presidenciais e legislativas da Guiné-Bissau, que terão lugar este domingo.    

Moçambique está igualmente representado na missão de observação eleitoral da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, através de duas parlamentares, nomeadamente, Maria Angelina Dique Enoque e Anchia Safina Talapa Formiga, ambas membros do Grupo Nacional da AP- CPLP na Assembleia da República de Moçambique.

Os parlamentares deverão deslocar-se a diferentes regiões da Guiné-Bissau para colher impressões sobre a organização do escrutínio, o comportamento dos eleitores e o cumprimento das normas legais.

Dados divulgados ontem pela Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau indicam que os resultados provisórios das eleições poderão ser conhecidos até quinta-feira próxima.

A bailarina, coreógrafa e escritora Maria Helena Pinto, uma das figuras centrais da dança contemporânea moçambicana, apresenta no dia 1 de Dezembro de 2025, às 18 horas (hora de Maputo), através de um directo na sua página de Facebook, as suas duas novas obras literárias: “Rugidos do Silêncio” (prosa poética) e “Nudez e Dança” (ensaio). As obras – que saem sob a chancela da Oficina de Textos – estarão disponíveis na Amazon a partir da mesma data.

Com uma carreira marcada pela investigação, criação e docência, e um percurso académico que inclui um doutoramento em Estética, Ciências e Tecnologias das Artes pela Universidade Paris 8, Maria Helena Pinto tem vindo a construir, nos últimos anos, uma presença sólida no campo literário. Estes dois novos livros confirmam essa travessia: uma escritora que parte da dança para pensar a vida, o corpo, o país e as inquietações humanas.

“RUGIDOS DO SILÊNCIO”

Em “Rugidos do Silêncio”, Maria Helena Pinto apresenta uma obra de prosa poética composta por oito núcleos temáticos – Origens, Meu Eu, Mulher, Dialogando, BMWs, Amores, Paixões, Sonhos, Perversidades, o Outro, Nós, Naufrágios, A Cegueira do Poder e O Poder do Divino em Nós. Aborda ainda sobre a desvalorização e a violência contra as mulheres, bem como os sonhos de liberdade enquanto indivíduos e enquanto país, particularmente no contexto moçambicano. Entre poemas e prosas, os textos refletem também vivências e um olhar crítico sobre o nosso comportamento como pessoas e como sociedade.

A apresentação da obra estará a cargo do escritor e jornalista José dos Remédios, com leituras do docente e actor Dadivo José e do actor Ramadan Matusse.

“NUDEZ E DANÇA”

“Nudez e Dança” é um ensaio literário-académico que cruza corpos, povos, culturas, política(s) e olhares sobre o gesto e a exposição. A obra nasce de um percurso de investigação iniciado em 2004, com o projecto fotográfico “Mulher-mãe”, onde a autora explorou a nudez artística a partir da dança, com fotos da autoria de Mauro Pinto.

Dividido em três partes – Povos, Nudez e Dança; Nudez e Criações Artísticas; e Projecto Fotográfico Mulher-mãe – o livro lança questões centrais sobre hegemonias culturais, fronteiras simbólicas e os modos como a nudez se inscreve nas práticas artísticas contemporâneas. “Entre os espaços locais, tradicionais e internacionais, nações e mundialização ou globalização, como a nudez e a/na dança se entrecruzam nos semáforos da própria existência humana? Como ultrapassar as vontades de uns e de outros de hegemonia, de imposições de modelos de existência como seres e corpos que pensam, expressam-se e vivem a nudez/dança de forma distinta do outro?”, lê-se no livro.

As temáticas levantadas visam suscitar “o questionamento de como ultrapassar as lutas, oposições, antagonismos e até mesmo uma certa forma de violência entre seres humanos, derivados de olhares, percepções, posições distintas, para então envolver-se em conjunto, abraçando as diferenças, identidades, pensamentos, práticas, rituais, culturas, tradições, criações artísticas, filosofias, artes opostas, como sendo uma forma de fortalecimento comum entre umas e outras”.

A apresentação desta obra será feita pela docente e actriz Maria Atália.

Reconhecida nacional e internacionalmente, com homenagens recentes do Município de Maputo e da Casa do Artista Kutenga, Maria Helena Pinto é autora de investigações cruciais sobre a dança moçambicana e fundadora de vários projectos estruturantes, como à nível nacional, a criação dos primeiros cursos de Licenciatura e Mestrado em Artes Cénicas na Universidade Pedagógica de Maputo e a Vila Artística Dans’Artes. Como palestrante, ainda este ano, a artista representou Moçambique no maior congresso de Artes Cénicas do Brasil, ABRACE, em Ouro Preto. 

Depois de Ardentes Fragmentos da Vida e Devir(es) Contemporâneos, a coreógrafa reforça agora a sua presença no universo editorial com duas obras que dialogam com as artes, a memória, a crítica e a transcendência de olhares e do corpo.

Arrancaram, esta segunda-feira, os exames finais da nona classe, em todo o país. A Cidade de Maputo prevê avaliar mais de 18 mil alunos em 61 centros de exames.

Nas escolas havia corredores vazios e silêncio absoluto! Nas salas, os alunos mantinham-se concentrados  e os professores atentos. Eram indícios dos exames finais da nona classe que decorrem pela primeira vez, em todo o país, e que arrancaram esta segunda-feira. O primeiro dia de exames foi reservado para as disciplinas de português e Biologia.  

Na Escola Secundária Francisco Manyanga, apesar da ausência de 21 alunos, o processo decorreu sem sobressaltos, segundo explicou o director da instituição. 

“Esperávamos receber 551 alunos e destes fizeram-se presentes 530. O que quer dizer que só 21 alunos é que não se fizeram presentes. Fomos aos processos dos alunos, entramos em contacto com alguns encarregados de educação e soubemos que não se puderam fazer presentes por razões que tem a ver com saúde”, explicou Sabino Congolo.

Na Escola Secundária da Polana prevê-se examinar 405 alunos da nona classe. 

“Tivemos oito ausências no primeiro exame e no segundo tivemos quatro alunos que faltaram, ainda não sabemos as razões, mas o ambiente é calmo, o trabalho está a correr normalmente, todo o trabalho está a correr sem sobressaltos.”disse o director da instituição, Filipe Alfiado.

Só na cidade de Maputo foram criados 61 centros de exame para avaliar mais de 18 mil alunos.

“Neste número, 9.419 são raparigas e temos, portanto, 724 júris e temos como rede escolar que oferece esse serviço de examinacao a 61 escolas. Isto, portanto, na cidade de Maputo.”, Hélio Mudendere, Director da Educação da Cidade de Maputo  

Os alunos afirmam que as matérias avaliadas, esta segunda-feira, correspondem às matrizes e a maior expectativa é de passar de classe. 

Para os alunos, o apelo é para que evitem atrasos e fraudes acadêmicas. 

“Para o caso da nona classe, recomendamos que os alunos estudem com base nas matrizes e nos conteúdos programáticos selecionados durante o ano letivo. Para o caso da décima e da décima segunda classe, recomendamos que estudem com base nos exames dos últimos cinco anos, igualmente nas matrizes, nos conteúdos selecionados e nunca se deixarem levar por falsos exames que, provavelmente, possam ser partilhados a nível das redes sociais.”

Os exames da décima  e da décima segunda classes irão decorrer entre 01 e 04 de Dezembro.  

Especialistas em Petróleo e Gás defendem que Moçambique deve adoptar metodologias próprias para a transição energética, uma vez que a maior parte da energia produzida é renovável. Os especialistas falavam, nesta sexta-feira, em Maputo, durante o Lançamento do Clube de Petróleo, uma ferramenta de partilha de experiências entre actores do sector energético.

A transição energética é um processo irreversível e Moçambique não está alheio a esta realidade, porém especialistas defendem que o País deve adoptar uma metodologia própria.

“Porque a maior parte dos países que hoje fala de transição, e fazem muito bem, porque o ambiente precisa, estão numa fase da exploração dos seus recursos extremamente avançada e apanham Moçambique no início desta actividade (…) Será que é justo falar que Moçambique se deveria focar neste assunto de transição energética ou deveria aproveitar esta janela de oportunidade que tem, que eu acredito que é uma das grandes oportunidades que Moçambique tem para realmente sair da situação do país de rendimento que temos, para um país de rendimento de classe média”, disse  Quincardete Lourenço, Investigador.

A ser feita, entende o investigador Milagre Manhique, deve se ajustar à realidade de cada País. “ A África do Sul tem o desafio de sair do carvão para gás e depois, se calhar, migrar para fontes mais limpas, enquanto Moçambique já começou numa fonte mais limpa. Ou seja, a marcha que deve ser feita para o processo de transição energética deve ser olhada como o tema também do Clube de Petróleo”, explicou Rudêncio  Morais, especialista em Petróleo e Gás.

No entanto, os países africanos apresentam um desalinhamento de interesses opostos, conforme defende o Director Geral da agência nacional de Energia Atómica . Será que aqui, ao nível da região África do Sul, todos os países da SADC não estão em condições de tirar o dinheiro que é necessário para construir o Mphanda Nkuwa, Por que nos investidores que estão a investir na causa quase nenhum país africano está lá (…)  Estamos na mesma região, temos os mesmos problemas, mas ainda não estamos a ter facilidade de encontrar soluções sustentáveis para os problemas da região”.

Os painelistas falavam nesta sexta-feira, em Maputo, durante a cerimónia de lançamento do Clube de Petróleo, uma entidade não governamental.

“Este lançamento ocorre num momento crucial em que Moçambique, tal como todo o continente africano, posiciona-se na linha da frente das discussões globais sobre transição energética. Uma transição de energia justa, que reconheça as nossas realidades, proteja os nossos recursos, promova o desenvolvimento humano e integre de forma equilibrada as fontes tradicionais e renováveis”, afirmou a antiga ministra da justiça, Helena Kida.

A iniciativa apresenta-se como um mecanismo de promoção do sector de petróleo e gás.

“O Clube de Petróleo é uma plataforma neutra, inclusiva e estratégica dedicada à promoção de debates, formação de quadros, produção de conhecimento e articulação sectorial. Pautamos sempre pela divulgação de informação de qualidade. Aspiramos ser um centro de excelência e referência em Moçambique e em África”, explicou Octavia Nobre do Clube de Petróleo.

O evento reuniu membros do Governo, políticos, empresários do sector e estudantes.

O presidente da África do Sul defendeu, neste domingo, no encerramento da Cimeira de Líderes do G20, que a declaração adoptada demonstra o valor do bloco como fórum capaz de facilitar a acção conjunta em assuntos de interesse comum.

Ramaphosa, citado pela Rádio Moçambique, assegurou que o texto reafirma um “compromisso renovado” com a cooperação multilateral e o reconhecimento de que os objectivos comuns dos países do G20 superam as suas “diferenças”.

O documento defende a “cooperação multilateral” e inclui resoluções sobre alterações climáticas, minerais críticos, sustentabilidade da dívida e o compromisso de trabalhar pela paz em conflitos, de acordo com a Carta das Nações Unidas.

A ExportaMoz projecta aumentar em cerca de 30% a capacidade de exportação da província de Gaza, a médio e longo prazo, com ambição de, posteriormente, escalar este desempenho para o nível nacional. A meta está enquadrada na parceria que a instituição mantém com o Governo provincial, que será formalizada com a assinatura de um memorando de entendimento durante um workshop agendado para amanhã, em Xai-Xai.

O evento junta o Conselho Executivo Provincial, o sector privado e as principais empresas ligadas à cadeia de valor da exportação, num fórum que deverá acolher entre 150 e 200 participantes. Na ocasião, serão apresentados o potencial produtivo e exportável da província de Gaza, com destaque para os distritos de Manjacaze e Chókwè.

Segundo Miguel Joia, CEO da ExportaMoz, o memorando com o Governo de Gaza vem apenas oficializar um trabalho já em curso: o levantamento de base (baseline) do potencial produtivo e exportável dos 14 distritos da província, conduzido em coordenação com a Direcção Provincial da Indústria e Comércio. O entendimento define responsabilidades das partes e benefícios desta “parceria inteligente” entre o sector privado e o executivo provincial, com o objetivo de “apresentar os distritos da província de Gaza ao mundo e ao comércio internacional” e gerar impacto no tecido económico local.

No agronegócio, Gaza é vista pela ExportaMoz como um território com “potencial produtivo fora de série”, com enfoque em culturas como castanha de caju, cereais, legumes, hortícolas e arroz. A instituição está a trabalhar com operadores específicos para aumentar a produção e exportação de arroz e piripiri seco para a África do Sul, bem como para triplicar, de 5 para 15 milhões de dólares, o volume de exportações de castanha a partir da província.

Joia explica que o principal desafio dos produtores continua a ser a ligação aos mercados, marcada por falta de informação sobre destinos, continuidade de fornecimento e previsibilidade de negócio. Para responder a este problema, a ExportaMoz combina o estudo da oferta local com a análise da procura internacional, apostando em negócios de “nearshoring” – exportação por via rodoviária para mercados regionais – e tirando partido da Zona de Comércio Livre Continental Africana.

No processo de seleção de empresas, a ExportaMoz trabalha com uma base de dados que classifica os operadores em puramente produtivos, cooperativas de fomento, empresas com potencial exportável e grandes exportadores. A prioridade recai sobre estas últimas, por terem maior capacidade de alavancar cadeias de valor, criar emprego e aumentar a arrecadação fiscal para o Estado.

A província de Gaza torna-se agora a quinta a formalizar um memorando de entendimento com a ExportaMoz, depois de Maputo, Nampula, Niassa e Cabo Delgado. A organização já trabalha, no entanto, com todas as direções provinciais da Indústria e Comércio do país e projecta, até 2026, ter acordos formais em todas as províncias e, eventualmente, com a cidade de Maputo.

No capítulo da digitalização, a ExportaMoz lançou recentemente o portal “Exporta” (Mozesporta), uma plataforma que funciona como marketplace entre a oferta local e a demanda internacional. Através deste portal, é carregada informação sobre o potencial produtivo dos distritos, promovendo transparência de preços, capacidade de oferta e criação de benchmarks entre empresas exportadoras.

Para responder às dificuldades de financiamento enfrentadas por produtores e empresas emergentes, a ExportaMoz estruturou ainda uma linha de financiamento que junta grandes importadores nacionais com liquidez em meticais, bancos comerciais e o mercado internacional, visando desintermediar o acesso a crédito para empresas exportadoras. A organização opera, igualmente, uma incubadora que oferece soluções em logística, qualidade e ligação a mercados, incluindo apoio na estruturação de contratos de compra (off-taker), por exemplo, para o fomento do gergelim em vários distritos.

O workshop desta terça-feira contará também com a apresentação do plano da Zona Económica Especial de Agronegócio do Limpopo, assente no antigo Regadio do Baixo Limpopo, que deverá beneficiar seis distritos ligados a esta infraestrutura e criar novas oportunidades de produção e negócios.

Miguel Joia deixou uma palavra de agradecimento à Governadora de Gaza e ao Executivo provincial, sublinhando que a assinatura do memorando “não é o ponto de partida, mas a formalização de um trabalho já em marcha”, que pretende transformar o potencial produtivo da província em resultados concretos de exportação, emprego e receitas para Moçambique.

Cinquenta dos 303 alunos sequestrados de uma escola católica no estado de Níger, no centro-norte da Nigéria, escaparam do cativeiro e já estão com suas famílias, informou a direção da escola neste domingo. Enquanto continuam as investigações, o Papa pede a libertação imediata dos que ainda estão desaparecidos.

Segundo anunciou Reverendíssimo Bulus Dauwa Yohanna, presidente da Associação Cristã da Nigéria no estado de Níger e proprietário da escola, os alunos, com idades entre 10 e 18 anos, fugiram individualmente entre sexta-feira e sábado do cativeiro.

Um total de 253 crianças em idade escolar e 12 professores ainda estão sob poder dos sequestradores, disse Yohanna em um comunicado.

Sobre o assunto, o Papa Leão XIV manifestou, neste domingo, o seu “profundo pesar” pelo sequestro de estudantes, padres e professores na Nigéria e nos Camarões e pediu a libertação imediata dos reféns.

“Apelo para que os reféns sejam libertados imediatamente e exorto as autoridades competentes a tomarem as decisões adequadas e oportunas para garantir a sua libertação”, disse o pontífice após a oração do Angelus dominical na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Os Presidentes Daniel Chapo e Emmerson Mnangagwa defenderam, durante o Fórum de Negócios Moçambique–Zimbabwe, uma  nova etapa de cooperação económica assente no investimento  privado, na valorização das cadeias produtivas e no reforço dos  corredores de desenvolvimento. 

Perante empresários dos dois países, os estadistas sublinharam que o  encontro constitui uma plataforma estratégica para transformar o  potencial bilateral em parcerias concretas nos sectores de agricultura,  energia, logística, turismo e industrialização.

Ao dirigir-se aos participantes do fórum, Daniel Chapo  afirmou que o encontro é essencial para impulsionar o crescimento  partilhado. “Somos dois países irmãos que as trocas comerciais são  extremamente importantes para o desenvolvimento dos nossos dois  países”, disse. 

O Chefe do Estado destacou a agricultura como prioridade para o  investimento conjunto, sublinhando o potencial complementar entre  os dois países. “A primeira é a agricultura, que é a base do nosso  desenvolvimento. Nós temos terras aráveis, os nossos irmãos  zimbabweanos têm conhecimento, têm tecnologia, têm experiência  no desenvolvimento da agricultura”, afirmou. 

Chapo reforçou também o papel estratégico do sector  energético, destacando projectos como a expansão de Cahora  Bassa, Mphanda Nkuwa e a central a gás de Temane. “Então, é uma  oportunidade ímpar para os nossos irmãos zimbabweanos investirem  em Moçambique neste sector e poderem exportar energia eléctrica de  Moçambique para países vizinhos, mas principalmente para o  Zimbabwe”, afirmou. 

O turismo foi igualmente apontado como área de grande potencial,  com Chapo dirigente a realçar que Moçambique dispõe  de uma “costa de cerca de 2700 quilómetros de praia, ilhas bonitas”,  além de parques e reservas. Destacou também o acordo assinado  ainda para apoiar pequenas e médias empresas, sobretudo de  jovens e mulheres. 

O dirigente moçambicano referiu também o trabalho conjunto em  curso para modernizar os corredores da Beira e do Limpopo, com foco  na implementação de fronteiras de paragem única, como Machipanda e Kuchamano, para garantir maior rapidez na circulação  de mercadorias e maior eficiência logística. 

Por sua vez, o Presidente Emmerson Dambudzo Mnangagwa afirmou  que a cooperação económica deve resultar em ganhos reais para as  populações. “É importante que os nossos esforços colectivos permitam  alcançar maior valor para os nossos produtos primários, ao mesmo  tempo que geramos emprego sustentável, promovemos o  empoderamento e impulsionamos a criação de riqueza”, declarou. 

Mnangagwa sublinhou que a integração regional constitui “a  estratégia económica central do Zimbabwe”, explicando que o seu  Governo continua a implementar reformas para reduzir custos de  comércio, harmonizar padrões e eliminar barreiras não comerciais.  Acrescentou que “o Zimbabwe é um país sem litoral, mas com  Moçambique não nos sentimos enclausurados”. 

O estadista apelou ao envolvimento activo do sector privado e das  instituições financeiras, afirmando que há abertura total para  investimentos cruzados.

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