Secretário-geral da FRELIMO considera que a corrupção está a comprometer o desenvolvimento do país e defende acções concretas para melhorar as condições de vida dos moçambicanos.
O secretário-geral da FRELIMO, Chakil Aboobacar, defende que a governação deve estar centrada no povo e não o contrário. O dirigente considera que a corrupção está a comprometer o desenvolvimento do país e aponta o combate ao fenómeno como uma das prioridades para melhorar as condições de vida dos moçambicanos.
“Não se pode governar sem se resolver os problemas, não se pode governar com palavras mas sim com acções e atitudes que impactem na vida de povo. Quando nós dissemos que não queremos dirigentes arrogantes, estamos a dizer que queremos dirigentes mais próximo da população. “ disse o secretário-geral da Frelimo afirmando que “alguns de nós antes de termos estes cargos que hoje ostentamos, éramos pessoas simples, humildes, parávamos numa banca, mercado, barraca e tomar uma mas, bastou um dia chagar ao cargo, mudou” afirmou defendendo que as iniciativas do Governo devem produzir resultados concretos e impactar directamente a vida da população.
Aboobacar falava esta quinta-feira, em Quelimane, por ocasião da sua chegada à província da Zambézia, que acolhe o primeiro Acampamento Nacional da Organização da Juventude Moçambicana (OJM). O secretário-geral manteve um encontro com membros e simpatizantes do partido, durante o qual destacou a necessidade de reforçar a união entre os quadros da formação política e intensificar a monitoria da governação.
Na ocasião, o dirigente reconheceu a legitimidade das exigências da população, sublinhando que existe consciência de que a vida dos moçambicanos deve melhorar. O secretário-geral da FRELIMO apontou igualmente a corrupção como um dos factores que comprometem o desenvolvimento nacional, defendendo uma luta firme contra o fenómeno no seio do partido. “Quando o presidente diz que não queremos dirigentes corruptos, não é para nós repetirmos que não queremos dirigentes corruptos, é para nós todos nós unirmos, organizarmos, denunciarmos e punirmos exemplarmente, todos aqueles que usam bem público em benefício próprio” disse.
Aboobacar afirmou ainda que a FRELIMO está a preparar um congresso de mudança, num contexto em que a formação política procura reforçar a sua ligação com os cidadãos e responder às preocupações da população.
A província da Zambézia é apontada como a que possui o maior número de membros da FRELIMO a nível nacional, com mais de um milhão e duzentos e cinquenta mil membros.
O Presidente russo, Vladimir Putin, acusou a Europa de não ter uma “agenda de paz” e de “interferir” nas propostas dos Estados Unidos para acabar com a guerra na Ucrânia, fazendo exigências “inaceitáveis” a Moscovo.
Momentos antes de se reunir com os enviados especiais dos Estados Unidos, nesta terça-feira, o Presidente russo deixou uma provocação: “Se a Europa quiser guerra, estamos prontos”.
Vladimir Putin falava num fórum de investimento em Moscovo pouco antes da hora agendada para o encontro com Steve Witkoff e Jared Kushner, que voaram até à capital russa para apresentar à delegação russa a nova versão do acordo de paz para a Ucrânia.
Durante esse discurso, Putin frisou que não está a planear entrar em guerra com a Europa: “Já o disse cem vezes”.
“Não temos a intenção de fazer guerra à Europa, mas se a Europa o desejar e começar, estamos prontos imediatamente”, afirmou Putin aos jornalistas, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).
No entanto, acusou os líderes europeus de “interferirem” nas propostas norte-americanas, insistindo que a Europa “não tem uma agenda de paz, estão do lado da guerra”, disse o líder russo.
“A Europa está a impedir a administração dos Estados Unidos de alcançarem a paz com a Ucrânia”, acrescentou, citado pelo The Guardian, atirando ainda que as “exigências da Europa são inaceitáveis para a Rússia”. Putin não elaborou quais são as exigências inaceitáveis de que falava.
Zelensky revela que plano de paz tem agora 20 pontos
As declarações do Presidente russo aconteceram pouco depois de o seu homólogo ucraniano ter falado numa conferência de imprensa em Dublin, na Irlanda, onde revelou que o plano de paz que foi levado a Moscovo tem agora 20 pontos, em vez dos 28 iniciais.
Apesar de não se sentir preparado para partilhar “todos os pontos do plano”, Zelensky confessou quais as “questões e desafios sensíveis e difíceis” do acordo: cedências territoriais, o uso dos activos russos congelados (uma decisão que, diz o presidente, precisa de envolver os dirigentes europeus) e a aliança de países que pretende apoiar um futuro acordo de paz na Ucrânia.
Durante o discurso, o presidente ucraniano mostrou-se confiante com a possibilidade de pôr um fim ao conflito, dizendo que “mais do que nunca há uma chance de acabar com esta guerra”. Confessou, no entanto, que este está a ser “um dos momentos mais desafiantes e, no entanto, ao mesmo tempo, optimistas” para a paz na Ucrânia.
Sobre o encontro entre Washington e Moscovo, Zelensky afirmou que espera ser contactado imediatamente após a reunião, afirmando que está “preparado para apoiar todos os sinais [que trouxerem o fim da guerra]” e para se “encontrar com o presidente Trump”.
Contudo, acrescentou que “tudo depende das conversas de hoje (ontem)”. Zelensky adiantou ainda que pretende reagir ainda esta terça-feira às negociações “de acordo com os resultados” que saírem da reunião.
“Nós temos de terminar com a guerra de tal maneira, que a Rússia não regresse, com a terceira invasão em dez anos”, acrescentou, frisando que é preciso um plano de paz “aberto e justo” e que não seja discutido “nas costas da Ucrânia”.
“O nosso objectivo comum é pôr fim à guerra, não apenas obter uma pausa nos combates. É necessária uma paz digna”, reiterou o presidente ucraniano.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou pela primeira vez alargar a utilização de uma classe de medicamentos usados na diabetes e perda de peso para tratar a obesidade, que afecta mil milhões de pessoas.
O primeiro guia da agência da ONU sobre terapias com péptidos semelhante ao glucagon-1 (GLP-1), em que se incluem medicamentos como o semaglutido, recomenda-as para adultos obesos, defendeu acesso equitativo e incluiu-as na lista de medicamentos essenciais.
Esta lista modelo da OMS inclui actualmente 532 terapias, que a organização considera indispensáveis para um sistema de saúde básico e universal.
A posição da OMS, tomada na segunda-feira, ajudará os sistemas de saúde a orientar suas políticas públicas, incentivando-os a melhorar o acesso a esses medicamentos.
A OMS defende que estes tratamentos, usados para tratar a diabetes e a obesidade, sejam universalmente e financeiramente acessíveis.
“As nossas novas directrizes reconhecem que a obesidade é uma doença crónica que pode ser tratada com cuidados abrangentes e ao longo da vida”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS, na conferência de imprensa em que anunciou o primeiro guia sobre o uso destas terapias para combater a obesidade.
O responsável sublinhou que, embora os medicamentos sozinhos não resolvam a crise global de saúde que a doença representa, “as terapias com GLP-1 podem ajudar milhões de pessoas a superar a obesidade e reduzir seus efeitos adversos”.
“Essas terapias fazem parte de uma estratégia holística baseada em três pilares. Primeiro, criar ambientes mais saudáveis através de políticas robustas; segundo, proteger indivíduos de alto risco promovendo a deteção e intervenção precoces; e terceiro, garantir o acesso a cuidados centrados na pessoa e ao longo da vida para aqueles que vivem com obesidade”, explicou o responsável da OMS.
As terapias com GLP-1, entre os quais se incluem o semaglutido, liraglutide e o dulaglutide, são usadas para tratar a diabetes tipo 2 e a obesidade, melhorando o controlo da glicose no sangue, suprimindo o apetite e promovendo a perda de peso.
A obesidade é uma pandemia global e esteve relacionada com 3,7 milhões de mortes em todo o mundo em 2024. O surgimento destes medicamentos foi revolucionário na forma como se enfrenta esta doença, uma revolução que agora conta com o apoio explícito da OMS.
Sem medidas eficazes, o número de pessoas que sofrem de obesidade em todo o mundo poderá duplicar até 2030.
“A obesidade é um dos desafios mais sérios da nossa época”, disse o director-geral da OMS, acrescentando: “Estes novos medicamentos são uma ferramenta clínica poderosa que oferece esperança a milhões de pessoas”.
As novas directrizes da OMS incluem uma recomendação, baseada em evidências “de certeza moderada”, para o uso de terapias com GLP-1 no tratamento de longo prazo (mais de seis meses) da obesidade em adultos, com excepção de mulheres grávidas.
Apesar da eficácia comprovada destes tratamentos, a recomendação é condicional, devido à falta de dados sobre o seu uso a longo prazo, manutenção e descontinuação, os seus custos actuais, preparação inadequada dos sistemas de saúde e potenciais implicações em termos de equidade.
Em Portugal, estas terapias apenas são comparticipadas pelo Serviço Nacional de Saúde se usadas para doentes diabéticos e, segundo dados do Infarmed, a classe terapêutica dos antidiabéticos foi a que registou o maior encargo para o SNS entre Janeiro e Setembro deste ano, com 354,6 milhões de euros.
Alguns fármacos comparticipados no caso da diabetes são muitas vezes usados por quem quer perder peso, o que já trouxe problemas de escassez no mercado para os doentes diabéticos.
Por isso, o Infarmed anunciou em Janeiro um “processo alargado” de auditorias e inspecções a todo o circuito de alguns fármacos para a diabetes.
A Direcção Provincial de Saúde de Nampula confirmou nesta terça-feira, a retoma plena dos serviços nos Centros de Saúde de Mazua e Chipene, no Distrito de Memba, depois de quase duas semanas de ausência total de atendimento, provocada pela instabilidade e pela deslocação massiva de famílias.
Em Mazua, as unidades sanitárias encontram-se novamente operacionais desde a semana passada, com equipas completas a prestar cuidados às comunidades locais.
Em Chipene, dois profissionais estiveram no posto até ontem, e espera-se que os restantes técnicos regressem em breve, garantindo assistência às populações que permaneceram na região e às que começam a regressar às suas aldeias.
A directora Provincial de Saúde, Selma Xavier, sublinhou que a reposição dos serviços nestas zonas críticas constitui um passo determinante na resposta sanitária à crise.
Paralelamente, o centro transitório de reassentamento em Alua continua a ser apoiado por uma equipa multissectorial de saúde, que funciona diariamente até às 15h30.
São técnicos de diversas áreas, incluindo enfermagem, medicina geral e saúde materno-infantil, destacados exclusivamente para responder às necessidades das famílias deslocadas.
A Direcção Provincial de Saúde assegura que a prioridade do Governo é garantir que, mesmo em contexto de emergência humanitária, nenhuma comunidade fique sem cuidados básicos.
“A população que está em Mazua e Chipene já está a ter assistência nos centros de saúde locais”, reafirmou a responsável, destacando que a retoma dos serviços era uma preocupação urgente das autoridades.
Educação garante estabilidade e maior participação nos exames
O Director Provincial de Educação em Nampula, William Tunzine, assegurou nesta terça-feira que o processo de exames em Chipene e Mazua decorre com estabilidade crescente, apesar das perturbações causadas pela deslocação de famílias devido à insegurança no Distrito de Memba.
Segundo o responsável do sector da educação na província de Nampula, as duas localidades estão a registar um retorno significativo dos alunos às salas de exame.
“Em Chipene, todos os 30 alunos da 10.ª classe já se encontram a realizar as provas, depois de um arranque marcado por incertezas”, confirmou William Tuzine, realçando que o aumento da presença demonstra maior confiança das famílias, que estão a acompanhar o regresso voluntário das crianças às escolas.
Em Mazua, por seu turno, de acordo com Tuzine, os números também mostram um quadro de recuperação. “De um universo de 69 alunos inscritos, 44 compareceram no primeiro dia de exames, número que subiu para 46 na manhã seguinte”, disse, destacando que esta tendência confirma que as comunidades começam a reorganizar-se e que os estudantes estão a retomar progressivamente a rotina escolar.
Williamo Tunzine afirmou ainda que, mantendo-se este ritmo de presença, existe uma forte expectativa de que, até à segunda época de exames, a maioria dos alunos inscritos em Chipene e Mazua seja avaliada normalmente, devolvendo estabilidade ao sector educativo nestas zonas afectadas.
Um navio pertencente à empresa Indo-África, carregado de cromo, está encalhado desde 1 de Novembro a esta parte à entrada do canal de acesso ao Porto de Quelimane. A administração marítima diz que o navio está com peso excessivo e a poluir o mar.
O navio da empresa Indo-África está encalhado na zona de Martibune, distrito de Inhassunge há mais de um mês. Saiu do Porto de Quelimane onde carregou quantidades não especificadas de pedra crômio.
A mercadoria iria depois ser repassada para um outro navio que está no largo do Oceano Índico, para depois seguir ao seu destino. Uma equipa da administração marítima na Zambézia esteve no local a aferir a situação e explica o que está a acontecer.
“O que está a acontecer é que tivemos uma embarcação que encalhou e neste momento está-se a envidar esforços de modo que possamos remover a embarcação do local onde está”, começou por dizer Bela Mabazo, Administradora Marítima da Zambézia.
De acordo com a fonte, a embarcação tem peso excessivo e as máquinas não aguentaram o nível do canal e arrastaram a mesma, que acabou encalhando.
Bela Mabazo explica ainda que a embarcação tem estado a poluir o mar devido a carga que transporta. “Carrega pedra crômio, que é esta que está aqui, a poluir o nosso mar. A embarcação continua assim no local. Nós tivemos lá uma brigada multissetorial. O pessoal da administração todo esteve lá. E constatamos que aquela embarcação, toda a pedra crômio está praticamente a poluir o nosso mar”, explicou.
As autoridades dizem que vão tomar medidas face ao que o navio está a causar ao ecossistema marinho. Ou seja, nota-se através das águas a poluição que está a ocorrer através da pedra crômio e os hidrocarbonetos.
“Neste momento, a primeira medida é notificar a Manica, que é o agente da empresa Indo-África, que é para prestar algumas declarações. E junto também da Indo-África encontramos soluções rápidas que é para ver se remove-se a embarcação com dois rebocadores daquele local”, disse Bela Mabazo, realçando ainda que “percebemos que eles não têm um plano de contingência, porque a embarcação está ali naquele local desde o dia 1 de Novembro”.
Ademais, segundo a Administradora Marítima da Zambézia, percebeu-se que a embarcação não tem seguro e não houve controle nenhum na hora de fazer o carregamento, já que o peso era excessivo e a embarcação não aguentou.
Com relação ao processo administrativo, Bela Mabazo garante que há medidas que deverão ser tomadas, até porque “esta situação é gravíssima”.
“Portanto, neste momento estamos a ver se conseguimos garantir que não haja problemas naquele centro de pesca, com morte de pescados, primeiro por derrame de hidrocarbonetos, que está na embarcação, e que esta pedra crômio não possa continuar a poluir o nosso mar, apesar de já estar toda ela praticamente no mar”, concluiu.
A nossa equipa de reportagem sabe que a Indo-África não tem escritórios em Quelimane, por isso contactou o seu agente, a Manica Moçambique, baseada em Quelimane, mas a responsável negou-se a prestar declarações sobre o assunto.
O Grupo Nacional junto da Rede Parlamentar do Movimento dos Não-Alinhados (NAM-PN) realiza, a partir desta terça-feira, dia 2 de Dezembro, na Matola, o seu primeiro seminário de troca de experiências, tendo como objectivo reforçar a cooperação parlamentar e aprofundar os princípios basilares do movimento.
Intervindo na sessão de abertura da reunião, em representação da Chefe do Grupo Nacional junto da Rede Parlamentar do Movimento dos Não-Alinhados, Maria Ivone Soares, o deputado reafirmou ainda os princípios fundamentais do Movimento, designadamente, a independência nacional, a soberania, a integridade territorial e a segurança, destacando a importância do diálogo e da solidariedade entre os Estados-membros.
Segundo o deputado Dominic Phiri, o evento surge num momento internacional marcado por complexidades e incertezas, sublinhando que a cooperação parlamentar é essencial para enfrentar desafios globais como o neocolonialismo, o racismo e a pobreza.
Segundo Phiri, a Rede Parlamentar do Movimento dos Não-Alinhados constitui um instrumento político de grande relevância, conferindo maior voz e influência aos países em desenvolvimento e às nações do Sul Global, permitindo-lhes participar de forma mais activa nos processos de tomada de decisão internacional.
O deputado apelou a uma participação activa no evento, desejando que os debates sejam enriquecedores e tragam resultados que fortaleçam a acção colectiva do grupo parlamentar na defesa dos princípios que orientam o Movimento dos Não-Alinhados.
Na ocasião, a antiga deputada, Telmina Pereira, disse que o Movimento dos Não-Alinhados tem como visão fortalecer a compreensão mútua entre parlamentos e promover o intercâmbio de experiências dentro dos valores do Movimento, sobretudo garantir a defesa da soberania, evitar qualquer forma de interferência nos assuntos internos dos Estados e reforçar o princípio basilar do não-alinhamento.
No plano legislativo, Pereira explicou que a missão do Grupo Nacional consiste em apoiar o Movimento dos Não-Alinhados na elaboração e adopção de quadros legais, acrescentando que sempre que surgem matérias que exijam investigação, regulamentação ou aprovação de protocolos o Parlamento assume o papel de incorporar essas directrizes na legislação interna, fortalecendo o compromisso nacional com os princípios do não-alinhamento.
O ministro conselheiro do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Manuel Carlos, afirmou que a Rede Parlamentar do Movimento dos Não-Alinhados enfrenta desafios na implementação de deliberações nacionais.
Outro obstáculo apontado por Carlos é a complexa coordenação entre os parlamentos que operam em sistemas políticos distintos, referindo-se a exemplos como Azerbaijão e Arménia, bem como situações africanas, citando os casos do Sudão e Sudão do Sul.
O ministro conselheiro destacou que as divergências internas tornam difícil a harmonização de posições dentro do Movimento, sublinhando que o princípio do consenso, característico do NAM, nem sempre reflecte concordância plena entre os países.
Durante dois dias do seminário, os participantes vão partilhar experiências, fortalecer laços institucionais e definir estratégias que permitam traduzir os ideais do Movimento dos Não-Alinhados em iniciativas concretas de natureza legislativa e de fiscalização.
Mais de 65 mil pessoas no distrito de Chokwé, província de Gaza, estão a beneficiar de um projecto de resiliência urbana e climática implementado pela UN-Habitat, em coordenação com o Governo moçambicano e diversos parceiros de desenvolvimento.
A iniciativa surge como resposta directa ao aumento da frequência e intensidade dos fenómenos climáticos extremos que afectam a região, marcada por cheias devastadoras e vulnerabilidades estruturais, segundo a ONU Habitação.
O projecto, que decorre há cinco anos, combina intervenções de infra-estrutura, capacitação institucional, reforço da gestão urbana e mecanismos de prevenção e resposta rápida. No centro desta abordagem, encontra-se o desenvolvimento do Regulamento de Resiliência Urbana, um instrumento orientador que vai estabelecer normas nacionais para promover cidades mais seguras e melhor preparadas para enfrentar eventos climáticos severos. O documento será submetido ao Conselho de Ministros para análise e eventual aprovação.
Segundo a Chefe do Escritório da UN-Habitat em Moçambique, Sandra Roque, que falava esta terça-feira, em Maputo, durante a apresentação dos resultados do projecto, disse que este é um passo decisivo para modernizar a gestão urbana no país. “Estamos a trabalhar num quadro normativo que permita que todas as cidades moçambicanas adoptem práticas de adaptação climática baseadas em evidências. Este regulamento vai ajudar a institucionalizar a resiliência urbana como parte da planificação do território”, afirmou.
O programa não é exclusivo de Moçambique. Ele foi igualmente implementado nas Comores, Malawi e Madagascar, no âmbito de um pacote financiado pelo Banco Mundial, avaliado em 14 milhões de dólares, dos quais o país recebeu mais de 3 milhões de meticais. A aplicação destes recursos permitiu reforçar a capacidade local de planeamento e criar infra-estruturas essenciais ao funcionamento das cidades em cenários de crise.
De acordo com Sandra Roque, “em Chokwé, foram construídas e reabilitadas quatro infra-estruturas estratégicas, que hoje representam um alicerce fundamental para a protecção das comunidades. Entre elas, destacamos a rádio comunitária, que desempenha um papel crucial na disseminação de alertas, e o centro de refúgio, concebido para acolher famílias afectadas pelas intempéries.”
A intervenção em Chokwé gerou resultados visíveis e tem servido de base para a partilha de boas práticas com outras autarquias, segundo a edilidade. O edil de Chokwé, José Moiane, sublinha o impacto do projecto para a governação local. “Estamos a documentar e partilhar os resultados alcançados para que outras cidades aprendam com a nossa experiência. A resiliência climática deve ser um esforço colectivo, e Chokwé está a desempenhar um papel exemplar neste processo.”
Contudo, o edil lembra que a região continua vulnerável e necessita de investimentos contínuos, sobretudo na protecção contra cheias. “Ainda aguardamos a reabilitação do dique do Limpopo, uma intervenção que é determinante para proteger vidas e bens, sobretudo nos períodos de maior precipitação em Gaza”, acrescentou.
Para o Vice-Presidente do INGD, Gabriel Monteiro, as iniciativas desenvolvidas em Chokwé constituem um modelo replicável noutras regiões do país. “Este projecto mostra que é possível construir uma resiliência urbana global quando se combinam infra-estruturas adequadas, capacitação institucional e envolvimento da comunidade. O nosso apelo é para que se continue a aprimorar todas as componentes do projecto, de modo a garantir resultados sustentáveis.”
A gestora do projecto, Shila Morais, reforça que a criação de infra-estruturas robustas deve sempre ser acompanhada de mecanismos de comunicação e sensibilização. Segundo Morais, “o envolvimento da população, através da rádio comunitária e das campanhas de educação climática, tem sido essencial para que a resiliência não seja apenas técnica, mas também social.”
Com a consolidação dos resultados em Chokwé e o avanço do Regulamento de Resiliência Urbana, espera-se que mais cidades moçambicanas possam adoptar modelos semelhantes, fortalecendo a capacidade do país de enfrentar choques climáticos e proteger as populações mais vulneráveis.
Sem ter conseguido a sua qualificação para a fase final da Liga Africana de Basquetebol Feminino, a WBAL, o Costa do Sol estará presente na prova através de suas atletas.
Trata-se da extremo Eliotéria Lhavanguane e das postes Vilma Covane e Nilsa Chiziane que vão reforçar o clube angolano que procura, desta forma, elevar o nível competitivo e fortalecer a ambição em conquistar o título continental.
Para além das três jogadoras do Costa do Sol, o campeão angolano de basquetebol feminino conta ainda com os préstimos da outra moçambicana, a Chanaya Pinto, que foi cedida pelo Quinta dos Lombos de Portugal.
Em conferência de imprensa realizada no domingo último no Centro Cultural Paz Flor, foram apresentadas ao público as três atletas moçambicanas que vão reforçar o plantel nesta fase da prova.
Elioteria Lhavanguane, extremo de 28 anos, com 1,90 metros de altura, que, segundo escreve o clube leonino de Luanda, “destaca-se pela versatilidade ofensiva e capacidade de leitura de jogo, sendo uma peça que acrescenta mobilidade e intensidade à posição 3”.
Por seu turno, Vilma Covane, extremo poste de 29 anos de idade, 1,85 metros de altura, uma poste 4/5, “reconhecida pela força física e presença dominante no garrafão, chega para reforçar o poder defensivo e ofensivo próximo ao cesto”, segundo a visão do Sporting Clube de Luanda.
Já no que toca a Nilsa Chiziane, poste de 33 anos de idade e 1,89 metros de altura, o Sporting Clube de Luanda escreve que é uma jogadora “cheia de experiência e com grande presença no jogo interior, trazendo consistência, liderança e capacidade de decisão em momentos críticos”.
Motivadas e conscientes da responsabilidade, as três atletas assumiram o objectivo de representar Angola e o Sporting Clube de Luanda com garra, disciplina e espírito de superação, elevando o nome do clube no maior palco do basquetebol feminino africano.
Aliás, o clube angolano escreve, na sua página nas redes sociais, que “o Sporting Clube de Luanda demonstra claramente a sua ambição de lutar pelo troféu da WBAL e elevar o nome de Angola ao mais alto nível do basquetebol feminino africano. A equipa prepara a viagem para o Cairo confiante para enfrentar os maiores desafios do continente”.
A equipa técnica, liderada pela treinadora Ángela Cardoso destacou que o projecto competitivo assenta em três pilares fundamentais, nomeadamente fortalecimento táctico, estabilidade emocional e coesão colectiva.
A treinadora reforçou o compromisso de manter um modelo de jogo dinâmico, agressivo na defesa e eficaz nas transições, capaz de responder ao alto nível de exigência da prova continental.
A Liga Africana vai decorrer no Cairo (Egipto), entre os dias 6 e 15 de Dezembro.
A IV Sessão da Comissão Binacional entre Moçambique e África do Sul abriu esta terça-feira, em Maputo, com um forte apelo ao reforço da cooperação política, económica e de segurança entre os dois países. A reunião foi dirigida pela Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas, que sublinhou a importância de transformar os acordos bilaterais em resultados concretos para as populações dos dois lados da fronteira.
Na sua intervenção, a chefe da diplomacia moçambicana deu as boas-vindas ao homólogo sul-africano, Ronald Lamola, e destacou que a presença da delegação visitante representa “uma oportunidade para continuarmos a assegurar que os nossos dois países trilhem os mesmos caminhos rumo ao fortalecimento dos laços históricos de amizade, solidariedade e cooperação”.
Maria Manuela dos Santos Lucas sublinhou que esta sessão ministerial deverá marcar uma viragem na abordagem prática da cooperação entre os dois países. “Devemos ser mais ambiciosos e ousados na vertente pragmática”, disse, defendendo que cada decisão tomada na Comissão Binacional tenha “um horizonte temporal curto de resultados palpáveis”.
A segurança e defesa voltaram a ocupar lugar central na agenda, sobretudo devido aos desafios partilhados ao longo da fronteira. A Ministra reafirmou que “se Moçambique estiver seguro, a África do Sul estará também segura e vice-versa”, defendendo um reforço na troca de informações, formações e exercícios conjuntos.
No capítulo económico e social, o governo moçambicano aponta para a necessidade de acelerar a implementação dos instrumentos de cooperação. As áreas prioritárias, disse a Ministra, representam “pilares para catapultar o nosso desenvolvimento”, com impacto directo na vida dos cidadãos.
A governante agradeceu ainda o trabalho técnico das equipas dos dois países, que prepararam os documentos a serem analisados nesta sessão, e manifestou confiança de que as decisões a serem tomadas irão “abrir um novo horizonte” na cooperação bilateral.
O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu, hoje, em audiência a Directora-Geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Amy Pope, num encontro que reforçou a cooperação com a agência da ONU e destacou a necessidade de integrar a migração como instrumento de desenvolvimento nacional. A responsável da OIM sublinhou o compromisso da organização em apoiar Moçambique na assistência humanitária, na capacitação da juventude e na gestão ordenada da migração.
Após a reunião, Amy Pope afirmou que o encontro permitiu uma troca profunda sobre temas prioritários para o país. “Reunimo-nos com o Presidente do país e abordámos um conjunto de questões importantes para Moçambique”, declarou.
A Directora-Geral destacou que uma das maiores preocupações abordadas diz respeito ao norte do país, onde persistem deslocações internas motivadas pela violência e pelos impactos climáticos. “Em primeiro lugar, a assistência aos cidadãos que vivem no norte, muitos dos quais deslocados pela violência ou pelos impactos climáticos”, afirmou, salientando a necessidade de respostas integradas.
A capacitação dos jovens para os desafios do futuro constituiu outro elemento central das discussões. Amy Pope sublinhou que a OIM está empenhada em reforçar programas de formação e integração no mercado: “Falámos também sobre como podemos trabalhar com os jovens de hoje para garantir que tenham as competências e a formação necessárias para os empregos do futuro”.
A migração como ferramenta de desenvolvimento nacional foi igualmente realçada durante a audiência. “Discutimos igualmente como a migração pode ser utilizada como parte do planeamento do desenvolvimento do Governo”, explicou a líder da OIM, apontando o potencial da mobilidade humana para fortalecer sectores estratégicos.
Amy Pope reafirmou ainda a continuidade do apoio da organização ao país, destacando a solidez da cooperação existente. “Oferecemos o nosso apoio, oferecemos a nossa solidariedade e esperamos continuar esta parceria que tem sido muito importante para a Organização Internacional para as Migrações”, afirmou.