Depois de perderem bens, emprego e anos de trabalho na África do Sul, dezenas de moçambicanos regressam à província de Inhambane sem saber como sustentar as suas famílias. Enquanto uns tentam reconstruir a vida do zero, outros admitem que a falta de oportunidades em Moçambique poderá obrigá-los a voltar ao mesmo país de onde foram expulsos.
As mãos continuam cobertas de cimento, mas já não trabalham para levantar edifícios na África do Sul. Agora servem apenas para tentar reconstruir uma vida que ficou destruída pela violência xenófoba. À entrada de um pequeno estaleiro improvisado na cidade da Maxixe, Aminosse Vilanculos molda blocos de construção na esperança de conseguir algum dinheiro para levar comida à mesa. Trabalha em silêncio, concentrado, mas basta recordar os últimos dias vividos na terra do Rand para que a voz abrande e o olhar se perca por instantes.
Durante vários anos viveu da construção civil na África do Sul. Foi com esse trabalho que alimentou a esposa e os três filhos, construiu algum património e acreditou que o sacrifício de estar longe da família valia a pena. Tudo terminou quando a violência contra estrangeiros voltou a tomar conta de alguns bairros.
“Entraram na nossa zona, invadiram as casas, queimaram, bateram nas pessoas e começaram a matar. Tentámos juntar-nos para nos defender, mas não conseguimos. Aquela era a terra deles”, recorda.
As recordações continuam vivas. Não fala apenas das agressões ou das casas incendiadas. Fala também do medo constante de não saber se conseguiria sobreviver ao dia seguinte. Os estrangeiros tentaram organizar-se para resistir, mas rapidamente perceberam que não tinham qualquer hipótese. A prioridade passou a ser fugir.
Sem alternativa, foi acolhido pelas autoridades moçambicanas até conseguir regressar ao país. Voltou vivo, mas sem o fruto de anos de trabalho. Hoje, recomeça praticamente do zero, recorrendo ao único ofício que conhece.
Arrendou um pequeno espaço onde fabrica blocos e aceita qualquer serviço ligado à construção civil. Há dias em que consegue vender alguma coisa. Em muitos outros regressa a casa sem um único cliente. Ainda assim, insiste, porque sabe que a família depende exclusivamente do que conseguir ganhar.
A experiência vivida na África do Sul deveria ser suficiente para afastar qualquer hipótese de regresso. No entanto, a realidade económica em Moçambique obriga-o a pensar de forma diferente.
“Hoje digo que não volto. Mas aqui não temos trabalho. Se um dia a situação acalmar, a pobreza pode obrigar-nos a regressar.”
A frase resume o drama vivido por muitos dos repatriados. O medo da violência continua presente, mas a falta de emprego e de rendimento faz nascer outro medo igualmente pesado: o de não conseguir alimentar a família.
“Tento fazer blocos e outros trabalhos para conseguir o pão de cada dia. É duro viver num país onde não nos querem, fugir para sobreviver e ver compatriotas morrerem sem poder fazer nada.”
A história de Manuel Ricardo segue praticamente o mesmo caminho, embora tenha começado doze anos antes. Aos 39 anos, saiu de Moçambique convencido de que encontraria na África do Sul aquilo que nunca conseguiu no seu país: trabalho estável. Encontrou-o na construção civil e, durante mais de uma década, conseguiu sustentar a esposa e os quatro filhos.
O salário permitia alimentar a família e manter alguma esperança num futuro melhor. Mas bastaram poucos dias de violência para destruir um projecto de vida construído ao longo de doze anos.
Hoje está novamente em casa, mas sente que regressou a um lugar onde também não encontra espaço para reconstruir a vida.
“Aqui ainda não sei o que fazer. Durante todos estes anos vivi da construção civil e agora não encontro uma forma de sustentar a minha família.”
Sem emprego, decidiu tentar outra estratégia. A família reuniu algum dinheiro e comprou hortícolas para vender no mercado local. O objectivo era simples: garantir pelo menos o essencial para sobreviver. Mas a iniciativa durou pouco.
“Tentámos vender no mercado para comprar açúcar e outras necessidades, mas tiraram-nos as mercadorias. Fomos expulsos de lá e agora também não conseguimos trabalhar aqui na nossa terra. Isso dói muito.”
A frase é curta, mas resume um sentimento de abandono. Depois de ser forçado a deixar a África do Sul, Manuel sente que também em Moçambique continua sem encontrar oportunidades para reerguer a família. O rendimento desapareceu, as despesas mantêm-se e os filhos continuam à espera que o pai consiga encontrar uma solução.
A história mais dramática é talvez a de Ariel Jossai. Trabalhou durante três anos na África do Sul até que, no final de Maio, a violência xenófoba quase lhe custou a vida. Foi espancado com extrema violência e abandonado inconsciente. Os familiares chegaram mesmo a receber a notícia de que tinha morrido.
“Vieram onde eu estava a viver, levaram quase tudo e espancaram-me. Só acordei às sete da noite no hospital sem perceber como lá cheguei. Alguns familiares receberam a informação de que eu já tinha morrido. Voltei gravemente ferido e sem nada.”
As cicatrizes ainda são visíveis. Há poucos dias retirou os pontos das feridas provocadas pelas agressões. O corpo recupera lentamente, mas as dúvidas continuam.
Ao contrário do que muitos imaginam, Ariel explica que nunca sonhou viver na África do Sul. A decisão de emigrar nasceu da falta de alternativas em Moçambique.
“Quando tive o meu primeiro filho procurei trabalho aqui, mas não consegui. Cheguei a ganhar mil e quinhentos meticais por mês. Isso não chegava nem para comprar um saco de arroz. Foi essa situação que me obrigou a partir. Não fui porque gostava da África do Sul. Fui porque aqui não havia outra saída.”
Hoje, já recuperado das agressões, percorre mercados, empresas e estaleiros à procura de emprego. Até agora, sem sucesso.
“Todos os dias procuro trabalho. Vou aos mercados e a vários lugares, mas não encontro nada. Há muita gente a vender e poucos compradores.”
A esposa e os três filhos dependem agora da esperança de que apareça uma oportunidade. Enquanto ela não chega, Ariel vive dividido entre a memória da violência que sofreu e a realidade económica que enfrenta em casa.
As histórias de Aminosse, Manuel e Ariel são diferentes apenas nos detalhes. Em comum têm o medo, a perda de património, a incerteza e uma pergunta para a qual ainda não encontraram resposta: como reconstruir a vida quando tudo ficou para trás?
Segundo dados do Governo, cerca de 200 moçambicanos regressaram recentemente à província de Inhambane na sequência da nova vaga de violência contra estrangeiros na África do Sul, com maior incidência nos distritos de Massinga e Morrumbene. Para muitos deles, porém, o maior desafio começou precisamente no dia em que atravessaram novamente a fronteira. Regressaram vivos, mas encontraram um país onde o emprego continua escasso e onde o sonho de uma vida digna parece tão distante quanto aquele que um dia os levou a procurar oportunidades além-fronteiras.
A organização internacional de liberdade de imprensa, Repórteres Sem Fronteiras (RSF), condena veementemente o mais recente assassinato de jornalistas em Gaza por Israel, num ataque que matou 20 pessoas. Ao todo são 246 jornalistas mortos em Gaza desde Outubro de 2023.
O ataque ao Hospital Nasser em Khan Younis na segunda-feira, que causou a morte de 20 pessoas, incluindo seis jornalistas, gerou uma indignação global.
A organização Repórteres Sem Fronteiras também condenou o ataque e disse que os jornalistas palestinianos foram alvos deliberados.
Na sua mensagem de repúdio, disse igualmente que é preciso permitir a abertura da Faixa de Gaza à imprensa internacional e acabar com o ciclo de impunidade dos crimes cometidos contra jornalistas palestinianos.
O Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, lamentou o incidente, sublinhando que valoriza o trabalho dos jornalistas e profissionais de saúde mortos no local.
Israel proibiu os meios de comunicação internacionais de cobrir a guerra. Para mostrar ao mundo o que se passa no terreno, os órgãos de comunicação social ao nível global dependem em grande parte dos jornalistas locais em Gaza, bem como dos residentes locais.
No entanto, a protecção dos jornalistas é garantida pelo direito internacional, incluindo em tempo de guerra.
Desde o início do conflito, há quase dois anos, cerca de 246 jornalistas foram mortos pelas tropas israelitas.
Botswana declara emergência de saúde pública, devido à uma crise sanitária que coloca os hospitais e clínicas sem medicamentos e mantimentos. O país está com dificuldades para tratar doenças como hipertensão, cancro e diabetes.
A emergência sanitária que assola o Botswana está a colocar o país em condições cada vez mais difíceis na prestação dos serviços básicos de saúde à população. Pacientes com doenças como hipertensão, cancro e diabetes são os mais afectados, devido a ruptura de stok de medicamentos.
O Ministério da Saúde atribui a crise aos desafios financeiros. O Presidente Dumo Boko diz que o aumento dos custos de aquisição e os sistemas de distribuição ineficientes levaram a perdas, desperdícios e danos.
No início de agosto, o Ministério da Saúde alertou para o esgotamento dos stocks e adiou todas as cirurgias não urgentes, mas a crise prevalece.
Desde então, o Ministério das Finanças aprovou 250 milhões de pulas que equivalem a 1.1 mil milhões de meticais em fundos de emergência para material médico.
O orçamento do Botswana tem estado sob pressão este ano, em grande parte devido à queda prolongada do mercado global de diamantes, uma das bases da sua economia.
Mais de 300 famílias do posto administrativo de Savane, no distrito de Dondo, província de Sofala, passam a ter água potável com a inauguração de um fontanário construído pelo Standard Bank no âmbito das celebrações dos 130 anos do banco.
O novo fontanário é composto por uma lavandaria comunitária equipada com quatro tanques. O administrador de Dondo, Adamo Ossumane, destacou alguns benefícios, como a redução das distâncias percorridas pela população.
Para a presidente do Conselho de Administração do banco, Esselina Macome, a infra-estrutura é uma resposta aos desafios da população no acesso à água potável.
Com a entrada em funcionamento do fontenário, o distrito passa a contar com 19 sistemas de abastecimento de água potável, beneficiando cerca de 23.700 dos 250.766 habitantes
O presidente francês, Emmanuel Macron, considerou “intolerável” o ataque ao hospital Nasser, em Gaza, e instou Israel a respeitar o Direito internacional, salientando que “civis e jornalistas devem ser protegidos em todas as circunstâncias”.
“Os meios de comunicação social devem poder cumprir a sua missão de forma livre e independente para cobrir a realidade do conflito”, disse Macron após uma conversa telefónica com o Emir do Qatar, cita Lusa.
Vários países, a par da França, condenaram o ataque israelita ao hospital Nasser, em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, que matou pelo menos 20 pessoas, incluindo cinco jornalistas.
O chefe da diplomacia do Qatar, Mayed al-Ansari, condenou estes ataques, que disse constituírem “um novo episódio na série de crimes odiosos cometidos pela ocupação contra o povo palestiniano irmão e uma violação flagrante do direito internacional”.
Al-Ansari sublinhou que ataques contra jornalistas e pessoal médico requerem “uma acção internacional e decisiva”.
Também a diplomacia alemã manifestou o seu choque com a morte de jornalistas, de equipas de salvamento e de civis, defendendo que o ataque deve ser investigado.
De acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, Israel deve “permitir imediatamente o acesso de meios de comunicação estrangeiros independentes e garantir a proteção dos jornalistas em Gaza”.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano descreveu o ataque como um “crime odioso”.
O Vaticano, através do cardeal Pietro Parolin, diz-se “atordoado com o que está a acontecer em Gaza”, apesar da “condenação mundial”.
“Também aqui parece que não há atualmente nenhuma esperança de solução e que a situação está a tornar-se cada vez mais complicada, sobretudo do ponto de vista humanitário”, acrescentou.
Também os chefes da diplomacia dos 57 países-membros da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), que se reuniram hoje, afirmaram que Israel deve ser responsabilizado pelo Direito internacional por “crimes de guerra e genocídio” na Faixa de Gaza.
Os países apresentaram uma resolução em que exigem responsabilização e ação penal ao abrigo do direito internacional numa reunião extraordinária realizada na cidade saudita de Jeddah.
Em Novembro passado, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu três mandados de captura para o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, o antigo ministro da Defesa de Israel Yoav Gallant e o líder do Hamas, Mohammed Deif – entretanto morto – pelas acções realizadas na Faixa de Gaza e nos ataques do Hamas a 7 de Outubro de 2023, que desencadearam a ofensiva israelita no território palestiniano.
Israel bombardeou o hospital Nasser, esta manhã e, quando jornalistas e socorristas chegaram ao local para ajudar as vítimas e documentar o que aconteceu, voltou a bombardeá-lo, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, numa técnica conhecida como “golpe duplo”.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, definiu o ataque como “um trágico acidente”.
Vários grupos de manifestantes bloquearam hoje algumas das principais estradas de Israel, para exigir um acordo de cessar-fogo e a libertação dos reféns na Faixa de Gaza, informou a agência de notícias Efe.
Alguns dos manifestantes incendiaram pneus para perturbar o trânsito em vários cruzamentos da cidade e outros protestaram em frente à casa de vários ministros israelitas, tal como mostram imagens partilhadas nas redes sociais por vários grupos pró-democracia israelitas.
Segundo a imprensa internacional, as manifestações são parte de uma série de protestos convocados para hoje pelo Fórum das Famílias dos Reféns e Desaparecidos, que representa a maioria dos familiares das pessoas raptadas nos ataques do grupo palestiniano Hamas de 07 de Outubro.
Há semanas que este grupo pede ao Governo israelita para pôr um ponto final na guerra e o regresso dos reféns.
Espera-se que várias marchas e protestos tenham lugar em todo o país ao longo do dia, culminando às 20:00 do horário local com uma manifestação na chamada Praça dos Reféns, em Telavive.
A 17 de Agosto, num evento semelhante, centenas de milhares de manifestantes encheram as ruas do centro de Telavive, para exigir um acordo que ponha fim à guerra, numa altura em que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, segue em frente com os planos de intensificar a ofensiva e tomar a cidade de Gaza.
O Conselho Municipal da Maxixe vai levar à justiça duas empresas de construção que receberam dinheiro público para obras de estradas que nunca chegaram ao fim. Para o edil, Issufo Francisco, a situação é inaceitável e diz que empresas desonestas não podem enriquecer à custa do erário, deixando para trás promessas quebradas e uma população prejudicada.
Um troço, com pouco mais de um quilómetro, é símbolo de uma obra que deveria estar concluída há muito tempo na cidade da Maxixe. O empreiteiro recebeu milhões do município para garantir a execução, mas não cumpriu com a sua parte e agora carrega nas costas a possibilidade de enfrentar a justiça.
As empresas responsáveis abandonaram o local, deixando para trás obras inacabadas e uma população à espera de respostas. Indignado, o edil da Maxixe afirma que não há espaço para empreiteiros desonestos que se aproveitam do dinheiro público e traem a confiança da cidade.
Issufo Francisco revelou a situação durante uma visita às obras de construção de mais de dois quilómetros de estrada, realizada esta segunda-feira. No terreno, a realidade revelou que parte dos trabalhos continua atrasada, revelando mais um cenário de incumprimento de prazos.
Os funcionários do Conselho Municipal de Xai-Xai decidiram, hoje, manter a greve iniciada semana passada, após um encontro sem consensos com o presidente da autarquia sobre a implementação da Tabela Salarial Única. O grupo exige os seus direitos e afastamento de alguns vereadores por suposto boicote ao processo, enquanto focos de lixos aumentam na cidade.
O impacto da paralisação de actividades por mais de 480 funcionários e trabalhadores sazonais do município de Xai-Xai, que começou há quase uma semana, começa a ser notório, à vista e está a preocupar os residentes da zona alta devido novos focos de lixo ao longo da Estrada Nacional Número 1.
Face à greve que tem por base a nova tabela salarial, que se previa implementar a partir deste mês, após suposta aprovação pela Assembleia Municipal, o edil reuniu, esta tarde, a porta fechada com os funcionários, mas abandonou o local sem prestar declarações.
Não falou o edil, mas, os funcionários falaram sobre os pontos principais após a reunião que teve duração de uma hora.
Há previsão de novo encontro em Setembro, mas, enquanto isso, o grupo exige afastamento imediato de alguns vereadores por alegado boicote a implementação da nova tabela salarial entre outros
Esta é a segunda vez que funcionários do município de Xai-Xai paralisam completamente as actividade como forma de pressionar a edilidade a implementar a nova tabela salarial.

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