A Administração Nacional de Estradas promete iniciar obras de drenagem nos pontos críticos da EN1, no troço Missão Roque-Zimpeto, na Cidade de Maputo. A empreitada poderá arrancar nas próximas semanas. A promessa surge depois de intervenções de emergência em alguns pontos da estrada.
Uma das zonas abrangidas pela intervenção foi a área da Total, onde os trabalhos consistiram essencialmente no tapamento de buracos e na aplicação de uma camada de resselagem para facilitar a circulação de veículos. Contudo, as obras não incluíram, nesta fase, a construção de valas de drenagem para o escoamento das águas pluviais, um dos principais problemas apontados pelos automobilistas.
Segundo o delegado provincial da ANE, Dado Novela, a instituição identificou três secções críticas ao longo do troço São Roque–Zimpeto, caracterizadas por buracos profundos e sérios problemas de drenagem.
“Tratou-se de intervenções de emergência para garantir a transitabilidade nestes pontos e reduzir os constrangimentos provocados pelos congestionamentos”, explicou.
O responsável reconheceu que a ausência de valas de drenagem constitui uma limitação das obras realizadas, mas garantiu que esta componente faz parte do projecto e será executada numa fase posterior.
“Nesta altura, a prioridade era assegurar a circulação de pessoas e bens. Conseguimos melhorar a fluidez do tráfego e, nas próximas semanas, avançaremos com intervenções para orientar o escoamento das águas”, afirmou, acrescentando que as obras de drenagem poderão arrancar dentro de cerca de 15 dias, embora sem uma data definitiva.
As intervenções surgem depois de vários anos de reclamações dos automobilistas, que se queixavam do estado degradado da via, marcado por buracos e frequentes congestionamentos.
Durante a visita ao local, automobilistas manifestaram satisfação pela melhoria das condições de circulação, mas defenderam que a solução definitiva passa pela construção de um sistema eficaz de drenagem, capaz de evitar a acumulação de água durante a época chuvosa.
A equipa de reportagem questionou ainda a ANE sobre as valas de drenagem construídas no ano passado em alguns troços da EN1, que continuam a revelar-se insuficientes para evitar o alagamento da estrada durante os períodos de chuva intensa. Em resposta, a instituição reiterou que está a avaliar novas intervenções para melhorar o sistema de drenagem nos pontos mais vulneráveis.
Enquanto as obras complementares não arrancam, os utentes da principal estrada do País esperam que as próximas intervenções resolvam de forma definitiva os problemas de escoamento das águas e contribuam para preservar a infra-estrutura rodoviária.
O Presidente da República defendeu, nesta quarta-feira, a necessidade de aprofundar e acelerar as reformas em curso, para uma independência económica do país. Daniel Chapo vincou que a parceria entre o Governo e a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) será mais eficaz se houver alcance dos instrumentos financeiros já disponíveis para a dinamização da economia nacional.
Falando na abertura da vigésima Conferência Anual do Sector Privado (CASP), que decorre sob o lema “Reformar para Competir: Caminhando para o Relançamento Económico”, o Chefe do Estado disse que o Executivo está comprometido em aprofundar e acelerar reformas nos próximos cinco anos, em torno de cinco grandes eixos, nomeadamente: reforma fiscal, reforma administrativa e digital, reforma judicial e de confiança institucional, reforma produtiva e reforma de financiamento e mercado.
Nesse âmbito, a reforma fiscal visa tornar o sistema tributário mais previsível, justo e competitivo, com foco na produtividade e na ampliação da base tributária, “e nisto já começámos a trabalhar com a nossa Autoridade Tributária”.
Com a reforma administrativa e digital, pretende-se reduzir tempo, custo e burocracia; consolidar as inspeções e modernizar serviços públicos com base em tecnologia e ética. “Por isso, neste momento, estamos a unir as inspecções para que o nosso sector privado não tenha tantas inspecções ao mesmo tempo e tantas taxas e taxinhas, incluindo multas e multinhas”.
Relativamente à reforma judicial e de confiança institucional, Daniel Chapo apontou a necessidade de garantir segurança jurídica, previsibilidade e combate cerrado à corrupção. Ao nível judicial, os processos devem ser céleres, para que a economia e o comércio possam fluir.
Integrar a agricultura, a indústria, a logística, o turismo, as infra-estruturas e aproveitar o potencial do Oceano Índico como corredor azul para exportar, incluindo a cabotagem, é outro eixo (reforma produtiva) apontado pelo Presidente da República. “Por isso, estamos a fazer grandes investimentos ao nível dos nossos corredores de desenvolvimento. Vai arrancar, brevemente, a obra de ampliação da estrada que liga a nossa Cidade de Maputo à fronteira de Ressano Garcia, a partir do nó de Tchumene em duas faixas”.
Igualmente, será construída uma infra-estrutura que permitirá que “tenhamos uma fronteira de paragem única digitalizada na fronteira de Ressano Garcia, para que não haja estacionamento de camiões, tanto do lado de Moçambique, como do lado da África do Sul”, anunciou Chapo e avançou que o processo já está “bastante avançado” e o acordo já foi assinado.
Brevemente, garantiu o Chefe do Estado, a contraparte da África do Sul estará em Moçambique para que “esta fronteira seja um modelo em África e possamos replicar para outras fronteiras, como a fronteira de Machipanda, entre Moçambique e Zimbabwe, incluindo Cassacatiza, em Tete, entre Moçambique e Zâmbia, e outros países vizinhos”.
REFORMA DE FINANCIAMENTO E MERCADO
Com esta medida, segundo Chapo, o objectivo é expandir o crédito produtivo e o papel do Banco de Desenvolvimento de Moçambique, em parceria com o sector privado, os nossos parceiros de desenvolvimento, e promover a Bolsa de Valores como um mecanismo eficaz de financiamento produtivo da nossa Economia, através dos recursos que vão aparecer através do nosso Fundo Soberano”.
MPMES DINAMIZAM ECONOMIA
O Governo reafirmou o reconhecimento em relação às Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs). Disse que “são o coração da economia nacional” aqui e “em qualquer país do mundo. Por isso, reforçamos o papel do Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME) como centro estratégico de formação, mentoria, financiamento, incluindo incubadoras para a formação de jovens empresários para a sua integração empresarial”.
RAPTOS
Na perspectiva do Executivo, “quem está atento consegue perceber que os níveis dos raptos reduziram”. Entretanto, “há pessoas que ainda continuam enfrentar o Estado. Nós, como Estado, vamos continuar a trabalhar, dia e noite, para que esta redução se torne zero raptos em Moçambique para desenvolver a nossa economia”.
“Não vamos pactuar com criminalidade”, disse Chapo, sublinhando que o Governo quer um país livre, com um ambiente de negócios onde as pessoas convivem 24/24 horas com paz e segurança.
“Não há nenhum país no mundo que se desenvolva sem paz e segurança. Por isso a nossa luta em relação à Cabo Delgado. Vamos continuar a trabalhar, dia e noite, usando todos os meios que estão ao nosso alcance, para que realmente o terrorismo também possa ter fim. E com o terrorismo terminado, com os raptos terminados, com a economia dinâmica, com oportunidades de negócio em paz e segurança, nós vamos, sem margem de dúvidas, trazer prosperidade para este país, criar esperança para o nosso povo e criar melhores condições de vida para todos os moçambicanos”.
Colisão entre um autocarro turístico e um camião perto da cidade egípcia de Ras Garib fez dois mortos. Maioria dos feridos são turistas russos, com cidadãos lituanos e finlandeses também entre as vítimas.
Duas pessoas morreram e cerca de 40 ficaram feridas hoje na sequência de uma colisão entre um autocarro turístico e um camião perto da cidade egípcia de Ras Garib, na costa do mar Vermelho, anunciaram as autoridades.
Segundo o jornal egípcio Al Masry al Youm, a maioria dos feridos são turistas russos, com cidadãos lituanos e finlandeses também entre as vítimas.
O autocarro seguia da cidade de Hurghada para o Cairo e transportava turistas que visitavam vários sítios arqueológicos.
As causas do acidente ainda estão a ser investigadas.
A oposição camaronesa continua a contestar o resultado das últimas eleições presidenciais. O segundo classificado, Issa Tchiroma Bakary, deu às autoridades um ultimato de 48 horas para libertar todos os presos detidos nos protestos que se seguiram à reeleição de Paul Biya.
Num vídeo publicado nas redes sociai, Tchiroma acusou o Governo de “gangsterismo de Estado e terrorismo de Estado”. Pediu, ainda, às autoridades que cessem as práticas que, segundo ele, incluem “expurgos étnicos”.
Tchiroma ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais com 35,19 por cento dos votos, atrás de Paul Biya, que obteve 53,66 por cento, de acordo com os resultados oficiais. Mas o líder da oposição considera-se o presidente eleito dos Camarões.
Acredita-se que Tchiroma tenha deixado os Camarões rumo à Nigéria pouco depois das eleições. Tem convocado o povo camaronês a protestar contra a alegada fraude eleitoral, inclusive por via de protestos em cidades-fantasmas.
As forças de segurança camaronesas mataram 48 pessoas numa repressão às manifestações pós-eleitorais, segundo uma notícia da Reuters baseada em fontes da ONU. O Governo afirma que pelo menos cinco pessoas morreram. Paul Biya tomou posse oficialmente na quinta-feira e apelou ao fim da violência.
“Apelo ao sentido de responsabilidade de todos. Dirijo-me a todos aqueles que trabalham para incitar o ódio e a violência no nosso país, particularmente alguns dos nossos compatriotas na diáspora”, disse. “Camarões não precisa de uma crise pós-eleitoral com consequências potencialmente dramáticas, como já vimos noutros lugares.”
Caso o seu ultimato não seja respeitado, Tchiroma advertiu às autoridades de que o povo camaronês “se sentirá livre não só para se proteger, mas também para fazer todo o possível para proteger os seus filhos e encontrá-los onde quer que estejam”.
Há sensivelmente dois meses, cerca de duzentos trabalhadores da Nuke Transporte, empresa subcontratada pela mineradora Vulcan, estiveram em greve exigindo melhores condições de trabalho. No entanto, nesta terça feira, a empresa decidiu quebrar contratos com sete trabalhadores, por alegadamente serem os autores das manifestações e conflitos. Os visados, por sua vez, decidiram amotinar-se no recinto onde funciona o escritório da empresa para exigir explicações pelas suas demissões e paralisaram as actividades, e fizeram reféns três gestores da empresa, todos de nacionalidade chinesa.
Os protestatários alegam que a empresa rescindiu contratos sem justa causa e exigem indemnizações.
Segundo os trabalhadores, a decisão de manter os gestores em cárcere privado vai continuar até que haja consensos entre as partes junto das entidades competentes.
A Polícia foi accionada para garantir a ordem e segurança no local e evitar ocorrências de desordem durante as manifestações.
O “O País” procurou ouvir, junto da direcção da empresa, as razões que levaram os os gestores a tomar esta decisão, mas ninguém se prontificou a prestar declarações.
O “O País” contactou igualmente o advogado da Nuke Transport, presente no local dos factos, que se negou a falar sobre o assunto, alegando que não era a pessoa indicada para falar com mais profundidade sobre a demissão dos trabalhadores.
Portanto, até a saída da nossa equipa do local das manifestações por volta das 17 horas ainda não havia consenso entre as partes.
O Governo moçambicano reconheceu esta terça-feira que os altos índices de violência contra a criança são ainda um desafio entre os países da África austral, apelando a acções “expressivas e coordenadas” para travar o problema nesta região.
“Moçambique e a região ainda enfrentam desafios relacionados aos altos índices de violência contra a criança”, disse o secretário de Estado de Género e Acção Social, Abdul Esmail, na abertura da Conferência Regional das Instituições Nacionais de Direitos Humanos da África Austral sobre Promoção e Protecção dos Direitos da Criança.
No evento de três dias que decorre em Maputo e reúne diversas organizações da sociedade civil africanas e parceiros internacionais, Abdul Esmail reiterou que esta situação “exige acções expressivas e coordenadas” para que “ninguém fique para trás”.
“Este evento representa o interesse regional na melhoria progressiva do quadro de implementação dos direitos da criança e reforço das perspectivas sobre a promoção e protecção dos direitos da criança em cada um dos nossos países”, afirmou o governante.
Assinalando os desafios enfrentados por Moçambique no combate à violência contra a criança, Esmail lembrou os dados até 2019, quando 32,1% das meninas e 40,3% dos rapazes, com idades entre 18 e 24 anos, sofriam algum tipo de violência antes dos 18 anos, “entre os quais referiram terem sido vítimas 14,3% das meninas e 8,4% dos rapazes”.
“Segundo o inquérito demográfico e de saúde 2022-2023, 48,4% das raparigas estão afectadas pelas uniões prematuras”, acrescentou, apontando também para “desafios significativos” associados à desnutrição crónica e ao aumento do número de menores em conflito com a lei no país.
Na ocasião, o presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos em Moçambique defendeu que a promoção e protecção dos direitos da criança é um “imperativo moral, social e legal”, já que a mesma é o “sujeito de plenos direitos e termómetro do desenvolvimento sustentável” das sociedades.
Segundo Albachir Macassar, os progressos celebrados, quando passam 35 anos desde a adopção da Convenção Internacional dos Direitos Humanos das Crianças e 25 anos da Carta Africana sobre os Direitos e Bem-estar da Criança, mostra a vontade de todos os países em manter o “interesse superior” da criança sempre em dia, demonstrando, frisou, a necessidade destes instrumentos serem “reflectidos na realidade diária destas mesmas crianças”.
Apesar dos “notáveis progressos”, o presidente da comissão dos direitos humanos também alertou para a “prevalência de desafios” para o país e toda a região austral africana, destacando a fraca proteção de “algumas categorias de crianças consideradas vulneráveis”, como menores com deficiência e com albinismo.
Para Macassar, o desafio das organizações sociais é transformar os compromissos assumidos em medidas “concretas e eficazes”, acompanhadas da definição de “prioridades e metas concretas”.
“Os nossos compromissos devem ser acompanhados pela definição de prioridades e metas, isto é fundamental. Sair daqui da mesma forma que entrámos não vai valer a pena”, acrescentou.
Quarenta pessoas morreram vítimas de acidente de viação nos últimos nove meses na província de Tete. As autoridades locais estão preocupadas com a situação, que tem estado a agravar-se, e apelam aos automobilistas a redobrarem medidas de condução defensiva nas estradas.
A província de Tete registou, nos primeiros nove meses deste ano, 40 mortes resultantes de 27 acidentes de viação, um aumento em oito vítimas mortais em relação ao igual período do ano passado, em que se contabilizaram 32 vítimas mortais causadas pela ocorrência de 23 sinistros rodoviários.
Este crescimento preocupa as autoridades provinciais que, de acordo com Jorge Alguineiro, Director Provincial dos Transportes e Comunicações, em Tete, há que se fazer um trabalho para minimizar a situação.
“Nós tivemos aqui um crescimento de acidentes de viação em quatro acidentes, porque nós tínhamos no ano passado 23, mas este ano foram 27. E mortos, o número cresceu também em nove, no ano passado nós tivemos 31, este ano 40. Em termos de feridos graves, crescemos também em quatro, como o crescimento, aqui 30 do ano passado, 34 para este ano. Feridos ligeiros diminuímos em 10, aqui é de 42 para 32, que é 42 do ano passado e 32 deste ano, por tanto houve um decréscimo. Em termos de danos avultados estamos a crescer, tendo passado de 17 para 26 e danos ligeiros, crescemos em cinco, ou seja de cinco para 10”, esclareceu Jorge Alguineiro.
As condições mecânicas das viaturas, a degradação de algumas vias de acesso e, sobretudo, os factores humanos, como o excesso de velocidade, a condução sob efeito de álcool e a imprudência ao volante, foram apontados como as principais causas dos sinistros.
“A questão do comportamento humano é muito importante para diminuir os acidentes de viação. E um dos aspectos que nós priorizamos é a questão da fiscalização. Aí nós vamos directamente para controlar os níveis de álcool de cada condutor, naqueles locais que nós temos de fiscalização os pontos super importantes, falo do quilômetro 18, o posto de fiscalização de Mboja, de Cahunje e vários outros pontos que nós temos, mesmo até na saída da província”, destacou o Director Provincial dos Transportes e Comunicações em Tete.
No mesmo período, cerca de 500 automobilistas foram surpreendidos a conduzir sob efeito de álcool durante as operações de fiscalização realizadas em diferentes pontos da província de Tete.
O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, através do ProAzul, procedeu ao lançamento da Conta Satélite da Economia Azul (CSEA), na Galeria de Maputo. A cerimónia de lançamento foi dirigida pela Primeira-Ministra, Benvinda Levi.
A Primeira-Ministra, Benvinda Levi, afirmou que o lançamento da CSEA marca uma etapa importante para a divulgação acessível e transparente de informação fiável relativa à economia azul, pois, pela primeira vez, Moçambique passa a dispor de uma ferramenta estatística que permite a recolha de dados económicos específicos sobre as actividades ligadas ao mar e às águas interiores, possibilitando avaliar o contributo real deste sector no Produto Interno Bruto nacional.
O Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, mostrou a sua satisfação e considerou a Conta Satélite da Economia Azul uma ferramenta essencial para a governação baseada em evidências, permitindo medir o contributo real da economia azul no desenvolvimento nacional.
A Representante do Banco Mundial afirmou que este é um passo fundamental para integrar o verdadeiro valor do oceano nas decisões económicas nacionais, salientando que os empregos são os caminhos mais rápidos para sair da pobreza e que a necessidade de criar oportunidades de trabalho nunca foi tão urgente.
A Conta Satélite da Economia Azul constitui um instrumento estratégico para medir, planear e valorizar o contributo da economia azul, promovendo políticas públicas e investimentos mais sustentáveis.
O transporte ferroviário de passageiros foi interrompido por dez dias depois da vandalização da linha de Sena que culminou com o descarrilamento de um comboio de carga, Os passageiros, bem como a direcção dos Caminhos de Ferro de Moçambique em Sofala, lamentam os prejuízos e apelam para que não haja mais destruição das linhas.
Foi retomada esta terça.feira a circulação de comboios de passageiros a partir da cidade da Beira para Tete, Chimoio e Machipanda, depois de uma interrupção de dez dias devido a vandalização da Linha de Sena que culminou com o descarrilamento de um comboio de mercadorias, sem vítimas humanas.
A partida aconteceu na estação da cidade da Beira para Moatize, província de Tete, facto que não acontecia há 10 dias, depois da Linha de Sena ser sabotada por indivíduos até agora desconhecidos.
A sabotagem da linha de Sena, que culminou com o descarrilamento do comboio de mercadorias, propiciou a que os Caminhos de Ferro de Moçambique, por razões de segurança, tenham decidido suspender os comboios de passageiros.
Depois de consertada a linha, cujo prejuízos ascenderam a sete milhões de dólares, foi retomada nesta terça-feira a circulação de comboios de passageiros o que alegra os utentes, que ficaram bastante prejudicados com a interrupção deste meio de transporte, fundamental na ligação entre Beira e os distritos do norte de Sofala e do Sul de Tete.
Na retoma, o ambiente encontrado na estação ferroviária da Beira foi de centenas de passageiros à procura de um lugar, tanto nas carruagens da segunda, assim como da primeira classe.
Isac Fernando é um dos passageiros que apanhou o comboio e disse estar muito satisfeito, porque, “esses dias que estava paralisado, já estava muito apreensivo, porque há muitas viagens que não aconteceram, há muitos negócios que também não aconteceram, porque nós temos estado a usar o comboio para essas trocas comerciais, negócios e também essa locomoção para questões profissionais”.
Teresa Maimisse é residente no distrito de Cheringona, há cerca de 200 quilómetros da cidade da Beira, e deveria ter saído de Chiveve na terça-feira da semana passada, mas devido a interrupção.
“Sim, criou um impacto negativo mesmo, porque sem a circulação do comboio nós ficamos muito tristes, porque o comboio nos ajuda muito para transportar bens de pessoas”, disse. Os nossos entrevistados dirigiram-se depois aos autores da vandalização para apelar que coloquem mão na consciência, por forma a não prejudicarem a empresa e nem os que se beneficiam destes serviços.
“É preciso mesmo colocar a mão na consciência, porque este aqui é um comboio de passageiros. Esta vandalização, em algum momento, se tivesse encontrado este comboio, poderíamos ter, se calhar, várias mortes, então, para esses que têm estado mesmo a vandalizar, na verdade, eles devem colocar a mão na consciência e não voltar a fazer isso, porque é um acto mesmo não abonatório e é condenável e repudiável”, disse Alberto Francisco, passageiro.
Os caminhos de Ferro de Moçambique, através de Atanásio das Neves, Director de Manutenção dos CFM-Centro, garantiram que o transporte de passageiros da cidade da Beira para vários pontos voltou à normalidade.
“Hoje, primeiro saiu uma automotora para Chimoio, e neste momento, como puderam acompanhar também, durante o embarque, vai sair o comboio para Moatize. Amanhã teremos o comboio que vai para Marromeu”, disse Atanásio das Neves.
Entretanto, há passageiros que ficaram retidos na cidade da Beira cerca de 10 dias sem poderem viajar de comboio a fim de cumprirem com os seus interesses. Atanásio das Neves diz que esta situação não é boa para ninguém.
“Por isso, por favor, se houver alguma coisa, tem que sempre evitarmos termos prejuízos nesses aspectos. O CFM sofre muito com os prejuízos quando há descarrilamento. São incalculáveis e esses prejuízos acabam afectando não só ao CFM, mas à própria economia do país, porque todos nós estamos a remar na mesma direcção”, disse.
Refira-se que foi reforçada a segurança ao longo das Linhas de Sena e Machipanda e as autoridades de justiça estão a investigar os actos de vandalização que ocorreram nas duas linhas.
A Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento e a petrolífera ENI investem quatro milhões de Euros, o equivalente a mais de duzentos e noventa e cinco milhões de Meticais, para implementação de projectos de fortalecimento da economia azul, na província de Cabo Delgado. Com a duração de três anos, os projectos vão ser implementados nos distritos de Ibo e Pemba, para melhorar infraestruturas escolares e promover práticas sustentáveis ligadas à economia azul.
O projecto de conservação do ambiente e desenvolvimento económico das comunidades costeiras será implementado na ilha do Ibo, que está localizado dentro do arquipélago das Quirimbas, uma área de conservação de Cabo Delgado.
“O que nós queremos é a prática. Iniciamos hoje e precisamos concluir para começarmos com os outros projectos. Não queremos só dois projectos, mas queremos mais projectos, mais programas nesta província de Cabo Delgado, que a população precisa”, disse Fernando da Silva, Secretário de Estado Cabo Delgado, que acrescentou ainda que “nós assumimos essas actividades, esses projectos como nossos”.
Fernando Silva diz mesmo que a ideia é trabalhar em conjunto com os parceiros “para que possamos ter sucessos que a população precisa”.
Além da ENI, Cabo Delgado recebeu mais três milhões e quinhentos mil euros da Cooperação Italiana, para protecção do ambiente e investimentos no sector da educação. Marica Calabrese, representante da ENI, assumiu que os projectos que estão a ser implementados devem impactar na vida das populações de Cabo Delgado.
“Estes projectos são importantes porque todas as pessoas de Cabo Delgado possam acreditar que o gás de Cabo Delgado impacta na vida dos habitantes. Estes projectos são pagos pelo gás de Cabo Delgado. Então é importante acreditar e lembrar todos os dias que a vida de todas essas pessoas está a mudar graças a esses projectos de gás, disse Marica Calabrese.
Por seu turno, Gabriele Annis, Embaixador da Itália em Moçambique disse que o seu país estará sempre ao lado de Moçambique neste caminho de paz, crescimento e sustentabilidade.
“O mar, do qual Moçambique possui uma das mais extensas costas de África, com cerca de 2.750 quilômetros de costa incontaminada, e que historicamente ligou as nossas culturas e os nossos povos, continua hoje a unir-nos como símbolo de amizade, confiança e cooperação entre os nossos países”, disse.
O embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Annis, afirmou que o apoio “se insere no novo modelo de cooperação italiana com África”, destacando que Moçambique é uma das prioridades dessa política.
Os memorandos de entendimento para os projectos do meio ambiente e da educação, foram assinados pelo Secretário do Estado na província de Cabo Delgado, representante da ENI e da Agência de Cooperação Italiana.

| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |