A intensificação dos ataques contra imigrantes na África do Sul começa a produzir efeitos que ultrapassam a esfera social e política, alimentando preocupações quanto ao impacto sobre o ambiente de negócios, a confiança dos investidores e a capacidade da maior economia africana de atrair capital estrangeiro.
Numa conjuntura marcada por crescimento económico moderado, elevado desemprego, limitações fiscais e necessidade de maior investimento privado, analistas alertam que a deterioração do ambiente de segurança pode agravar a percepção de risco do mercado sul-africano.
Segundo a agência Reuters, economistas e analistas de mercado defendem que a sucessão de manifestações e episódios de violência contra cidadãos estrangeiros poderá reduzir o apetite dos investidores internacionais, sobretudo daqueles que avaliam novos projectos de investimento directo estrangeiro no país.
A consultora sul-africana ETM Analytics advertiu, citada pela Reuters, que os protestos contra imigrantes representam “o principal risco de curto prazo” para os mercados financeiros do país. A instituição considera que a evolução da crise poderá influenciar o comportamento do rand, aumentar a volatilidade dos activos financeiros e afectar as expectativas dos agentes económicos.
O receio surge numa altura em que a África do Sul procura recuperar o dinamismo económico. O país continua a enfrentar uma das mais elevadas taxas de desemprego do mundo, crescimento económico inferior ao potencial e uma necessidade crescente de mobilizar investimento privado para expandir a capacidade produtiva, modernizar infra-estruturas e estimular a criação de emprego.
O investimento directo estrangeiro desempenha um papel estratégico neste processo. Além da entrada de capitais, contribui para a transferência de tecnologia, desenvolvimento de competências, aumento da produtividade e integração das empresas sul-africanas nas cadeias globais de valor.
Entretanto, os sucessivos episódios de violência contra comerciantes e trabalhadores estrangeiros podem afectar um dos factores mais valorizados pelos investidores: a previsibilidade do ambiente de negócios.
A própria reputação internacional da África do Sul começa a sofrer desgaste. De acordo com a Reuters, membros do Governo sul-africano reconhecem que os ataques xenófobos podem comprometer a imagem do país, afectar empresas nacionais que operam noutros mercados africanos e reduzir o seu poder de influência económica no continente.
O Presidente Cyril Ramaphosa condenou os actos de violência e afirmou que “não permitiremos que grupos utilizem as legítimas preocupações da população para promover a violência e a ilegalidade”, reiterando que a aplicação das leis migratórias compete exclusivamente às instituições do Estado.
Embora os mercados financeiros ainda não tenham registado uma reacção expressiva, economistas consideram que a persistência da violência poderá reflectir-se no custo do financiamento, no comportamento da moeda sul-africana e nas decisões de investimento de empresas multinacionais.
A preocupação estende-se igualmente ao comércio regional. A África do Sul é o maior parceiro económico de vários países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), incluindo Moçambique. Qualquer deterioração do seu ambiente económico pode repercutir-se sobre o comércio transfronteiriço, os fluxos de investimento, as remessas dos trabalhadores migrantes e a integração económica regional.
O Governo da Província de Maputo procedeu, esta segunda-feira, à entrega de duas pontes construídas ao longo da Estrada do KM 16, no município da Matola-Rio, com o objectivo de mitigar o cenário de inundações, que impedia a circulação entre os bairros de Jonasse, Juba e Beluluane. As obras, orçadas em 71,6 milhões de meticais, foram financiadas pela Mozal.
Quem viaja ou reside ao longo da Estrada do KM 16, no município da Matola-Rio, guarda ainda a memória de um passado recente bastante conturbado.
Durante o período das cheias, sobretudo nos meses de Fevereiro, a zona da Estrada do KM 16 ficava completamente inundada. “Os carros não conseguiam passar e, muitas vezes, até os nossos transportes desistiam de atravessar daqui para Beluluane”, contou Silva Miambo, morador do bairro de Jonasse.
As dificuldades atingiam também os alunos, que por várias vezes foram obrigados a reinventar-se para atravessar o charco que se formava no meio da via, interrompendo a ligação entre Jonasse e Beluluane. Asmina Sadmir e Mame Chaluca, estudantes da Escola Secundária de Beluluane, recordaram ao “O País” episódios de um passado difícil.
“As chuvas vinham com força. Quando começava a chover, as águas vinham de longe, cobrindo os caminhos por onde precisávamos passar. Era muito difícil circular. Muitas vezes colocávamos pedras na água para tentar atravessar, ou pedíamos ajuda aos encarregados para conseguirmos passar”, contaram as alunas, de 18 e 19 anos de idade, respectivamente.
Para os líderes comunitários Vitorino Sitoe e Mário Mavie, a conclusão das infra-estruturas representa uma grande vitória e devolve legitimidade à liderança perante as comunidades que representam.
“Havia períodos em que ficávamos um mês inteiro sem conseguir chegar ao outro lado. As crianças tinham dificuldade em ir à escola e, quando alguém adoecia, era praticamente impossível chegar ao hospital”, relatou Vitorino Sitoe.
Já Mário Mavie considera que “esta obra representa uma grande vitória para nós, principalmente para quem é responsável pelo bairro. Agora, podemos dizer que o nosso bairro está melhor. Muita coisa vai mudar”.
Mavie acrescentou ainda que “não se trata apenas desta ponte, temos também uma segunda ponte e, há poucos dias, foi lançado o projecto de pavimentação da via principal. Tudo isto vai contribuir muito para o desenvolvimento do bairro de Jonasse”.
Esta segunda-feira, a vida dos residentes nas proximidades daquela via passa a conhecer mudanças, graças à entrega das duas pontes construídas para mitigar os impactos da época chuvosa. As obras, concluídas em seis meses, foram financiadas pela Mozal, no âmbito da sua política de responsabilidade social, com um investimento total de 71,6 milhões de meticais.
“Hoje, com sentimento de missão cumprida, a Mozal fez a entrega oficial das duas pontes, construídas em parceria com o Governo e com a comunidade, que autorizou a realização das obras. O investimento foi de 71,6 milhões de meticais. As obras foram executadas pela empresa Mota Engil, à qual deixamos o nosso reconhecimento e apreço. Durante a construção, foram criados mais de 80 empregos temporários, incluindo jovens das comunidades locais, contribuindo assim para a geração de rendimento e capacitação técnica”, declarou Samuel Samo Gudo, PCA da Mozal.
A Mozal tem-se afirmado como um parceiro estratégico do Governo da Província de Maputo na materialização de projetos de desenvolvimento local. O governador apelou à continuidade deste apoio, que vai para além das infraestruturas.
Segundo Manuel Tule, “esta realização só foi possível graças ao apoio de um grande parceiro do nosso Governo, a fábrica Mozal que sempre tem estado connosco, desenvolvendo ações que transformam a vida das nossas populações aqui em Matola-Rio. A Mozal já nos habituou a fazer coisas boas pela nossa gente. Este ano inauguramos estas duas pontes e, há poucos meses, lançámos a construção de uma grande escola em Juba.”
O Governo Municipal da Matola-Rio perspectiva dias diferentes e de mudança, em articulação com o projeto de asfaltagem de um troço de cerca de oito quilómetros.
Estas infra-estruturas irão impulsionar o desenvolvimento dos bairros de Juba B, Jonasse e Chinonanquila, garantindo melhor mobilidade, acesso livre, transporte coletivo e atraindo empresas para investir e construir na região.
Tudo isto representa um ganho significativo para o desenvolvimento da Matola-Rio, beneficiando diretamente cerca de 70 mil pessoas residentes nos bairros de Jonasse, Juba e Beluluane.
A província de Nampula só conseguiu distribuir 60% dos dois milhões de livros escolares que estavam previstos para este ano lectivo. A direcção da Educação diz que não recebeu alguns livros e outros ficaram destruídos aquando da passagens de ciclones e ventos fortes.
A província de Nampula esteve longe da meta que estava prevista para o presente ano lectivo em termos de distribuição do livro escolar. A informação foi revelada pelo Director Provincial da Educação, William Tuzine, que disse que havia uma meta de distribuição de cerca de 2 milhões de livros, tendo sido realizada cerca de 60% desse objectivo.
“Alguns livros não recebemos pela parte do Ministério da Educação, principalmente não tivemos alguns livros de monolíngue, como também de língua e principalmente livros da quarta classe e alguns livros da quinta classe. Portanto, não recebemos na totalidade dos livros que a província devia receber”, revelou Tuzine.
O Director Provincial de Educação em Nampula disse que as calamidades naturais foram outro motivo para que o livro não chegasse à sua província. “Também tivemos déficit destes livros por conta das intempéries. Alguns livros acabaram se perdendo naquele período de chuvas e ciclones”, disse.
Para evitar que a mesma situação se verifique no próximo ano, o Governo já iniciou a alocação do livro, sendo que na província de Nampula estão a ser priorizados os distritos com problemas de acessibilidade durante a época chuvosa.
“Nós prevêmos para 2026 distribuir cerca de 4 milhões de livros a nível de toda a província de Nampula e nós já começamos a fazer esse trabalho. Começamos a fazer esse trabalho no mês passado. Já estamos a distribuir os livros para o ano de 2026, já distribuímos cerca de 590 mil livros. Nós escolhemos os distritos que têm tido problemas de acessibilidade, principalmente no período chuvoso”, disse, destacando os distritos de Angoche, Lalaua, Liupo, Mongicual, Larde, Mecubúri, Memba, Erate. “Começamos a distribuir nestes pontos e acredito que até o final deste mês nós iremos concluir com a distribuição dos livros para o ano coletivo de 2026”, prometeu.
Neste processo de distribuição do livro, um camião carregado teve um acidente na semana passada e foram perdidos 100.550 livros. O director da Educação em Nampula tranquiliza e diz que o déficit criado será ultrapassado.
“Nós, a nível do Ministério da Educação, para além de pormos aquele número de livros que é solicitado pelas províncias, nós temos sempre um estoque de segurança para casos de perda, imprevisto, como este que aconteceu, para o distrito de Mongicual e Liupo. São esses livros de reposição imediata, que nós já estamos a carregar, para fazer a reposição”, garantiu William Tuzine.
Com o ano lectivo 2025 já a terminar, os alunos das classes com exames preparam-se para essas avaliações. Ao todo, são 341.022 alunos que serão submetidos aos exames na província de Nampula.
“Nós achamos que as escolas já estão preparadas e os alunos também já estão a preparar os exames, em função das matrizes que nós distribuímos em todas as escolas da nossa província de Nampula”, revelou.
Mas nem tudo é um mar de rosas na província de Nampula. Alguns professores reclamam o pagamento de horas extras, mas William Tuzine tranquiliza e diz que o assunto está a ser tratado no fórum próprio.
“O descontentamento existe, nós temos o famoso caso das horas extras e segunda turma, e temos algumas dívidas de salários com alguns professores. Estamos a conversar com os colegas para que isto não interfira no processo dos exames”, disse Tuzine.
Os exames serão realizados a nível nacional de 20 de Novembro corrente a 12 de Dezembro próximo.
Cerca de duzentas famílias serão reassentadas, para dar lugar à expansão da mina de extracção do carvão mineral da Vulcan, no distrito de Moatize em Tete.
São famílias que as suas residências foram abrangidas pela expansão das actividades de exploração de carvão mineral pela mineradora Vulcan Moçambique, nas comunidades de Ntchenga e Mphandwa, no distrito de Moatize, que terão como novo destino a localidade de Nhamitsatsi situada a cerca de trinta e três quilómetros da cidade de Moatize.
A Secretária de Estado na província de Tete, Cristina Xavier Mafumo, visitou o local onde estão a ser construídas as novas habitações e afirmou que as condições necessárias para acolher os reassentados estão a ser criadas, destacando a importância da mineradora garantir que as famílias tenham acesso a infra-estruturas resilientes e melhores condições de vida.
Segundo a governante, para além de contemplar infra-estruturas sociais, os reassentados poderão beneficiar de alguns projetos de desenvolvimento.
O director executivo da Vulcan, Mukesh Kumar, adiantou que as obras estão em cerca de setenta por cento de execução e estão orçadas em cerca de vinte milhões de dólares.
A mineradora Vulcan assumiu as operações da anterior concessionária, Vale, em Abril de 2022, numa transação avaliada em cerca de 270 milhões de dólares.
Uma menor de 15 anos de idade vivendo em situação de extrema pobreza em Bilene foi aliciada para uma união prematura por mulher de 35 anos, agora fugitiva na África do Sul. O caso eleva para 34 o número de uniões prematuras em Gaza, sendo que a pobreza é apontada como a principal causa para persistência do fenómeno.
A menor de 15 anos vive em uma residência que parece abandonada, a degradar-se e em iminente queda. Maria Eduarda, nome fictício, é uma criança que perdeu os seus pais há seis anos. Uma perda que num piscar de olhos transformou a sua vida num pesadelo, já que se viu obrigada a trocar a escola pelos desafios do lar.
“Foi por não ter condições de estudar, não ter mãe e pai. Não tenho como cuidar de nós, como vê, não há nada”, lamentou.
Agora, em parte incerta, Sara Raida, a vizinha de 35 anos, encontrou uma oportunidade para negociar secretamente a união da menor com um homem residente no interior do distrito de Guijá.
“A Sara Raida vive aqui perto, ela vem de Guijá. Isso que é aqui, tens que fazer o que? Tenho que ir ao lar”, confirmou a vítima.
Apercebendo do desaparecimento da sua neta, a avó materna, Laura Mundlovo, denunciou a intermediária do caso às autoridades locais, que, por sua vez, levaram o assunto às autoridades de justiça do distrito de Bilene.
“A jovem negou as acusações. Levamos o caso ao SERNIC, mas lá voltou a refutar. O caso chegou à procuradoria como forma de pressionar, porque não aceitava revelar a verdade. Só o fez muito tempo depois. Confessou que teria levada a menina [para Guijá]”, disse.
Hortência Timane, oficial de projectos locais de proteção dos direitos da criança, revela como foi possível resgatar e reintegrar a vítima na escola, incluindo o processo que culminou com a condenação de um dos envolvidos.
“Apertado a ela, disse que a rapariga estava em Guijá. O caso foi identificado cá, mas os actos foram consumados em Guijá. Lá foi julgado o processo e o rapaz está nas celas”, revelou Hortência Timane.
De regresso ao seio familiar, a menor diz ter voltado a sonhar e faz um apelo. “Porque voltei à escola, tinha amigas e tudo andou bem”, disse.
Apesar dos números de resgate, as autoridades do Governo sublinham que o quadro das uniões prematuras, sobretudo no distrito de Bilene, é preocupante e exige colaboração de todos.
“Porque infelizmente existem alguns pais que são coniventes para esses casos de uniões prematuras. No distrito de Bilene, no ano de 2024, registramos 20 casos de uniões prematuras. Neste ano, registramos 14 casos. Referir que todos esses casos foram julgados. Conseguimos reintegrar duas raparigas para a escola”, revelou Marcelina Lindonde, Directora de Saúde em Bilene.
De acordo com o fundo das Nações Unidas, o país possui uma das elevadas taxas de uniões prematuras no mundo, e segunda maior taxa na região sul da África.
Acidentes voltam a assombrar as estradas da província de Gaza. Um agente da Polícia e duas mulheres morreram, na madrugada desta segunda-feira, na sequência de um acidente ocorrido no cruzamento de Zondoene, no distrito de Mandlakazi. O excesso de velocidade é apontado como a principal causa do sinistro.
A madrugada desta segunda-feira foi violenta e sangrenta no distrito de Mandlakazi, na província de Gaza. A curva acentuada de Zondoene na via que liga a vila de Mandlakazi ao cruzamento de Chimanganine guarda o eco de mais um acidente brutal, que causou a morte imediata de três pessoas, sendo uma das vítimas um agente da Polícia. O acidente causou ainda a morte de duas pessoas, além de um ferido grave. A informação foi confirmada pelo porta-voz da Polícia da República de Moçambique em Gaza, Júlio Nhamussua.
“Confirmamos a ocorrência desse acidente, que estão envolvidos, no total, quatro indivíduos. Dos quatro, três perderam a vida no local e um, o condutor, está gravemente ferido e, neste momento, encontra-se hospitalizado e já em cuidados intensivos. Foi um acidente que ocorreu, o carro vinha de direção a Manjacaze, em direção ao cruzamento de Chimanganine, chegou num ponto chamado Zondoene, que despistou ao tentar fazer uma curva bem acentuada, tendo saído da estrada, embateu-se com um obstáculo fixo, que é um cajueiro e, daí, não resistiram esses três indivíduos e perderam a vida no local”, explicou.
De acordo com testemunhas, o condutor teria tentado, sem sucesso, descrever a curva, e nisto a viatura despistou e embateu violentamente contra um cajueiro.
O porta-voz da PRM em Gaza, Júlio Nhamussua, avança como principal causa do sinistro o excesso de velocidade.
“É um acidente que envolve alguns colegas nossos e, por sinal, profissionais da mesma área que tutelam pelas estradas nossas vias na República de Moçambique. Então, é de lamentar quando nós recebemos notícias de que pessoas bem informadas e se envolvem em acidentes como tais”, considerou.
O País sabe que o motorista da viatura envolvida no sinistro, por sinal um agente da polícia de trânsito, foi socorrido e luta pela vida no Hospital Provincial de Xai-Xai. E, sobre o estado clínico do paciente, as autoridades de saúde prometem detalhes nesta terça-feira.
A União Africana condenou os ataques terroristas, agravamento da violência no Mali e apelou apoio internacional contra o terrorismo na região do Sahel.
O presidente da Comissão da organização, Mahmoud Ali Youssouf, expressou preocupação com o aumento da insegurança e com os recentes raptos de civis, incluindo três cidadãos egípcios.
Em comunicado divulgado neste domingo, a União Africana denunciou o bloqueio imposto por grupos islâmicos armados, que tem dificultado o acesso da população a alimentos e combustível, agravando a crise humanitária.
O Mali, governado actualmente por uma junta militar, é um dos países mais afectados pelo avanço do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos, ligado à Al-Qaeda e activo em toda a região do Sahel.
A violência espalha-se também por países vizinhos, como o Níger e o Burkina Faso, que formaram, junto com o Mali, a Aliança dos Estados do Sahel para combater o extremismo.
Face a este cenario, a Uniao Africana apela à comunidade internacional por uma resposta conjunta e coordenada contra o terrorismo na região.
O sol ainda mal nascia sobre o bairro de Macharre, na cidade de Inhambane, quando dezenas de moradores decidiram interromper as obras de perfuração de furos de água em protesto contra aquilo que dizem ser o esquecimento prolongado por parte das autoridades.
Com semblantes de revolta e cansaço acumulado, os residentes erguem uma exigência simples, mas carregada de simbolismo: querem energia elétrica. Afirmam estar cansados de viver às escuras, enquanto veem as máquinas do empreiteiro contratado pela Empresa Águas da Regiões Sul (AdRS) a trabalhar com energia na mesma zona, sem qualquer benefício direto para a comunidade.
A fúria não surgiu do nada. Segundo os populares, há anos pedem a expansão da corrente elétrica para as suas casas, mas garantem que os pedidos caem sistematicamente no vazio. Para eles, a paciência acabou. “Nós estamos a reclamar já há algum tempo, há alguns anos, sobre questões de energia”, começa por desabafar Manuel Januário, morador de Macharre. “Estamos na periferia da cidade, mas não temos energia. A energia é expandida nos sítios onde até já existe. Nós aqui continuamos no escuro.”
À medida que as escavadoras se aproximavam das áreas de perfuração, os moradores juntaram-se em frente às obras, bloquearam o acesso e exigiram uma solução imediata.
“Essa empresa veio explorar aqui os nossos recursos. Eles trazem energia e conseguem abastecer apenas o projeto deles. Não expandem para as nossas casas, nem como parte da responsabilidade social”, explica Manuel, apontando para o posto de transformação instalado junto ao local da obra. “Nós sabemos que uma empresa, quando explora recursos numa determinada zona, tem uma responsabilidade social. A nossa é simples: queremos energia.”
O protesto paralisou os trabalhos da Empresa Águas da Regiões Sul (AdRS), que visavam reforçar o sistema de abastecimento de água na cidade de Inhambane. Mas para os moradores, o desenvolvimento não pode chegar apenas em parte.
“Se têm energia para o projeto, também podem ligar para as nossas casas. É injusto ver a luz a passar por cima das nossas cabeças e continuar a viver às escuras”, diz uma residente que preferiu não se identificar, olhando para o cabo eléctrico que alimenta a maquinaria da obra.
Os populares afirmam que esta não é a primeira vez que tentam dialogar com as autoridades.
Segundo Manuel Januário, houve promessas formais da edilidade, que nunca se concretizaram. “O vereador veio aqui e prometeu que até dia 31 do mês passado íamos ter energia. Esperámos. Passou uma semana e nada aconteceu. Então, só vamos sair daqui quando a energia for ligada. É a única condição”, afirmou, enquanto segurava uma enxada que usou para barricar a estrada.
O tom do protesto é firme, mas os moradores garantem que não pretendem destruir nada. “Nós não estamos aqui para destruir. Se quiséssemos, já o teríamos feito há muito tempo. Há máquinas, há o posto de transformação, há tudo. Mas a nossa luta é pela luz, não pela destruição”, defende Januário, respondendo aos rumores de que o grupo teria ameaçado incendiar o equipamento. “Nunca foi nossa intenção vandalizar. Mas quando se fala e ninguém ouve, às vezes é preciso pressionar. É só isso.”
A paralisação, que se estende há dois dias, deixou apreensivos os técnicos no terreno e obrigou as autoridades municipais a procurar uma solução imediata para evitar maiores confrontos.
Fontes próximas ao processo revelam que decorrem conversações entre representantes do município, da Empresa Eletricidade de Moçambique (EDM) e líderes comunitários para tentar desbloquear a situação. O objectivo é encontrar um entendimento que permita retomar as obras sem ignorar as reivindicações locais.
O protesto em Macharre expõe um dilema recorrente em várias comunidades moçambicanas: o desequilíbrio entre grandes investimentos públicos e a falta de benefícios diretos para as populações locais.
Para muitos, o desenvolvimento só faz sentido quando chega à porta de casa — e para os moradores de Macharre, viver no escuro é o símbolo mais doloroso da exclusão. “É difícil aceitar que a cidade tem energia e nós, aqui ao lado, não. Queremos trabalhar, queremos estudar, queremos viver com dignidade. E isso só é possível com energia elétrica”, resume uma moradora, mãe de três filhos, que confessa usar velas todas as noites para que as crianças possam fazer os deveres escolares.
As autoridades locais, contactadas pelo O País, reconheceram a tensão e garantem estar a trabalhar para encontrar um compromisso que permita dar resposta à população, sem comprometer os investimentos em curso.
Enquanto se aguardam decisões, o estaleiro permanece vazio e silencioso. As máquinas estão paradas, cercadas pelos residente que prometem não arredar pé até verem as suas casas ligadas à rede elétrica.
No final da conversa, Manuel Januário volta a reforçar o sentimento colectivo do bairro: “Não queremos confusão. Queremos apenas o que é justo. Se o progresso chegou até aqui, que também nos inclua.”
Enquanto o impasse persiste, o bairro de Macharre continua dividido entre o barulho das maquinas que tocam a obra e o silêncio das casas ainda às escuras. Um contraste que traduz, em pleno, o grito de uma comunidade que quer deixar de ser apenas espectadora do progresso para se tornar parte dele.
Corpo de um jovem que aparenta ter pouco mais de 30 anos de idade foi encontrado, ontem, numa oficina nas imediações do mercado grossista do Zimpeto. Testemunhas dizem tratar-se de um morador de rua.
A manhã de domingo (ontem) foi sombria para os proprietários de uma das oficinas, na Cidade de Maputo, que viram um dia de trabalho cancelado devido à presença de um corpo.
O proprietário da oficina, Azarias Matusse, conta que estava saiu de casa para fazer um trabalho, quando recebeu a informação.
“Eu fui ligado com o meu irmão, por volta de sete e tal para as oito horas, dizendo que tem um corpo aqui no estabelecimento. Quando vim encontrei já a polícia. Nada mais fiz do que me afastar e ver de longe.
Identificado apenas por France, testemunhas contam que o finado era um morador de rua. Uma das testemunhas, de nome José Savanguane, diz que o conhecia de vista, durante os trabalhos manuais e de diversão.
“Não sei o que aconteceu. Quando lhe vi estava cheio de sangue, não sei o que aconteceu com ele. Era um dos meus amigos com o qual ficamos juntos algumas vezes. Ele trabalhava dentro do mercado grossista”, contou.
Segundo contam, esta não é a primeira vez que jovens se deslocam às oficinas ao redor para passar a noite, mas desta vez o azar caiu para a família Matusse.
Cinco horas depois de descoberto o corpo, uma brigada do Serviço Nacional de Investigação Criminal fez-se ao local para a remoção e esclarecimento do caso.
O Presidente do Sindicato Nacional do Jogador Moçambicano (SNJM), António (Tony) Gravata, marcou presença no FIFA Professional Players Consultation Fórum, evento que decorreu no sábado, em Rabat, Marrocos, reunindo representantes de alguns sindicatos de jogadores de todo o mundo.
Esta participação reflete a estreita colaboração institucional entre o SNJM e a Federação Moçambicana de Futebol (FMF), que assegurou a comunicação e coordenação para a participação moçambicana, reforçando o compromisso conjunto pelo desenvolvimento harmonioso do futebol nacional.
O fórum, dirigido pelo Presidente da FIFA, Gianni Infantino, contou com a presença de George Weah, na qualidade de Presidente do Painel, e teve como objectivo discutir questões centrais que afectam os jogadores profissionais no futebol moderno. Entre os temas em destaque, foi também debatida a cooperação entre a FIFA e os sindicatos de jogadores, o Fundo FIFA para Jogadores Profissionais, a representação sindical nos órgãos da FIFA, o apoio ao desenvolvimento de sindicatos, bem como assuntos legais ligados ao Regulamento sobre o Estatuto e Transferência de Jogadores (RSTP), NDRCs, contratos padrão e o Tribunal do Futebol da FIFA.
O fórum abordou ainda questões relacionadas com o descanso e recuperação dos jogadores, além de novas perspectivas de colaboração entre entidades representativas dos atletas.
Esta participação reafirma o compromisso do SNJM e da FMF em defender os direitos dos jogadores moçambicanos e em alinhar o futebol nacional com as melhores práticas internacionais.

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