A Direcção Provincial do Género, Criança e Acção Social em Gaza confirma dois casos de violência contra menores e anuncia investigação à familiares e diagnóstico social para determinar quem poderá garantir a segurança das crianças. Num dos casos, uma avó é acusada de agredir e obrigar uma criança a ingerir as próprias fezes.
Os dois casos de violência contra menores, registadas esta Terça-feira preocupam as autoridades da área da criança em Gaza, que dizem estar a trabalhar para garantir a protecção das vítimas depois da detenção das pessoas acusadas dos maus-tratos.
O primeiro caso envolve uma criança proveniente da província de Inhambane, que terá enfrentado de acordo com Chefe de Departamento de Criança, dificuldades em utilizar correctamente a sanita, situação que terá sido incompreendida pela avó com quem vivia.
“Esta avó não compreendeu que aquela prática resultava da inocência da criança, do desconhecimento do procedimento do uso do autoclismo”, explicou Nhabete.
A incompreensão da situação terá resultado em agressões e na obrigação de a criança ingerir as próprias fezes.
“Violentava a criança e inclusive obrigava a criança para comer aquela sujeidade”, revelou o responsável.
No outro caso, uma mãe é acusada de maltratar e agredir o próprio filho de várias formas.
As duas mulheres de 38 e 30 anos de idade estão detidas, entretanto, as autoridades dizem que ainda é necessário apurar se existe outra pessoa que possa representar perigo para as crianças no meio familiar.
É neste contexto que está a ser realizado um diagnóstico social mais aprofundado, com o objectivo de avaliar o ambiente familiar e determinar quem deverá ficar responsável pelas vítimas.
A Direcção Provincial do Género, Criança e Acção Social diz que a prioridade é identificar um espaço onde as crianças possam permanecer em segurança e receber a devida protecção.
A Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ) e a Embaixada da Suécia, em Maputo, promoveram hoje, uma “mesa-redonda”, dedicada ao tema “Avanço dos Direitos das Mulheres, Proteção e Segurança Sensível ao Género em Moçambique.”
A mesa-redonda, organizada no âmbito do Mês da Mulher em Moçambique, teve como objectivo aprofundar a compreensão partilhada sobre a forma como os direitos das mulheres se articulam com os direitos humanos, a segurança nacional e a resiliência comunitária em Moçambique. Os participantes analisaram os impactos dos conflitos, do extremismo violento e dos choques climáticos sobre mulheres e raparigas, em particular na região do Norte do país.
Paralelamente, visou reforçar a coordenação e o diálogo entre actores militares, instituições civis e parceiros internacionais no domínio da protecção com perspectiva de género e da construção da paz.
Nesta iniciativa, foram identificadas acções práticas, que promovem a participação das mulheres em iniciativas de segurança, paz e recuperação, e culminou na formulação de recomendações concretas alinhadas com o tema do Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de Março de 2026: “Direitos, Justiça e Ação para Todas as Mulheres e Raparigas”.
Estiveram presentes no evento, elementos das Forças Armada de Defesa de Moçambique (FADM), diversos estados-membros da União Europeia, agência das Nações Unidas e Organizações da Sociedade Civil, incluindo organizações lideradas por mulheres.
A EUMAM MOZ esteve representada pelo Tenente-Coronel Dominik Horn, Assessor de Género, acompanhado por elementos da Missão, e a Embaixada da Suécia pelo Embaixador Andrés Jato, reforçando desta forma, o compromisso da União Europeia com a integração da perspetiva de género nas suas atividades.
Os transportadores da província de Sofala queixam-se de interferência negativa de alguns concorrentes estrangeiros, que operam de forma ilegal, definindo os preços no mercado, o que pode levar os associados a falência. Os mesmos optam pela prática de pagamentos em numerário, cujas divisas não passam pelo Banco Central.
De acordo com a Associação dos Transportadores Rodoviários de Carga de Sofala (ASTROS), os transportadores nacionais cada dia que passa estão a perder o poder de decisão.
O presidente da ASTROS, que falava no final de um encontro dos associados com objectivo de encontrar soluções aos desafios que a classe enfrenta actualmente, explicou que este facto acontece porque o sector está infestado de transportadores estrangeiros desonestos.
A Associação dos Transportadores Rodoviários de Carga de Sofala indicou que há outros problemas que contribuem para fragilizar a classe, nomeadamente a emissão de permit.
A Associação dos Transportadores Rodoviários de Carga de Sofala terminou chamando atenção ao Governo para se relacionar com os mesmos como parceiros fundamentais na cadeia logística.
A Assembleia-Geral da ONU aprovou, nesta quarta-feira, uma resolução que declara o tráfico de africanos escravizados e a escravização racializada como o “crime mais grave contra a humanidade” e defende reparações históricas.
O texto, apresentado à Assembleia pelo Gana e co-patrocinado por dezenas de Estados-membros da ONU, obteve 123 votos a favor, três contra e 52 abstenções dos 193 Estados-membros da ONU.
“Esta resolução envia uma mensagem muito clara de que a comunidade internacional não mais tolerará impunidade, de que a comunidade internacional aposta por justiça, de que a comunidade internacional e o sistema multilateral que formamos, não importa quanto tempo demore, o dia da reconquista chegará”, disse Samuel Ablakwa, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana.
Votaram contra, os Estados Unidos da América, Israel e a Argentina. Portugal, Reino Unido, Espanha e França estão entre os países que se abstiveram.
Entre os Estados que co-patrocinaram a resolução estão Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe.
Entre os restantes membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, também Brasil e Timor-Leste votaram a favor.
A resolução aprovada insta os Estados-membros da ONU a considerarem pedir desculpa pelo tráfico de escravos e a contribuírem para um fundo de reparações.
A mesma pede medidas de restituição, compensação, reabilitação, satisfação, garantias de não repetição e alterações às leis, programas e serviços para combater o racismo e a discriminação sistémica.
Apela à restituição imediata e sem entraves dos bens culturais, objectos de arte, monumentos, peças de museu, artefactos, manuscritos e documentos, e arquivos nacionais que tenham valor espiritual, histórico, cultural ou de outra natureza para os países de origem, sem custos.
Está novamente interrompida, desde às 9 horas desta quinta-feira, a circulação na Estrada Nacional Número Um (EN1), na zona de Nguluzane, em Xai-Xai, na província de Gaza, na sequência do transbordo do Rio Limpopo. Trata-se do segundo corte em menos de 24 horas.
A EN1 encontra-se, desde as 9 horas, desta quinta-feira, intransitável. Segundo o presidente do Conselho Municipal de Xai-Xai, Ossemane Adamo, o corte da via resultou da força das águas, que provocaram o agravamento de uma infra-escavação nas margens.
“A cidade enfrenta uma nova vaga de inundações, provocada pela subida do caudal do rio Limpopo, por isso, desta a via está interdita para dar lugar a trabalhos de reparação do rombo provocado pela corrente”, avançou o edil Ossemane Adamo.
As águas ganharam terrenos na baixa, elevando para 10 o número de bairros alagados.
O número de afectados continua a aumentar. De acordo ossemane Adamo, mais de 5 mil pessoas já abandonaram a cidade, enquanto mais de 10 mil pessoas permanecem nas áreas de risco.
O presidente do Conselho Municipal reforça apelos para a imediata saída das famílias que ainda se encontram na zona baixa.
Já são conhecidos os quatro nomes que concorrem a sucessão de Carlos Martins. São eles: Thera Rosalina, Joaquim Dai, Staylier Marroquim, Pedro Gomes Macaringue e Samuel dos Santos Hlavanguane.
As eleições, que vão também eleger a Mesa da Assembleia Geral, o Conselho Nacional, o Conselho Jurisdicional e Conselhos Provinciais, estão marcadas para 25 de Abril do corrente ano.
A promoção do empreendedorismo juvenil tem-se afirmado como uma das estratégias fundamentais para combater o desemprego em Moçambique. Neste contexto, a Fundação para o Desenvolvimento da Competitividade Empresarial (FUNDEC) lançou uma iniciativa de apoio a projectos liderados por jovens, com financiamento que pode atingir um milhão de meticais.
O principal objectivo do projecto é estimular iniciativas com potencial de impacto económico e social. Segundo Agostinho Vuma, presidente da FUNDEC, a proposta visa “identificar e alavancar iniciativas juvenis com a capacidade de gerar emprego para outros jovens”, contribuindo directamente para a redução do desemprego no País.
Trata-se, portanto, de uma abordagem que não apenas apoia empreendedores individuais, mas também incentiva a criação de oportunidades para terceiros.
Para além do financiamento a projectos juvenis, a FUNDEC estende o seu apoio ao sector da comunicação social, através da atribuição de prémios a jornalistas de investigação.
Esta componente, segundo disse Vuma, reforça a importância da transparência e do jornalismo de qualidade no desenvolvimento socioeconómico, reconhecendo o papel da imprensa na promoção da boa governação.
A iniciativa foi bem acolhida pelo Governo, que manifestou abertura para colaborar na sua implementação.
O ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, destacou que “esta acção que a FUNDEC traz é mais uma acção muito importante que deve ser acarinhada”, sublinhando ainda a necessidade de mobilizar mais empresários para apoiar este tipo de programas.
Segundo o governante, Moçambique possui um grande potencial empreendedor, afirmando que “temos muitos jovens empreendedores em todos os cantos deste País”.
Entretanto, o contexto económico em que a iniciativa surge apresenta desafios significativos. A saída de grandes empresas do mercado nacional, como a Mozal, levanta preocupações quanto ao impacto no emprego e no crescimento económico.
Conforme foi referido por Agostinho Vuma, “há preocupação em relação ao nível de emprego que vai se colocar no mercado”, evidenciando os riscos associados à redução da actividade industrial.
Além disso, a importância dessas grandes empresas para a economia nacional é considerável. Dados indicam que a saída da Mozal representa cerca de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB), o que reforça a necessidade de estratégias alternativas para dinamizar a economia.
Nesse sentido, iniciativas como a da FUNDEC tornam-se ainda mais relevantes, ao promoverem o empreendedorismo como mecanismo de mitigação dos efeitos do desemprego.
O apoio às iniciativas juvenis surge como uma resposta estratégica aos desafios económicos enfrentados por Moçambique. Ao incentivar o empreendedorismo e a inovação, a FUNDEC contribui para a criação de emprego e para o fortalecimento do tecido empresarial, ao mesmo tempo que reforça o papel da juventude como agente central no desenvolvimento do País.
As recentes cheias no município de Xai-Xai, na província de Gaza, têm provocado perdas humanas, destruição de bens e um agravamento significativo das condições de vida das populações afectadas. A situação revela, não apenas a vulnerabilidade das comunidades às intempéries, mas também os desafios enfrentados na gestão de desastres naturais.
Um dos episódios mais trágicos foi a morte de um jovem de 24 anos, arrastado pela corrente enquanto tentava pescar numa vala no bairro de Nguluzane. Segundo relatos, o jovem encontrava-se numa embarcação improvisada quando ocorreu o incidente, evidenciando o risco a que muitos se expõem em busca de meios de subsistência. Segundo referiu uma testemunha, “um jovem perdeu a vida” ao tentar aproveitar os recursos disponíveis, mesmo em condições perigosas.
Apesar dos alertas das autoridades, muitos residentes continuam a desafiar as águas, motivados pela necessidade económica. A própria população reconhece o risco, mas justifica a prática afirmando que depende da pesca para sobreviver: “a gente está esperando aquele peixe, porque se não tivermos, a gente não vai apanhar caril cá”, disse um residente.
Essa realidade demonstra o dilema entre segurança e sobrevivência enfrentado pelas comunidades locais.
As cheias também afectaram gravemente a mobilidade e a infra-estrutura. A interrupção de vias rodoviárias deixou centenas de pessoas retidas por várias horas, gerando pânico e transtornos.
Segundo relatou Maria Sambol: “estou aqui desde há umas quatro horas”, ilustrando as dificuldades enfrentadas pelos utentes da via. Muitos foram obrigados a percorrer longas distâncias a pé, carregando bens, como forma de contornar o bloqueio.
O impacto social das inundações é igualmente alarmante. Estima-se que cerca de “5 mil famílias perderam tudo num piscar de olhos”, ficando sem abrigo, bens e meios de subsistência, tal como disse Ossemane Adamo, edil de Xai-Xai.
Em vários bairros, a situação continua a agravar-se, com o nível da água a subir e a incerteza a dominar o quotidiano das populações. Como relatam alguns residentes, “não sabemos o que vai acontecer amanhã”, evidenciando o clima de insegurança e desespero.
As autoridades locais indicam que pelo menos nove bairros estão alagados, com milhares de pessoas já deslocadas para centros de acolhimento. Contudo, os desafios logísticos são enormes. Há riscos iminentes de interrupção de serviços essenciais, como energia e abastecimento de água, e limitações nos meios de socorro. Conforme alertou Jeremias Mazoio, administrador da ANE em Gaza, “não temos helicópteros na província para poder fazer socorro via aérea”, o que dificulta operações de emergência.
Outro factor preocupante é a degradação das infra-estruturas de protecção, como diques e barreiras. Regista-se a existência de vários pontos de ruptura, com destaque para “um total de oito rombos no dique”, o que contribui para a progressão descontrolada das águas. Esforços estão a ser feitos com recurso a sacos de areia para conter a situação, mas os resultados ainda são limitados.
Além disso, o isolamento de comunidades agrava a crise humanitária. Mais de 14 mil pessoas enfrentam dificuldades de acesso à cidade, essencial para o abastecimento de bens básicos e serviços. Muitas dessas famílias dependem da agricultura e do comércio local, actividades severamente afectadas pelas cheias.
A situação em Xai-Xai evidencia uma crise multifacetada, que combina tragédia humana, vulnerabilidade social e limitações estruturais. A resposta a este cenário exige não apenas medidas de emergência, mas também estratégias de longo prazo para mitigar os efeitos de eventos climáticos extremos e reforçar a resiliência das comunidades.
Moçambique precisa de investir em infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias eficientes para reduzir o tráfego e o tempo de espera nos corredores logísticos, segundo o sector privado. Os patrões falavam no seminário sobre o Desenvolvimento do Corredor Logístico do Norte, com participação do Japão.
Novas ideias de investimentos e negócios podem sair dessa sala, onde estão reunidos empresários moçambicanos e japoneses a discutir o desenvolvimento do Corredor Logístico do Norte.
O porto de Nacala tem uma capacidade de manuseamento de carga equivalente a 252 mil contentores, que, segundo o sector privado, é de extrema importância para a viabilização dos negócios.
Para o feito, a melhoria das vias e expansão da capacidade de manuseamento de carga é urgente, daí que a cooperação com o Japão é vista como impulsionadora do crescimento económico.
Já o embaixador do Japão reconheceu o valor estratégico do porto de Nacala, sobretudo para o desenvolvimento da região Norte.
Em representação do Governo, a secretária de Estado da Indústria e Comércio apontou reformas legais feitas pelo Estado para melhorar o ambiente de negócios e atrair mais investimento estrangeiro.
Moçambique empenha-se em consolidar o Porto de Nacala e o respectivo corredor logístico como uma plataforma de integração económica regional e materialização da Zona de Comércio Livre Continental Africana.
A primeira-ministra desafia os investigadores a desenvolverem pesquisas científicas viradas ao desenvolvimento económico, social e cultural do país. As declarações foram feitas hoje, em Maputo, por Benvinda Levi, durante a abertura da conferência de Jovens Investigadores da CPLP.
Maputo acolhe, de 25 a 27 de Março, a quarta Conferência de Jovens Investigadores da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, um evento com o objectivo de promover o uso da ciência na governação.
Cristina Molares, presidente da Associação de Jovens Investigadores da CPLP, fala do evento como uma oportunidade para pôr a ciência a serviço do desenvolvimento.
“A ciência e a política muitas vezes encontram-se em tensão e conflito. No entanto, sem ciência não há desenvolvimento sustentável. É essencial compreender que todos partilhamos um objetivo comum. Ultrapassar as dificuldades crónicas e contribuir para uma África muito marcada de desgraças. Até agora usamos as políticas sem a ciência. Não está a dar certo. Devemos passar a pôr a ciência a nosso favor, mas desta vez, não a ciência importada”, defendeu.
A primeira-ministra, que esteve em representação do Presidente da República, desafiou os jovens investigadores a usarem a ciência para o desenvolvimento do país.
“Que as vossas pesquisas e investigações não se limitem apenas a relatórios académicos e teóricos, pois devem propor soluções práticas e concretas que contribuam para a melhoria da vida social e económica das comunidades, concorrendo, desta forma, para o desenvolvimento sustentável e inclusivo dos nossos países”, disse Benvinda Levi.
No domínio da inovação tecnológica, Levi deixou apelos aos pesquisadores.
“Hoje a inteligência artificial aparentemente resolve todos os problemas, mas é preciso também ver os desafios que ela nos coloca, os riscos que ela traz. Facilita-se a vida, mas não resolve tudo.”
O presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, reafirmou, por seu turno, a aposta da edilidade na valorização do conhecimento como motor de desenvolvimento.
Rasaque Manhique falava na abertura da IV Conferência de Jovens Investigadores da CPLP-ÁFRICA, um evento que decorre até sexta-feira, sob o lema “Diversidade cultural, inovação digital e saberes ancestrais: construindo futuros sustentáveis em África”.
Nos três dias da conferência, haverá apresentação de 60 trabalhos de jovens da CPLP, virados para as pesquisas para o desenvolvimento.