A intensificação dos ataques contra imigrantes na África do Sul começa a produzir efeitos que ultrapassam a esfera social e política, alimentando preocupações quanto ao impacto sobre o ambiente de negócios, a confiança dos investidores e a capacidade da maior economia africana de atrair capital estrangeiro.
Numa conjuntura marcada por crescimento económico moderado, elevado desemprego, limitações fiscais e necessidade de maior investimento privado, analistas alertam que a deterioração do ambiente de segurança pode agravar a percepção de risco do mercado sul-africano.
Segundo a agência Reuters, economistas e analistas de mercado defendem que a sucessão de manifestações e episódios de violência contra cidadãos estrangeiros poderá reduzir o apetite dos investidores internacionais, sobretudo daqueles que avaliam novos projectos de investimento directo estrangeiro no país.
A consultora sul-africana ETM Analytics advertiu, citada pela Reuters, que os protestos contra imigrantes representam “o principal risco de curto prazo” para os mercados financeiros do país. A instituição considera que a evolução da crise poderá influenciar o comportamento do rand, aumentar a volatilidade dos activos financeiros e afectar as expectativas dos agentes económicos.
O receio surge numa altura em que a África do Sul procura recuperar o dinamismo económico. O país continua a enfrentar uma das mais elevadas taxas de desemprego do mundo, crescimento económico inferior ao potencial e uma necessidade crescente de mobilizar investimento privado para expandir a capacidade produtiva, modernizar infra-estruturas e estimular a criação de emprego.
O investimento directo estrangeiro desempenha um papel estratégico neste processo. Além da entrada de capitais, contribui para a transferência de tecnologia, desenvolvimento de competências, aumento da produtividade e integração das empresas sul-africanas nas cadeias globais de valor.
Entretanto, os sucessivos episódios de violência contra comerciantes e trabalhadores estrangeiros podem afectar um dos factores mais valorizados pelos investidores: a previsibilidade do ambiente de negócios.
A própria reputação internacional da África do Sul começa a sofrer desgaste. De acordo com a Reuters, membros do Governo sul-africano reconhecem que os ataques xenófobos podem comprometer a imagem do país, afectar empresas nacionais que operam noutros mercados africanos e reduzir o seu poder de influência económica no continente.
O Presidente Cyril Ramaphosa condenou os actos de violência e afirmou que “não permitiremos que grupos utilizem as legítimas preocupações da população para promover a violência e a ilegalidade”, reiterando que a aplicação das leis migratórias compete exclusivamente às instituições do Estado.
Embora os mercados financeiros ainda não tenham registado uma reacção expressiva, economistas consideram que a persistência da violência poderá reflectir-se no custo do financiamento, no comportamento da moeda sul-africana e nas decisões de investimento de empresas multinacionais.
A preocupação estende-se igualmente ao comércio regional. A África do Sul é o maior parceiro económico de vários países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), incluindo Moçambique. Qualquer deterioração do seu ambiente económico pode repercutir-se sobre o comércio transfronteiriço, os fluxos de investimento, as remessas dos trabalhadores migrantes e a integração económica regional.
Moçambique surge como o país pior classificado entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) no Índice de Percepção da Corrupção (CPI) 2025, divulgado esta terça-feira pela organização Transparência Internacional.
O relatório, citado pela DW, revela que até democracias tradicionalmente associadas a elevados padrões de integridade, como os Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Suécia, registam um recuo significativo no combate à corrupção, evidenciando uma tendência global de deterioração da governação pública.
Na sua 31.ª edição, o CPI avaliou mais de 180 países e territórios com base na percepção da corrupção no sector público. Um dos dados mais preocupantes é a redução acentuada do número de países com pontuação superior a 80 pontos, anteriormente considerado um patamar de boa governação, que passou de 12, há cerca de 10 anos, para apenas cinco em 2025.
Entre os PALOP, Cabo Verde destaca-se como o país melhor posicionado, com 62 pontos. Seguem-se São Tomé e Príncipe, com 43 pontos, e Angola, que obteve 32 pontos, situando-se na média da África Subsaariana. Guiné-Bissau e Moçambique ocupam as últimas posições, ambos com 21 pontos.
O relatório assinala progressos em países como Angola, que registou uma subida de 17 pontos desde 2015, fruto de reformas e iniciativas de combate à corrupção. No entanto, segundo a Transparência Internacional, uma parte significativa da população angolana considera que os esforços governamentais continuam a ser insuficientes, existindo ainda receios de represálias contra cidadãos que denunciam práticas corruptas.
A nível global, a Dinamarca mantém-se no topo do índice pelo oitavo ano consecutivo, com 89 pontos, seguida da Finlândia (88) e de Singapura (84). Apesar disso, a Transparência Internacional critica a falta de uma liderança firme no combate à corrupção à escala mundial.
O líder da Aliança Democrática (AD) da África do Sul, John Steenhuisen, afirmou que não se recandidata em Abril, uma decisão que pode ameaçar a estabilidade do governo de coligação A/AD, o segundo maior partido da África do Sul, que formou uma coligação com o seu principal rival, o Congresso Nacional Africano (ANC), em 2024, depois de o ANC ter perdido a maioria parlamentar.
Steenhuisen assumiu a liderança da AD em 2019 e ocupa actualmente o cargo de ministro da Agricultura no Governo do Presidente Cyril Ramaphosa. Esperava-se que o político de 49 anos se voltasse a candidatar, mas, segundo consta, foi forçado a abandonar a candidatura devido a várias polémicas.
“Durante o resto deste mandato, dedicarei todo o meu tempo e energia, como ministro da Agricultura, a combater o surto de febre aftosa mais devastador que o nosso país já viu”, declarou em conferência de imprensa. Steenhuisen iniciou a sua carreira política aos 22 anos, quando foi eleito para o conselho da cidade portuária de Durban pelo Partido Democrático, antecessor da Aliança Democrática (AD).
Ascendeu na liderança local e regional do partido antes de se tornar líder do partido que tradicionalmente tem uma base de apoio branca, duas décadas depois. Foi amplamente divulgado que Steenhuisen iria concorrer sem oposição à liderança na próxima conferência da AD.
Mas parece que uma série de questões o levaram a decidir não o fazer, incluindo o seu desentendimento com outro membro sénior da AD, o ex-ministro dos Assuntos Ambientais, Dion George, e algumas alegações de que teria abusado do seu cartão de crédito partidário.
Foi também criticado pela sua gestão do surto de febre aftosa, com os agricultores a acusarem o seu departamento de ser um “obstáculo numa crise”, de acordo com o site sul-africano News24. O país tem lutado nos últimos quatro anos para conter o vírus altamente infeccioso que se espalhou agora pela maioria das províncias do país, afectando gravemente a indústria pecuária.
Sob a liderança de Steenhuisen, o partido AD concordou em juntar-se ao ANC como o seu maior parceiro no governo de unidade nacional há quase dois anos. Foi um momento histórico para o país, uma vez que o ANC, o partido que instaurou o regime democrático em 1994 com Nelson Mandela e pôs fim ao regime da minoria branca, tinha perdido a sua maioria parlamentar.
Nenhum dirigente da AD anunciou, por enquanto, a sua candidatura ao cargo máximo, mas o presidente da Câmara da Cidade do Cabo, Geordin Hill-Lewis, tem sido apontado como um possível sucessor. Steenhuisen e Hill-Lewis são próximos e este último afirmou repetidamente que não iria concorrer contra o seu amigo, de acordo com o site de notícias TimesLive.
Esta mudança, no Ministério da Agricultura, surge numa altura em que o país enfrenta o pior surto da doença que infecta os rebanhos de bovinos, mas a primeira vacina produzida localmente pode tornar-se uma grande aliada no combate à doença. Para os criadores de gado sul-africanos, os últimos meses têm sido uma batalha cada vez mais desesperada. Actualmente a enfrentar o pior surto de febre aftosa em décadas, lutam para proteger os seus rebanhos da infecção.
Mas o Governo sul-africano quer agora inverter a situação. Até então, o país precisava de importar a maior parte das vacinas contra a doença. Pela primeira vez em 21 anos, as vacinas contra a febre aftosa estão a ser novamente produzidas localmente, segundo um anúncio feito na sexta-feira. O primeiro lote contém 12.900 doses multicepas.
O Governo anunciou, também, um plano multifásico para retomar o controlo da situação e aliviar o stress dos produtores pecuários. Até ao final de Janeiro, foram vacinados cerca de dois milhões de animais. As vacinas produzidas localmente visam acelerar a campanha de vacinação. Até Março, o Governo espera ter mais 5 milhões de doses de vacina disponíveis. Até Janeiro de 2027, o ambicioso plano deverá ter reduzido os surtos em mais de 70 por cento nas zonas de alto risco, como esperam as autoridades.
O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) alerta para um risco elevado de cheias e inundações em várias bacias hidrográficas do país, na sequência da previsão de impacto da tempestade tropical Gezani na costa moçambicana, entre os dias 13 e 14 de Fevereiro de 2026.
De acordo com um comunicado especial do Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), baseado em previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) e da Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH), o sistema poderá afectar os distritos costeiros das províncias de Sofala, Inhambane e Gaza, agravando o cenário hidrológico já sensível nesta época chuvosa.
O INGD coloca em situação de risco alto as bacias costeiras de Inhanombe, Mutamba, Save e Limpopo, enquanto as bacias dos rios Incomati e Umbelúzi apresentam risco moderado. Face a este cenário, o Conselho Técnico de Gestão e Redução do Risco de Desastres (CTGRD) activou acções antecipadas para ciclones, sobretudo para a província de Sofala e regiões do sul do país.
Entre as principais medidas recomendadas estão o reforço da segurança das habitações, a identificação de locais seguros para abrigo, a preparação de kits básicos de sobrevivência com alimentos, água, medicamentos e documentos pessoais, bem como a retirada de pequenas embarcações das zonas de risco.
O comunicado orienta ainda as autoridades locais, com o apoio dos Comités Locais de Gestão e Redução do Risco de Desastres, a apoiarem evacuações preventivas sempre que necessário, com especial atenção a crianças, idosos, mulheres grávidas e pessoas com deficiência. Está igualmente prevista a preparação de centros de acomodação, com garantia de água e saneamento, e o pré-posicionamento de bens alimentares e não alimentares em pontos estratégicos.
O INGD apela à população para evitar a travessia de rios e zonas inundadas e reforça a necessidade de acompanhar permanentemente os comunicados oficiais e avisos emitidos pelas autoridades competentes, numa fase considerada crítica da evolução do sistema tropical.
Angola foi oficialmente mandatada para conduzir os esforços de mediação com vista à realização do diálogo intercongolês para pôr fim ao conflito instalado há anos, na República Democrática do Congo .
A informação foi divulgada esta segunda-feira, pela Presidência angolana, que confirma que o país vai “iniciar consultas com todas as partes congolesas interessadas”, com o objectivo de criar condições políticas e de segurança para uma solução negociada da crise no leste da República Democrática do Congo.
O mandato resulta de um encontro de alto nível realizado em Luanda, que reuniu o Presidente da República e presidente em exercício da União Africana, João Lourenço, o seu homólogo da RDC, Félix Tshisekedi, o presidente do Conselho da República do Togo e mediador da União Africana e um representante de cinco antigos chefes de Estado africanos.
Segundo o comunicado da presidência angolana, no fim da reunião, os participantes apelaram às partes em conflito para um cessar-fogo, “a entrar em vigor na data e hora a serem acordadas”.
Depois de um período marcado pelo envolvimento de outros parceiros internacionais, Angola volta a posicionar-se como actor-chave na busca de uma solução política duradoura para uma crise que, desde 2021, ameaça escalar para um conflito regional.
Refira-se que as partes beligerantes no conflito na RDC já firmaram vários acordos sem sucesso, sob mediação internacional.
O País volta a estar em alerta. As províncias de Gaza, Inhambane e Sofala poderão ser afectadas pela tempestade tropical “Gezani”, com potencial de evolução para ciclone tropical intenso e mais de um milhão de pessoas podem ser afectadas. As autoridades reforçam apelos para que as populações saiam das zonas de perigo.
A situação climatérica do País pode piorar nos próximos dias, com a entrada, no Canal de Moçambique, da tempestade tropical “Gezani”.
O Instituto Nacional de Meteorologia alerta que o sistema vai provocar chuvas e ventos muito fortes, principalmente em Inhambane, por onde vai entrar, e sucessivamente no norte de Gaza e sul de Sofala.
“Temos a certeza de que esse sistema, depois de atravessar o Canal do Moçambique, ele vai fazer aproximação à nossa costa. Em termos de previsão de chuvas, nós podemos ver que durante os próximos dias, principalmente no dia 14 e dia 15, esse sistema, quando fizer aproximação à costa de Inhambane, poderá trazer grandes quantidades de precipitação. Estamos a falar de precipitação que poderá chegar a cerca de 500 milímetros em sete dias, ou seja, cerca de 500 milímetros em dois dias”, disse Acácio Tembe, meteorologista do INAM, que confirma que o movimento dos dias 14 e 15 de Fevereiro é para a costa moçambicana, sendo que depois desses dois dias vai fazer o movimento de saída.
Em consequência disso, a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos alerta para o risco de agravamento da situação de inundações em Gaza e pressão em pelo menos seis bacias hidrográficas de Inhambane, em função da quantidade de chuva.
“Das análises que nós efectuámos, dos cálculos, nós mostramos aqui que temos cerca de seis bacias que nós podemos considerar estando numa situação de risco de inundações. Estamos a falar das bacias de Nhanombe ou Mutamba, que é na província de Inhambane, são bacias costeiras, são bacias relativamente pequenas, que, quando recebem precipitação, começam logo a transbordar e muitas das vezes é que tem criado problemas em termos de transitabilidade rodoviária, sobretudo na EN5, que além dela é em Inhambane, e muitas das vezes tem ficado condicionado esse troço quando nós temos precipitações elevadas”, disse Agostinho Vilankulo.
Para além das bacias de Inhambane, o director nacional de Gestão de Recursos Hídricos fala ainda da bacia do Sá, que também está em alerta, “mas neste momento ainda continua com níveis muito altos e tem condições lá criadas, uma vez que todos os solos, neste momento, estão saturados, já vinham recebendo precipitações, e nós também consideramos como sendo de alto risco”.
No Sul do País, existem mais barragens em risco, com destaque para a bacia do Limpopo. “O Limpopo já vinha criando situações, já há duas semanas, o Baixo Xai-Xai ainda está com muita água, estão com níveis relativamente altos e também, porque nós estamos a falar de um sistema tropical que muitas das vezes faz agitação no mar. O que vai acontecer é que ele pode bloquear. Se nós formos a ver, a saída do Limpopo é um delta, é aquele pequeno espaço ali do contacto com o mar, e quando as margens são altas, normalmente o Limpopo não consegue drenar as águas e vão-se acumulando, e isso pode incrementar o nível de inundação, sobretudo em Xai-Xai”, disse Agostinho Vilankulo.
Entretanto, o gestor dos Recursos Hídricos disse que o País ainda não está numa situação de estresse total, “mas este é um cenário que se avança, se nós formos a receber precipitações de magnitude acima de 200 milímetros em 24 ou 48 horas, nós podemos voltar a ter a cidade de Xai-Xai em uma situação de estresse”.
O Centro Nacional Operativo de Emergência, CENOE, está já em alerta e a preparar-se para dar assistência a mais de um milhão de pessoas em risco de serem afectadas.
“Nós estamos preparados para cobrir, nos próximos 15 dias, 366 mil pessoas, com uma disponibilidade em termos de arroz, 1 milhão e 97 quilogramas, farinha, 922 mil e 146 quilogramas, feijão, 211 mil e 308 quilogramas, açúcar, 63 mil e 845 quilogramas, e temos ainda 168 mil e 912 litros de óleo e 25 616 quilos de sal”, assegurou Cristina Manuel.
A presidente do Instituto Nacional de Gestão de Desastres reforça os apelos para a tomada de medidas de segurança e precaução face aos riscos associados ao ciclone.
“Vamos continuar a apelar para que seja reforçada a segurança da cobertura das casas. Os estabelecimentos que têm praticamente infra-estruturas de vidro, nós temos estado a acompanhar e a passar a mensagem de protegerem com contraplacados, de modo que os ventos não possam danificar as infra-estruturas. Então, neste momento ainda temos tempo para ir preparar as nossas janelas, fechar com maior segurança, vamos ver como é que realmente são os nossos tectos, vamos ver como é que está a nossa estrutura da nossa casa, as nossas portas e também retirarmos todo o material que possa causar danos e esteja próximo. Estas medidas que nós estamos a trazer agora são medidas que são dadas antes da ocorrência do ciclone. Estamos a falar que nós temos várias fases, que é antes da ocorrência do ciclone, que nós estamos, esta é a fase que nós estamos a ter agora”, destacou Luísa Meque, presidente do INGD.
Para já, foram activadas acções antecipadas para garantir apoio na assistência às vítimas da tempestade tropical “Gezani”.
Um motorista de táxi por aplicativo, Yango, ajudou uma cidadã que se encontrava em trabalho de parto, dando à luz um bebé, durante uma viagem à caminho do hospital, na província de Maputo.
O episódio ocorreu quando Odete Pembele começou a sentir fortes contracções em casa. Por isso, decidiu solicitar uma viagem através do aplicativo Yango para se deslocar com urgência ao hospital.
O motorista da Yang respondeu ao pedido e, ao aperceber-se da gravidade da situação, manteve a calma e ofereceu apoio emocional à passageira. Assim, à medida que a viagem avançava, as contracções, segundo conta Odete, intensificaram-se e, de forma inesperada, o trabalho de parto iniciou, com auxílio do motorista.
De acordo com a equipa médica do Centro de Saúde de Nkobe, citada no comunicado da empresa Yango, o apoio prestado pelo motorista durante todo o trajecto, contribuiu para que o nascimento da bebé ocorresse em segurança até à chegada da parturiente e do seu bebé à unidade sanitária.
“Foi uma experiência inesperada, mas felizmente tudo correu bem. Estou grato por ter ajudado num momento tão delicado”, relatou o motorista do Yango, Gil Chissaque.
Por sua vez, Odete Pembele destaca a importância do apoio recebido.“Usei o aplicativo para ir ao hospital porque estava sozinha. Quando estávamos quase a chegar, as contracções já eram muito fortes e acabei por dar à luz dentro do carro. Graças a Deus tudo correu bem”.
O apoio dos militares portugueses chegou a quase 80 mil pessoas vítimas das cheias em Moçambique em duas semanas de operação, além do desenvolvimento e disponibilização de uma plataforma de comando e controlo para gestão de meios em situações do género.
De acordo com o coronel Moutinho Fernandes, comandante da Força de Reação Imediata (FRI) de Portugal, os números resultam dos apoios prestados em várias valências nos dois maiores centros de abrigo de deslocados pelas cheias no país, na província de Gaza, em Chókwè, atingindo entre 50 mil e 60 mil pessoas, aos que somam outros dois em Maputo, com 20 mil.
“Percorremos uma área grande, com algumas valências”, sublinhou, citado pela Lusa, exemplificando a presença de um destacamento de fuzileiros, que permitiu o transporte nos sítios onde “não havia passagem para populações que estavam isoladas, quer com medicamentos, quer com abastecimentos”.
A operação incluiu “duas equipas médicas, que providenciaram esse apoio em alguns campos, inclusive no Hospital Provincial de Xai-Xai”, detalhou o coronel, que lidera a Força de Apoio Militar de Emergência de Reacção Imediata, com 36 militares e no terreno desde 31 de Janeiro.
No Hospital Provincial de Xai-Xai, na capital de Gaza, foi possível disponibilizar um médico urologista, que não havia.
Acrescem “cerca de 1.500 consultas”, o transporte de mais de 20 toneladas de abastecimentos e medicamentos ou o apoio à logística de organizações no terreno, incluindo em zonas sitiadas pelas cheias, já consideradas as mais graves em décadas.
Com mais de 724 mil afectadas, sobretudo no sul, e 100 mil pessoas deslocadas em cerca de 110 centros de abrigo desde Janeiro, o apoio português alargou-se à coordenação das operações, com uma equipa de inteligência geográfica que desenvolveu, em Maputo, uma ferramenta informática de comando e controlo.
Segundo o coronel Fernandes, esta ferramenta informática permite saber onde é que estão as equipas, as necessidades dos campos, inclusive integrando dados de outras organizações, com fotografias e informação, numa única plataforma.
“Permite não só controlar as nossas operações, saber onde é que somos precisos exactamente, mas também ver o que é que eles precisam mais em cada campo, que tipo de abastecimento, quantas pessoas são, onde é que têm mais necessidades”, disse ainda, citado pela Lusa.
A operação ‘Kanimambo’ (obrigado, em português) termina no final desta semana e permitiu disponibilizar a versão actual da plataforma às autoridades moçambicanas, militares e de protecção civil, com Portugal disponível para apoiar o seu desenvolvimento.
“Eventualmente com o nosso apoio, se assim entenderem, para que no futuro possa dar origem a um sistema de comando e controlo neste tipo de acontecimentos, de cheias e outras catástrofes naturais”, disse.
Reconhecendo que a situação “está a voltar um bocadinho à normalidade”, com as autoridades locais a terem capacidade para dar resposta, o tempo já não é de emergência e já se fazem balanços.
“Extremamente positivo. Não só pelo sentimento que temos, de cumprir a missão, mas pela cara das pessoas e pelo conjunto de famílias que conseguimos ajudar”, assumiu, falando à margem de nova entrega, na Base Aérea de Maputo, de duas toneladas de produtos alimentares e 200 mil produtos de saúde às vítimas das inundações.
Para o embaixador português em Maputo, Jorge Monteiro, este novo apoio é mais um exemplo da “relação especial” e “histórica” entre os dois países, numa missão prestada numa altura de cheias também em Portugal.
“O facto de Portugal estar neste momento também debaixo de condições atmosféricas, climatéricas extremas, com chuvas torrenciais, com ventos muito fortes que deixaram um rastro de destruição um pouco por todo o país, não nos impede de marcar presença em Moçambique, no momento em que Moçambique também precisa da nossa ajuda. E é isto que eu acho que valoriza ainda mais a presença destes militares aqui, que enobrecem e que nos orgulham a todos com a sua acção”, disse.
“Moçambique sabe que pode contar com Portugal tanto nas horas boas como nas horas más. Esta, infelizmente, é uma hora má, mas queremos que seja rapidamente ultrapassada e que nos possamos focar também numa cooperação mais orientada para o desenvolvimento integrado e sustentável do país”, acrescentou, citado pela Lusa, Moutinho Fernandes, comandante da Força de Reação Imediata (FRI) de Portugal.
A Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, manteve, recentemente, no seu Gabinete de Trabalho, um encontro com a Direcção do Núcleo D’Arte representada pelo Secretário-Geral, Aldino Languana. A reunião entre as partes tinha como objectivo partilhar as actividades e os resultados alcançados durante o ano de 2025 e planos para 2026.
O Secretário-Geral destacou a realização de um total de 15 exposições entre individuais e colectivas com a participação de artistas nacionais e estrangeiros, abrindo espaço para uma maior internacionalização das artes moçambicanas e troca de experiências entre artistas.
Em termos de volume de obras vendidas, o Núcleo D’Arte contabilizou cerca de 51 obras e 11 impressões, num total de 224 artistas envolvidos. Apesar destas vendas terem representado uma geração de renda para os artistas e para o próprio Núcleo, a Direcção reconhece que ainda ocorre muito comércio informal de obras no seu espaço, não permitindo a sua devida contabilização.
O Núcleo de D’Arte celebrou ao longo do ano passado Memorandos de Entendimento com várias instituições, reforçando a sua contribuição para o desenvolvimento social e cultural nacional.
O Núcleo de Arte é um espaço estratégico de educação informal em arte, o que se reflecte no número elevado de visitantes recebidos ao longo do ano passado, num total de 15 mil pessoas, entre estudantes das escolas secundárias circunvizinhas, visitantes da galeria e das oficinas, bem como o público da área de espectáculos.
Para o presente ano o Núcleo pretende fortalecer a sua capacidade de formação de artistas, maior comércio das obras de arte e engajamento dos seus membros para o cumprimento das suas obrigações, o que permitirá, sem sombra de dúvidas, manter o funcionamento do espaço como também atender aos artistas em caso de necessidade.
Matilde Muocha, enalteceu o trabalho de destaque que o Núcleo tem realizado em prol do desenvolvimento das artes e da protecção social dos seus associados. Destacou igualmente a necessidade do organismo realizar mais actividades em parceria com o Ministério da Educação e Cultura, com enfoque para a difusão da legislação que é aprovada no sector.
Muocha lançou o desafio à Direcção para que realize mais acções junto com o Governo com vista à redução da informalidade no comércio de obras de arte, o que poderá contribuir para o progresso do sector, mas acima de tudo para atender às necessidades dos artistas.
Há vários dias que a família de uma jovem moçambicana falecida em Portugal, vítima da tempestade Kristin, enfrenta dificuldades para proceder à transladação do corpo para Moçambique, por falta de recursos financeiros. O processo custa cerca de 350 mil meticais, valor que os familiares dizem não possuir. O Governo garante estar a acompanhar o caso e promete apoio, mas, até ao momento, não avançou com medidas concretas nem com prazos definidos.
Helda Muianga, de 28 anos de idade, era a filha mais nova de Joana Chiure. A 16 de Janeiro, partiu para Portugal em busca de uma oportunidade de trabalho, mas acabou por perder a vida apenas 14 dias depois de chegar ao país, na cidade de Leiria, uma das zonas mais afectadas pela tempestade.
“Ela estava na cidade de Leiria, que foi onde houve mais problemas. Na quinta-feira tentei ligar novamente, mas já não atendia. Uma pessoa conhecida, que também falava com ela, ligou para o meu genro e contou-nos a situação, que ela já não estava bem, que já não estava entre nós”, contou Joana Chiure, mãe da vítima.
Segundo a família, Helda perdeu a vida no dia 27 de Janeiro, em consequência do desabamento da residência onde se encontrava. Vinte e cinco dias depois da tragédia, a mãe ainda tenta assimilar a perda da filha.
“Éramos duas filhas, agora fiquei só com uma. Tinha muitos sonhos, já tinha concluído a faculdade e esperava-se muita coisa dela, porque era nova. Tinha apenas 28 anos, este ano faria 29. É uma perda que eu nem consigo descrever”, lamentou.
Licenciada em Relações Internacionais, Helda Muianga sonhava com uma carreira ligada à diplomacia e à internacionalização profissional. Agora, ironicamente, é necessária uma intensa articulação diplomática para garantir a transladação do seu corpo para Moçambique.
A Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros assegura que o Governo está a trabalhar para apoiar a família no processo.
“Estamos a trabalhar no sentido de apoiar a família na transladação da urna. Quanto a datas, ainda não temos uma previsão concreta, pois estamos a coordenar com a nossa missão diplomática em Lisboa. Após o óbito, há procedimentos legais e administrativos internos que precisam de ser cumpridos”, explicou esta segunda-feira Maria de Fátima Manso.
De acordo com a família, o custo da transladação ronda os 5 mil euros, o equivalente a cerca de 350 mil meticais. Enquanto aguardam por uma solução institucional, familiares e amigos lançaram uma campanha solidária nas redes sociais para angariar fundos.
“Pedimos apoio e pessoas de boa vontade começaram a contribuir. Mas ainda estamos a tentar juntar o valor necessário para que ela possa regressar ao país. Já passaram duas semanas e o valor exigido continua a ser muito elevado”, explicou a mãe.
O corpo de Helda Muianga encontra-se no Instituto de Medicina Legal de Coimbra. A transladação dependerá do apoio do Estado moçambicano ou da solidariedade de cidadãos e instituições de boa vontade

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