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O País – A verdade como notícia

ONU visita comunidades deslocadas no Leste da RDC

Uma equipa das Nações Unidas visitou, sexta-feira, a localidade de Kimoka, na província de Kivu Norte, no Leste da República Democrática do Congo (RDC), numa região sob controlo dos rebeldes do M23.

A missão avaliou as condições de vida das populações que estão a regressar às zonas afectadas pelo conflito armado, num momento em que o país enfrenta também um dos seus mais graves surtos de Ébola.

Durante a visita, o coordenador das actividades humanitárias das Nações Unidas na RDC, Damien Mama, reuniu-se com mulheres que trabalham nos campos agrícolas, observou as suas colheitas e ouviu as principais necessidades das comunidades.

Segundo Damien Mama, as mulheres manifestaram a necessidade de receber gado e acesso a mais terras agrícolas, como forma de reforçar a sua capacidade de subsistência e resistência aos efeitos do conflito.

Dados das agências humanitárias das Nações Unidas indicam que, até 4 de Fevereiro de 2025, cerca de 30.384 pessoas, correspondentes a 5.064 famílias, tinham regressado às zonas de Kimoka e Sake, nas proximidades de Goma, principal cidade de Kivu Norte.

A ONU indica ainda que mais de 1.400 pessoas, na sua maioria mulheres que regressaram de centros de acolhimento de deslocados internos, estão a beneficiar de apoio à agricultura e de projectos de reintegração socioeconómica em várias aldeias do território de Masisi.

Sifa Asifiwe é uma das beneficiárias dos programas de apoio. Através da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), recebeu financiamento para desenvolver actividades agrícolas.

“No meio de todas estas dificuldades, os nossos irmãos da FAO vieram e acolheram-nos”, afirmou Sifa Asifiwe.

As comunidades deslocadas relatam igualmente melhorias nas condições de saúde, sobretudo entre as crianças, associadas à melhoria da alimentação proporcionada pelas culturas produzidas pelas mulheres.

Apesar do regresso de milhares de pessoas, cerca de 95 mil deslocados internos permanecem nas proximidades de Goma devido à violência perpetrada por grupos armados.

Paralelamente, dados divulgados esta semana pelas autoridades congolesas apontam para 3.398 mortes e 7.022 casos de Ébola, agravando o quadro humanitário já marcado pelo conflito armado e pelo deslocamento de populações.

 

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