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Nelito: o mestre que conquistou África!

É, para todos efeitos, o único treinador moçambicano que já ousou conquistar quatro campeonatos africanos de clubes. Feito, pois claro, que se junta a tantos outros troféus conquistados internamente ao serviço do Maxaquene, Desportivo, Ferroviário de Maputo, Ferroviário da Beira, entre outras colectividades. Constam, ainda, no seu invejável e reconhecido percurso, passagens pelo basquetebol no estrangeiro, destacando-se a sua experiência no Interclube de Angola e CSA Basket da Costa do Marfim.

“Mestre” ou o “senhor dos anéis”, tal como o apelidam, Nasir “Nelito” Salé faz parte de uma casta de “coaches” cujo palmarés revela, claramente, a sua metodologia de trabalho alicerçada no rigor. O “coach” conquistou, primeiramente, o espaço interno e, depois, colocou-se no olimpo de África.

Em 2007, ao serviço do Desportivo de Maputo, Nelito conduziu as “Lady Eagles” ao topo de África ao nível de basquetebol de clubes. Em pleno pavilhão do Maxaquene, e perante o D’Agosto comandado por Aníbal Moreira, Nelito não tremeu. Pelo contrário, vestiu o fato-macaco e derrotou as agostinas, por 64-47, num jogo no qual Diara Dessai foi a melhor cestinha com 15 pontos. Estávamos numa tarde do dia 28 de Outubro de 2007.

Ouro sobre azul, numa equipa em que militavam nomes como Anabela Cossa, Anta Sy, Cátia Halar, Crichúlia Monjane, Diara Dessai, Josefina Jafar, Luísa Nhate, Nádia Rodrigues, Odélia Mafanela, Salimata Diatta, Sílvia Neves, Valerdina Manhonga. Merecidamente, Salimata Diata, senegalesa, foi eleita a jogadora mais valiosa (MVP).

Mais do mesmo no ano seguinte. Em Nairobi, Quénia, o Desportivo de Maputo foi superior ao Interclube, adversário ao qual venceu na final por 70-63. Com um duplo-duplo (27 pontos e 15 ressaltos), a norte-americana Yolanda Jones esteve em destaque no decisivo jogo. O saldo a equipa “alvi-negra” foi de oito vitórias em igual número de partidas.

Em 2009, numa prova que foi disputada em Cotonou, Benim, o Desportivo de Maputo, orientado por Nasir Salé, ficou em terceiro lugar. No Palais des Sports, o Desportivo de Maputo derrotou o Interclube de Angola, por 57-50. Valerdina “Dina” Manhonga foi a melhor cestinha com 15 pontos.

Foi por pouco que Nelito não conquistou, em 2010, em Bizerte, na Tunísia, o seu terceiro “anel”. Isto porque, na final, o Desportivo de Maputo caiu aos pés do Interclube (perdeu por 77-63).

Na competição, as “alvi-negras” somaram seis vitórias e uma derrota. Dois anos depois, ou seja, em 2012, Nelito voltaria a ter África a seus pés. Porquanto, em Abidjan, na Costa do Marfim, foi o responsável pelo sucesso alcançado pela extinta equipa sénior feminino da Liga Desportiva de Maputo que, na final, venceu o Interclube, por 53-43.

Aya Traore brilhou nesta partida com 22 pontos, tendo sido fundamental para que a Liga Desportiva terminasse a prova com seis vitórias e uma derrota.

O conjunto era constituído por Anabela Cossa, Aya Traore, Cátia Halar, Clarisse Machanguana, Deolinda Ngulela, Filomena Micato, Ingvild Mucauro, Jazz Covington, Leia Dongue, Odélia Mafanela, Rute Muianga e Valerdina Manhonga.

Seguiu-se um interregno! Pelo meio, Nasir Salé conquistou um título de campeão nacional de basquetebol sénior masculino ao serviço do Ferroviário da Beira, em 2017.

Mas em 2022 voltou ao pódio em África com um terceiro lugar conquistado ao serviço do Ferroviário de Maputo, num evento realizado no Pavilhão da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

No embate de atribuição do terceiro lugar, o Ferroviário de Maputo venceu o Interclube, por 71-67. Com 22 pontos e quatro assistências, Dulce Mabjaia foi o grande destaque das “locomotivas”.

Voltou a mostrar serviço em 2024, em Dakar, Senegal. Com um conjunto com limitações, em termos de estrutura, Nelito conseguiu montar uma equipa competitiva e levou o Ferroviário de Maputo ao tricampeonato africano de clubes.

Numa final bem disputada, Nelito conseguiu condicionar, nos momentos decisivos, o Al Ahly do Egipto e saiu com uma vitória por 81-72. No seu percurso, o Ferroviário de Maputo.

No duelo de acesso à final, no qual foi buscar 18 pontos de desvantagem (perdia por 51-33 ao intervalo), a equipa comandada por Nelito venceu o APR do Ruanda, por 86-72.

PASSAGEM PELA COSTA DO MARFIM E ANGOLA

Porque as suas qualidades ultrapassaram fronteiras, Nelito foi reconhecido e convidado para trabalhar na Costa do Marfim, em 2008. Voltou, depois, em 2012, a convite do CSA Basket, clube que o chamou para dar “inputs” sobre implementação de uma nova dinâmica de organização, aumento de horas de treino, bem como na integração de novos talentos na equipa.

Em 2015, Nelito foi convidado pela direcção do Interclube para orientar esta formação, num contrato válido por duas temporadas.
O vínculo previa que, para além de assumir a equipa principal, Nelito seria responsável pela área da formação feminina.

INSTRUTOR DA FIBA…

Sempre preocupado em actualizar os seus conhecimentos, Nelito aposta na sua formação. Não é por acaso que, actualmente, é um dos dois instrutores de treinadores da FIBA com nível-2. A par do senegalês Cheikh Sarr, “coach” que acumula as funções de seleccionador nacional de basquetebol masculino e feminino do Ruanda, Nelito é o único treinador no continente com qualificações de alto nível para treinamento.

GRAU DE MESTRE PELA UEM

Em Outubro do ano passado, a Escola Superior de Desporto da Universidade Eduardo Mondlane atribui a Nasir “Nelito” Salé o grau de Mestre em Ciências de Desporto, na especialidade em treino desportivo em basquetebol.

Nelito, lembre-se, fez uma tese sobre “programa de preparação física baseado em cargas selectivas para as jogadoras de basquetebol sénior do Clube Ferroviário de Maputo”. O caso de estudo foi um leque de 22 atletas do Ferroviário, onde Nelito abordou a melhoria da condição física de atletas, depois de testes de velocidade, força e agilidade, tendo sempre em conta a função do biótipo de cada uma das jogadoras.

TRABALHO IMPECÁVEL NA SELECÇÃO

Feito único, Nasir Salé levou, em 2014, a selecção nacional ao Mundial de Basquetebol, na Turquia. A inédita qualificação do país para a prova de grande e reputada dimensão foi graças ao segundo lugar alcançado no “Afrobasket” de 2013, prova disputada na capital do país. Na emocionante final, realizada no pavilhão do Maxaquene, a selecção nacional perdeu com a sua similar de Angola, por 64-61.
Nelito foi adjunto de Nelson Guiliam Isley, técnico norte-americano que conduziu o país ao segundo lugar no Campeonato Africano de 2003, em Maputo.

Numa prova inolvidável, o conjunto nacional caiu, na final, aos pés da Nigéria, formação que teve como joia da coroa Mfon Udoka. Caso vencesse a prova, a selecção nacional assegurava a presença nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.

Dois anos depois, ou seja, em 2005, Nelito voltou a trabalhar com Nelson Guiliam Isley, desta feita no “Afrobasket” da Nigéria. O saldo da selecção nacional foi o terceiro lugar, depois de uma vitória sobre a RDC (59-51) no jogo de atribuição do terceiro lugar.
Destaque, no referido duelo, para Rute Elias Muianga que contabilizou 19 pontos e três ressaltos.

Em 2017, Nasir Salé levou as “Samurais” ao quarto lugar no “Afrobasket” de Bamako, Mali. Mas há a destacar a medalha de ouro conquistada pela selecção nacional nos Jogos da Lusofonia, em 2014, na Índia. Sob o comando de Nasir “Nelito” Salé, a selecção nacional derrotou na final Angola (73-49).

Recuando no tempo, destaque para o facto de, em 2006, ter conduzido a selecção nacional à conquista da medalha de prata no Campeonato Africano da categoria, competição que se realizou em Maputo.

Vestiram as cores da selecção nacional nomes como Janete Monteiro, Anabela Cossa, Vaneza Júnior, Nádia Zucule, Cláudia Chembene, Odélia “Mafa” Mafanela, Deolinda Gimo, entre outras. Estas foram as melhores prestações da selecção nacional sob o comando técnico de Salé e seus pares.

No mesmo ano, levou a selecção nacional da mesma categoria à conquista da medalha de ouro nos Jogos do SCASA, na Namíbia.

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