O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, e o seu homólogo da República do Congo, Denis Sassou Nguesso, reafirmaram, em Brazzaville, o compromisso de aprofundar as relações históricas de amizade e cooperação entre os dois países, defendendo igualmente soluções pacíficas para os conflitos que afectam o continente africano e outras regiões do mundo.
Durante a visita oficial de Daniel Chapo à República do Congo, os dois Chefes de Estado trocaram pontos de vista sobre questões bilaterais, regionais e internacionais, tendo manifestado satisfação pelo nível das relações entre os dois países e assumido o compromisso de reforçar a cooperação em benefício dos respectivos povos.
No domínio bilateral, os dois estadistas saudaram a realização da primeira sessão da Grande Comissão Mista de Cooperação e a perspectiva de abertura de um posto consular de Moçambique na República do Congo.
Daniel Chapo destacou o apoio prestado pelo Congo a Moçambique desde a luta de libertação nacional, reconhecendo igualmente o papel de Denis Sassou Nguesso na procura de soluções para as crises no continente africano. Por seu turno, o Presidente congolês felicitou Moçambique pelos esforços em curso em prol da coesão, da paz e do diálogo político inclusivo.
Na área da segurança, os dois Chefes de Estado manifestaram preocupação com os ataques de grupos terroristas, que têm provocado uma crise de segurança e humanitária no norte de Moçambique e noutras regiões do continente. Reiteraram, por isso, o apoio às iniciativas regionais de combate ao terrorismo e ao extremismo violento.
Sobre os conflitos no continente, Chapo e Sassou Nguesso defenderam o diálogo como principal via para a resolução das crises, com destaque para a situação no Sudão. Os dois líderes saudaram igualmente os esforços resultantes dos acordos assinados em Washington e Douala para a busca de uma solução para a crise no Leste da República Democrática do Congo, apelando às partes para cumprirem os compromissos assumidos.
Os Presidentes reafirmaram ainda o apoio aos ideais do pan-africanismo e à construção de uma África pacífica, unida e próspera, defendendo a aceleração da implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana. Manifestaram também o seu apoio a soluções pacíficas para os conflitos na Ucrânia e no estreito de Ormuz.
No plano multilateral, os dois países reafirmaram o compromisso com o multilateralismo, o respeito pelo direito internacional e a reforma das instituições de governação mundial. Saudaram a convergência de posições nas Nações Unidas e reiteraram o empenho no combate às alterações climáticas.
Como resultado da visita, Moçambique e a República do Congo assinaram dez instrumentos de cooperação em áreas de interesse comum. Entre os acordos destacam-se os relativos a consultas políticas regulares, à isenção de vistos para titulares de passaportes diplomáticos e de serviço e um Acordo Geral de Cooperação.
Foram igualmente assinados acordos nos domínios da cultura e das artes, pesca e aquacultura, desenvolvimento e promoção das pequenas e médias empresas, gestão dos recursos florestais e turismo. Os dois países rubricaram ainda protocolos de cooperação nos sectores marítimo e dos hidrocarbonetos.
No final da visita, Daniel Chapo convidou Denis Sassou Nguesso a efectuar uma visita de Estado a Moçambique. O convite foi aceite, devendo a data da visita ser definida por via diplomática.