Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Um tribunal na cidade de Porto Sudão, controlada pelo exército sudanês, condenou, no domingo, o líder paramilitar Mohamed Hamdan Daglo e outras 15 pessoas à morte à revelia, sob a acusação de assassinar um governador regional e cometer crimes de guerra em Darfur, informaram os media estatais.

A decisão, emitida por um judiciário subordinado ao exército, é a primeira contra a liderança das Forças de Apoio Rápido (RSF) desde o início da guerra entre o grupo paramilitar e o exército sudanês, em Abril de 2023.

O tribunal condenou Daglo e os demais réus por crimes de guerra, crimes contra a humanidade, genocídio e ataques contra civis e instalações públicas, informou a agência de notícias estatal SUNA. Entre os condenados estão o irmão e vice de Daglo, Abdelrahim Hamdan Daglo, bem como vários oficiais das Forças de Apoio Rápido (RSF) e líderes tribais de comunidades árabes em Darfur Ocidental.

O caso gira em torno do assassinato do governador de Darfur Ocidental, Khamis Abbakar, em Junho de 2023, pouco depois de as Forças de Apoio Rápido (RSF) tomarem El-Geneina, a capital do estado. Abbakar foi morto horas depois de acusar as RSF e milícias aliadas de realizarem ataques contra civis. Especialistas da ONU determinaram que entre 10 mil e 15 mil pessoas, a maioria do grupo étnico Massalit, foram mortas em El-Geneina durante a violência.

A RSF negou repetidamente as acusações de genocídio e outros crimes de guerra. O tribunal afirmou que encaminhará o caso ao Supremo Tribunal para revisão e buscará a prisão e extradição dos condenados por meio da Interpol e outros canais internacionais.

O líder do exército sudanês, Abdel Fattah al-Burhan, e Daglo lideraram conjuntamente o golpe de 2021 que interrompeu a transição do Sudão para um governo civil, antes de entrarem em conflito devido aos planos de integrar as Forças de Apoio Rápido (RSF) ao exército regular, uma disputa que acabou levando à guerra.

Já no seu quarto ano, o conflito entre o exército e as RSF matou dezenas de milhares de pessoas, deslocou mais de 11 milhões e desencadeou o que as Nações Unidas descrevem como a maior crise de deslocamento e fome do mundo.

Um alto funcionário da ONU acusou ontem o grupo islamita palestiniano Hamas de obstruir a entrega de ajuda em Gaza, alertando que torna as operações humanitárias cada vez mais perigosas.

Num comunicado, o coordenador especial adjunto da ONU para o processo de paz no Médio Oriente, Ramiz Alakbarov, condenou os obstáculos às operações humanitárias atribuídos às autoridades de facto em Gaza, em referência ao Hamas.

Estas acções “colocaram em perigo o pessoal humanitário, intimidaram os trabalhadores responsáveis pela distribuição de ajuda alimentar vital e interromperam operações essenciais”, descreveu.

Os incidentes ocorreram no sábado num ponto de distribuição em Jabalia (norte), que homens armados ligados ao Hamas terão invadido.

De acordo com o comunicado da ONU, os combatentes “também entraram num armazém do Programa Alimentar Mundial (PAM) e alegadamente atacaram dois camionistas que entregavam ajuda humanitária”.

Alakbarov disse que “estes incidentes não foram isolados” e que “testemunham uma tendência cada vez mais preocupante de intimidação, violência e obstrução, incluindo tentativas de rapto, contra as operações humanitárias”.

O responsável da ONU alertou que tais acções estavam a comprometer a entrega da ajuda tão necessária, uma vez que os civis no território devastado pela guerra enfrentam uma grave crise humanitária.

O Hamas rejeitou as acusações, considerando-as infundadas.

“A polícia e as forças de segurança continuam a proteger os camiões e os centros de distribuição de ajuda humanitária e a facilitar o trabalho das organizações internacionais”, não tolerando qualquer ataque, declarou à agência de notícias AFP um responsável do chamado Ministério do Interior do Hamas.

Um cessar-fogo entrou em vigor em Gaza em Outubro, após dois anos de guerra desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas a Israel, em 07 de Outubro de 2023.

A segunda fase da trégua, que prevê o desarmamento do Hamas e uma retirada gradual das forças israelitas de Gaza, está parada há vários meses.

As forças israelitas expandiram a sua presença nos últimos meses e controlam agora mais de 60% do território.

O Hamas continua a exercer autoridade sobre o resto da Faixa de Gaza, mas anunciou na semana passada a dissolução do organismo de 15 membros que geriu o território durante quase duas décadas.

A Alemanha acolheu, no domingo, um novo doente norte-americano infetado com o vírus Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), a pedido dos Estados Unidos, anunciou o Ministério da Saúde alemão.

Trata-se do segundo cidadão norte-americano infectado com Ébola a ser transferido da RD Congo para a Alemanha para receber tratamento médico.

Esta transferência ocorre cerca de dois meses depois de um primeiro doente norte-americano ter sido transportado para a Alemanha, no meio da epidemia do vírus Ébola, declarada em meados de Maio, na região oriental do país africano.

Segundo o Ministério da Saúde alemão, a Alemanha está a prestar cuidados médicos “a outro doente infectado com Ébola na RD Congo”.

A mesma fonte referiu que o doente, cuja identidade não foi revelada, foi internado no domingo no Hospital Universitário de Frankfurt.

Por outro lado, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indicaram, na sexta-feira, que o doente é um colaborador de uma organização humanitária na RD Congo, sem fornecerem mais detalhes a este respeito, segundo a emissora de televisão norte-americana CNN.

Segundo o Hospital Universitário de Frankfurt, o doente apresenta sintomas da doença mas encontra-se em estado “estável”.

O chefe da unidade especial de isolamento para doenças altamente infecciosas do hospital, Timo Wolf, afirmou que o transporte decorreu sem contratempos, tal como noticiou a agência de notícias alemã DPA.

“Não existe qualquer perigo para a população nem para os outros doentes” do hospital de Frankfurt, assegura o Ministério da Saúde alemão, acrescentando que, além disso, “o risco de uma pessoa infectada pelo vírus Ébola entrar na Alemanha continua a ser muito baixo”.

As autoridades congolesas indicaram que a epidemia do vírus Ébola registou, até ao momento, 1.926 casos confirmados, com 702 mortos. Além disso, referiram que há 753 doentes em isolamento, enquanto 318 pessoas recuperaram da doença e receberam alta.

Oficialmente declarada em Maio em Ituri, província fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul, a epidemia alastrou-se igualmente ao Uganda, onde foram confirmados 20 casos, 15 dos quais importados da RD Congo, entre os quais se contam duas mortes.

A epidemia está associada à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera “elevado” o risco de propagação do surto na África subsaariana e “baixo” à escala global.

A OMS estima que o vírus tenha começado a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração do surto e classificou a epidemia, no passado dia 17 de Maio, como uma “emergência de saúde pública de importância internacional”.

Trata-se da terceira pior epidemia de Ébola da história registada até à data e é a 17.ª a afectar a RD Congo.

A epidemia actual fica apenas atrás da que assolou a África Ocidental entre 2014 e 2016, que causou cerca de 11 mil mortes e 28 mil casos, e de outra que afetou o leste do Congo entre 2018 e 2020 e que causou 2299 mortes e 3481 casos.

O vírus transmite-se por contacto directo com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

Os protocolos da Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelecem que a epidemia do Ébola pode ser considerada encerrada se não forem detectados novos casos durante 42 dias consecutivos, o dobro do período de incubação do vírus.

As forças de segurança da Nigéria resgataram 39 estudantes sequestrados em Maio deste ano, no estado de Oyo, no sudoeste do país, pondo fim a quase dois meses de cativeiro. Na mesma operação foram igualmente libertados cinco dos sete professores raptados durante o ataque.

A libertação foi confirmada pelo governador do estado de Oyo, Seyi Makinde, durante uma visita ao hospital militar onde os antigos reféns recebem assistência médica. O governante manifestou satisfação pelo desfecho da operação e enalteceu o empenho das forças de segurança, revelando, contudo, que alguns agentes perderam a vida durante a missão de resgate.

Segundo as autoridades, os estudantes e professores libertados apresentam sinais de debilidade física e psicológica, consequência das duras condições em que permaneceram durante o cativeiro. As vítimas encontram-se sob observação médica e deverão beneficiar de acompanhamento psicológico para ultrapassar os traumas sofridos.

O sequestro ocorreu em Maio e voltou a evidenciar o agravamento da crise de segurança que afecta a Nigéria. Até há pouco tempo, os raptos em massa de estudantes eram mais frequentes nos estados do norte do país. No entanto, o ataque registado em Oyo demonstra a expansão desta ameaça para o sudoeste nigeriano.

Na mesma semana do ataque em Oyo, dezenas de crianças foram igualmente sequestradas no estado de Borno, no nordeste, reforçando as preocupações quanto ao aumento da violência em diferentes regiões do país.

Os sequestros de estudantes continuam a constituir uma das principais tácticas utilizadas por grupos armados, que recorrem a estes ataques para exigir resgates e pressionar as autoridades. Embora o resgate dos 39 estudantes e de cinco professores represente um alívio para as famílias, o episódio volta a expor os persistentes desafios que a Nigéria enfrenta no combate à insegurança e ao crime organizado.

O número de vítimas mortais provocadas pelos dois fortes terramotos que atingiram a Venezuela, a 24 de Junho, subiu para 4.490, segundo o mais recente balanço oficial divulgado este domingo pelas autoridades venezuelanas. O desastre provocou ainda mais de 16 mil feridos, milhares de desalojados e desencadeou uma vasta operação humanitária para responder à destruição causada pelos sismos.

Os dados foram apresentados pelo presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, que indicou que os dois abalos sísmicos, de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala de Richter, ocorreram com apenas 39 segundos de intervalo, provocando uma das maiores tragédias naturais da história recente do país.

De acordo com o Governo, as equipas de busca e salvamento conseguiram retirar com vida 6.462 pessoas dos escombros. Paralelamente, o Sistema Nacional de Saúde já prestou assistência médica a mais de 32 mil pacientes desde o início da emergência.

Os terramotos provocaram igualmente elevados danos materiais. Um total de 856 edifícios foi afectado, dos quais 190 desabaram por completo. As autoridades concentram agora os esforços na remoção de escombros, recuperação das zonas mais atingidas e reposição gradual dos serviços essenciais.

No plano humanitário, o Executivo informou ter prestado assistência a mais de 120 mil famílias afectadas pelo desastre. Foram igualmente instalados 108 centros de acolhimento temporário, onde permanecem abrigadas 19.583 pessoas. Apesar das medidas adoptadas, cerca de 18 mil cidadãos continuam desalojados em consequência da destruição das suas habitações.

As operações de resposta mobilizam cerca de 32 mil funcionários públicos, mais de 30 mil voluntários e mais de dois mil socorristas internacionais, envolvidos nas acções de busca, assistência humanitária e reconstrução.

As autoridades garantem que prosseguem os trabalhos de apoio às populações afectadas e de avaliação dos prejuízos, numa operação que deverá prolongar-se durante os próximos meses.

Pelo menos dois milhões dos cerca de cinco milhões de sudaneses que abandonaram Cartum durante o conflito já regressaram às suas casas, numa altura em que a capital começa, lentamente, a dar sinais de retoma, após a vitória militar sobre as Forças de Apoio Rápido. Contudo, o regresso decorre num cenário marcado pela destruição e pela escassez de serviços essenciais.

O centro de Cartum permanece profundamente devastado. Onde antes existiam mercados movimentados, edifícios empresariais e bairros prósperos, predominam agora ruas desertas, edifícios destruídos, valas comuns e áreas contaminadas por minas terrestres.

A população enfrenta ainda sérias dificuldades no acesso aos serviços básicos. O fornecimento de electricidade continua irregular, a água potável é escassa e grande parte das infra-estruturas essenciais permanece sem funcionamento.

Apesar das adversidades, milhares de famílias decidiram regressar na esperança de reconstruir as suas vidas. No entanto, o reencontro com a cidade tem sido marcado pela desilusão, perante a dimensão dos estragos e a lentidão do processo de recuperação.

As autoridades haviam prometido um rápido restabelecimento da normalidade após a vitória militar, mas a realidade no terreno revela um quadro bastante diferente. As infra-estruturas continuam severamente danificadas, o abastecimento de energia mantém-se instável e muitos trabalhadores acumulam meses sem receber salários.

Para numerosos sudaneses, o regresso não representou uma escolha, mas antes a única alternativa possível, face ao agravamento das condições de acolhimento dos refugiados no vizinho Egipto.

De acordo com dados das Nações Unidas, menos de 80 mil pessoas regressaram até ao momento ao centro de Cartum, uma das zonas mais afectadas pelo conflito.

 

O número de mortos ‌pelos dois terremotos ocorridos na Venezuela, ⁠há ‌duas ⁠semanas, subiu para 3.811, informou, nesta ​quarta-feira, o presidente ​da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.

De acordo com o ‌novo ​balanço, o número de ⁠feridos ​é ​de 16.740, enquanto ⁠o ​número de desabrigados ​subiu para 17.907. 

Profissionais de saúde que actuam no surto de Ébola na República Democrática do Congo agravam a greve devido às questões salariais, numa altura em que segundo as autoridades o surto continua a propagar-se mais rápido do que a resposta ao mesmo. 

Os Profissionais de saúde que estão na linha da frente na luta contra o Ebola na República Democrática do Congo começaram abandonar seus postos de trabalho em protesto contra atrasos salariais, ameaçando os esforços para conter o surto. 

Na província de Ituri, a mais atingida entre as três províncias do leste do Congo afectadas pelo surto , alguns profissionais de saúde e outros trabalhadores da linha de frente relataram à Associated Press que não recebem salários nem gratificações desde que o surto foi declarado, em 15 de maio.

Também alegaram trabalhar com equipamentos limitados e sofrer tratamento injusto tanto por parte das autoridades quanto das equipes de resposta.

A greve ocorre no momento em que se inicia o recrutamento para ensaios clínicos de tratamento contra o vírus Bundibugyo, responsável por este surto e esta não é a primeira vez greve de profissionais de saúde neste país africano.

Recorde-se que dois mil e quinhentos médicos e agentes de saúde do sector público da RDC anunciaram greve a partir de 11 de junho, por tempo indeterminado.

Dados governamentais mais recentes indicam 1.708 casos de ebola registrados, incluindo 580 mortes.

Subiu para 3 535 o número de vítimas mortais provocadas pelos dois fortes sismos que atingiram a Venezuela no passado dia 24 de Junho, segundo o mais recente balanço divulgado pelo Governo venezuelano. O número de feridos também aumentou para 16 740, enquanto mais de 17 mil pessoas continuam desalojadas.

Na anterior actualização, as autoridades contabilizavam 3300 mortos, o que evidencia o agravamento da tragédia à medida que prosseguem as operações de busca e resgate nas zonas afectadas.

O Governo venezuelano indica ainda que mais de 800 edifícios ficaram danificados ou foram completamente destruídos, agravando a situação humanitária e dificultando os trabalhos das equipas de emergência.

Os dois sismos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com menos de um minuto de intervalo, a cerca de 200 quilómetros de Caracas, e foram seguidos por centenas de réplicas.

Entretanto, o Serviço Geológico dos Estados Unidos mantém o alerta para a elevada probabilidade de o número de vítimas mortais ultrapassar os 10 mil, tendo em conta a intensidade do abalo, a extensão dos danos e a continuidade das operações de busca sob os escombros.

+ LIDAS

Siga nos