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O País – A verdade como notícia

Mais de mil pessoas marcharam, ontem, até à sede do governo da província de Chahar Mahal-Bakhtiari, no sudoeste do Irão, para exigir uma solução para a escassez de água, que se deve, sobretudo, à seca no país.

De acordo com a televisão estatal, os manifestantes insurgiram-se também contra os actuais planos de transferência de água daquela província para outras regiões vizinhas.

“É proibido desviar água de Chahar Mahall”, gritavam os manifestantes, segundo as imagens televisivas, nas ruas da capital provincial, Shahr-e-Kord, apelando também à coordenação com outras províncias que sofrem de falta de água potavel.

De acordo com o Notícias ao Minuto, as pessoas expressaram ainda a sua revolta contra a secagem da maior parte das nascentes, poços, aquedutos e rios sazonais da província e, em especial, do rio Zayandeh.

O principal curso de água daquela região tem sofrido com a seca desde 2000, excepto por breves períodos, mas o desvio do rio pelas autoridades para abastecer a província vizinha de Yazd é apontado igualmente como uma causa para a seca deste rio.

Chahar Mahall-Bakhtiari situa-se a oeste de Esfahan, onde as pessoas protestaram na semana passada contra a secagem do rio Zayandeh.

O Presidente iraniano, Ebrahim Raissi, prometeu no passado dia 11 de Novembro resolver o problema da água em Isfahan, Yazd e Semnan. Já o líder supremo, Ayatollah Ali Khamenei, descreveu a questão como “o problema do país”, sem se referir às manifestações.

O Chile realiza hoje as suas eleições mais relevantes deste século, num contexto de crise social e política e de um processo constituinte considerado o culminar da transição iniciada em 1990, finda a ditadura militar de Pinochet, escreve o Notícias ao minuto.
Uma inflação galopante, um sistema de pensões descapitalizado e uma desigualdade acentuada pela pandemia da COVID-19 são os principais desafios colocados ao próximo Presidente do Chile, país há dois anos mergulhado na mais grave crise das últimas três décadas.

Os sete candidatos que competirão para suceder, no palácio presidencial de La Moneda, ao chefe de Estado cessante, Sebastián Piñera, representam um espectro político muito amplo: os direitistas do Chile Podemos Mais (Sebastián Sichel), anteriormente conhecido como Aliança pelo Chile; o centro, com o Novo Pacto Social (Yasna Provoste), nova designação da tradicional Concertação; a esquerda com a coligação eleitoral Apruebo Dignidad (Gabriel Boric), que inclui os partidos Frente Amplio e Chile Digno e uma série de organismos e movimentos da sociedade civil; o Partido Progressista (Marco Enríquez-Ominami), a extrema-direita com a coligação eleitoral Frente Social-Cristã, formada pelo Partido Republicano e o Partido Conservador Cristão (José Antonio Kast); a União Patriótica de extrema-esquerda (Eduardo Artés); e o independente Franco Parisi, que não está no país.

Nas eleições gerais de hoje, poderão ir às urnas cerca de 15 milhões de chilenos para eleger o novo Presidente e também deputados e senadores que tomarão assento no Congresso nacional.

Vários países da Europa anunciaram ontem o regresso a medidas restritivas, para controlar a nova onda de infecções pela pandemia da COVID-19. A Áustria, por exemplo, já decretou o confinamento em todo o país.

Nas últimas semanas, os casos de infecções por novo Coronavírus na Europa têm estado a registar uma tendência cada vez mais crescente, o que faz com que alguns países estejam a entrar na terceira vaga e outros na quarta onda da COVID-19.

Na Hungria, por exemplo, onde os novos casos diários voltaram a registar recordes, com 11.289 infecções até esta sexta-feira, o Governo decidiu proibir trabalhadores do sector da Saúde, Polícia e o Exército de se fazerem aos seus respectivos postos de trabalho.

A Noruega anunciou controlos mais rígidos nas fronteiras, passando a exigir a todos os visitantes que se registem numa plataforma digital três dias antes de entrar no país e estes deverão esperar por uma autorização de entrada ao país.

A decisão mais radical foi a do Governo da Áustria, que se tornou nesta sexta-feira o primeiro país da União Europeia a regressar ao confinamento nacional da população face ao ressurgimento dos casos de COVID-19.

Ainda nesta sexta-feira, a Alemanha anunciou que iria seguir o exemplo da Áustria, uma vez que os novos casos empurraram o país ao estado de emergência nacional.

O aeroporto da Corunha, na Galiza, em Espanha, activou hoje o plano de emergência após uma ameaça de bomba num voo de Bilbao com destino à Corunha.

De acordo com o jornal espanhol Telecinco, já há um detido. A Guardia Civil e a companhia aérea em questão, a Volotea, dão conta de que a aterragem de emergência ocorreu às 7h25 locais e que os passageiros já foram retirados e transferidos para uma sala do aeroporto.

De acordo com o Notícias ao Minuto, as autoridades estão, agora, a verificar a cabine e o porão. Bombeiros, serviços de emergência, ambulância e polícia também estão no local.

O alerta foi dado através de uma chamada anónima para o 112 para a possibilidade de um explosivo no voo V73538. A bordo do aparelho  estavam 105 pessoas e seis membros da tripulação.

O aeroporto está a operar com normalidade apesar de ligeiros atrasos em alguns  dos voos.

Pelo menos 15 manifestantes morreram hoje no Sudão, em consequência da repressão das manifestações convocadas para protestar contra o golpe de Estado militar do passado dia 25 de Outubro, segundo o Comité de Médicos, da oposição.

O anterior total era de 10 mortos nos protestos ocorridos hoje e, desde o golpe de Estado, são agora 45 as vítimas mortais resultantes da repressão das autoridades às manifestações contra o general Abdel-Fattah al-Burhan.

A maioria dos mortos de hoje, registou-se em Cartum Norte, cidade adjacente à capital, na qual foram duas as vítimas mortais e uma em Durman, outra localidade próxima de Cartum, segundo o Comité.

Com este número, o dia de hoje passa a ser o mais sangrento desde que os militares derrubaram o governo de transição, o qual incluía também civis, de acordo com o Notícias ao Minuto.

O Comité de Médicos, que desde a revolução que derrubou o ditador Omar al-Bashir, em 2019, presta assistência aos manifestantes e é a única fonte que procede à contabilização regular de mortos resultantes da repressão das forças armadas.

“Existe ainda um grande número de feridos nos hospitais de Cartum e nas vias de acesso com dificuldades de transporte”, acrescentou o Comité.

As organizações civis que protestam contra o golpe militar tinham convocado para hoje uma nova jornada depois da do passado dia 13, quando as forças de segurança causaram pelo menos sete mortos.

Nos protestos de hoje, as forças de segurança utilizaram gás lacrimogéneo e bastões contra os manifestantes, de acordo com a agência noticiosa espanhola Efe.

Várias pessoas foram feridas e dezenas foram presas e carregadas para camiões de caixa aberta.

Após a dura repressão das manifestações de sábado, que resultou em várias mortes e num grande número de feridos, atores internacionais como a União Europeia e os Estados Unidos criticaram o uso da força utilizada pelas autoridades militares do país e instaram-nos a respeitar o direito à manifestação pacífica.

A comunidade internacional exige também a libertação de todos os líderes civis e militares detidos após o golpe, incluindo membros do Conselho de Ministros deposto, a restauração de um governo civil e de Abdullah Hamdok como primeiro-ministro.

A África do Sul declarou quatro dias de luto nacional após a morte, a 11 de Novembro, do último Presidente branco do país, Frederick de Klerk, que continua a ser uma figura controversa apesar do seu papel no desmantelamento do sistema do apartheid.

Em discurso inesperado no Parlamento em Fevereiro de 1990, de Klerk anunciou a libertação do inimigo do regime, Nelson Mandela, e a legalização do seu partido, o Congresso Nacional Africano, abrindo o caminho para o fim do regime branco e para a transição democrática do país.

De acordo com o gabinete do Presidente Cyril Ramaphosa, será observado um luto nacional a partir desta quarta-feira à noite até domingo à noite. A bandeira nacional será colocada a meia haste como sinal de respeito.

A morte de Frederick de Klerk, aos 85 anos, gerou reacções mistas na África do Sul, com algumas críticas ao Prémio Nobel da Paz, que recebeu juntamente com Mandela em 1993, por nunca ter feito um pedido de desculpas completo pelos crimes do apartheid.

Num vídeo divulgado algumas horas após a sua morte, o Ex-Presidente tentou corrigir esta impressão e pediu desculpa sem reservas pela dor, sofrimento, indignidade e danos que o apartheid causou.

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, mantiveram um encontro virtual, durante a madrugada de ontem, no âmbito de uma cimeira que durou cerca de quatro horas, a mais longa conversa entre os dois líderes desde a chegada de Biden ao poder.

Segundo a RFI, durante o encontro, os dois chefes de Estado abordaram nomeadamente os contenciosos comerciais, os Direitos Humanos e a questão de Taiwan, sem registar avanços significativos.

Falando sobre Taiwan, o líder comunista disse a Joe Biden que qualquer acção de trabalho para a independência da ilha seria “uma tendência muito perigosa, que equivale a brincar com o fogo”, visto que China aumenta a pressão militar sobre a zona.

Reagindo, Biden disse a Xi Jinping que “os Estados Unidos opõem-se veementemente a qualquer tentativa unilateral de mudar o ‘status quo’ (estado actual) ou minar a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan”, escreve a LUSA.

Porém, sobre um aspecto os dois líderes chegaram a um consenso: a importância de manter equilíbrio nas suas relações devido ao impacto que isso tem não só para os seus países bem como para o resto do mundo e ainda necessidade de reforçar a comunicação e a cooperação mútua no sentido de resolver os desafios que têm de enfrentar.

Num período anterior à cimeira entre os dois líderes, segundo China Daily, citada pela LUSA, a China e os Estados Unidos concordaram em aliviar as restrições para trabalhadores de órgãos de comunicação social dos dois países, refletindo uma ligeira diminuição das tensões entre os dois lados.

O ministro da Saúde do Egipto, Khaled Abdel Ghaffar, anunciou, ontem, que o país vai iniciar testes clínicos da vacina de fabrico nacional contra a COVID-19, Covi Vax, e que os ensaios vão começar com dezenas de pessoas.

“É uma situação estratégica muito importante haver uma vacina egípcia com a qual podemos contar no próximo período”, disse Ghaffar, que também é ministro do ensino superior e chefe do instituto nacional de pesquisa do país.

Segundo escreve a Associated Press, o anúncio foi a primeira indicação de que os pesquisadores passaram da produção da vacina e dos primeiros testes para a aplicação nas pessoas que vão participar dos ensaios. O imunizante contém proteínas do vírus original para provocar uma resposta imunológica.

De acordo com o jornal, a Organização Mundial da Saúde já havia reconhecido a vacina egípcia como uma das centenas de fórmulas em todo o mundo que estão em desenvolvimento.

Em entrevista, Mamady Doumbouya, que se proclamou Presidente de transição da Guiné-Conacri, assegurou que o país é capaz de resolver os seus problemas sozinho e promete que Alpha Condé terá “tratamento digno”.

Numa entrevista divulgada no domingo à noite pela televisão nacional, Doumbouya, que se proclamou Presidente de transição em 01 de Outubro , um mês após derrubar o Presidente Alpha Condé num golpe de Estado, evitou pronunciar-se sobre quanto tempo será necessário até que os civis possam regressar ao poder e defendeu-se das acusações de que está a levar a cabo uma “purga” nos serviços do Estado.

A CEDEAO, confrontada com um terceiro golpe de Estado num ano, após o golpe no Mali, suspendeu a Guiné-Conacri das suas instituições e sancionou individualmente os membros da junta, escreve a DW.

A organização exige a realização de eleições num prazo máximo de seis meses, assim como a libertação do ex-presidente, detido num lugar secreto.

Na sua primeira entrevista longa com um órgão de comunicação social, Doumbouya exprime a sua oposição à recente nomeação de um enviado especial da CEDEAO para o seu país, bem como ao prazo estabelecido pela organização.

“Penso que somos suficientemente inteligentes para resolvermos os nossos problemas entre nós. Não é um país que esteja em crise, é um país que está na fase de tomar o destino nas suas próprias mãos. Queremos simplesmente resolver os nossos problemas internamente”, disse.

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