Skip to main content

O País – A verdade como notícia

O surto de Ébola na República Democrática do Congo e Uganda ultrapassou os 600 casos confirmados e causou mais de 100 mortes, enquanto as autoridades de saúde avisam que a insegurança, a falta de recursos e as restrições de viagem estão a dificultar os esforços para conter o vírus. Por outro lado, os EUA apelam a controlos de viagem mais rigorosos à medida que os casos tendem a subir.

As infecções confirmadas de Ébola na República Democrática do Congo e Uganda subiram para 608, com 102 mortes registadas até 8 de junho corrente, de acordo com os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças citadas pela AfricaNews.

A RDC continua a ser o epicentro do surto, com 589 casos confirmados após a deteção de 45 novas infeções num período de 24 horas. Uganda não registou novos casos confirmados durante o mesmo período.

As autoridades de saúde acreditam que o número real de infeções pode ser maior devido à subnotificação e às dificuldades de acesso às comunidades afectadas.

Face ao cenário, os Estados Unidos da América apelam a controlos de viagem mais rigorosos..

Os esforços de resposta enfrentam grandes obstáculos. As autoridades de saúde afirmam que a resposta ao surto está a ser dificultada por severas limitações operacionais em várias regiões afectadas. 

Muitas unidades de saúde carecem de necessidades básicas, incluindo água potável, equipamentos de proteção, materiais de descontaminação e incineradores funcionais.

Um total de 1.317 migrantes morreram a tentar chegar à costa espanhola nos primeiros cinco meses deste ano, revela um relatório hoje divulgado pelo coletivo Caminando Fronteras.

Mais de 1.300 pessoas faleceram entre 01 de janeiro e 31 de Maio das quais 142 eram mulheres e 129 eram menores de idade. Além disso, 27 embarcações desapareceram com todas as pessoas a bordo, segundo um relatório divulgado pelo coletivo Caminando Fronteiras citado pela imprensa internacional.

Segundo o coletivo, a rota atlântica continua a ser a mais mortífera da fronteira, com 635 vítimas.

No que diz respeito à rota argelina, a organização indicou que o número de vítimas ultrapassou, pela primeira vez, as 507, o que representa um aumento de 54% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Por outro lado, segundo a fonte, a rota do Estreito de Gibraltar duplicou o número de vítimas, passando de 52 para 99 em 2026, enquanto na vedação de Ceuta morreram 48 pessoas nos primeiros cinco meses de 2026.

Centenas de pessoas participaram, esta segunda-feira, numa marcha contra a imigração ilegal nas ruas de Joanesburgo, um dia depois de o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, ter anunciado medidas destinadas a reforçar o combate à entrada e permanência irregular de estrangeiros no país.

Os manifestantes exigiram uma actuação mais firme das autoridades na fiscalização das fronteiras e na regularização da situação dos imigrantes sem documentação válida.

A manifestação decorreu de forma pacífica, embora alguns participantes exibissem cartazes e paus, enquanto entoavam palavras de ordem como “Voltem para casa” e defendiam que os estrangeiros em situação irregular abandonassem o país até ao próximo dia 30 de Junho.

“Eles devem regressar aos seus países, regularizar a sua situação documental e, depois, voltar de forma legal. Se respeitarem as leis e mudarem de atitude, serão sempre bem-vindos ao nosso país”, afirmou Nkosikhona Ndabandaba, um dos participantes na marcha.

Durante o protesto, alguns manifestantes defenderam igualmente a construção de um muro ao longo da fronteira sul-africana, como forma de travar a entrada de imigrantes sem documentos.

“Queremos recuperar o nosso país. Não somos xenófobos. Infelizmente, temos sido mal interpretados pelo resto do mundo. Recebemos os nossos irmãos e irmãs durante muito tempo e convivemos com eles. Mas chegou o momento de regressarem aos seus países e de nos permitirem cuidar do nosso país”, declarou uma manifestante.

Manifestações semelhantes foram registadas noutras regiões da África do Sul, incluindo nas províncias do Cabo Ocidental e de Limpopo, reflectindo uma crescente mobilização de grupos que se opõem à presença de imigrantes indocumentados no país.

O debate em torno da imigração tem ganho destaque nos últimos meses, num contexto marcado por preocupações relacionadas com o desemprego, a criminalidade e a pressão sobre os serviços públicos, questões frequentemente associadas pelos manifestantes à permanência de cidadãos estrangeiros em situação irregular.

As autoridades da República Democrática do Congo (RDC) elevaram para 515 o número de casos confirmados no surto de Ébola, declarado a 15 de Maio, no leste do país. A doença já causou 91 mortes.

No último boletim sobre a doença, divulgado na noite de domingo com dados até sábado, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) indicou terem sido registados 27 novos casos nas 24 horas anteriores à publicação do relatório.

Segundo as autoridades, 283 pacientes encontram-se hospitalizados ou em isolamento. O número de pessoas recuperadas subiu para 12, mais três do que na última contagem, enquanto as zonas de saúde afectadas em três províncias congolesas se mantêm em 25.

O surto foi declarado em Ituri — província fronteiriça com o Sudão do Sul e o Uganda — que continua a ser o epicentro da doença, com 487 casos. Contudo, propagou-se às províncias orientais de Kivu Norte, com 25 casos, e Kivu Sul, com três.

A epidemia alastrou-se igualmente ao Uganda, onde foram detectados até ao momento 19 casos, incluindo 14 considerados importados da RDC, entre os quais dois óbitos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que o vírus começou a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração oficial do surto, que foi classificado, a 17 de Maio, como uma «emergência de saúde pública de importância internacional».

O vírus do Ébola transmite-se por contacto directo com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, condenou, este domingo, os actos de xenofobia que têm marcado as últimas semanas naquele país e reconheceu fragilidades na gestão da imigração, numa altura em que vários cidadãos estrangeiros, incluindo moçambicanos, enfrentam ameaças e ataques.

Num discurso transmitido pela televisão nacional, Ramaphosa apelou à união e rejeitou campanhas que alimentam sentimentos anti-imigração.

“Não nos deixaremos enganar nem influenciar por campanhas nas redes sociais que espalham desinformação, notícias falsas e mentiras sobre pessoas que estão no nosso país”, afirmou.

O pronunciamento surge num contexto de crescente tensão social, com grupos anti-imigração a acusarem estrangeiros em situação irregular de contribuírem para o desemprego e para a sobrecarga dos serviços públicos. O chefe de Estado sul-africano rejeitou essa narrativa, defendendo que os problemas económicos do país têm causas mais profundas.

Ramaphosa admitiu, contudo, que existem falhas na forma como o Estado tem gerido os fluxos migratórios e garantiu que o Governo irá reforçar as acções de controlo fronteiriço e deportação de cidadãos sem documentação legal.

Apesar disso, advertiu que nenhuma pessoa ou grupo tem autoridade para actuar à margem da lei, sublinhando que apenas as instituições competentes podem intervir em casos de imigração ilegal.

A situação preocupa particularmente Moçambique. Recentemente, o Governo moçambicano denunciou a morte de nove cidadãos nacionais em alegados ataques xenófobos registados na África do Sul.

Entretanto, diversos países africanos começaram a retirar os seus cidadãos do território sul-africano. O Gana já repatriou cerca de 300 nacionais, enquanto a Nigéria e o Malawi anunciaram medidas semelhantes.

 

O líder político senegalês Ousmane Sonko foi reeleito, no sábado, presidente do partido PASTEF, consolidando o seu apoio interno numa altura em que o Senegal atravessa uma crise política marcada por divergências entre as principais figuras do poder.

Durante um discurso transmitido pelo partido, Sonko fez referência ao seu afastamento do Presidente Bassirou Diomaye Faye e sublinhou a importância da coesão ideológica e organizativa do movimento.

“As revoluções podem ser sequestradas, cooptadas ou esvaziadas da sua essência quando lhes falta uma doutrina clara e uma organização capaz de garantir que a mudança seja sustentada a longo prazo. E é por isso que este congresso é histórico, dois anos depois de termos assumido os mais altos cargos do Estado”, declarou Sonko.

As tensões entre Sonko e Faye intensificaram-se em Julho de 2025, quando o então Primeiro-Ministro criticou duramente o Presidente, denunciando aquilo que classificou como um “problema de autoridade” no país.

Por sua vez, em Maio, Faye censurou a excessiva personalização do partido, afirmando que o PASTEF deveria ser “despersonalizado” e libertar-se da influência dominante de qualquer dirigente.

Uma das principais fontes de discórdia entre ambos tem sido a gestão da dívida pública senegalesa. Enquanto Faye se mostrou favorável à abertura de negociações com o Fundo Monetário Internacional para um novo programa de financiamento, Sonko defendeu uma abordagem mais soberana e independente.

O calendário político do Senegal prevê eleições autárquicas em 2027, seguidas das eleições presidenciais em 2029.

Embora a maioria parlamentar do PASTEF na Assembleia Nacional tenha capacidade para apresentar uma moção de censura ao Governo, Faye passará igualmente a dispor, a partir de Novembro, da prerrogativa de dissolver o Parlamento, após completar dois anos no poder, numa eventual tentativa de assegurar uma nova maioria parlamentar.

Perante os seus apoiantes, Sonko garantiu que continuará a lutar para restaurar a força do PASTEF e deixou ainda no ar a possibilidade de vir a candidatar-se ao mais alto cargo do Estado.

“A nossa revolução está actualmente ameaçada precisamente por causa dessas intervenções externas; nem tudo o que está a acontecer no Senegal neste momento se deve exclusivamente a factores internos. Voltarei a esse assunto com mais detalhes mais tarde. Mas também quero assegurar-vos que, desta vez, nenhuma tentativa de sabotar esta revolução terá êxito, porque o povo, ombro a ombro com o PASTEF, dará as garantias necessárias para que possamos finalmente libertar o nosso país”, afirmou.

As eleições autárquicas de 2027 e as presidenciais de 2029 serão determinantes para o futuro político do Senegal, num contexto marcado pela crescente rivalidade entre Sonko e Faye e pelas disputas sobre o rumo do projecto político que levou o PASTEF ao poder.

A epidemia de Ebola volta a testar a capacidade do sistema de saúde congolês. Em Bunia, cidade que concentra a maioria dos casos, uma das principais unidades sanitárias está lotada e enfrenta dificuldades para atender a crescente procura por cuidados médicos.

A epidemia de Ebola volta a testar a capacidade do sistema de saúde da República Democrática do Congo. Em Bunia, cidade que concentra a maioria dos casos, uma das principais unidades sanitárias está lotada e enfrenta dificuldades para atender a crescente procura por cuidados médicos.

A situação agrava-se numa altura em que o número de infecções continua a aumentar rapidamente. Dados actualizados das autoridades congolesas indicam que o país já registou 452 casos confirmados de Ebola e 82 mortes desde a declaração do surto, em meados de maio. Só nas últimas 24 horas foram confirmados mais 71 novos casos, sinal de que a transmissão comunitária continua intensa. 

O surto  está concentrado principalmente na província de Ituri, mas já se estendeu a outras regiões do leste do país. As autoridades sanitárias enfrentam desafios relacionados com a falta de medicamentos, insuficiência de centros de tratamento e dificuldades no rastreio de contactos. 

Entretanto, a ajuda internacional começa a mobilizar-se. A Organização Mundial da Saúde e o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças lançaram um plano de resposta avaliado em 518 milhões de dólares para apoiar o combate à epidemia, reforçar os sistemas de vigilância e preparar os países vizinhos para uma eventual propagação da doença. 

O movimento xiita libanês, Hezbollah, rejeitou o acordo de cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos entre os governos do Líbano e de Israel e insiste que qualquer entendimento só será possível com a retirada total das forças israelitas do sul do território libanês.

O anúncio norte-americano dava conta de um entendimento entre Beirute e Telavive para a implementação de um cessar-fogo. Entre as condições propostas estava a suspensão dos ataques do Hezbollah e a retirada dos seus combatentes das zonas fronteiriças do sul do Líbano.

No entanto, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou publicamente a proposta, alegando que o grupo não participou nas negociações e que os termos apresentados favorecem os interesses israelitas. 

Qassem classificou o plano como uma ameaça à soberania libanesa e aos direitos da população afectada pela guerra.

Os confrontos entre Israel e o Hezbollah intensificaram-se novamente no início de Março, quando o grupo abriu uma nova frente de combate em apoio ao Irão. Desde então, várias tentativas de cessar-fogo anunciadas por Washington falharam em travar os bombardeamentos e ataques transfronteiriços.

O líder do Hezbollah defende que qualquer acordo deve incluir a retirada das forças israelitas das áreas ,actualmente, ocupadas no sul do Líbano.

A crescente onda de sequestros de estudantes voltou a levar centenas de pessoas às ruas da capital nigeriana. Manifestantes concentraram-se em Abuja para exigir a libertação de alunos e professores raptados por grupos armados e cobrar uma resposta mais eficaz das autoridades.

Os protestos foram convocados por organizações da sociedade civil após mais um caso de sequestro em massa numa escola do estado de Oyo. A insegurança continua a afectar várias regiões da Nigéria, onde grupos armados utilizam os raptos como fonte de financiamento através da cobrança de resgates.

Durante a manifestação, activistas denunciaram aquilo que consideram ser uma incapacidade do Governo para proteger a população e travar a acção dos grupos criminosos.

“Chega! Basta de sequestros, basta de assassinatos. Eles nos matam como galinhas. Matam nossos filhos como galinhas. Não somos animais. Somos cidadãos de primeira classe da Nigéria”, apeloi a activista Arije Alao.

Entre os participantes esteve o activista e ex-candidato presidencial que criticou duramente a actuação das forças de segurança e acusou as autoridades de não tratarem a crise com a urgência necessária.

“Estou muito preocupado com as crianças que estão em cativeiro. Soldados que deveriam estar na mata procurando crianças estão aqui protegendo seus opressores, os políticos nigerianos”, disse o ex-candidato presidencial, Omoyele Sowore.

Dados divulgados pelos organizadores indicam que pelo menos 46 estudantes e funcionários foram sequestrados no estado de Oyo no dia 15 de Maio. No mesmo dia, cerca de 42 pessoas também foram raptadas no nordeste do país, incluindo no estado de Borno.

Os manifestantes prometem manter a pressão sobre o Governo até que os reféns sejam libertados e medidas mais eficazes sejam adoptadas para travar uma crise de segurança que continua a afectar milhares de famílias nigerianas.

+ LIDAS

Siga nos