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Há relatos de fome e mortes por trauma em Palma

Parte da população tende a regressar a vila de Palma, mas enfrenta escassez de alimentos, visto que o pouco que restou chega a ser comercializado ao dobro do preço. As autoridades comunitárias revelam que há registo de pessoas que estão a morrer devido ao trauma dos ataques.

O ataque terrorista de 24 de Março iniciou dois dias depois da chegada de um navio de abastecimento de alimentos em Palma. A população já enfrentava escassez de alimentos, algo que veio a agravar-se depois da entrada dos terroristas.

A família de Júlio Sebastião e outros residentes testemunham.

“Primeiramente tivemos problemas de alimentação, mas com a chegada do navio atenuou embora não tenha sido suficiente para todos”, disse Sebastião

Por sua vez, Mago Salimo, residente em Palma, afirmou que “isto está mal, estou há três dias sem comer”.

Entretanto aos poucos começa a ser reactivado o comércio nas bermas da estrada principal que atravessa a vila. Sendo um distrito costeiro é facil conseguir peixe e coco, abundantes por estas zonas.

“Vendo para conseguir comprar coisas para me alimentar”, explicou um comerciante local, Abilai Issufo.

O pão é produzido com os produtos que os terroristas não conseguiram levar. A escassez reduz a oferta e aumenta a procura. Os preços de alguns produtos duplicaram.

“Os preços duplicaram, por exemplo, a bolacha que antes vendia a 15 meticais, hoje vendo a 30 meticais”, confirmou Rachid Salimo.

No que à segurança diz respeito, o abrandamento dos ataques permite descortinar os danos, incluindo humanos.

No bairro Muá, arredores da vila sede, as autoridades comunitárias encontraram 25 corpos, que já foram enterrados e há registo de mortes devido aos traumas dos ataques.

“Temos o registo de 25 corpos já enterrados, dentre os quais, cinco mortes por trauma após o ataque”, avançou Valentim Sumail, líder comunitário.

Também pelo susto há quem está a carregar o que pode e a sair da vila. Uns conseguem pagar transporte para Quitunda, a vila de reassentamento da Total, e os que não podem enfrentam o percurso de 28 quilómetros a pé.

Os deslocados ficam concentrados num mesmo ponto, onde aguardam para passar pela criteriosa revista para poder entrar no Aeródromo de Afungi e aguardar por evacuação aérea para Cidade de Pemba.

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