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Falta de divisas em moeda estrangeira pode ditar encerramento de empresas

Mais de 15 empresas estão em risco de fechar as portas devido à dificuldade de realizar importações associada à escassez de moeda estrangeira no país. A informação foi avançada pelo sector privado, que disse, nesta quinta-feira, que o défice continua a minar o ambiente de negócio.

Há quase um ano que o sector privado reclama do défice de moeda estrangeira no mercado financeiro, o que, em várias ocasiões, foi rebatido pelo Banco de Moçambique, que afirma estar a fazer de tudo para manter os níveis mínimos para evitar o colapso do mercado. Entretanto, o sector privado diz não sentir o efeito de tais acções do banco central na resolução do problema que mina o futuro de muitas empresas, que, por falta de divisas, deixaram de realizar importações.

Trata-se de empresas dos sectores da indústria de transformação e de turismo, sendo que, neste último, as companhias aéreas internacionais suspenderam a emissão dos bilhetes em algumas agências a partir de Moçambique, devido à dificuldade de repatriar a respectiva receita que deve, sempre, ser em dólar.

“O volume agregado das operações de compra e venda tendeu a aumentar do primeiro ao terceiro trimestre de 2024, tendo crescido cerca de 13%. Desagregando os dados, pode-se perceber que esse crescimento do turnover resultou do rápido aumento das compras de moeda externa dos bancos comerciais aos seus clientes em 18%, contra um crescimento menor de 7% das vendas dos bancos comerciais aos seus clientes”, explicou Agostinho Vuma.

O sector privado diz ainda que o ano de 2024 foi dos mais difíceis para o sector económico, período em que os bancos comerciais chegaram a funcionar por um mínimo de 5,5 milhões de dólares. A situação continua, disse Agostinho Vuma que falava nesta quinta-feira, em conferência de imprensa.

De acordo com os “patrões” as estimativas mostram que em 2024, os bancos comerciais absorveram dos seus clientes liquidez em moeda externa de cerca de 1,8 mil milhões de dólares, de forma acumulada. Então, porque os bancos comerciais aumentaram as compras líquidas aos seus clientes? A primeira razão estaria ligada ao comportamento dos passivos e activos líquidos. O que aumenta a tendência de redução dos activos líquidos.”

Para além das evidências de que a liquidez em moeda externa não está a fluir dos bancos comerciais para os clientes, a CTA apresentou uma lista de empresas com facturas submetidas aos bancos comerciais para pagamento e que, tais solicitações, não tinham sido satisfeitas. Os valores desta lista apresentada ao Banco de Moçambique estavam estimados em 402 milhões de dólares no terceiro trimestre de 2024.

Entretanto, como forma de pressionar o Banco de Moçambique a tomar medidas urgentes,  os empresários vão submeter dentro de uma semana junto do banco central, as facturas de solicitação de pagamento.  

De acordo com Agostinho Vuma, “chegados a este nível, e dado que o Banco de Moçambique diz que está disposto a resolver os problemas das empresas porque não problemas de liquidez em moeda externa, a CTA vai reunir todas empresas que tenham pedidos de pagamentos de facturas de importação e/ou termos de compromissos em aberto há mais de três meses, mas que não tenham sido satisfeitos para submeter nos seus escritórios as respectivas cópias para que possam ser encaminhadas ao Banco de Moçambique para o respectivo pagamento.”

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