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O Presidente do Conselho de Administração do Banco Nacional de Investimentos, Omar Mithá, diz que a actual taxa de juro de política monetária é alta e que não estimula o investimento produtivo na economia. O Presidente da Comissão Executiva do Moza Banco, Manuel Soares, concorda com a ideia e diz que os bancos comerciais reduziram o financiamento à economia.

Com o tema “Os Desafio da Economia Mundial em 2023 e o seu impacto em Moçambique”, o Moza Banco organizou, quarta-feira, em parceria com a Fundação Dom Cabral, Embaixada do Brasil e Universidade Politécnica, uma mesa-redonda para discutir os desenvolvimentos da economia moçambicana face aos impactos da economia mundial.

Omar Mitlhá e Manuel Soares foram os oradores da mesa-redonda promovida pelo Moza Banco, tendo tecido duras críticas sobre a gestão da política monetária do Banco de Moçambique.

“As taxas de juro são altas, o que inibe o investimento produtivo. Inviabilizam os investimentos porque o custo financeiro do financiamento é uma conta de resultados. As pessoas não produzem num país só por produzir, mas sim porque têm que fazer contas e isto significa ter um retorno adequado comensurado com o nível de risco. E este retorno deriva também das contas que se fazem aos capitais alheios”, defendeu Omar Mithá.

Aumentando a taxa de juro significa, para Mithá, que a dívida pública também aumenta, o que provoca grande pressão às contas públicas. A situação aflige também as empresas e famílias com o “repricing” dos créditos que já possuem junto dos bancos comerciais, na medida em que estes aumentaram, por sua vez, a taxa de esforço dos clientes no reembolso do crédito, como resultado da política restritiva do Banco de Moçambique.

Aqui, o economista fala de possível aumento do crédito mal-parado das empresas e famílias que apresentam os mesmos custos e receitas para uma situação de créditos mais caros junto dos bancos. “A qualidade de crédito é baixa e, portanto, já é um risco do próprio sistema bancário”, explicou Omar Mithá.

Ademais, o economista, que é também conselheiro económico do Presidente da República, avançou que o sector privado calcula os riscos do seu investimento em relação às taxas de juro, pois o negócio pode ser rentável, mas não viável. “Todos os projecto que têm uma taxa de rentabilidade de 14% ou 15% vão para o lixo, ou seja, não servem, porque não têm rentabilidade positiva. Uma coisa é ter resultados líquidos positivos e outra coisa é ter viabilidade económica. Portanto, a viabilidade económica é sempre em razão do custo de oportunidade de capital, o que significa que esta situação vai retrair os investimentos, pois estes ficam na gaveta”, sentenciou, acrescentando que as medidas do banco central, a certo nível, estimulam ao invés de combater a inflação.

“A apetência de conceder crédito pelos bancos comerciais vai reduzir. Já estava, desde 2015, com um elevado nível de taxas de juro, a apetência já estava a reduzir. O facto é que nós, tendo noção, de acordo com as análises económicas que fazemos, que ninguém é capaz de aguentar quatro anos a pagar taxas de juro de 25 a 30%. Portanto, os bancos restringiram a concessão do crédito, sendo prudentes nessa concessão”, disse Manuel Soares, Presidente da Comissão Executiva (PCE) do Moza Banco.

A restrição na concessão de crédito, segundo Soares, é também fruto de os bancos comerciais serem obrigados a deixar 40% dos seus depósitos no Banco de Moçambique, com a recente medida de aumento do Coeficiente de Reserva Obrigatório de 28% para 40%. Aqui, o gestor explicou que os bancos correm o risco de revelar resultados negativos, em 2024, o que pode aumentar os níveis de restrição de concessão de crédito por parte dos bancos comerciais.

Manuel Soares disse que o facto de o banco central ter deixado de comparticipar nas facturas de importação de combustíveis do país vai fazer com que só os grandes bancos participem do negócio, ao contrário dos 18 bancos que existem no país, como vinha acontecendo. “O que vai acontecer, na minha óptica, é voltarmos ao mercado, o que tínhamos há 10 anos, em que tínhamos apenas os grandes players do sistema financeiro que participavam no negócio de importação de combustíveis, porque quanto menor for a nossa quota de mercado na compra de divisas, mais difícil fica a nossa presença neste apoio às petrolíferas.

 

MOÇAMBIQUE PODE APROVEITAR EXPERIÊNCIA DO BRASIL NA AGRICULTURA

Moçambique pode aproveitar a experiência do Brasil para desenvolver a sua agricultura. A posição é do Embaixador do Brasil, Ademar Seabra, que falava numa mesa-redonda organizada pelo Moza Banco.

O Embaixador brasileiro defendeu a necessidade de aumentar a cooperação no sector da agricultura, aproveitando a experiência do salto na produtividade dado pelo país latino-americano.

Por seu turno, o Presidente do Conselho de Administração do Moza Banco, João Figueiredo, que participou nas notas introdutórias do evento, falou de alguns factos que têm desafiado a economia de Moçambique, nos últimos anos, desde a COVID-19, passando pelas calamidades, até à guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

O CEO da Galp Moçambique, Paulo Varela, que integrou o painel de oradores, avançou que a tendência do preço do petróleo no mercado internacional pode resultar na redução do preço dos combustíveis nos próximos tempos.

O CEO da Galp Moçambique defendeu ainda que os países que mais poluíram, ao longo dos tempos, devem ajudar os em desenvolvimento, como Moçambique, a fazer a transição energética para energias limpas, de modo que contribuam para um melhor ecossistema.

Participaram na mesa-redonda do Moza Banco gestores de entidades públicas e privadas, economistas e clientes da instituição financeira.

A inflação anual aumentou 8,23% em Maio deste ano, quando comparado ao período homólogo de 2022. Dados do Instituto Nacional de Estatística revelam que as divisões de alimentação e bebidas não alcoólicas e de transportes foram as que tiveram maior subida de preços.

Os preços dos principais produtos têm vindo a disparar, e as análises do Instituto Nacional de Estatística mostram, no seu Índice de Preços ao Consumidor, referente ao mês de Maio, que, apesar de o preço dos combustíveis não ter observado nenhum reajuste em alta nos últimos quatro meses, o custo de diversos bens e serviços subiu consideravelmente. De Abril a Maio, por exemplo, a variação foi de 0,39%, quando comparado com a mesma época de 2022.

Ainda nesta variação, a divisão de alimentação e bebidas não alcoólicas destacou-se com uma subida de cerca de 0,46 pontos percentuais (pp) positivos.

“Analisando a variação mensal por produto, é de destacar a queda dos preços do tomate (4,5%), do coco (14,5%), do milho em grão (7,1%), da couve (7,8%), da gasolina (1,1%), da alface (7,2%) e do repolho (9,2%). Estes contribuíram no total da variação mensal com cerca de 0,54pp negativos”, avança o Índice de Preços no Consumidor do INE.

O documento realça que alguns produtos, com destaque para a cebola, o gasóleo, os cortinados e cortinas, o jogo completo de sofás, os telemóveis, as refeições completas em restaurantes e as cadeiras, que contrariaram da tendência de descida de preços.

“Alguns produtos com destaque para a cebola (12,5%), o gasóleo (4,9%), os cortinados e cortinas (23,3%), o jogo completo de sofás (4,8%), os telemóveis (2,1%), as refeições completas em restaurantes (0,3%) e as cadeiras (2,3%), contrariaram a tendência de queda de preços, ao contribuírem com cerca de 0,21pp positivos no total da variação mensal”, revela o INE.

Analisando a variação mensal pelos oito centros de recolha, que serviram de referência para a mudança de preços do país, nota-se que, em Maio findo vê-se que todas as cidades tiveram uma variação positiva face ao mês de Março.

“A Província de Inhambane destacou-se com a queda de 0,75%, seguida das Cidades de Tete com 0,69%, de Quelimane com 0,68%, de Xai-xai com 0,50%, de Chimoio com 0,37%, de Maputo com 0,35%, da Beira com 0,14% e de Nampula com 0,08%”, avançou o Instituto Nacional de Estatística.

Quanto à inflação homóloga, o Índice do Preço ao Consumidor revela a subida do custo de vida em 8,23%, tendo as divisões de transporte, de alimentação e bebidas não alcoólicas se destacado nas variações em alta de preços.

“As divisões de Alimentação e bebidas não alcoólicas e de Transportes, foram as que tiveram maior aumento de preços ao variarem com 14,07% e 10,67%, respectivamente”.

Ainda na mesma variação, consta do relatório do Instituto Nacional de Estatística que a província de Inhambane teve, mais uma vez, o maior aumento do nível geral de preços, com cerca de 11,85%. Chamaram atenção, também, as “Cidades de Tete com 10,66%, de Quelimane com 10,61%, de Chimoio com 8,17%, da Beira com 7,82%, de Maputo com 7,37%, de Xai-xai com 6,30% e de Nampula com 5,94%”, avança a nota do INE.

Já na variação acumulada, os dados do mês em análise indicam que o país registou um aumento de preços na ordem dos 3,16%. As divisões de Alimentação e bebidas não alcoólicas e de Transportes, tiveram maior aumento de preços ao contribuírem com 2,11pp e 0,28pp positivos, respetivamente.

“Analisando a variação acumulada por produto, importa destacar o aumento dos preços do tomate, da cebola, dos transportes semi-colectivos urbanos e suburbanos de passageiros, da alface, do feijão manteiga, da farinha de milho e do amendoim. Estes comparticiparam com cerca de 1,97pp positivos no total da variação acumulada”, conclui o INE.

De Janeiro a Maio deste ano, “A Província de Inhambane teve o maior aumento do nível geral de preços com cerca de 6,38%, seguida das Cidades de Tete com 4,88%, de Quelimane com 4,75%, de Maputo com 3,36%, de Chimoio com 1,86%, de Xai-xai com 1,59%, da Beira com 1,51% e de Nampula com 1,46%”.

No geral, a inflação aumentou de forma significativa no mês de Maio passado. Essa tendência ascendente dos preços tem impacto directo nos consumidores em todo o país.

Esse aumento no custo de vida em Maio de 2023 coloca pressão adicional sobre as famílias moçambicanas, que já enfrentam desafios económicos. O aumento dos preços dos alimentos e dos serviços básicos pode afectar negativamente o poder de compra das famílias de baixa renda, dificultando o acesso a itens essenciais.

Refira-se que, em Abril deste ano, a inflação anual foi de 9,61%, quando comparado ao período homólogo do ano passado, tendo as divisões de alimentação e bebidas não alcoólicas e de transportes registado, na altura, maior subida de preços.

A agência de notação financeira Moody’s considera que o aumento da dívida interna do país e um recente “erro de comunicação destacam os desafios da gestão da dívida”, apesar de manter esperança nos resultados da futura exploração de gás.

“Embora haja muita vontade de Moçambique em cumprir as suas próximas obrigações de dívida, os recentes pagamentos atrasados, o fraco apetite pelo mercado interno de títulos do Estado e o rápido aumento da dívida interna sublinham os persistentes problemas de liquidez”, lê-se numa nota de análise aos investidores, divulgada esta semana.

A agência de notação financeira entende que “em causa, está o atraso no pagamento de cupões de dívida interna entre Fevereiro e Março, período de pressão acrescida para os cofres do Estado com o aumento da massa salarial, entre outros factores”.

A Moody’s realça que um novo momento de pressão se aproxima, entre Setembro e Novembro, com o Governo a ter de lidar com o pagamento de cupões e amortizações de dívida interna. “Em Maio, chegou a ser veiculada a ideia de se reanalisar o perfil desses desembolsos”, refere a agência financeira, que explica que “mais tarde, o Governo rectificou a declaração, dizendo que tinha sido um lapso e que não pretende redefinir o perfil daqueles instrumentos”.

A Moody’s vê neste recente erro de comunicação com os detentores de obrigações nacionais um sinal de fraca capacidade de administração da dívida, o que, em resultado, a análise coloca Moçambique no nível ‘CAA’, ou seja, “no escalão de instrumentos financeiros de alto risco”.

O acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) está a estimular reformas e já tem havido medidas para travar o crescimento da massa salarial, salienta a Moody’s, que fecha a nota de análise em tom positivo, graças às expectativas de exploração do gás natural.

“Não obstante estes desafios, as perspectivas positivas reflectem o potencial ascendente de médio prazo associado às perspectivas de crescimento no sector de gás natural liquefeito, reformas fiscais e de administração em andamento e acesso a financiamento acessível no âmbito do programa do FMI”, conclui a agência de notação financeira Moody’s.

O Governo deve alocar recursos financeiros para a pesquisa de novas tecnologias de produção de energia no país. Quem o diz é o director geral-adjunto do Instituto Nacional de Minas, Grácio Cune, durante a conferência sobre indústria extrativa no país.

O primeiro dia da conferência internacional sobre a indústria extrativa, que acontece nesta quarta e quinta-feira, em Maputo, debateu sobre os modelos de gestão de recursos energéticos, tendo havido consenso de que não existe um modelo acabado, porém os Governos devem buscar suprir, primeiro, as necessidades internas.

O posicionamento é defendido pelo Administrador da Área de Projectos no Instituto Nacional de Petróleos (INP), José Branquinho, que considera ser essencial a atenção na gestão dos recursos energéticos, uma vez que grande parte dos países que descobriram o gás, nos últimos tempos, têm um mercado bastante incipiente.

“Seria importante ver como capitalizar esses recursos, a nível local, além de se pensar simplesmente na exportação”, disse Branquinho, acrescentando que “tem havido uma procura crescente destes recursos para desenvolvimento de projectos a nível local, o que pode fazer com que os recursos alimentem uma cadeia de valor, a nível local”.

Porque estes recursos não são renováveis, o director geral-adjunto do Instituto Nacional de Minas apela ao investimento na pesquisa de outros recursos.

Este pensamento surge, igualmente pelo facto de, alguns países vizinhos estarem a ressentir-se de uma crise energética, tendo a África do Sul como exemplo, sendo que Moçambique pode ajudar a minimizar a crise.

Mas, porque estes recursos não são renováveis, o director geral-adjunto do Instituto Nacional de Minas apela ao investimento na pesquisa de outros recursos.

“Apelo às Universidades em Moçambique para que usem o seu tempo para investigar novos processos de geração de energia. E o Governo deve, deve, deve alocar recursos à pesquisa de novas tecnologias. É que, se nós não investirmos na pesquisa de novas tecnologias, de novas formas de produção de energia, não vamos longe”, disse Grácio Cune.

No sector das Minas, Grácio Cune disse que, para além do carvão, no futuro, recursos como o Metano, a Turfa, recursos nucleares e geotérmicos, entre outros, poderão ser usados para a produção de energia para alimentar a indústria nacional e regional.

O projecto é avaliado em 40 mil milhões de dólares, o dobro do PIB moçambicano, e a iniciativa será implementada por uma empresa chinesa, com a qual o Governo assinou, hoje, um memorando de entendimento.

A iniciativa denomina-se Mozambique Green Industrial Park (Parque Industrial Verde de Moçambique) e prevê a construção e exploração de um parque industrial verde, ou seja, uma estrutura com energia eólica, painéis solares e outras componentes e ainda a construção de um porto marítimo para a exportação de bens manufacturados, nos distritos de Dondo e Muanza, na província de Sofala.

O acordo que vai viabilizar aquele que será, talvez, o maior investimento a ser feito no país, entre 2023 e 2026 e com potencial de gerar 10 mil empregos para os moçambicanos, foi assinado esta quarta-feira, em Maputo, pelo ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno, e a empresa Eternal Tsingshan, que vai executar o projecto.

O governante explicou que o acordo visa criar as bases para a emissão das autorizações necessárias para a implementação efectiva do projecto.

“Através deste acordo, estão criadas as bases para que o Ministério da Indústria e Comércio inicie o processo de discussão e análise técnica da proposta de investimento apresentada pelo grupo Tsingshan, em articulação com outros organismos de tutela sectorial. O processo de análise técnica deste projecto irá contemplar, igualmente, a avaliação do quadro de incentivos fiscais e garantias aplicáveis ao empreendimento, em conformidade com o previsto na legislação sobre investimentos vigente”, explicou o ministro.

O investimento, orçado em 40 mil milhões de dólares, duas vezes o Produto Interno Bruto nacional, será implementado pelo grupo chinês Eternal Tsingshan, segundo maior fabricante de produtos de aço inoxidável da China.

“Estou seguro de que este projecto, em Moçambique, vai ajudar muito o sector industrial. Então, nós precisamos muito do apoio do Governo para a implementação do mesmo”, disse o representante da empresa, Jianqiang Sun.

A proposta do projecto vai ainda à apreciação e aprovação, pelo Conselho de Ministros, à luz da legislação de investimentos vigente no país.

O país é, desde hoje, membro da Organização Internacional de Café. O acordo de adesão foi assinado hoje, em Londres, pelo Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, e pela Directora-Geral da Organização Internacional de Café.

Moçambique faz parte, a partir desta terça-feira, do grupo de países que produzem e consomem café. A adesão foi materializada pela assinatura de um acordo na sede da Organização Internacional do Café, em Londres. Esta adesão abre um mar de oportunidades para produtores nacionais de café. Por isso mesmo, a perspectiva do Governo é desenvolver uma indústria de café em Moçambique que dê benefícios e melhore a vida dos produtores do sector familiar, segundo avançou o Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia.

Já a Directora-Geral da Organização Internacional de Café garante total apoio a Moçambique no desenvolvimento da cadeia de valor de café.

Moçambique é, assim, o 78º membro da Organização Internacional de Café, uma organização que existe há 50 anos. A Organização Internacional de Café representa, actualmente, 93% do total do café produzido no mundo e 63% do consumo mundial.

À margem da adesão de Moçambique à Organização Internacional do Café, o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural convidou a indústria inglesa de cafés e especialistas para conhecerem os cafés produzidos em Moçambique. Na ocasião, algumas empresas fecharam contratos de exportação e distribuição dos seus cafés na Europa.

Os principais intervenientes da indústria de café no Reino Unido, que representa um mercado de cafés de mais de 105 mil milhões de dólares, estiveram reunidos na mesma sala com os moçambicanos. O propósito era que provassem o café produzido em Moçambique. Provaram e gostaram, tanto mais que se fecharam negócios, por exemplo, entre Café Chimanimani e uma empresa inglesa que importa e distribui café dos países da África Oriental no Reino Unido e na Europa. A Costa Coffee, uma subsidiária da Coca-Cola Company que vende em todo o mundo, anualmente, em mais de 1,2 mil milhões de dólares, provou os cafés moçambicanos.

Pelo que sentiu no sabor do café, no futuro, pode-se tomar cafés oriundos de Moçambique, e talvez de Chimanimani na Costa Coffee.

A alta-comissária de Moçambique no Reino Unido promete continuar a divulgar os cafés nacionais neste país.

Os empresários consideram que haverá flexibilidade no sector com a recente medida anunciada pelo Governo de alargamento de validade da certidão de quitação. A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) diz que há cerca de 20 anos que esperava medidas mais facilitadas na contratação de empreitadas.

A certidão de quitação, usada para a contratação de empreitadas de obras públicas, fornecimento de bens e serviços ao Estado, assim como contratação de mão-de-obra estrangeira, passa a ter validade de um ano e passa ser aplicável para mais de um concurso.

Reagindo a este anúncio, a CTA considera ser uma vitória, visto que, desde 2005, se trabalhava para maior facilidade na emissão de certidão de quitação mais prática.

“Pensamos que esse processo de estender e despersonalizar a quitação vai flexibilizar o negócio; despersonalizar porque, ao longo das províncias, no âmbito da contração do processo de procurment, o Estado exigia que a mesma quitação fosse presente para cada concurso. Imagine uma situação em que o empresário tem dez concursos de obras no mesmo dia, tem que emitir cada quitação para cada concurso, então essa questão da despersonalização vai aumentar a competitividade das nossas empresas”, referiu Agostinho Vuma, presidente da CTA.

Agostinho Vuma falava na manhã hoje, na Cidade de Maputo, em conferência de imprensa que visava dar a conhecer o ponto de situação sobre os preparativos da 18ª conferência anual do sector privado, que contará com três mil participantes. No evento, serão apresentados vários projectos avaliados em áreas de agronegócio e outras.

“Nessa conferência do sector privado, no que tange ao negócio, traremos projectos avaliados em 1,2 mil milhões de dólares americanos, mas com a vantagem de que são projectos acabados sob ponto de vista da sua concepção”, avançou Vuma.

Na conferência anual do sector privado, que vai decorrer de 21 a 23 de Junho corrente, espera-se a presença de países como Brasil, Itália, África do Sul e Portugal.

Ausência dos jogadores da União Desportiva de Songo e do Ferroviário de Nampula, para além de alguns que actuam fora de portas, marca o arranque dos trabalhos da selecção nacional de futebol, os Mambas, para o embate de domingo, diante do Ruanda. O conjunto estará completo a partir desta terça-feira e a viagem para Kigali está marcada para quinta-feira.

É um arranque a meio gás dos trabalhos dos Mambas rumo ao embate do próximo domingo, em Kigali, diante do Ruanda. Chiquinho Conde não teve todos jogadores convocados disponíveis no primeiro dia de trabalhos, com ausências de realce, principalmente de jogadores que actuam intramuros.

Trata-se dos jogadores da União Desportiva de Songo, nomeadamente Bhéu, Danito e Amadou, e do Ferroviário de Nampula, Fasistêncio e Telinho, que tiveram seus jogos do Moçambola disputados na tarde de domingo, em Songo e Nampula, respectivamente, e sem ligações imediatas para Maputo, o que fez com que a sua chegada tivesse sido tardia.

A União Desportiva de Songo jogou com o Ferroviário da Beira, enquanto os “locomotivas” de Nampula receberam o Baía de Pemba na capital da mesma província.

Já dos jogadores que actuam fora de portas e que não estiveram na sessão desta segunda-feira, destaque para Geny Catamo, do Marítimo, que esteve envolvido no jogo do play-off de manutenção à primeira liga portuguesa, tendo perdido nas grandes penalidades e visto a sua equipa cair para a segunda liga.

Não estiveram outros tantos, casos de David Malembane, Witi e Clésio Baúque, que jogou no sábado pela sua equipa, o Honka, tendo empatado a um golo com Ilves, para o campeonato finlandês.

Vale dizer que a sessão matinal desta segunda-feira, a primeira dos Mambas, comandada por Chiquinho Conde, contou com apenas nove jogadores, sendo seis deles que actuam fora de portas.

Mexer e Gildo, que jogam em Portugal, Kambala e Edmilson Dove, que actuam na vizinha África do Sul, Domingues, agora sem clube depois de ter estado, também, na África do Sul, e Gianluca Lorenzoni, repescado para os Mambas, foram os “estrangeiros” presentes na sessão desta segunda-feira.

Dos que jogam internamente, estiveram presentes os jogadores do Costa do Sol e do Ferroviário de Maputo, que jogaram na sexta-feira e sábado.

Depois de terem treinado durante a manhã no Estádio Nacional do Zimpeto, no período da tarde desta segunda-feira, na segunda sessão, os Mambas realizaram o treino no relvado sintectico do campo do Costa do Sol, já com a integração de alguns jogadores que se juntaram ao grupo na manhã desta segunda-feira.

A sessão no campo dos “canarinhos”, visava permitir que os jogadores tivessem contacto com o relvado sintéctico, uma vez que o jogo entre Ruanda e Moçambique terá lugar no campo com relva similar.

 

PLANO DE ACTIVIDADES NÃO INCLUI EMBATE COM MALAWI

Entretanto, os Mambas voltam a ter uma sessão de treinos esta terça-feira, no período matinal, no Estádio Nacional do Zimpeto, já com a integração de todos jogadores convocados.

Será, do resto, uma sessão mais dura, contrariamente aos dois desta segunda-feira, que foram mais para recuperação física e para traçar estratégias de preparação para os próximos embates.

Quarta-feira haverá outra sessão matinal, no Estádio Nacional do Zimpeto, a porta fechada, no dia que estava reservado para o jogo de controlo com o Malawi. Para já não se sabe se será neste treino que os Mambas vão defrontar o Malawi, ou será apenas uma sessão, tal como as outras.

Chiquinho Conde vai falar na sessão matinal de quinta-feira, novamente no Estádio Nacional do Zimpeto, numa sessão de treinos de despedida do solo pátrio, uma vez que a partida para Kigali está prevista para a mesma data, no período da tarde.

Os Mambas, recorde-se, ocupam a segunda posição do grupo L de qualificação ao Campeonato Africano das Nações, CAN-2023, que terá lugar próximo ano na Costa do Marfim, com os mesmos quatro pontos do Benin, atrás do já qualificado campeão em título, Senegal, e com dois pontos de vantagem em relação ao seu adversário de domingo, que é lanterna vermelha com apenas dois pontos.

 

EIS A CONVOCATÓRIA DOS MAMBAS

Guarda-Redes: Fasistêncio João (Ferroviário de Nampula), Victor Guambe (Costa do Sol) e Ivane Urrubal (Associação Black Bulls).

Defesas: Bheu Januário (União Desportiva do Songo), Domingos Macandza (Costa do Sol), Daniel Mutambe (União Desportiva de Songo), Edmilson Dove (Kaizer Chiefs), Francisco Muchanga (Costa do Sol), Martinho Thauzene (Associação Black Bulls), Edson Sitoe (Estoril Praia) e David Malembana (Lokomotiv Sofia).

Médios: Manuel Kambala (Magesi FC), Amade Momade (União Desportiva do Songo), Shaquille Nangy  (Ferroviário de Maputo), Ali Abudo (Costa do Sol), Elias Pelembe (Royal AM), Geny Catamo (CS Marítimo), Stélio Ernesto (Ferroviário de Nampula), Witiness Quembo (FC Nacional da Madeira), Gildo Vilanculos (Sporting Clube Covilhã) e Clésio Baúque (FC Honka).

Avançados: Melque Alexandre (Associação Black Bulls) e Stanley Ratifo (CfR Pforzheim).

Importadores de produtos no Mercado Grossista do Zimpeto reclamam dos custos de importação e alertam que os preços da batata-reno e da cebola poderão subir novamente. O jornal O País constatou, também, no terreno, que há escassez de alguns produtos.

O preço da cebola, que tira sono às famílias moçambicanas há semanas, já começa a baixar. Até este domingo, o produto esteve a ser comercializado no intervalo de 500 a 600 Meticais, quando antes chegava a custar cerca de 800 Meticais.

“Estou um pouco animada porque verifiquei que os preços tendem a baixar. Já dá para organizar alguma coisa em casa. Antes, a cebola estava muito cara, mas agora comprei a quase metade do preço que era praticado”, disse Alice Chaúque, consumidora.

Os revendedores dizem-se aliviados. “Já estávamos a passar mal. Os nossos negócios já estavam a ficar prejudicados. Assim, já dá para gwevar (comprar a grosso). Esperamos que os custos continuem a diminuir para o bem das famílias moçambicanas”, afirmou Marta Américo, revendedora.

Enquanto as coisas parecem melhorar para os consumidores, os importadores dizem estar a acumular prejuízos, já que, segundo eles, os preços praticados, actualmente, no mercado criam insustentabilidade nas suas actividades.

Estes preços que estão a fazer circular aqui, no mercado do Zimpeto, não vão de acordo com os nossos gastos. A cebola que baixou é a de menos qualidade, mas a que é boa permanece cara de onde importamos, neste caso, na África do Sul. Estamos a somar prejuízos. Este cenário tem de se reverter”, apelou Emília Nhantumbo, importadora e vendedora de cebola no mercado do Zimpeto.

Face à situação, os encarregados pela disponibilidade de produtos no Mercado Grossista do Zimpeto equacionam agravar os preços.

“A batata é que vai registar uma subida pela procura e a produção ainda não é suficiente. Só daqui a dois meses, com o aumento da produção nacional… Dependendo da importação, não ajuda muito, no que diz respeito ao abastecimento do mercado”, explicou Abílio Marrime, porta-voz dos importadores.

E mais, estes pedem a intervenção do Governo para estabilizar preços no mercado, no sentido de garantir um fundo que vai beneficiar os importadores.

“Se o Governo criasse condições de abrir uma janela ao nível dos bancos com vista a disponibilizar uns 50 mil rands quando vamos exercer as nossas actividades de importação, creio que as coisas estariam melhor. Agora recorremos ao mercado negro para o efeito, o que acaba por sair mais caro”, explicou Abílio Marrime, porta-voz dos importadores.

Com excepção da batata-reno e cebola, outros produtos não viram os seus preços alterados nos últimos meses.

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