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O sector privado diz que o Banco de Moçambique deve reavaliar a taxa de reservas obrigatórias, fixada, agora, em quase 40%. É que, segundo os empresários, a situação, aliada à suposta escassez de divisas, pode comprometer o crescimento económico do país previsto para este ano.

Na voz de Rogério Zandamela, o Banco de Moçambique anunciou, na segunda-feira, a redução da taxa MIMO, para 13,50%. A CTA diz que até aí está tudo bem, mas o cenário muda quando o assunto são reservas obrigatórias, com uma taxa de 39% em moeda nacional e 39,5% para a estrangeira.

“O Banco de Moçambique não devia manter uma taxa de reserva obrigatória tão elevada, cerca de 39,5%. É de salientar que é uma das mais elevadas do mundo. Do lado da retirada do apoio que o Banco de Moçambique oferecia ao mercado, para suportar as facturas dos combustíveis, é racional a medida, assumindo os fundamentos básicos do funcionamento do mercado. Entretanto, o racional por trás da sua intervenção estava imbuído no papel do Banco de Moçambique como prestador de última instância”, disse o representante do CTA, Zuneid Calumias, vice-presidente do CTA.

Assim sendo, os empresários propõem que o regulador reavalie a quantidade de dinheiro que os bancos comerciais devem reservar no banco central, sob risco de comprometer o crescimento da economia nacional previsto para este ano.

“Os sectores mais afectados são indústrias transformadoras. Acumularam necessidades de divisas não satisfeitas em cerca de 56 milhões de dólares. De salientar que algumas companhias aéreas tencionam restringir as contas para as vendas de passagens aéreas, tendo em conta que os agentes não têm como repatriar as divisas para o pagamento desses serviços. Com isso, a indústria transformadora registou um crescimento negligenciável de 2,9%. A continuar assim, poderá comprometer a sua contribuição para se atingir a meta de crescimento económico”, acrescentou.

O Banco de Moçambique já tinha reconhecido que a disponibilidade de divisas não é uniforme, por isso as empresas devem ter contas em vários bancos comerciais para evitar situações de falta de fundos cambiais.

Até finais deste ano, o Banco de Moçambique perspectiva um crescimento modesto da economia nacional.

O dinheiro está cada vez mais barato no país. Só este ano, o Banco de Moçambique reduziu cerca de 4% a taxa de juro, um cenário que, segundo os economistas Egas Daniel e Luís Mabaço, é muito favorável para a economia e a vida dos moçambicanos, porque vários investimentos passam a ser viabilizados com custo de financiamento mais atractivo.

A taxa MIMO foi mantida em torno de 12,75% em grande parte do ano 2019, e, em 2020, veio a ser reduzida para 9,25%, devido à pandemia da COVID-19. Em 2021, foi ajustada para 13,25% e, em 2022, atingiu a sua variação mais alta, que foi de 17,25% .

A primeira variação da taxa MIMO, em 2024, foi de um dígito, quando reduziu de 17,25% para 16,25%, em Janeiro. Já em Março, houve mais uma redução para 15,75% e, em Julho, foi novamente reduzida para 14,25%. Esta segunda-feira, o banco central anunciou mais uma variação em baixa para 13,50%.

O economista Luís Magaço vê com bons olhos a medida do Banco de Moçambique e espera que os bancos comerciais avaliem mais o peso das dívidas das empresas e das famílias.

“Isso é fundamental, porque, agora, a redução é de 75 pontos base. Esperar que a taxa de juros prime seja reduzida na mesma proporção, na mesma medida, para que os bancos comerciais possam, no seu portfólio dos créditos à economia, rever, também, a taxa de juros nesse sentido, aliviando o esforço do serviço de dívida dos mutuários, quer empresas, quer famílias, quer, enfim, outras instituições que tenham compromissos com a banca”, explicou o economista Luís Magaço.

Apesar da satisfação, Magaço diz que o Banco de Moçambique poderia ter reduzido mais a taxa MIMO, mas defende que a não precipitação pode ser para controlar a inflação e evitar pressão à economia em Dezembro, período em que o dinheiro é mais utilizado.

“Penso que essa é a razão, é tentar não ter grandes variações ao longo dos meses, para depois fazer uma grande variação, por exemplo, em Dezembro, e isso seria penalizador. Penso que essa taxa pode ser mais baixa, mas, como digo, o banco central deve estar também a fazer estimativas mais de médio prazo”, apontou o economista Magaço.

Por sua vez, Egas Daniel fala de uma época onde a economia vai ficando mais leve, o que pode criar um impacto positivo para empresas e para as famílias.

“Por um lado, temos o dinheiro, que está a ficar cada vez mais barato, por outro lado, temos os preços, que não estão a aumentar tanto quanto vinham aumentando. Então, a combinação desses dois factores são, indubitavelmente, um cenário favorável para a economia de Moçambique, para as famílias, para as empresas e para toda a sociedade, porque alguns investimentos cuja viabilidade era limitada por causa do elevado custo de financiamento passam a ter alguma luz de viabilização”, clarificou Egas Daniel.

Por outro lado, Egas aponta que o Estado pode ser o maior beneficiário dessas reduções, e explica as razões.

“Talvez quem mais aproveite é o Estado, de alguma forma, porque, como ele é quem mais se endivida, então quando as taxas de juros reduzem. Significa que também pode reduzir o indexante associado aos bilhetes e obrigações de tesouro, que são contraídos recorrentemente para o Estado para financiar o seu défice e a sua dificuldade de tesouraria contínua que temos estado a observar nos últimos anos”, finalizou o economista Egas Daniel.

A perspectiva do Banco de Moçambique é reduzir, gradualmente, a taxa de juro de política monetária para menos de 10 dígitos, em três anos.

O Banco de Moçambique reduziu de 14.25% para 13.50% a taxa de política monetária, mais conhecida por taxa mimo. O anúncio foi feito, esta segunda-feira, por Rogério Zandamela, Governador do Banco de Moçambique.

Com a decisão anunciada pelo Comité de Política Monetária, o dinheiro no país poderá ficar menos caro para os bancos comerciais e consequentemente para os seus clientes, segundo o Comitê de Política Monetária do Banco de Moçambique.

“O Comitê de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu reduzir a taxa MIMO, de 14,25% para 13,50%.”

O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, explicou que a decisão é “sustentada pela contínua consolidação das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, num contexto em que a avaliação dos riscos e incertezas associados às projecções mantém-se favorável.”

Pelo facto de o Estado estar a recorrer bastante ao endividamento interno, o Banco de Moçambique alerta para a pressão que isso faz ao sistema financeiro.

Segundo Rogério Zandamela, o endividamento público interno, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 402, 7 mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 90,3 mil milhões em relação a Dezembro de 2023.

Entre o que Rogério Zandamela chamou de “boas notícias”, listou, também: o crescimento do Produto Interno Bruto, o aumento dos níveis de inclusão financeira no país, entre outras, mas também, encorajou os bancos a não se acomodarem diante da falta de divisas.

Aliás, recentemente, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) alertou que as medidas de restrição cambial do Banco de Moçambique estão a criar escassez de divisas no mercado. Esta segunda-feira, Rogério Zandamela, Governador do Banco de Moçambique, reconheceu haver desequilíbrio na disponibilidade de dinheiro, contudo aconselhou a banca a não se acomodar e buscar “soluções locais nas instituições com excedente ou internacionalmente”.

“Neste mercado, há uma certa forma de segmentação, alguns bancos têm maior disponibilidade e maior conforto e os que têm mais dificuldades. Os bancos que têm problemas, uma parte é tentar ver as instituições que têm excedente de divisas, mas podem fazer mais e podem buscar linhas de crédito internacionais”, disse.

Em acréscimo, Zandamela reiteirou que tal não é só responsabilidade do Banco de Moçambique, pois, “se têm clientes, têm negócios que querem promover e a disponibilidade de divisas quem têm não é suficiente, nada os impede de ir buscar linhas de crédito internacionais e os bancos do mundo fazem isso. Ou buscam localmente ou buscam lá fora, porque o fundo cambial é gestão do Banco de Moçambique”, insistiu.

Ao mesmo tempo, Zandamela assegurou que as as reservas internacionais “mantêm-se em níveis confortáveis, continuam a crescer e situam-se a níveis suficientes para cobrir mais de cinco meses de importações de bens e serviços”.

Os níveis de inclusão financeira cresceram significativamente devido a introdução de novas tecnologias e a modernização das infra-estruturas de pagamento. “De Dezembro de 2022 a Junho de 2024, a percentagem de população adulta com acesso aos serviços financeiros digitais passou de 68,5% para 94,5% num período muito curto.”

Devido a esse e outros factores, o Banco Central perspectiva um crescimento modesto da economia nacional até finais deste ano.

 

 

O Presidente da República, Filipe Nyusi, diz que “força maior” não deve ser usada como o impedimento para a retoma dos megaprojectos na península de Afungi, na província de Cabo Delgado.

Filipe Nyusi falava na quarta-feira, por ocasião dos 60 anos das Forças Armadas de Moçambique, ocasião em que destacou que a situação nos distritos afectados pelo terrorismo, naquela província nortenha, está melhor do que em 2018 ou muito antes, quando os projectos decorriam normalmente, na Bacia do Rovuma.

“Por isso, dizemos que a retoma dos megaprojectos na península de Afungi não pode ser condicionada unicamente pela cláusula de Força Maior. Nas actuais condições, devemos honrar a entrega das Forças de Defesa e Segurança, em particular as Forças Armadas de Defesa de Moçambique hoje e seus aliados, retomando o normal decurso da vida, incluindo as actividades do sector produtivo a todos os níveis”, referiu, de forma apelativa, o Chefe do Estado.

Recorde-se que foi o ataque de 24 de Março de 2021 à Vila de Palma que fez com que a TotalEnergies, uma multinacional francesa que explorava gás natural liquefeito, na área 1 da Bacia do Rovuma invocasse, a 26 de Março do mesmo ano, “força maior”, ou seja, insegurança e suspendesse as suas operações.

Já se passam mais de três anos e, até aqui, as actividades continuam suspensas, apesar dos apelos feitos pelo Executivo, muitas vezes na voz do Presidente da República, para que os trabalhos fossem retomados, por considerar haver condições favoráveis para o efeito.

O projecto da TotalEnergies, suspenso, foi o maior investimento privado já anunciado em África, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares.

No início da semana, em Nova Iorque, o Chefe do Estado manteve um encontro com o vice-presidente da ExxonMobil, que explora a Área 4 da Bacia do Rovuma. Walter Kansteiner referiu que o projecto técnico para a exploração do gás natural será concluído dentro de um ano, cerca de 12 ou 13 meses.

A retoma dos megaprojectos na Bacia do Rovuma é tida como factor crucial para o crescimento económico do país, uma vez que Moçambique poderá ser um dos maiores exportadores de gás natural do mundo.

O sector privado moçambicano esteve em Doha, capital do Qatar, na semana passada, para buscar oportunidades de investimentos naquele país arabe.

Durante três dias, 20 empresários nacionais de diversas áreas, desde agricultura até indústria, transporte, logística, recrutamento de mão-de-obra, comunicação, comércio e serviços estiveram frente-a-frente com o sector empresarial daquele país para apresentar as suas ambições, encabeçados pelo vice-ministro da Economia e Finanças, Amílcar Tivane, e pelo presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), Agostinho Vuma.

No primeiro dia de trabalho, a reunião foi com a Câmara de Comércio e Indústrias do Qatar, onde Moçambique apresentou as suas potencialidades. Na agricultura, por exemplo, Agostinho Vuma “vendeu” Moçambique como um sendo um país barato e competitivo em terras e águas.

“Isso significa que o país pode produzir e suprir produtos orgânicos em pouco tempo”, disse Vuma para convencer o empresariado, mas referiu que é preciso que haja menos burocracia para a aquisição de vistos e a eliminação da dupla tributação para facilitar os seus negócios.
Porém, não foi apenas a agricultura que foi apresentada no fórum de negócios Moçambique- Qatar. Outros sectores, como turismo e industrialização, foram apresentados como potencialidades para investimentos: o Moz Park, por exemplo, esteve em evidência.

Ónorio Manuel, director-geral, referiu que o parque industrial de Beluluane, o maior do país, é o maior produtor de alumínio de África, o que, para ele, essa é a prova de que Moçambique está pronto para receber grandes projectos, uma vez que os investimentos deste parque já atraíram e absorveram mais de dois bilhões de dólares norte-americanos em investimentos.

Um outro benefício apresentado pelo grupo de empresários moçambicanos foi o facto de, durante 50 anos, os empresários explorarem determinado espaço sem o Direito de Uso e Aproveitamento de Terra.

A contraparte do Qatar acolheu todo o que foi apresentado e afirmou que já há muito tempo o país tinha interesse em fazer investimentos em

África e quer que Moçambique seja a porta de entrada.

“Queremos expressar a nossa prontidão para trabalhar com as instituições e entidades moçambicanas, com vista a consolidar a cooperação comercial entre o sector privado do Qatar e de Moçambique”, disse Mohammed Bin Ahmed, vice-presidente da Câmara de Comércio e Investimentos do Qatar.

EMPRESÁRIOS QUEREM FIM DA DUPLA TRIBUTAÇÃO 

Naquele país, durante as conversações, a dupla tributação e burocracia para a aquisição de vistos foram colocados na mesa como desafios com impactos negativos para a efectivação dos negócios e precisam, com urgência, de ser ultrapassados.

Durante três os dias, estes pontos foram levantados pelas partes e o Governo, representado pelo vice-ministro da Economia e Finanças, Amílcar Tivane, garantiu que várias políticas já foram e estão a ser criadas para tornar o ambiente de negócios mais favorável.

“Deixe-me destacar aqui que o Governo de Moçambique está com o compromisso de ir em frente com iniciativas e legislações de política adicional para atrair e proteger investimentos estrangeiros no país.”

Desejo tomar esta oportunidade para informar que os nossos governos estão a trabalhar para concluir, em tempo real, um pacote de acordos que engloba várias intervenções, incluindo um instrumento legal sobre a promoção e protecção de investimentos mútuos, o que é bastante importante”, disse.

QATAR QUER IMPORTAR ALFAFA DE MOÇAMBIQUE

Durante o encontro, vários acordos foram assinados. Um deles, com a empresa de produção de lacticínios no Qatar, Baladna, que quer importar de Moçambique forragem para alimentar o seu gado.

Trata-se de uma fábrica moderna, automatizada, que fornece 95% dos produtos lácteos naquele país. A empresa explora toda a cadeia de valor, ou seja, ele é verticalmente integrada, com mais de 24 mil vacas leiteiras. A “farma” acompanha todo o processo de produção, desde a gestação, nascimento, crescimento, a entrada em linha de produção, extracção de leite e processamento.

O país não tem capacidade para produzir o alimento dos animais e a forragem é importada de vários países e Moçambique pode ser o próximo fornecedor.

“Dentro de alguns meses, a direcção técnica da Baladna vai a Moçambique visitar a CTA e a seguir Chókwè e Chicualacuala, para avaliar as características técnicas da alfafa que o país produz. Pela capacidade do país, não é possível fornecer mais, mas pelo menos conseguimos este acordo para exportar a nossa alfafa directamente para o mercado catariano”, explicou Agostinho Vuma.

Além da visita a Baladna, os empresários seguiram para a Qatar Financial Center, um centro empresarial e financeira que presta serviços jurídicos e regulatórios para empresas locais e internacionais, lá os homens de negócios queriam compreender como tudo funciona.

QATAR POLYMER ASSINA ACORDO PARA ESTÁGIO DE MOÇAMBICANOS

Empresários moçambicanos que queiram importar sacos e plásticos de uma empresa catariana terão desconto de 30% e os moçambicanos terão oportunidade de estagiar numa fábrica têxtil daquele país.

Segundo o CEO da empresa Qatar Polymer, Nasser Al – Dolami, a empresa vai responsabilizar-se pela ida dos moçambicanos, desde a passagem aérea, estadia e toda a logística, uma vez que a intenção é expor o seu produto no mercado moçambicano.

Numa fase inicial, serão 10 os beneficiários.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que, embora a inflação esteja a reduzir de forma constante a nível mundial desde o fim da pandemia da COVID-19, os preços ainda não alcançaram o estágio de estabilidade.

No seu relatório referente ao ano de 2024, a instituição aponta que, após a pandemia, a economia mundial tem mostrado uma resiliência notável e a inflação tem caído de forma constante rumo às metas dos bancos centrais.

“Embora a maioria dos sinais aponte para um pouso suave no mundo todo, o crescimento e a inflação têm divergido mais entre os países. As reservas diminuíram”, pode-se ler no documento publicado pelo FMI.

Refere ainda o Relatório Anual do Fundo Monetário Internacional 2024 que as perspectivas de crescimento da economia mundial de médio prazo (período superior a um ano e inferior a cinco anos) são fracas.

Segundo a directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, mais preocupante ainda é a perspectiva de crescimento da economia mundial de médio prazo, bem abaixo da média histórica de 3,8%.

“O facto de que os países vulneráveis correm o risco de ficar ainda mais para trás também preocupa”, conclui o relatório que sugere que a dinâmica variável da inflação exige abordagens específicas para cada país.

De acordo com as projecções do FMI, o crescimento mundial deve ser de 3,1% em 2029 — uma das menores previsões quinquenais em décadas. Segundo a análise, isso não é um bom sinal para a redução da pobreza.

Tal situação também não favorece a geração dos empregos necessários para as crescentes populações de jovens nas economias em desenvolvimento, como a moçambicana, e nos mercados emergentes.

Diante da perspectiva de desaceleração do crescimento económico mundial, o FMI explica que alguns países, sobretudo os de baixa renda, correm o risco de ficar para trás no tocante à convergência de renda.

Outro alerta do FMI, quatro anos após o surto da COVID-19, tem a ver com os défices fiscais e as dívidas que superam as projecções pré-pandemia e a previsão é que continuem mais altos no médio prazo.

“Sem medidas firmes, a dívida pública mundial deve ultrapassar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2029”, considera o Fundo. Por isso, sugere que os países trabalhem para tornar-se resilientes a choques futuros.

No entender do Fundo Monetário Internacional, tal resiliência poderá possibilitar o investimento público necessário para gerir as transições climática e tecnológica.

“Para apoiar o crescimento de médio prazo, os países terão de combinar políticas adequadas para conter a inflação e posicionar as finanças públicas em uma trajectória sustentável”, avança o Fundo Monetário Internacional.

DESAFIOS DO ANO ELEITORAL

O relatório do FMI chama, ainda, atenção para o facto de que, em 2024, haverá eleições em mais da metade do mundo (medido tanto pela população quanto pelo Produto Interno Bruto), por isso alerta para os riscos.

“Os governos poderão ver-se tentados a adiar a consolidação fiscal, mas isso poderá obrigá-los a fazer um ajuste mais doloroso posteriormente”, refere o Fundo Monetário Internacional.

Os riscos para o refinanciamento da dívida continuam grandes para muitos países, alerta o FMI. Daí diz ser preciso manter a cooperação internacional para melhorar a arquitectura mundial de reestruturação das dívidas.

No caso das economias de mercados emergentes e em desenvolvimento, priorizar reformas na governança, regulamentação dos negócios e nas políticas para o sector externo poderia destravar ganhos de produtividade.

FUTURO DESCONHECIDO E INCERTO

O Fundo Monetário Internacional (FMI) conclui que o efeito das mudanças climáticas constitui uma fonte de incerteza e uma grande ameaça ao crescimento económico e à prosperidade dos países no longo prazo.

No seu relatório anual, o Fundo avança ainda que as ambições mundiais e as lacunas na implementação de políticas persistem. “A redução das emissões de gases de efeito estufa para manter o aumento da temperatura média mundial bem abaixo de 2°C (e, num cenário ideal, em 1,5°C), em relação aos níveis pré-industriais, exige acções urgentes”.

Outra incerteza decorre das previsões do crescimento mundial de médio prazo mais fraco em três décadas, resultante significativamente da desaceleração do crescimento da produtividade total dos factores.

“Esse quadro é agravado por uma queda generalizada da formação de capital privado após a crise e por um crescimento mais lento da população em idade activa nas principais economias”, conclui o relatório.

“A melhoria da alocação do capital e da mão-de-obra para empresas mais produtivas será essencial para reforçar o crescimento”, diz o relatório.

Quase três mil medidas de restrição comercial foram impostas em 2023, um número quase três vezes maior que o registado em 2019, faz saber o FMI.

“As restrições diminuem os ganhos de eficiência da especialização, limitam as economias de escala e reduzem a concorrência”, alerta o Fundo.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique defende a revisão do diploma que regula a operacionalização do sistema de taxa ambiental sobre embalagens.

O Presidente da CTA, Agostinho Vuma, citado pela Rádio Moçambique, disse que o regulamento sobre embalagens não deve ser um instrumento de proliferação de taxas e taxinhas.

Por isso, os empresários discutem, em Maputo, uma proposta que deverá ser apresentada ao Governo, através do Ministério da Terra e Ambiente, órgão que aprovou o diploma em 2017.

Já o vice-presidente do pelouro da Terra e Ambiente na CTA, João Frades, entende que as taxas devem ser revertidas a favor do produtor e importador de embalagens.

Durante o seminário, os empresários nacionais discutiram, igualmente, a proposta do decreto sobre registo e certificados de importadores e exportadores de produtos alimentares básicos, bem como o projecto de financiamento climático.

 

Moçambique vai passar a produzir carne bovina de melhor qualidade, inicialmente, na zona Centro do país, o que poderá reduzir a importação da mesma. A iniciativa é o resultado da entrega de 20 kits de suplementação animal aos criadores desta região pela Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze, que servirão para a recolha de capim para a produção de feno e ração com vários nutrientes para alimentar os animais.

Com estes kits, os beneficiários já podem produzir feno e, consequentemente, ração com os respectivos nutrientes para estes animais. Assim, o gado já não precisa de caminhar longas distâncias diariamente, na época seca, para poder comer e beber água. A caminhada contribui para tornar a carne mais rija e, consequentemente, a perda de qualidade.

A Agência do vale do Zambeze diz que pretende, com a iniciativa, reduzir importações de produtos de carne.

A entrega dos kits foi orientada pelo governador de Sofala, Lourenço Bulha, que indicou que, no primeiro semestre deste ano, devido à seca, Sofala produziu cerca de um milhão e duzentas mil toneladas de carne contra mais de três milhões e meio previstos e que estes equipamentos irão melhorar a produção.

A Agência do vale do Zambeze garantiu, nesta cerimónia, que continuará a buscar, através dos seus parceiros, recursos para a melhoria da cadeia de valores da pecuária na região Centro.

O Banco Africano de Desenvolvimento já investiu cerca de 3,5 mil milhões de dólares em Moçambique, desde que o país aderiu a esta instituição financeira em 1997, ou seja, há 47 anos.

O valor investido, segundo o primeiro-ministro, Adriano Maleiane, serviu para financiar 115 projectos de diversas áreas, desde energia, água, saneamento, estradas e pontes, até à agricultura.

Maleiane frisou que, a par disso, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) tem apoiado o país no desenvolvimento do capital humano e na melhoria da estabilidade fiscal, ambiental e mobilização de recursos para o sector público e privado.

“Temos a destacar, ainda, a modernização do Corredor de Nacala, que permitiu melhorar a logística e a conectividade a nível interno, assim como contribuiu para o fortalecimento da posição competitiva de Moçambique nas cadeias de valor regionais”, recordou o primeiro-ministro.

O governante reconheceu, igualmente, o apoio prestado pelo BAD para mitigar os efeitos das mudanças climáticas – que têm afectado, ciclicamente, o país –, a pandemia da COVID-19 e o terrorismo no Norte do país.

Adriano Maleiane falava durante as celebrações dos 60 anos do BAD. No evento, o representante da instituição financeira em Moçambique, Macmillan Anyanwu, fez uma radiografia das seis décadas e referiu que vários foram os desafios enfrentados pelos países africanos, desde os desastres naturais, instabilidade macroeconómica e, mais recentemente, a COVID-19, e em todas as situações esteve envolvido para mitigar a devastação e o impacto nos países-membros.

Macmillan reconheceu que os desafios ainda são muitos, mas o foco é apoiar na transformação socioeconómica em todo o continente e resolver os problemas existentes na educação e saúde.

“Temos de continuar a integrar África”, disse e continuou: “Temos de continuar a apoiar investimentos em infra-estruturas que ajudem a aumentar a conectividade entre os países africanos. Isso ajudaria a aumentar o comércio inter-regional para que os países africanos possam acrescentar valor aos seus produtos”, disse.

Já o ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, disse que a visão do BAD de eliminar a pobreza e promover o bem-estar nos países africanos continua a mesma, mas entende que, neste momento, a instituição financeira deve reorientar a sua forma de assistir os países membros, provendo-se como um banco de soluções para problemas como desemprego dos jovens e mulheres, as dívidas nas economias africanas e a segurança.

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