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O País – A verdade como notícia

Se o apelo do Governo era no sentido de as empresas fecharem negócios na Feira Internacional de Maputo, a EDM e TDM-Mcel atenderam à exortação. AS duas empresas públicas assinaram um memorando, na FACIM, para a partilha de recursos logísticos e técnicos. O acordo foi assinado pelos presidentes dos conselhos de administração da EDM e da TDM-Mcel.

O objectivo é racionalizar os meios e melhorar a situação económica das empresas. Para a TDM-Mcel, o acordo fechado na sexta-feira é um dos primeiros, desde que tem um conselho de administração único. “É possível empresas em situações difíceis darem-se as mãos e, em conjunto, ultrapassarem essas dificuldades, com vista a melhorar a qualidade dos serviços. Esta vontade de melhorar e partilhar recursos é reciproca”, disse Mahomed Rafique Jusob, Presidente do Conselho de Administração da TDM-Mcel, que falava minutos após assinar o acordo.

A Electricidade de Moçambique espera que a TDM-Mcel melhore a sua situação económica, depois da insustentabilidade das duas empresas de comunicação ter levado o Governo a decidir-se pela sua fusão. “Eu acredito que a TDM-Mcel vai levantar-se. E nós comprometemo-nos a estar juntos nessa operação de levantar a TDM-Mcel.

A EDM também vai fortificar-se. E nós não conseguimos ser fortes sem a TDM-Mcel nos emprestar o seu ombro”, disse, por sua vez, Mateus Magala, PCA da empresa Electricidade de Moçambique.

Além da partilha de recursos logísticos e técnicos, o acordo fechado, este sábado, na FACIM, vai permitir a formação de quadros da EDM e TDM-Mcel em matérias técnicas, de gestão e de liderança.

A empresa finlandesa Nokia, uma multinacional com tradição na produção de telefones celulares, vai conceder estágios profissionais a jovens moçambicanos do ramo das Tecnologias de Informação e Comunicação, à luz de um memorando de entendimento rubricado, hoje, entre aquela empresa e o Instituto Nacional do Emprego.

Sabe-se, sim, que o portal de emprego, recentemente criado pelo Governo, será um veículo de recrutamento dos beneficiários. De acordo com Juvenal Dengo, a condição para ser contemplado é mostrar habilidades e perfil para singrar na área das Tecnologias de Informação e Comunicação.

Mas não se trata apenas de estágios profissionais, o programa acordado, com a duração de dois anos, prevê treinamento de talentos moçambicanos, capaz de lhes conferir vagas de trabalho na empresa Nokia e noutras empresas no país.

O representante da Nokia, Sami Reineck, considera que o acordo é também vantajoso para a sua marca, visto que valoriza a herança finlandesa.

O acordo para a formação e estágio de moçambicanos na Nokia foi rubricado por ocasião da visita do Ministro da Economia e do Trabalho da Finlândia à Ministra do Trabalho, Emprego e Segurança Social de Moçambique, Vitória Diogo, na tarde de hoje.

O grupo Premier African Minerals vai alienar a concessão florestal que detém no país pela TCT Indústrias Florestais, a fim de se concentrar na exploração de tungsténio e lítio no Zimbabwe e de potassa na Etiópia, informou a empresa em um comunicado, citado pelo portal Macauhub.

A TCT Indústrias Florestais é uma empresa controlada pelo grupo Premier African Minerals, que em Novembro de 2016 adquiriu uma participação de controlo de 52 por cento à Transport Commodity Trading Mozambique Ltd. (TCTM) e à GAPI Sociedade de Investimentos, contra o pagamento sujeito a condições de 2,1 milhões de dólares.

O comunicado adianta que embora o grupo continue interessado nos depósitos de calcário, os activos florestais não se enquadram na actual estratégia, que é confirmada pela recente suspensão de autorizações para o abate de árvores e respectivas licenças de exportação.

O grupo salienta que a compra da participação de controlo estava dependente da atribuição de quotas para o abate de árvores por parte do Governo, pelo que a interrupção existente “dá uma oportunidade para renovar os direitos e obrigações ao abrigo dos acordos de aquisição, mantendo em simultâneo uma participação de 50 por cento nos activos de calcário”.

A administração do grupo está a analisar possíveis parcerias ou a venda da sua participação no negócio florestal ao mesmo que se mantém interessado nos depósitos de calcário.

A empresa dispõe de uma licença de exploração de depósitos de calcário numa área com 27 quilómetros quadrados e uma concessão florestal com 24 812 hectares localizada na região Centro do país, a que estão associadas uma serração e uma fábrica para a produção de mobiliário e de produtos semi-acabados para exportação.

O grupo Premier African Minerals controla uma carteira de activos de metais estratégicos e de projectos agro-minerais na África Austral e Ocidental.

 

 

A Associação Moçambicana para Promoção do Cooperativismo Moderno – AMPCM – foi premiada na categoria de Melhor PME com Produto Manufacturado, tendo ficado em segundo lugar na 53ª edição da FACIM 2017.

A premiação foi o culminar das cerimónias oficiais de encerramento da FACIM, dirigidas pelo Primeiro-Ministro Carlos Agostino do Rosário.
O galardão eleva o trabalho que tem sido feito pela AMPCM, de fortalecer cada vez mais as cooperativas em prol de uma produção de qualidade, inclusiva e sustentável.

Depois de receber o Prémio, a Presidente da AMPCM, Helena Bandeira, disse que este reconhecimento foi o momento mais alto da presença da AMPCM na FACIM 2017. “Agradeço em nome de todas as cooperativas associadas a AMPCM mas sobretudo aos nossos parceiros, We Effect – Centro cooperativo Sueco, no âmbito do Programa AGIR, financiado pelas embaixadas da Suécia, Holanda e Suiça. Os nossos parceiros não estiveram presentes para testemunhar este momento mas foram os responsáveis pela nossa presença na FACIM e por esta conquista. É uma responsabilidade para a AMPCM e um grande impulso para que a associação trabalhe mais depois desta premiação”, reforçou Helena Bandeira.

A associação tem-se engajado na promoção das cooperativas de vários ramos de negócio distribuidos pelas suas 51 cooperativas e é na tentativa de reforço do seu trabalho que este ano, expôs uma variedade de produtos e serviços representados através das dezenas de cooperativas. A AMPCM teve em exposição o arroz, milho, feijões, soja, amendoim, castanha de cajú, leite fresco e outros.

Todos os anos a AMPCM marca presença na feira com objectivo de exibir suas actividades e angariar mais membros para o bem da produção e produtividade nacional e massificar a divulgação dos seus serviços, buscar estabelecer parceiros, trocas de experiências, oportunidades de mercados para produção dos seus membros e outras formas de oportunidades de negócio que possam fortificar e tornar as cooperativas cada vez mais sustentáveis, contribuindo para o desenvolvimento sócio-económico do país.

Importa referenciar que no primeiro dia da Facim, a AMPCM, recebeu no seu stand, o Chefe de Estado Filipe Nyusi, que na sua breve paragem, encorajou as cooperativas a “procurarem peencher os espaços na cadeia de valor da Agricultura”.

                                              

 

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) fechou, recentemente, um contrato com a Siemens para o recondicionamento de 15 transformadores na subestação HVDC, em Songo, província de Tete. O anúncio foi feito, esta quinta-feira na Feira Internacional de Maputo, pelo director-geral da Siemens Moçambique, Rui Marques, que no entanto, não revelou os custos envolvidos no processo, argumentando que estes são imprevisíveis, já que deverão variar ao longo do tempo.

O processo todo envolve a renovação dos 15 transformadores conversores, a substituição dos enrolamentos internos de quatro unidades e das travessias e recondicionamento geral de 11 unidades.
Em termos de impacto, espera-se que dê maior fiabilidade à subestação ao fornecimento de energia quer para Moçambique, quer para a exportação, ou seja, trata-se de uma acção para renovar os equipamentos que já são antigos e adaptá-los às novas tecnologias que permitam que as linhas de corrente contínua, com capacidade de 1 920 megawatts (MW), sejam exploradas com mais eficiência e fiabilidade.
É que a HCB assume-se como responsável pelo transporte de energia a grandes distâncias, incluindo para África do Sul (neste caso são 1 450 quilómetros), graças às linhas de transmissão em corrente contínua (HVDC), as quais são alimentadas por transformadores conversores que datam dos anos 1970 e que agora serão modernizados.    

A montagem, a ser efetuada pela Siemens Moçambique em conjunto com a casa-mãe e a equipa da Siemens Portugal, deve durar pouco mais de três anos (39 meses), a contar a partir deste ano, dada a complexidade da montagem das 15 máquinas, considerando tratar-se de equipamento de grande porte.

De acordo com o director-geral da Siemens Moçambique, a montagem dos novos equipamentos será feita nas instalações da HCB (em Songo, província de Tete), o que de certa forma vai permitir gerar emprego e possibilitar a transferência de conhecimento para os moçambicanos. De outra forma, a compra e montagem dos transformadores poderia ter lugar na Alemanha (onde está sedeada a Siemens), mas para assegurar benefícios para Moçambique decidiu-se que a montagem fosse feita localmente.

Cahora Bassa é uma empresa importante para o país. A energia que produz é transportada desde a subestação de Songo para o norte do país e exportada para países vizinhos, nomeadamente Malawi, Zimbabwe e África do Sul.

HCB tem sofrido avarias
O investimento em novos geradores conversores pode ajudar a resolver algumas avarias que se têm verificado nos equipamentos da HCB, e que condicionam o fornecimento de energia. A última delas ocorreu a 03 de Dezembro do ano passado, chamado Grupo Gerador nº 3, causada pela ruptura do material isolante do enrolamento daquele equipamento. Como resultado, o fornecimento de energia aos clientes foi reduzida na ordem de 18% quer para os clientes internos, quer a energia eléctrica exportada para os países vizinhos. Através de um comunicado, a empresa informou, na altura, que a reparação da respectiva avaria era de uma complexidade que exigia um prazo de 70 dias.

O Governo aprovou os termos do contrato mineiro para a exploração de depósitos de grafite pela empresa Twigg Exploration & Mining Limitada, subsidiária do grupo australiano Syrah Resources, no distrito de Balama, província de Cabo Delgado, disse esta semana a porta-voz do Conselho de Ministros, citada pelo portal de notícias Macauhub.

A porta-voz do Governo, Ana Comoana, disse ainda que a resolução aprovada em Conselho de Ministros remete ao Ministério dos Recursos Minerais e Energia a assinatura de contrato com a empresa Twigg Exploration & Mining Limitada, que tem um prazo de 25 anos. Para operacionalizar o projecto será necessário investir no mínimo 87.99 milhões de dólares, segundo o portal de notícias.

Ana Comoana disse também a jornalistas que a resolução aprovada pelo Governo atribui, à empresa concessionária, o direito de extracção, processamento, armazenamento e comercialização dos produtos mineiros provenientes dessa área.

A província de Cabo Delgado dispõe de grandes depósitos de grafite no distrito de Ancuabe, além do de Balama, havendo já vários empresas estrangeiras a explorar esses recursos minerais.

Recorde-se que em Junho, a empresa iniciou, formalmente, a produção de grafite na mina de Ancuabe, tendo investido 12 milhões de dólares, empregando 100 trabalhadores, 60 dos quais moçambicanos. O arranque foi o culminar de cerca de cinco anos de reabilitação da infra-estrutura, que estava paralisada na sequência da guerra civil dos 16 anos. Desde o século XIX que a existência de grafite é motivo de realce no norte de Moçambique.

De acordo com o portal da Syrah, o geólogo e engenheiro John Furman, ao serviço da Companhia do Niassa, foi o primeiro a documentar o “grande depósito de grafite” de “alta qualidade” na região de Balama em 1893, lê-se no portal Macauhub.

O incumprimento no pagamento da dívida de Moçambique pode levar a “perdas consideráveis para os credores privados”. O alerta vem da Moody’s, uma agência de classificação de risco de crédito, que diz que o país não paga desde o início do ano, escreve “Observador”.

A classificação de crédito reflecte essa expectativa, referiu a agência, numa análise anual sobre o país, divulgada ontem. “O Governo de Moçambique não fez pagamentos relativos a diversos instrumentos de dívida desde o início de 2017, pendente de uma reestruturação“, referiu Lucie Villa, vice-presidente da Moody’s e analista sénior, co-autora da análise citada pelo jornal Observador.

O registo de incumprimentos do Executivo indica a sua falta de vontade em dar prioridade aos pagamentos da dívida”, acrescentou a fonte. A Moody’s considera que o Governo pode “tentar impor perdas maiores para os credores privados, o que aumentaria a probabilidade de o FMI estar disposto a prestar apoio financeiro”. Nos detalhes da avaliação, a agência aponta que “o quadro institucional muito fraco de Moçambique é um desafio fundamental ao crédito, exemplificado pela não divulgação de empréstimos, garantidos pelo Executivo, de duas empresas estatais, nomeadamente a Moçambique Asset Management (MAM) e Proindicus”, naquele que ficou conhecido como o caso das dívidas ocultas. A Moody’s alerta ainda para deficiências identificadas nas estruturas nacionais no registo de dados.

Por outro lado, a força fiscal do Governo é avaliada como sendo “muito baixa ”, reflectindo “elevados e crescentes níveis de dívida pública e altos níveis de exposição financeira a riscos monetários”. “A alta dívida pública que constituía 102 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 e a falta de acesso ao financiamento, especialmente externo, para cobrir défices fiscais e pagamentos de dívida, impõe restrições ao crédito”, acrescentou a Moody’s na nota. A força da economia nacional é categorizada como “Baixa (+)”, devido a factores como “pequena dimensão” da economia, “diversificação limitada, fraco desenvolvimento de infra-estruturas e baixos rendimentos per capita”. Ainda assim, a Moody’s considera que o país tem boas perspectivas de crescimento a longo prazo, referindo que a exploração de Gás Natural Liquefeito será um momento de viragem “para o desempenho das exportações de Moçambique para as receitas do Governo e para a economia em geral”. A Moody’s prevê que o PIB do país cresça 4,7 por cento em 2017 a partir de um valor de 3,8 por cento em 2016, conclui.

No mês passado, no relatório sobre a avaliação do “rating” de Moçambique, a Standard & Poor’s (S&P) escreveu que a aceleração do crescimento da economia, de 3,8% em 2016 para 4% este ano e um ponto percentual acima em cada ano até 2020, “será alicerçada nos desenvolvimentos positivos na indústria do gás, como a Decisão Final de Investimento da ENI na bacia do Rovuma”, cujos principais contributos para a economia só vão sentir-se depois de 2020, o horizonte das previsões da S&P.

Na avaliação sobre o andamento da economia, os analistas Rhavi Bhatia e Gardner Rusike, que assinam o relatório, dizem que, nos próximos anos, “um peso da dívida particularmente elevado, juntamente com a procura interna fraca e baixos níveis de investimento, vão continuar a pesar nas perspectivas de evolução da economia moçambicana”.

O PIB per capita, por exemplo, desceu para 371 dólares por habitante, “quase metade do seu nível há três anos”, antes da queda dos preços das matérias-primas e da divulgação de dívidas de empresas públicas com garantia do Estado que foram escondidas dos doadores internacionais e das instituições nacionais.

As previsões para a evolução da dívida pública face ao PIB apontam para um rácio na ordem dos 128,1% este ano, acima dos 127,5% do ano passado e significativamente acima dos 94,7% de 2015.

Até 2020, a S&P estima que a dívida pública desça para 125,6% do PIB em 2018 e depois mais significativamente, para 119,3 e 111,7% do PIB nos dois anos seguintes.

Na acção de “rating” divulgada, a S&P manteve o “rating” para a dívida em moeda externa de Moçambique em “Incumprimento Selectivo” e também manteve a dívida emitida em meticais abaixo da recomendação de investimento.

O Vale do Zambeze estende-se por mais de 225 mil quilómetros quadrados ao longo das províncias de Tete, Manica, Zambézia e Sofala. É das áreas agro-ecológicas mais ricas do país onde se pode produzir todo tipo de produto alimentar. Mas também é rico em recursos minerais, energéticos, pesqueiros, turismo e para industriais culturais. Ontem, a Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze apresentou, na FACIM, as oportunidades de negócios para as Pequenas e Médias Empresas (PEM) ao longo do Vale do Rio Zambeze.

“Existem enormes potencialidades para as pequenas e Médias Empresas poderem participar em toda ta cadeia do carvão. Há oportunidades de desenvolvimento de negócios e também pode se aproveitar uma série de produtos derivados de ferro e aço”, referiu Reinaldo Mendiate da Agência do Zambeze.

A Agência do Zambeze quer igualmente incrementar a exploração turística e cultural da região.

E porque avultados investimentos foram realizados para aumentar a produção agrícola com a instalação de 44 parques de máquinas com mais de 170 tractores, disponibilidade de financiamento para pequenos agricultores, ainda esta sexta-feira a Agência do Zambeze lançou uma marca colectiva para identificar e certificar produtos agrícolas produzidos nesta região.

A Agência do Zambeze actua nas áreas de agricultura, infra-estruturas, energia, mineração e turismo com o objectivo de promover o desenvolvimento económico e social de mais de 5 milhões de pessoas que vivem nesta região.

José Maria Neves, antigo primeiro-ministro de Cabo Verde durante 15 anos, é um dos convidados como orador no segundo Grande Fórum MOZEFO que tem lugar nos dias 22,23 e 24 de Novembro próximo, em Maputo. Encontrámo-lo em Luanda, onde esteve a liderar a Missão de Observação Eleitoral da União Africana às Eleições Gerais do dia 23 de Agosto, em Angola. Apesar da pressão que a actividade acarretava, José Maria Neves conseguiu arranjar alguns minutos para falar sobre o MOZEFO 2017, do qual juntamente com os antigos Presidentes de Moçambique, Joaquim Chissano, do México, Vicente Fox, da Costa Rica, Laura Chinchila e os antigos primeiros-ministros de Espanha, Luís Zapatero, de Moçambique, Luisa Diogo, antigo vice-primeiro-ministro de Portugal, Paulo Portas, e das Maurícias, Rama Sithanen e Graça Machel irão compor os convidados de honra do fórum.

Estará em Moçambique para participar no segundo Grande Fórum MOZEFO, o que espera que venha a ser este fórum?

É importante termos estes espaços de debate, porque estamos a falar sobre a África de hoje, sobre perspectivas futuras do desenvolvimento deste continente. A África é um grande continente, riquíssimo em termos de recursos naturais, recursos humanos e agora é tempo de trabalharmos reforçando as instituições, capacitando as pessoas, reforçando o Estado do Direito Democrático, para termos o desenvolvimento inclusivo e chegarmos a uma maior dignidade para todos africanos e todas africanas. E estes debates vão permitir-nos reafirmar ideias, confirmar sonhos e trabalhar para uma África cada vez melhor. Por isso, é sempre com grande interesse que participo em debates desta natureza e espero que este de Moçambique seja profundamente enriquecedor e seja um espaço fértil de criação, de inovação e de busca de novas soluções para este nosso grande continente que é a África.

O lema deste grande fórum é Conhecimento, Motivação e Acção, é acertado para o momento que o continente está a atravessar?

É isso, nós precisamos de pensar com as nossas próprias cabeças, como dizia Amílcar Cabral. Precisamos conhecer melhor a África e precisamos de uma profunda descolonização intelectual de África e as nossas universidades, os nossos investigadores. Os nossos pensadores devem criar uma epistemologia que nos permite chegar mais longe no entendimento deste continente e na abertura de novos percursos rumo ao futuro. Portanto, é preciso conhecer, estarmos todos motivados e engajados na busca de novos caminhos para África e, sobretudo, é preciso agir e agir a tempo, para fazermos face à globalização, às mudanças climáticas e a todos efeitos que resultam das mudanças tecnológicas e fazer face aos desafios de hoje e desenvolver África.

Cabo Verde é uma referência ao nível do continente africano em termos de desenvolvimento, do respeito pelas liberdades individuais e colectivas e foi o primeiro-ministro de Cabo Verde durante vários anos.

Que experiências vai levar para Moçambique que enfrenta grandes desafios nestes aspectos?

Eu vou falar de Cabo Verde, vou falar do nosso percurso. Em África, temos experiências positivas, todos temos feito coisas interessantes nos nossos países, com percursos diferentes, vamos aprendendo uns com os outros. O importante é termos uma África positiva, uma África que pode crescer, pode inovar, uma África aberta ao mundo, unida, moderna, próspera e trocando experiências e socializando o que de positivo fizemos nos nossos países podemos ir muito mais longe. Portanto, vou levar a experiência de Cabo Verde e vou aprender com experiências.

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