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O País – A verdade como notícia

Ainda no âmbito da celebração do 13º aniversário do jornal O País, a biblioteca central da Universidade Pedagógica (UP), acolhe, neste momento, uma palestra subordinada ao tema “Que educação precisamos para desenvolver Moçambique”.

A palestra será dirigida pelo reitor da Unilúrio, o Professor Doutor Francisco Noa. A palestra terá transmissão directa no nosso site, O País.

 

O Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, garantiu esta quinta-feira na cidade da Beira, que o Governo continuará a promover o desenvolvimento integrado, equilibrado e inclusivo em todo o país, tendo como objectivo central o rápido desenvolvimento sócio-económico das áreas territoriais municipalizadas.

Carlos Agostinho do Rosário que falava em representação do Presidente da Republica, Filipe Nyusi, durante a sessão de abertura da segunda conferência de investimentos daquela cidade, explicou ainda que é no contexto das garantias de investimentos nas autarquias que o Governo tem vindo a mobilizar recursos para assegurar a implementação de projectos estruturantes, na cidade da Beira e noutros municípios do país.

"Para que estas iniciativas de desenvolvimento alcancem o objectivo preconizado no nosso programa de governação, é importante que estejam focadas na melhoria contínua das condições de vida da população através da promoção do emprego e geração de renda. No caso específico da Beira, o governo tem estado a priorizar, entre outras, o abastecimento de água e saneamento do meio, a expansão da rede eléctrica e melhoria da qualidade de energia e a mitigação dos efeitos negativos das mudanças climáticas".

A II conferência de investimentos, organizada pelo Conselho Municipal da Beira e que termina nesta sexta-feira, tem como objectivo mobilizar recursos para projectos estruturantes a serem implementados na cidade da Beira. Para o PM, o evento constitui uma excelente plataforma para transformar as potencialidades existentes nesta cidade em oportunidades de negócio.

"Saudamos de forma especial o Conselho Municipal da Beira pela realização deste evento, que reúne o sector empresarial e parceiros de cooperação para juntamente com o Governo e o município, buscarem soluções para o desenvolvimento desta cidade e do país em geral. Encorajamos e apoiamos este tipo de iniciativas, pois reforçam a nossa convicção de que a municipalização permite a organização e participação dos cidadãos na gestão e no desenvolvimento dos seus Municípios. Queremos que o desenvolvimento autárquico contribua para a melhoria dos serviços prestados.

Para se alcançar tal resultado, de acordo com Agostinho do Rosário, "esperamos de vós, caros participantes, que se envolvam de forma franca e aberta, nos debates dos diferentes temas propostos. Privilegiem bolsas de contacto para permitir que possam melhor informar-se sobre o rico potencial que a Beira detém".

Carlos Agostinho do Rosário pediu ainda aos participantes para estabelecerem parcerias mutuamente vantajosas que resultem na realização de projectos de investimento com impacto na geração de mais emprego, aumento da renda e redução do custo de vida.

"Adoptem mecanismos que garantam o seguimento dos compromissos que vão assumir durante esta conferência, por forma a transformá-los em projectos concretos".

O dirigente lembrou que na área da mitigação dos impactos negativos das mudanças climáticas ao nível da cidade da Beira, nos últimos anos, o Governo realizou investimentos na componente de saneamento e drenagem de águas pluviais, sendo de destacar o reperfilamento, em 2016, do rio Chiveve e a sua ligação com o mar, que foi o fruto da primeira conferência de investimentos, assim como a reabilitação em curso do sistema de drenagem de águas pluviais por canais, aliás, foi assim, com grande satisfação que no período chuvoso 2017-2018 não se verificaram inundações nos bairros periféricos, como era frequente ocorrer no passado.

"Para dar prosseguimento às acções de protecção da cidade da Beira do efeito das mudanças climáticas, em Julho do presente ano vai iniciar a construção de um Parque Verde, o primeiro em Moçambique, numa área de 47 hectares. Este Parque Verde servirá para o controle de inundações na bacia do rio Chiveve, bem como de zona de lazer, de desporto, de cultura, de negócios e de protecção ambiental dos ecossistemas das zonas de mangal".

No âmbito da II conferência de investimentos, o Conselho Municipal da Beira (CMB) assinou memorandos de entendimento visando a concretização de projectos de infra-estruturas, nomeadamente a construção de 25 mil casas sociais no bairro Maraza. Os memorandos foram assinados entre o CMB e o FIPAG, CMB e EDM e CMB e Holanda, país que financiará a iniciativa.

Por seu turno, o Conselho Municipal da Beira, através do seu presidente, Daviz Simango, exortou aos participantes da II conferência de investimentos a unirem-se com vista a proporcionar aos beirenses uma vida condigna e a construírem uma cidade resiliente as mudanças climáticas.

Daviz Simango acrescentou que tem esperanças que a conferência de investimentos criará bases para o bem-estar colectivo nesta urbe e para tal defendeu a união de esforços.

"A presença do Primeiro-ministro é mais um testemunho de que mãos dadas chegaremos longe, tornando o nosso país mais produtivo e competitivo, deixando um legado para as futuras gerações. Vamos continuar a trabalhar para que a Beira continue a ganhar um alento económico, social e cultural, deixando um legado para as próximas eleições".

A governadora de Sofala indicou que a segunda conferência de investimentos é uma unidade de grande interesse económico e empresarial que valoriza institucionalmente a cidade da Beira e a província de Sofala.

"Esta conferência é de extrema importância pela relevância dos objectivos previstos e pela dimensão dos actores dinamizadores da economia e pelo interesse empresarial associativo que ela traz. Como governo da nossa província, queremos apresentar a nossa total abertura na cooperação estratégica operacional com outras instituições proveniente de vários continentes"

E a embaixadora da Holanda, Pascalle Grotenhuis, garantiu que o seu país continuará a prestar apoios na implementação do Plano Director da Beira e continuará.

"Se trabalharmos juntos como doadores, como investidores, como financiadores e como partes interessadas na cidade da Beira, podemos manter a Beira como uma verdadeira história de sucesso. Aguardo, portanto, com expectativa um resultado frutífero desta Conferência e uma cooperação contínua com todos vocês".

 

Para liquidar a dívida que se arrasta há muito tempo, a EDM encontrou duas formas: uma é a redução das perdas significativas registadas pela empresa e outra consiste em encontrar um balanço entre a energia que a EDM compra dos seus fornecedores, nomeadamente, Gigawatt, Kuvaninga, CTRG e Cahora Bassa, para que tenha um custo sustentável para a empresa.

“Se conseguirmos essas duas equações, teremos, certamente, recursos suficientes para, no espaço deste ano, resolver os 14 milhões”, disse Mateus Magala, PCA da EDM, à nossa equipa de reportagem.

Mas a EDM não tem apenas dívidas. Segundo o PCA da empresa, alguns clientes devem-lhe cerca de três mil milhões de meticais, equivalentes a 50 milhões de dólares. Fazem parte da lista dos devedores da EDM: instituições públicas e privadas, os institutos de comunicações, rádios e companhias de água.

Uma outra forma encontrada pela EDM para reforçar a sua capacidade financeira é a cobrança de dívidas a seus clientes. A empresa lançou, há pouco tempo, uma campanha de cobranças e já começou a negociar com os devedores os planos de pagamento de cada uma das dívidas.

Para os clientes que aceitam pagar as dívidas seguindo o referido plano, o Presidente da EDM explica que continuarão a consumir a energia, já os que não aceitam pagar suas dívidas, Magala alerta que poderão ficar sem a corrente eléctrica porque “a energia não é gratuita e tem um custo de aquisição”.

Depois do aviso sobre a campanha de cobrança das dívidas, muitos devedores começaram a pagar. “Mesmo a Saúde já começou a reagir positivamente a este chamamento e já fez pagamentos que são muito encorajadores”, disse Mateus Magala.

Não são só as dívidas que preocupam a direcção da EDM: avanço de projectos associado a financiamentos que tornaram-se difíceis também. Por exemplo, alguns projectos cruciais da empresa estão atrasados ou paralisados por dificuldade de acesso ao crédito, porque há três anos que o Governo moçambicano enfrenta dificuldades de acesso por causa da dívida do país que é insustentável, isto é, se a EDM quiser financiar-se agora, teria de buscar financiamentos muito caros.

“Nós, ao aceitarmos esses financiamentos muito caros, estaríamos a hipotecar a vida dos nossos filhos e nossos netos. Por isso, acabamos por não requerer a esses financiamentos e certamente limitamos a possibilidade de fornecer energia de qualidade aos moçambicanos”, considera Mateus Magala.

Embora o país tenha uma empresa produtora de grandes quantidades de energia, a HCB, o nível de acesso à energia eléctrica, tem um dos mais baixos níveis de acesso de África e do Mundo. “Com cerca de 28 milhões de habitantes, estamos com um nível de acesso de 28%”, sublinha o Presidente da EDM. Porém, a meta da EDM é garantir energia para todos os moçambicanos até 2030.

Para alcançar electrificar todo o país, a EDM teria de fazer pelo menos 450 mil ligações por ano, o que custaria meio bilião de dólares por ano nos próximos 12 anos. Só para os próximos anos serão necessários seis biliões de dólares em investimentos, diga-se, é um objectivo ambicioso.

“Contando com outra infra-estrutura como de geração e transmissão, esse número, certamente pode chegar aos 10 a 12 biliões de dólares nos próximos 12 anos. Aí podíamos dizer que temos infra-estrutura necessária, tanto de geração como de distribuição à cada casa”, refere Mateus Magala.

Apesar das adversidades enfrentadas pelo país, entre elas a dívida insustentável, o PCA da EDM revelou ao O País Económico que, nos últimos três anos, conseguiu mobilizar cerca de 1.3 biliões de dólares em financiamentos, sendo metade constituído por donativos e outra parte multi-concessional.

O valor já existente não satisfaz, mas ajuda a responder as necessidades básicas de energia eléctrica. Há uma componente de investimento em infra-estrutura de geração e transmissão que não está a ser coberta pelo montante, que só podia ser coberta pelos empréstimos, que neste momento, são difíceis.

Entretanto, neste momento, a EDM está a começar a produzir a central solar de Mocuba, na Zambézia, com capacidade de 41 megawatts de energia. Seu financiamento é, segundo Magala, baseado numa inovação financeira em que a empresa não usa as garantias do Estado como tem acontecido normalmente, mas a parceria público-privada que ajudam a minimizar os custos.

“Temos nesse processo a Noruega, através do seu fundo, a contribuir concessionalmente, na verdade, em termos de donativo, nós também contribuímos com algum valor e temos o sector privado que também contribui com o risco coberto pelas instituições internacionais como o caso de IFC do Banco Mundial, que vem para dar essa garantia. Conseguimos uma inovação para continuarmos a obter financiamento”, explica o Presidente do Conselho de Administração da EDM.

Central eléctrica de emergência de Nacala ainda sem financiamento

A Electricidade de Moçambique (EDM) planeava construir uma central de geração de energia eléctrica de emergência com capacidade para produção de 80 megawatts para responder a procura cada vez mais crescente em Nacala e aliviar a pressão na região norte do país criada com o surgimento de novos empreendimentos, mas tal ainda não aconteceu por falta de financiamento.

O Presidente do Conselho de Administração da Electricidade de Moçambique explica que o projecto devia ser financiado pelo governo japonês, através de um empréstimo, mas isso não aconteceu por causa da situação de endividamento do Estado moçambicano que ultrapassou limites recomendáveis.

O projecto é orçado em 80 milhões de dólares, que seriam financiados pelo Japão em forma de crédito concecional – ou seja muito mais barato, que só pode ser em forma de crédito. Como solução, a EDM pretende convencer o governo japonês a reduzir o valor para o nível aceitável de donativo, que é 20 milhões de dólares, o máximo aceitável, de modo a avançar com o projecto em novos mordes.

“Como é sabido, a região norte do país tem grandes problemas de geração e de infra-estruturas. É um projecto de emergência porque numa determinada altura ficamos sem energia no norte e é por isso que tivemos que por a central flutuante, que não é uma solução de longo termo para nós, é transitória”, considera Magala.

A central de emergência seria detida a 10 por cento pela EDM, enquanto na actual central flutuante, a EDM está numa parceria onde tem de alugar equipamento por período determinado, que depois terá de devolver o equipamento e ficar sem capacidade de geração.

Estratégia de electrificação e plano director publicados em breve

Porque as necessidades de energia são enormes, a Electricidade de Moçambique está a produzir uma estratégia de electrificação e um plano directo que brevemente serão publicados. Nos últimos três anos, explica o PCA da EDM, Mateus Magala, a empresa tem vindo a implementar reformas com vista a promover a mudança de atitude e de mentalidade de todos os trabalhadores na instituição.

“Mudança da forma como prestamos serviços, o melhoramento do nosso desempenho, o profissionalismo e também a contribuição para o desenvolvimento do sector dentro da região austral e como um factor de inclusão e de coesão social“, disse.

Mateus Magala acredita que tem recursos humanos que podem crescer e podem desempenhar um papel importante na transformação da economia de Moçambique.

“Muitas vezes não conseguimos realizar o nosso potencial por causa da atitude. A nossa atitude limita-nos a ter maiores ambições”, diz Magala.

 

O PCA da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) diz que Moçambique pode antecipar as receitas do gás natural da bacia do Rovuma, cujo início de exportação está previsto para o ano 2022. “As receitas que começam a entrar em 2022 podem ser antecipados. É uma engenharia financeira, aquilo que se chama de colateralização. Eles emitem activos que podem ser suportados por alguns fluxos reais. O mercado funciona com expectativa. Qualquer avaliação de um activo não é feita em função da sua natureza história, é feita em função das expectativas de geração de cash flow”, disse Omar Mithá, na palestra que deu esta semana por ocasião da passagem do 13º aniversário do jornal O País.

Até aqui, apenas o projecto “Coral Sul” teve a decisão final de investimento em 2017, estando agora em construção a plataforma flutuante de liquefacção de gás natural. Orçada em 4.7 mil milhões de dólares, a plataforma está a ser montada em três países, nomeadamente Coreia do Sul, Inglaterra e Singapura. A conclusão está prevista para 2021, esperando-se que em 2022 seja exportado o primeiro gás produzido no “Coral Sul”, um conjunto de seis poços com profundidade que varia entre 1 500 e 2 300 metros. Este projecto faz parte da Área 4 da bacia do Rovuma, operada pela petrolífera italiana Eni.

É com base nos rendimentos futuros deste projecto que o PCA da ENH considera ser possível antecipar os ganhos. Aliás, Omar Mithá diz que o projecto tem compradores credíveis, cuja lista inclui empresas públicas de países desenvolvidos que firmaram contratos de médio e longo prazo. “Do mesmo modo que você tem uma factura a receber do Estado e vai ao banco, este pode adiantar o dinheiro. Mas se calhar tens um milhão por receber e o banco diz que só pode dar 500 meticais e vai descontar 50% só por causa de seis meses. Por isso é importante estudar para que não haja uma negociação desequilibrada”, exemplificou.

Apesar de admitir a possibilidade de antecipação das receitas, Omar Mithá reconhece que seria uma transacção muito complexa: “Evidentemente teríamos que ver quais são os credores que temos, como se processam os pagamentos e outros procedimentos”.

Além da antecipação de receitas para o Estado, Omar Mithá diz que a ENH também poderia financiar a sua participação nos projectos do Rovuma, através da venda antecipada do gás. “Na altura, nós podíamos convencer os outros accionistas que vamos receber em espécie e colocávamos o gás no mercado de uma forma antecipada. Ai teríamos o dinheiro para realizar o nosso investimento. É uma ideia fantástica. Mas como o mercado estava muito fraco, não seria fácil convencer e era preciso maximizar as receitas para viabilizar o projecto”.

E porque a estratégia de venda antecipada do gás não funcionaria, a ENH está nos mercados à procura de dois mil milhões de dólares para financiar a sua quota nos projectos de gás do Rovuma. Para o efeito, a empresa pública contratou as consultoras financeiras Lazard Frères, Lion’s Head Global e Société Générale. Numa entrevista recente à agência de informação financeira Bloomberg, o PCA da ENH descreveu como sendo “extremamente urgente” a ida aos mercados, que inclui passagens por Ásia, Médio Oriente e a África do Sul. A Lazard, que já está a aconselhar juridicamente o governo de Moçambique na renegociação das “dívidas ocultas”, vai também dar assistência legal ao financiamento da participação da ENH na Área 1 da bacia do Rovuma, cujo operador é a petrolífera norte-americana Anadarko. A Société Générale vai também ajudar no financiamento. Já a Lion’s Head será a consultora responsável pelo aconselhamento da ENH na participação no projecto que a petrolífera italiana Eni está a desenvolver na Área 4.

“Dívidas ocultas” não afectam projectos de gás da bacia do Rovuma

Foi durante o debate que um participante questionou se o dossier das “dívidas ocultas” que praticamente afastou Moçambique dos mercados financeiros internacionais não estaria a afectar os projectos da bacia do Rovuma. Em resposta, o PCA da ENH explicou que as posições que o país recebe das agências de notação financeira não estão a comprometer o andamento dos projectos. Para reforçar, Omar Mithá lembrou que, em 2017, os concessionários da Área 4 tomaram a decisão final de investimento para o campo “Coral Sul”, único projecto de exploração de gás no mundo que teve aprovação definitiva no ano passado. “Isso trouxe ganhos intangíveis como, por exemplo, colocar o país no mapa dos potenciais produtores de gás. Vieram grandes players, como a Exxon Mobil, que está a desenvolver um projecto onshore. Isso significou demonstrar capacidade do país de poder organizar um projecto bilionário. Moçambique ganhou maior credibilidade e confiança”, admitiu.

E para divulgar os projectos do Rovuma, os concessionários da Área 1 criaram a marca LNG Mozambique para fazer o marketing. A empresa estará estabelecida em Singapura e será dirigida por director-geral estrangeiro. “O director adjunto será um moçambicano, um funcionário da ENH e neste momento ele está a participar em todas as negociações com os vendedores. Há outra moçambicana que está a trabalhar em Houston (Estados Unidos) na área de mercados. Portanto, não haverá aqui uma negociação de preço muito abaixo para prejudicar o país. O mercado é muito transparente, a gente sabe quanto está o barril de petróleo, quais são os indexantes, porquanto está a ser vendido, isso tudo é possível ter informação”, explicou.

O PCA da ENH explicou ainda que nos consórcios as decisões são tomadas em conjunto, sendo que a decisão passa se tiver mais de 60% de aprovação. Em certas matérias, cada empresa tem direito a veto. “As coisas não dependem só do operador, há um princípio de governação”. Para melhor acesso à informação, a ENH conta com geólogos e outros especialistas, além do regulador – Instituto Nacional de Petróleo. “O regulador teve ajuda da Noruega e de outros consultores que hoje fazem leituras sobre as reservas. Antes de aprovar o plano de desenvolvimento discute-se quantos furos vão fazer, qual vai ser o nível de recuperação dos poços e esses dados técnicos são avaliados para se poder mitigar o risco de assimetria na informação”.

O Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN) ultrapassou as metas de transporte de mercadorias transportando, nos primeiros três meses deste ano, cerca de 100 mil toneladas de carga diversa o que corresponde a 41 por cento acima do previsto. A meta do transporte de mercadorias, efectuadas pelo comboio que liga a cidade estratégica de Nacala aos países da Interland, nomeadamente Malawi e Zâmbia, era de 79.955, escreve a AIM.

O desempenho é fruto da qualidade dos serviços prestados pelo CDN, do bom estado da via ferroviária e o aumento do transporte de carga para Niassa como resultado da redução da tarifa Nacala-Lichinga.

A empresa aponta como desafio para o segundo trimestre, busca de melhorias necessárias para atender a demanda e melhorar o seu desempenho.

O CDN é uma sociedade anónima responsável pela gestão, reabilitação e exploração comercial de forma integrada das infra-estruturas do Porto de Nacala e da rede ferroviária do norte de Moçambique. Integra-se no Projecto Corredor de Nacala, que engloba a região norte de Moçambique, o Malawi e a Zâmbia.

 

A cidade da Beira será palco, esta quinta-feira, da segunda conferência de investimentos. A iniciativa é do Conselho Municipal da Beira que pretende com o evento, que será orientado pelo Primeiro-ministro, Carlos Agostinho de Rosário, conquistar apoios nacionais e externos com vista a viabilizar várias iniciativas com destaque para a construção de 25 mil casas sociais de diferentes modelos, no bairro da Maraza, onde já estão disponíveis para tal 500 hectares.

"Já avançamos com a legalização do espaço assim como com a empresa de legalização de terra. A intenção desta empresa é garantir que se procedam os aterros, que se construam as infra-estruturas públicas, nomeadamente rede de estradas, de água, de esgotos e de energia"- explicou Daviz Simango, presidente do Conselho Municipal da Beira.

A cidade da Beira é altamente vulnerável a mudanças climáticas, e este será um dos temas em destaque na conferência.

"Há neste momento varias infra-estruturas em progresso. Vamos sentar com vários analistas para fazermos a simulação de cheias assim como acções técnicas de engenheira por forma a que se encomendem estudos fiáveis de modo a que a cidade da Beira possa resistir a estas mudanças climáticas"

O município pretende, por outro lado, conquistar simpatias para investimentos numa estrada que dá acesso directo ao Porto da Beira.

"Com intenções claras de garantir o desenvolvimento económico sustentável da região e do país e, por outro lado, garantir que os camiões de grande porte não circulem nas artérias da nossa cidade, pois contribuem grandemente para danificar as rodovias".

Importa referir que uma das marcas da primeira conferência de investimentos, que aconteceu em meados de 2015, foi a reabilitação do rio Chiveve, que esta a contribuir para minimizar os impactos das cheias cíclicas na cidade da Beira.

Prevê-se que a II conferência termine com a assinatura de memorandos de entendimentos com vários parceiros. 

 

O primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, conferiu posse, esta quarta-feira, ao novo director-geral do Instituto Nacional do Turismo (INATUR). Na ocasião, o dirigente recordou que o sector de Turismo é uma das prioridades do Governo, no entanto, continua a contribuir com taxas baixas o crescimento da economia nacional.

Este cenário leva a que Carlos Agostinho do Rosário desafie o novo gestor do INATUR, Romualdo Johnam, a melhorar o sector e a assegurar a promoção do turismo.

“Actualmente, o sector contribui com apenas com apenas 2,3% para o Produto Interno Bruto. Esta percentagem desafia a todos nós, uma vez que o nosso país possui enorme potencial turístico e, na nossa acção governativa, a área do turismo constitui uma das nossas prioridades, tendo em conta as áreas turísticas e de conservação existentes em Moçambique’’, disse.

Para o governante, o desafio é tornar o país num destino turístico de referência da região e do mundo.

Os desafios colocados a Romualdo Johnam estendem-se até à geração de mais postos de emprego, que deve passar dos actuais 61 mil trabalhadores existentes actualmente.

“Recomendamos ao INATUR para, no exercício das suas funções de promoção e valorização da nossa riqueza cultural, paisagística e faunística, assegurar que cada um dos intervenientes da área do turismo, tanto público como privado, continuem a dar a sua contribuição na geração de mais emprego e aumento da renda”, referiu.

Por outro lado, o primeiro-ministro quer a valorização e capacitação dos recursos humanos, visando a promoção do turismo doméstico.
Johnam substitui Albino Celestino que dirigia o Instituto desde 2015. Até Janeiro do presente ano, era Conselheiro Económico para área de Turismo e Cultura no Brasil.

 

O governo de Moçambique está a contar com o atum que os barcos de pesca irão recolher para aumentar a receita fiscal, atendendo aos níveis de capturas que estão a ser protagonizados tanto pelos operadores regulares como pelos ilegais, essa medida poderá não resultar.

O peixe a ser capturado, pela Tunamar deverá ter como destino o mercado da China, atendendo a que o grupo estatal CITIC é actualmente o maior investidor na Frontier Services Group (FSG), com uma participação de 28,4%, a que se adiciona uma outra da companhia de seguros China Taiping.

A indústria da pesca representa 4,0% do Produto Interno Bruto de Moçambique, havendo previsões de que o pescado capturado legalmente este ano registe um crescimento homólogo de 7,0% para 14 mil toneladas.

Mas existem dúvidas de que a entrada em funcionamento da frota de 24 embarcações da Tunamar encontre grandes quantidades de pescado, atendendo a que o governo moçambicano já admitiu que os cardumes de atum existentes nas águas de Moçambique não deverão ser em quantidade suficiente que permita a sua exploração por embarcações industriais.

 

Empreiteiros e representantes de empresas de construção civil juntaram-se, na manhã de hoje, para debater os problemas que impedem o crescimento do sector. Segundo o presidente da Federação Moçambicana de Empreiteiros mais de 50 por cento das empresas de construção estão a enfrentar dificuldades.

As que ainda estão no activo tiveram que reduzir o número de trabalhadores, as que mantiveram os trabalhadores operam no vermelho.

O encontro serviu também para harmonizarem as preocupações que serão apresentadas num encontro que a Federação vai realizar com o Governo dentro de dias.

 

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