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CCMI e ENH mobilizam PME para o sector energético

A Câmara de Comércio Moçambique–Itália e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos  mobilizam pequenas e médias empresas para uma maior aproximação aos investidores internacionais, com o

CCMI e ENH mobilizam PME para o sector energético

A Câmara de Comércio Moçambique–Itália e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos  mobilizam pequenas e médias empresas para uma maior aproximação aos investidores internacionais, com o

O Porto de Pemba, em Cabo Delfgado, oferece óptimas condições naturais para receber navio de grande porte: está situado na maior baía de África, as suas águas chegam a 12 metros de profundidade no cais e mesmo em momentos de maré baixa o canal de acessos tem 8 metros de profundidade.

Apesar dessas vantagens, o Porto de Pemba é um lugar fantasma, onde o fluxo de navios é muito baixo.

Em um mês, em média, entram apenas dois navios e também não é estranho fechar-se o mês sem receber navios de grande porte, que são os mais importantes para o facturamento.

A empresa Caminhos-de-Ferro de Moçambique, proprietária do Porto de Pemba, tem uma explicação para o problema.

"Falta mercadoria para o Porto de Pemba, mas as grandes mineradoras que exploram grafite no distrito de Balama, aqui em Cabo Delgado, preferem fazer longas distâncias de camiões levando a mercadoria para o Porto de Nacala, na província de Nampula".

A falta de navios não permite a entrada de divisas, factor que pode dificultar no pagamento de salários de mais de 100 trabalhadores. Em 2013, a carga manuseada foi de mais de 289 mil toneladas e 2017 o número caiu para cerca de 150 mil toneladas. Ou seja, quase a metade!

 

 

 

Trezentos mil pequenos produtores do sector familiar vão beneficiar de cerca de USD 5,6 milhões, desembolsados pelo governo dos Estados Unidos da América (EUA), através da sua Agência de Desenvolvimento Internacional-USAID, para acções de combate às pragas na agricultura.

O acordo financeiro foi assinado na última sexta-feira, no Maputo. O Fundo das Nações Unidas para Alimentação (FAO), será o responsável pela gestão do fundo e assistência técnica durante o período da implementação do projecto.

Na ocasião, o ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, Higino de Marrule, disse que esta iniciativa representa o início de mais um “ciclo de esperança” para os pequenos produtores espalhados no país.

Por seu turno, a directora interina da USAID em Moçambique, Sheryl Stumbras, destacou que auxílio disponibilizado visa, igualmente, potenciar o sector agrícola com trabalhos de pesquisas virados para o combate à doenças e pragas como é o caso da lagarta do funil do milho e acrescentou que Moçambique precisa ser protegido contra agentes de doenças como lagarta do funil do milho para atingir seu potencial e continuar a observar crescimento no sector agrícola, podendo assim, melhorar a renda e eliminar a pobreza.

Para o FAO, com o projecto será possível reforçar a capacidade nacional de vigilância e controlo de doenças, bem como a ligação entre extensão e a pesquisa para melhorar a prestação de serviços aos pequenos produtores através de promoção de práticas alimentares seguras, tecnologias e pesquisas.

Para o efeito, e segundo o representante do FAO, Olman Serrano, será preciso uma estreita colaboração com o Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar (MASA), com enfoque para Direcção Nacional de Silvicultura (DINAS) e ao Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM).

A lagarta do funil do milho é, neste momento, considerada a principal praga que põe em sentido os agricultores no país. A mesma tem uma capacidade de afectar grandes áreas em pouco tempo, devido ao seu estado migratório, daí que a ocorrência desta espécie invasiva na região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) constituí uma ameaça a produção de milho.

Cientificamente conhecida por “Spodoptera Frugiperda”, esta praga foi detectada pela primeira vez em Moçambique em princípios de 2017, nas províncias de Tete (distrito de Changara e cidade de Tete), Manica (distritos de Chimoio, Vanduzi, Catandica e Manica) e Gaza (distritos de Bilene, Chicualacuala e Xai-Xai).

É uma praga migratória e polífaga que ataca mais de 80 diferentes tipos de culturas, incluindo o arroz, mapira, trigo e cana-sacarina, sendo o milho seu principal hospedeiro.

Efeitos e danos

No milho o dano é causado em todas as partes aéreas da planta (folhas, caule, espiga e inflorescências).

Esta praga pode causar perdas de produção até 100%, se não forem tomadas medidas adequadas de controlo. Na Zâmbia, por exemplo, o Fundo das Nações Unidas para Alimentação indica que cerca 100 mil hectares de milho foram infestados.

No Brasil, onde a praga é endémica, os custos de controlo da praga estimam-se em 600 milhões de dólares norte-americanos.

 

O Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFP) diz que vai fazer de tudo para capitalizar as cinco mil vagas de emprego colocadas à disposição pela Anadarko, durante o período de cinco anos de construção da plataforma de liquificação de gás natural em Palma.

A promessa foi feita no seminário de oportunidades locais realizado esta sexta-feira, na cidade de Pemba.

O seminário trouxe boas perspectivas não só para o sector privado, como também para instituições do Estado.

O director do INEFP disse na ocasião que a sua instituição já tem os dados da Anadarko, referente à demanda de emprego, por isso está a trabalhar em todo o país onde tem os centros de formação e de treinamento para em tempo certo colocar à disposição técnicos formados e na medida da exigência da petrolífera.

Com 19 centros de formação profissional, o INEFP forma profissionais de nível básico, mesmo assim a Anadarko garantiu que vai contratar, pois na fase inicial de construção da plataforma de liqueficação de gás natural, não vai precisar de mão-de-obra altamente qualificada e nem exigirá experiência comprovada.

 

O Governo e o sector privado estão reunidos em Pemba, na província de Cabo Delgado, num seminário onde a multinacional norte-americana Anadarko apresenta oportunidades de negócios do projecto de gás natural a desenvolver no país que poderá ter a sua decisão final de investimentos no próximo ano. Na abertura do evento, Max Tonela, Ministro dos Recursos Minerais e Energia disse que o evento  é a materialização de um dos desafios do Presidente da República, Filipe Nyusi, a quando da sua tomada de posse em 2015.

“Procuramos com este evento traduzir a visão de vossa excelência sobre o caminho a percorrer rumo ao desenvolvimento integrado e inclusivo e um aproveitamento pleno e sustentável dos recursos da indústria extractiva”, referiu Max Tonela.

O governante disse ainda, na ocasião, que o evento é o fruto de um trabalho que se vem desenvolvendo com a Anadarko desde que o Governo aprovou o plano de desenvolvimento do começo do projecto de exploração de gás natural.

“Pretendemos com o evento fornecer uma visão alargada e integrada sobre o projecto de exploração de gás natural e assegurar que todos moçambicanos possam expor de igual forma informações sobre as oportunidades a serem geradas”, disse Tonela acrescentando que, o seminário juntou representantes de todos sectores interessados. Inscreveram-se para o evento, cerca de 1025 pessoas.

 

Falando durante a abertura do seminário sobre oportunidades locais, que iniciou há instantes, em Pemba, o director da Anadarko em Moçambique, Steve Wilson assegurou que há muito espaço para empregar e gerar negócios para moçambicanos. “É preciso massificar a mão-de-obra moçambicana nos projectos. Serão criados cinco mil empregos durante a implantação do projecto, mil e quinhentos empregos a longo prazo, e na fase operacional.  A medida que a construção seguir, mais moçambicanos estarão em formação e poderão ocupar as vagas que exigem especialidade. Os benefícios do projecto não ficarão confinados a Cabo Delgado.

Esperamos que os efeitos positivos da actividade económica criem significativamente empregos indirectos para mais moçambicanos. Tudo isso será bom para nação, e para as futuras gerações de Moçambique”, disse.

Falando sobre o processo de reassentamentos. Wilson disse que nada é mais importante para esse projecto do que o relacionamento com os futuros vizinhos.

“Realizamos mais de 800 reuniões com as comunidades. O reassentamento está a ser realizado de acordo com a lei moçambicana. Todos os 560 agregados familiares vão receber compensação equitativa, terras de cultivo e meios de subsistência. Na aldeia que será construída não haverá somente casas, mas também escolas, clínicas médicas, igrejas e edifícios comunitários”, assegurou.

Num outro desenvolvimento, o director da Anadarko em Moçambique falou das ações que estão actualmente em curso. “Estamos a fazer a construção de uma estrada de 14km em Palma, estamos a expandir o acampamento para acolher melhor os trabalhadores e adjudicamos um contrato para construção de um aeródromo, que vai facilitar as idas e vindas do projecto. Ainda este mês mais de dois mil trabalhadores irão ao local para ajudar a desenvolver essas actividades”, disse.

A Anadarko fez saber ainda que mais de 20 moçambicanos estão em formação nos Estados Unidos da América, e falou do programa de mestrado em Engenharia de petróleo na Universidade Eduardo Mondlane, que tem uma média de 25 estudantes ao ano.

No final do ano a petrolífera vai abrir um centro de negócios em Pemba, que terá um escritório satélite em Palma. A decisão final de investimento será tomada até ao primeiro semestre de 2019.

 

O Presidente da República, Filipe Nyusi, dirigiu, esta sexta-feira, a abertura do Seminário sobre Oportunidades Locais. No seu discurso, Nyusi disse que a intenção do Governo é de transformar recursos minerais em riquezas.

“Sabemos todos que o nosso país tem muitos desafios, entretanto o país tem recursos e grande parte adormecidos, é nossa intenção transformar estes recursos em riqueza”, disse o Estadista acrescentando que se iniciou o processo de prospecção do gás e petróleo no país.

O Chefe de Estado disse que o Governo tem trabalhado com a Anadarko e outras empresas do sector privado, no que concerne à implementação do projecto de exploração do gás natural, e que o seminário visa, sobretudo, estabelecer um diálogo para saber como transformar essa riqueza para servir o povo moçambicano.

“Aquando da minha estadia, em Texas, foram estabelecidos contactos para pôr em prática o projecto de gás e colocar a informação em máxima transparência para o povo moçambicano”, acrescentou Nyusi.

A Anadarko disponibilizou-se em apoiar as Pequenas e Médias Empresas e ofereceu cinco mil postos de trabalho, Nyusi disse que dos cinco mil postos, mil e quinhentos serão para os moçambicanos que vivem em Palma e Mocímboa da Praia e acrescentou que o projecto de gás vai expandir outras actividades como agricultura, saúde e pesca.

 

O Presidente da República, Filipe Nyusi, disse que o Seminário de Oportunidades Locais, que decorre em Pemba, representa um uma mais-valia para mudar o paradigma da relação entre os grandes investimentos, o Governo, as comunidades locais e o empresariado nacional.

“O Governo continua a trabalhar para o incremento do desempenho da nossa economia, não precisamos de gritar que a nossa economia está em franca recuperação, precisamos de prová-lo”, disse Nyusi.

O Estadista afirmou ainda que os desafios pelos quais o país tem passado em todas as esferas, a partir das adversidades naturais até ao nível económico-financeiro, são uma lição quer para o empenho colectivo dos moçambicanos na procura da paz efectiva bem como na melhoria da exploração dos recursos minerais, transformando-os em riquezas que sirvam os moçambicanos.

“Queremos que os moçambicanos sejam os maiores beneficiários dos projectos de gás”, acrescentou.

Nyusi disse que a criação das oportunidades locais faz parte das estratégias para o sector de petróleo e gás onde a indústria deve contribuir com a criação de empregos, desenvolvimento tecnológico, aumento de renda nacional, individual, no crescimento económico e melhoria da vida de todos moçambicanos.

“É visão do Governo que o conteúdo local em Moçambique facilite a participação do nosso empresariado no mercado internacional e oferta de bens e serviços de forma a tornar-se cada vez mais competitiva”, referiu Nyusi.

O Estadista afirmou que o evento servirá para assegurar mais oportunidades locais de empregos e de qualificação de mão-de-obra nacional. E que, o seminário tem como objectivo tornar mais robusto o sector empresarial nacional que constitui mais-valia num Estado cada vez mais forte e facilitar as actividades dos investidores do petróleo e gás, com destaque para a empresa Anadarko.

“Com a iniciativa do Governo e parceiros da área 1 pretende-se dar a conhecer a todos moçambicanos com a máxima transparência possível as oportunidades de negócio e os requisitos para se obter emprego na Anadarko”, afirmou o estadista.

O Presidente destacou a importância de uma participação significativa de empresas e dos moçambicanos, neste projecto de maior investimento estrangeiro de liquefação do gás natural alguma vez realizado em Moçambique, acrescentando que os moçambicanos devem ser os maiores beneficiários das oportunidades de negócios disponíveis em multinacionais que investem no país. “Essas empresas devem crescer com o empresariado nacional e com Moçambique”, disse.

Segundo o Estadista, a expectativa do Governo é que o projecto dinamize o desenvolvimento de uma cadeia de valores que fomente a industrialização do país, e exorta os agentes económicos a organizarem-se em associações ou cooperativas para minimizar os investimentos e maximizar os ganhos.

“Queremos igualmente incentivar a banca nacional a estudar formas de intervir neste processo, abrindo linhas de crédito de apoio aos empresários moçambicanos que manifestem interesse em fazer negócios no âmbito da implementação deste projecto”, apelou.

Para finalizar, Filipe  Nyusi encorajou a Anadarko a melhorar a abordagem e os processos de conteúdo local, visando aumentar os gastos locais e a participação no desenvolvimento de empresas nacionais. Nyusi apelou a Anadarko a estimular parcerias com empresas moçambicanos e fazer a transferência de competências e tecnologias por forma a adjudicar concursos complexos a empresas nacionais que sejam geridas por moçambicanos.

O Chefe do Estado disse estar disponível para apoiar o projecto. “Reitero a minha disponibilidade para viabilizar o projecto da Anadarko para clientes fiáveis para o nosso gás produzido na nossa empresa", sublinhou.

 

 

Cinco empresas privadas vão registar-se na Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) ainda este ano. O anúncio foi feito durante um encontro organizado pela revista AgriMag para mostrar as oportunidades de financiamento ao agronegócio através da Bolsa.

São no total 20 empresas que deverão aderir à BVM em resultado do Acordo feito entre a Confederação das Associações Económicas de Moçambique e a Bolsa. Mas para este ano são cinco com os processos já avançados.

Ainda no encontro, o Presidente do Conselho de Administração da Bolsa, Salim Valá, disse que o organismo está disposto a apoiar tecnicamente todas as empresas que queiram comprar ou vender acções através da BVM.

A Agrimag, uma revista especializada em agricultura, entende que o país tem condições para que o sector prospere, mas falta o funcionamento da cadeia de valores.

No presente ciclo de governação, a agricultura foi indicada pelo executivo de Filipe Nyusi como uma das quatro áreas prioritárias para o desenvolvimento económico de Moçambique.

 

Para além do mar com gás, há “espinhas” entre as “rosas” de oportunidades de que tanto se vende quando o assunto é Cabo Delgado. Isso mesmo: a crise fez muitas empresas fecharem as portas, outras dispensarem os seus recursos humanos, os da indústria hoteleira e de restauração estão de rastos, até os pequenos produtores de frango reclamam dos elevados custos de produção e da falta de um matadouro para processar o frango de corte para poderem aceder aos médios e grandes supermercados de Pemba.

Comecemos pelos grandes

Fábio Spetrini deixou Itália e rumou para Moçambique com a STL Oil & Gás Services, Lda. Há seis anos presta serviços de logística, desalfandegamento, transporte e de manutenção industrial. A crise não faz parte do maior problema porque as oportunidades que encontrou superam qualquer desafio. “Temos uma história de trabalho com a ENI há muitos anos e em vários lugares do mundo”, regozija-se Spetrini e prepara as máquinas com os olhos postos nos projectos que estão préstes a arrancar. “Esperamos conhecer bem o ambiente e as empresas que serão integradas nesse grande projecto de desenvolvimento da ária 1 e da área 4”, refere-se à expectativa do seminário do oportunidades locais que se realiza amanhã em Pemba e diz, orgulhoso, que na sua estrutura accionista está um moçambicano com 33%, sem contar com os mais de 30 trabalhadores nacionais empregues.

Sorte diferente tem o engenheiro mecânico nascido na Ilha de Moçambique, em Nampula, que há 20 anos deixou as máquinas para servir os clientes no seu restaurante que está separado das águas cristalinas da Baía de Pemba por escassos metros só. Chama-se Humberto Nazaré. “Houve um decréscimo, mas nota-se uma certa tendência de recuperação e esperamos em breve atingir os níveis normais que sempre foram normais”.

Um homem modesto, de passos mais lentos, acostumado a conversar com muita gente. É nessas conversas que soubemos que no fundo o negócio não vai bem e entende-se porquê: os mariscos estão mais caros porque os chineses os compram vivos dos pescadores ainda no mar; os produtos, muitos deles que usa na cozinha, não são produzidos localmente, para além das passagens da nossa companhia aérea de bandeira em que de Maputo a Pemba e regresso não custam menos de 40 mil meticais. Tudo isto numa conta, o resultado não podia ser diferente: há cada vez menos turistas.

Ao som ambiente dos frangos da sua capoeira construída de pau a pique, encontramos o jovem Francisco Sambo que tenta dar os primeiros passos na avicultura. “A produção mensal é de dois mil frangos e consigo vender”, garante. Entretanto, de seguida lamenta-se: “Aqui em Cabo Delgado não temos matadouro por isso não vendemos o nosso frango nos supermercados. Mesmo o plástico que uso para o frango que preparo quando me solicitam vem de Maputo”.

Associado a isso, está a falta de uma fábrica de produção de ração, quando bem ao lado, na província do Niassa, produz-se soja que vai para o Malawi e Tanzânia ao desbarato. Faltam, outrossim, incubadoras para a produção de pintos, pelo que compram em Nampula, Manica ou Maputo.

Enfim, esta é apenas a fotografia de uma província que oferece oportunidades, desafios e oportunidades que podem ser geradas a partir das dificuldades actuais.

 

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