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O País – A verdade como notícia

O Presidente da República, Filipe Nyusi, dirigiu, esta sexta-feira, a abertura do Seminário sobre Oportunidades Locais. No seu discurso, Nyusi disse que a intenção do Governo é de transformar recursos minerais em riquezas.

“Sabemos todos que o nosso país tem muitos desafios, entretanto o país tem recursos e grande parte adormecidos, é nossa intenção transformar estes recursos em riqueza”, disse o Estadista acrescentando que se iniciou o processo de prospecção do gás e petróleo no país.

O Chefe de Estado disse que o Governo tem trabalhado com a Anadarko e outras empresas do sector privado, no que concerne à implementação do projecto de exploração do gás natural, e que o seminário visa, sobretudo, estabelecer um diálogo para saber como transformar essa riqueza para servir o povo moçambicano.

“Aquando da minha estadia, em Texas, foram estabelecidos contactos para pôr em prática o projecto de gás e colocar a informação em máxima transparência para o povo moçambicano”, acrescentou Nyusi.

A Anadarko disponibilizou-se em apoiar as Pequenas e Médias Empresas e ofereceu cinco mil postos de trabalho, Nyusi disse que dos cinco mil postos, mil e quinhentos serão para os moçambicanos que vivem em Palma e Mocímboa da Praia e acrescentou que o projecto de gás vai expandir outras actividades como agricultura, saúde e pesca.

 

O Presidente da República, Filipe Nyusi, disse que o Seminário de Oportunidades Locais, que decorre em Pemba, representa um uma mais-valia para mudar o paradigma da relação entre os grandes investimentos, o Governo, as comunidades locais e o empresariado nacional.

“O Governo continua a trabalhar para o incremento do desempenho da nossa economia, não precisamos de gritar que a nossa economia está em franca recuperação, precisamos de prová-lo”, disse Nyusi.

O Estadista afirmou ainda que os desafios pelos quais o país tem passado em todas as esferas, a partir das adversidades naturais até ao nível económico-financeiro, são uma lição quer para o empenho colectivo dos moçambicanos na procura da paz efectiva bem como na melhoria da exploração dos recursos minerais, transformando-os em riquezas que sirvam os moçambicanos.

“Queremos que os moçambicanos sejam os maiores beneficiários dos projectos de gás”, acrescentou.

Nyusi disse que a criação das oportunidades locais faz parte das estratégias para o sector de petróleo e gás onde a indústria deve contribuir com a criação de empregos, desenvolvimento tecnológico, aumento de renda nacional, individual, no crescimento económico e melhoria da vida de todos moçambicanos.

“É visão do Governo que o conteúdo local em Moçambique facilite a participação do nosso empresariado no mercado internacional e oferta de bens e serviços de forma a tornar-se cada vez mais competitiva”, referiu Nyusi.

O Estadista afirmou que o evento servirá para assegurar mais oportunidades locais de empregos e de qualificação de mão-de-obra nacional. E que, o seminário tem como objectivo tornar mais robusto o sector empresarial nacional que constitui mais-valia num Estado cada vez mais forte e facilitar as actividades dos investidores do petróleo e gás, com destaque para a empresa Anadarko.

“Com a iniciativa do Governo e parceiros da área 1 pretende-se dar a conhecer a todos moçambicanos com a máxima transparência possível as oportunidades de negócio e os requisitos para se obter emprego na Anadarko”, afirmou o estadista.

O Presidente destacou a importância de uma participação significativa de empresas e dos moçambicanos, neste projecto de maior investimento estrangeiro de liquefação do gás natural alguma vez realizado em Moçambique, acrescentando que os moçambicanos devem ser os maiores beneficiários das oportunidades de negócios disponíveis em multinacionais que investem no país. “Essas empresas devem crescer com o empresariado nacional e com Moçambique”, disse.

Segundo o Estadista, a expectativa do Governo é que o projecto dinamize o desenvolvimento de uma cadeia de valores que fomente a industrialização do país, e exorta os agentes económicos a organizarem-se em associações ou cooperativas para minimizar os investimentos e maximizar os ganhos.

“Queremos igualmente incentivar a banca nacional a estudar formas de intervir neste processo, abrindo linhas de crédito de apoio aos empresários moçambicanos que manifestem interesse em fazer negócios no âmbito da implementação deste projecto”, apelou.

Para finalizar, Filipe  Nyusi encorajou a Anadarko a melhorar a abordagem e os processos de conteúdo local, visando aumentar os gastos locais e a participação no desenvolvimento de empresas nacionais. Nyusi apelou a Anadarko a estimular parcerias com empresas moçambicanos e fazer a transferência de competências e tecnologias por forma a adjudicar concursos complexos a empresas nacionais que sejam geridas por moçambicanos.

O Chefe do Estado disse estar disponível para apoiar o projecto. “Reitero a minha disponibilidade para viabilizar o projecto da Anadarko para clientes fiáveis para o nosso gás produzido na nossa empresa", sublinhou.

 

 

Cinco empresas privadas vão registar-se na Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) ainda este ano. O anúncio foi feito durante um encontro organizado pela revista AgriMag para mostrar as oportunidades de financiamento ao agronegócio através da Bolsa.

São no total 20 empresas que deverão aderir à BVM em resultado do Acordo feito entre a Confederação das Associações Económicas de Moçambique e a Bolsa. Mas para este ano são cinco com os processos já avançados.

Ainda no encontro, o Presidente do Conselho de Administração da Bolsa, Salim Valá, disse que o organismo está disposto a apoiar tecnicamente todas as empresas que queiram comprar ou vender acções através da BVM.

A Agrimag, uma revista especializada em agricultura, entende que o país tem condições para que o sector prospere, mas falta o funcionamento da cadeia de valores.

No presente ciclo de governação, a agricultura foi indicada pelo executivo de Filipe Nyusi como uma das quatro áreas prioritárias para o desenvolvimento económico de Moçambique.

 

Para além do mar com gás, há “espinhas” entre as “rosas” de oportunidades de que tanto se vende quando o assunto é Cabo Delgado. Isso mesmo: a crise fez muitas empresas fecharem as portas, outras dispensarem os seus recursos humanos, os da indústria hoteleira e de restauração estão de rastos, até os pequenos produtores de frango reclamam dos elevados custos de produção e da falta de um matadouro para processar o frango de corte para poderem aceder aos médios e grandes supermercados de Pemba.

Comecemos pelos grandes

Fábio Spetrini deixou Itália e rumou para Moçambique com a STL Oil & Gás Services, Lda. Há seis anos presta serviços de logística, desalfandegamento, transporte e de manutenção industrial. A crise não faz parte do maior problema porque as oportunidades que encontrou superam qualquer desafio. “Temos uma história de trabalho com a ENI há muitos anos e em vários lugares do mundo”, regozija-se Spetrini e prepara as máquinas com os olhos postos nos projectos que estão préstes a arrancar. “Esperamos conhecer bem o ambiente e as empresas que serão integradas nesse grande projecto de desenvolvimento da ária 1 e da área 4”, refere-se à expectativa do seminário do oportunidades locais que se realiza amanhã em Pemba e diz, orgulhoso, que na sua estrutura accionista está um moçambicano com 33%, sem contar com os mais de 30 trabalhadores nacionais empregues.

Sorte diferente tem o engenheiro mecânico nascido na Ilha de Moçambique, em Nampula, que há 20 anos deixou as máquinas para servir os clientes no seu restaurante que está separado das águas cristalinas da Baía de Pemba por escassos metros só. Chama-se Humberto Nazaré. “Houve um decréscimo, mas nota-se uma certa tendência de recuperação e esperamos em breve atingir os níveis normais que sempre foram normais”.

Um homem modesto, de passos mais lentos, acostumado a conversar com muita gente. É nessas conversas que soubemos que no fundo o negócio não vai bem e entende-se porquê: os mariscos estão mais caros porque os chineses os compram vivos dos pescadores ainda no mar; os produtos, muitos deles que usa na cozinha, não são produzidos localmente, para além das passagens da nossa companhia aérea de bandeira em que de Maputo a Pemba e regresso não custam menos de 40 mil meticais. Tudo isto numa conta, o resultado não podia ser diferente: há cada vez menos turistas.

Ao som ambiente dos frangos da sua capoeira construída de pau a pique, encontramos o jovem Francisco Sambo que tenta dar os primeiros passos na avicultura. “A produção mensal é de dois mil frangos e consigo vender”, garante. Entretanto, de seguida lamenta-se: “Aqui em Cabo Delgado não temos matadouro por isso não vendemos o nosso frango nos supermercados. Mesmo o plástico que uso para o frango que preparo quando me solicitam vem de Maputo”.

Associado a isso, está a falta de uma fábrica de produção de ração, quando bem ao lado, na província do Niassa, produz-se soja que vai para o Malawi e Tanzânia ao desbarato. Faltam, outrossim, incubadoras para a produção de pintos, pelo que compram em Nampula, Manica ou Maputo.

Enfim, esta é apenas a fotografia de uma província que oferece oportunidades, desafios e oportunidades que podem ser geradas a partir das dificuldades actuais.

 

Só a Anadarko poderá investir em Cabo Delgado o equivalente a duas vezes o Produto Interno Bruto de Moçambique. No seminário de oportunidades locais que se realiza esta sexta-feira em Pemba, Mitchell Ingram, vice-presidente executivo daquela companhia norte-americana, vai se debruçar sobre a situação global do projecto de liquefação de gás natural na plataforma a ser construída em Palma, o estágio actual do mercado do gás natural e as negociações dos contratos de compra e venda do produto. Stuart Nicholson ocupar-se-á de explicar as oportunidades locais com a construção da base petroquímica.

São mais de 700 pessoas que estarão directamente acomodadas na tenda que vai acolher o evento. Mas havia vontade de mais participações. O Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela, disse que as inscrições fecharam na última quarta-feira quando já se estava nos 1025, no entanto, a limitação de espaço fez com que se encerrasse mesmo.

São maioriatariamente empresários que estarão presente. O objectivo já foi largamente difundido, mas Max Tonela dá o acento tónico reafirmando que “tem como objectivo transmitir ao público de forma alargada e transparente sobre as oportunidades do projecto a ser desenvolvido pela Anadarko, que é o primeiro de produção de gás natural liquefeito em terra que foi aprovado pelo Governo em Fevereiro deste ano”. E tal como a classe empresarial, o Governo espera “ter informações mais claras daquilo que é esperado sobre o momento em que o projecto deve iniciar, do número de emprego, das qualificações que serão requeridas, bem como as oportunidades de fornecimento de bens e serviços para empresas nacionais”, esclarece o governante.

O seminário de oportunidades locais acontece cerca de um ano antes da tomada de decisão final de investimento, atendendo espera-se que em meados do próximo ano é isso venha a acontecer, todavia, as indicações actuais mostram claramente que o projecto é viável e é para avançar.

O programa indica que o evento começará às 9h00. O Presidente da República vai se encarregar pela direcção e moderação do debate e fará o discurso de encerramento por volta do meio dia. Entretanto, o trabalho vai continuar depois da hora do almoço, estando prevista a realização de de uma sessão de explicação às pequenas e médias empresas sobre os elementos-chave para a criação de negócio, incluindo as exigências que são colocadas pela petrolífera.

Uma nota importante é que o embaixador dos Estados Unidos da América em Moçambique estará presente, devendo discursar antes do Presidente encerrar a parte principal do seminário.

Esta é das poucas vezes que uma petrolífera junta empresários, o Governo ao mais alto nível, académicos e profissionais de várias áreas para partilhar de forma aberta as janelas de oportunidades, o que quebra um ciclo em que a assimetria de informação era o principal obstáculo que que empresários nacionais pudessem tirar benefícios da exploração de recursos em Moçambique. Depois deste evento maior responsabilidade estará nas mãos dos visados que com tempo e informação à sua disposição deverão preparar-se para entrarem na rota da inclusão nos megaprojectos de gás natural do Rovuma.

Lembre-se que foi preciso um voo fretado das Linhas Aéreas de Moçambique para garantir o transporte de parte dos participantes, de Maputo a Pemba e regresso.

 

O sector privado nacional diz não estar a aproveitar as oportunidades de negócios por falta de informação. Mas este é um problema que os empresários esperam resolver com a realização do Seminário sobre Oportunidade locais em Pemba. 

“É impossível fazer alguma coisa sem informação. Tudo necessita de preparação e se eu não tiver uma informação atempada será difícil realizar certa actividade”. Com estas palavras, Eduardo Sengo, director executivo da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, justificava o facto de o empresariado nacional não estar a conseguir responder sempre que as multinacionais do ramo dos hidrocarbonetos solicitam serviços e bens.

Numa entrevista ao jornal O País, Eduardo Sengo explicou que tal deve-se ao facto de as empresas multinacionais divulgarem pouco quando precisam dos serviços e bens que podem ser fornecidos pelas empresas locais.

Representando os empresários moçambicanos, Sengo reconheceu que não são poucas as vezes em que as multinacionais entram em contacto com os patrões nacionais para solicitar serviços, “mas a questão é que a escassez de informação, o momento em que a solicitação é feita, muitas vezes tardia e em cima do joelho, não permitem a organização e preparação das empresas”.

Entretanto, a Conferência Sobre Oportunidades Locais que vai ser realizada no dia 10 deste mês em Pemba, província de Cabo Delgado, é a esperança para a resolução desta dificuldade.

Os empresários esperam que haja mais aproximação entre eles e as multinacionais. Para isso, a CTA diz ter mobilizado maior número de empresários nas províncias através dos Conselhos Empresariais Provinciais.

O objectivo é que estes, de perto, possam “ver essas oportunidades existentes, porque hoje podem ouvir e preparar-se, para poderem ter noção do que se está a falar: quando, quanto e em que momento vai acontecer”. 

Como forma de aprofundar mais as relações entre o empresariado nacional e as multinacionais e facilitar o estabelecimento de contactos, os empresários serão organizados em sectores de actividades.

Sengo esclareceu que esta foi a forma encontrada para organizar os empresários de acordo com os seus respectivos ramos de actividades, para que as multinacionais tratem directamente com os interessados. “Também é para que possamos dar informações mais detalhadas de quem é, de que província é, e o que faz”.

A Conferência sobre Oportunidades Locais é organizada pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia em parceria com a Anadarko. A Anadarko é uma organização aplaudida pelo trabalho que tem estado a desenvolver, pelo que os empresários prometem aproveitar o máximo o evento, já que “é uma organização jamais vista em Moçambique”, rematou Sengo.

Por seu turno, a CTA disponibiliza um voo especial para os participantes do evento.

A inflação disparou para 5,3 por cento no mês passado, mais 0,9 pontos percentuais face ao registo de Junho deste 2018.

Tarifas de electricidade e oscilações em alta dos preços de combustíveis figuram entre os produtos que mais influenciaram a inflação de Julho, prevendo-se que o mesmo grupo possa pressionar o agravamento de preços ao longo da segunda metade do ano.

De acordo com uma nota do Departamento Económico do Standard Bank, em Maputo, com este comportamento da inflação no mês em referência, há sinais sustentados de que este indicador possa terminar o ano abaixo de dois dígitos.

Em nota enviada aos investidores, o Standard Bank diz esperar que "na segunda metade do ano os aumentos nas tarifas de eletricidade e nos preços dos combustíveis pressionem ainda mais a subida dos preços".

Recorde-se que, tal como noticiou o “O País” na semana finda, o Fundo Monetário Internacional (FMI) previu um crescimento económico de 3,5 a 4% este ano, acelerando para 4 a 4,5% no próximo ano.

A inflação ficará este ano abaixo de 6,5%, descendo para 5,5% em 2019 e as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) vão manter-se a níveis confortáveis em 2018 e o ano seguinte, apontou o FMI.

Argumentando, que o desempenho da economia moçambicana neste e no próximo ano, será apoiado por reduções adicionais nas taxas de juro face ao cenário favorável da inflação.

 

O maior produtor mundial de cerveja, o grupo Anheuser-Bush InBev, vai iniciar este semestre a construção de uma fábrica de cerveja em Moçambique com uma capacidade de dois milhões de hectolitros. A informação foi avançada pelo presidente do grupo para zona África, Ricardo Tadeu.

Tadeu disse que este investimento visa responder ao grupo rival Heineken, que deverá começar a produzir cerveja em Moçambique a partir do primeiro semestre de 2019, na fábrica que irá custar 100 milhões de dólares.

Tadeu disse que o grupo não pode de momento divulgar o valor a ser investido na fábrica.

O grupo AB InBev pagou em 2016, 100 mil milhões de dólares para adquirir o grupo rival SABMiller, produtor das duas maiores marcas de cerveja em Moçambique a 2M e Laurentina, escreveu o Macauhub.

 

O Corredor de Desenvolvimento Norte (CDN) registou, nas operações ferro-portuárias, um crescimento assinalável no primeiro semestre deste ano. De Janeiro a Junho a carga transportada atingiu 221 mil toneladas contra 212, em igual período do ano passado, o que corresponde a uma evolução de cinco por cento.

O gerente comercial da CDN, Dário Viegas, disse que a CDN vai continuar a melhorar seus processos e aumentar sua competitividade.

“A evolução no transporte de carga geral que registamos deve-se ao aumento da oferta da carga por parte dos nossos clientes, melhorias na operação e nos processos internos de gestão”, afirmou Viegas.

No mesmo período em alusão, o volume da carga manuseada no porto de Nacala atingiu 941 mil toneladas métricas contra 841 mil, manuseadas no primeiro semestre de 2017, o que significa uma evolução de 8%, lê-se n comunicado enviado à nossa redacção.
 
A melhoria da economia moçambicana é um dos factores do crescimento no volume manuseado, tendo-se registado um incremento nas importações e início de exportação do Grafite da mina de Balama através do Porto de Nacala.
 

 

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