Moçambique tem sido alvo de muitos ataques cibernéticos nos últimos tempos, desde que aderiu a ligação da fibra óptica internacional, instrumento que lhe confere maior velocidade de acesso de dados.
Ao longo da última década, o país tem vindo a sofrer com ataques cibernéticos de vária ordem, causando prejuízos incalculáveis na economia. Os hackers, ou por outra, piratas informáticos não têm limite de accão.
Essa vulnerabilidade de Moçambique deve-se ao facto da chamada "Pérola do Índico" estar ligado a fibra óptica internacional, um instrumento que lhe confere maior velocidade de acesso de dados de banda larga.
A ligação é feita através do submarino de fibra óptica do grupo Seacom, uma empresa de capitais africanos e norte-americanos, que liga a África a Europa e Índia. O cabo tem uma velocidade de 1,28 Terabytes por segundo e com uma extensão de 17 mil quilómetros, que parte da África do Sul, ligando Suazilândia, Moçambique, Madagáscar, Tanzânia, Quénia, Uganda, Índia e Europa.
"Temos vindo a sofrer muitos ataques cibernéticos desde que estamos ligados a esta fibra. As perdas socioeconómicas são avultadas, mas posso assegurar que estamos protegidos", revelou o director-geral do Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique (INCM), Américo Muchanga.
Para minimizar os impactos, o INCM aconselhou os cidadãos e instituições a desenvolverem planos de contingências com vista a conferir maior protecção de dados, a exemplo dos bancos comerciais.
"O apagão verificado nas transacções electrónicas dos bancos comerciais moçambicanos não passou de mais um ataque. Mas os bancos conseguiram dar a volta ao problema, essa deve ser a postura de todos perante ao perigo iminente", apontou Américo Muchanga, aquando da primeira conferência nacional sobre segurança cibernética, que decorre em Maputo.
Na ocasião, o ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, defendeu a fortificação dos instrumentos de segurança cibernética no país.
"É preciso o envolvimento de todos para garantir a protecção dos dados das pessoas e instituições, com vista a reduzir os ataques cibernéticos nas chamadas infra-estruturas críticas", referiu Mesquita.
Refira-se, que a primeira rede de fibra óptica no mundo foi implementada em 1988, ligando os EUA com a Grã-Bretanha, Holanda e Alemanha. No final do século 20 e início do 21, o mundo viu um aumento efectivo na oferta da banda larga através de novos sistemas de cabos submarinos lançados no Oceano Pacifico, Atlântico, Sudoeste da Ásia e América do sul.