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O País – A verdade como notícia

Pelo menos dois membros do Governo acompanharam o debate dos jovens no Mozefo Young Leaders, no Centro de Conferências Joaquim Chissano. São os casos de Celso Correia e Osvaldo Petersburgo. Dos dois dirigentes, interveio o Ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural. Durante o seu discurso, alicerçado ao tema de debate “Os desafios da inovação em Moçambique”, Correia defendeu que a inovação deve melhorar a vida das pessoas porque o progresso da humanidade depende da inovação.

Numa sala muito concorrida, Celso Correia lembrou que muitos associam a inovação ao campo científico. Por isso, o Ministro sugere que se deixe de pensar de tal forma, pois qualquer sector de trabalho é propenso à ser inovado, como é o caso de campos ligados às áreas rurais: “A inovação deve permitir encontrarmos mecanismos para ultrapassarmos adversidades”, afirmou o Ministro, recuando um pouco no tempo: “Moçambique viveu, nos últimos três anos, tempos complexos. Agora entramos numa fase que nos permite dizer que vencemos as adversidades que nos afectaram. Por isso os jovens devem assegurar que na viagem ao desenvolvimento ninguém fique para trás”.

Antes de encerrar a sua intervenção, Celso Correia felicitou a Fundação SOICO (FUNDASO) pela organização do Mozefo Young Leaders, um espaço jovem que reflecte sobre as preocupações do país.  

Titos Munhequete, Fundador da Izyshop, não duvida, todo o empreendedor deve preocupar-se em encontrar forma criativa de solucionar a falta de financiamento.

Munhequete foi um dos oradores do painel “Os desafios da inovação em Moçambique”. Enquanto esteve sob os holofotes, o Fundador da Izyshop disse que muitas vezes os jovens empreendedores são demasiados ambiciosos nos seus negócios, conservando a ideia de querer ser o único proprietário da empresa. Na percepção de Titos Munhequete, é preciso que os empreendedores moçambicanos aprendam a arranjar parceiros que ajudem a solucionar os problemas sem recorrerem a dinheiro: “E qualquer empreendedor deve escutar o que o mercado diz sobre as ideias que tem, mantendo-se fiel às suas convicções, mantendo sempre a empresa aberta, porque fechada nada funciona”.

Abneusa Manuel, Presidente da Mozdevz, também defendeu que não se consegue fazer tudo sozinho no empreendedorismo: “as parcerias são mesmo importantes e temos que identificar parcerias estratégicas. Temos que olhar para o nosso contexto e identificar soluções que vão ter impacto na nossa realidade, com informação, que é poder, e paciência de investir em projectos que levam um ou mais anos para singrarem”.  

Já na percepção da outra oradora, Eugénia Langa, Directora-Geral da Mweba, os jovens devem investigar e deixar de se preocupar com emprego e salários altos antes de adquirem experiência. “Ao invés disso, os jovens podem identificar uma empresa de sonhos e la irem pedir estágio sem honorários. Isso permite os jovens adquirir experiência”.

Diante destas questões todas, José Samo Gudo, Director-Geral da Escopil Tecnologia, afirmou que o país é um mercado conservador, mas que os moçambicanos estão a mudar a maneira de pensar com ajuda de plataformas como Mozefo Young Leaders.

Hoje, e o último dia do evento organizado pela FUNDASO.

 

 

 

 

 

O governo lançou hoje a segunda fase do projecto de apoio ao sector da conservação da biodiversidade. A segunda fase do MozBio está orçada em cerca de 45 milhões de dólares e é financiada pelo Banco Mundial.

Com duração de cinco anos, o MozBio dois tem como objectivo principal aumentar a eficácia da gestão das áreas de conservação e melhorar as condições de vida das comunidades locais. O governo acredita ainda que a segunda fase do projecto vai reforçar a capacidade das autoridades de enfrentar as ameaças à conservação do capital natural. Com vista a transformar as áreas de conservação num destino de investimentos, o ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural anunciou os acordos assinados para o próximo ano.

Através do seu director em Moçambique, o Banco Mundial reiterou o seu compromisso com o desenvolvimento rural e a gestão sustentável de recursos naturais.

O Banco Mundial revelou ter investido até este momento mais de 600 milhões de dólares em diversos projectos para promover a gestão sustentável de recursos naturais renováveis. Em Janeiro do próximo ano, o Banco Mundial vai assinar com o governo um acordo de donativo de 100 milhões de dólares para o programa Terra Segura.
 

“Um futuro sem nós – o futuro somos nós”. Este foi o tema dissertado por Oswaldo Petersburgo, Vice-ministro do Trabalho, Emprego e Segurança Social. Petersburgo desafiou os jovens empreendedores a tomarem a geração que libertou o país como fonte de inspiração. Disse que é importante ter aqueles jovens como fonte de inspiração e modelos porque “senão souberes donde vens, não saberás onde estás e onde vais”. Sublinhando que o “futuro é hoje e agora” Oswaldo Petersburgo considerou o Mozefo Young Leaders uma verdadeira plataforma que associa competências e capacidades.

“A juventude deve se engajar no desenvolvimento do país através de iniciativas inovadoras como os jovens que unidos decidiram libertar o país”, e, ainda assim, o dirigente não deixou de salientar que mesmo estando num país liberto existem novos desafios. Engajou os jovens a investirem na educação para melhor saberem gerir os recursos naturais que o país possui. “A receita dos recursos humanos deve beneficiar aos jovens de hoje e as gerações vindouras. Sejamos actores do desenvolvimento”, disse.

Ainda na linha de empreendedorismo e inovação, Petersburgo convidou os jovens a investir em todos cantos do país pois há oportunidades para todos. “Temos a Política da Juventude, os financiamentos que podem ser obtidos em diversos sectores governamentais e na própria banca comercial”.

Helen Clarke partilhou, consultora com muitos anos de carreira, partilhou aos participantes do Mozefo Young Leaders estórias diversas de jovens sul-africanos, que no meio de dificuldades criaram oportunidades para superar dificuldades. Clarke, comparando a trajectória de um empreendedor com a duma maratona que se realiza anualmente na África do Sul disse que o sucesso é algo que vem, primeiro, quando acreditamos em nós. “Essa maratona ensina-nos as técnicas de como se tornar vencedor mesmo tendo em mente diversos riscos de percurso. Ao longo desse percurso conhecemos diversas pessoas. Todavia, o mais importante é manter as pessoas positivas ao lado”.

Aos jovens empreendedores, que atentamente acompanhavam as suas estórias, Clarke deixou conselhos: “Podemos aprender em todos aqueles que acreditam em nós; o dinheiro não e a única forma de rendimento; escolher aquilo que nos define é tudo”. Para Clarke, as parcerias permanentes, os intercâmbios contínuos são pontos que os jovens empreendedores devem, sempre, apostar e pôr em prática.

Paulo Ratilal, empresário, partilhou a sua trajectória como um jovem inovador e comprometido com o mundo de negócios. Tomando a sua estória de vida como exemplo de superação, desafiou os jovens a nunca desistirem do que são as suas maiores aspirações. “Eu assinei muitos contratos de trabalho quando estava com cancro. Os jovens devem procurar superar os seus limites e assim criar meios de realizar seus objectivos”.

Ratilal destacou a experiência que ganhou em diversos países africanos por onde passou como empresário e transmitiu a ideia de que o empreendedorismo deve ser visto como algo que transpõe fronteiras e que não pode ser visto como algo que se fecha num único sítio.

“Quando terminamos de construir uma ideia, a mesma torna-se de todos. O pequeno empreendedor deve ser capaz de transformar a sua ideia numa causa colectiva”. As palavras pertencem a Duncan Wardle, Vice-Presidente da Walt Disney Company. O especialista em criatividade e inovação foi o orador principal na dissertação do tema “Criatividade e oportunidades, segurança no futuro”, que, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, na cidade de Maputo, foi debatido de forma envolvente, na tarde desta quinta-feira, à laia de elaboração conjunta.

Nesta estreia no Mozefo Young Leaders, Duncan Wardle afirmou que uma das grandes barreiras no âmbito da inovação é a falta de tempo para raciocinar. Tal acontece porque os colaboradores ou potenciais empreendedores, em diversos casos, ainda não se predispõem a explorar os momentos de lazer ou aqueles em que se encontram menos tensos, alheios à pressão do trabalho. Logo, considerando que o cérebro humano fica fresco para raciocinar em ambientes além da tensão, os criadores, segundo Wardle, devem apostar em buscar momentos descontraídos e fazerem disso força-motriz para robustecer iniciativas, com a preocupação de maximizar o que vai à imaginação.

Durante mais ou menos uma hora, Duncan Wardle sustentou uma conversa com o auditório que aderiu à sala de debates neste último dia do Mozefo Young Leaders, recorrendo a muitos jogos, brincadeiras e animação. E ainda aconselhou: “é importante o empreendedor sonhar, porque quem sonha, com determinação, pode concretizar as suas maiores ideias”.

Na sua apresentação, com efeito, em alguns casos com recurso a slides, o Vice-Presidente da Walt Disney Company partilhou experiências inovadoras que permitem os empreendedores ganhar dinheiro. Para o orador, é preciso que o empreendedor moçambicano pergunte-se sempre qual é o maior tempo de consumo das pessoas ao seu redor e, a partir daí, investir em ofertas destinadas ao momento em que as pessoas consomem mais. E isso implica redefinir sempre objectivos e desafios.

A encerrar a sua intervenção, o orador do tema “Criatividade e oportunidades, segurança no futuro” afirmou que quem desejar crescer, deve sair do escritório, da sua zona de conforto, e, com espírito aberto, dignar-se a conhecer pessoas novas.

 

“Como financiar startups e empreendedores em Moçambique?” foi o penúltimo painel que debruçou-se sobre esse tema. Foi um momento em que os jovens empreendedores tiveram a oportunidade de colocar suas inquietações sobre as startups e outras componentes afins.

Alcino Michaque – Director de Administração, Finanças e Recursos Humanos da BVM, defendeu que a sua instituição possui um serviço de apoio aos empreendedores e jovens com ideias de grande alcance e impacto a nível social no país. “A BVM faz acompanhamento de jovens que se dedicam a inovação e acções ligadas ao empreendedorismo”.

Do seu lado, Tatiana Pereira, da empresa IdeiaLab, sobre o financiamento disse que os mecanismos de apoio não se limitam em financiar iniciativas que não apresentam coesão e solidez. Assim defendeu, em parte, que os jovens devem possuir uma certa atitude de negativismo, ou seja, não se limitar a pensar em benefícios exagerados ou ingénuos. “Temos que criar um negócio e desde o início criar uma relação seria com a banca. Investir em startups e investir em nossos jovens é o nosso futuro”.

A IdeiaLab é uma organização que trabalha com jovens empreendedores. Este órgão apoia empreendedores no percurso de transformar uma ideia em um serviço rentável ou útil a nível social. Para Tatiana, a criatividade é algo que tem faltado aos nossos jovens, pois vivem e crescem num ambiente condicionado e cheio de entraves que travam a criatividade. “A criatividade é como um músculo; precisa de ser sempre exercitado”.

A administradora Executiva do BIM, Liliana Catoja, a capacitação técnica para apresentar um projecto é importante para ter apoio em vários bancos nacionais. “Ideias que mostram potencialidades de serem vendidas são importantes. O nosso banco tem uma plataforma de ligar as pessoas, os investidores e aqueles que possuem meios de apoiar. Para afirmar a ideia de negócio é preciso procurar pessoas com facilidade e algum conhecimento”.

O último painel que fez as cortinas do MOZEFO Young Leaders (MYL) caírem discutiu a questão do “empoderamento dos jovens através dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável”.

Helvisney dos Reis Cardoso, das Nações Unidas, defendeu que os jovens jogam um papel muito importante no uso racional de todos recursos disponíveis no seu ambiente. “Moçambique actua muito bem no diz respeito a protecção ambiental. É preciso criar condições de cumprir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável de uma forma conjunta sem deixar nenhuma de lado”. Quando questionado sobre a possibilidade de se cumprir os ODS de forma separada por um dos participantes, o orador referiu que “os ODS são conceitos interligados que se intercomunicam. Se quisermos ter um mundo transformado, é importante promover esses objectivos. Esperamos atingir cumprir a Agenda 2030. Os jovens jogam um papel importante no alcance desses objectivos através de empoderamento e empreendedorismo. Empreendedorismo é uma das soluções para mudar a comunidade e o mundo”.

Jubia Uchavo, empreendedora social, sublinhou na sua intervenção que na atitude de empreender é muito importante convencer o cliente a ver uma determinada iniciativa como solução dos seus problemas. “Fazer de tudo para tornar o negócio sustentável é também importante. Poupar e investir no negócio”.

E dos Camarões fez parte Njoya Tikum, Director Regional da UNV. Tikum iniciou a sua intervenção levantando uma questão: “Por que depois de 40 anos estamos a enfrentar os problemas que eram dos nossos pais em nosso continente? Velhos problemas em tempo presente?”.

Tikum sugeriu que se use o voluntarismo para se ultrapassar os diversos problemas que afectam as nossas comunidades. Segundo ele, é por meio do voluntarismo que podemos “tornar o mundo um espaço melhor e digno de se viver”. “Todos temos de estar no voluntarismo porque nos permite expressar o amor que sentimos pela nossa comunidade; o voluntarismo dá oportunidade de transformar a nossa comunidade”.

O orador instou os jovens a articular o voluntarismo e ganhar assim habilidades para o mercado do emprego. O voluntarismo é muito importante. “Para mudarmos a nossa comunidade e o continente temos de parar de mendigar e usarmos a energia própria desenvolver”.

O PCA da FUNDASO subiu ao palco pela última vez na segunda edição 2018 do Mozefo Young Leaders, evento que se realizou no Centro de Conferências Joaquim Chissano, na cidade de Maputo, ontem e hoje.

No derradeiro discurso, Daniel David referiu-se a alguns dados estatísticos. Nisso, o auditório ficou a saber que 185 jovens vieram de outras províncias do país, de carro, machimbombos e avião. Mas os participantes do evento ficaram impressionados quando David informou que, excluindo Moçambique e Angola, dados de ontem, 3 500 000 telespectadores acompanharam o Mozefo Young Leaders pela televisão, sobretudo por via do aplicativo Stv Play. A maior audiência do dia inaugural veio do Brasil, depois, da África do Sul, de Portugal, da China, dos Estados Unidos de América e do Dubai.

Segundo entende o PCA da FUNDASO, o Mozefo Young Leaders está a fazer o seu trabalho, criando espaços e oportunidades para os jovens adquirem mais experiências.

Esta edição do Young Leaders teve 16 sessões plenárias, seis sessões paralelas, seis oradores estrangeiros, o que permite a organização sentir-se orgulhosa, afinal, realçou Daniel David, “nestes dois dias comprovamos que a juventude moçambicana tem força”.

A edição deste ano do Mozefo Young Leaders teve a adesão mais elevada de todos os Mozefo. Parte dos participantes foram entidades proeminentes da sociedade moçambicana, como políticos: “convidamos vários políticos porque são eles que nos ajudam a criar ambientes favoráveis para a concretização das iniciativas dos jovens”. Para dar azo a esse raciocínio, a FUNDASO convidou todos os principais partidos políticos nacionais.

A concretização desta edição do Young Leaders deveu-se a muitos intervenientes que se identificam com a iniciativa. Por isso mesmo, Daniel David agradeceu aos parceiros, patrocinadores, às associações juvenis e aos cerca de 450 colaboradores envolvidos na produção, organização e realização do evento. De igual modo, o PCA da FUNDASO agradeceu aos oradores, que deixaram tudo o que tinham a fazer para vir transmitir conhecimento e partilhar experiências com os jovens moçambicanos.

Antes de terminar, David manifestou ainda o interesse de a sua instituição investir na mulher, por acreditar que elas têm a força que transforma a nação. “Não é uma questão de palavra; não quero separar o homem da mulher, mas, esta é a nossa convicção, se quisermos ter sucesso, temos que apostar mais na mulher e no seu empoderamento”, sugeriu Daniel David entre aplausos apaixonados do auditório.

A próxima edição do Mozefo Young Leaders vai realizar-se em 2020. Até lá, para o ano está marcado o encontro no Grande Fórum Mozefo, antecedido pela MozTech, em Maio. “Nesse evento vamos surpreender com produtos e com envolvimento de pessoas que vão apoiar os jovens”, garantiu Daniel David.

 

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