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O País – A verdade como notícia

A partir de Janeiro, a banca e outros credores passarão a contar com uma base centralizada de dados sobre informações financeiras de pessoas e empresas.

Não é de hoje que a banca e as instituições de microfinanças tem dificuldades de conceder financiamentos, e é ainda mais complicado quando os valores são elevados. A dificuldade é mais grave para os outros tipos de fornecedores, como telecomunicações, retalhistas, serviços de utilidade pública, seguros, entre outros.

Mas este é um problema que “tem os dias contados”, uma vez que a partir de Janeiro de 2019, os Bancos e Instituições de Microfinanças passam a compartilhar dados que possibilitarão o aumento do volume de empréstimos e melhorarão o acesso ao financiamento, com menor risco de crédito no mercado nacional.

Trata-se do arranque das actividades de um “Bureau de crédito“, que surge com a entrada no mercado nacional, da sul-africana Compuscan. “Basicamente recolhemos a base de dados de crédito de todo o sector, financeiro e não financeiro” explicou a Directora de Desenvolvimento de Negócio da Compuscan, Lara Cangi.

Ainda explicando a forma como funcionara a entidade, Lara Cangi disse que depois de recolhidos os dados de diversas empresas, “validam a informação e produzem relatórios de crédito”.

Esta última fase, a produção de relatórios, “possibilita que seja documentado o histórico de bom comportamento dos indivíduos, e eles terão acesso a mais crédito” explicou a directora acrescentando que “eles terão a possibilidade de ter os tempos de respostas sobre os créditos solicitados num curto espaço de tempo, o que motiva ao mercado a solicitar mais crédito”.

A Compuscan foi recentemente autorizada, como primeira agência de informação de crédito no país, mas até então, os relatórios eram feitos pelo Banco de Moçambique, que é a central de registo de crédito pública (também conhecido por Bureau de crédito pública).

“A informação que o Banco disponibiliza é baseada na informação da Banca comercial fechada aos números de bancos do país”, mas há indivíduos que também tem crédito nas instituições de microfinanças, cuja informação “não existe esta agregada”.

Este vazio em termos de informação poderá ser fechado “pelos relatórios da Compuscan, sem contar que com o tempo, a mesma pretende abranger todo sector de mercado” revela a Directora de Desenvolvimento de Negócios.   

A Compuscan chega quase três anos depois da criação da Lei que cria o Sistema de Informação de Crédito de Gestão Privada, e torna-se assim, a primeira agência de informação de crédito.

Criada há 24 anos, a Compuscan opera em nove países africanos, incluindo Moçambique.

Ao longo da última década, mais de 500 Pequenas e Médias Empresas (PME) moçambicanas foram contratadas pela petroquímica sul-africana, Sasol, para prestação de serviços diversos.

Quinhentas e quarenta PME moçambicanas forneceram, ao longo dos últimos 10 anos, algum serviço à petroquímica sul-africana, Sasol, que opera no mercado da chamada ‘’Pérola do Índico’’ desde 2006. Os serviços fornecidos pelas empresas nacionais incluem, a manufactura, Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), segurança, saúde, ambiente, mecânica, transporte, Riscos e Qualidade (SHERQ) e consumíveis gerais, apurou "O País" junto dos escritórios da Sasol em Maputo.

Em termos de custos, consta que esta multinacional sul-africana já aplicou 66 milhões de dólares em PME, correspondente a 30% do custo total de USD 220 milhões de USD em fornecedores locais. O objectivo da estratégia de conteúdo local da Sasol é de criar capacidade local e desenvolver fornecedores bem-sucedidos que possam impulsionar a criação de emprego e fornecer uma vasta gama de bens, serviços e habilidades nos padrões internacionais do sector de petróleo e gás.

É nessa perspectiva, que esta multinacional iniciou um programa piloto com 17 empresas e fornecedores locais para o desenvolvimento em certas áreas chave de capacitação. Refira-se, que a Sasol anunciou em Maio deste ano, o desembolso de 100 milhões de dólares anuais, para a compra de bens e serviços nas Pequenas e Médias Empresas moçambicanas. Na altura foi assinado um acordo de cooperação entre a petroquímica e a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).

O acordo visa permitir desenvolver acções que irão concorrer para facilitar a participação das entidades moçambicanas nas oportunidades de negócios nos projectos de hidrocarbonetos operados pela Sasol no país. Com os grandes investimentos da indústria de petróleo e gás natural previstos para o próximo ano, a gigante sul-africana já disponibilizou 127 oportunidades de negócios para garantir a participação das PME moçambicanas.

Refira-se, que nos próximos anos, está previsto o desenvolvimento de projectos de gás natural na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, por consórcios liderados pelas companhias norte-americana Anadarko e a italiana ENI, após a descoberta de grandes reservas na região.

Os analistas da Economist Intelligence Unit (EIU) fazem uma avaliação pessimista da restruturação do crédito soberano de Moçambique. Para este grupo, o acordo com detentores dos títulos da dívida da MAM e ProIndicus está "muito distante".

"Mesmo que o Governo tenha chegado a acordo com os credores da dívida da EMATUM (que representam 60% da dívida total), o entendimento com os detentores de títulos da dívida da MAM e ProIndicus ainda está muito distante do alcance", escrevem os analistas da EIU, na sua mais recente avaliação sobre o risco de crédito soberano de Moçambique.

Acrescentando, que "os caminhos de financiamento continuam severamente restritos", uma vez que estas questões não estão resolvidas. Sobre as perspectivas macroeconómicas, a Economist Intelligence Unit prevê que Moçambique cresça “apenas 3,4%” no próximo ano, acelerando para 4,5% entre 2020 e 2022, com fraco desempenho em vários sectores da economia.

"Esperamos que o desempenho económico permaneça lento, com o PIB real (Produto Interno Bruto) crescendo apenas 3,4%", referem os especialistas da unidade de análise económica da EIU. Esta previsão é uma revisão em baixa das projecções do Executivo de Maputo para 2019, que fixou em 4,7%, o nível de crescimento do PIB.

O grupo realça ainda, que o acesso limitado ao financiamento pelos agricultores continuará a travar o crescimento no sector agrícola e uma queda nos preços do carvão vai ser um obstáculo ao aumento produção mineira, um dos principais vectores da economia.

Por outro lado, acrescentam, as dificuldades financeiras do Governo e os atrasos nos pagamentos aos fornecedores continuarão a "penalizar fortemente o sector bancário, bem como a minar a confiança do investidor".

Bons sinais à vista. Apesar desses choques macroeconómicos, a partir de 2023, a EIU diz que a imagem vai mudar com o início da produção e exportação de gás natural.

“Isso dará gás à economia que, até o final do período em análise (2023) deverá crescer 7,5%”, concluem.

A Qatar Petroleum anunciou em comunicado que assinou um acordo com o grupo norte-americano Exxon Mobil para adquirir uma participação de 10 por cento na prospecção de petróleo em Moçambique.

A Exxon Mobil na qualidade de operador tem uma participação de 50%, a estatal moçambicana Empresa Nacional de Hidrocarbonetos com 20%, o grupo russo Rosneft, igualmente com 20% e a estatal Qatar Petroleum com os restantes 10%, escreve o Macauhub.

O comunicado da Qatar Petroleum adianta que este acordo assinado com o grupo norte-americano Exxon Mobil representa a primeira vez que a empresa opera no sector petrolífero em Moçambique.

O bloco A5-B na bacia de Angoche abrange uma área de 6450 metros quadrados com uma profundidade entre 1800 e 2500 metros e os blocos Z5-C e Z5-D na bacia do Zambeze abrangem uma área de 10 200 quilómetros quadrados com uma profundidade entre 200 e 2000 metros.

A Bolsa De Valores de Moçambique continua sendo um ilustre desconhecido por parte de pequenos e médios empresários nacionais. Um estudo apresentado esta terça-feira em Maputo pela FSD Moçambique e pelo Banco de Investimento Global, indica que as Pequenas e Médias Empresas recorrem à banca comercial para solicitar financiamento, uma prática justificada pelo desconhecimento do mercado de capitais.

A pesquisa incluiu a consciencialização das empresas sobre a importância do mercado de capitais. Ao fim dos 11 meses, os pesquisadores dizem ter alcançado resultados animadores, pois as empresas estão cotar-se na Bolsa de Valores para financiarem-se.

E mais, o estudo considera urgente a necessidade de a Bolsa de Valores de Moçambique fazer um trabalho profundo de forma a dar a conhecer os seus serviços, tanto para empresas que buscam alternativas de financiamento quanto para investidores.

Os Bancos comerciais e instituições de Microfinanças vão partilhar dados sobre empréstimos contraídos no mercado moçambicano com a, Compuscan,  nova agência privada de sistemas de informação de créditos (Bureau de crédito) autorizada pelo Banco de Moçambique.

Este serviço será supervisionado pelo Banco Central e, segundo um comunicado de imprensa que tivemos acesso, este serviço irá permitir que os credores avaliem e possam melhor gerir os riscos, para além de contribuir para redução do sobre-endividamento.

“Os bureaus de crédito fornecem ao sector financeiro dados seguros e uma base de dados centralizada de informações sobre consumidores e empresas. Estes fornecem ainda produtos e serviços que ajudam a prever riscos e a reduzir fraudes, tais como relatórios de crédito, pontuações de crédito, verificações de identidade, avaliações de acessibilidade e de colectas”, refere o comunicado fazendo alusão de que os dados do bureau são altamente protegidos e o seu acesso é estritamente regulado por legislação.

Ainda de acordo com o comunicado o novo serviço vai gerar informações detalhadas e confidenciais de relatórios de crédito que irão permitir que as instituições de créditos avaliem o comportamento dos seus clientes em relação ao pagamento de créditos.

“Ao ter acesso a informações de crédito, os credores podem responder às solicitações de crédito mais rapidamente, melhorando a experiência do cliente”.

Actualmente, a actividade de reporte de crédito é realizada pelo Banco de Moçambique, conhecida como central de registo de crédito, abrangendo apenas a banca comercial. A Compuscan, como o primeiro bureau de crédito privado, prestará serviços a todos os provedores de crédito, abrangendo todos os sectores.  

Além de Moçambique, a Compuscan tem presença na África do Sul, Filipinas, Austrália, Uganda, Namíbia, Etiópia, Lesoto e Botswana. Esta actividade existe ainda noutros países africanos como Quénia, Zâmbia, Tanzânia e Malawi.

“A Compuscan pretende contribuir para os objetivos financeiros e económicos do Governo e do Banco Central de Moçambique. A Compuscan espera estabelecer um relacionamento de longa data com todas as partes interessadas do sector financeiro, de crédito e de negócios relacionados no país, com o objetivo de expandir os seus negócios e do sector. Queremos trazer confiança para o mercado moçambicano”, disse Lara Cangi, a representante da Compuscan em Moçambique..

Já o CEO da Source Capital, Pedro Coutinho disse que “A experiência noutros mercados mostra que a presença de bureaus de crédito está associada a mercados de crédito mais amplos, maior volume de empréstimos e maior acesso a financiamento, e a menor risco de crédito”.

 

As areias pesadas de Chibuto, da empresa moçambicana Ding Sheng Minerais, está a produzir resultados considerados positivos. A Empresa Moçambicana de Exploração Mineira (EMEM) visitou o empreendimento com o objectivo de aproximar as partes interessadas para um conhecimento mútuo no desenvolvimento do empreendimento e para a criação de uma estratégia de actuação coordenada e integrada nas estruturas sociais e públicas do distrito do Chibuto, lê-se no comunicado enviado à nossa redacção.

De acordo com o projecto inicial, a Ding Sheng Minerais, SA irá ter instaladas duas plantas de processamento de minérios, cada uma com capacidade de 10 mil por dia, altura em que a empresa terá empregado cerca de cinco mil trabalhadores efectivos, dos quais 80 por cento serão cidadãos de nacionalidade moçambicana. Quanto ao escomento dos minérios processados a partir das areias pesadas de Chibuto, perspectiva-se a construção de uma estrada dedicada a partir da mina até Chongoene, onde se projecta a construção de um porto específico para a exportação.

“Hoje foi possível visitar um dos nossos parceiros na região sul de Moçambique, onde o Estado moçambicano é representado pela EMEM. De uma forma geral, saímos daqui satisfeitos com o que vimos”, disse o Presidente do Conselho de Administração da EMEM, SA, Celestino Pedro Sitoe.

Sitoe acrescentou que “Somos parte integrante deste empreendimento e é importante garantir que aspectos como a reassentamento da população e as infra-estruturas de apoio à saúde e à educação, assim como projecto piloto de exploração da mina estejam a seguir o plano determinado e, em alguns casos, superando as nossas expectativas. É preciso melhorar alguns aspectos, sendo que os accionistas concordam com as sugestões dadas após a visita”.

Ainda de acordo com o comunicado, cerca de 290 casas T3 das 494 previstas no projecto já foram ocupadas por famílias que tiveram de ser reassentadas devido à implementação deste projecto de areias pesadas. As residências recebem energia eléctrica e beneficiam do fornecimento gratuito de água através de um sistema de bombagem, tratamento e distribuição de água, que beneficia ainda a população da Vila de Chibuto.

Na nova área residencial, existem cinco salas de aulas provisórias e um bloco administrativo. Igualmente, numa fase provisória está em funcionamento um centro de saúde. Essa área contempla ainda uma igreja e um posto policial.

O sistema bancária moçambicano conta desde hoje com novo sistema de pagamentos electrónicos interbancário. Trata-se de um software da Euronet.

O acto de assinatura de contrato foi rubricado hoje entre os conselhos de administração do Banco de Moçambique e Euronet.

Com efeito, o provedor português Bizfirst, que até então mantinha o controlo provisório dos sistemas de pagamentos electrónicos fica afastado.

Na ocasião, o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela apelou a seriedade e rigor no cumprimento do contrato.

Moçambique perdeu mais de 80 milhões de dólares devido à sobrefacturação no sector dos combustíveis líquidos entre 2013 e 2015. No sector de energia são dez milhões de dólares desviados para compra de matéria-prima.

Os dados são de um estudo, apresentado esta segunda-feira, pelo Centro de Integridade Pública (CIP), 24 horas depois das celebrações do Dia Internacional do Combate à Corrupção.

O estudo versa sobre o impacto da corrupção nos sectores dos combustíveis e energia.

O CIP diz que a corrupção tem vindo a caracterizar-se principalmente pela sobrefacturação na importação dos combustíveis, o que encarece o preço ao consumidor final.

Ainda no sector dos combustíveis, o estudo do CIP revela que, afinal, 50 por cento do dinheiro pago pelos consumidores é destinado a cobrir as despesas da Empresa Moçambicana de Petróleo e das gasolineiras.

Sobrefaturação também verifica-se no sector da energia. Aliás, a própria EDM já tinha denunciado esquemas de corrupção em que funcionários da empresa compravam um contador eléctrico por 100 dólares, quando o preço real era 20 dólares.

O CIP critica ainda o facto de a Hidroeléctrica de Cahora Bassa estar a vender quase toda a energia a preços baixos para a África do Sul, num contexto em que a EDM compra de produtores independentes e a preços muito mais altos, e que se feitas as contas, o consumidor final é que sai prejudicado.

O CIP diz ser urgente que a Autoridade Reguladora de Energia entre em acção e que o Governo pare de liderar o processo de marcação dos preços, porque este é papel do regulador do sector.

 

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