O País – A verdade como notícia

Luciano Huck, apresentador da TV Globo e empreendedor social brasileiro, defendeu que Brasil e Moçambique possuem uma conexão muito forte por causa da língua e, acima de tudo, pela forma de ver o mundo. Contando estórias de superação recolhidas em diversos cantos do Brasil e de África, o apresentador concluiu que o nosso país tem tudo para ser uma referência a nível de África e do mundo, apesar das diversas adversidades históricas que passou.

Filho de professores, com mais de 20 anos no empreendedorismo, Huck disse que não adianta falar de meritocracia em qualquer país onde as oportunidades são diferentes e distantes. Para o brasileiro, a educação é uma oportunidade que deve ser para todos. “Compartilhamos a mesma língua, valores, desigualdades sociais, problemas”, sublinhou Huck.

Quando questionado sobre a situação política no Brasil, Huk deixou uma palavra de esperança num Brasil melhor. Uma esperança que se ergue no diálogo entre todos os brasileiros e não em eixos políticos ou ideologias partidárias.

“Bolsonaro é um homem controverso. A sua vida, pública, mostram-nos isso. É preciso respeitar a opinião da maioria brasileira. Existe uma agenda política que o Brasil precisa abraçar. O nosso país precisa de reformas em diversas áreas e isso leva-me a dizer que não é hora de fazer oposição. É hora de dialogar e trocar ideias para o desenvolvimento do Brasil. Bolsonaro é um democrata. A disciplina que teve no exército ajudou muito na solidificação de suas ideias sobre valores, organização hierarquia social; deposito um voto de confiança ao governo de Bolsonaro”, disse o apresentador da TV Globo.

Desenvolvendo um outro eixo, sobre o empreendedorismo, referiu que o carisma, a capacidade de implementação, a ética e o altruísmo são chaves para qualquer ideia de negócio. Aliás, para Huk, empreender é a capacidade de ser resistente e juntar diversas pessoas.

A sessão de debates e partilha de experiências na segunda edição do Mozefo Young Leaders já iniciou. Para o primeiro painel, a organização da iniciativa propôs o tema “Um futuro de oportunidades, igualdade e equidade”. Assim, na abertura, estiveram Pie-Pacifique Kabalira-Uwase, académico, Mariana Agness, CEO da The House of Agness, Filipa Carreira, Directora-excutiva da Wamina, e Benilde Nhalivilo, activista social.   

Os quatro oradores, cada um referindo-se às suas experiências particulares, defenderam que as oportunidades são cruciais no que ao empreendedorismo diz respeito. Nisso, Benilde Nhalivilo destacou que o acesso à informação e à educação são factores de empoderamento muito fortes porque no aí as pessoas e as mulheres, em particular, devem saber o que existe para que saibam o que podem fazer. “Além disso, muitas vezes não temos noção que temos oportunidades todos os dias. Tive a sorte de cruzar com mulheres grandes, que me ajudaram a mudar, de modo que soube aproveitar as oportunidades”, logo, para Nhalivilo, impõe-se que que os empreendedores dêem muito de si e aprendam a explorar as poucas possibilidades de progresso que surgem.

Ora, à parte as sugestões dirigidas sobretudo às mulheres, de longe em maioria no Centro de Conferências Joaquim Chissano, Benilde Nhalivilo afirmou que o sector privado pode dar maior impulso à área social no concernente ao empreendedorismo, de modo que daí surja o movimento capaz de mudar a vida das pessoas. “Em Moçambique 80% da população é jovem, dos quais 40% é dependente. Então, temos que ver como reverter a morte de 15 mulheres por dia vítimas de causa evitais. Precisamos nos conhecer para ver o que cada um de nós pode fazer para melhorar a vida das crianças e dos jovens”, acrescentou a activista social.

Concordando com a importância das oportunidades para a afirmação do empreendedor, Filipa Carreira defendeu que a juventude deve esmerar-se em criar as suas próprias oportunidades, ir atrás das coisas para que possa alcançar o que se pretende: “mesmo que o contexto esteja condicionado contra nós, temos que fazer de tudo ao nosso favor. As políticas, neste contexto, são fundamentais, mas não vale a pena ter políticas se não as implementarmos. Precisamos ter responsabilidade para inspirar as pessoas”.

Outra oradora deste primeiro dia do Mozefo Young Leaders, Mariana Agness, CEO da The House of Agness, começou por dizer que no âmbito do empreendedorismo nunca se sabe o que vai acontecer do dia seguinte. Por isso advertiu aos jovens para que sempre estejam preparados para alguma coisa a emergir. E preveniu: “Os desafios são muitos, mas nunca devemos perder a fé e a vontade de aprender. A força de vontade é fundamental para que se ultrapasse as dificuldades atinentes à abertura de empresas no país. É muito difícil. Segundo, ainda há preconceitos em relação às qualidades da mulher na negociação. Também a esse nível devemos lutar para vencer esses condicionalismos”.

Por fim, no painel subordinado ao tema “Um futuro de oportunidades, igualdade e equidade” Pie-Pacifique Kabalira-Uwase frisou que aprendizagem e perseverança não se podem dispensar na busca do sucesso pelo empreendedor.

Depois de um painel que teve como centro de discussão questões ligadas a “um futuro de oportunidade, igualdade e equidade”, seguiu-se ao momento de reflectir sobre “Políticas públicas para promover habitação para os jovens”, no Mozefo Young Leaders. O mesmo eixo teve como protagonista o responsável máximo pelo Fundo para o Fomento de Habitação.

Zefanias Chitsungo, PCA do Fundo para o Fomento de Habitação, defendeu que a auto-construção é uma solução indispensável para a problemática da habitação que afecta a maior parte dos jovens do nosso país. Essa proposta surge pois as casas que foram nacionalizadas após a independência não são suficientes para a camada juvenil nacional. Chitsungo afirmou, outrossim, que a promoção de habitação nas zonas rurais, produção de materiais de construção e desenvolvimento de tecnologias, fonte de recursos e financiamentos, desenvolvimento institucional, constituem algumas estratégias para minimizar a questão da habitação.

E porque o problema de habitação não pode ser resolvido pelo Governo, Chitsungo apontou como tarefas dos jovens: “hábitos de poupanças, autoconstrução, geração de renda, auto-emprego, associativismo, participação e inovação”.

O Governo, face a esta problemática pode, segundo o PCA do FFH, apostar no investimento público, incentivar o sector privado, estimular o associativismo na habitação social, diversificar as fontes de financiamentos, estimular as iniciativas juvenis de construção e tecnologias baseadas em materiais locais.

Segundo Chitsungo, para falar de habitação é preciso sempre falar do histórico que o país atravessou: das habitações que eram propriedades dos colonos e que posteriormente foram nacionalizadas.

“Um líder é aquela pessoa que, com o seu exemplo, pode inspirar os outros e tirar melhores resultados deles. E Estratégia é um plano para conseguir um objectivo com aquilo que se tem”. Estas foram as palavras bem destacadas por Juan Reynolds, especialista em liderança, que, neste início de tarde, interveio no Mozefo Young Leaders, a decorrer até amanhã no Centro de Conferências Joaquim Chissano, na cidade de Maputo.  

Discursando alicerçado ao tema “A liderança como estratégia e estratégia para liderança”, Reynolds esmerou-se em explicar o que faz as pessoas líderes. Para o orador, a liderança é interna à pessoa, daí conseguir-se ter êxito na questão quando se consegue realizar com efeito o exercício de instrospecção, com imaginação susceptível de criar uma nova realidade, tendo em consideração o contexto em que se está.

Num continente que avançou muito na escolarização primária e secundária, faltando o nível superior, Reynolds entende que os africanos têm uma enorme oportunidade de explorar as riquezas. Nesse sentido, a fé e a paixão são importantes para o alcance dos objectivos individuais, com ajuda do intelecto. “A liderança não vale para nada se a pessoa não acredita no que está a fazer. O líder deve sustentar ideias que ajudem o mundo a ser melhor”, proferiu Reynolds, acrescentando: “as primeiras coisas que se deve desenvolver no processo de liderança são os processos internos”.

Ainda esta tarde, os oradores vão debater à volta do tema “O uso da inteligência artificial nos cuidados pré-natais”.

Terminou a conversa sobre “A liderança como estratégia e estratégia para a liderança” guiada por Juan Reynolds. Por isso, foi a vez de Ana Namburete, académica e pesquisadora, dissertar sobre “O uso da inteligência artificial nos cuidados pré-natais”. Tratou-se de uma oportunidade única para se saber como funciona os campos principais da inteligência artificial. As investigações de Ana tiveram, no início, um grande apoio do ex-ministro da Saúde, Ivo Garrido, e o que aventurou a jovem investigadora ao campo da inteligência artificial foi o grande desejo de querer trazer ao país algo novo e que beneficiasse a todos.

O gosto pela ciência e pesquisa foram as motivações interiores que fizeram Ana dedicar-se em diversas áreas médicas em todo mundo. Num mundo onde a inteligência artificial cruza caminhos diariamente com a realidade social, Ana Namburete, com apoio de diversos especialistas e pesquisadores do mundo, decidiu desenvolver uma ferramenta cibernética que faz a avaliação do cérebro e reporta os resultados por meio de um documento em PDF. O relatório de resultados pode ser levado às consultas médicas. A ferramenta prevê analisar a saúde de fetos, ainda em fase embrionária, e assim evitar diversas anomalias pós-partos.

A ferramenta pretende ser um equipamento que possa ser muito importante no apoio a mulheres grávidas em zonas rurais, onde os postos de saúde são localizados longe das residências. “Essa ferramenta pode ser utilizada por assistentes comunitários para identificar mulheres grávidas em risco. Neste momento, Gana e Malawi mostraram interesse nessa ferramenta”, disse a jovem pesquisadora.

Refira-se que a ferramenta esta sendo desenvolvida por meio de um financiamento destinado a iniciativas inovadoras para países em desenvolvimento. “Estou interessada em trabalhar aqui em Moçambique. Quero aplicar esta inovação. Sabemos que Moçambique enfrenta complicações no que diz respeito a cuidados pré-natais”, finalizou a pesquisa da Universidade Oxford.

Regina Santos, Lara David, Daúdo Vali e Ana Namburete juntaram-se, esta tarde, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, na cidade de Maputo, para partilharem experiências colhidas no estrangeiro. A primeira jovem, que também é vocalista da banda Gran’Mah, começou por adiantar que o grande elogio que assimilou fora, especificamente nos Estados Unidos, foi trabalhar duro e forte, o que, no regresso ao país, lhe permitiu obter bons resultados com network.

Nisso, Daúdo Vali defendeu que viver no estrangeiro permite que as pessoas possam conhecer-se mais, o que as dá objectivos concretos na vida com capacidade de execução, com ética e responsabilidade. “Independente de onde tu estejas, a ética é fundamental. Temos que pensar noutras pessoas de modo que elas possam crescer, desenvolverem-se com monitoria, ao invés de lhes amputarmos as pernas”.

Para Lara David, jovem moçambicana que estudou na África do Sul e na Inglaterra, quem desejar triunfar no estrangeiro deve, primeiro, ser responsável e preocupar-se em trazer bons resultados para casa e para o seu país. “Desde cedo eu aprendi a estudar para mim, ao mesmo tempo que sabia que representava os meus pais, a minha família e o meu país. Por onde passo, sempre sinto-me como uma janela de Moçambique”, afirmou uma das oradoras do painel do Mozefo Young Leaders, acrescentando que, enquanto se estiver fora de casa, é fundamental aprender a gerir a saudade com disciplina, pontualidade e bom senso. “São estes os valores que levei de casa e que me permitiram triunfar fora”.

O painel sobre “Experiências de jovens moçambicanos além-fronteiras” teve ainda Ana Namburete como oradora, quem adiantou que sempre quis fazer da pesquisa uma ferramenta que contribua para o desenvolvimento do país. Por essa razão, Namburete quer usar inteligência artificial para resolver problemas ligados ao pré-natal e à infância, sobretudo nas zonas rurais de Moçambique, onde não existem grandes infra-estruturas.

O painel subordinado ao tema “Experiências de jovens moçambicanos além-fronteiras” foi moderado por Olívia Massango, Directora de Informação do Grupo SOICO.

“Compromisso com o futuro” foi o último painel do primeiro dia do Mozefo Young Leaders. Foi um painel que pensou o presente e lançou diversas perspectivas para o futuro. O painel juntou jovens comprometidos com o futuro de Moçambique e África: Saran Kaba Jones, empreendedora social da Libéria, Tânia Tomé, CEO da Ecokaya, Mbate Pedro, escritor, e Leonardo Xerinda, gerente de planeamento de mina e de serviço VALE.

Tânia Tomé definiu o empreendedor não como sendo aquele que cria uma empresa, mas sim o que torna sua ideia uma realidade. “Empreender deve ser, em parte, uma actividade que visa transformar a comunidade. É importante transformar o país através de solidariedade e identificar empreendedores, investirmos neles e assim colocá-los além-fronteiras”.

Para Mbate Pedro, o compromisso com o futuro passa por uma educação suportada por aspectos culturais chave. “A literatura e os livros são chave para entrar numa cultura. O acesso à cultura sem educação é um vácuo”. Para o escritor, é importante preocupar-se com o bem-estar do próximo, porque “não é doença ser honesto”.

“A força de vontade é fundamental em tudo. É essa força que nos faz ter preocupação com o próximo; precisamos de nos preocupar com o próximo porque é ele que apoia em cada caminhada, sobretudo enquanto empreendedores”, esta posição foi defendida por Leonardo Xerinda.

Saran Kaba Jones, a keynote speaker do painel, contou que esteve fora de sua terra natal, Libéria, durante 20 anos. Pelo compromisso e amor que tem pelo seu país e pelo continente regressou depois da formação. A jovem empreendeu, no seu país, acções ligadas à água limpa e potável. “Todos temos uma responsabilidade moral de ver dentro de nós essa responsabilidade, transformar a nossa comunidade e tornar o mundo num lugar melhor”.

“A preocupação de África deve ser um compromisso social de todos jovens empreendedores. A África tem muitos desafios: desemprego, pobreza, desigualdades. Apesar de conflitos e desafios, o nosso continente é um local de muitas oportunidades”, disse a jovem como forma de desafiar a todos a pensar no futuro que se deve dar ao continente africano. Para a jovem da Libéria, a África deve investir na sua juventude através da educação e formação. Porque em voz da verdade “um sistema económico que não desenha políticas para a sua juventude está condenada ao fracasso”. A empreendedora finalizou a sua intervenção dizendo que “é uma vergonha não aproveitar as situações que o nosso continente oferece”.

Dirce Abdla venceu, esta noite, na cidade de Maputo, o  Mozefo Young Leaders Business Challeng,  com projecto de tratamento e venda de fruta desidratada. Num concurso com mais de 100 concorrentes, Abdala foi distinguida pela maturidade no negócio e por apresentar maior probabilidade de dar certo. Coube a Ema Soares, apresentadora do Mozefo Young Leaders na sua segunda edição, fazer a entrega do prémio.

Segundo o representante do Barclays, Pedro Carvalho, na economia moçambicana e em todas economias em geral as PME são importantes para o crescimento, por considerar as mesmas “verdadeiras criadoras de emprego. Foram ouvidos muitos projectos, os cinco chamados têm maior probabilidade de sucesso, mas não significa que os outros projectos não o tenham. Tivemos de usar alguns critérios específicos”, acrescentou

Carvalho apresentou também os outros quatro projectos nomeados, dos seguintes concorrentes: Auro Nhalivilo, Ali Paquira,  Idin Abdala e Valmiro Madime.

O jantar de gala de premiação do Mozefo Young Leaders Business Challenge foi brindado com a presença de parceiros do evento e das campeãs africanas de basquetebol em seniores femininos, Ferroviário de Maputo. As locomotivas estiveram no jantar de gala com o presidente e treinador do clube, que explicaram ao auditório que o rojecto que permitiu a vitória das moçambicanas iniciou há quatro anos e é fruto de muita perseverança.

E porque é de desportos que se está a falar, esteve na sala do Polana a Vice-Ministra da Juventude e Desportos, Ana Flávia Azinheira, quem disse que as mulheres é trazem vitórias para o país.

Inguivild Mucauro, capitã do Ferroviário, também mereceu a palavra. E disse: “Eu acredito que do mesmo jeito que investimos no desporto investimos nos nossos projectos, é importante ter fé, muito trabalho. Honramos as nossas famílias e as mulheres”.

O outro prémio de realce na noite foi o especial de 100 mil meticais, atribuídos ao projecto de utilização de biogás, de Valmiro Madine.

O jantar de gala não terminou sem antes o PCA da FUNDASO, Daniel David, felicitar as campeãs africanas de basquetebol. De igual modo, David agradeceu aos parceiros que continuam a apostar no Mozefo Young Leaders e no Grupo SOICO.

A fechar o encontro, foi convidada Marlen para uma actuação musical.

O Presidente da República, Filipe Nyusi defendeu a importância da ciência para a resolução dos problemas dos moçambicanos, no Congresso Internacional de Cultura e Turismo, nesta terça-feira, em Maputo.

“A fome resolve-se cientificamente, a doença, mesmo a construção de infra-estruturas resolve-se com conhecimento e ciência. Os conflitos só se podem resolver com conhecimentos e não com a força”, acrescentou Nyusi.

 O Congresso Internacional de Cultura e Turismo com o lema “desenvolvimento nacional, promoção da paz e aproximação entre nações”, de duração de dois dias (26 e 27 de Novembro), reuniu estudantes, investigadores e profissionais das áreas de Estudos Culturais, Comunicação, Turismo e de outras áreas das Ciências Sociais e Humanas, assim como todos os interessados em debater o papel da cultura e do turismo no desenvolvimento nacional.

 O evento resulta de uma parceria entre o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho e a Universidade Politécnica de Moçambique, com a colaboração do Ministério da Cultura e do Turismo de Moçambique.

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