O País – A verdade como notícia

“Um futuro sem nós – o futuro somos nós”. Este foi o tema dissertado por Oswaldo Petersburgo, Vice-ministro do Trabalho, Emprego e Segurança Social. Petersburgo desafiou os jovens empreendedores a tomarem a geração que libertou o país como fonte de inspiração. Disse que é importante ter aqueles jovens como fonte de inspiração e modelos porque “senão souberes donde vens, não saberás onde estás e onde vais”. Sublinhando que o “futuro é hoje e agora” Oswaldo Petersburgo considerou o Mozefo Young Leaders uma verdadeira plataforma que associa competências e capacidades.

“A juventude deve se engajar no desenvolvimento do país através de iniciativas inovadoras como os jovens que unidos decidiram libertar o país”, e, ainda assim, o dirigente não deixou de salientar que mesmo estando num país liberto existem novos desafios. Engajou os jovens a investirem na educação para melhor saberem gerir os recursos naturais que o país possui. “A receita dos recursos humanos deve beneficiar aos jovens de hoje e as gerações vindouras. Sejamos actores do desenvolvimento”, disse.

Ainda na linha de empreendedorismo e inovação, Petersburgo convidou os jovens a investir em todos cantos do país pois há oportunidades para todos. “Temos a Política da Juventude, os financiamentos que podem ser obtidos em diversos sectores governamentais e na própria banca comercial”.

Helen Clarke partilhou, consultora com muitos anos de carreira, partilhou aos participantes do Mozefo Young Leaders estórias diversas de jovens sul-africanos, que no meio de dificuldades criaram oportunidades para superar dificuldades. Clarke, comparando a trajectória de um empreendedor com a duma maratona que se realiza anualmente na África do Sul disse que o sucesso é algo que vem, primeiro, quando acreditamos em nós. “Essa maratona ensina-nos as técnicas de como se tornar vencedor mesmo tendo em mente diversos riscos de percurso. Ao longo desse percurso conhecemos diversas pessoas. Todavia, o mais importante é manter as pessoas positivas ao lado”.

Aos jovens empreendedores, que atentamente acompanhavam as suas estórias, Clarke deixou conselhos: “Podemos aprender em todos aqueles que acreditam em nós; o dinheiro não e a única forma de rendimento; escolher aquilo que nos define é tudo”. Para Clarke, as parcerias permanentes, os intercâmbios contínuos são pontos que os jovens empreendedores devem, sempre, apostar e pôr em prática.

Paulo Ratilal, empresário, partilhou a sua trajectória como um jovem inovador e comprometido com o mundo de negócios. Tomando a sua estória de vida como exemplo de superação, desafiou os jovens a nunca desistirem do que são as suas maiores aspirações. “Eu assinei muitos contratos de trabalho quando estava com cancro. Os jovens devem procurar superar os seus limites e assim criar meios de realizar seus objectivos”.

Ratilal destacou a experiência que ganhou em diversos países africanos por onde passou como empresário e transmitiu a ideia de que o empreendedorismo deve ser visto como algo que transpõe fronteiras e que não pode ser visto como algo que se fecha num único sítio.

“Quando terminamos de construir uma ideia, a mesma torna-se de todos. O pequeno empreendedor deve ser capaz de transformar a sua ideia numa causa colectiva”. As palavras pertencem a Duncan Wardle, Vice-Presidente da Walt Disney Company. O especialista em criatividade e inovação foi o orador principal na dissertação do tema “Criatividade e oportunidades, segurança no futuro”, que, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, na cidade de Maputo, foi debatido de forma envolvente, na tarde desta quinta-feira, à laia de elaboração conjunta.

Nesta estreia no Mozefo Young Leaders, Duncan Wardle afirmou que uma das grandes barreiras no âmbito da inovação é a falta de tempo para raciocinar. Tal acontece porque os colaboradores ou potenciais empreendedores, em diversos casos, ainda não se predispõem a explorar os momentos de lazer ou aqueles em que se encontram menos tensos, alheios à pressão do trabalho. Logo, considerando que o cérebro humano fica fresco para raciocinar em ambientes além da tensão, os criadores, segundo Wardle, devem apostar em buscar momentos descontraídos e fazerem disso força-motriz para robustecer iniciativas, com a preocupação de maximizar o que vai à imaginação.

Durante mais ou menos uma hora, Duncan Wardle sustentou uma conversa com o auditório que aderiu à sala de debates neste último dia do Mozefo Young Leaders, recorrendo a muitos jogos, brincadeiras e animação. E ainda aconselhou: “é importante o empreendedor sonhar, porque quem sonha, com determinação, pode concretizar as suas maiores ideias”.

Na sua apresentação, com efeito, em alguns casos com recurso a slides, o Vice-Presidente da Walt Disney Company partilhou experiências inovadoras que permitem os empreendedores ganhar dinheiro. Para o orador, é preciso que o empreendedor moçambicano pergunte-se sempre qual é o maior tempo de consumo das pessoas ao seu redor e, a partir daí, investir em ofertas destinadas ao momento em que as pessoas consomem mais. E isso implica redefinir sempre objectivos e desafios.

A encerrar a sua intervenção, o orador do tema “Criatividade e oportunidades, segurança no futuro” afirmou que quem desejar crescer, deve sair do escritório, da sua zona de conforto, e, com espírito aberto, dignar-se a conhecer pessoas novas.

 

“Como financiar startups e empreendedores em Moçambique?” foi o penúltimo painel que debruçou-se sobre esse tema. Foi um momento em que os jovens empreendedores tiveram a oportunidade de colocar suas inquietações sobre as startups e outras componentes afins.

Alcino Michaque – Director de Administração, Finanças e Recursos Humanos da BVM, defendeu que a sua instituição possui um serviço de apoio aos empreendedores e jovens com ideias de grande alcance e impacto a nível social no país. “A BVM faz acompanhamento de jovens que se dedicam a inovação e acções ligadas ao empreendedorismo”.

Do seu lado, Tatiana Pereira, da empresa IdeiaLab, sobre o financiamento disse que os mecanismos de apoio não se limitam em financiar iniciativas que não apresentam coesão e solidez. Assim defendeu, em parte, que os jovens devem possuir uma certa atitude de negativismo, ou seja, não se limitar a pensar em benefícios exagerados ou ingénuos. “Temos que criar um negócio e desde o início criar uma relação seria com a banca. Investir em startups e investir em nossos jovens é o nosso futuro”.

A IdeiaLab é uma organização que trabalha com jovens empreendedores. Este órgão apoia empreendedores no percurso de transformar uma ideia em um serviço rentável ou útil a nível social. Para Tatiana, a criatividade é algo que tem faltado aos nossos jovens, pois vivem e crescem num ambiente condicionado e cheio de entraves que travam a criatividade. “A criatividade é como um músculo; precisa de ser sempre exercitado”.

A administradora Executiva do BIM, Liliana Catoja, a capacitação técnica para apresentar um projecto é importante para ter apoio em vários bancos nacionais. “Ideias que mostram potencialidades de serem vendidas são importantes. O nosso banco tem uma plataforma de ligar as pessoas, os investidores e aqueles que possuem meios de apoiar. Para afirmar a ideia de negócio é preciso procurar pessoas com facilidade e algum conhecimento”.

O último painel que fez as cortinas do MOZEFO Young Leaders (MYL) caírem discutiu a questão do “empoderamento dos jovens através dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável”.

Helvisney dos Reis Cardoso, das Nações Unidas, defendeu que os jovens jogam um papel muito importante no uso racional de todos recursos disponíveis no seu ambiente. “Moçambique actua muito bem no diz respeito a protecção ambiental. É preciso criar condições de cumprir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável de uma forma conjunta sem deixar nenhuma de lado”. Quando questionado sobre a possibilidade de se cumprir os ODS de forma separada por um dos participantes, o orador referiu que “os ODS são conceitos interligados que se intercomunicam. Se quisermos ter um mundo transformado, é importante promover esses objectivos. Esperamos atingir cumprir a Agenda 2030. Os jovens jogam um papel importante no alcance desses objectivos através de empoderamento e empreendedorismo. Empreendedorismo é uma das soluções para mudar a comunidade e o mundo”.

Jubia Uchavo, empreendedora social, sublinhou na sua intervenção que na atitude de empreender é muito importante convencer o cliente a ver uma determinada iniciativa como solução dos seus problemas. “Fazer de tudo para tornar o negócio sustentável é também importante. Poupar e investir no negócio”.

E dos Camarões fez parte Njoya Tikum, Director Regional da UNV. Tikum iniciou a sua intervenção levantando uma questão: “Por que depois de 40 anos estamos a enfrentar os problemas que eram dos nossos pais em nosso continente? Velhos problemas em tempo presente?”.

Tikum sugeriu que se use o voluntarismo para se ultrapassar os diversos problemas que afectam as nossas comunidades. Segundo ele, é por meio do voluntarismo que podemos “tornar o mundo um espaço melhor e digno de se viver”. “Todos temos de estar no voluntarismo porque nos permite expressar o amor que sentimos pela nossa comunidade; o voluntarismo dá oportunidade de transformar a nossa comunidade”.

O orador instou os jovens a articular o voluntarismo e ganhar assim habilidades para o mercado do emprego. O voluntarismo é muito importante. “Para mudarmos a nossa comunidade e o continente temos de parar de mendigar e usarmos a energia própria desenvolver”.

O PCA da FUNDASO subiu ao palco pela última vez na segunda edição 2018 do Mozefo Young Leaders, evento que se realizou no Centro de Conferências Joaquim Chissano, na cidade de Maputo, ontem e hoje.

No derradeiro discurso, Daniel David referiu-se a alguns dados estatísticos. Nisso, o auditório ficou a saber que 185 jovens vieram de outras províncias do país, de carro, machimbombos e avião. Mas os participantes do evento ficaram impressionados quando David informou que, excluindo Moçambique e Angola, dados de ontem, 3 500 000 telespectadores acompanharam o Mozefo Young Leaders pela televisão, sobretudo por via do aplicativo Stv Play. A maior audiência do dia inaugural veio do Brasil, depois, da África do Sul, de Portugal, da China, dos Estados Unidos de América e do Dubai.

Segundo entende o PCA da FUNDASO, o Mozefo Young Leaders está a fazer o seu trabalho, criando espaços e oportunidades para os jovens adquirem mais experiências.

Esta edição do Young Leaders teve 16 sessões plenárias, seis sessões paralelas, seis oradores estrangeiros, o que permite a organização sentir-se orgulhosa, afinal, realçou Daniel David, “nestes dois dias comprovamos que a juventude moçambicana tem força”.

A edição deste ano do Mozefo Young Leaders teve a adesão mais elevada de todos os Mozefo. Parte dos participantes foram entidades proeminentes da sociedade moçambicana, como políticos: “convidamos vários políticos porque são eles que nos ajudam a criar ambientes favoráveis para a concretização das iniciativas dos jovens”. Para dar azo a esse raciocínio, a FUNDASO convidou todos os principais partidos políticos nacionais.

A concretização desta edição do Young Leaders deveu-se a muitos intervenientes que se identificam com a iniciativa. Por isso mesmo, Daniel David agradeceu aos parceiros, patrocinadores, às associações juvenis e aos cerca de 450 colaboradores envolvidos na produção, organização e realização do evento. De igual modo, o PCA da FUNDASO agradeceu aos oradores, que deixaram tudo o que tinham a fazer para vir transmitir conhecimento e partilhar experiências com os jovens moçambicanos.

Antes de terminar, David manifestou ainda o interesse de a sua instituição investir na mulher, por acreditar que elas têm a força que transforma a nação. “Não é uma questão de palavra; não quero separar o homem da mulher, mas, esta é a nossa convicção, se quisermos ter sucesso, temos que apostar mais na mulher e no seu empoderamento”, sugeriu Daniel David entre aplausos apaixonados do auditório.

A próxima edição do Mozefo Young Leaders vai realizar-se em 2020. Até lá, para o ano está marcado o encontro no Grande Fórum Mozefo, antecedido pela MozTech, em Maio. “Nesse evento vamos surpreender com produtos e com envolvimento de pessoas que vão apoiar os jovens”, garantiu Daniel David.

 

A segunda edição do Mozefo Young Leaders já começou. Como se impõe, o acto de abertura interveio, primeiro, o PCA da FUNDASO, entidade organizadora desta iniciativa desenvolvida pensada na juventude moçambicana. Inicialmente, no seu discurso, Daniel David agradeceu aos parceiros, patrocinadores e aos oradores por aceitarem fazer parte do programa. De seguida, David afirmou que é um grande privilégio estar diante dos grandes líderes do presente e do amanhã, o que acontece com uma grande colaboração do Governo, que intervém desde a primeira hora no Young Leaders através do  Ministério da Juventude e Desportos.

Não obstante, dirigindo-se a um auditório constituído por jovens provenientes de vários cantos do país e de fora de Moçambique, Daniel David defendeu que os jovens devem garantir que o futuro de Moçambique seja promissor, com o compromisso de gestão de riqueza, de emprego, tornando o país uma referência na região e no mundo.

A cerimónia de abertura desta edição do Mozefo Young Leaders iniciou com uma demonstração artística que juntou música, dança e poesia. No palco do Centro de Conferências Joaquim Chissano, onde decorre o evento, estiveram cerca de 30 artistas, que, nos instantes iniciais deste encontro da juventude, conseguiram colorir o ambiente com boas-vindas que contagiaram o auditório.

Agostinho Vuma, Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), fez-se ao palco do Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, depois da nota de boas-vindas dada pelo PCA da Fundação SOICO (FUNDASO). Vuma defendeu, ao início da sua intervenção, que, para o nosso país, o empreendedorismo é importante e pode ser impulsionado através de políticas públicas. A título de exemplo, disse que, “em 2016 e 2017, o ciclo de inflação passou de 25.9% para 4.4%, o que prova que as medidas da banca económica foram importantes para influenciar a economia nacional”.

Para Vuma, no nosso país há mais um tipo de empreendedorismo movido por razões pessoais, para segurar as necessidades básicas e fontes de renda; aventou ainda que o empreendedorismo deve ser uma fonte, também, para a promoção de emprego de outros jovens.

“O negócio deve ser precedido não apenas como uma grande necessidade de fazer dinheiro. É necessário um ambiente de negócios favoráveis que permita a inserção de empreendedores no mercado. Só conseguiremos fazer isso quando tivermos uma educação e preparação dos jovens”, defendeu Vuma.

Indo ao lema do Mozefo Young Leaders, “O futuro somos nós”, o responsável máximo da CTA afirmou ser necessário os novos empreendedores fazerem a diferença na sua forma de estar e na sua forma de empreender. “É preciso que os jovens empreendedores tragam uma mudança positiva e multigeracional para o desenvolvimento do país e nunca copiar os erros de forma recorrente”.

Uma ideia só se torna em uma grande ideia de negócio quando há, no empreendedor, uma grande visão, conduta, honestidade e confiança, destacou Vuma na sua intervenção. “Num país, como o nosso, onde o crescimento populacional é elevado, crescem, também, os desafios para a criação de postos de emprego”. Desenvolver acções que criem um clima saudável para negócios e reformas económicas foram apontados, pelo interveniente, como algumas funções da instituição lidera por si. “O que faz com que as reformas da banca falhem?”, questionou-se Vuma no meio do seu discurso. E teceu a resposta: “Não basta só a reforma legal da banca, é preciso implementação dessas mesmas reformas e acompanhamento”, finalizou.

“Discutam Moçambique real e incluam, nos debates, prioridades do Governo ligados à agricultura, energia e infra-estruturas”.  Esta foi a sugestão da Ministra da Juventude e Desportos, que, nesta manhã, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, na cidade de Maputo, inaugurou a segunda edição do Mozefo Young Leaders. Ao dirigir-se aos jovens moçambicanos, presentes no local onde decorre o evento organizado pela FUNDASO e a todos que acompanham o programa pela Stv Notícias e pelo site do jornal O País, Nyeleti Mondlane disse que o seu desejo é ver os debates do Mozefo Young Leaders a ter um impacto na maior parte dos jovens, com resultado tangíveis a curto e médio prazo.

De acordo, com a Ministra da Juventude e Desportos, depois destes dois dias de debates e troca de experiências, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, os jovens terão ferramentas para alavancar o país, com capacidades de pensar numa política monetária assertiva que permite redução da inflação e fortalecimento do metical em relação ao dólar. E ainda deixou uma promessa: “O governo vai continuar a apoiar iniciativas juvenis e a micro e médias empresas dos jovens”, afinal o Governo está certo que há muito a fazer para e com a juventude.

Mondlane convidou os jovens a discutir o país de modo a ultrapassar problemas relacionados com a demografia, caracterizado por elevado número de dependentes, com famílias com menos pessoas a produzir, má nutrição e casamentos precoces. “Queremos que os jovens possam intervir na superação deste tipo de casos e que o Grupo SOICO continue preocupado em incentivar os jovens, fazendo deles mentores do progresso”. E a governante acrescentou: “Para sermos o futuro, temos que ser dedicados. Por isso devemos encarar o presente com responsabilidade, de modo que o país desenvolva e os jovens de amanhã possam aproveitar-se de valores com tolerância”.

Segundo entende Nyeleti Mondlane, liderar iniciativas empreendedoras é tarefa complexa, que envolve valores sócio-culturais, daí que os jovens devem procurar obter conhecimentos e capacidades que lhes permite assimilar valores. “Assim, acreditamos que as experiências partilhadas aqui servirão de prova que a inovação e a criatividade são fundamentais para o sucesso. Como Governo, vamos continuar a criar ambiente favorável para iniciativas empreendedoras desenvolvam-se”.

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