O País – A verdade como notícia

O Aeroporto Internacional de Nacala vai continuar sem tráfego nos próximos tempos e a empresa Aeroportos de Moçambique reconhece o peso financeiro para a manutenção daquela infra-estrutura para além da divida de pouco mais de 200 milhões de dólares por pagar.

A empresa Aeroportos de Moçambique foi uma das parceiras da primeira conferência internacional de investimento na Zona Económica Especial de Nacala havida entre os dias 28 e 30 de Novembro, tendo cedido sua sala de conferências pra acolher os cerca de 300 participantes.

“O Aeroporto de Nacala desde que abriu em 2014 ainda não conhece o que estava previsto na sua materialização. Devia haver uma companhia aérea baseada aqui em Nacala”, disse Emanuel Chaves. PCA do Aeroportos de Moçambique.

Receando cair no erro, a própria Ethiopian Airlines não terá as suas operações baseadas em Nacala como se especulava e mais uma vez, o resultado da equação dos que projectaram este gigante para aqui dá um resultado negativo!

Neste momento o Aeroporto Internacional de Nacala recebe voos da LAM apenas duas vezes por semana e algumas aeronaves privadas. Sem fazer dinheiro e com uma divida de mais de 200 milhões de dólares por pagar.

Enquanto esse dia não chega, o amplo espaço de que dispõe dá para outras actividades. Aliás, os participantes da conferência de investimento almoçaram nesse local, bem aconchegados e sem barulho de aviões!

 

Para o próximo ano, Moçambique poderá receber cinco biliões de dólares de investimento directo estrangeiro na indústria extractiva. O Governo acredita que a previsão de retoma da economia nacional pode acelerar o desenvolvimento da Zona Económica Especial de Nacala.

Depois da recessão económica registada nos últimos três anos, o futuro parece mais promissor, com a indústria extrativa a jogar um papel muito importante.

Um desafio e várias oportunidades para desenvolver mais rápido a Zona Económica Especial de Nacala que nos últimos nove anos recebeu 178 projectos de investimento.

Durante a primeira conferência internacional de investimento que terminou ontem em Nacala, foi feita uma apresentação comparativa entre as zonas económicas especiais da África do Sul, Quénia, Etiópia e Tanzânia, e ficaram ilações importantes para Moçambique.

O segundo dia do Mozefo Young Leaders arrancou com a intervenção pedagógica de Frank Foulon, Director-Geral da Exchange Vzw. No Centro de Conferências Joaquim Chissano, esta manhã, Foulon dissertou sobre o eixo temático que diz respeito às “Oportunidades para jovens empreendedores”. Foulon defendeu que Moçambique é um país promissor, um país que pela entrega da juventude ao empreendedorismo pode instalar-se numa posição de grande destaque a nível regional.

Fazendo uma ligação aos temas debatidos, ontem, sobre as características de um bom empreendedor, Foulon disse que a ideia de empreendedorismo deve ser sempre erguida em função das necessidades dos clientes: “os clientes procuram um determinado produto porque esperam ganhos e alguma coisa a mais. As pessoas precisam de soluções para as suas famílias”, disse o orador Bélgico. As oportunidades e possibilidades de empreender em todo país existem, por isso Foulon convidou todos jovens a iniciarem-se nesse campo.

“Já estive em mais de 25 países africanos por diversas missões; mas devo confessar que Moçambique é um país que mostra ser capaz de ser uma marca a nível do continente. Este povo além de capaz de se desenvolver tem um forte espírito de solidariedade; identifiquei esse valor aquando do Mundial na África do Sul”, finalizou o orador.

“Ecossistema para o desenvolvimento do empreendedorismo”. Este foi o tema de debate proposto ao primeiro painel do último dia do Mozefo Young Leaders, nesta segunda edição. À imagem de ontem, dia inaugural, hoje o evento está a realizar-se no Centro de Conferências Joaquim Chissano, na cidade de Maputo.

A iniciar o ciclo de debate, estiveram três oradores. O primeiro a intervir foi Francisco Vilanculos, Gestor da SASOL há muitos anos. Segundo entende o membro do painel, é preciso que os moçambicanos percebam o ciclo que move o empreendedorismo, interessarem-se em suportar as ideias e encontrar mecanismos de fazer com que as iniciativas sejam sustentáveis. “Para se executar o empreendedorismo também é necessário conhecimento, e o nosso país ainda tem muitos desafios nessa área, o que limita as pessoas”, avançou Vilanculos. A fim de reverter esse quadro? “Nós temos programas nos quais treinamos a juventude, daí os empreendedores adquirem conhecimentos para tomarem decisões e riscos calculados. É preciso identificar áreas prioritárias”.

A partilhar experiências com o Gestor da SASOL, Eduardo Sengo, Director-executivo CTA, interveio dizendo que o empreendedorismo na área empresarial significa iniciar negócios. Para Sengo, o triunfo do empreendedorismo depende da redução de burocracia e da busca de recursos, de criação de fundos específicos, mas com apoios que permitam manter um ecossistema organização. “O sistema de educação deve ser um aliado a ter em conta porque aí pode-se mobilizar os jovens a colocar ideias de forma competitiva. As escolas deveriam ser um espaço de partida do ponto de vista de promoção do empreendedorismo e dos seus conhecimentos”.

Na opinião de Sengo, há que levar pessoas com ideias e colocá-las na ribalta, “mais ou menos como a Stv fez com o Fama Show, programa que expôs e permitiu o aparecimento de vários cantores moçambicanos. O mesmo deve ser feito com o empreendedorismo”, defendeu o Director-executivo da CTA, aconselhando os jovens a não ficarem à espera dos bancos para obter financiamentos. “Se queremos criar ecossistemas, temos que apoiar ideias, com entidades que possam dignar-se a correr riscos. O Estado tem um papel nesse sentido”.

O terceiro orador do painel subordinado ao tema “Ecossistema para o desenvolvimento do empreendedorismo” foi Milvan Maiuane, Director-Geral da MIDOMOC, quem acredita que programas como Super Mentores e Mozefo Young Leaders Business Challenger ajudam os jovens a exporem-se, algo que lhes pode facilitar obter financiamento.

Como calhou nos painéis de ontem, a adesão do público jovem aos debates é bem destacada no Centro de Conferências Joaquim Chissano.

 

 

 

 

“O futuro é agora”. Foi a intervenção que levou o jovem Jordan Casey ao palco de Mozefo Young Leaders. Tratou-se de um momento para conhecer a trajectória do empreendedor com mais de 10 anos de experiência. Casey começou a empreender aos 9 anos de idade no campo de criação de jogos electrónicos. “Através de jogos criei um aplicativo que me permitiu ganhar muito dinheiro. Depois vendi a empresa e criei uma empresa de gestão online de professores. Um aplicativo que permite acompanhamento de alunos por professores”.

“Temos de dizer a todos jovens do mundo que empreender não significa abrir uma grande máquina de fazer dinheiro; é, sim, um meio para criar soluções aos problemas que enfrentamos no nosso ambiente”, disse o jovem empreendedor.

Não ser levado a sério e desconfiança extremamente do potencial dos jovens são alguns pontos apontados pelo orador como sendo entraves que enfrentou quando começou a empreender; aventou que esses problemas sejam atravessados por outros jovens do mundo inteiro.

Casey disse na sua intervenção que se sente representante de todos jovens empreendedores do seu país e do mundo inteiro e, por isso, decidiu criar recentemente uma rede de jovens empreendedores de todo o mundo: a TEM. Uma rede que pretendente ser um espaço de partilha de ideias, perspectivas e assessoria de jovens apaixonados pela inovação e criação de soluções para problemas que apoquentam o mundo.

O jovem inovador partilhou com o público aspectos que considera importantes para a efectivação de uma geração de jovens empreendedores activos a nível mundial. “Todos governos devem financiar a jovens empreendedores, criar movimentos que inspirem jovens inovadores, apostar em plataformas que ampliem as vozes de jovens com vontade de inovar e promover uma educação de qualidade”.

Juntar a tecnologia a diversos aspectos do dia-a-dia é desafio que nos é colocado. A educação que se precisa na actualidade, segundo o orador, não deve ser baseada em regras tradicionais, porém deve oferecer oportunidades dentro e fora do sistema de educação; um sistema educacional que se concilia com a tecnologia para aproximar o professor ao aluno. “Não podemos continuar a diabolizar a tecnologia na educação”.

A província de Inhambane prevê comercializar durante a campanha 2018 e 2019, cerca de 10 mil toneladas da castanha de caju. Para evitar desvios desnecessários da mercadoria  e a aplicação de preços sem regulamentação, desta cultura de rendimento, vários actores foram capacitados em matérias de monitoria da comercialização.

O encontro juntou o sector regulador do caju, técnicos de extensão rural e respectivos fiscais, administradores distritais, produtores, reguladores distritais das actividades económicas, comerciantes, entre outros, num treinamento sobre sistemas de monitoria e comercialização da castanha de caju, face a presente campanha 2018 e 2109.

A capacitação chegou num bom momento para os produtores, que se viam burlados no período de venda.

Um dos maiores desafios, também apontado pelos produtores, tem que ver com a falta de meios para a pulverização dos cajueiros.
 

Pelo menos dois membros do Governo acompanharam o debate dos jovens no Mozefo Young Leaders, no Centro de Conferências Joaquim Chissano. São os casos de Celso Correia e Osvaldo Petersburgo. Dos dois dirigentes, interveio o Ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural. Durante o seu discurso, alicerçado ao tema de debate “Os desafios da inovação em Moçambique”, Correia defendeu que a inovação deve melhorar a vida das pessoas porque o progresso da humanidade depende da inovação.

Numa sala muito concorrida, Celso Correia lembrou que muitos associam a inovação ao campo científico. Por isso, o Ministro sugere que se deixe de pensar de tal forma, pois qualquer sector de trabalho é propenso à ser inovado, como é o caso de campos ligados às áreas rurais: “A inovação deve permitir encontrarmos mecanismos para ultrapassarmos adversidades”, afirmou o Ministro, recuando um pouco no tempo: “Moçambique viveu, nos últimos três anos, tempos complexos. Agora entramos numa fase que nos permite dizer que vencemos as adversidades que nos afectaram. Por isso os jovens devem assegurar que na viagem ao desenvolvimento ninguém fique para trás”.

Antes de encerrar a sua intervenção, Celso Correia felicitou a Fundação SOICO (FUNDASO) pela organização do Mozefo Young Leaders, um espaço jovem que reflecte sobre as preocupações do país.  

Titos Munhequete, Fundador da Izyshop, não duvida, todo o empreendedor deve preocupar-se em encontrar forma criativa de solucionar a falta de financiamento.

Munhequete foi um dos oradores do painel “Os desafios da inovação em Moçambique”. Enquanto esteve sob os holofotes, o Fundador da Izyshop disse que muitas vezes os jovens empreendedores são demasiados ambiciosos nos seus negócios, conservando a ideia de querer ser o único proprietário da empresa. Na percepção de Titos Munhequete, é preciso que os empreendedores moçambicanos aprendam a arranjar parceiros que ajudem a solucionar os problemas sem recorrerem a dinheiro: “E qualquer empreendedor deve escutar o que o mercado diz sobre as ideias que tem, mantendo-se fiel às suas convicções, mantendo sempre a empresa aberta, porque fechada nada funciona”.

Abneusa Manuel, Presidente da Mozdevz, também defendeu que não se consegue fazer tudo sozinho no empreendedorismo: “as parcerias são mesmo importantes e temos que identificar parcerias estratégicas. Temos que olhar para o nosso contexto e identificar soluções que vão ter impacto na nossa realidade, com informação, que é poder, e paciência de investir em projectos que levam um ou mais anos para singrarem”.  

Já na percepção da outra oradora, Eugénia Langa, Directora-Geral da Mweba, os jovens devem investigar e deixar de se preocupar com emprego e salários altos antes de adquirem experiência. “Ao invés disso, os jovens podem identificar uma empresa de sonhos e la irem pedir estágio sem honorários. Isso permite os jovens adquirir experiência”.

Diante destas questões todas, José Samo Gudo, Director-Geral da Escopil Tecnologia, afirmou que o país é um mercado conservador, mas que os moçambicanos estão a mudar a maneira de pensar com ajuda de plataformas como Mozefo Young Leaders.

Hoje, e o último dia do evento organizado pela FUNDASO.

 

 

 

 

 

O governo lançou hoje a segunda fase do projecto de apoio ao sector da conservação da biodiversidade. A segunda fase do MozBio está orçada em cerca de 45 milhões de dólares e é financiada pelo Banco Mundial.

Com duração de cinco anos, o MozBio dois tem como objectivo principal aumentar a eficácia da gestão das áreas de conservação e melhorar as condições de vida das comunidades locais. O governo acredita ainda que a segunda fase do projecto vai reforçar a capacidade das autoridades de enfrentar as ameaças à conservação do capital natural. Com vista a transformar as áreas de conservação num destino de investimentos, o ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural anunciou os acordos assinados para o próximo ano.

Através do seu director em Moçambique, o Banco Mundial reiterou o seu compromisso com o desenvolvimento rural e a gestão sustentável de recursos naturais.

O Banco Mundial revelou ter investido até este momento mais de 600 milhões de dólares em diversos projectos para promover a gestão sustentável de recursos naturais renováveis. Em Janeiro do próximo ano, o Banco Mundial vai assinar com o governo um acordo de donativo de 100 milhões de dólares para o programa Terra Segura.
 

+ LIDAS

Siga nos