Houve aumento do preço de bens e serviços, em fevereiro passado, influenciado principalmente pelo comportamento dos preços dos serviços de restauração, na ordem de 4,74%. A informação foi divulgada pelo Instituto Nacional de estatísticas, no seu habitual relatório mensal.
O mês de fevereiro foi difícil para os consumidores que procuravam por bens e serviços acessíveis, devido ao incremento de preços que se situou em 4.47%.
De acordo com o relatório mensal do Instituto Nacional de Estatísticas, a subida supera a do mesmo período do ano passado.
“As divisões de Alimentação e bebidas não alcoólicas e de Restaurantes, hoteis, cafés e similares, foram as que tiveram maior aumento de preços, ao variarem com cerca de 11,89% e 6,20%, respectivamente”.
O documento indica ainda os principais centros urbanos que maior subida registaram. A Cidade de Tete, por exemplo, registou o maior aumento de preços com cerca de 6,85%, seguida da cidade de Xai-Xai, com 6,17%. Maputo, que representa a maior parte da amostra, está com 4,74%; a cidade de Nampula com 4,71% e o mais baixo registado foi na Cidade de Quelimane, com 3,45%.
O nosso jornal visitou alguns estabelecimentos de restauração, na cidade de Maputo, para entender as razões do agravamento dos preços. A subida dos preços de matérias-primas, resultantes dos protestos pós-eleitorais é apontada como a principal razão.
“Inicialmente tudo estava correndo muito bem, tínhamos um bom fluxo da clientela, mas com o decorrer do tempo algumas coisas pararam. Alguns dos nossos fornecedores fecharam, tínhamos fornecedores de ovos, farinha, de trigo, mas infelizmente tivemos que mudar alguns dos nossos fornecedores”,explicou Wilma da Cruz, funcionária de uma pastelaria, ao longo da Avenida Julius Nyerere.
Com a mudança dos fornecedores era preciso ajustar os preços e a empresa da Wilma nao fez diferente.
“Nem todos os nossos produtos tiveram uma escala de subida, um e outro, para poder manter a clientela, porque com a subida dos preços nós também podemos afugentar os nossos clientes. Então para manter a nossa demanda nós tentamos regularizar, subir talvez 10% ou 20% dos nossos preços normais”, avançou.
A pastelaria da Wilma arriscou na subida de preços, mas houve quem preferiu assumir os prejuízos, sem mexer no bolso dos clientes. Tal é o caso do restaurante gerido por Raquel Lopes. “Sabendo da situação, aumentando o preço é a solução mais viável e é mais rápida, mas também temos que perceber um pouco a situação versus o cliente, não é? E se queremos manter as vendas ao mesmo nível ou perto, o aumento mesmo por parte dos fornecedores, nós respondemos da mesma forma, para que o cliente acaba por se ver mais essa baixa de vendas. Então tentamos gerir, tanto com o tipo de prato, o tipo de bebida que oferecemos, não perdendo a qualidade, mas sempre adaptando, como eu lhe disse anteriormente, aos ingredientes mais nacionais, deixando um pouco de lado aquilo que é, digamos, o internacional, aquilo que está a nível, que é o nosso nível, a nível internacional, baixando um pouco os produtos desse segmento e usando mais os nacionais”, explicou Lopes.
Apesar de todas as estratégias, o sector de restauração vive incertezas diárias. “Estão complicadas. Não posso dizer que estamos felizes com as contas, nem que está normal, mas realmente conseguimos perceber que houve uma baixa enorme. Mas acredito também pela situação do ramadão, que agora as pessoas, a nível religioso, acabam por só fazer a abertura da refeição à noite. Ainda não posso dizer que está estável. Têm sido momentos de incógnito. Não temos a certeza de nada no momento. Estamos a viver um dia de cada vez”, desabafou Naisse Perreira, gerente de uma cafetaria.
Anaisse coordena uma equipa de jovens que a cada dia assumem a missão de fazer mais vendas para reverter os números. “Temos vários clientes que são turistas e este, infelizmente, não tem aparecido tanto. Então, a nível de contas, é também ir vendo aquilo que nós podemos fazer, reduzir os custos o máximo possível, para conseguir fazer com que a máquina ande.
Aos poucos, os empresários começam a sair de um sufoco que por pouco lhes roubava o negócio. “Foram vários momentos de incertezas. Tivemos alguns dias fechados. E quando estamos abertos, temos sempre aquela incógnita. Como vai ser o movimento hoje? Se fechamos mais cedo por causa da escassez de transporte para os colaboradores? Várias vezes tivemos dificuldade de ter os nossos produtos do dia-a- dia, porque nós trabalhamos com fornecedores locais. Os nossos vegetais, as nossas frutas, são de vendedores locais. E várias vezes os mercados estavam vazios. As pessoas não conseguiam fazer a colheita, não conseguiam trazer, disse Anaisse”.
Devido aos protestos pós-eleitorais muitos empreendimentos fecharam as portas e não tem previsão de voltar a operar.