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A UBA África busca áreas para investimento em Moçambique e poderá, nos próximos dias, fechar acordos com a empresa Caminhos de Ferro de Moçambique, no âmbito do apoio ao projecto de expansão de infra-estruturas ferro-portuárias. A informação foi avançada pela CEO do grupo, que está de visita ao país.

É a primeira vez que escala Moçambique, desde que assumiu o comando do cérebro do United Bank for Africa, e está no país em busca de áreas de investimento e promoção das pequenas e médias empresas.

Após manter encontro com a administração da empresa Caminhos de Ferro de Moçambique, Abiola Bawuah, garantiu que, nos próximos dias, serão firmados acordos com os CFM, com objetivo de impulsionar a expansão das infra-estruturas ferro-portuárias.

“Nos próximos meses, talvez daqui a um ou dois meses, devemos fechar um acordo de parceria para ver como podemos apoiar esta enorme infra-estrutura e trabalho de extensão que estão prestes a fazer. Assim, daremos destaque ao programa de expansão dos mesmos. Poderemos fazer uma parceria com o Governo para garantir que expandam o porto e, depois, talvez renovar alguns equipamentos locomotivas que são antigas: disse Abiola Bawuah, CEO da UBA África.

O banco tem uma carteira de investimento de cerca de 60 milhões de dólares em várias áreas, e Moçambique poderá ser abrangido.

“Temos mais de 60 milhões de dólares de ajuda, que utilizamos para apoiar as PME. Os moçambicanos não estão isentos, fazem parte. E a maior parte disso acontece na África. Portanto, as PME têm o direito de apoiar o comércio em África. Portanto, temos mais de 60 milhões que estamos a utilizar para suportar isto. E esta é uma relação única entre nós e África “, garantiu.

Antes de se reunir com os CFM, a dirigente manteve encontro à porta fechada com a administradora de investimentos do Banco de Moçambique, um momento que considerou de avaliação do mercado.

“Acho que Moçambique é um país muito bonito. Vi que é um grande exportador de caju. Também vi a bela indústria da hotelaria. E depois, como banco, acho que há uma grande oportunidade local.  E essa é parte da razão pela qual estou aqui hoje. E isto é para apoiar todas as pessoas que querem investir nos principais sectores da economia”, explicou.

Para além do Banco de Moçambique e CFM, estão previstos encontros com o ministério da economia, ENH e vulcan moçambique.

Uma missão de empresários holandeses encontra-se na província de Manica a procura de oportunidade de investimentos, em diversos sectores de actividades. A agricultura é já apontada como uma das suas apostas, embora o governo queira estender as suas acçoes para o sector de mineração

A equipa holandesa trabalha, desde esta segunda-feira, em Manica, tendo deslocado-se para todos os 12 distritos, onde observou as potencialidades existentes em cada e já pisca o olho no sector agrário.

“Ambos lados têm muito interesse, porque o sector agrícola aqui em Manica tem muito potencial, especialmente essa região de Manica tem as condições mais favoráveis  e Holanda tem interresse de fazer negócios, como vocês sabem, Holanda é o segundo maior produtor a nível mundial em termos de agricultura. No entanto, muitos dos nossos produtos são processados na Holanda, então precisamos também ter produtos processados em todo o mundo”, disse um dos investidores.  

Em resposta, a governadora de Manica disse que a província tem tudo o que a Holanda precisa.

“Há potencial para a produção de café, trigo, cevada, castanha de caju, gengibre, entre outros produtos que aqui podem ser produzidos”, disse Francisca Tomás, que instou aos empresários a olharem também para a área de mineração e agro-processamento.

“Como vimos temos há ocorrência de vários minérios e com potencial para a instalação de grandes unidades de exploração e processamento. Não posso dizer o que temos, já viram aqui”, disse a governante.  

O Governo de Manica assegura que possui terras para a efectivação de projectos, que os holandeses têm na manga. 

O projecto Mozambique LNG já  tem 13 dos cerca de 15 mil milhões de dólares norte-americanos para a viabilização da exploração de gás na área 1 da bacia do Rovuma. A informação foi confirmada pelo diretor geral da Total Energies, a multinacional francesa que lidera o projecto.

“O U.S. Exim reconfirmou, reafirmou o seu suporte para o financiamento global do projeto”, destacou o director da empresa. “É um financiamento muito importante, um passo crítico.”

O projecto tem um financiamento total na ordem de US$ 15 biliões, contando com a participação de diversos bancos internacionais. Os bancos asiáticos, especialmente os japoneses, já haviam reafirmado seu compromisso com um montante de US$ 5 bilhões. O apoio do U.S. Exim adiciona mais US$ 5 biliões ao financiamento. “Gostaria de aproveitar para agradecer também a contribuição dos bancos asiáticos e, em particular, dos japoneses”, acrescentou o executivo.

Com o suporte norte-americano garantido, a expectativa agora é que dois bancos de export-credit, um do Reino Unido e outro dos Países Baixos, também reafirmem seus apoios. “Esperamos que, com essa decisão recente dos Estados Unidos, eles estarão em condição de reafirmar, reconfirmar o suporte do Banco do Reino Unido e do Banco dos Países Baixos muito proximamente”, afirmou o presidente da TotalEnergies.

O avanço na obtenção de financiamentos é um passo estratégico para garantir a viabilidade do projecto e reforça o compromisso da TotalEnergies com seus investidores e parceiros globais.

Na última sexta-feira, a cidade de Inhambane foi o epicentro de uma importante iniciativa de apoio ao sector privado: o lançamento oficial da IV Edição do Fundo Catalítico para Inovação e Demonstração. Este mecanismo de financiamento, que integra o Projecto Mais Oportunidades, disponibiliza 17 milhões de dólares para Pequenas, Médias e Grandes Empresas (PME) das províncias de Manica, Sofala, Gaza e Inhambane, com foco nos sectores de agronegócio, turismo e construção civil.

A cerimónia, que contou com a presença de altas figuras do Governo, representantes do sector privado e empresários locais, marca um novo capítulo no apoio ao desenvolvimento económico sustentável em Moçambique.

Nelson Rodrigues, Director de Assistência Técnica e Financeira da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze, sublinhou a relevância deste lançamento, que pela primeira vez estende o Fundo Catalítico às províncias de Gaza e Inhambane. “Este alargamento confere uma dimensão nacional ao fundo, reforçando o compromisso do Governo e dos seus parceiros no apoio às empresas, independentemente da sua localização geográfica”, explicou.

Com o apoio do Banco Mundial, o fundo tem como objectivo melhorar o acesso ao mercado das PME através de subvenções comparticipadas, permitindo aos empresários investir em projectos inovadores e geradores de impacto social e económico. Segundo Rodrigues, o processo de candidatura será regido por critérios rigorosos e transparentes, sendo supervisionado por um Comité de Investimento independente, constituído maioritariamente por membros do sector privado.

A Ministra das Finanças, Carla Louveira, destacou o simbolismo do evento num contexto marcado por desafios económicos severos. “Este fundo surge num momento crucial, quando o sector privado enfrenta os impactos das manifestações violentas e de uma economia em recuperação. Estamos a oferecer um instrumento poderoso para revitalizar as empresas e, consequentemente, a economia nacional”, afirmou.

A governante referiu ainda que esta iniciativa se junta a outras medidas do Governo, como a recente criação de uma linha de crédito bonificada no valor de 10 mil milhões de meticais, destinada a apoiar a tesouraria e o investimento das empresas. “Acreditamos que, com o Fundo Catalítico e outras iniciativas, será possível criar condições para que o sector privado continue a desempenhar o seu papel como motor do crescimento económico”, concluiu Louveira.

Francisco Pagula, Governador de Inhambane, enalteceu a escolha da província para acolher o evento, considerando-o um reconhecimento do seu potencial económico. “Inhambane é uma terra de oportunidades, rica em recursos energéticos e minerais, mas também com desafios consideráveis no emprego e na qualidade de vida das suas comunidades. Este fundo é uma oportunidade de ouro para transformar o nosso potencial em realidade económica”, afirmou.

O governante apelou aos empresários da província para que aproveitem esta oportunidade única, apresentando projectos que impactem positivamente as suas comunidades e promovam o desenvolvimento inclusivo.

Bruno Comini, Presidente da Câmara de Comércio de Moçambique em Inhambane, acolheu o fundo com otimismo, mas apontou desafios para a sua implementação. “Este é um sinal claro de que o Governo está empenhado em apoiar o sector privado. No entanto, será necessário que as empresas estejam bem organizadas e cumpram os requisitos legais para acederem a este financiamento”, disse.

Comini acredita que o fundo representa uma oportunidade para dinamizar os negócios na província, particularmente no turismo, um sector duramente afetado nos últimos anos. “É uma lufada de ar fresco num período difícil para o empresariado”, acrescentou.

Armindo Hamene, operador turístico, partilhou um sentimento semelhante. “O fundo é exactamente o que precisamos. Embora saibamos que será um processo competitivo e exigente, estamos confiantes de que muitas empresas poderão beneficiar deste apoio”, afirmou.

O Fundo Catalítico não é apenas um mecanismo financeiro, mas também uma ferramenta de transformação económica. Segundo os dados apresentados, o programa visa financiar cerca de 100 empresas nas quatro províncias abrangidas, com o potencial de gerar milhares de empregos diretos e indiretos.

Os intervenientes concordaram que o sucesso do fundo dependerá da capacidade dos empresários em apresentar propostas viáveis e de impacto, bem como da agilidade e transparência no processo de seleção.

Para Nelson Rodrigues, a experiência acumulada pela Agência do Zambeze na implementação de edições anteriores do fundo é um trunfo que garante a sua eficácia e credibilidade. “Estamos determinados em continuar a promover o crescimento económico sustentável através do apoio ao sector privado”, assegurou.

A cerimónia terminou com um apelo coletivo às empresas para submeterem candidaturas e abraçarem esta oportunidade histórica. “O Fundo Catalítico não é apenas um financiamento; é um compromisso do Governo com o sector privado e o futuro económico de Moçambique”, concluiu a Ministra das Finanças.

Este lançamento consolida o Fundo Catalítico como um instrumento estratégico para revitalizar o sector privado e impulsionar o desenvolvimento económico nas regiões abrangidas. Com critérios rigorosos, mas com o potencial de transformar empresas e comunidades, esta iniciativa reforça a aposta no crescimento inclusivo e sustentável do país.

O Conselho de Administração do Banco de Exportação-Importação dos Estados Unidos aprovou um empréstimo de cerca de 5 mil milhões de dólares para um projeto de GNL em Moçambique, há muito adiado, eliminando um obstáculo fundamental para o reinício do projecto em desenvolvimento pela empresa petrolífera francesa TotalEnergies.

O Banco de Exportação-Importação norte americano aprovou o empréstimo de 4,7 mil milhões de dólares para financiar a construção do projecto de gás natural na área 4 da bacia do Rovuma. A informação foi avançada por agências de informação internacionais, Reuters, Bloomberg e Financial Times.

Trata-se de um financiamento acordado na primeira administração Trump, que teve de ser reavaliado depois da paralisação do projecto em 2021 devido à insegurança em Cabo Delgado, no norte do país. A interrupção por força maior aconteceu antes de serem feitos quaisquer desembolsos.

A TotalEnergies detém uma participação operacional de 26,5%, no projecto Mozambique LNG cujo custo total será de 20 mil milhões de dólares.

A multinacional petrolífera TotalEnergies adiou por várias vezes a retoma do projecto de gás natural liquefeito por questões de segurança. O último adiamento foi em janeiro passado, devido a distúrbios pós-eleições.

O projecto de GNL, é a tem o potencial para transformar a economia de Moçambique, foi lançado em 2020. Na altura, era o maior projecto de investimento directo estrangeiro em África.

Dois encontros tiveram lugar, na quarta-feira, em Maputo: um, entre a ministra das Finanças, Carla Loveira e a embaixadora da Espanha em Moçambique, Teresa Orjales e outro, entre a ministra e o embaixador dos EUA, Peter Vrooman.

No encontro, Peter Vrooman falou do apoio do Governo americano ao país, entre eles, o Fundo Global, a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e o Programa Mundial de Alimentação (PMA).

Segundo o Ministério das Finanças, Vrooman lembrou que parte de tais apoios continuam suspensos por decisão de Donald Trump. Contudo, garantiu estar a trabalhar para a continuidade do apoio nas áreas cruciais para o país.

Diante da colocação, a ministra das Finanças comentou que a actual situação de suspensão do financiamento cria desequilíbrios na proposta do Plano Económico e Social e Orçamento de Estado de 2025 (PESOE).

Na ocasião, o diplomata americano questionou sobre a nova estrutura institucional do Governo. “Respondendo à questão, a titular das finanças garantiu que a mesma está centrada em três principais áreas, a reestruturação da máquina governativa; a consolidação fiscal e a boa governação”.

Durante o outro encontro, Teresa Orjales demonstrou abertura do seu país em continuar a apoiar Moçambique nas suas políticas de desenvolvimento e falou da 4ª Conferência Internacional sobre Financiamento ao Desenvolvimento que terá lugar em Sevilha, Espanha, de 30 de Junho a 03 de Julho de 2025.

“Esta conferência será uma oportunidade para acelerar a implementação da Agenda 2030. Vai, igualmente, apoiar a reforma da arquitectura financeira internacional, também vai definir a agenda de financiamento global e avançar os objectivos de desenvolvimento sustentável”, disse a diplomata espanhola.

Por seu turno, Carla Loveira saudou a abertura do Governo espanhol em continuar a apoiar Moçambique e o convite feito para a participação do país na Conferência, já que o país é signatário da Agenda 2030 e tem estado a participar na reforma da arquitectura financeira internacional.

Registou-se um ligeiro aumento do número de pessoas que possuem contas bancárias por cada 100 adultos no IV trimestre de 2024 no país. De acordo com o Banco de Moçambique, passou de 32,5 para 33,0, um incremento de 1,5%.

De acordo com o banco central, o crescimento é impulsionado por factores como introdução da conta bancária base, adesão de instituições ao pagamento por via de contas bancárias a trabalhadores, estudantes e pensionistas.

No relatório, o banco destaca que houve manutenção da tendência de aumento do número de contas de moeda electrónica por cada 100 adultos, que se fixou em 109%, no IV trimestre, após 99% no 3.º trimestre, o que indica que alguns titulares possuem mais de uma conta bancária.

“Este aumento decorre de maior facilidade de acesso e uso, interoperabilidade entre as instituições de moeda electrónica e os bancos, assim como maior divulgação dos produtos e serviços associados”, refere o banco.

Os indicadores apresentam uma análise detalhada sobre o acesso a serviços financeiros em Moçambique, no IV trimestre de 2024, tendo em conta aspectos geográficos e demográficos, com desagregação por género e áreas urbana e rural.

O empresário e político, Agostinho Vuma, lançou ontem, na cidade de Maputo, dois livros. Trata-se de “Diálogo Público-Privado em Moçambique – Impacto na Economia e Guia ao Investidor” e “Liderança, Legado de uma Caminhada”.

As duas obras narram os desafios vividos pelo autor durante os sete anos na presidência da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).

Segundo Vuma, a primeira obra, “Diálogo Público-privado – Impacto na Economia e Guia ao Investidor”, idealizada em 2018, narra os processos de diálogo, encontros e percursos conjuntos entre os líderes do governo passado e o sector privado, com foco em consensos na construção de um ambiente de negócios que favoreça o desenvolvimento e atractividade da economia nacional.

Já na segunda obra, “Liderança, Legado de uma Caminhada”, Vuma rebobina memórias e emoções que se eternizam na sua existência.

“A capa do livro, refiro-me ao livro ‘Liderança, Legado de uma Caminhada’, tem um significado particular. É uma imagem dos pesados factos que tive de carregar e suportar ao longo da caminhada, em particular dos últimos sete anos. Desde as privações de um miúdo de descendência rural às longas e difíceis jornadas para o acesso a uma escola, refiro aqui que estive na UEM como bolseiro, bolsa completa, as limitações financeiras que levam muitos adolescentes a buscarem no comércio informal a sua fonte de subsistência e, assim, jogar o seu papel activo na economia familiar, entre outros.”

Em “Liderança, Legado de uma Caminhada”, Vuma retrata, também, a tentativa de assassinato que sofreu, em 2020, classificando o crime de um acto de ódio.

“Trata-se de uma matéria que muito me marca e afecta, e, para o benefício da mesma sociedade que exerce o seu escrutínio da nossa caminhada, permita-me destacar que a maior motivação do meu homicídio frustrado, de que fui vítima, foi, sem dúvidas, o ódio, a malícia, a inveja, o mau carácter e a consciência de fracassado de seu mandante que via a morte como a única forma de travar uma caminhada que sempre se mostrará sucessiva nas caminhadas também vindouras.

Agostinho Vuma alerta que “assim poderá ser com todos aqueles que aspiram a ser líderes. A caminhada pode constituir um calvário de perseguições, de bullying e diversas manifestações de ódio, inveja e malícia, capazes de deixar marcas de dor e sentimento de revolta para deter o passo. Sempre existirá quem se auto-rejeite e olhe para os seus insucessos e incapacidades como causados porque os supera pela capacidade de liderança e sucesso. Nunca permitam que o bullying, a inveja, o rancor, a malícia vos façam igual. Podem, sim, pausar e questionar, à semelhança do pirilampo a que me referi, as razões da irreverência e persistência das perseguições das diversas serpentes que intentem interromper a vossa caminhada, mas nunca desistir do propósito de continuarem a brilhar”.

As duas obras chegam às prateleiras sob a chancela da editora Afrobooks e foram apresentadas por Salimo Abdula e Fernando Couto, ambos empresários. 

A cerimónia de lançamento contou com a presença de várias personalidades, políticos e empresários.

LUÍSA DIÁLOGO

O diálogo público-privado entre o sector público e privado é uma questão fundamental para o país avançar com a devida rapidez, e é por isso que eu participei activamente nisso. É bom ver que há legados que prevalecem e são enriquecidos, o diálogo que está a ser feito agora, o esforço que é feito pelo governo actual e pela CTA, a mim maravilha-me e inspira-me cada vez mais. Estou satisfeita em ver que aquilo que iniciámos na altura, transformou-se agora numa coisa sólida. O mandato de Agostinho Vuma foi uma mandato de consolidação.

SILVINO MORENO

É um período em que Agostinho Vuma trabalha como presidente da CTA, e acredito que, pelo dinamismo da economia, da maneira como a CTA interveio ao longo desse tempo, acredito que as obras devem ter um conteúdo bom.

SALIMO ABDULA

Ele deixa aí uma experiência, que é um legado interessante, falo da experiência que ele acumulou ao longo da vida, mas principalmente durante o seu percurso dos sete anos na presidência da CTA, no diálogo público-privado, na exposição das figuras que se tornam públicas e depois não estão preparadas. Nós temos de nos preparar como seres humanos, e, quando nos tornamos figuras públicas, como eu digo, quando a árvore cresce, mais vento cata. Então, ao lidar com a inveja, bullying, uma série de coisas que não estamos preparados, depois entramos em depressão.

FERNANDO COUTO

O Vuma, como disse, nasceu de uma família modesta, fez a sua educação à sua própria custa, não veio de nenhum colégio privado, de nenhuma escola no exterior, e é a pessoa que é neste momento, sobretudo para os jovens empresários, devem perceber que, no seu caminho como empresários, há momentos bons e momentos difíceis.

Houve aumento do preço de bens e serviços, em fevereiro passado, influenciado principalmente pelo comportamento dos preços dos serviços de restauração, na ordem de 4,74%. A informação foi divulgada pelo Instituto Nacional de estatísticas, no seu habitual relatório mensal.

O mês de fevereiro foi difícil para os consumidores que procuravam por bens e serviços acessíveis, devido ao incremento de preços que se situou em 4.47%.

De acordo com o relatório mensal do Instituto Nacional de Estatísticas, a subida supera a do mesmo período do ano passado.

“As divisões de Alimentação e bebidas não alcoólicas e de Restaurantes, hoteis, cafés e similares, foram as que tiveram maior aumento de preços, ao variarem com cerca de 11,89% e 6,20%, respectivamente”.

O documento indica ainda os principais centros urbanos que maior subida registaram. A Cidade de Tete, por exemplo, registou o maior aumento de preços com cerca de 6,85%, seguida da cidade de Xai-Xai, com 6,17%. Maputo, que representa a maior parte da amostra, está com 4,74%; a cidade de Nampula com 4,71% e o mais baixo registado foi na Cidade de Quelimane, com 3,45%.

O nosso jornal visitou alguns estabelecimentos de restauração, na cidade de Maputo, para entender as razões do agravamento dos preços. A subida dos preços de matérias-primas, resultantes dos protestos pós-eleitorais é apontada como a principal razão. 

“Inicialmente tudo estava correndo muito bem, tínhamos um bom fluxo da clientela, mas com o decorrer do tempo algumas coisas pararam. Alguns dos nossos fornecedores fecharam, tínhamos fornecedores de ovos, farinha, de trigo, mas infelizmente tivemos que mudar alguns dos nossos fornecedores”,explicou Wilma da Cruz, funcionária de uma pastelaria, ao longo da Avenida Julius Nyerere.

Com a mudança dos fornecedores era preciso ajustar os preços e a empresa da Wilma nao fez diferente.

“Nem todos os nossos produtos tiveram uma escala de subida, um e outro, para poder manter a clientela, porque com a subida dos preços nós também podemos afugentar os nossos clientes. Então para manter a nossa demanda nós tentamos regularizar, subir talvez 10% ou 20% dos nossos preços normais”, avançou.  

A pastelaria da Wilma arriscou na subida de preços, mas houve quem preferiu assumir os prejuízos, sem mexer no bolso dos clientes. Tal é o caso do restaurante gerido por Raquel Lopes. “Sabendo da situação, aumentando o preço é a solução mais viável e é mais rápida, mas também temos que perceber um pouco a situação versus o cliente, não é? E se queremos manter as vendas ao mesmo nível ou perto, o aumento mesmo por parte dos fornecedores,  nós respondemos da mesma forma, para que o cliente acaba por se ver mais essa baixa de vendas. Então tentamos gerir, tanto com o tipo de prato, o tipo de bebida que oferecemos, não perdendo a qualidade, mas sempre adaptando, como eu lhe disse anteriormente, aos ingredientes mais nacionais, deixando um pouco de lado aquilo que é, digamos, o internacional, aquilo que está a nível, que é o nosso nível, a nível internacional, baixando um pouco os produtos desse segmento e usando mais os nacionais”, explicou Lopes.

Apesar de todas as estratégias, o sector de restauração vive incertezas diárias. “Estão complicadas. Não posso dizer que estamos felizes com as contas, nem que está normal, mas realmente conseguimos perceber que houve uma baixa enorme. Mas acredito também pela situação do ramadão, que agora as pessoas, a nível religioso, acabam por só fazer a abertura da refeição à noite. Ainda não posso dizer que está estável. Têm sido momentos de incógnito. Não temos a certeza de nada no momento. Estamos a viver um dia de cada vez”, desabafou Naisse Perreira, gerente de uma cafetaria.

Anaisse coordena uma equipa de jovens que a cada dia assumem a missão de fazer mais vendas para reverter os números. “Temos vários clientes que são turistas e este, infelizmente, não tem aparecido tanto. Então, a nível de contas, é também ir vendo aquilo que nós podemos fazer, reduzir os custos o máximo possível, para conseguir fazer com que a máquina ande.

Aos poucos, os empresários começam a sair de um sufoco que por pouco lhes roubava o negócio. “Foram vários momentos de incertezas. Tivemos alguns dias fechados. E quando estamos abertos, temos sempre aquela incógnita. Como vai ser o movimento hoje? Se fechamos mais cedo por causa da escassez de transporte para os colaboradores? Várias vezes tivemos dificuldade de ter os nossos produtos do dia-a- dia, porque nós trabalhamos com fornecedores locais. Os nossos vegetais, as nossas frutas, são de vendedores locais. E várias vezes os mercados estavam vazios. As pessoas não conseguiam fazer a colheita, não conseguiam trazer, disse Anaisse”.

Devido aos protestos pós-eleitorais muitos empreendimentos fecharam as portas e não tem previsão de voltar a operar. 

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