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O País – A verdade como notícia

O Governo e parceiros (CTA e trabalhadores) anunciaram esta quinta-feira, a suspensão das negociações sobre a fixação do salário mínimo para 2020, alegadamente, devido aos impactos negativos da pandemia do novo coronavírus na economia.

Em conferência de imprensa, a ministra do Trabalho e Segurança Social, Margarida Talapa, disse que pesou para esta decisão, o facto da maioria das empresas auscultadas apresentarem prejuízos avultados, o que em termos práticos, concluiu-se que não há condições para continuar com a ronda negocial.

“Pensamos em retomar as negociações assim que a situação da COVID-19 se normalizar”, acrescentou a governante.

Já o sector privado, representado pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) referiu que olhou para a sustentabilidade das empresas.

“Neste momento, o mais importante é assegurar os empregos e garantir o pagamento regular dos salários”, argumentou Agostinho Vuma, presidente da CTA.

Contudo, a Organização dos Trabalhadores de Moçambique indica que encontrou-se uma “solução anormal”, embora reconhece que actual cenário macroeconómico seja desfavorável.

Revisão em baixa das perspectivas de inflação levam o Banco de Moçambique a reduzir a taxa de juro de referência de 12.75 para 11.25%. A decisão é tomada num contexto de queda acentuada da procura devido ao impacto da COVID-19.

 

Cerca de duas semanas depois do polémico aumento da prime rate, nesta quinta-feira, o Banco de Moçambique decidiu cortar a taxa de juro de política monetária, ou seja, a taxa de referência MIMO, em 150 pontos base, para 11.25%.

“A decisão foi sustentada pela expressiva revisão em baixa das perspectivas de inflação para o médio prazo, num contexto de maior declínio da procura agregada em resultado do impacto da COVID-19 na economia”, explica o Banco Central.

O Banco de Moçambique reduziu ainda as taxas da Facilidade Permanente de Depósitos de 9.75 para 8.25% e da Facilidade Permanente de Cedência de 15.75 para 14.25%. Os coeficientes de Reservas Obrigatórias não foram mexidos.

Com a COVID-19, o Banco prevê consequências económicas severas, já que a economia nacional encontra-se devido aos efeitos dos ciclones Idai e Kenneth e à instabilidade militar nas zonas norte e centro.

“A combinação desses factores implicará contracções nas indústrias extractiva e transformadora, bem como nos sectores de transportes, comércio e serviços, hotelaria e restauração, ao todo representando cerca de 58% do Produto Interno Bruto (PIB). As perspectivas de um bom desempenho na agricultura, sector com um peso médio de 25% no PIB, poderão não ser suficientes para amortecer os efeitos negativos nos restantes sectores da economia”, sublinha o Banco Central.

Por outro lado, o regulador do sistema financeiro nacional diz esperar que o recente alívio do serviço da dívida de cerca de 15 milhões de dólares pelo Fundo Monetário Internacional, seja redireccionado para o combate à COVID-19.

“Mas as elevadas necessidades da economia poderão implicar maior pressão sobre a despesa pública, num contexto de contracção acentuada da receita pública”, indica o comunicado enviado ao O País pelo Banco Central.

Entretanto, as perspectivas de inflação continuam a melhorar e as reservas internacionais do país, de cerca de 3.900 milhões de Meticais, situam-se em níveis confortáveis para cobrir mais de seis meses de importações.

 

O ministro da Economia e Finanças revelou esta quarta-feira, que o Governo vai alocar os 15 milhões de dólares do montante da dívida perdoada pelo Fundo Monetário Internacional ao sector da saúde, para fazer face a COVID-19.

A Assembleia da República iniciou esta quarta-feira, o debate em plenária das propostas do Orçamento do Estado e do respectivo Plano Económico Social de 2020. A despesa total está fixada em cerca de 345.3 mil milhões de meticais e um défice orçamental na ordem de 109.7 mil milhões de meticais, num contexto de crescimento económico de apenas 2,2%.

O Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, defendeu uma gestão rigorosa dos fundos e apresentou as prioridades.

Com a pandemia do novo coronavírus na agenda do dia, o ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, destacou o reforço do orçamento para o sector da saúde, mercê, em parte, do perdão da dívida moçambicana junto do Fundo Monetário Internacional.

Apesar desse alívio nas contas públicas, o Governo reconhece que o orçamento é incipiente para satisfazer as despesas, num cenário de quebra da previsão de colecta de receitas em cerca de 24 mil milhões de meticais, ou seja, espera-se a cobrança de 235.5 mil milhões de meticais em 2020.

 

O Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO) diz que o Orçamento do Estado para 2020 não reflecte a actual realidade da COVID-19 que o país e o mundo vivem. A organização critica ainda o facto de grande parte do dinheiro estar orientado para as despesas de funcionamento dos órgãos centrais, ignorando as áreas sociais.

A Proposta do Orçamento de Estado para 2020, que ainda está em discussão na Assembleia da República, é de 345.381,8 milhões meticais dos quais 235.590,6 milhões serão provenientes da receita do Estado, havendo um défice orçamental de 109.791,2 milhões.

Entretanto, o Fórum de Monitoria e Orçamento diz que o Orçamento de Estado para este ano não reflecte a actual realidade da COVID-19 que se vive no país e muito menos a dos moçambicanos.

“Este orçamento feito no contexto da pandemia do novo coronavírus, dá a entender que em Moçambique não há COVID porque ele (o orçamento) é, na generalidade, igual a dos outros anos. Não é um orçamento que reflecte o actual momento de incerteza da nossa população sobre o que vai ser”, constatou Adriano Nuvunga, do Fórum de Monitoria e Orçamento, dando exemplo de outros países, “que estão a orientar todas as actividades do Governo para fazer face a esta pandemia, mas o orçamento que o Estado nos apresenta é um orçamento que dá uma ideia de que em Moçambique se está bem e isso é preocupante”. 

À “ignorância” do actual cenário de pandemia que o mundo vive, Nuvunga acrescenta que o orçamento deixa claro que há uma alocação da “fatia maior” do dinheiro público para o despesismo próprio que caracteriza o Estado moçambicano.

“A questão do despesismo está evidente, muito em particular, nos órgãos de soberania. No parlamento, há um orçamento avultadíssimo num contexto onde, globalmente, os parlamentos estão a reduzir a sua actividade, encontrando formas de trabalho consistentes com a necessidade do distanciamento social”, exemplificou Adriano Nuvunga.

Assim, entende que a Proposta do Orçamento do Estado aloca pouco investimento nos sectores sociais que impactam na vida das populações. “Outras áreas não sociais continuam a crescer em detrimento das sociais. Estamos a falar de áreas como a Presidência da República e o Ministério da Defesa”, referiu Paula Monjane do Fundo de Monitoria e Orçamento, justificando que percebe-se que estamos num contexto de guerra, “mas seria importante ver como é que estas áreas estão balançadas em relação a um contexto em que as áreas sociais precisam do reforço muito maior”.

E Jorge Matine explica alguns cortes em termos percentuais: “Pelo facto de a saúde, em termos reais, perder 11% em relação ao ano passado, pensamos nós que esta caída não está justificada no orçamento como também do porquê da redução em 14% na área de protecção social”.      

Com o processo de descentralização, o Fórum esperava, ainda, que grande parte dos recursos fosse orientado para os órgãos locais que são mais próximos do cidadão. “Se olharmos para o orçamento 2020, notaremos que cerca de 57.3% foi para nível central e 42.7% vem para as províncias. A pergunta que se coloca é se estamos a ser sérios em relação ao que estamos a apregoar”.  

Assim, o Fórum de Monitoria e Orçamento recomenda que se reveja a Proposta do Orçamento de Estado e que se procure envolver o povo na sua elaboração.

 

 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a COVID-19 poderá deitar por terra os avanços recentes sobre o desenvolvimento da África Subsaariana. Para fazer face à situação, a instituição financeira internacional considera essencial o apoio de todos os parceiros de desenvolvimento para atender às consideráveis necessidades de financiamento dos países mais afetados, incluindo o alívio da dívida.

No seu mais recente relatório sobre as Perspetivas Económicas Regionais para a África Subsariana, o Fundo Monetário Internacional alertou que 2020 será um ano sombrio no que toca ao crescimento e desenvolvimento económico. De acordo com o FMI, é imperioso que sejam usadas políticas orçamentais, monetárias e financeiras para proteger os grupos vulneráveis, mitigar os prejuízos económicos e apoiar a recuperação.

“A África Subsariana depara-se com uma crise sanitária e económica sem precedentes. Uma (crise) que ameaça desviar a região do seu percurso, invertendo os progressos em termos de desenvolvimento alcançados em anos recentes. Além disso, ao causar uma grande perda de vidas humanas, afetar drasticamente os meios de subsistência e prejudicar os balanços das empresas e dos governos, a crise pode travar as perspetivas de crescimento da região para os próximos anos. Nenhum país será poupado”, avisa a instituição financeira internacional.

Por outro lado, o relatório refere que se a crise causada pela COVID-19 não for refreada, atendendo a sua velocidade, poderá sobrecarregar os sistemas de saúde frágeis.

“O número de casos confirmados da COVID-19 na África Subsariana está a subir rapidamente. À data de 9 de Abril, tinham sido confirmados mais de 6.200 casos em 43 países na região, com a África do Sul, os Camarões e o Burquina Faso a serem os mais afectados”, sublinha o FMI.

 

 

 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou hoje a suspensão do pagamento do serviço da dívida de Moçambique para o período entre 14 de Abril e 13 de Outubro do ano corrente.

O valor suspenso é de 15 milhões de dólares americanos, classificado agora como donativo, refere uma nota de imprensa enviada ao “O País”.

De acordo com o documento divulgado pelo FMI em Moçambique, o valor foi aprovado pelo Conselho de Administração da instituição financeira internacional no âmbito do Fundo Fiduciário para o Alívio e Contenção de Catástrofes (CCRT).

Além de Moçambique, outros 24 países beneficiam da suspensão do pagamento do serviço da dívida ao FMI nos próximos seis meses como parte da resposta do Fundo Monetário Internacional para ajudar a lidar com o impacto da pandemia da COVID-19.

O Fundo Fiduciária para o alívio e contenção de catástrofe resulta de contribuições feitas no FMI por países de renda alta com a finalidade de dar assistência a países de baixa renda elegíveis que sofrem um desastre de saúde pública.

 

O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) considera que o "perdão" da dívida de Moçambique na ordem de 15 milhões de dólares americanos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no período que vai de 14 de Abril a 13 de Outubro deste ano é um ponto positivo, à partida.

A posição é sustentada com o facto de a proposta do Orçamento do Estado para o ano 2020 prever cerca de 570 milhões de dólares só de serviço de dívida. Tal, irá aliviar de certa forma as contas do Estado moçambicano.

“Este perdão vai permitir libertar 15 milhões do serviço da dívida para outras rubricas, como podem ser a protecção social, suporte a Pequenas e Médias Empresas (PME) ou mesmo às necessidades do sistema nacional de saúde”, comentou em exclusivo ao “O País”, o presidente da CTA, Agostinho Vuma.

Na opinião da CTA, maior organização empresarial do país, o valor devia ser aplicado no pacote de mitigação dos efeitos da COVID-19, numa das rubricas acima mencionadas.

“Entretanto, prevejo que seja uma das decisões do FMI em apoio a Moçambique porque, a partir de já, esse perdão, reduz o endividamento de Moçambique junto àquela instituição, podendo abrir mais espaço de apoio”, sublinha ainda Agostinho Vuma.

A ministra da Administração Estatal e Função Pública, Ana Comoana, defendeu esta segunda-feira, que o aumento salarial para 2020, deve ser “cuidadosamente estudado”, devido aos impactos do novo Coronavírus na economia.

A governante falava durante uma audição com os deputados da Comissão da Administração Pública, Poder local e Comunicação Social, também conhecida por Quarta Comissão, que apreciou a proposta de Plano Económico e Social deste ano.

“Fomos todos apanhados de surpresa com a pandemia da COVID-19. Vários sectores não estão a produzir, logo não haverá receitas suficientes. Qualquer reajuste salarial terá que ser estudado cuidadosamente, ou seja, pode haver ou não um aumento”, explicou a governante.

A distribuição e limites orçamentais para cada província foi também objecto de análise pela 4ª comissão da Assembleia da República, com os deputados a questionarem os critérios da alocação dos recursos financeiros.

Só para se ter uma ideia, a província de Gaza terá mais fundos que Sofala e Zambézia, contrariando o princípio lógico de densidade populacional. “Isso não faz sentido”, atirou o deputado e vice-presidente desta comissão, António Muchanga.

No geral, o parecer desta comissão mostra-se favorável, embora defenda que há espaço para algumas revisões na proposta do Plano Económico e Social apresentado pelo Executivo de Filipe Nyusi.

A concessionária dos terminais de contentores e de carga geral do Porto da Beira, Cornelder Moçambique está a desenvolver desde a semana finda, um projecto de produção local de máscaras e viseiras, para o reforço das medidas de protecção da pandemia do novo coronavírus.

Denominado, “Juntos Contra a COVID-19”, o projecto envolve associações sem fins lucrativos vocacionadas em actividades de corte e costura, seguindo as últimas recomendações emitidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e os decretos produzidos pelo Governo no âmbito do Estado de Emergência.

A empresa informa que numa primeira fase, adquiriu 60 máquinas de costura, entregues a título definitivo a seis associações, nomeadamente, Young Africa, Renascer do Sol, Restaurando Sonhos e as Paróquias São José da Munhava, Macuti e Matacuane, que receberam também matéria-prima para a produção de duas mil máscaras e viseiras de protecção por dia.

O material será distribuído gratuitamente em sectores onde há um grande potencial de propagação, como mercados formais e informais, transportes colectivos e semi-colectivos, transportadores de carga, profissionais de comunicação social e outros agentes públicos que trabalham, directamente, com a população.

O administrador delegado da Cornelder, Jan de Vries, assegura que de forma preventiva este projecto pretende estar à frente de uma não desejável, mas eventual eclosão massiva de casos da doença no país e as soluções locais são recomendadas, quando se sabe das carências deste tipo de equipamentos de protecção em todo o mundo.

“Sabemos que até então não houve registo de nenhum caso de infecção pelo novo coronavírus na Cidade da Beira, mas a experiência dos outros países nos ensina que, provavelmente, trata-se de uma questão de tempo, então temos que nos antecipar e cortar esta cadeia de propagação, antes mesmo de começar. Neste projecto, deverão inicialmente ser contempladas as pessoas que, pela natureza do seu trabalho, estão em contacto frequente com várias pessoas”, concluiu.

A Cornelder de Moçambique, ainda no âmbito do combate à pandemia, canalizou recentemente apoio diverso ao Hospital Central da Beira, concretamente o fornecimento de tanques e baldes para lavagem das mãos e diverso equipamento de protecção.

 

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