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O País – A verdade como notícia

O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) disse que o decreto 23/2020, do Conselho de Ministros que aprova as facilidades fiscais e aduaneiras para o alívio dos impactos da COVID-19 à tesouraria das empresas é “impraticável” para o grosso número das firmas. 

Na sua análise (Jornal da Noite da Stv 08.05.2020) sobre os impactos das facilidades fiscais e aduaneiras do Governo para combate a COVID-19, Agostinho Vuma, lamentou o facto de o decreto 23/2020, do Conselho de Ministros, excluir o grosso número das empresas nacionais, pois, nas actuais cláusulas o alívio só beneficiar firmas com volume de negócio de até 2.5 milhões de meticais. Ou seja, limita-se a minoria de empresas.

“Em média podemos estimar em 15 mil empresas com alto volume de negócio (muito acima de 2.5 milhões de meticais) que não beneficiam destas facilidades fiscais do Governo”, disse o presidente da CTA.

Embora o decreto em questão suspenda o pagamento de alguns impostos da actividade económica para até primeiro trimestre de 2020, Agostinho Vuma entende que “estas medidas não podem constituir um alívio se não estiverem na classificação do regime do IRPC (Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas) por causa do tecto de 2.5 milhões de meticais do volume de negócios”.

“As empresas vão falir porque estamos numa situação de pandemia que não se prevê o seu término. Estas medidas não constituem o grande clamor do sector privado”, apontou o homem forte da classe empresarial moçambicana.

Em relação as medidas de política monetária adoptadas pelo Banco Central, com destaque para a redução da taxa de juro de referência, taxa MIMO, e uma linha de financiamento de 500 milhões de dólares para os bancos comerciais, o presidente da CTA defendeu que é necessário que se aplique “taxas de juros aceitáveis” num contexto de pandemia COVID-19 que possam “resgatar o sector empresarial”.

“Este dinheiro não está a se fazer sentir porque os bancos comerciais não estar tomar medidas”, concluiu Vuma.

DÍVIDAS DO ESTADO ÀS EMPRESAS

Ainda num contexto da desaceleração da actividade da económica no país, precipitada pelo novo coronavírus, Agostinho Vuma disse que a CTA propôs ao Executivo a continuidade dos pagamentos em atraso da dívida do Estado ao sector privado, como forma de alavancar a tesouraria das empresas.

“Há uma ansiedade enorme do sector empresarial…da relação com o ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, asseguramos que há condições de continuar com os pagamos atrasados e está reflectido no Orçamento do Estado”, explicou o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique.

No que toca a relação laboral (patronato e trabalhador), Agostinho Vuma revelou que decorrem negociações com o Governo, com vista a assegurar que o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) possa injectar algum valor na banca comercial e promover contratações de crédito a nível de 5% como taxa de juro.

 

O Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Agostinho Vuma, estará hoje, no Jornal da Noite da STV, para analisar o impacto das facilidades aduaneiras e fiscais introduzidas pelo Governo, no âmbito do alívio dos impactos da COVID-19 na economia nacional.

As medidas estão descritas no decreto 23/2020, aprovado pelo Conselho de Ministros no passado dia 14 de Abril passado.

O sector industrial em Moçambique regista queda de facturação na ordem de quatro biliões de meticais por mês, devido às medidas restritivas impostas pela pandemia da COVID-19. 

As contas estão cada vez mais apertadas para as indústrias moçambicanas em tempo da pandemia COVID-19. A produção desacelerou para mais de 70% e os níveis de facturação mensal caíram quatro biliões de meticais desde o início de Estado de Emergência no país. 

Com a produção a “meio gás”, com destaque para produção de bebidas não alcoólicas, açúcar, óleo e sabão (que registam perdas mensais de facturação estimadas entre 40% e 65%), estima-se que mais de mil contratos de trabalho estejam suspensos desde Março último.

“No caso das indústrias de óleos e sabões, em particular, que já se ressentiam da queda da facturação mensal em cerca de 52% devido ao término do período de isenção do IVA nas transmissões destes produtos em Dezembro de 2019, a pandemia da COVID-19 vem agravar a situação aumentando a cifra de perdas em mais 12%, fazendo com que a perda mensal de receitas nestas indústrias ascenda a um total de cerca de 229 milhões de meticais por mês”, indicou Onório Boene, director-geral do Parque Industrial de Beluluane, durante a divulgação do mais recente levantamento dos impactos do novo coronavírus, realizado pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).

Diante destes cenários, a CTA reitera a necessidade de adopção de “medidas urgentes” e objectivas para apoiar as empresas do sector industrial que é extremamente importante para o país, tanto a nível de renda e emprego, assim como sob ponto de vista dos efeitos em cadeia que poderão resultar de uma disrupção significativa no nível de actividade.

“Aqui, destacamos o impacto que a redução do nível de actividade do sector industrial exerce sobre vários sectores, alguns dos quais empregam grande quantidade de mão-de- obra, como é o caso da agricultura”, refere a CTA.

Ilustrando, que para o caso de indústria cervejeira, que envolve ao longo da sua cadeia de valor, cerca de 16 mil pequenos agricultores, essencialmente, na produção e comercialização de mandioca e milho, a redução do nível de actividade desta indústria (30%), põe em risco a renda de cerca de 80 mil famílias que já se ressentem de um elevado custo de vida.

Cenário idêntico verifica-se na indústria do algodão, que emprega só na fase inicial da cadeia de valor cerca de 150 mil pequenos agricultores. Com a queda do preço desta cultura de rendimento no mercado internacional em cerca de 30%, estima-se que o preço de venda ao produtor poderá baixar dos actuais 23.3 meticais por quilograma para 17 meticais/Kg, resultando numa perda de rendimento dos agricultores estimada em 283,5 milhões de meticais.

Para mitigar os impactos negativos causados pela pandemia da COVID-19 nestas indústrias, a CTA propõe o alívio das obrigações das empresas com terceiros e redução dos custos operacionais, com destaque para o custo fixo da factura de energia.

“Em média, uma indústria nacional com um ciclo de produção contínuo tem um custo mensal de energia de cerca de cinco milhões de meticais, que representa 12% da sua estrutura de custos, pelo que, a redução da factura em 50% poderá apoiar a tesouraria das empresas deste sector em cerca de 2.5 milhões de meticais, que ao ser aplicado por um período de seis meses poderá resultar num alívio de 15 milhões de meticais por empresa”, o sector privado.

Outro dos pontos levantados pela CTA tem que a ver com o encargo de combustíveis, cujo preço regista queda no mercado internacional. 

“A redução do preço dos combustíveis seria de extrema importância para manter o funcionamento da economia visto que esta é matéria-prima de quase todos sectores da economia”, sublinha.

O preço do petróleo bruto (Crude) no mercado internacional tem registado queda vertiginosa desde o início do ano, tendo caído em cerca de 68.5% desde Janeiro até a esta parte, passando de USD 66.25/barril para USD 20.84/barril. 

POLÉMICA NAS FACILIDADES FISCAIS

O decreto 23/2020 de 27 de Abril, do Conselho de Ministros que aprova as facilidades fiscais e aduaneiras às empresas como forma de mitigação dos efeitos da COVID-19, está a ser alvo de críticas pela CTA.

Ao abrigo deste decreto, só é elegível ao “alívio fiscal” a empresa que tiver apresentado, no ano de 2019, volume de negócios anual não superior a 2.5 milhões de meticais. Esta agremiação empresarial pede mais abrangência, ou seja, a medida deve, igualmente, beneficiar as firmas com alto volume negócio. A grande expectativa do sector privado está no Imposto sobre Rendimento de Pessoas Colectivas (IRPC). 

“Tendo uma empresa, um volume de negócios não superior a 2,5 milhões, e assumindo a racionalidade, esta empresa não irá para o regime de IRPC (onde pagaria até 32%), no lugar de ficar no regime do ISPC (onde paga 3%). Ou seja, quem está no regime do IRPC tem, necessariamente, volume de negócios superior a 2.5 milhões de meticais. Então, não se percebe porque se faz menção que esta facilidade fiscal refere-se ao regime do IRPC”, aponta.

A CTA reitera que, para tornar abrangente e aplicável às empresas do regime do IRPC esta facilidade fiscal, é necessário aumentar o volume de negócios exigidos às empresas.

A sociedade civil moçambicana está preocupada com a gestão dos 309 milhões de dólares emprestados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para Moçambique fazer face à Covid-19.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) emprestou USD 309 milhões ao Governo moçambicano, com vista a mitigar os impactos da pandemia da COVID-19 no país. A sociedade civil quer fiscalizar a gestão da verba.

Para o Fundo de Monitoria do Orçamento (FMO), na voz da Paula Monjane, lembra que “Mocambique é actualmente um dos países mais endividados do mundo e o quarto mais endividado de África. A dívida pública de Moçambique situa-se na ordem dos 125% dos PIB”.

E mais, realça que a revelação das “dívidas ocultas” e todos os seus contornos tem estado a impulsionar uma demanda crescente dos cidadãos e da sociedade civil para que o Estado seja mais transparente e preste contas na contração das dívidas e na gestão das finanças públicas no geral.

A sociedade civil moçambicana diz estar “cada vez mais atenta”. O FMO entende que o Parlamento devia participar na aprovação do empréstimo, defende uma fiscalização para garantir que a ajuda chegue ao mais necessitados, bem como a participação da sociedade civil.

Ainda sobre o envolvimento da sociedade civil e outros actores-chave, o coordenador do FMO, Adriano Nuvunga, disse que: “Pareceu que nos faltou consultas com os outros parceiros de cooperação e pareceu-nos que era possível, sem prejudicar a rapidez que se impunha na decisão, que houvesse um pouco mais de consultas. E o segundo ponto, e o mais importante, é que pensávamos que dada a situação conjuntural de corrupção endémica em Moçambique e de má governação e falta de transparência se impunha que a transparência, prestação de contas e participação activa da sociedade civil fossem parte do acordo, não para ser a posterior, mas que fosse parte integrante de todas de decisões sobre as prioridades na alocação de fundos, como também no acompanhamento contínuo e diário da implementação desse fundo”.

Neste contexto, o FMO endereçou uma missiva ao FMI e, em jeito de resposta, o organismo internacional convidou-o para um encontro informal nesta terça-feira (05.05) em Maputo.

O coordenador do FMO conta que no encontro o FMI, como sempre na sua resposta formal, disse que exige junto do Governo que a transparência e a boa governação sejam observados e que o Governo se comprometia a realizar auditorias quando a Covid-19 tiver baixado de intensidade e que publicasse os resultados das auditorias independentes.

E a sociedade civil recorda que as suas exigências vão de encontro com os compromissos de reforma assumidos pelo próprio Governo no Relatório sobre Transparência, Corrupção e Governação, de julho de 2019. Por isso o FMO defende que a aprovação do empréstimo emergencial no contexto da COVID-19 não deve ser usado como desculpa para abandonar as reformas assumidas pelo Governo.

 

 

A Cidade de Maputo regista escassez de cimento de produção nacional e consequentemente agravamento de preços em alguns estaleiros e revendedores. O facto deriva parcialmente da redução de produção nas fábricas por conta do Estado de Emergência vigente no país.

 

Pela Avenida Karl Marx, há ali uma ferragem, uma das mais conhecidas da capital do país, pela manhã desta terça-feira, um camião cavalo "freghtliner" carregado de cimento acabava de chegar, fazia manobra para estacionar naquela ferragem onde ia fazer o descarregamento. O cimento está a escassear no mercado e por conta disso na mesma ferragem de acordo com a gerência o cliente só tem direito de comprar até 20 sacos. O facto está a criar constrangimentos para quem está a construir. Um dos clientes, Jeremias Moiane, que tinha já comprado o cimento, depois de muita procura, conta o que se vive no mercado. "Há falta de cimento é o que sei. Estou de vir de Marracuene, Passei por quatro ferragens, passei por choupal não tinha, passei de Construa também não tinha, por Magoanine não tinha e de um nigeriano não tinha, e não e esse cimento que eu queriam, queria 42.5 não tinha ".

O preço é outra preocupação nesta altura de escassez desta matéria-prima, como conta Jó Macamo, "a gente chega aqui apanha que o preço já e outro. O 32.5 está actualemnte a 410 o saco de 50kg, antes estava a 400 meticais.

O Diretor-geral da empresa Cimentos de Moçambique, uma das fábricas que produz e fornece cimento ao mercado nacional, numa entrevista telefónica disse ao "O País" que devido ao Estado de Emergência vigente no país a fábrica reduziu o efectivo do sector de produção e consequentemente a produção baixou na ordem de 20%. "Tivemos que redimensionar cerca de 140 pessoas entre administrativos e produção e as áreas de produção foram sim afectadas, nós tivemos que reduzir um turno de trabalho por exemplo aqui na Matola, a fábrica trabalha 24 horas. Essa questão de preço eu posso garantir para você que dentro da cimentos de Moçambique o preço que eu trabalhava na porta da minha fábrica continua exactamente igual ao que ele era, não fiz nenhuma majoração do preço o que pode acontecer é que o lojista na porta ele sim pode ter feito aumento do preço por algum a razão específica dele, o preço na compra não controlo, controlo o preço que vendo ao revendedor. Normalmente em condições normais a gente estaria ai na Matola, estaria a expedir coisa como 4 mil toneladas de cimento por dia e hoje a gente esta com três mil, três mil duzentos por dia. Disse a nossa fonte que não permitiu a entrevista presencial devido ao protocolo estabelecido na empresa por conta da prevenção contra o novo coronavírus.

Todas marcas de produção nacional escasseiam no mercado. Actualmente o país conta com seis produtores de cimento.

 

A confiança das empresas moçambicanas nos indicadores económicos registou uma queda nos primeiros três meses deste ano, facto associado à pandemia do novo coronavírus.

O Indicador do Clima Económico (ICE), expressão que determina a confiança dos empresários do sector real, caiu no primeiro trimestre de 2020, devido à pandemia da COVID-19 que assola o mundo desde Dezembro de 2019.

No país, em particular, a incerteza agudizou-se a partir do mês de Março, quando foi diagnosticado o primeiro caso positivo da doença, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

A confiança desfavorável dos empresários foi extensiva às expectativas em relação ao emprego e à procura, pois estas registaram quebras no mesmo período de análise.

O INE, refere ainda que a tendência negativa do ICE entre Janeiro e Março de 2020, deveu-se à degradação da confiança em todos sectores de actividade inquiridos, destacando-se em termos de amplitude os ramos de alojamento e restauração, bem como transportes que viram seus níveis de confiança reduzirem 22 e 9.2 pontos percentuais, respectivamente, face ao mês de Fevereiro.

A confiança no emprego registou uma queda no primeiro trimestre face ao quarto trimestre de 2019, facto que acontece pelo terceiro trimestre consecutivo.

“A perspectiva de queda de emprego no primeiro trimestre deveu-se em média à uma depreciação nos sectores de alojamento e restauração, de comércio, de transportes, de construção e produção industrial”, escreve o boletim do INE.

Em média, 44% das empresas inquiridas enfrentaram algum obstáculo no primeiro trimestre de 2020, o que representou um aumento de 12% de firmas com limitação de actividade face ao trimestre anterior, facto que está em linha com o ICE que diminuiu.

Essa situação foi influenciada, pelo aumento de empresas afectadas por algum obstáculo no período de referência em todos os sectores, com maior destaque para os sectores de serviços de transportes (com 58% de empresas afectadas), de alojamento e restauração ( 52%), da construção (45%) e da produção industrial (41%). 

Entre Janeiro e Março, o indicador de confiança do sector de alojamento, restauração e similares abrandou depois de sinais de recuperação no trimestre anterior, tendo o respectivo saldo se situado abaixo da média da respectiva série temporal.  

A avaliação desfavorável da confiança no sector em análise deveu-se à queda do indicador em todas as componentes do indicador síntese do sector, com maior destaque para a diminuição substancial da procura futura no período em análise. Refira-se que este sector registou quedas da procura actual e do volume de negócios significativas.  

Em linha com o indicador síntese do sector, a perspectiva da capacidade hoteleira – a oferta diminuiu profundamente no mesmo período, facto acompanhado pela quebra da perspectiva de preços futuros.

Mais de metade (52%) das empresas deste sector enfrentaram alguma limitação da actividade, no trimestre em análise, o que representou um incremento de 24% de empresas com constrangimentos face ao trimestre anterior.

Os principais factores referidos pelos agentes económicos do sector foram, a baixa procura (47%), a concorrência (18%) e a falta de acesso ao crédito (12%), em ordem de importância.

 

 

 

O ministro da Indústria e Comércio, Carlos Mesquita, prometeu levar ao Conselho de Ministros, uma proposta que visa aliviar as restrições na constituição de empresas, durante o período de Estado de Emergência.

 

O ministro da Indústria e Comércio, Carlos Mesquita, visitou hoje o Balcão de Atendimento Único (BAÚ) da cidade de Maputo, para se inteirar do processo de rotatividade dos funcionários.

Lembra-se, que os serviços se encontram paralisados em cumprimento das medidas adoptadas no âmbito do Estado de Emergência, declarado no dia 30 de Março e prorrogado a 30 de Abril.

A introdução da rotatividade, conforme explicou Carlos Mesquita, vai permitir a prestação de serviços mínimos aos cidadãos, que se vêem, neste momento, impossibilitados de constituir empresas enquanto vigorar o Estado de Emergência no país.

“Temos de pensar na pertinência da paralisação dos serviços do Balcão de Atendimento Único ou relaxar algumas medidas porque há cidadãos que pretendem constituir empresas, até para o fabrico de produtos essenciais para o combate à Covid-19”, disse o o governante.

Na ocasião, Carlos Mesquita prometeu levar esta proposta ao Conselho de Ministros para apreciação pois “a vida não parou e temos que olhar para aspectos que têm a ver com o desenvolvimento da nossa economia, mas respeitando as principais medidas de combate a esta pandemia”.

Entretanto, Mesquita desafiou o BAÚ a introduzir reformas que concorram para a redução de tempo na tramitação dos processos para permitir que as licenças e os alvarás sejam emitidos em tempo útil, acções que podem ditar o melhoramento do ambiente de negócios em Moçambique.

Para tal, “deve haver um compromisso por parte dos funcionários e maior coordenação e sincronia entre os vários sectores que intervêm neste processo (Ministério da Indústria e Comércio, Ministério da Economia e Finanças, Ministério do Trabalho e Segurança Social e Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos) para que o serviço prestado ao cidadão seja célere e fiável.

“Pretendemos chegar a uma fase em que o cidadão não precise de se deslocar ao BAÚ para dar início a um processo de licenciamento. Através da interoperabilidade, isso será feito de forma remota, através de um telemóvel ou computador. E não estamos longe disso. Precisamos de fazer algumas reformas no sistema actual”, acrescentou.

Importa realçar que, para além do BAÚ, Carlos Mesquita visitou, igualmente, a Direcção da Indústria e Comércio da Cidade de Maputo, onde se inteirou do seu funcionamento e desafios.

 

 

A beleza do pequeno paraíso chamado Inhambane deixa qualquer um encantado. Mas desde Fevereiro deste ano, o cenário que se vive em toda província de Inhambane é terrível. Não há ninguém na recepção das estâncias turísticas, mas também não há ninguém para receber. As autoridades de turismo previam receber pouco mais de 16 mil turistas nas férias da Pascoa, mas a pandemia da COVID-19 veio deitar abaixo todas as espectativas e logo que a doença começou a alastrar-se, os cancelamentos de reservas começaram a chegar.

Anselmo Mapanzene é gestor de uma estância turística em Vilankulo e contou ao “O Pais” que com os cancelamento, a empresa foi forçada a fechar as portas e dispensar a mão de obra. Relativamente a massa laboral, a empresa celebrou acordos amigáveis com os trabalhadores, que consiste no não pagamento integral dos salários e para compensar, todos os trabalhadores terão direito por 2 meses de uma cesta básica, para ajudar na alimentação das famílias dos trabalhadores.

Pior que não receber o dinheiro previsto, é ter de devolver o pouco que entrou, uma vez que com o cancelamento das reservas as estâncias hoteleiras tinham de fazer o reembolso do valor pago pelas reservas. Há quem tentou remarcar para outras datas, mas grande parte dos turristas pediu o dinheiro de volta.

Edson dos Santo é uma destas pessoas que vive apenas do turismo, a empresa em que trabalha fechou as portas e foi forçado a ficar em casa. Em toda província de Inhambane são pouco mais de 1400 pessoas que estão em casa, pelo facto das estâncias hoteleiras terem fechado as portas. Destes, pelo menos 200 já foram demitidos e não sabem como será o seu futuro.

Em apenas 1 mês, Edson diz que a situação com a sua família ficou insuportável e teve de se virar para conseguir pôr o pão na mesa. Uma das saídas encontradas por ele foi comprar peixe com os pescadores e revender, mas porque há muito peixe em Vilankulo, Edson teve de encarar outro desafio e mandar a sua mercadoria para vender nos mercados de fora de Inhambane.

Mesmo sem hóspedes por receber, o grande calcanhar de Aquiles são para já, os custos operacionais. Ângela Vidal é gestora de um hotel em Vilankulo cujas despesas com corrente eléctrica chegam aos 300 mil meticais por mês, adicionado ao custo com agua, gás e empregados, este ultimo que consome maior parte do bolo dos custos operacionais. Alias, em relação aos trabalhadores, Ângela disse ao ”O Pais” que a empresa teve de dispensar mais da metade dos 80 trabalhadores e neste momento funciona com apenas 40, que ainda assim, não recebem o salario na integra “acordamos com os nossos trabalhadores e neste momento, todos os que estão a trabalhar estão a receber apenas o salario mínimo, para garantir que eles tenham um mínimo para sobreviver” disse Ângela Vidal.

Mas, não são só os trabalhadores das estâncias turísticas os únicos afectados. Os tradicionais moto-táxis que levam os turistas para os mais diversos lugares, hoje passam grande parte do dia parados. Salimo é um operador de Moto-taxi e lembra com nostalgia os tempos em que conseguia ter uma renda de mais de 1500 meticais, mas hoje, sem turistas na melhor das hipóteses, o que consegue são 500 meticais por dia.

Até os pescadores, que trazem a iguarias a mesa dos turísticos, sente no bolso ausência de turistas nas praias de Vilankulo, uma vez que baixou também a procura por mariscos baixou, numa altura em que do mar, sai muito peixe. Rui Mazivila é pescador e diz que com a pouca procura, estes são forçados a baixar o preço do marisco. Alias, muitas vezes quem marca o preço é o comprador, que assim decide apenas em seu benefício, prejudicando ainda mais o pescador.

Nelio Domingos é guia turístico e tinha a missão de entreter os hóspedes. Mas há pelo menos 2 meses que já não vai as dunas e outros lugares para onde levava turistas a passeio e hoje a sua rotina passa por ficar em casa.

Em Inhambane são cerca de 130 estâncias turísticas que fecharam as portas, mas algumas mantem-se abertas, porem a funcionar a meio gás, deixando em casa pouco mais de 1400 trabalhadores.

O Presidente da Associacao de Turismo de Vilankulo Yassin Amuji diz que a situação vai de mal a pior e defende com urgência, medidas estruturantes por parte do governo. Uma delas tem que ver com a redução dos custos operacionais das empresas, tal como a energia, agua e gás. Yassin, diz que o alivio destas contas vai permitir que as empresas continuem a pagar salários, colocando assim dinheiro no bolso do cidadão, e este por sua vez, terá o poder de compra, mantendo a economia em funcionamento.

O turismo é o principal motor da economia de Inhambane, tendo injectado mais de 24 bilhões de meticais nos cofres do estado e é responsável pelo sustento de mais de 10 mil famílias.

 

 

A mineradora brasileira Vale decidiu adiar planos para a manutenção das plantas de processamento de carvão em Moçambique, devido aos impactos da pandemia da COVID-19.

Em uma nota enviada à nossa redacção, a Vale Moçambique informa que reviu os seus planos de negócios em Moatize, província de Tete, ou seja, decidiu adiar a manutenção das plantas de processamento de carvão, devido à COVID-19.

“Devido às incertezas decorrentes da pandemia do novo coronavírus, a Vale retira o guidance (orientação ou perspectivas no mercado) para a produção de carvão em 2020 e não pode prover novo guidance no momento”, indica.

Entretanto, e apesar dos impactos do novo coronavírus, a produção de carvão situou-se nos dois milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2020, mais 4,6% que no trimestre anterior (4º trimestre de 2019).

Com base neste desempenho, a projecção anual fica em torno de oito milhões de toneladas, sem considerar os impactos da COVID-19, que a Vale diz “não poder prever ainda devido às incertezas” e o plano de produção continuar condicionado à atribuição de licenças na secção 2B.

Por outro lado, a mineradora realça que “não é possível manter este ritmo de produção em Abril, uma vez que a mina e o porto atingiram os limites das suas capacidades de armazenamento devido à menor demanda por carvão”.

Os resultados financeiros apontam para um prejuízo na ordem de 238 milhões de dólares negativos, influenciado principalmente pela diminuição do volume de vendas e aumento de custos operacionais.

“A empresa está a avaliar continuamente o impacto da pandemia nos seus negócios e divulgará imediatamente qualquer impacto material adicional nas suas operações, cadeia de suprimentos ou demanda de clientes”, refere a nota.

Acrescentando, que está comprometida em retomar e estabilizar a produção sob as mais elevadas condições de segurança, implementando acções para garantir a continuidade dos negócios e colaborando proactivamente com a sociedade durante a pandemia da Covid-19.

“A Vale, em primeiro lugar, expressa solidariedade às vítimas e famílias afectadas pela pandemia da COVID-19. Num momento tão difícil para todos, a Vale está comprometida em apoiar os seus stakeholders (grupo interessado) e em manter um ecossistema saudável para a sua cadeia de valor, unindo forças para prevenir ou reduzir a disseminação do novo coronavírus em todos os locais onde opera”, sublinha.

 

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