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O País – A verdade como notícia

Os jovens moçambicanos precisam conhecer a realidade e as oportunidades de outros países africanos com vista a “Investir para transformar”, de acordo com Ngueto Yambaye, antigo ministro da Economia e Planificação do Chade, um dos oradores do MOZEFO Young Leaders, que arranca esta segunda-feira.

Para o político e ex-presidente do partido Aliança Democrática da África do Sul, Mmusi Maimane, a juventude não precisa esperar até ser adulta para mostrar os seus ideais e as suas convicções.

O antigo ministro da Economia e Planificação do Chade, Ngueto Yambaye, defende que a partilha de experiências é crucial para o crescimento dos jovens e estes devem conhecer outras realidades e oportunidades de África.

“Não fiquem apenas nos vossos países, vocês precisam sair e conhecer outros países africanos. Existem muitas outras oportunidades e vocês têm de partilhar as vossas experiências nos vossos países e em outros países do continente”, afirmou Ngueto Yambaye, que no evento vai falar sobre o tema “Investir para transformar”.

Quem também vai partilhar a sua experiência no MOZEFO Young Leaders é o político e ex-presidente do partido Aliança Democrática da África do Sul. Mmusi Maimane destacou que os valores e as convicções como factores-chave para a transformação.

“Muitas vezes o que importa não é a sua idade”, mas sim “os seus ideais e as suas convicções. Se é bom o suficiente, então acredite que é adulto o suficiente”, disse Mmusi Maimane, para quem “não vamos deixar que os mais jovens pensem que devem esperar até crescer” para exporem as suas ideias.

Mmusi Maimane, que abordará o tema “Juventude como líder da transformação”, sublinhou que “se [o jovem] é bom o suficiente, então acredite que é adulto o suficiente. Só tem de trabalhar duro”.

Na óptica do administrador de Mabote (província de Inhambane), Carlos Mussanhane, que também marcará presença na terceira edição do MOZEFO Young Leaders, trabalhar duro é fundamental para adquirir competências e capacidades de liderar uma transformação.

“Não basta o benefício etário, dizer que sou jovem para assumir de imediato um direito. Não. O benefício etário tem de ser combinado com capacidade e competência”, considerou Carlos Mussanhane.
O MOZEFO Young Leader pretende perspectivar um futuro da juventude, onde haja oportunidades iguais para todos os jovens, independentemente da sua condição física, social ou regional.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) indica que Moçambique exportou mais do dobro de produtos agrícolas no ano passado, ao atingir cerca de 427.6 milhões de dólares norte-americanos.

O volume das exportações moçambicanas foi no valor total de 4.668.9 milhões de dólares em 2019, equivalentes a uma queda de 6.9% face aos cerca de cinco biliões de dólares registados em 2018.

Em termos de vendas por produto, as exportações agrícolas situaram-se nos 427.6 milhões de dólares, mais do dobro que em 2018 (cerca de 203.4 milhões de dólares norte-americanos), indica o Instituto Nacional de Estatística.

Entretanto, os recursos minerais são cada vez mais representativos. O carvão mineral fechou o ano de 2019 com um peso de 1.9 mil milhões de dólares, correspondentes a 41.8% do total das exportações moçambicanas.

Em segunda posição, de acordo ainda com a síntese do INE, figura o grupo de metais comuns, onde está inserido o alumínio, com 1.1 mil milhão de dólares, correspondente a 24.5%.

Dentro do mercado da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), a vizinha África do Sul figura como o maior parceiro comercial de Moçambique, ao absorver aproximadamente 90% dos 2.3 biliões de dólares de bens vendidos a chamada “Pérola do Índico”.

Dos 14 países da região, mais de metade registaram variação positiva, com destaque para Seychelles, Lesotho, Botswana e Zimbabwe, todos com mais do dobro do ano anterior. Sublinha-se, a República Democrática de Congo que voltou a vender produtos a Moçambique em 2019, depois de não registar trocas comerciais nos três anos anteriores.

É o entendimento de uma das maiores mineradoras do mundo e parceira do projecto Mozefo Young Leaders. Para a Vale esta plataforma é, por excelência, um centro de exposição de referências que podem guiar os jovens moçambicanos a assumirem a liderança e os destinos do país.

 

Em Moçambique há cerca de 15 anos e virada para a exploração de carvão mineral na província de Tete, a empresa Vale Moçambique é parceira do Mozefo Young Leaders. Esta multinacional entende que a plataforma poderá ajudar os jovens a ter referências. “Quando olhamos para uma plataforma desta natureza, entendemos que é um grande centro de criação de referências para que os jovens se inspiram e possam atender aos desafios do futuro”, defendeu Leonardo Xerinda, representante da empresa.

A empresa explicou ainda que que os objectivos defendidos pelo projecto Mozefo Young Leaders alinham-se à filosofia da empresa que tem na juventude a sua força motriz. “Desde o início das nossas operações, temos apostado na juventude. A título de exemplo, anualmente temos um programa extenso de estágios de oportunidade a jovens recém-formados para que façam parte da empresa em diferentes áreas tais como: engenharia de minas, engenharia mecânica, administração de empresas, entre outras. Estes jovens vêm e são expostos ao ambiente de trabalho e são assistidos por profissionais experientes”, disse o representante para depois avançar que só em 2019 mais de mil jovens participaram desse programa. “Foram por volta de 1700 jovens que participaram do programa de training internacional, e desse número, os seleccionados tiveram a oportunidade de fazer parte de programas de desenvolvimento em Moçambique e nas outras operações da nossa empresa”, detalhou Xerinda.

O representante da Vale Moçambique aproveitou a ocasião para convidar outras empresas a fazerem parte da mudança e a se juntarem à iniciativa. “Que a nossa participação sirva de exemplo para outras empresas e ou organizações para que possam se associar a esta iniciativa que contribui para o desenvolvimento económico do país”, desafiou.

Recorde-se que a Vale é uma das maiores mineradoras do mundo, sendo que em Moçambique, conta com 11 mil trabalhadores, na sua maioria jovens.

Em tempos de restrições impostas pela pandemia do novo Coronavírus, especialistas e actores que intervêm nas cadeias de produção industrial e do agro-negócio, participaram ontem no webinar organizado pela Associação Industrial de Moçambique (AIMO) e pela Fundação SOICO (FUNDASO), que tinha como lema “O papel da Indústria no agro-negócio”.

O papel da Indústria no agro-negócio era o tema e olhar para a frente, na perspectiva de soluções era o propósito.

Com experiências e conhecimento baseado nas suas áreas de trabalho, os painelistas, deixaram as suas opiniões.

Com formação na área florestal e desenvolvimento comunitário, Milagre Nuvunga, levou ao painel a experiência da Fundação MICAIA, no sector de investigação e pesquisa de produtos nacionais e a sua cadeia de valores, para defender a necessidade de mais aposta na investigação.

“Temos que ter mais conhecimento, para podermos usar esse conhecimento para valorizar o que nós temos, para através daí, criarmos oportunidades para jovens e depois virem intervir para desenvolver cadeias de valores, que poderão contribuir, não só, para a nossa resiliência, como também para a criação de emprego” defendeu.

A importância do conhecimento foi, de resto, nota dominante nas intervenções. Por outro lado, a Sumol-Compal, uma das empresas que potencia o produto nacional para a sua produção, defendeu a importância de apostar e potenciar o que por cá se faz.

“É fundamental (também) o apoio do ponto de vista das certificações de qualidade e garantir consistência ao longo do tempo. Para dar o exemplo das frutas, é evidente que elas vão ter uma produção durante uma parte do ano, mas é fundamental que no momento em que ela é processada tenha uma qualidade tal que permita, depois, ser utilizada ao longo do ano” defendeu Fernando Oliveira, representante da Sumol-Compal.
Atento ao debate, a Direcção Nacional da Indústria, através do seu director, Sidónio dos Santos, que salientou que o Governo está a trabalhar no sentido de “fortalecer o que já temos internamente”.

Numa análise às opiniões deixadas durante o debate, a fonte subscreveu a importância de quase maioria delas.

O evento desta quinta-feira, que foi transmitido pelo canal STV Notícias, do Grupo Soico, faz parte de um  ciclo de seminários virtuais, ou webinars da Associação Industrial de Moçambique (AIMO), insere-se não só no âmbito da adaptação do sector privado, particularmente o industrial aos impactos socioeconómicos do COVID-19, mas também no âmbito da auscultação e advocacia da AIMO. Este tipo de eventos permitem manter os membros da agremiação e os responsáveis pelas políticas sectoriais, informados e alinhados com as melhores práticas para o desenvolvimento do sector.

Segundo uma nota conceptual do evento, “o ciclo de seminários prevê efectuar um evento temático por mês, com duração máxima de 90 minutos. Devido às restrições impostas pela pandemia de COVID-19, os seminários serão virtuais, permitindo por outro lado, maior versatilidade de participação. Estes terão um carácter técnico-empresarial, trazendo experiências de representantes de subsectores industriais, potencialmente percursoras de novas dinâmicas produtivas, nomeadamente ligações empresariais, transferência de tecnologia, geração sustentável de emprego e renda.

Jaime Comiche- UNIDO

Temos que fazer uma introspecção e ver como é que as nossas instituições e as infraestruturas do país podem ser colocadas ao serviço da nossa competitividade  e eficientes, cada vez mais, na pesquisa , na qualidade e na capacitação da mão-de-obra, se não, estas oportunidades do Acordo de Comércio Livre e outras de comércio global e regional, vão continuar a ser miragem para nós

 

Francisco dos Santos- JFS

Para a nossa indústria nacional, que já existe, nós temos mais do que oportunidade de mercado para irmos integrar a totalidade dos nossos produtores que temos. Isto requer três factores fundamentais, nomeadamente, a vontade, que existe, quer do lado dos produtores, quer doa industriais, em fazer uma integração das nossas cadeias de valor; Coordenação e vontade política. Tem existido vontade política, desde que o país é independente, mas tem havido falta de coordenação…

A metalo-mecânica foi a “menina dos olhos” do Presidente Samora Machel após a independência. O país produzia quase tudo, com destaque para vagões. O antigo gestor do parque industrial do Estado, Neves Correia, diz que é preciso reformas e mais incentivos para revitalizar a indústria.

 

Começou como contabilista auditor no banco e pouco depois em 1974 foi nomeado chefe da Comissão Administrativa da Metaláfrica Lda, uma empresa de fabrico de Mobiliário Metálico com 250 trabalhadores e 5 meses de salário. Como foi ser atirado aos tubarões aos 22 anos de idade? Como foi colocar a fábrica a produzir?

Eu era auditor no banco e recebo um telefonema do Ministério da Industria em Janeiro de 1976 em que me pedem para que apareça a uma reunião com o ministro da Indústria e Comércio, Mário Machungo. Fiz uma entrevista com o director do Gabinete de Controlo da Produção Industrial e Comercial que depois veio a chamar-se Gabinete contra Sabotagem Económica, ficou marcada uma reunião para 48 horas e perguntou se não gostava de fazer o trabalho. O movimento do banco estava a reduzir drasticamente e eu temia que o banco mais anos ou menos viria fechar e foi o que aconteceu. Chamaram-se para mais uma reunião e não era reunião nenhuma porque o chefe do gabinete me levou para uma empresa metalomecânica na baixa da cidade. Era uma empresa que tinha sido abandonada e perguntou-me o que eu faria, tendo dito que criava uma comissão de gestão e fazia uma sindicância as contas. Não me disseram mais nada e fui embora, de repente os administradores do banco mandam-me chamar e dizem que fui nomeado aqui num boletim da primeira série para comissão administrativa da Metalafrica.

 

Isso com 23 anos?

Eu e mais três operários que não entendiam nada sobre a administração industrial. Eu também não entendia muito, mas tinha o background dos estudos e do banco. Abrimos o cofre e só tinha dois escudos e cinquenta centavos e cinco meses de salários em atraso. No final do dia fui ao escritório que era o Prédio Funchal e tive o primeiro choque. Tinha a chave tentei abrir e não conseguia e já adivinhava o que me esperava. Dia seguinte com o apoio dos colegas e grupo de dinamizadores empurramos a porta e encontramos toda documentação contabilística espalhada no chão.

 

E como foi colocar essa empresa a produzir?

Primeiro a noite trabalhávamos para pôr a documentação em ordem e de dia foi ver o que havia em termos de matéria-prima disponível e o que se podia fazer. Descobrimos que podíamos fazer tábuas de passar a ferro e também algum mobiliário para restaurantes. Houve surgimento na altura de muitos restaurantes nas cidades pós-independência e as pessoas precisavam reabilitar os restaurantes. Pedi ajuda paradoxalmente a uma empresa privada e foi daí que começamos a produzir. O que mais me espantou foram os níveis salariais que a empresa tinha que mostravam de algum modo o sistema de proteccionismo que havia no tempo colonial. Pessoas com salários de 126 escudos, comparados com salários do empregado doméstico que andava de 75 e 50 escudos…era uma miséria de salários. Depois descobri que a maior parte deles não estava na folha salarial.

 

Com a empresa a funcionar em pleno foi nomeado para mais 3 Comissões administrativas e outras pequenas unidades industriais, nomeadamente uma de caixilharia de alumínio, Outra que fazia portas de madeira padronizadas para a construção civil e uma terceira. Conte-nos a sua experiência na gestão dessas unidades.

Isso foi assim. O ministro da Indústria e Comércio e seus quadros do Ministério reuniam-se com todas empresas de todos sectores ou era na Josina Machel e Francisco Manyanga.

 

Nos finais de 1977 regressa ao Ministério da Indústria e Comércio para intregrar uma equipa de mais 3 colegas para criarem o Instituto Nacional do Açúcar – INA. Qual era o objectivo da criação do INA?

Esta foi a parte mais interessante. Tratado na Metalafrica um ano depois, creio que antes de finais de 1976 eu pedi ao Ministério do Trabalho para fazer uma requalificação dos trabalhadores e eles tinham um centro de formação com gente do todo tipo, desde serralheiros mecânicos e civis, electricistas…havia lá um mexicano. Fizeram a requalificação da Metalafrica, tínhamos resolvido os problemas de atrasos de pagamentos, estávamos como uma boa facuração e foi possível acabar com aqueles salários de misérias. Foi daí que o meu nome começou a ser falado no Ministério da Industria e Comércio, depois de uma viagem a RDA quando voltei convidar-me para trabalhar no Instituto Nacional do Açúcar. Foi um período extremamente interessante para a minha carreira.

 

E qual era vossa missão?

O Instituto tinha como missão garantir que todas empresas açucareiras funcionassem. Vínhamos de um período de receios de que as coisas não pudesse sair bem, mas tinha uma função normativa e não uma função de intervenção ou executiva, mas também tinha uma função de controlar o que era feito.

 

Se pudesse estabelecer um paralelismo daquilo que era o sector de açúcar na época e o que é hoje, que diferenças é que nota?

A indústria açucareira hoje desenvolveu muito, cresceu em termos de produção, algumas empresas cresceram e outras precisam de reabilitação. Mas naquela altura foi dramático porque as indústrias açucareiras têm um período de campanha e de preparação da campanha. Quem se prepara bem para a campanha normalmente consegue colocar a empresa a produzir sem grandes paragens e problemas. Quem se prepara mal tem dificuldades e nós tínhamos normas de preparação de campanha por sector. O açucareiro tem uma forma de pensar completamente diferente das outras…nós tínhamos grandes dificuldades em coordenar uma reunião de preparação.

 

Em 1979 é nomeado director-geral da Cometal Mometal, à qual foi agregada a empresa NAMETAL, a segunda maior indústria de reparação e construção naval. Como foi a experiência na maior Metalo-mecânica do país e apenas com 27 anos de idade?

Eu não queria ir para a Cometal Mometal. Queria ir descansar…então lembro-me era o ministro Júlio Carrilho (ministro da Indústria e Energia) e o director de planificação era o engenheiro Mário Lino que foi ministro das Obras Públicas em Portugal. Eu cheguei a Cometal que era uma grande empresa, das cinco empresas em África que produzia material circulante (vagões, guindastes, torres de transporte de energia, tanques para combustíveis)…era uma empresa tremenda, muito grande e tinha altura 750 trabalhadores, encontrei com um série de problemas, mas felizmente de ponte de vista financeiro não estava assim tão mal. Lembro-me que haviam alguns vagões estão a ser exportados para a África do Sul numa altura em que as nossas relações estavam azedas, mas tínhamos que cumprir os contratos. Eu ao vasculhar a correspondência disse que tinha impressão de que iam pagar os vagões e não pagaram. Os accionistas colocaram a Cometal no tribunal ou Estado moçambicano no tribunal porque não existia figura jurídica de uma empresa com comissão administrativa. Portanto, com uma nova lei que já se admitia a criação de empresas estatais, com a nomeação de director-geral eu já tinha mais possibilidades para negociar o pagamento dessa dívida pendente, mas não consegui. As coisas foram se agravando e só foram pagas depois que o Presidente Nelson Mandela foi eleito.

 

Uma empresa que produzia vagões e exportava para África do Sul, nós hoje estamos a importar os vagões. Há um mês os CFM apresentaram vários vagões importados, o que determinou essa mudança de paradigma?

É o seguinte, nós na altura quando eramos nomeados para essas grandes empresas tínhamos uma relação com outros colegas. Por exemplo, eu tinha uma relação muito próxima com a SIFEL, fazíamos coisas diferentes…eles faziam fundição e metalo-mecânica pesada. Nós tínhamos preços competitivos, carregávamos uma bandeira na altura, que era a bandeira da integração e incorporação nacional. Nós só importávamos aquilo que precisávamos, tudo resto era local…tínhamos planos de formação da mão-de-obra. O que fez manter o Standard foi a sinergia do grupo que a gente criou, empenho, acreditar que seria possível fazer coisas boas.

 

Qual era o factor que garantia a competitividade dessas empresas, em particular, a Cometal-Mometal?

Nós nunca damos valor aquilo que nós somos capazes de fazer. Um moçambicano tem talento. Os nossos soldadores eram tão bons, mas tão bons que alguns que mandei formar em Portugal entraram logo na cadeia de produção. Portanto, só para dar um exemplo, tínhamos, muitos bons operários e temos essa capacidade de fazer bons operários.

 

Eu faço essa pergunta porque hoje temos grandes multinacionais e umas das queixas é que eles procuram serralheiros, soldadores, tudo isso e dizem que não encontram no mercado. Alguns que encontram têm de os formar novamente?

Nós temos um vizinho que é a África do Sul que preenche o imaginário, como alternativa a alguma coisa que corre mal. Houve um período, depois do programa de Reabilitação Económica em que as empresas caíram num estado de esperar para serem privatizadas e perdeu-se aí muita gente. Perdeu-se a cultura de trabalho. Portanto, é uma coisa que nós falávamos sempre…os “sargentos da economia”, que são os chefes de secção.

 

É possível voltar aos padrões anteriores e até melhorá-los de forma significativa?

Estamos a falar de contextos completamente diferentes. A tecnologia evoluiu bastante, eu sou do tempo em que tinha que desenhar ou ter bons desenhadores.

 

É possível voltarmos a ter um sector metalo-mecânico com vitalidade e competitividade que tivemos no passado?

É possível porque existe já gente bastante formada, pode se questionar a qualidade. Falta um sector empresarial industrial. Ser empresário é uma coisa, ser lobista é outra coisa. Ser dono de uma empresa é uma coisa, agora ser industrial é outra coisa. Temos que criar uma política de desenvolvimento industrial.

 

Mas já temos uma política industrial que é válida ate 2025, o que acha está falhar nessa política?

Nós falávamos de coisas simples. Nós chamávamos proteccionismo positivo. Portanto, o industrial precisa de ser acarinhado. Esse tipo de incentivo pode ser de várias naturezas. Eu lembro na altura que tínhamos a possibilidade de levantar a matéria-prima no cais com a presentação de uma simples garantia bancária.

 

Volta para o Ministério da Indústria e Comércio para trabalhar no Departamento do Plano, no Plano Estatal Central, o famoso PEC, e depois no Departamento da Indústria Local, que lhe permite uma visão global do sector industrial do país. Como estava estruturado efectivamente o nosso parque industrial?

(Risos…)Aí foi a primeira vez que eu pedi para voltar. Já tinha 1085 trabalhadores, recordo que nos últimos meses eu ia a noite e às sete horas já estava lá. Estava exausto, estava muito cansado. Eu depois disso sou chamado para dirigir o plano no Ministério da Industria e Energia.

 

Criou e dirigiu o Instituto Nacional de Desenvolvimento da Pequena Indústria, IDIL. Qual era a visão sobre a indústria local que existia em 82/84 é o que pretendia com o IDIL? (Hoje existe o IPEME).

Estávamos num período que tínhamos guerra no país. A ideia era partir para uma indústria que fosse instalada nas zonas rurais e que tivesse um carácter integracionista. Não foi muito fácil como as pessoas pensam. A criação do IDIL foi um parto difícil, nós mandamos várias versões e última que mandei ao Conselho de Ministros foi repreendido.

O futuro sustentável da juventude estará em discussão no segundo dia da terceira edição do maior evento orientado para a juventude em Moçambique, o MOZEFO Young Leaders. Nesse dia, o grande tema será a inclusão.

O actor e escritor brasileiro Lázaro Ramos, Lúcia Pedro Mafuiane, presidente da 3ª Comissão da Assembleia da República e Djamila Ribeiro Filósofa, escritora e activista social brasileira, são alguns dos oradores para o tema acima referido.

O político e ex-líder do partido político da Aliança Democrática da África do Sul, Mmusi Maimane; o administrador do distrito de Mabote em Inhambane, Carlos Mussanhane; e a administradora de Mulevala, na Zambézia, Adelina Tiroso, são igualmente oradores do MOZEFO Young Leaders, que este ano realiza-se sob o lema “Lideramos a Transformação – O Futuro Somos Nós”.

Além do futuro sustentável da juventude, o maior evento orientado para a juventude no país vai focar-se no subtema “um futuro de oportunidade, igualdade e equidade”. Com o mesmo pretende-se perspectivar um futuro da juventude, onde haja oportunidades iguais para todos os jovens, independentemente da sua condição física, social ou regional.

Espera-se também debater um futuro de transformação sem casamentos prematuros, gravidez precoce, violência doméstica, entre outros males que assolam a juventude e limitam os seus sonhos.

O grande tema do primeiro dia da terceira edição do MOZFEFO Young Leaders, que decorre de 10 a 14 de Agosto corrente, é a cidadania, para discutir aspectos como a inserção da juventude na sociedade.

Neste tema, para o qual foram convidados Francisco Seddoh, antigo ministro do Ensino Superior do Togo; Ivete Mafundza, oficial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos em Moçambique, será discutida a questão “Da conquista dos direitos ao exercício da cidadania”.

Osvaldo Mauaie, do Conselho Nacional do Voluntariado; Mateus Solano, actor e activista ambienta; e Hendro Nhavene Senkoro e Ismael Nhacucué, membros da liga juvenil da Frelimo e MDM, respectivamente, são outros intervenientes para o evento.

A Fundação SOICO (FUNDASO) espera que sejam apresentadas e debatidas diferentes perspectivas sobre como transformar os direitos conquistados pela juventude, promovendo a sua maior participação nos processos decisórios e nas prioridades das políticas nacionais de desenvolvimento.

Ainda no primeiro dia, está programada uma discussão sobre o “Voluntariado juvenil”. Espera-se que sejam partilhadas experiências, desafios dos jovens no exercício das actividades dos jovens em Moçambique, bem como apontar formas para estimular e potenciar o activismo deste grupo social enquanto indutor de mudanças sociais.

 

É já na segunda-feira que arranca o Mozefo Young Leaders e os preparativos estão a um ritmo acelerado.

Hoje, visitamos os estúdios a partir dos quais, painéis compostos por personalidades moçambicanas e internacionais vão partilhar conhecimentos.

E como era de esperar, encontramos luz e glamour, muito glamour, que já prenunciavam a chegada de um dos maiores eventos de debate de ideias sobre as preocupações da juventude.

São várias, são vários também os painéis que, de jovem para jovem, vão partilhar ideias.

“De um modo geral, iremos falar dos desafios que a juventude moçambicana tem. E mais do que levantar esses desafios, o Mozefo Young Leaders pretende encontrar soluções. Particularmente para segunda-feira vamos falar da cidadania e vale a pena esperar para ver”, promete Selma Martins, que será uma das moderadoras do evento.

Boaventura Mucipo, António Tiua, Shaida Bibi e Emerson Miranda são também algumas das caras que vão dirigir os vários painéis. Boaventura Mucipo vai falar de “dinâmicas de desenvolvimento nos distritos”.

“Vamos ouvir as vozes dos administradores distritais, muitos deles jovens com possibilidade de transformar as dificuldades em soluções”, diz, realçando que é momento de dar a voz aos jovens.

São esperadas nesta edição do Mozefo Young Leaders para compor os vários painéis figuras de renome como Lázaro Ramos, Mirta Kaulard, Benilde Mourana e muito mais.

O Instituto para Democracia Multipartidária defende que o Mozefo Young Leaders é uma plataforma ideal para que os jovens possam dar o seu contributo para a resolução de problemas do país.

Parceiro do Mozefo Young Leaders, o Instituto para Democracia Multipartidária entende que a iniciativa acontece numa altura de muitos desafios, onde o jovem é chamado a dar o seu contributo para a busca de soluções para os problemas actuais de que enferma a sociedade moçambicana. “A participação dos jovens em processos governativos é muito importante para o desenvolvimento de um país. É estimulando e dando ferramentas para que o jovem se torne um cidadão activo, que estaremos a contribuir para que este jovem assuma lugares de liderança no governo, na Assembleia da República e em diferentes organizações. O Mozefo Young Leaders poderá, para nós, ser uma plataforma onde junta os jovens para um diálogo mais aberto em relação aos assuntos do seu interesse e do interesse do país. Para dizer que todo o país sai a ganhar com este espaço de reflexão. Precisamos que jovem seja dono seu próprio destino, que o jovem assuma a liderança e seja agente no processo de desenvolvimento. O Mozefo Young Leaders é a resposta que vem na altura certa, onde o jovem é chamado a reflectir um pouco mais em relação aos desafios que estamos a ter como por exemplo a questão da Covid-19. Temos que perceber como o jovem processa essa nova realidade, quais são as diferentes iniciativas que este jovem pode trazer. Como país precisamos de ideias novas e algumas delas podem vir da nossa juventude”, defendeu Hermenegildo Mulhovo, director executivo do IMD.

Com largo interesse na participação da mulher na vida política e nos processos de tomada de decisão, o IMD espera que o programa possa dar espaço para que este grupo mostre os seus anseios. “A reflexão que será trazida neste espaço vai permitir com que se possam trazer diversas iniciativas para estimular a participação política da mulher. Nós como IMD temos dado a nossa contribuição através da academia política das mulheres, onde já identificamos um conjunto de problemas que são apontados como constrangimentos para a participação da mulher. O nosso desejo é que esta plataforma possa expandir esse debate ao nível nacional e que possa dar voz àquelas mulheres que não tem voz”, terminou.

O Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) é uma organização da sociedade civil que trabalha no fortalecimento do sistema democrático e na promoção do exercício da cidadania e dos direitos humanos.

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