O País – A verdade como notícia

A Inspecção da Confederação Africana de Futebol (CAF) deu um prazo de 20 dias à Federação Moçambicana de Futebol, a contar de segunda-feira, 12 de Setembro, para concluir as obras da Arena de Vilankulo, palco do Campeonato Africano de futebol de praia. Caso o país não conclua as obras, a CAF poderá atribuir a organização do “Africano” de futebol de praia à África do Sul.

A equipa multidisciplinar de inspectores da CAF, que, entre segunda e terça-feira, fez um trabalho de verificação do ponto de situação do nível organizacional, ficou a saber no terreno que as obras estão a 70%.

Para já, foram concluídos o campo principal de jogos, balneários e montadas áreas de funcionamento de serviços, segundo a Rádio Moçambique.

Ontem, dia 13 de Setembro, Samson Adamo, Director de Competições, inspeccionou os locais de acomodação das seleções nacionais, árbitros e oficiais.

Neste momento, falta concluir a montagem de bancadas, além da construção da zona de acesso aos atletas, público e convidados VIP.

Durante a inspecção, a equipa liderada por Samson Adamo mandou corrigir as balizas, ou seja, trocar as de metal montadas por outras de fibra.

Se o Comité Organizador do Campeonato Africano de Futebol de Praia não concluir o processo, a Confederação Africana de Futebol poderá retirar ao país a organização da prova e atribuí-la à África do Sul.

A bola está, agora, do lado da Federação Moçambicana de Futebol que deverá, até 30 de Setembro, concluir as obras.

A missão de inspecção da Confederação Africana de Futebol deverá voltar a Vilankulo, palco do “Africano”, no próximo dia 1 de Outubro para fazer a inspecção final.

Esta foi a terceira visita da “CAF” a Vilankulos, depois de ter ido em fins de Maio e Junho.

Em entrevista à Rádio Moçambique, o presidente da FMF,  Feizal Sidat,  assegurou que “vamos fazer o esforço para que, até à data, tenhamos isto concluído”.

Lembre-se que os trabalhos começaram a 8 de Abril, e grande parte da atenção do Governo, empresários e agentes desportivos está agora voltada para o andamento, com especial destaque para a construção da Arena de Vilanculos, com capacidade para 1200 espectadores, onde os jogadores vão demonstrar o seu talento.

É o primeiro mecanismo do Fundo Monetário Internacional de longo prazo – cerca de 20 anos – com dez anos e meio de período de maturação da dívida – destinado à adaptação às mudanças climáticas. Kristalina Georgieva, directora-geral do FMI, diz que é momento de criar resiliência em África.

Os países africanos têm à sua disposição um fundo orçado em 40 biliões de dólares para financiar iniciativas de aceleração da resiliência aos efeitos das mudanças climáticas. O valor foi anunciado, segunda-feira, pela directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, na Cimeira de Adaptação de África, organizada pelo Centro Global de Adaptação às Mudanças Climáticas.

A instituição de Bretton Woods, que já tinha lançado, em Março passado, o alerta global de que os países mais pobres precisam de apoio para se adaptar às mudanças climáticas, decidiu avançar para uma medida mais concreta. “Temos um instrumento de financiamento para colocar o nosso dinheiro onde a nossa atenção está: o Resilience and Sustainability Trust. Agora é de USD 40 biliões”, anunciou a mulher que lidera a organização internacional, pertencente às Nações Unidas. “Nossa missão é usar esse dinheiro para apoiar os países a despertar o potencial do financiamento privado. Então, o meu sonho é que os 40 biliões de dólares gerem 400 biliões em financiamento para adaptação e mitigação em nossos países membros”, acrescentou.

Nas maiores economias, que coincidentemente são os países mais poluidores, a prioridade é minimizar ou reduzir os danos ou efeitos negativos das mudanças climáticas, enquanto nos países mais vulneráveis aos desastres naturais, incluindo Moçambique, “o foco está na adaptação”. Adaptar-se às mudanças climáticas significa acomodar-se ou ajustar-se. Dito de outra forma, é aprender a conviver com o problema.

“Este é o primeiro instrumento do FMI com longo prazo – 20 anos – e longo período de maturação – 105 anos. Esperamos avançar, rapidamente, com vários desses países africanos, pois agora temos essa capacidade financeira para ser uma força positiva na adaptação”, assumiu a dirigente, adiantando que o Plano de Aceleração da Adaptação Africana será um dos mecanismos para garantir alinhamento. “Cooperar com os outros é uma ‘obrigação’ se quisermos ter sucesso”, disse.

 

RESILIÊNCIA É IMPORTANTÍSSIMA PARA ÁFRICA

Na sua intervenção perante dirigentes africanos de sectores ambientais, Kristalina Georgieva justificou a prioridade que é dada ao continente na aplicação dos 40 biliões de dólares no fundo. “Quando se trata da crise climática, todos sabemos que África contribuiu menos para o fenómeno, mas sofre mais com suas consequências”.

Na verdade, para o FMI, explicou Georgieva, contribuir para a criação de resiliência em África é uma forma de garantir “estabilidade macro-económica e financeira, crescimento e emprego. Não podemos mais cumprir essa missão a menos que adoptemos esse conceito abrangente de resiliência”.

Além da componente de infra-estruturas, o FMI entende que ser um país resiliente às mudanças climáticas passa também por “olhar para a protecção social e os gastos sociais em nossos países membros e garantir que estejam protegidos. Isso significa que devemos olhar para as decisões de investimento e ter certeza de que elas são resilientes”.

O FMI considera-se, hoje, uma instituição importante na luta contra as mudanças climáticas.

O Fundo Monetário Internacional diz que Moçambique tem estado a cumprir as metas económicas depois da aprovação do apoio ao Orçamento do Estado. A informação é avançada pelo chefe da missão do FMI, que está de visita a Moçambique.

O chefe de missão do Fundo Monetário Internacional, Álvaro Piris, manteve um encontro com o ministro da Economia e Finanças esta segunda-feira, que não esteve aberto à imprensa.

Entretanto, após o frente-a-frente, o Ministério da Economia e Finanças emitiu uma mensagem, na qual diz ter havido balanço positivo do FMI sobre os desenvolvimentos no sector económico.

“Houve um bom cumprimento das metas, segundo os compromissos entre o Fundo Monetário Internacional e o Governo, desde Maio deste ano”, disse Álvaro Piris.

Após a retoma do apoio ao Orçamento do Estado, o Governo anunciou que não haverá orçamento rectificativo este ano e que o défice será coberto por este apoio.

A missão do FMI deverá trabalhar durante cerca dez dias em Moçambique, esperando-se que apresente um relatório de avaliação a 16 de Setembro.

O FMI e o Banco Mundial retomaram o apoio ao Orçamento Geral de Estado depois de mais de cinco anos de suspensão após a descoberta das dívidas não declaradas.

A Visabeira diz que Moçambique tem grande potencial para receber investimentos no sector de energia, mas deve haver financiamento mais facilitado às empresas. A multinacional assinou acordos com a HCB, EDM e a portuguesa REN para a construção e manutenção das infra-estruturas de transporte de energia.

Com vários investimentos em Moçambique, com destaque para hotelaria e telecomunicações, a Visabeira diz que o país tem enormes oportunidades também no sector de energia, que, aliás, é uma das áreas em que actua. Mas há desafios neste sector.

“O importante é haver condições para que as empresas consigam expandir as suas redes de transporte de energia, não só para o auto-consumo de Moçambique, mas também para exportação… condições a nível de financiamento”, disse Fernando Daniel Nunes, administrador da Visabeira, para depois dizer que o mesmo sector de energia precisa de infra-estruturas de transporte, o que amplia as oportunidades de investimentos do empresariado. E… a Visabeira já se adiantou.

“Para isso (infra-estruturas de transporte), surge um memorando de entendimento que assinámos com empresas com uma experiência e know-how reconhecidos, como a HCB (Hidroeléctrica de Cahora Bassa), a REN (Rede Eléctrica Nacional), de Portugal, e a EDM (Electricidade de Moçambique), que visa exactamente trabalhar na construção e manutenção das infra-estruturas de transporte de energia”, detalha Nunes.

O administrador da Visabeira falava, sexta-feira, na Feira Internacional de Maputo, FACIM, na qual participou a multinacional portuguesa.

A Itália foi a maior expositora da Feira Internacional de Maputo (FACIM), com mais de 27 empresas. A nível doméstico, a província de Inhambane ocupou a posição de melhor expositora, e o IGEPE foi a melhor instituição pública.

Decorridos sete dias da Feira Internacional de Maputo, na qual muitos países expuseram seus produtos e serviços, os que se destacaram foram premiados. Das várias categorias, a Itália foi o país estrangeiro melhor expositor, tendo participado com 27 empresas.

“Estou muito feliz porque, depois de dois anos sem participar, como Itália, por conta da COVID-19, voltámos com 27 empresas, um número maior quando comparado com o de 2019, em que foram 19. E esta distinção é importante, não só para mim, como também para toda a Itália”, disse Paolo Gozzoli, da ICE, agência italiana em Maputo

As empresas de fora até conseguiram ser as maiores, mas Moçambique conseguiu impor-se como melhor expositor. A província de Inhambane mostrou que não é só boa quando se fala de gente, como também em vender suas potencialidades.

“O que procuramos fazer como província de Inhambane é organizarmo-nos a tempo; os expositores estavam todos entusiasmados e fizeram de tudo para merecermos este prémio”, afirmou Benilde Macuamule, representante de Inhambane, com um tom carregado de alegria indisfarçável no rosto.

O Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) mereceu a distinção de melhor instituição pública presente na FACIM. “Nós trouxemos as coisas de forma muito clara, que tipo de serviços é que prestamos, a questão de utilidade pública esteve lá e procurámos explicar às pessoas o que significa ter empresas em que o Estado é o único accionista e qual é a contribuição destas empresas para o desenvolvimento da economia e do país”, destacou Ana Isabel Coanai, presidente do Conselho de Administração do IGEPE.

Foram ainda premiadas as melhores pequenas e médias empresas com produto manufacturado, províncias revelação e informativa, gestora do stand, empresa maior expositora estrangeira, bem como o país que participou, pela primeira, na FACIM.

A Associação dos Revendedores e Retalhistas de Combustíveis de Moçambique (ARCOMOC) diz que não conhece agentes do sector que financiam o terrorismo em Cabo Delgado. Mas, está disposta a cooperar com as autoridades para eliminar tais agentes que minam o ambiente de negócio no sector. Em relação às interdições de construção de bombas nas zonas circunvizinhas de capitais províncias, incluindo a Circular de Maputo, a agremiação diz que a decisão vai permitir a expansão do sector nas zonas rurais.

Há mais de uma semana que o Presidente da República, Filipe Nyusi, disse ter provas de existência de postos de venda de combustíveis em Sofala que financiam o terrorismo, que assola a província de Cabo Delgado, há quase cinco anos.

“Nunca falei de uma coisa sem base. Não gosto. Mas temos informações de pessoas que usam esses meios para subsidiar os terroristas. Então, é melhor pagarem, legalmente, e depois a Autoridade Tributária e o Ministério dos Recursos Minerais e Energia devem controlar isso. Proliferação, sim, para o desenvolvimento, mas, se for para branqueamento de capitais, não”, disse Filipe Nyusi, em Sofala, no dia 23 de Agosto de 2022.

As palavras chegaram até aos ouvidos da Associação dos Revendedores e Retalhistas de Combustíveis de Moçambique que diz não reconhecer que os seus filiados possam estar envolvidos em tais actos que minam o ambiente de negócio no sector do país.

“A nossa associação recebeu o comunicado do Presidente e nós distanciamo-nos de quaisquer actos mencionados e não conhecemos, dos nossos associados neste sector, membros que estejam a financiar o terrorismo”, referiu Luís Pereira, porta-voz da ARCOMOC.

A agremiação tem mais de 121 associados a nível nacional e cria um universo de aproximadamente 12 mil postos de emprego. Revela que reconhece que o Presidente da República tem bases que sustentam o seu pronunciamento, daí que está disposta a cooperar com as autoridades para penalização dos infractores.

“Estamos dispostos a colaborar naquilo que são os desafios das autoridades, para que estes agentes possam ser eliminados no nosso mercado. Estes infractores devem ser sancionados pelos órgãos competentes, porque, de alguma maneira trazem um mau ambiente ao sector, perigando a saúde do negócio de revendedores e retalhistas de combustíveis e estamos dispostos a colaborar”, revelou Pereira ao “O País Económico”.

Sobre a medida de interdição de construção de postos de combustíveis nas capitais provinciais e ao longo da Estrada Circular, nas cidades de Maputo e Matola, a associação diz que a medida vai estimular o crescimento noutros pontos do país.

“Isto vai permitir que tenhamos mais postos em zonas carenciadas, e possa haver investimento em zonas que poderão também apoiar o desenvolvimento económico rural que é um dos planos do Governo”, apreciou a porta-voz da ARCOMOC.

Pereira acrescenta que, embora ainda não seja permitida a participação da associação no processo de licenciamento das gasolineiras, a agremiação está aberta a fazer parte deste processo.

Peritos dizem que Moçambique deve criar condições nas áreas de pastagem para melhorar a produção e a produtividade pecuárias, aumentar a oferta e a qualidade de produtos de origem animal, bem como incrementar o rendimento financeiro dos produtores.

Moçambique possui diferentes condições agro-ecológicas, recursos alimentares e genéticos animais favoráveis para o desenvolvimento da actividade pecuária. No país, predomina a produção pecuária familiar, que engloba os bovinos e pequenos ruminantes, com 87% e 96%, respectivamente.

Dados do Governo avançam que apenas 13% da produção vai para a comercialização.

O efectivo animal em Moçambique tende a crescer 2,2 milhões de cabeças de bovinos e 4,8 milhões de pequenos ruminantes.

Luísa Meque, presidente do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), destaca a necessidade de o país produzir mais carne, e de qualidade, de modo a que se reflicta no mercado nacional e no número de exportações.

“Para que isso se realize, somos chamados para que, realmente, haja uma combinação de alguns factores, neste caso, em termos de maneios sanitário e reprodutivos. O melhoramento genético deve melhorar as características dos animais para aumentar a produtividade da carne e temos o grande desafio no incremento da produção de leite”, reiterou Luísa Meque, presidente do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres.

Falando na competência de membro do Conselho Técnico-Científico do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), a antiga vice-ministra da Agricultura defende, ainda, que o país deve melhorar as condições de pastagem e ter atenção no período de abate dos animais.

“Se nós não tivermos uma boa alimentação, dificilmente teremos um melhoramento genético à altura. Se não tivermos bom pasto, não teremos boa carne. Daí que precisamos de ter as áreas de pastagem em condições para alimentar os nossos animais. Temos, também, que realizar o abate dos animais numa idade ideal”, explicou Luísa Meque.

Luís Oliveira, especialista da Empresa Brasileira de Pesquisa Agro-pecuária (EMBRASA) trouxe experiência do país e algumas soluções para a falta de produção de carne de qualidade.

“Desenvolvemos protocolos para criar alternativas e agregar valor à nossa carne e enfrentar os desafios da comunidade internacional em relação a questões ambientais para a sustentabilidade. Temos um protocolo que neutraliza as emissões soltadas pela pecuária. Não há solução e inovação senão adoptar as tecnologias. Os produtores devem avaliá-las através da captação da demanda local”, disse Luís Oliveira, especialista da Empresa Brasileira de Pesquisa Agro-pecuária.

O especialista brasileiro apontou ainda factores como a taxa de natalidade, o peso da desmama, a recria e engorda e o peso da carcaça como importantes a serem considerados no abate dos animais.

“Estes pontos são resultados do efeito animal e ambiente. Para o lado do ambiente, temos que equilibrar para que consigamos avaliar adequadamente o valor genético destes animais. Temos que ter boas práticas na nutrição animal e saúde e bem-estar animal”, reafirmou.

De acordo com Luísa Meque, o sector de investigação tem em vista uma estratégia específica para a alimentação a nível da produção animal e está a trabalhar na produção de pacotes tecnológicos para os produtores, em termos de suplementos para os animais.

“Estes produtores têm sido convidados a assistir, em dias de campo, como é que podem produzir feno e fardos para suplementar os seus animais. É um trabalho muito grande que está a ser realizado.”

A antiga vice-ministra da Agricultura reiterou que o reforço à área de investigação agrária de três mil milhões de Meticais, anunciado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, vai ajudar na resistência a doenças e factores ambientais.

No âmbito da selecção de técnicas de reprodução, Luísa Meque recomendou o método de inseminação artificial, como forma de facilitar a rápida produtividade.

“De uma forma, seria a deposição do uso do sémen de um reprodutor de alto mérito genético. É um método muito usado e, com isso, poderíamos, de facto, aumentar o número dos nossos animais.”

O especialista Luís Oliveira recomenda o uso da técnica de embriões, que permite recolher embriões ou óvulos de uma fêmea doadora de mérito genético superior e transferi-los para fêmeas receptoras, na qual completam a gestação.

“A sua importância básica para a produção animal consiste na possibilidade de uma fêmea produzir um número de descendentes muito superiores ao que seria possível obter fisiologicamente, durante a sua vida reprodutiva.”

As intervenções acontecem numa altura em que a importação de carnes tende a aumentar em Moçambique. O país tem um grande número de pequenas e médias explorações pecuárias, com bovinos e animais de pequeno porte com potencial para melhorar por cruzamentos.

O I Simpósio Nacional de Investigação Agrária, que teve lugar na arena 3D, na KaTembe, contou com a presença de várias personalidades ligadas ao sector agrário.

A abertura do evento foi feita pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, que anunciou novos investimentos para a requalificação dos laboratórios de investigação agrária, produção de vacinas e multiplicação de sementes, nos próximos dois anos e meio.

Filipe Nyusi reiterou, na ocasião, que o financiamento ganha mais força por acontecer ser validado num momento em que a pesquisa precisa de soluções para a demanda do trigo que surge na sequência da guerra na Ucrânia.

O anúncio foi bem visto pelos principais actores do sector. Estes disseram que o apoio financeiro vai responder a uma parte dos desafios do sector agrário e estimular a produção e produtividade.

Mais 10 milhões de moçambicanos terão acesso à energia eléctrica em 2024, no âmbito do programa Energia para Todos e do objectivo de acesso universal da energia até 2030. Para o efeito, vários projectos de centrais térmicas, linhas de transporte e de distribuição de energia estão em curso em todas as regiões do país. A garantia foi dada pelo Presidente da República, esta semana, durante as celebrações dos 45 anos da Electricidade de Moçambique (EDM).

Aquando da criação da Electricidade de Moçambique (EDM), a 27 de Agosto de 1977, apenas 15 distritos tinham corrente eléctrica da rede nacional. Neste momento, o Governo garante que todas as 154 sedes distritais já têm energia e a meta é, até 2030, todos os moçambicanos estarem ligados à rede nacional de energia eléctrica.

Um compromisso reiterado, na gala de celebração dos 45 anos da empresa pública, terça-feira, em Maputo, a olhar para os indicadores dos últimos anos que apontam para 307 mil novas ligações, só em 2021.

É um facto e o próprio Presidente reconheceu: Moçambique nunca antes tinha tido a taxa de crescimento de acesso à energia como a que está a ser registada nos últimos anos.

“Neste percurso de quatro décadas, a actual taxa de acesso da população à energia passou de menos de 2% para 41%, mesmo com as várias conjunturas extremamente difíceis. Ainda assim, esta taxa corresponde a 12 milhões de moçambicanos, o que revela que, apesar do excelente trabalho que a EDM está a realizar, ainda há muito trabalho por fazer”, descreveu o Presidente.

Segundo o Chefe de Estado, um dos passos importantes na massificação do acesso à energia foi a aprovação da taxa zero na ligação doméstica e, com esta medida, “retiramos uma das maiores barreiras e, como resultado, conseguimos atingir número significativo de novas ligações, que só no ano passado atingiu o recorde de 307 mil novas ligações, um registo nunca antes visto”.

O Chefe de Estado não deixa de entender que a EDM deve ser motivo de orgulho de todos e, quiçá, por isso, ser acarinhada. Porém, Filipe Nyusi diz ser necessário que não se perca o que ainda se tem em termos de trabalho.

“Estamos a 23% de ligar energia em todas as sedes dos postos administrativos, conforme nos comprometemos e isso vai acontecer até 2024. Até lá, mais dez milhões de moçambicanas terão energia nas suas casas e comunidades pela primeira vez”, assegurou.

Para o efeito, estão em curso, no país, vários projectos de geração e distribuição de energia eléctrica. Nyusi citou, para o Norte do país, a conclusão da linha de transmissão Cuamba–Marrupa, incluindo a subestação de Marrupa, a central fotovoltaica de Metoro, onde decorrem preparativos para a arranque da central de emergência de Nacala, que deve estar concluída até 2024.

“No Centro do país, destaca-se a linha Chimuara–Alto Molocue, a nova subestação de Matambo, e a linha de 400 quilovolts que une Moçambique e Malawi. Já no Sul, o destaque vai para a construção da central térmica de Temane, uma infra-estrutura construída de raiz após a independência, ligando Temane a Maputo”, acrescentou.

Entretanto, para Filipe Nyusi, o valor desta meta não está em fazer chegar a energia às sedes distritais ou postos administrativos, e sim no impacto que terá na vida das pessoas. “Podemos pensar que estamos a distribuir, estamos a transportar, mas estava eu em contacto, porque estou sempre no campo… há postos administrativos aonde chegou a energia, mas tem de chegar à casa da pessoa, na sua serralharia ou restaurante; não chegar à vila e dizer que já chegou; temos de ir ao encontro, porque ele é cliente e deve pagar por isso”, exigiu.

CORRUPÇÃO NA EDM

Enquanto 2024 não chega e as promessas não se concretizam, o Presidente da República lembra que há um desafio actual que afecta instituições e várias empresas públicas: a corrupção, da qual a EDM se deve distanciar.

“A EDM deve pautar pelos princípios de honestidade na contratação de serviços, distanciando-se das práticas do nepotismo ou de troca de favores e de outros comportamentos que lesam o bom nome da empresa e a sua prosperidade”, acautelou.

MATRIZ ENERGÉTICA DIVERSA

Num contexto em que o mundo inteiro fala do abandono completo de energias fósseis, o Presidente da República pediu que a EDM seja proactiva na criação de fontes alternativas.

“Estamos numa posição demasiadamente vantajosa. Todo o tipo de energia que se produz no mundo, nós podemos produzir. Não produzimos de carvão por respeito à natureza, mas, se for necessário… Mas produzimos de água, produzimos com sol, com gás a partir daqui da Sasol e também podemos produzir com o vento”, pelo que o Presidente da República não vê espaço para que não se aposte na diversificação da matriz energética.

RESPONSABILIDADE SOCIAL NA CELEBRAÇÃO DOS 45 ANOS

No âmbito da celebração dos 45 anos, a empresa pública decidiu financiar 500 intervenções cirúrgicas de remoção de cataratas, para devolver a visão de quem dela necessita. Segundo o presidente do Conselho de Administração da EDM, Marcelino Gildo Alberto, este acto agrega a missão de dar a luz a quem vive na escuridão.

O responsável garantiu que essas cirurgias vão acontecer ainda este ano, em unidades sanitárias de todas as províncias, numa missão coordenada pelo Ministério da Saúde.

Outra componente é a formação. A EDM está a apoiar a formação de 200 raparigas no curso de Electricidade Instaladora em instituições de ensino profissional.

A EDM decidiu atribuir bolsas de estudo a 40 raparigas que, no fim do curso, vão integrar o quadro técnico profissional da EDM.

“Esperamos, com essas actividades, promover a equidade do género na empresa, incentivar o acesso à educação, numa área que cria mais oportunidade de auto-emprego e promove mais conhecimento, numa altura em que a EDM é desafiada a atingir o acesso universal até 2030”, explicou Alberto, a finalizar.

O Governo vai investir três mil milhões de Meticais para a investigação agrária nos próximos dois anos e meio. O investimento foi anunciado, hoje, pelo Presidente da República que fez saber que Niassa e Manica vão produzir trigo para o comércio.

A arena 3D, na KaTembe, voltou a vestir-se, hoje, de verde; uma vez mais, a agenda era a agricultura, mas agora virada para a pesquisa. Várias personalidades ligadas ao sector agrário juntaram-se no primeiro Simpósio Nacional de Investigação Agrária, organizado pelo Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural.

A abertura do evento foi feita pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, que, antes, fez uma panorâmica sobre o sector para, depois, anunciar boas novas. A primeira foi sobre o financiamento à investigação.

O anúncio não poderia ter sido feito em ambiente mais adequado. Não é juízo de valor, é o que se viu. Quando o Presidente da República anunciou os três mil milhões de Meticais para a investigação, a sala toda levantou-se para aplaudir.

As palavras de Filipe Nyusi foram: “O meu Governo decidiu alocar, nos próximos dois anos e meio deste ciclo, três mil milhões de Meticais para a qualificação dos laboratórios, de produção de vacinas, campos de multiplicação de sementes pré-básicas”.

Filipe Nyusi também explicou por que estão a fazer estes investimentos. “Este investimento parte da nossa convicção de que a transformação deste sector começa com a ligação e produção por meio dos extensionistas e uma parte desse valor já está nos laboratórios, a qualquer momento voltaremos a fazer a entrega de laboratórios modernos”.

Um investimento que, na verdade, ganha mais razão de ser por acontecer num momento em que a pesquisa acaba de trazer uma solução importante para um grande problema, a produção de trigo.

Com a guerra entre os maiores produtores de cereais, a Rússia e a Ucrânia, Moçambique sentiu na pele a dor de ser dependente. Porém, o país poderá ver-se livre dessa dependência em breve, já que acaba de ser concluída uma pesquisa que indica ser possível tornar-se auto-sustentável.

“Os resultados de pesquisa de trigo indicam o potencial de produtividade de sete mil toneladas por hectare em Niassa e quatro mil em Manica”, revelou, adiantando que “os próximos passos são a alimentação da variedade e a disseminação desta tecnologia, que passará pela multiplicação massiva das sementes e treinamento dos nossos extensionistas e dos nossos produtos para a massificação da sua produção”.

FOME LONGE DE SER VENCIDA

Ainda assim, Filipe Nyusi assumiu que Moçambique tem bons sinais na luta contra a fome, porém as mangas devem permanecer arregaçadas. “O Programa Mundial de Alimentação retirou Moçambique da lista dos países com alto risco de fome no mundo, mas eu tenho dito que isso não pode distrair-nos; uma coisa é estar na lista de fome e outra é ter pessoas que não conseguem comer de forma equilibrada, por isso é que a batalha para nós continua, não está vencida nem está perto disso”.

Parte do mérito dos ganhos já obtidos no combate à fome é atribuída ao Sustenta, programa em que o Chefe de Estado acredita, embora saiba que há prós e contras. “Muitos não acreditaram e não estamos preocupados que acreditem; até gostamos que nos pressionem para que possamos provar as nossas intenções”.

O evento termina esta quinta-feira, dia em que serão apresentados dados concretos sobre o Sustenta.

AR FRESCO PARA OS SECTORES INVESTIGATIVO E PRODUTIVO

Investigadores e produtores dizem que o apoio financeiro anunciado pelo Presidente da República para o ramo da investigação vai responder a uma parte dos desafios do sector agrário e estimular a produção e produtividade.

SAMUEL CAMILO, INVESTIGADOR

“Nós olhamos para este investimento como rifada de ar fresco que vai galvanizar a investigação agrária, no geral, e no programa do trigo, podemos começar intensificar a produção no país. Os grandes desafios, neste momento, centralizam-se na materialização da escala comercial. O trigo é uma cultura que se adapta ao planalto e temos, agora, a obrigação de começar a fazer novas pesquisas que possam trazer variedades produzidas fora dos planaltos, tolerantes a secas e calor. Feitos estes esforços, acreditamos numa produção intensiva do trigo e que responda à actual demanda mundial impulsionada pela guerra na Ucrânia.”

HERMÍNIO ABADE, INVESTIGADOR

“Nós com pouco, conseguimos desenvolver muito trabalho. Esperamos que a requalificação dos laboratórios de investigação agrária, produção de vacinas e multiplicação de sementes, nos próximos anos, nos permita trabalhar de forma mais eficaz. No caso concreto do arroz, levávamos, no mínimo, cinco anos para libertar a nova variedade, mas, com este financiamento, acreditamos que poderemos garantir equipamentos que abram espaço para produzir em tempo reduzido. O investimento significa valorização do ramo, mas também traz consigo desafios. Por isso, comprometemo-nos a trabalhar arduamente para encontrar soluções para os problemas que apoquentam os actores do sector agrário.”

ARNALDO RIBEIRO, PRODUTOR

“Eu acho que a orientação política do Presidente da República constitui um grande desafio para os investigadores e o Ministério da Agricultura. O trigo, por exemplo, já é produzido em Moçambique há vários anos; produz-se em algumas regiões muito limitadas, sobretudo na província de Tete, em Angónia, e em Niassa. É uma escala muito pequena e, geralmente, é uma cultura de inverno feita numa estação seca. Se calhar, nessas zonas, possa dar alguma coisa. Agora tem de se pensar em algo maior, que é intensificar a produção do trigo e outras variedades no país. Por aquilo que sua Excelência disse, já foram encontradas algumas variedades que são adequadas para Moçambique, mas, até o sector comercial envolver-se na produção do trigo, ainda vai levar algum tempo para alcançar vários objectivos.”

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