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A maior feira nacional de agro-negócio está de volta. A AQI vai participar na quarta edição da Mozgrow, na qual espera contribuir com soluções que impulsionem o crescimento do sector primário no país.

Já se foram três edições da maior feira nacional de agro-negócios, a Mozgrow, nas quais vários participantes apresentaram ideias que têm contribuído significativamente para o desenvolvimento do país.

Nos dias 6 e 7 de Julho próximo, a maior feira nacional de agro-negócio vai, na sua quarta edição, acolher diversos intervenientes em debates e exposição de produtos e serviços.

Entre os participantes está a AQI, uma das maiores redes de distribuição de produtos para a agricultura e pecuária no país. Presente na Mozgrow desde a sua primeira edição, a firma pretende usar do espaço para reafirmar a sua posição no mercado nacional e mostrar as técnicas para fazer uma horta caseira.

“Nós somos a solução perfeita para o sector primário em Moçambique, vendemos tudo para agricultura e pecuária e queremos permanecer no mercado nacional. Desta vez, vamos estender mais as nossas redes, queremos fazer mais pela agricultura no país”, afirmou Rui Brandão, director-executivo da AQI.

No mercado há sensivelmente quatro anos, a AQI abastece o mercado nacional com insumos agrícolas e vários materiais de qualidade, para trabalhar a terra, a preços mais competitivos.

A empresa, com uma vasta experiência no fornecimento de produtos de qualidade certificada, vê, no evento, várias oportunidades para alavancar o sector produtivo no país.

“A expectativa é que a Mozgrow continue a ser um grande espaço para discussão, e que apareçam novas ideias. A Mozgrow é uma fonte de motivação para o crescimento do sector primário em Moçambique, e nós participamos na feira porque queremos fazer a revolução”, frisou Rui Brandão.

Com lojas espalhadas pelo país, e com revendedores que fazem parte da rede de distribuição, a AQI não só vende insumos, como também promove o empreendedorismo local e a formação dos produtores.

A quarta edição da Mozgrow será realizada na arena 3D, em KaTembe, e contará com participações presenciais e virtuais. As inscrições estão abertas e são feitas através do site: www.mozgrow.co.mz

O Ministério da Indústria e Comércio lançou, hoje, uma plataforma integrada para a partilha de informação através do Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas, pelo que Governo passa a ter mais conhecimento sobre as pequenas e médias empresas (PME) que operam no país.

As pequenas e médias empresas correspondem a 99 por cento do conjunto de firmas que operam no país e representam cerca de 23 por cento na contribuição do Produto Interno Bruto.

Para melhor acompanhamento daquilo com que essas firmas contribuem e a sua relação com os grandes projectos económicos, o Ministério da Indústria e Comércio lançou, hoje, uma base de dados on-line das PME.

“Pretendemos que seja a plataforma institucional aglutinadora de diversos esforços que visam dar melhor performance às empresas nacionais – no aproveitamento das oportunidades que os negócios da indústria extractiva e outros sectores económicos proporcionam, e na medição do seu desempenho no mercado nacional – contribuindo, deste modo, para a melhoria do ambiente de negócios”, explicou o ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno.

Com a plataforma, os utentes terão disponíveis, em tempo real, informações sobre a situação das PME; poderão interagir com diferentes intervenientes do negócio, dentro e fora do país e ter acesso à certificação, a estatísticas, entre outros dados relevantes fornecidos pelo Governo.

Para a Associação das Pequenas e Médias Empresas, a plataforma é lançada numa boa altura, uma vez que vai ajudar a resolver um dos principais problemas do sector.

“É um balão de oxigénio de que nós precisávamos. Um dos problemas que tínhamos era a comunicação e, com esta plataforma, haverá mais partilha de informação sobre oportunidades de negócio, número de trabalhadores, capacidade de endividamento”, esclareceu o presidente da Associação das Associação das Pequenas e Médias Empresas, Feito Mal.

Desde a fase preparatória ao lançamento do projecto, mais de 50 empresas foram cadastradas. Ao todo, são mais de 1500 firmas que, até ao momento, a Associação das Pequenas e Médias Empresas prevê cadastrar.

A plataforma “Base de Dados das PME” é lançada numa data em que se celebra o Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas.

Os Portos e Caminhos-de-ferro de Moçambique (CFM) registam uma redução do lucro de 36%, em relação ao apurado no exercício económico de 2020. O resultado líquido da empresa situou-se em 3,3 milhões de Meticais, segundo indica o Relatório e Contas de 2021.

Apesar de a área portuária ter registado um nível de execução de 94%, que corresponde a um incremento de 18%, em relação a 2020, e os terminais portuários terem registado um crescimento na ordem de 5%, uma execução de 107%, em relação ao plano, a empresa CFM registou um decréscimo de 36% no seu lucro do ano passado.

De acordo com o documento a que “O País Económico” teve acesso “no sistema ferroviário global, de Janeiro a Dezembro de 2021, foram transportados cerca de 18,6 milhões de toneladas líquidas, contra cerca de 16,8 milhões transportados em 2020, representando um crescimento de 13% e um nível de execução de 75% em relação ao planeado”.

Nas linhas operadas pela firma, durante o período em análise, foram transportados cerca de 10,6 milhões de toneladas, contra 10,5 milhões transportados no mesmo período de 2020, o que corresponde a uma realização de 85% em relação ao plano, e tendo crescido um por cento comparativamente ao volume transportado no período homólogo.

No entanto, segundo o Relatório e Contas dos CFM, o lucro, antes da retirada dos impostos, registou um decréscimo de 36%, e o lucro, depois de impostos, fixou-se em 4,7 milhões de Meticais, representando uma redução de 39% face ao resultado de 2020.

No exercício em análise, o activo total ascendeu para 63,2 milhões de Meticais, representando um acréscimo de 10%, face ao ano de 2020.

O passivo total cresceu em 19%, ao passar de 17,7 milhões de Meticais em 2020 para 20,2 milhões de Meticais em 2021.

A situação líquida do valor de 42,2 milhões de Meticais correspondeu a um aumento na ordem de 7%, relativamente ao ano transacto.

Em termos de transportes de passageiros, no período em análise, foram transportados 3,1 milhões de passageiros contra 3,5 milhões registados no igual período do ano anterior, que correspondem a uma redução de 13% e um nível de realização de 71%.

Entre os factores que condicionaram o crescimento da empresa, o relatório destaca os efeitos do confinamento social motivado pela pandemia da COVID-19.

Como forma de conter a despesa pública, para o exercício económico de 2022, o Governo tomou algumas medidas. O Plano Económico e Social e o Orçamento do Estado para este ano prevê a limitação de novas admissões, à excepção para os sectores de Educação, Saúde e Agricultura (Extensionistas).

Em termos específicos, para o ano 2022, no âmbito da contenção da despesa pública, o Governo continuará a privilegiar os sectores da Educação (Professores), Saúde (Médicos e Enfermeiros), Agricultura (Extensionistas) e Órgãos de Administração da Justiça.

Para os restantes sectores, primará pela mobilidade de funcionários. Nos restantes sectores, o Executivo privilegia a mobilidade de funcionários, ou seja, para o ano em curso, a admissão de um novo funcionário é apenas efectuada após a saída de três outros.

Os recursos poupados com a medida serão reorientados para os sectores da Educação, Saúde e Acção Social, Agricultura, Infra-estruturas, bem como para as Forças de Defesa e Segurança.

“No que concerne às Despesas com Pessoal, estas irão fixar-se em 154.434,0 milhões de MT, correspondente a 54,2% do total da Despesa de Funcionamento e a 13,7% do PIB, o que significa um incremento de 1,8 p.p., comparativamente à previsão orçamental de 2021, justificado pela necessidade de prosseguir com novas admissões no Aparelho do Estado, para os sectores da Saúde, Educação e Agricultura e o início da implementação da ‘Pirâmide Salarial’”, lê-se no Plano Económico e Social e o Orçamento do Estado 2022.

Entretanto, segundo o documento que temos vindo a citar, no quadro de novas admissões ou contratações para o Aparelho de Estado, está prevista a admissão de 16.465 Funcionários e Agentes do Estado (FAE), correspondente a um impacto orçamental de 2.848,0 milhões de Meticais, o que significa um incremento de 5,1% em termos nominais, face a Lei Orçamental de 2021.

Em termos de criação de empregos, neste ano de 2022, o Governo prevê cerca de 272,7 mil novos empregos, dos quais 16,6 mil pelo sector público e 234,7 mil pelo sector privado e 21,3 mil no exterior, adquirir e alocar 866 kits de auto-emprego, financiar 1.050 projectos de iniciativas juvenis para o auto-emprego e geração de rendimentos, 220 empresas de jovens, através da competição de planos de negócio, no âmbito do Programa Emprega.

Já nos próximos três anos, ou seja, entre 2023 e 2025, o Executivo diz que a geração de empregos será influenciada pelos investimentos públicos que irão contribuir com 31.267 empregos e os investimentos directo estrangeiro e nacional que se esperam implementar neste período, que poderão contribuir com 55.266 empregos, totalizando cerca de 86.533 novos postos de trabalho, segundo indica o Cenário Fiscal de Médio Prazo 2023-2025.

“Para além dos empregos directos esperados dos investimentos privados nacional e estrangeiro, o Governo continuará a envidar esforços para aumentar os níveis de empregabilidade com a implementação das seguintes acções: financiar 6.061 iniciativas juvenis para o auto-emprego, geração de rendimentos no âmbito do Fundo de Apoio às Iniciativas Juvenis e Programa Emprega; alocar 1.542 kits para o auto-emprego, no âmbito do Programa Meu Kit, Meu Emprego; e promover estágios pré-profissionais remunerados e não remunerados para 72.832 beneficiários como mecanismo para elevar o nível de empregabilidade”, indica o Cenário Fiscal de Médio Prazo 2023-2025.

Estas perspectivas acontecem num contexto em que o Governo está em processo de aprovação da Tabela Salarial Única, que não prevê necessariamente aumentos salariais para todos os funcionários públicos, mas sim para alguns. O Executivo ainda terá de se reunir, em sessão de Conselho de Ministros, para aprovar os salários-base a serem conhecidos a partir do mês de Julho próximo.

Entretanto, já existe, na página electrónica do Ministério da Economia e Finanças, uma simulação sobre os reajustes que serão feitos, mas não indica os novos valores a serem auferidos a partir de Julho, porque ainda carece da publicação da Tabela Salarial Única esperada com muita expectativa pelos funcionários públicos.

Depois de dois anos atípicos devido à pandemia da COVID-19, o sector do turismo está em franca recuperação. A retoma de voos domésticos e internacionais reanima o ramo de viagens, mas, na restauração e hotelaria, a afluência ainda é menor e os operadores querem incentivos do Governo. 

A COVID-19 criou caos no sector do turismo. Agências de viagens, restaurantes, hotéis, resorts, casinos, praias e outros locais de lazer não escaparam aos efeitos das medidas restritivas que vigoraram no âmbito da Situação de Calamidade Pública.

A hotelaria e a restauração foram os segmentos que mais sofreram quebra na facturação. De acordo com os dados do sector privado, houve redução em mais de 95% do volume de negócios no sector.

O prejuízo nos cofres das empresas devido ao que a CTA classifica de “situação muito grave e profunda” é estimado em quase 71 milhões de dólares americanos.

Os efeitos ainda são visíveis. Na Cidade de Maputo, por exemplo, o jornal “O País Económico” constatou que alguns restaurantes continuam com as portas fechadas. Aliás, só na capital do país, mais de seis mil trabalhadores entraram na estatística do desemprego na época de pico da pandemia.

É perante este cenário que os operadores reconhecem que o sector está em reanimação, porém lenta em alguns subsectores devido à gravidade do impacto da COVID-19 e actual conjuntura económica que desafia a capacidade de compra dos consumidores.

Na restauração, por exemplo, o nível de afluência dos clientes ainda não atingiu os níveis pré-pandemia, segundo a Associação de Restauração e Catering.

O presidente da agremiação, Aurélio Maússe aponta que a subida do preço dos combustíveis e a consequente subida do preço dos produtos alimentares teve um duplo impacto no funcionamento dos restaurantes que procuram reerguer-se da crise.

“Primeiro, porque os custos operacionais aumentaram. Depois porque as pessoas não vão aos restaurantes, não gastam dinheiro, porque a vida não está fácil. Se há seis meses eu comia mais barato, hoje como mais caro no restaurante, e se assim não vou ao restaurante, procuro outras alternativas que não trazem o encaixe financeiro para o sector de restauração”, disse Maússe.

 

“O TURISMO VAI LEVAR ALGUM TEMPO PARA SE RECUPERAR PLENAMENTE”

Entretanto, a classe entende que o sufoco poderia ter sido minimizado se o Governo tivesse tomado medidas como a redução de impostos e criação de incentivos fiscais.

“A factura de electricidade e água continua a ser a mesma. Nenhum hotel recebeu ajuda do Governo. Os impostos continuaram a ser os mesmos, a única ajuda que tivemos foi de Deus. Sobrevivemos graças ao que produzimos ao longo dos últimos anos”, desabafou Vasco Manhiça, gestor hoteleiro, na Cidade de Maputo, para quem o Governo deveria isentar as empresas de alguns custos em tempos de crise.

Manhiça foi mais longe, ao explicar que “politicamente falando, é comum achar que o Governo deve dar, mas essa altura não é de responsabilizar, é altura de olhar para frente. A única coisa que queremos são esses incentivos. Tivemos o cenário de um hotel com uma taxa de ocupação de menos de 1% e hotéis chegaram a ficar sem um quarto sequer ocupado. A ordem era para ficar em casa, ficando em casa não se faz turismo e os hotéis vivem do turismo”, frisou.

Contudo, o cenário continua desafiante. As taxas de ocupação dos hotéis ainda estão abaixo do desejado, frustrando o apetite dos operadores deste subsector. Pelo que, Manhiça acusa existir uma falsa percepção da realidade, visto que as actuais taxas de ocupação se situam abaixo de nove por cento.

Uma mudança que os hoteleiros vêem como um abanão. Neste contexto, julga-se que o turismo vai levar algum tempo para se recuperar plenamente.

“A retoma dos voos e a reabertura das fronteiras significam uma pequena mudança, mas o turismo ainda está a fazer a pista para levantar o voo”, disse Vasco Manhiça, para, de seguida, acrescentar que “o subsector refere não ser optimista quanto aos prazos para uma retoma satisfatória. De forma hipotética, só em finais de 2023 é que podemos voltar a atingir a cifra de 23% da taxa de ocupação.

 

AGÊNCIAS DE VIAGEM EM FRANCA RECUPERAÇÃO

É notável o aumento do fluxo de viagens tanto a nível doméstico, como a nível internacional, o que estimulou a melhoria na facturação das empresas deste ramo, principalmente no segmento do turismo de negócios.

Segundo o presidente do pelouro do Turismo, Hotelaria e Restauração, na Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), neste momento paira uma febre nas viagens.

Muhamad Abdullah explica que o turismo está em franca recuperação, porque “já chegamos a atingir o pico, que ultrapassa os números pré-pandemia e, neste momento, os indicadores para o sector são animadores”.

Pelo que, Abdullah entende que ainda é possível alcançar as metas previstas para este ano no que toca à recepção de turistas.

“Quanto mais restrições forem levantadas pelo mundo, por exemplo, a necessidade de ter que apresentar teste da COVID-19 para quem tem a vacina em dia, demonstra que há essa visão, por parte do sector público, no sentido de facilitar para que o mercado nacional acompanhe esta onda de recuperação internacional no sector do turismo.”

Mas nem tudo vai bem na abordagem do Governo sobre a facilitação ao sector do turismo. Abdullah também entende que o Executivo deve tomar medidas para estimular a entrada de turistas no país.

Fora a necessidade de resolução do conflito em Cabo Delgado, que não deixa de ser um entrave ao sector, a emissão de vistos de entrada deve melhorar, sobretudo, o visto electrónico.

“Ainda persiste alguma ambição naquilo que é a concessão. Muitas vezes, o turista fica à mercê da disposição do oficial de migração”, explicou.

O responsável não deixa de lado a questão das infra-estruturas, como componente fundamental para o sector do turismo: “A partir do momento em que conseguimos trazer o turista com facilidade para Moçambique, criamos uma apetência no sector privado e atracção de investimento estrangeiro”, disse, a finalizar.

Com a descoberta dos recursos naturais, prevê-se que o crescimento da economia nacional esteja em torno de 9,3% entre 2024 e 2033, mas a maioria dos moçambicanos continuará pobre. É neste sentido que se está a discutir a proposta de criação de um Fundo Soberano para distribuição equitativa da riqueza proveniente do gás.

Os primeiros sinais para a exploração do gás natural na Bacia do Rovuma foram dados na semana passada. Os ventos de mudança na província de Cabo Delgado, Norte de Moçambique, reacenderam o debate sobre a criação de um Fundo Soberano para que todos os moçambicanos possam beneficiar-se da exploração dos recursos naturais.

Aliás, com a exploração do gás natural a 50 quilómetros da parte continental de Cabo Delgado, consolidam-se mais as perspectivas para um bom crescimento da economia nacional, tal como refere o representante do Ministério da Economia e Finanças.

“De acordo com as instituições internacionais, prevê-se que o crescimento médio em Moçambique ronde na ordem dos 9,3% entre 2024 e 2033. No entanto, o elevado crescimento na economia não pressupõe o aumento dos indicadores sociais de redução da pobreza no nosso país”, disse Ângelo Ferreira, representante do Ministério da Economia e Finanças, na reunião da sociedade civil sobre o Fundo Soberano.

São discrepâncias possíveis de colmatar e, para tal, o Governo, a sociedade civil e os parlamentares estão a afinar as ideias para a criação do Fundo Soberano, uma entidade que se espera que crie condições para a “distribuição equitativa da riqueza”.

“O Fundo Soberano deve ser auditado, anualmente, pelo Tribunal Administrativo, ou seja, por uma entidade reputada”, defendeu Denise Namburete, membro da sociedade civil moçambicana.

Fora uma auditoria independente, entende ser necessário que os relatórios das auditorias sejam públicos e com versões simplificadas para o público não especializado. Assim, “as opções de investimento do Fundo devem ser revertidas num plano acessível ao cidadão em concordância com a lei de acesso à informação, incluindo toda a informação sobre os investimentos e seus retornos”.

Mas não são só estes aspectos que devem ser tomados em conta na criação de um Fundo Soberano, que se espere que traga benefícios a todos os moçambicanos. “O modelo do Fundo Soberano a ser adoptado deve ter mecanismos de governação que sejam independentes e protegidos de interferências externas negativas”, acautelou Jamisse Taimo, presidente do Conselho Consultivo da SEKELEKANE, referindo também que: “ao abordarmos a questão do Fundo Soberano, destinado à gestão das receitas resultantes da exploração dos nossos recursos, devemos visualizá-lo como facto de paz, estabilidade e bem-estar do povo e nunca como um factor de conflito e violência”.

A Assembleia da República diz que de tudo fará para que, através do seu papel fiscalizador, o Fundo Soberano se torne uma bênção e não uma maldição para o povo que representa. “Sabemos que os recursos são esgotáveis, mas devemos sempre ter em conta as prioridades para que esses recursos escassos sirvam do melhor e da melhor forma possível à maioria da população moçambicana”, destacou António Niquice, presidente da Comissão do Plano e Orçamento da Assembleia da República.

Para a Embaixada dos Estados Unidos da América e a da Noruega, tudo é possível, desde que haja transparência na gestão do Fundo Soberano.

“Queremos que as receitas provenientes das actividades sejam geridas de uma forma transparente, eficaz e eficiente, através do Fundo Soberano. Esperamos que o Fundo Soberano de Moçambique se baseie nas melhores práticas internacionais para responder às necessidades particulares dos seus cidadãos”, disse Matthew D. Lowe, conselheiro político-económico da Embaixada dos Estados Unidos da América.

A Noruega aponta o que é preciso fazer para que o Fundo Soberano seja um sucesso: “Não há milagres. É tudo sobre abnegação, cometimento e planificação. Coloquei isso em termos de exploração de recursos minerais, porque é possível estabelecer”, aconselhou Haakon Gram-Johannessen, embaixador da Noruega em Moçambique.

Estes pronunciamentos foram feitos hoje, em Maputo, na reunião de alto nível, organizada pela sociedade civil sobre o Fundo Soberano.

A  Mozambique Leaf Tobacco, empresa fomentadora da cultura na Zambézia, trabalha com grupos de produtores de quatro distritos localizados na região Norte da província. A firma aplicou, na última campanha de produção de tabaco, mais de 209 milhões de Meticais para adquirir sementes certificadas e fertilizantes para os produtores.

Os produtores de tabaco na província da Zambézia estão a produzir duas variedades (Barley e Virgínia) daquela cultura, com o apoio da empresa fomentadora  Mozambique Leaf Tobacco. Para assegurar uma maior produção, virada ao mercado internacional, aquela empresa está a trabalhar com mais de seis milhões e meio de produtores nos distritos de Alto-Molocué, Mulombo, Gúruè e Milange. Para esse grupo de produtores, a firma investe em sementes certificadas e fertilizantes. Na última campanha, o volume de investimento está avaliado em mais de 209 milhões de Meticais.

De acordo com Cláudio Ferreira, director-geral da  Mozambique Leaf Tobacco , o tabaco produzido pelos produtores tem mercado assegurado, ou seja, a empresa garante toda a compra do tabaco. Para o efeito, foram construídos três grandes armazéns, considerados centros de compra a nível da zona Norte da província, onde os produtores colocam a sua produção à venda.

Segundo explicou o representante, a província da Zambézia está a produzir anualmente, com a introdução de sementes certificadas e fertilizantes, mais de quatro milhões de quilos. Na presente campanha, cuja comercialização já começou, os mais de seis milhões de produtores terão um encaixe financeiro de pouco mais de treze milhões de Meticais.

“Com aquilo que estão a produzir, os produtores com os quais trabalhamos, a avaliar pelo encaixe financeiro estimado, esperamos ver a sua vida a melhorar. Temos garantida toda a compra aos produtores com os quais fomentamos a cultura e, para o efeito, os três armazéns disponíveis já estão a receber o tabaco. Esperamos continuar com esta aliança que temos com os nossos produtores”, regozijou Ferreira, para quem a empresa se compromete a apoiar as comunidades nos sectores de educação, saúde, água e desporto.

Por seu turno, o director da agricultura na Zambézia, Fernando Namucua, fez saber que o preço de um quilo do tabaco comercializado pelo produtor varia entre 90 e 270 Meticais, dependendo da sua qualidade.

“Tudo o que é tabaco não se deita, e o preço varia em função da qualidade. Isto é bom porque tudo o que o produtor produz é levado pela empresa”, referiu.

Já o governador da província, Pio Matos, que efectuou o lançamento da campanha de comercialização de tabaco, fez saber que aquele grupo social tem feito a sua contribuição para o desenvolvimento das suas comunidades.

“Ao melhorarem as vossas vidas, das vossas famílias e comunidades, estão a contribuir para o bem-estar do país. Nós, como Governo, continuaremos a dar apoio necessário à empresa para que, junto de vós, continuem a ter boas relações”, concluiu.

O Conselho de Administração do Instituto Nacional do Mar (INAMAR) deve melhorar a fiscalização e o controlo do mar, bem como elaborar estratégias para a exploração sustentável dos recursos marinhos. A exigência é do Primeiro-ministro, Adriano Maleiane, feita ao novo PCA do INAMAR, Isaías Mondlane.

Isaías Elísio Mondlane é o novo presidente do Conselho de Administração do recém-criado Instituto Nacional do Mar, em substituição do Instituto Nacional da Marinha, que tinha limitações na sua área de actuação.

Isaías Mondlane é o primeiro PCA do INAMAR, por isso recaem sobre si muitos desafios, como regulador e fiscalizador das actividades marítimas.

“Desafiamos ao recém-empossado presidente do Conselho de Administração do INAMAR, Isaías Mondlane, a colocar no topo das suas prioridades a necessidade de assegurar o exercício cabal da autoridade marítima nas áreas sob a sua jurisdição, nomeadamente, marítima, lacustre, fluvial e zonas costeiras, fiscalização de actividades nesses espaços e o cumprimento de normas relativas à protecção dos ecossistemas marinhos e costeiros”, exortou Adriano Maleiane.

O Primeiro-ministro desafiou, ainda, ao novo titular da pasta do INAMAR o desenvolvimento de medidas que assegurem a exploração sustentável, conservação e preservação dos ecossistemas aquáticos e a realização e coordenação de actividades de busca e salvamento.

A preservação do ambiente marítimo foi, também, apontada como prioritária pelo Primeiro-ministro – um desafio que surge com a exploração de hidrocarbonetos.

“Esperamos que os gestores do INAMAR continuem a apostar na inovação e modernização da instituição, de modo a que esteja à altura de fazer face aos novos e múltiplos desafios que se impõem ao sector.”

Isaías Mondlane disse estar pronto para fazer face aos desafios. “Nós estaremos muito atentos à questão da fiscalização marítima, pois o nosso espaço marítimo é vasto; são 572 mil quilómetros quadrados que temos de fiscalizar, para que não haja pesca e prática de outras actividades ilegais como a pirataria marítima.”

Até à altura da sua nomeação, Isaías Mondlane exercia o cargo de administrador do distrito da Matola, na Província de Maputo.

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e o sector privado nacional discutem como financiar o agro-negócio para minimizar a crise alimentar causada pela guerra na Ucrânia. Actualmente, os patrões queixam-se das elevadas taxas de juro praticadas no país.

As actuais condições de acesso a financiamentos criam barreiras ao desenvolvimento do sector do agro-negócio no país. Com o aumento das taxas de juro, as pequenas e médias empresas (PME) ficaram sufocadas.

“A agravar esta situação, já existem PME que fizeram contratos com o BAD e que, agora, se vêem com graves dificuldades para o pagamento, devido ao agravamento das taxas de juros e apresentamos esta questão ao BAD para revisitarmos este ponto”, esclareceu o presidente do Conselho Empresarial Nacional da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Fernando Couto.

Neste contexto, o BAD, que aprovou, recentemente, o financiamento de 1,5 biliões de dólares para agricultores africanos evitarem a crise alimentar provocada pela guerra na Ucrânia, revela que está em discussão o valor a alocar ao país.

“O investimento destina-se a todos os sectores envolvidos na agricultura, para fazer com que o continente africano venha suportar a crise. Queremos que a CTA saiba sobre os nossos projectos e acções a serem desencadeadas pelo Banco Africano de Desenvolvimento”, esclareceu o representante residente do BAD, Cesar Abogo, em conferência de imprensa.

Um dos mecanismos para minimizar a crise alimentar em Moçambique é a implantação do projecto de desenvolvimento integrado Pemba-Lichinga, que visa melhorar a produtividade agrícola e desenvolver o agro-negócio nas províncias de Niassa, Pemba e Nampula.

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