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Vinte e um autocarros entraram, esta sexta-feira, em funcionamento para turismo doméstico nas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane. A TPM-TUR investiu cinquenta e cinco milhões e trezentos mil Meticais para aquisição destas viaturas.

Segundo o director nacional de Turismo, Cândido Langa, a nova frota vai impulsionar a oferta no sector e aumentar a capacidade diária de transporte para 890 pessoas de uma só vez.

No novo lote, destacam-se dois autocarros executivos equipados, de modo a dar conforto e segurança aos passageiros e que constituem o primeiro lote de cinco que devem chegar a Moçambique nos próximos dias.

“Este investimento vai responder à demanda pelo transporte para passeios turísticos e eventos, dos visitantes que escolhem o nosso país como destino turístico preferencial para os seus retiros e cerimónias de vária ordem”, explicou Lourenço Albino.

Num outro desenvolvimento, o responsável lembrou que, em Agosto do ano passado, o Governo introduziu o Pacote de Aceleração Económica, que abrange vários sectores. No âmbito do turismo, há, por exemplo, o Sistema Electrónico de Emissão de Vistos para Cidadãos Estrangeiros, denominado e-Visa.

“Espera-se que este sistema venha a simplificar o processo para a obtenção de vistos de entrada no país, combater a corrupção, melhorar o ambiente de negócios, incentivar a boa governação, atrair mais investimento estrangeiro, impulsionar a actividade turística em Moçambique, incrementar o número de visitantes e de receitas, entre outros benefícios directos.”

Contudo, “as várias medidas em curso não terão impacto se não garantirmos que os nossos destinos disponham de serviços turísticos e complementares ao turismo. A oferta destes serviços tem impacto positivo não só no visitante, mas sobretudo nas populações que vivem em áreas turísticas e fazem uso de tais serviços diariamente”, afirmou o PCA da TPM-TUR.

Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração da TPM-TUR, Lourenço Albino, disse que a empresa se destacou, muito cedo, na prestação de serviços de transporte executivo, voltado para o mercado nacional, na área de turismo, e dispõe de frota de 67 autocarros distribuídos pelas cinco delegações, nomeadamente Pemba (primeira delegação), Nampula, Tete, Beira e Palma.

“Em 2015, e daí em diante, seguiram-se vários investimentos que permitiram à empresa sair do vermelho acumulado nos primeiros dois anos de exercício, bem como honrar os nossos compromissos com os sócios”, disse o dirigente.

Cândido Langa destacou a importância do turismo no crescimento da economia nacional. “O turismo e transporte são duas coisas indissociáveis”, começou por destacar para, depois, referir que “o investimento hoje feito pela TPM-Tur vai responder à demanda pelo transporte para passeios turísticos e eventos, dos visitantes que escolhem o nosso país como destino turístico preferencial para os seus retiros e cerimónias de vária ordem”, realçou o director nacional de Turismo.

Langa desafiou o sector privado a investir no transporte turístico e a continuar a promover Moçambique como um destino turístico, com vista a incrementar o fluxo de turistas nacionais e estrangeiros.

A TPM-TUR, sociedade criada em 2014, na sequência da extinção da empresa Transporte Público de Maputo (TPM), é detida pela EMTPM, E.P, ETM, E.P e pela Sky Rent Lda. A empresa iniciou as suas operações em 2015.

Moçambique deverá, em breve, sair da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira (GAFI). Para o efeito, o Governo vai criar uma legislação que responda às exigências daquela instituição intergovernamental, segundo o secretário permanente do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos.

O combate aos crimes de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo ainda representa um desafio em Moçambique, que, em Outubro passado, foi colocado numa lista cinzenta.

Com vista a buscar estratégias para reverter o cenário e responder às exigências do Grupo de Acção Financeira Internacional, o Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos juntou diferentes instituições do Estado e parceiros de cooperação, esta segunda-feira, na Cidade de Maputo.

“Além de prejudicar a economia, a situação coloca-nos numa situação não confortável, porque não conseguimos ajustar-nos naquilo que são os padrões internacionais de combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo”, explicou Manuel Malunga, secretário permanente do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos.

Falando à margem de um encontro, Malunga disse que será criada uma legislação específica. “Estamos na lista cinzenta precisamente por não termos um regime jurídico efectivo. Com a aprovação deste regime, poderemos sair da lista cinzenta para outra, porque não é confortável, não conseguimos controlar a movimentação dos capitais.”

No encontro com duração de três dias, participam, além do Ministério da Justiça, o Gabinete de Informação Financeira do Estado e o Banco de Moçambique.

Depois de visitar, ontem, a zona industrial de Afungi, a aldeia de reassentamento de Quitunda, as vilas de Palma e Mocímboa da Praia, o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, concluiu que a situação na província de Cabo Delgado melhorou significativamente como resultado da acção das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique que têm contado com o apoio das forças da SAMIM e do Ruanda.

Para melhor avaliar as condições de retoma das suas actividades, suspensas devido ao terrorismo na região norte do país, a empresa contratou um especialista para lhe aconselhar sobre a situação humanitária na província de Cabo Delgado.

No fim da sua visita a Cabo Delgado, Patrick Pouyanné reuniu-se com o Presidente da República, Filipe Nyusi, em Pemba, capital de Cabo Delgado, com quem discutiu todos os aspectos relacionados ao projecto bilionário Mozambique LNG, a ser desenvolvido na Área1 da Bacia do Rovuma, incluindo a situação humanitária e de segurança na província.

“No encontro, o Presidente da República e o CEO da TotalEnergies reconheceram que o regresso da população à vida normal, bem como o restabelecimento gradual dos serviços públicos, estão a decorrer a bom ritmo”, refere um comunicado de imprensa do Ministério dos Recursos Minerais e Energia enviado ao “O País”.

Segundo a nota de imprensa, Mozambique LNG é o primeiro projecto a ser desenvolvido em terra e inclui o desenvolvimento dos campos Golfinho e Atum localizados na Área1, no mar, e a construção de duas unidades industriais de liquefação de gás com capacidade total de 13,1 milhões de toneladas por ano.

Lembra ainda o comunicado que a TotalEnergies EP Moçambique Área1 Limitada, subsidiária detida em 100% pela Total Energies SE, opera o projecto Mozambique LNG com uma participação de 26,5%, juntamente com a Mitsui EP Mozambique Área1 Limited (20%), a ENH Rovuma Área 1 S.A (15%), a ONGC Videsh Rovuma Limited (10%), a Beas Rovuma Energy Mozambique B.V (10%) e a PTTEP Mozambique Área 1 Limited (8.5%).

A consultora Fitch Solutions prevê um aumento na produção de gás, na África Subsaariana, de 80,5 mil milhões de metros cúbicos para 135,2 mil milhões em 2032. De acordo com a projecção, Moçambique será um dos principais produtores e exportadores do recurso.

Num relatório sobre o sector do gás natural na região subsaariana de África, os analistas da consultora Fitch Solutions destacam Moçambique, Nigéria, Mauritânia e Senegal como os grandes impulsionadores da subida de produção e exportação de gás natural.

“O FLNG Coral, da Eni, é o primeiro de três projectos planeados para Moçambique e deverá entrar em funcionamento no segundo semestre deste ano, posicionando Moçambique como um produtor e exportador líquido de LNG”, escrevem.

A consultora alerta, no entanto, que a situação de insegurança no Norte do país continua a colocar um grande risco para o regresso das operações da TotalEnergies e para a Decisão Final de Investimento da ExxonMobil.

“Antevemos que o primeiro gás da TotalEnergies comece a ser produzido em 2026 e a que a Decisão Final de Investimento da ExxonMobil ocorra este ano, com a primeira produção em 2027”.

Segundo projecções da Fitch Solutions, a produção de gás natural na África Subsaariana deverá subir em cerca de 54 mil milhões de metros cúbicos daqui a nove anos.

“A nossa perspectiva para a evolução da produção de gás natural na África Subsaariana é positiva; prevemos que a produção aumente dos actuais 80,5 mil milhões de metros cúbicos para 135,2 mil milhões de metros cúbicos em 2032, com a maior área de investimento na região nos próximos anos a ser a expansão da capacidade de exportação de gás natural liquefeito.”

A região da África Subsaariana está “bem posicionada para se beneficiar do aumento da procura do seu gás”, sublinham, lembrando as consequências da invasão à Ucrânia pela Rússia e a vontade dos europeus de diversificarem as fontes de compra de gás, procurando afastar-se do gás russo.

“A expansão da infra-estrutura de gás natural é crucial para potenciar a procura na região; alguns mercados na região estão lentamente a fazer progressos neste sentido”, dizem, apontando o exemplo de Moçambique, que planeia construir, a partir do princípio deste ano, um “terminal de importação de gás no sul [Matola LNG] que daria ao país uma fonte fiável de fornecimento de gás para assegurar a crescente procura.”

Na nota, os analistas concluem que “apesar de haver custos iniciais substanciais na fase de construção, expandir a infra-estrutura de importação de gás natural liquefeito é essencial para desbloquear a procura de gás natural na região” e fomentar a exportação.

Neste contexto, a Nigéria será fundamental, uma vez que vai representar quase metade da procura interna de gás na região, que precisa de mais infra-estruturas para potenciar a procura por parte dos seus habitantes locais, algo que os decisores políticos já perceberam e estão a tentar resolver, nota a Fitch Solutions.

Moçambique tem três projectos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da Bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado.

Dois desses projectos têm maior dimensão e prevêem canalizar o gás do fundo do mar para terra, arrefecendo-o numa fábrica para o exportar por via marítima em estado líquido.

Índice de desempenho dos portos que manuseiam contentores coloca o Porto da Beira na posição 270, de um total de 370 portos avaliados. Analistas do Banco Mundial consideram que carga contentorizada leva menos tempo no Porto da Beira em relação a portos como o de Durban e o de Cape Town, na África do Sul, e o de Luanda, em Angola.

O Porto da Beira, na província de Sofala, é o mais eficiente na África Austral e o sexto com maior rapidez no manuseamento de carga na África Subsaariana. A constatação é do mais recente relatório do Banco Mundial sobre o desempenho dos portos que manuseiam carga contentorizada no mundo.

O índice avaliou um total de 370 portos de carga contentorizada ao redor do mundo e colocou o Porto da Beira na posição 270. Na África Austral, a infra-estrutura é a mais eficiente, visto que está à frente de todos os portos da região, a exemplo do Porto de Maputo, que aparece na posição 321, do Porto de Durban na posição 364, Cape Town na posição 365, estes dois na vizinha África do Sul, e o Porto de Luanda, Angola, na posição 366.

Já na região da África Subsaariana, Beira é o sexto porto mais eficiente. Os três portos mais eficientes da região são o Porto de Matadi, na República Democrática do Congo, na posição 170, seguido do Porto de Berbera, na Somália, na posição 184, e o Porto de Conacry, na República do Guiné, na posição 242.

Jan de Vries, administrador delegado da Cornelder de Moçambique, gestora do Porto da Beira, explica que os analistas do Banco Mundial fazem a avaliação com base “na informação publicamente disponível e através de satélites, pelos quais conseguem ver quanto tempo os navios permanecem no porto. Eles conseguem ver, para cada tipo de navio, onde é que tem o melhor serviço para cada um dos portos, em função do tempo que o navio fica no porto e a produtividade de cada navio”.

Em relação à classificação que a infra-estrutura conseguiu alcançar a nível da região e do continente, o administrador da Cornelder de Moçambique explica que o feito resulta do investimento em infra-estruturas, equipamentos, sistemas e pessoas.

“Para um terminal ser eficiente, é preciso investir em infra-estruturas e nós investimos na expansão do nosso parque de contentores, na armazenagem, na reabilitação dos cais, em guindastes modernos – parte deles consegue carregar dois contentores ao mesmo tempo e nas infra-estruturas de acesso para assegurar que os camiões podem entrar e sair o mais rápido possível”, explicou.

O Porto da Beira manuseia, actualmente, cerca de 300 mil contentores de carga por ano e projecta, a breve trecho, duplicar essa quantidade para cerca de 700 mil contentores manuseados por ano. Para Jan de Vries, o segredo está em investir em dois factores fundamentais: as pessoas e os sistemas.

“No nosso terminal de contentores, está tudo interligado. Nós temos cerca de 50 máquinas a circular no parque e tudo está interligado, através de um sistema informático. Cada contentor que circula no parque é registado automaticamente no sistema, onde os nossos profissionais de planificação conseguem optimizar o plano de embarque e, desta forma, ganhar eficiência.”

O ministro dos Transportes e Comunicações reagiu, hoje, à classificação do Banco Mundial, considerando o factor como um elemento que demonstra que os portos nacionais estão cada vez mais competitivos.

“Já há semanas, o Porto de Maputo tinha demonstrado ter sido o porto que conseguiu crescer mais que todos os portos de África. Temos aqui o crescimento acelerado e a eficiência dos portos, estando no topo da África Subsaariana”, disse Mateus Magala, avançando que “com o Porto de Nacala a ser reabilitado e, provavelmente, a ser inaugurado antes de Junho, nós pensamos que estão criadas as condições para Moçambique ser mais relevante e competitivo na região”.

A Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) moçambicano cresça 5% este ano. Este é o maior crescimento do PIB entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) no corrente ano.

O mais recente relatório da Organização das Nações Unidas sobre a Situação Económica Mundial e Perspectivas para o ano 2023 revela que o Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique vai crescer no período em análise. A variação ronda os 5%.

Já para 2024, a tendência mantém-se, com a ONU a projectar um crescimento do PIB de Moçambique de 7,5%. Por outro lado, a Organização estima que a inflação se fixe em 8,9% no país em 2023.

Numa visão geral, a inflação global deverá permanecer elevada em 2023, em 6,5%, e a produção mundial desacelerará face a 2022, fixando-se em 1,9%, anunciou a ONU, pedindo aos governos que evitem a austeridade.

Segundo o relatório, uma série de choques graves como a pandemia da COVID-19, a guerra na Ucrânia e consequentes crises alimentar e energética, aumento da inflação, aperto da dívida, assim como a emergência climática, agravou-se em 2022 e continuará a ter impacto na economia mundial em 2023.

As perspectivas económicas apresentadas pelas Nações Unidas são “sombrias”, quer para as economias desenvolvidas, quer para as em desenvolvimento, em que dominam as perspectivas de recessão para este ano.

“O ímpeto de crescimento enfraqueceu significativamente nos Estados Unidos, na União Europeia e em outras economias desenvolvidas em 2022, impactando negativamente o restante da economia global através de vários canais. O aperto das condições financeiras globais, junto a um dólar forte, exacerbou as vulnerabilidades fiscais e de dívida nos países em desenvolvimento”, analisa o texto.

Refira-se que o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento económico de 4,9% em 2023 para Moçambique, uma percentagem um pouco abaixo daquela feita pelo Governo moçambicano, que indica uma subida de 5% no próximo ano.

O custo do dinheiro poderá aumentar a partir de Abril, avisa a Associação Moçambicana dos Bancos. A mexida surge na sequência da recente decisão do Banco Central de agravar os coeficientes de reservas obrigatórias.

Há pouco mais de duas semanas, o Banco de Moçambique decidiu agravar os coeficientes de reservas obrigatórias em moeda nacional, de 10,5% para 28,0%, e em moeda estrangeira, de 11,5% para 28,5%.

A decisão, segundo a Associação Moçambicana dos Bancos, agrava de forma significativa os custos de intermediação dos bancos, implicando uma redução nas taxas de depósitos dos clientes. Diz ainda que a decisão retira um montante significativo de liquidez que existia no sistema financeiro.

Devido à redução substancial da liquidez disponível nos bancos comerciais, a associação explica ainda que os bancos passam a ter de imobilizar no banco central 28 Meticais por cada 100 Meticais captados e 28,5 dólares por cada depósito de 100 dólares, sem qualquer remuneração.

“Para o caso da moeda nacional, a partir de 1 de Abril, os clientes irão percecionar um acréscimo no custo do crédito devido ao impacto que a subida do coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional tem no mecanismo de cálculo PRSF, que é a taxa de referência para o crédito no sistema financeiro de Moçambique.”

Segundo a Associação Moçambicana dos Bancos, o impacto será sentido no mercado de forma faseada em função da eficiência do sistema financeiro nacional.

Os bancos decidiram, por enquanto, manter a taxa de referência para créditos bancários, Prime Rate, a vigorar este mês de Fevereiro, nos 22,60%. Esta é a segunda vez consecutiva em que a associação mantém a taxa referida, depois de, em Dezembro, ter decidido aumentar a referida taxa de 20,60% para 22,60%, a maior subida dos últimos 22 meses.

“No quadro da implementação do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano, a Associação Moçambicana de Bancos (AMB) comunica o Indexante Único, o Prémio de Custo e a Prime Rate a vigorar no mês de Fevereiro de 2023”.

O Indexante Único é a taxa média medida pelo volume das operações efectuadas no Mercado Monetário Interbancário para o prazo de vencimento de um dia útil, nomeadamente as operações na taxa de juro de política monetária (taxa MIMO) entre o Banco de Moçambique e os bancos comerciais, actualmente fixada em 17,25%. O Indexante Único é calculado mensalmente pelo Banco de Moçambique.

O Prémio de Custo é a margem que representa os elementos de risco da actividade bancária não reflectidos nas operações do mercado interbancário, o qual é adicionado ao Indexante Único para constituir a Prime Rate do Sistema Financeiro Moçambicano. O Prémio de Custo é calculado trimestralmente pela AMB, com base numa metodologia que toma em conta o rating do país, o rácio do crédito em incumprimento, o rácio de crédito saneado e o coeficiente de reservas obrigatórias para passivos em moeda nacional.

A Prime Rate do Sistema Financeiro Moçambicano é a única taxa de referência para as operações de crédito de taxa de juro variável e resulta da soma do Indexante Único e do Prémio de Custo. Esta taxa aplica-se às operações de crédito contratualizadas (novas, renovações e renegociações) entre as instituições de crédito e sociedades financeiras se os seus clientes, acrescida de uma margem (spread) que será adicionada ou subtraída à Prime Rate, mediante a análise de risco de cada categoria de crédito ou operação em concreto. O Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano visa promover uma maior transparência no processo de fixação das taxas de juro variáveis no mercado e melhorar o mecanismo de transmissão da política monetária.

Refira-se que, na última semana, o Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique, decidiu manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 17,25%. A medida é sustentada pelos elevados riscos e incertezas associados às projecções de inflação, com destaque para os efeitos da persistência da tensão geopolítica na Europa e do abrandamento da procura externa, não obstante as perspectivas de retorno da infla`1ção para um dígito, no médio prazo.

Os patrões estão expectantes em relação à provável retoma das actividades da TotalEnergies no projecto de gás da Bacia do Rovuma. Já em relação à recente corte da carga fiscal, o sector privado mostra-se ainda insatisfeito e propõe mais reduções.

Recentemente, o Imposto sobre o Valor Acrescentado foi reduzido de 17 para 16% e o IRPC baixou de 32% para 10 % nas áreas da agricultura, aquacultura e transporte público de passageiros, como forma de aliviar o sector privado.

Essas medidas ainda não satisfazem os patrões, que, numa reunião de reflexão, onde procuram por elementos para discutir com o Governo, propuseram mais reduções do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas para vários outros sectores.

“E notamos que alguns impostos precisam de ser revistos; o Governo deu um passo, mas não é o suficiente. Temos que ser claros, não é o suficiente e também temos taxas que sobrepõem alguns impostos, que são altos, não há dúvidas. Eu posso dizer que o próprio IRPC 32% sobre os rendimentos não é fácil se repararmos para aquilo que é a robustez das nossas empresas; não é possível pagar isso. Então, temos que fazer uma reflexão geral para que possamos trazer uma proposta concreta ao Estado, pode ser aceite essa proposta, como não. Como é que um empresário nacional pode crescer com esses impostos altos? Como é que um empresário nacional pode crescer com taxas de juros altas? Não é possível”, lamentou Felix Machado, presidente do Pelouro de Política Fiscal, Aduaneira e Comércio Internacional da CTA.

A fonte diz ainda que os patrões se mostram entusiasmados com a provável retoma de actividade da multinacional TotalEnergies em Cabo Delgado. Uma das expectativas das empresas do sector privado é o pagamento das dívidas aos fornecedores.

“Está a ser resolvido, é um processo complexo porque muita gente investiu num processo no qual não está a operar e sabemos quais são as causas para ficar quebrado. E esta retoma traz um oxigénio para o sector privado da possibilidade de essas dívidas serem finalizadas e provavelmente eles iniciarem as suas actividades, afinal fizeram investimentos, outros vias empréstimos bancários que estão hoje sufocados, temos que reparar na externalidade desses empresários a quem vai trazer alguns aspectos positivos.”

A CTA espera ainda que a multinacional contribua em várias outras áreas de desenvolvimento no país.

“Não é suficiente a retoma; temos que ver, mais tarde, a contribuição que a TOTAL traz para ao país, não só repararmos naquilo que eles vão tirar daqui para fora. Queremos a contribuição efectiva ao país, o impacto, as externalidades que saem dessas actividades, isso é que interessa“.

Depois daquele encontro, será produzido um documento a ser encaminhado ao Governo com as propostas de redução de impostos e taxas que se sobrepõem aos impostos.

O Presidente da República diz que já foi seleccionada a empresa que vai prover seguros contra os efeitos nefastos das mudanças climáticas. Segundo Filipe Nyusi, esta medida vai permitir que o país esteja mais preparado para responder às emergências e garantir melhor capacidade financeira para rápida resposta.

A informação foi avançada pelo Chefe de Estado, esta segunda-feira, durante a sua intervenção por ocasião da cerimónia de entrega do Prémio Nacional de Gestão do Risco de Desastres, Ambiente e Mudanças Climáticas.

Trata-se da primeira edição do prémio nacional, que visa a valorização dos actores sociais, que se destaquem pelas acções positivas em prol do ambiente.

Para o Presidente da República, a existência de um seguro contra as calamidades é uma inovação que deve ser levada a sério por vários actores da sociedade, pois vai permitir a existência de capacidade de reconstrução dos bens perdidos durante as intempéries.

“Neste momento, no âmbito do programa de gestão de riscos de desastres e resiliências, ciclones tropicais e precipitação, o Governo em parceria com o Banco Mundial já contratou uma seguradora para prover o seguro soberano contra desastres naturais, ciclones e precipitação. Naturalmente, este processo vai exigir a alteração da legislação existente sobre seguros no país”, disse Nyusi.

Filipe Nyusi disse ainda que o Governo não consegue responder prontamente a todas as necessidades, mesmo com a ajuda dos doadores, por isso a necessidade da “existência de um fundo que vai aumentar a capacidade de o país prevenir e ou responder prontamente e assim evitar reduzir o número de vítimas humanas e de bens”.

Falando esta segunda-feira, o galardoado, sem avançar detalhes sobre a seguradora já seleccionada, chamou atenção ao sector privado para apostar nesta iniciativa de modo a reduzir os impactos das calamidades, mas também abraçar um novo nicho de mercado (para empresas seguradoras), no entanto estas devem trabalhar com honestidade, transparência e servir aos interesses gerais e não usar a oportunidade para tirar proveito daquilo que chamou de “momento de desgraça”.

 

NYUSI GALARDOADO COM PRÉMIO NACIONAL DE GESTÃO DE DESASTRES

É a primeira edição do prémio e o galardoado é o Presidente da República, que recebeu o prémio promovido pela Revista Banca e Seguros, com o apoio do Governo, através do Ministério da Economia e Finanças e do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD).

Chamado a receber, Filipe Nyusi dedicou o prémio a todos os moçambicanos, por considerar “a resiliência de cada um que foi assolado por intempéries”, mas manteve-se em pé e lutou para reconstruir a sua vida.

Nyusi considerou ainda que esta homenagem é também o reconhecimento do sector privado ao trabalho que as instituições do Estado têm desenvolvido e “os esforços na luta contra os impactos nefastos dos desastres naturais, no continente africano, no geral e em Moçambique, em particular, e pelas bem-sucedidas reformas institucionais”.

Apesar deste trabalho, Nyusi apela ao envolvimento de todos os segmentos da sociedade na busca de financiamento para a redução da vulnerabilidade financeira – principalmente às empresas privadas, pois muitas estão mais centradas em assegurar viaturas e outros bens, mas é preciso apostar mais em seguros contra calamidades.

Nyusi disse mais: “É preciso sermos mais criativos e inovadores na adopção de medidas para a prevenção dos desastres”.

Recorde-se que esta é a terceira distinção do Presidente da República, em menos de um ano, sobre a prevenção e combate às mudanças climáticas.

Em Fevereiro de 2022, foi nomeado, pelo Presidente da União Africana em exercício, Campeão da União Africana para Gestão do Risco de Desastres Naturais. A distinção foi em reconhecimento aos seus esforços de luta contra os impactos dos desastres naturais, sendo que Moçambique foi destaque pela forma como está institucionalmente organizado para lidar com fenómenos naturais extremos e pela sua capacidade de evitar a perda de vida e de bens.

Sete meses depois, isto é, em Setembro do mesmo ano, a Universidade Eduardo Mondlane (UEM) outorgou Filipe Nyusi o título honorífico de Doutor Honoris Causa, por entender que “Chefe de Estado liderou a advocacia frente aos decisores a nível regional e internacional para a implementação de medidas efectivas nos programas de conservação e na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas”.

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