O País – A verdade como notícia

O Presidente da República, Filipe Nyusi, procede hoje, em Ricatla, distrito de Marracuene, na província de Maputo, à inauguração da 58ª Edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM).

A presente edição da FACIM vai decorrer de 28 de Agosto à 02 de Setembro de 2023, sob o lema “Industrialização: Inovação e Diversificação da Economia Nacional”.

Espera-se pela participação de cerca de 2500 expositores nacionais e estrangeiros, segundo projecções da organização.

Dos expositores, 2060 são nacionais e 450 são empresas estrangeiras em representação de 25 países.

O lançamento da 58 edição da FACIM foi procedido pelo presidente da República, Filipe Nyusi, que neste momento visita os pavilhões montados.

Espera-se que a FACIM seja aderida por mais de 50 mil visitantes, até 3 de Setembro.

A garantia foi dada pelo PCA da instituição. Julião Cumbane, explicou  que a grande dificuldade é o financiamento aos projectos.

Criado em 2008, o Parque de Ciência e Tecnologia, localizado no Posto Administrativo de Maluana, distrito da Manhiça, passou, em 2014, para a gestão da Empresa Nacional de Parques de Ciência e Tecnologia. Nove anos depois, a gestão da infra-estrutura é feita com dificuldades financeiras, sobretudo no que diz respeito à materialização dos projectos.

“A situação real do Parque é que ainda é uma empresa dependente das subvenções do Estado para crescer. O que nós fizemos foi criar a empresa Parque de Ciências e Tecnologia e não fomos continuando a fazer os investimentos que se requerem,  para que a empresa pudesse ficar sustentável a breve trecho”, disse o Presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Parques de Ciência e Tecnologia, Julião Cumbane.

Segundo o PCA da instituição pública, que falava à margem de uma visita do Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane, são necessários cerca de 30 milhões de Meticais, para que a empresa execute quatro projectos que tem em “manga”.

Ainda assim, Julião Cumbane garante que “esses investimentos estão a ser feitos agora e a empresa está gradualmente a sair da zona vermelha. Em 2017, a empresa estava a registar um prejuízo acumulado de 31 milhões de Meticais. Mas as nossas previsões é que, ainda este ano, a empresa vai sair da linha vermelha”.

Criado para ser um modelo nacional e mundial de pesquisa em tecnologia e ciências, o Parque tem capacidade de realizar formações em segurança cibernética e digitalizar documentos e dados. O que é de grande importância, numa altura que muitas empresas públicas recorrem a países estrangeiros para realizar esse processo, gastando recursos que podiam investir noutra área, de acordo com a mesma fonte.

Esta sexta-feira, quadros da empresa apresentaram estas vantagens, projectos e preocupações ao Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane.

Por sua vez, Maleiane não prometeu soluções imediatas, mas garantiu que a recuperação da empresa é a prioridade do Governo.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, defendeu, hoje, que as instituições como o Fundo Monetário Internacional não podem ser usadas para resolver rivalidades geopolíticas. Filipe Nyusi falava na sessão alargada dos BRICS, cuja cimeira terminou hoje.

O Presidente da República chegou a Joanesburgo para atender a um convite formulado para ele e para vários outros países africanos. Na sala de plenário, Filipe Nyusi falou de como pensa que deviam ser feitas a distribuição e a gestão das instituições multilaterais.

Filipe Nyusi defende que os BRICS devem ser tidos como mecanismo adicional de financiamento e não que substitua os outros já existentes. Por falar em novos, o Chefe de Estado elogiou a criação do Novo Banco de Desenvolvimento, também conhecido como Banco dos BRICS.

À margem da sua participação nos BRICS, Filipe Nyusi ainda arranjou tempo para receber, em audiência, o Primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi, um dos líderes dos BRICS.

Os deputados da Comissão de Agricultura, Economia e Ambiente (CAEA) da Assembleia da República (AR) enaltecem o trabalho que está a ser realizado pela empresa Dingsheng Minerais, que explora as áreas pesadas de Chibuto, com vista a retoma da exportação de minérios a partir de Dezembro próximo.

Este sentimento foi expresso, esta semana, pela Relatora da CAEA, Glória Salvador, naquele distrito da província de Gaza, durante uma visita de trabalho que um grupo dos deputados daquela comissão efectuou àquela mineradora, no âmbito de fiscalização parlamentar, tendo explicado que a retoma de exportação de minérios é bem-vinda, na medida em vai contribuir para impulsionar o desenvolvimento da economia do país.

A parlamentar sublinhou que a empresa deve fazer a exploração de minérios sempre com a observância rigorosa de questões ambientais para o bem-estar das comunidades, fechando, no fim do projecto, por exemplo, as covas abertas aquando da extracção dos mineiros, para que as comunidades possam voltar a usar aquelas terras.

Por seu turno, o técnico de laboratório da Dingsheng Minerais, Dicla Chirima, informou aos deputados que a empresa vai recomeçar a exportar o seu minério em Dezembro próximo, logo que as obras de construção da Doca do distrito de Chongoene terminar em Novembro do corrente ano.

De acordo com a fonte, a empresa tinha iniciado a exportação do minério, antes da COVID-19 em regime experimental. “Agora, estamos a produzir, temos, nos nossos armazéns, mais de 25 000 toneladas de minérios disponíveis para o mercado, à espera da conclusão das obras de construção da Doca, para, a partir do mês de Dezembro do presente ano, começarmos a escoar o produto que já tem mercado à espera devido ao seu maior valor comercial”, disse Chirima.

Questionado como é que a empresa tem acautelado as questões ambientais, Chirima disse que a empresa não foge daquilo que a legislação do país prevê, explicando que existe um plano de reposição das áreas retiradas.

“A nossa legislação é rigorosa quanto a este aspecto, pois, nela, estão patentes os procedimentos de como é que as empresas devem corrigir os danos ambientais causados pela exploração mineira, frisou Chirrima, para quem a empresa tem a obrigação de criar condições de fazer com que a lei seja cumprida.

O técnico de laboratório da Dingsheng Minerais acrescentou que “a empresa está ciente das suas obrigações, mas é prematuro dizer quando é que começa o processo de tapamento das covas, pois a empresa está na fase inicial de exploração”.

Avaliado em 400 milhões de dólares norte-americanos, o projecto das areias pesadas de Chibuto emprega, actualmente, cerca de 642 trabalhadores, dos quais cinco mulheres moçambicanas, que trabalham nas machambas e limpezas, e uma chinesa, que trabalha na logística, número que poderá aumentar com a retoma de exportações, para 3000 postos de emprego até 2024.

O reduzido número de mulheres naquela mineradora preocupa os parlamentares, que instaram o Governo local e a direcção da mineradora a capacitarem a mulher, por forma a fazer parte da empresa, desempenhando tarefas nas áreas técnicas.

As areias pesadas de Chibuto, com grande valor comercial, compreendem cinco tipos de minérios, designadamente, terras raras, rutilo, zircão ilmenitite e titânio, destacando-se o titânio, matéria-prima, a produção de tintas, plásticos, cosméticos e para a fabricação de componentes de aeronaves.

Em Moçambique, 50,1% de Agregados Familiares (AF) têm acesso a energia eléctrica, dos quais, 32% através da rede eléctrica e 18,1% por outras fontes. Isso significa que 49,9% dos AF está sem conexão à rede e nem outras soluções de electricidade, segundo o Inquérito sobre o Impacto do Acesso à Energia Sustentável 2022 do Instituto Nacional de Estatísticas (INE). No que refere à área de residência, os resultados indicam que 71,2% dos AF da área urbana tem acesso à energia eléctrica da rede nacional enquanto na área rural, o maior acesso à electricidade é através de outras fontes (23,6%). Refira-se que na área rural a maior parte dos AF vive sem conexão à rede, sem outras soluções de electricidade (63,3%).

O Inquérito sobre o Impacto do Acesso à Energia Sustentável 2022 do INE revela que o acesso e ligação à electricidade no país é de, 50,1% de AF, sendo 32,% através da rede eléctrica e 18,1% através de outras fontes. Isso significa que 49,9% dos AF estão sem conexão à rede nem outras soluções de electricidade, situação mais grave nas áreas rurais (86,8%), províncias de Tete (84,7%) e na Zambézia (83,3%).

Segundo a distribuição geográfica, a Cidade e Província de Maputo apresentam maior percentagem de AF com acesso à energia eléctrica através da rede nacional/local, com 96,5% e 69,8%, respectivamente. Destacam-se, ainda, as províncias de Cabo Delgado (73,4%), Tete (69,8%), Zambézia (59,1%) e Niassa (57,6%) por apresentarem maior número de AF sem acesso a qualquer fonte de energia eléctrica.

Os poucos domicílios com electricidade na área rural têm maior acesso através de energia solar (85,3%), baterias recarregáveis (74,9%) e baterias de células secas (71,4%) face a área urbana que usa electricidade da rede nacional (72,2%) e gerador eléctrico (58,3%). 8. Cerca de 73% de AF carrega o telefone celular na sua própria casa, da qual a Cidade de Maputo apresenta maior percentagem (95,9%).

Quanto aos níveis gerais de acesso à electricidade destaca-se: Para dimensão de capacidade, ressalta-se que 56,9% dos AF usa electricidade com menos de 3 Watts (W) por dia ou menos de 12 Watts por horas (Wh), ou não têm acesso à electricidade, principalmente em Tete (78%), Cabo Delgado (76%), Zambézia (67,8%), Nampula (67%) e Niassa (65,6%) contra 34,0% de AF com consumo diário de 8,2 kWh, sobretudo na Cidade de Maputo (97,8%) e nas províncias de Maputo (72,6%) e Gaza (59,1%).

Para disponibilidade, 93,6% dos consumidores têm disponibilidade de energia eléctrica por, pelo menos, 23 horas por dia. Para a qualidade, 78,6% dos consumidores não presenciou problemas de interrupções que danificam electrodomésticos. No entanto, 21,4% de consumidores registou interrupções de corrente que danificaram electrodomésticos, com destaque na área urbana (24,3%), na Cidade de Maputo (39,6%), nas províncias de Sofala (27,4%), Maputo (26,5%) e Zambézia (22%).

Para fiabilidade da energia fornecida, o Inquérito revela que 65,9% dos consumidores têm mais de catorze cortes de energia por semana, destacando-se as províncias de Manica, Inhambane e Cidade de Maputo com mais de 80% de AF nessa situação.

Em termos de acessibilidade, 50,5% dos consumidores gastam mais de 5% do rendimento anual com electricidade. 9.6 Quanto à legalidade, quase todos consumidores pagam ao fornecedor de electricidade (96,7%). Todavia, as províncias da Zambézia (15,6%) e Niassa (13,9%) registam maior percentagem de consumidores que não pagam o consumo da electricidade.

No que se refere ao acesso global ao combustível e tecnologias de energias limpas, 40,3% de AF tem acesso a energia sustentável, com maior déficit para área rural (24,8%) contra área urbana (72,7%).

Assim, relativamente aos níveis de tecnologias para cozinha, tem–se aproximadamente 72% dos AF que usa cozinha de baixa conveniência para confeccionar os alimentos, isto é, em cada 7 dias eles gastam mais de 7 horas para adquirir combustível para cozinhar e mais de 15 minutos em preparar o fogão para cozinhar.

Cerca de 95% de AF usa um fogão principal seguro, isto é, sem acidente ligado ao fogão nos últimos 12 meses. 10.3 Quase todos AF gastam mais de 5% da sua renda anual em aquisição de combustível para cozinha, situação mais grave na Cidade de Maputo (99,4%), províncias de Maputo (93,9%) e Niassa (92,1%). 10.4 91,0% dos AF experimentou uma crise de acesso à combustível para cozinhar ao longo dos últimos 12 meses, principalmente na área rural (94,0%) do que na área urbana (84,7%).

Quanto à educação, 24,% de AF com acesso à electricidade, com crianças de 6-14 anos de idade usa energia solar, face a 1,0% de AF sem acesso para fazer lições de casa. Mais de dois terços de AF com acesso à electricidade, seus filhos estudam a lição de casa durante o dia, contrariamente aos 85,6% dos AF sem acesso.

No que se refere à iluminação e segurança públicas, 22,1% de AF com acesso à electricidade tem ruas iluminadas contra 5% dos AF sem acesso a iluminação pública. Cerca de 86,0% de AF com acesso à electricidade tem iluminação pública nocturna contra 87,7% de AF sem iluminação pública nocturna.

O documento revela que mais de 60% de AF com acesso à electricidade sente se completamente segura ao andar sozinha em casa e em locais públicos durante o dia, 41,4% de AF não se sente segura ao andar sozinha durante a noite, para AF sem acesso à eléctricidade, 36,6% não se sente segura ao andar sozinha durante a noite.

Uma força conjunta será criada por Moçambique e Indonésia com o objectivo de alavancar a industrialização, exploração do gás, minérios e outras áreas. O anúncio foi feito, hoje, por Filipe Nyusi, no âmbito da visita ao país de dois dias do seu homólogo da Indonésia.

De visita a Moçambique, desde segunda-feira, Joko Widodo, Presidente da Indonésia, foi recebido, hoje, pelo seu homólogo, Filipe Nyusi.

Após um encontro privado mantido entre os dois Chefes do Estado, na Presidência da República, Nyusi manifestou o interesse do país em usar a experiência da Indonésia na transformação de matéria-prima em diversas áreas.

Segundo Nyusi, aquele país está a registar um desenvolvimento destacável, facto que o colocamos na lista das cinco maiores economias do sudeste asiático, tudo porque optou pela proibição de exportação de alguma matéria-prima, obrigando a instalação (no país) de indústrias transformadoras, que, para além da economia, alavancaram o índice de empregabilidade.

“Uma das experiências que precisamos de aprender da liderança do Governo é o facto de o país estar a libertar-se da dependência da transformação de matérias-primas. No seu país, proibiu a exportação do níquel e cobre. Escava-se e processa-se lá. Contou que mais de 48 empresas nasceram. É uma experiência que deverá ser capitalizada. Claramente, leva tempo criar essas bases, mas com coragem é possível. Temos produtos, não só minérios, que podem começar a ser proibidos de exportar”, disse Nyusi.

Para a efectivação dos objectivos, os governos dos dois países vão criar uma força conjunta, que visa essencialmente o desenvolvimento.

“Vamos criar uma task force que vai actuar a partir de agora em áreas específicas, sobretudo aquilo que os nossos irmãos sabem fazer e o que nós sabemos ou possuímos. Nesta força, os aspectos que terão maior atenção são a industrialização. Ficou claro que eles estão a industrializar o seu país com a experiência que têm, mas também no âmbito do gás, exploração, distribuição e gestão do gás”, avançou o Chefe do Estado.

Os têxteis, pesca, agricultura e produção de equipamentos ferroviários são algumas das áreas de interesse na cooperação entre os dois países.

Estas intenções foram firmadas através da assinatura de dois memorandos de entendimento, um para o controlo de medicamentos e produtos biológicos e outro sobre a cooperação na defesa.

Joko Widodo, que visita o país pela primeira vez, reiterou o interesse do seu país em melhorar as trocas comerciais com Moçambique e vê, na assinatura dos memorandos de entendimento, uma oportunidade para a concretização dos objectivos.

No final do encontro, Filipe Nyusi ofereceu um banquete a Widodo e sua delegação, tendo reiterado o apelo aos empresários dos dois países para fortificarem parcerias.

A agência de notação financeira Fitch Ratings prevê, para Moçambique, um “forte crescimento económico”, com a aceleração do Produto Interno Bruto (PIB) para 6,4% em 2023 e para uma média de 4,9% em 2024/2025. Os dados constam do relatório lançado, há dias, pela agência. Esta projecção é de 0,6 pontos percetuais abaixo da do Governo para este ano.

As perspectivas são baseadas nas projecções do aumento da produção no sector extractivo, com o peso maior do Gás Natural Liquefeito (GNL), conforme a capacidade de produção da plataforma flutuante de GNL Coral-Sul da Eni, que vai aumentar para 70% e 90% em 2023 e 2024, respectivamente. A capacidade total deverá ser de 3,73 milhões de toneladas por ano.

O crescimento ao longo de 2024/2025 será suportado pela retoma da construção do projecto de GNL de 20 biliões de dólares da Total, no primeiro trimestre de 2024, dada a melhoria nas condições de segurança em Cabo Delgado ao longo de 2023.

Entretanto, paralelamente às boas novas na economia, a Fitch também aponta riscos e medidas correctivas a situações negativas no país, a começar pelo Défice Orçamental.

A Fitch espera que o défice orçamental de Moçambique diminua de 4,5% em 2022 para 3,6% do PIB em 2023, impulsionado por receitas mais elevadas e medidas para corrigir o excesso de salários do sector público em 2022.

“A receita aumentará um ponto percentual, reflectindo o aumento da receita fiscal, principalmente do sector de GNL, e a expansão da base de cálculo do imposto de renda pessoal, resultante da reforma da tabela salarial do sector público”, escreve a Fitch.

Entretanto, o relatório avança que as despesas permanecerão inalteradas, pois os gastos relacionados às eleições e os pagamentos de juros, que chocam com a previsão inicial de redução das despesas, baseando no argumento de que “uma redução nos salários e subsídios para funcionários eleitos foram introduzidos para compensar o excesso de dois pontos percentuais nos custos da reforma salarial”.

 

DÍVIDA PÚBLICA: PREVÊ-SE “RISCO DE CRÉDITO SUBSTANCIAL”

 

No capítulo da dívida, a agência de classificação financeira atribui a Moçambique a notação ‘CCC+’, que reflecte níveis elevados de dívida pública, défices fiscais persistentes, fraca gestão das finanças públicas, baixo PIB per capita, fracos indicadores de governação e uma situação de segurança desafiadora.

Porém, o documento refere que “o acordo de uma Linha de Crédito Estendida (ECF) de três anos de USD 456 milhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2022; o impulso positivo no desenvolvimento do sector de Gás Natural Liquefeito (GNL) e as medidas para lidar com a derrapagem fiscal de 2022 fornecem algum apoio para credibilidade”.

Sobre o mercado de obrigações domésticas, a Fitch entende que os pequenos atrasos nos pagamentos de cupões de obrigações governamentais domésticas sem notação (moeda local) têm sido uma característica estrutural do mercado obrigacionista de Moçambique nos últimos anos.

Entre Janeiro e Maio de 2023, além do atraso nos pagamentos de bilhetes de tesouro, o Governo atrasou os pagamentos de capital, reflectindo as pressões de liquidez causadas pelos ciclones e um excesso de despesas com salários do sector público, bem como deficiências significativas na gestão das finanças públicas.

O relatório diz mais acerca da retoma do programa do FMI. Escreve que o efeito é de alívio às restrições de financiamento, a considerar que as amortizações de Moçambique ascendem a 4,1% do PIB em 2023 e poderão atingir 3,5% em 2024, sendo as amortizações externas em média 2,2% do PIB para o próximo ano.

“As necessidades brutas de financiamento serão atendidas por meio de desembolsos externos do sector oficial (FMI, Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento), uso de depósitos e adiantamentos do banco central, bem como emissões no mercado doméstico de títulos.”

Contudo, a derrapagem fiscal em 2022 levou a um aumento significativo no endividamento interno e pode diminuir ainda mais o apetite dos bancos por títulos do Governo, que permanece abaixo dos níveis do primeiro semestre de 2021 e anteriores. “A redução do défice ao longo do nosso horizonte de previsão será fundamental para Moçambique manter o acesso ao financiamento interno”, fundamenta.

 

“ESPERAMOS QUE AS RESERVAS INTERNACIONAIS DE MOÇAMBIQUE AUMENTEM PARA USD 3,0 MIL MILHÕES EM 2023 E USD 3,5 MIL MILHÕES NO FINAL DE 2025”

 

A Fitch espera que o Défice da Conta Corrente de Moçambique diminua substancialmente para 13,5% do PIB em 2023, saindo dos 33% em 2022. A queda reflecte em grande parte uma diminuição significativa nas importações associadas a megaprojectos, depois da importação do GNL flutuante de Coral-Sul (22% do PIB ou USD 4,4 biliões de dólares).

Mas, para os dois anos seguintes, o cenário previsto será inverso. O défice da conta corrente saltará para 35,5% do PIB em 2024 e 37,6% em 2025, devido às importações associadas ao projecto Área 1 LNG da Total.

O impacto dos megaprojectos nas reservas internacionais e na estabilidade externa mais ampla de Moçambique é limitado, uma vez que são totalmente financiados por entradas na conta financeira (investimento directo estrangeiro e créditos comerciais), explica o relatório.

“Esperamos que as reservas internacionais de Moçambique aumentem para três mil milhões de dólares em 2023 e USD 3,5 mil milhões no final de 2025, de USD 2,7 mil milhões em 2022. O aumento das reservas será impulsionado por menores custos de importação de alimentos e combustíveis, uma contribuição marginal das exportações de GNL, e a retoma do projecto GNL Área 1 da Total (12,5% do investimento total terá que ser contratado internamente)”, escreve a Fitch.

Todos os 20 bancos comerciais que operam no país tiveram reclamações ligadas ao crédito dos clientes junto deste grupo de instituições financeiras.

O BCI e o Millennium Bim são os que maior número de reclamações registaram durante o primeiro semestre de 2023.

No total, durante o primeiro semestre de 2023, foram feitas 349 reclamações junto das instituições financeiras que operam no país, o que mostra um nível baixo das queixas formalizadas pelos clientes, considerando o volume de reclamações de utilizadores destes serviços nas redes sociais. 

Crispim Amaral, activista e defensor dos direitos do consumidor, diz que o Banco de Moçambique se baseia apenas nas reclamações escritas e que chegam até à instituição, na medida em que muitos reclamam, mas não o fazem por escrito. Amaral avançou ainda que tem dúvidas de que o Banco Central consiga ter acesso às linhas de clientes destas entidades para apurar o número de reclamações que são feitas por telefone, que, não sua estimativa, são milhares.

Os maiores bancos são os que mais reclamações de clientes receberam. O Millennium Bim e o BCI são os que mais queixas tiveram com um total de 78 e 57, respectivamente. Estes foram seguidos de Bayport (53), Standard Bank (26), Absa (18), Letshego (18), Acess Bank (16), My Bucks (13), Moza Banco (10) e FNB (7), representando o top 10 de bancos comerciais com mais reclamações de clientes.

No geral, os bancos comerciais receberam reclamações sobre créditos dos clientes, durante o primeiro semestre. Isto pode resultar dos aumentos das taxas de juro para o reembolso de financiamentos para empresas e famílias, na sequência das medidas restritivas do Banco de Moçambique.

Outras reclamações patentes em muitos bancos estão ligadas a Central de Registo de Créditos (CRC) e ao Cadastro de Emitentes de Cheques de Provisão (CECSP). No que se refere a CRC, muitas vezes, os bancos comerciais registam erradamente que um determinado cliente está com crédito malparado, o que provoca uma ira nos que são prejudicados na sua relação com a banca. Ademais, os cheques sem provisão são um problema antigo que muitos clientes acreditam haver um conluio com alguns funcionários dos bancos comerciais que fazem vista grossa e não alertam sobre a inexistência de fundos em tal conta bancária e aceitam o depósito de um cheque sem fundos.

Em particular, o Millennium Bim e o BCI tiveram ainda reclamações ligadas às contas bancárias, aos ATM, aos POS e às operações cambiais e de moeda electrónica. 

Igualmente, o ranking dos bancos com mais reclamações muda de figura quando se observa o índice de reclamações, ou seja, o rácio entre o número de queixas por cada 100 mil clientes do banco. Por esta via, o banco com mais reclamações foi AC Microbanco, que, apesar de ter registado uma única reclamação, tem um índice de 3 703,7, segundo os dados do Banco de Moçambique. A classificação dos três principais bancos com mais reclamações é completada pelo Banco Nacional de Investimentos – BNI (479,2) e Bayport (41,5), que registaram um total de três e 53 reclamações, respectivamente, durante o primeiro semestre de 2023.

O defensor dos direitos do consumidor, Crispim Amaral, olha com muita desconfiança para o facto de não haver registo de nenhuma reclamação ligada à qualidade de atendimento, dada a demora a que os clientes são sujeitos nos bancos comerciais.

“Lembro-me de que, no mês passado, tivemos a polémica de os bancos comerciais não disporem de água, nem de casas de banho para clientes que ficam até sete ou mais horas para serem atendidos”, recordou Amaral, dizendo que os inspectores do Banco de Moçambique devem olhar para esta situação e sugerir melhores formas de trabalho às instituições financeiras.  

As autoridades moçambicanas estão a finalizar as negociações com os dois consórcios que venceram o sexto concurso internacional para a pesquisa e produção de hidrocarbonetos, faltando a aprovação e assinatura dos respetivos contratos, disse o executivo.

“As negociações estão praticamente no fim e, no máximo, até finais deste ano, os contratos serão apresentados ao Governo, para que os possa aprovar, para que as operações possam iniciar”, disse o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Carlos Zacarias, que falava aos jornalistas à margem do oitavo Conselho Coordenador do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, que encerrou quarta-feira (16) na cidade de Lichinga, província do Niassa, escreve a Agência de Informação de Moçambique.

O sexto concurso para a pesquisa e produção de hidrocarbonetos foi ganho pelos consórcios liderados pelas empresas italiana Eni e chinesa CNOOC.

Segundo a Lusa, citada pela AIM, o ministro dos Recursos Minerais e Energia avançou que o Governo vai estudar a possibilidade de lançar mais concursos internacionais para a pesquisa e prospeção de hidrocarbonetos, tendo em conta o potencial energético do país.

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