O País – A verdade como notícia

O United Bank for Africa (UBA), em parceiros, anunciou a disponibilização de mais de 25 milhões de meticais para apoiar jovens empreendedores moçambicanos, no âmbito da 12.ª edição do Programa de Empreendedorismo da fundação.

No total, 80 jovens moçambicanos integram o grupo dos 3.200 empreendedores seleccionados em 54 países africanos, beneficiando de financiamento e de um pacote de capacitação destinado a impulsionar os seus negócios.

Segundo a fundação, “o investimento no empreendedorismo é um investimento directo no recurso mais sustentável de África: o seu povo”, sublinhando a aposta contínua na transformação económica do continente através da juventude.

Cada empreendedor seleccionado terá acesso a capital inicial não reembolsável, formação intensiva, mentoria especializada e à plataforma digital TEFConnect. “Mais do que financiamento, o programa oferece ferramentas completas para o desenvolvimento sustentável dos negócios”, refere a organização.

Desde a sua criação, em 2010, a TEF já desembolsou mais de 100 milhões de dólares para apoiar mais de 24 mil empreendedores africanos. Como resultado, mais de quatro milhões de famílias foram impactadas positivamente e cerca de 2,1 milhões de africanos saíram da pobreza.

A fundação destaca ainda que “cerca de 80% dos negócios apoiados ultrapassam a fase inicial”, um desempenho acima da média global, reforçando a eficácia do modelo implementado.

Outro dado de relevo nesta edição é o protagonismo feminino, com 51% dos empreendedores seleccionados a serem mulheres. De acordo com a TEF, “a selecção foi baseada exclusivamente no mérito, demonstrando que, quando têm acesso a oportunidades, as mulheres lideram processos de transformação económica”.

O programa assenta no conceito de Africapitalism, que defende que o sector privado africano deve liderar o desenvolvimento do continente. Neste contexto, a fundação reafirma o seu compromisso com um modelo de crescimento baseado na capacitação interna e na criação de oportunidades para os jovens africanos

A dívida pública em Moçambique subiu 2.16%, entre Janeiro e Dezembro de 2025, de acordo com o relatório  de Gestão da Dívida do Ministério das Finanças, situando-se em 17.1 mil milhões de dólares. A dívida interna, que corresponde à maior parte do bolo, registou um crescimento de 9%, situando-se em 470 milhões de dólares.

Em 2025, o Governo não conseguiu controlar o endividamento público, tendo registado, apesar de mínimo, um crescimento, entre Janeiro e Dezembro, de acordo com o Relatório do Ministério das Finanças. 

O documento indica que o stock da Dívida Pública passou dos iniciais 16.775,3 milhões de USD no primeiro trimestre, para 17.138,1 milhões de USD no quarto trimestre, o que representa um crescimento de 2,16%.

Este aumento foi influenciado pelo crescimento da contratação da dívida interna, em pouco mais de 3 mil milhões de dólares.

“As Obrigações do Tesouro mantêm-se como o principal instrumento da dívida interna, representando 40,8% do total no quarto trimestre, tendo registado um acréscimo de 9% face ao primeiro trimestre e maior emissão no IV trimestre, seguindo os Bilhetes do Tesouro (33,7%), que registaram um aumento de 5,8% face ao primeiro trimestre”.

O documento explica que “no IV trimestre, a estrutura da dívida externa manteve-se estável, com predominância do crédito multilateral, com proporção de 56,3% do total, seguido do crédito bilateral, que apresentou uma ligeira redução no peso (34,5%), e dos títulos MOZAM 2032 (9,2%), cujo stock permaneceu inalterado ao longo do período em análise”.

Em relação ao financiamento para o desenvolvimento, em 2025 o País assinou acordos de donativos com parceiros multilaterais, num total de USD 516,48 milhões de dólares, sendo o maior beneficiário o Ministério da Saúde, com pouco mais de 126 milhões de dólares. 

Com o objectivo de alavancar o empreendedorismo juvenil, o United Bank for Africa, em parceria com a Tony Elumelu Foundation, anuncia este domingo, 22 de Março, os jovens empreendedores seleccionados para a 12.ª edição do seu programa emblemático em África.

A iniciativa prevê apoiar 3200 empreendedores em todo o continente, no âmbito de diversas parcerias estratégicas com instituições internacionais, entre as quais a Heirs Holdings Group, a European Commission, a GIZ e o UNDP.

Segundo o comunicado, o programa recebeu mais de 265 mil candidaturas, oriundas dos 54 países africanos, o que demonstra “o dinamismo do ecossistema empreendedor no continente, bem como a necessidade crescente de financiamento para negócios em fase inicial”. Os sectores mais representados incluem a agricultura, a inteligência artificial, a saúde e a economia verde.

Os candidatos seleccionados beneficiarão de um pacote de apoio, que inclui capital semente não reembolsável no valor de 5 mil dólares, formação em gestão de negócios através da plataforma TEFConnect, mentoria individual e acesso a uma rede alargada de investidores e parceiros.

O processo de selecção é conduzido pela Ernst & Young, garantindo, de acordo com a organização, “rigor, transparência e independência na avaliação das candidaturas”.

Desde a sua criação, a fundação já capacitou mais de 2,5 milhões de jovens africanos e investiu mais de 100 milhões de dólares em capital semente, apoiando mais de 24 mil empreendedores. Estes negócios geraram, em conjunto, cerca de 4,2 mil milhões de dólares em receitas e criaram mais de 1,5 milhão de empregos, contribuindo para retirar 2,1 milhões de africanos da pobreza e impactar positivamente mais de 4 milhões de agregados familiares. Cerca de 46% dos beneficiários são mulheres.

Para Tony O. Elumelu, fundador da fundação, “o futuro de África será construído por africanos que criam empresas, geram empregos e resolvem os desafios do nosso continente. Na Fundação Tony Elumelu, acreditamos que capacitar empreendedores é o caminho mais sustentável para a transformação económica de África”.

Sem reservas, a Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME) acusa a vice-presidência da INT, braço investigativo do Banco Mundial, de inércia na investigação das denúncias de irregularidades no projecto Move Maputo. Sublinha que o silêncio das instituições pode comprometer o combate à corrupção nas obras públicas.

Lançado em 2021, o projecto Move Maputo foi concebido para melhorar a mobilidade urbana na Área Metropolitana de Maputo. No entanto, algumas vias recentemente construídas apresentam sinais de degradação, situação agravada pelas chuvas recentes, que expuseram problemas de drenagem e qualidade das obras, com destaque para o centro da capital do País.

Falando nesta quinta-feira, na Cidade de Maputo, durante uma conferência de imprensa, Bento Machaila, presidente da Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME), manifestou preocupação com o estado das obras e com a falta de respostas das entidades envolvidas.

Em Janeiro de 2024, a Federação denunciou formalmente indícios de irregularidades no processo de contratação da empresa China Jiangxi International Economic and Technical Cooperation Co. Ltd., responsável por empreitadas financiadas pelo Banco Mundial. As denúncias foram submetidas ao INT e à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo Bento Machaila, a federação colaborou com as investigações e aceitou um pedido de confidencialidade por parte do INT. No entanto, passados mais de sete meses desde o contacto com a equipa investigativa daquela entidade que é braço investigativo do Banco Mundial e cerca de dois anos após a denúncia inicial, não houve qualquer retorno substantivo.

O presidente da Federação Moçambicana de Empreiteiros afirma ainda que, sempre que a organização solicitou actualizações, recebeu respostas baseadas na necessidade de confidencialidade. Segundo a agremiação, a posição mais recente do INT, de que não compartilha informações com terceiros, foi considerada inaceitável.

“A Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME) não é um terceiro (elemento) neste processo. É a denunciante e merece um esclarecimento”, afirmou Bento Machaila. Para o responsável, esta postura revela desrespeito institucional, falta de transparência e desprezo pela opinião pública, além de desencorajar futuras denúncias.

O presidente da Federação Moçambicana de Empreiteiros destacou ainda que a população continua a enfrentar os impactos das obras de má qualidade, visíveis sobretudo após as chuvas, que evidenciaram deficiências no escoamento de águas.

Na conferência de imprensa, a federação lamentou também o silêncio da Procuradoria-Geral da República (PGR), cujo último contacto formal foi em Abril do ano de 2025, sem que tenha sido apresentada uma posição conclusiva.

De destacar que a Federação Moçambicana de Empreiteiros esclarece que não assinou qualquer acordo formal de confidencialidade que a impeça de falar sobre o caso, considerando que o silêncio mantido até aqui foi um acto de boa-fé.

Bento Machaila exige esclarecimentos sobre os resultados da investigação, a confirmação ou não das irregularidades, as medidas a serem tomadas contra os responsáveis e o ponto de situação do processo na PGR.

A federação reafirma o compromisso com a transparência na contratação de obras públicas e com o uso correcto dos fundos, apelando para uma resposta clara e pública por parte do Banco Mundial e das autoridades nacionais.

Importa lembrar que Bento Machaila é presidente da agremiação, eleito em Junho de 2023, em assembleia-geral extraordinária da Federação Moçambicana de Empreiteiros.

Na altura, prometeu resolver os problemas que preocupam a classe dos empreiteiros, entres eles, o atraso dos pagamentos das obras realizadas.

“O que tem acontecido, que não é bom para a classe dos empreiteiros, é o problema de pagamentos e o problema de acesso às obras, principalmente para as pequenas e médias empresas”, disse Machaila, falando à imprensa na altura.

O Governo deu mais um passo decisivo na estratégia de fortalecimento do seu sistema financeiro ao formalizar um entendimento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil, com vista à criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique. A assinatura do memorando ocorreu no Brasil e foi acompanhada pela ministra das Finanças, Carla Louveira.

A iniciativa surge num contexto em que o país procura consolidar mecanismos financeiros capazes de impulsionar o investimento produtivo e garantir financiamento sustentável para sectores estratégicos. A criação de um banco de desenvolvimento nacional é encarada como uma peça-chave para responder aos desafios estruturais da economia, sobretudo no que diz respeito ao acesso ao crédito de longo prazo.

Com esta parceria, Moçambique pretende beneficiar da experiência técnica e institucional acumulada pelo BNDES, reconhecido pelo seu papel no financiamento de projectos estruturantes no Brasil. A cooperação prevê a partilha de metodologias, modelos de governação e instrumentos financeiros que poderão orientar a concepção e funcionamento do futuro banco moçambicano.

A aproximação entre os dois países reforça igualmente os laços de cooperação económica e abre espaço para uma colaboração mais profunda em áreas estratégicas. Para o Executivo, este apoio representa uma oportunidade concreta de criar uma instituição robusta, capaz de dinamizar o desenvolvimento económico e reduzir as limitações no financiamento de projectos de grande impacto.

A EUROCAM, Associação dos Empresários Europeus em Moçambique, em parceria com a APIEX e a BusinessEurope, organizou um encontro de alto nível entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e um grupo selecto de empresas e investidores europeus, realizado nas instalações da BusinessEurope, em Bruxelas.

O encontro reuniu 27 empresas europeias, representando investimentos superiores a 30 mil milhões de euros em Moçambique, distribuídos por sectores como energia, agronegócio, água, planeamento e serviços financeiros.

As empresas estiveram representadas ao mais alto nível institucional e executivo, com a presença de CEOs, vice-presidentes e directores seniores de grandes grupos industriais e energéticos europeus, incluindo a TotalEnergies, a Technip Energies, a Andritz, a Van Oord e a Applus Velosi.

Este nível de representação constituiu um sinal claro da confiança das empresas europeias nos compromissos assumidos perante o Chefe de Estado moçambicano, bem como no potencial de crescimento económico do país.

Durante o encontro, o Presidente Chapo apresentou as oportunidades associadas aos principais projectos estruturantes em curso, incluindo os desenvolvimentos liderados pela ENI, pela TotalEnergies e pela ExxonMobil.

Para Simone Santi, presidente da Eurocam, “os megaprojectos oferecem segurança financeira e produtiva, promovem o desenvolvimento industrial e a transferência de conhecimento, desde que se invista na criação de valor local, como fazem as empresas europeias resilientes”.
Por sua vez, Antonino Maggiore, Embaixador da União Europeia em Moçambique, destacou que o próximo passo na cooperação económica será o Global Gateway Forum Maputo 2026, agendado para 9 e 10 de Junho em Maputo, que deverá reunir investidores europeus e instituições financeiras para aprofundar parcerias estratégicas.

O encontro reforçou o papel da EUROCAM como plataforma de diálogo entre o sector privado europeu e o Governo de Moçambique, promovendo um ambiente de negócios mais previsível e favorável ao investimento estrangeiro.

O preço do gás na Europa disparou 35% ontem, após ataques a infra-estruturas energéticas no Médio Oriente, em particular o ataque iraniano à maior instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, no Qatar.

A empresa estatal de energia do Qatar reportou, nesta quinta-feira, “danos consideráveis” no complexo de gás de Ras Laffan, na sequência de um ataque com mísseis iranianos.

Doha esclareceu, posteriormente, que todos os incêndios no local estavam “controlados”, acrescentando que não houve feridos e que as operações de arrefecimento e segurança continuavam.

Uma das maiores refinarias do Kuwait também foi atingida nesta quinta-feira.

Os preços do petróleo também subiram nesta quinta-feira, igualmente influenciados pelos desenvolvimentos do conflito no Médio Oriente, com o petróleo Brent a registar uma subida superior a 5%, atingindo cerca de 113 dólares.

O Irão causou “danos extensos” à Cidade Industrial de Ras Laffan, a maior instalação mundial de gás liquefeito do mundo, localizada no Qatar, após ter prometido retaliar contra a infra-estrutura energética do Golfo pelo ataque sofrido no campo de gás South Pars, parte da maior reserva de gás do mundo e cerne do sistema de energia doméstica da República Islâmica.

O bombardeio por Israel, feito com consentimento ou coordenação dos EUA, foi a primeira investida contra a infra-estrutura de produção de combustível fóssil iraniana desde o início do conflito, a 28 de Fevereiro. O Irão acusa as monarquias árabes do Golfo de permitir que as forças americanas usem o seu território e/ou espaço aéreo para lançar ataques contra o território iraniano.

“Equipas de emergência foram imediatamente mobilizadas para conter os incêndios resultantes [em Ras Laffan], visto que os danos foram extensos”, afirmou a estatal QatarEnergy numa publicação no X na quarta-feira.

Em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores do Qatar afirmou que o “lado iraniano mantém as suas políticas de escalada que empurram a região para o abismo”. Posteriormente, a Chancelaria ordenou que os adidos militares e de segurança do Irão deixem o país, numa escalada diplomática que simboliza a perda de confiança entre dois países que compartilham a operação do campo de gás de South Pars-North Dome.

Nas primeiras horas de quinta-feira (horário local), o Ministério da Defesa do Qatar confirmou que o Irão havia conduzido novos ataques com mísseis balísticos à Ras Laffan, que provocaram danos às instalações.

Já o Ministério de Relações Exteriores da Arábia Saudita disse que o país foi alvo de tentativas de ataques com drones contra uma das suas instalações de gás e outras estruturas de energia na região leste, enquanto os Emirados Árabes Unidos (EAU) sofreram um ataque contra a base aérea de Al Minhad, que abriga oficiais britânicos e australianos. Não há registro de danos ou vítimas.

Na madrugada desta quarta, o Irão também havia atingido Tel Aviv, matando dois israelitas, após jurar vingar na véspera pela morte do seu chefe de segurança, Ali Larijani,         assim como a de Gholamreza Soleimani, chefe da unidade paramilitar Basij, responsável pela segurança interna do Irão. O ministro da Inteligência iraniano, Esmaeil Khatib, foi assassinado nesta quarta-feira, quando destroços de um míssil deixaram quatro palestinianas mortas na Cisjordânia.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) pediu, nesta quarta-feira, apoio de parceiros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) na promoção e desenvolvimento do turismo e da formação no sector.

Maputo acolheu, durante três dias, uma reunião organizada pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, envolvendo uma missão da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP), que incluiu representantes da AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal) e da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

Tratou-se de uma reunião que serviu para reforçar o intercâmbio com Moçambique no sector de turismo e no final da mesma a CTA pediu o apoio da CPLP na promoção e desenvolvimento do turismo e da formação no sector.

“Vai haver um trabalho coordenado pela CTA e outras entidades moçambicanas de forma a poder entender como pode preparar também, não só na cooperação de negócios, mas também na preparação daquilo que pode ser a mão-de-obra especializada, formada, que pode ser uma oportunidade para muitos jovens moçambicanos também trabalharem num mercado mais desenvolvido no sector do turismo”, disse Salimo Abdula, representante daquela confederação para o sector do turismo.

Abdula acrescentou que existe um sector muito importante que Moçambique prioriza como um dos seus pilares no aumento social e económico, “que é o sector do turismo”.

“É um sector que vem a agregar aquilo que nós ambicionamos, que é a geração de emprego, e é nesta esfera que a CTA e a CE-CPLP, através dos outros parceiros, a AHRESP e a ASAE, tencionam explorar, aprendermos, e também cooperar para que o sector de turismo em várias vertentes possa trazer a grande alavancagem de que precisamos no desenvolvimento social e económico”, acrescentou.

Por outro lado, Salimo Abdula destacou que a missão tem uma particularidade: “Moçambique foi o primeiro país [a] que eles vêm para este tipo de interacção. Certamente vão também trabalhar com outros países-membros da CPLP neste objectivo de interacção no sector específico, o sector do turismo”, reconhecendo ainda que Moçambique, também nesta área, ainda “precisa de muita coisa” para se afirmar.

Berta Montalvão, vice-presidente do CE-CPLP, explicou que esta missão visa “acompanhar o intercâmbio e o diálogo com a CTA”, para “desenvolver e capacitar” trabalhadores na área do turismo, incluindo restauração e hotelaria, neste caso em Moçambique.

“Nós sabemos que aquilo que nos une é a língua portuguesa. Acaba por ser a ponte da nossa comunidade, no entanto é preciso, também, desenvolver e capacitar as nossas empresas no sector, no sentido de também promover e desenvolver a economia dos nossos países”, destacou Berta Montalvão.

A vice-presidente do CE-CPLP prevê, nos próximos dias, contactos com várias associações e entidades do sector do turismo e da restauração moçambicanas.

Mas sobre a reunião, Berta Montalvão disse que se falou de três eixos principais, nomeadamente o desenvolvimento das infra-estruturas, o desenvolvimento e melhoria da qualidade dos serviços prestados e do capital humano.

“Eu diria que essas são as três áreas de foco e obviamente que temos de encontrar um caminho de colaboração entre todas as entidades para podermos levar a bom porto aquilo que são as prioridades do sector do turismo”, defendeu a dirigente portuguesa.

O objectivo, acrescentou, é definir, nos próximos dias, de que forma será possível “colaborar” com Moçambique nesta área.

“Moçambique tem recursos naturais, é uma prioridade do nosso Governo explorar a área de turismo, é também uma prioridade para a CTA. Nós precisamos de duas coisas importantes: formar e investimento, para alavancarmos os recursos que nós temos, todas as esferas, desde o turismo de praia, sinergético, montanhas, nós temos muitas coisas, precisamos de evoluir a qualidade do serviço. Porque, como se diz, no turismo, quando se é bem servido, as pessoas voltam. Mas se a coisa corre mal, as pessoas falam mal de nós e não regressam. Portanto, é preciso termos cuidado”, apelou, por seu turno, Abdula.

A Total Energies tem cerca de 4,5 biliões de dólares para comprar bens e serviços no país durante a construção do seu projecto de gás em Afungi. O anúncio foi feito, esta terça-feira, em Maputo, num seminário sobre conteúdo local.  

Depois de anunciar oportunidades de negócios em Pemba e Palma, na província de Cabo Delgado, onde será implantado o projecto de gás natural orçado em cerca de 20 biliões de dólares, a TotalEnergies fez o mesmo, nesta terça-feira, em Maputo.

Diante de representantes de várias empresas que operam no país, a multinacional de origem francesa mostrou que está mesmo de volta ao país, depois da suspensão do seu projecto devido à insegurança, e anunciou oportunidades para os homens de negócios. 

“Nós temos um objectivo forte. Por exemplo, durante a fase de construção, nós queremos gastar 4,5 biliões de dólares em contratos com fornecedores locais. Nós também vamos empregar sete mil moçambicanos no momento de pico da construção. Portanto, vocês podem ver que o conteúdo local é muito importante para o Mozambique LNG”, confirmou Jean-Pascal Clemeçon, representante da TotalEnergies. 

Essencialmente, a multinacional vai comprar bens e serviços de empresas moçambicanas por imposição legal e por pretender alavancar a indústria nacional, segundo o director do projecto Mozambique LNG, que deverá produzir gás natural.

“Nós queremos reforçar todas as contribuições que fizemos no passado para este desenvolvimento de indústrias locais, e não só queremos que seja claro, mas queremos ter certeza de que podemos ter um contacto directo com vocês”, disse Nicolas Cambefort, Director da Mozambique LNG. 

Mas, esse trabalho não será feito apenas pelo consórcio liderado pela TotalEnergies. Há um grupo de empresas de nível internacional já contratadas para executar grande parte dos trabalhos e estas, por sua vez, vão precisar de subcontratar as mais pequenas.

“Nós queremos reforçar toda a contribuição que fizemos desde o passado para este desenvolvimento local e industrial. E não só queremos isso ser claro, mas queremos ser certos que podemos ter um contacto directo com todos. A ver, a necessidade de aluguer de máquinas, tais como gruas, autocarros, pás carregadoras, pás escavadoras, entre outras. Uma das áreas de compras que nós focamos é o aluguer de serviços e equipamentos”, disse o representante de uma empresa contratada. 

Presente no seminário, o especialista em petróleo e gás, José Mendes, alerta que o Ministério das Finanças devia estar atento a este tipo de eventos para garantir a efectiva participação das empresas nacionais nos negócios e os impostos.

“É importante que o sector tenha disposição, que tenha noção, que tenha que aproveitar esta oportunidade do gás. Mas é preciso que quem lidera estes processos, quem realmente dá o modo, que é o Governo neste caso, através do Ministério das Finanças, esteja atento também a estes processos de difusão e de disseminação de informação para poder criar uma lista de serviços que devem ser e isto não é nada novo. Nós podemos inventar o que os outros países fazem, o Gana e Angola, já tem um leque de serviços que são exclusivamente feitos por empresas nacionais”, disse.

Por seu turno, o Presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Florival Mucave, aponta os elevados custos de financiamento como um dos maiores obstáculos para as empresas nacionais e deixa ficar um trabalho de casa para a TotalEnergies.

“Os pagamentos feitos pelas subcontratadas da TotalEnergies são feitos no prazo de 60 a 90 dias. Em 60 a 90 dias como é que a empresa moçambicana pequena vai sobreviver e vai poder ir ao banco, levantar o dinheiro, pagar os materiais e depois ficar a espera 90 dias para ela ser paga?”, questionou, esclarecendo que “não é possível”.

Para tal, segundo Mucave, é preciso uma estratégia muito clara e única de participação. “Neste momento, dada a pressão que existe da TotalEnergies que eles não podem esperar mais tempo por causa do projecto, o mesmo tem de iniciar sem parcerias, sem joint ventures entre as empresas moçambicanas e empresas estrangeiras. Portanto, o nosso apelo aqui é realmente a TotalEnergies que se faça uma roadshow com empresas estrangeiras com as quais eles já trabalharam, as quais eles conhecem, que as tragam para cá para poderem fazer as parcerias com as empresas moçambicanas para facilitar a participação dos moçambicanos”, disse.

O projecto Mozambique LNG prevê produzir 13,12 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano durante 25 anos e empregar sete mil moçambicanos no pico da sua construção.

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