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O País – A verdade como notícia

LAM reforça frota com duas aeronaves Embraer

As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) receberam, duas aeronaves Embraer, que passam a integrar o processo de renovação e reforço da frota da transportadora nacional.

LAM reforça frota com duas aeronaves Embraer

As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) receberam, duas aeronaves Embraer, que passam a integrar o processo de renovação e reforço da frota da transportadora nacional.

O anúncio da alteração do calendário da XXI Conferência Anual do Sector Privado (CASP) foi feito pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) numa nota de imprensa enviada ao “O País Económico”.

Por motivos imperiosos, o evento que se posiciona como o principal termómetro do diálogo entre o Governo e o sector privado no País deixa os dias 15 e 16 de Julho, para antecipar a sua realização para 14 e 15 de Julho de 2026.

Embora haja mudança no cronograma, a substância da conferência permanece inalterada. Na XXI CASP, o Governo, empresários e parceiros internacionais deverão confrontar-se em Maputo com desafios estruturais que o País enfrenta.

O encontro promete uma agenda densa. Desde a Sessão Plenária de Alto Nível, desenhada para alinhar compromissos de reforma entre o Executivo e o sector privado, até ao Fórum de Investimento, o evento procura ir além da retórica.

Haverá também sessões sectoriais, focadas em áreas cruciais como Indústria, Agricultura, Energia e Turismo, bem como a EXPO CASP, uma montra para uma produtividade que se pretende mais competitiva e, sobretudo, sustentável.

Num momento em que o País exige respostas concretas para a melhoria do ambiente de negócios, o reajuste das datas não altera a expectativa sobre a necessidade de transformar os debates em acções para o desenvolvimento.

Sob o lema “Produzir, Transformar e Competir: Construindo uma Economia Forte e Resiliente”, a CTA pretende transformar o evento num catalisador para o relançamento económico e para a construção de consensos entre as duas partes.

Um estudo sobre telecomunicações, encomendado pela Autoridade Reguladora das Comunicações (INCM) à consultora internacional Axon Group, veio colocar preto no branco o que o cidadão sente no dia-a-dia ao concluir que o mercado está desequilibrado e a prejudicar, sobretudo, quem menos tem.

Trata-se de uma conclusão que soa como um alerta vermelho aos operadores: as tarifas base, sem bônus, estão artificialmente acima do custo real do serviço. Em contrapartida, mostra que os preços promocionais servem apenas de “chamariz”, criando, assim, um mercado concentrado, onde a concorrência real é sufocada.

O estudo conclui que a tarifa-base dos serviços de telecomunicações (voz, SMS e dados) praticada pelos operadores nacionais se encontra acima do custo real de prestação dos serviços, o que acaba por penalizar os clientes.

Porém, as tarifas praticadas em pacotes publicitados como promocionais pelos operadores de telecomunicações situam-se, em geral, abaixo do custo real de prestação dos serviços, o que contribui para a concentração da concorrência,

Em outras palavras, quer dizer que mais de 80% dos consumidores utilizam serviços pré-pagos nos pacotes “promocionais”, não tendo capacidade para suportar as tarifas na modalidade de preço-base.

Na sequência dos resultados do estudo, foi recomendada ao INCM a realização de um diálogo com os operadores, instituições públicas, parceiros do sector e demais intervenientes relevantes, com vista à implementação gradual de medidas regulatórias adequadas, assegurando a protecção dos consumidores.

O relatório da Axon propõe, para um horizonte de cinco anos, a adopção de um conjunto de medidas regulatórias, tais como a introdução de mecanismos de tecto de preços, enquanto instrumento central de regulação tarifária.

“Introdução de tecto de preços (price cap) e redução gradual das tarifas-base de voz e de dados, entre 2026 e 2028, para reforçar a acessibilidade dos serviços e garantir a sustentabilidade do sector”, conforme lê-se na nota do INCM.

Por outro lado, a Autoridade Reguladora das Comunicações promete realizar auditorias de mercado em 2026-2027 e de 2029-2030, para garantir que ninguém tente contornar as regras ou abusar da sua posição dominante. 

Moçambique procura reforçar a sua presença económica na Tanzânia, através da participação na 50.ª edição da Feira Internacional de Dar es Salaam (Saba Saba), que decorre entre os dias 3 e 4 de Julho. O evento será presidido pelos Chefes de Estado da Tanzânia e de Moçambique, sendo que o Presidente da República, Daniel Chapo, participa na qualidade de convidado de honra e irá proferir o discurso oficial de abertura.

Daniel Chapo já se encontra em Dar es Salaam, capital económica da Tanzânia, onde se faz acompanhar pelo secretário de Estado do Comércio, António Grispos, pelo secretário de Estado do Tesouro, além de quadros da Presidência da República. À chegada, o Chefe de Estado reuniu-se, à porta fechada, com a delegação moçambicana e membros da comunidade moçambicana residente naquele país.

“Estamos aqui para acompanhar o Presidente da República nesta missão, que não representa apenas um acto político, mas também reflecte as excelentes relações que Moçambique mantém com a Tanzânia, nos domínios político, económico e social”, afirmou António Grispos, secretário de Estado do Comércio, no fim do encontro, sublinhando que a presença moçambicana na Tanzânia vai muito além da componente política.

O governante recordou que a escolha de Moçambique para convidado de honra da feira resulta da histórica relação entre os dois países.

“Não é por acaso que o Presidente da República foi convidado para inaugurar esta feira. Este convite é resultado da forte relação histórica, política, económica e social que une os dois países e os seus povos, bem como da estreita cooperação entre os respectivos governos. Moçambique tem participado de forma estratégica em feiras internacionais consideradas prioritárias, por serem importantes para consolidar ou expandir relações económicas e comerciais. Há cerca de duas semanas, por exemplo, o país participou na Feira Internacional da Argélia, com uma representação de alto nível”, afirmou.

Moçambique e a Tanzânia mantêm uma parceria económica estratégica, sustentada pela proximidade geográfica, pela integração regional no âmbito da SADC e por uma extensa fronteira comum, que facilita o comércio transfronteiriço. Em 2023, o comércio bilateral atingiu cerca de 57,8 milhões de dólares, embora os dois governos reconheçam que este valor permanece muito abaixo do potencial existente. Agricultura, energia, transportes, pescas, turismo e comércio de bens e serviços figuram entre os principais sectores de cooperação.

Nos últimos anos, os dois países intensificaram os esforços para dinamizar o investimento e aumentar as trocas comerciais. Em Maio de 2025, acordaram criar uma Comissão Económica Conjunta para eliminar barreiras ao comércio, facilitar a circulação de pequenas e médias empresas através de regimes simplificados de comércio fronteiriço e reforçar a cooperação em áreas como infra-estruturas, petróleo e gás, economia azul e desenvolvimento agrícola. A iniciativa pretende transformar a histórica relação política entre os dois Estados numa parceria económica mais sólida e mutuamente vantajosa.

Segundo António Grispos, a feira constitui uma plataforma para ampliar a presença das empresas moçambicanas no mercado tanzaniano.

“A Tanzânia é um parceiro estratégico de Moçambique. Para além da proximidade geográfica, existem empresas tanzanianas a operar em Moçambique, em sectores como a logística e os combustíveis. Ao mesmo tempo, esta feira representa uma oportunidade para as empresas moçambicanas explorarem novos mercados, diversificarem os seus negócios e estabelecerem novas parcerias.”

O secretário de Estado do Comércio acrescentou que a crescente interacção entre os sectores privados dos dois países reforça as perspectivas de cooperação económica.

“É esse o propósito da nossa participação: fortalecer as relações económicas entre os dois países, abrir novas oportunidades de negócio e contribuir para a estratégia do Governo de promoção da independência económica, através da diplomacia económica e do reforço da cooperação regional”, concluiu.

A visita oficial de Daniel Chapo termina com uma deslocação às obras da futura Chancelaria do Alto-Comissariado de Moçambique em Dar es Salaam. Da agenda consta ainda uma visita à viúva do primeiro Presidente da Tanzânia, Julius Nyerere, antes da reunião de balanço da missão com a delegação moçambicana.

O ministro da Planificação e Desenvolvimento desafia os municípios a arrecadar receitas que se traduzem em infra-estruturas, desenvolvimento e melhoria das condições de vida dos moçambicanos. As declarações foram feitas hoje, na Matola, durante a abertura do fórum de negócios e Feira Empresarial Matola 2026.

O Município da Matola é, de 1 a 3 de Julho, a capital do diálogo e de investimento, por acolher o fórum de negócios e Feira Empresarial, um evento cuja finalidade é fortalecer a economia da província.

O Edil da Matola, Júlio Parruque disse se tratar de uma oportunidade para juntar homens de negócios, para debater ideias de negócios, firmar parcerias, como foco no desenvolvimento das comunidades.

“Com este Fórum pretendemos proporcionar um ambiente de convergência entre os homens de negócios, para trocar informações, partilhar experiências e oportunidades, de forma a dinamizar a economia, atrair investimento privado e consequente gestão ou melhor geração de emprego, em particular para a juventude e ainda o combate à pobreza, à pobreza urbana na nossa cidade”, disse parruque, com apelos para diálogos mais intensos e produtivos.

O sector privado, representado no evento, entende ser esta uma oportunidade para o crescimento económico da província de Maputo, em áreas como imobiliária, logística e serviços. 

“Precisamos transformar potencialidades em projectos concretos, precisamos transformar  projectos em investimentos e precisamos transformar investimentos em emprego, rendimento e prosperidade para os cidadãos. Este Fórum de Negócios e Feira Empresarial 2026 deve ser visto precisamente como uma plataforma de construção dessas parcerias, de promoção de investimento e de identificação de soluções para os desafios que enfrentamos”, disse Onório Manuel, vice-presidente da CTA.

Manuel disse mais. apelou aos Governos a olharem, sempre, nas Pequenas e Médias empresas, na cadeia do desenvolvimento. Uma das propostas é a facilitação do acesso a financiamentos.

“Não podemos falar de desenvolvimento econômico da Matola sem destacar o papel fundamental das micro, pequenas e médias empresas. As PME’s representam a esmagadora maioria do tecido empresarial moçambicano e constituem o principal motor da geração de emprego. Precisamos, sim, criar condições mais favoráveis, facilitar o acesso a financiamento, simplificar procedimentos administrativos, promover programas de capacitação empresarial e aumentar a participação das PMEs nas cadeias de valores nacionais e regionais”, disse Manuel, afirmando que o crescimento económico sustentável só será possível quando as PMEs crescerem juntamente com as grandes empresas.

Receitas públicas devem se traduzir em riqueza para a população

Falando em representação do Presidente da República, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, diz que a fusão dos sectores público e privado deve resultar em desenvolvimento que reduza as desigualdades sociais.

“Nenhum investimento alcança plenamente o seu potencial quando não encontra instituições preparadas, mão de obra qualificada, comunidades envolvidas e serviços públicos eficientes.  O desenvolvimento exige parceria, exige diálogo, exige confiança, exige capacidade de ouvir, corrigir, inovar e persistir. É precisamente por isso que fóruns desta natureza são relevantes, porque criam um espaço de encontro entre quem decide, quem investe, quem trabalha, quem produz, quem forma, quem financia e quem vive diariamente os desafios da nossa cidade da Matola, da província de Maputo e do nosso Moçambique”.

Valá defende ainda a cooperação entre os estados.

“O desafio é transformar estes activos em resultados cada vez mais concretos, criando mais confiança, mais cooperação, mais organização, mais oportunidades, mais inclusão, mais sustentabilidade, mais impacto na qualidade de vida dos Matolenses, dos habitantes da província de Maputo e dos  moçambicanos. Que este Fórum seja um momento de convergência em torno desta visão que o Governo procurou transmitir de forma sumária nesta intervenção. Que seja uma oportunidade para renovar compromissos, que seja um espaço de diálogo construtivo, de aproximação entre instituições”. 

No final do evento, os municípios da Matola e Boane e o distrito de Moamba assinaram um acordo para a viabilização da partilha de espaços para construção de residências e industriais, bem como para a requalificação da zona costeira da cidade da Matola.

A Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) está a apresentar, na Feira Económica de Nampula, diversos projectos de desenvolvimento económico e geração de emprego em implementação na região norte do País, com destaque para iniciativas financiadas pela TotalEnergies e pelo Banco Mundial.

O Presidente do Conselho de Administração (PCA) da ADIN, João Loureiro, afirmou que um dos projectos em evidência é o programa de emprego financiado pela TotalEnergies, avaliado em 15 milhões de dólares norte-americanos, que visa integrar as comunidades locais na cadeia de abastecimento de bens alimentares destinados às operações da empresa em Cabo Delgado.

Segundo João Loureiro, a iniciativa tem demonstrado que as famílias e os pequenos produtores podem desempenhar um papel determinante no fornecimento de produtos agrícolas e pecuários, contribuindo para o fortalecimento da microeconomia local.

“Estamos a demonstrar que é possível que o fornecimento de fruta, ovos e outros produtos à logística alimentar da Total seja assegurado pelas famílias e pelos pequenos produtores locais”, afirmou.

Como exemplo dos resultados alcançados, o PCA da ADIN referiu que o projecto está actualmente a produzir cerca de nove mil ovos por dia, que são fornecidos às empresas de catering responsáveis pela alimentação dos trabalhadores afectos ao projecto de gás natural liderado pela TotalEnergies.

João Loureiro destacou igualmente o Projecto RISE, orçado em cerca de 20 milhões de dólares, que será implementado nos distritos de Palma e Ancuabe, com a previsão de criar aproximadamente 20 mil postos de trabalho.

A iniciativa irá apoiar actividades ligadas à agricultura e a outros sectores produtivos, promovendo oportunidades de geração de rendimento para as comunidades locais.

Entretanto, o responsável anunciou o lançamento de um novo programa financiado pelo Banco Mundial, denominado “Moz Comunidades”, avaliado em 250 milhões de dólares norte-americanos.

De acordo com João Loureiro, a ADIN será responsável pela coordenação da iniciativa, enquanto a execução dos projectos será assegurada por diferentes entidades implementadoras.

Os projectos abrangidos por este financiamento serão desenvolvidos em todos os distritos da zona norte do País, com o objectivo de impulsionar o desenvolvimento socioeconómico e melhorar as condições de vida das populações.

A participação da ADIN na Feira Económica de Nampula visa dar visibilidade aos principais programas em curso e reforçar o envolvimento dos parceiros e das comunidades no processo de desenvolvimento integrado da região norte de Moçambique.

 

Chongoene procura transformar os prejuízos causados pelas recentes enxurradas numa oportunidade de recuperação económica. Depois de as intempéries terem destruído extensas áreas agrícolas e afectado mais de 13 mil famílias produtoras, o distrito apresentou, esta sexta-feira, uma estratégia assente em seis sectores prioritários para impulsionar o investimento, estimular a produção e criar emprego.

 

A iniciativa foi apresentada durante a Primeira Conferência de Investimento de Chongoene, evento que reuniu mais de 200 participantes, entre membros do Governo, administradores distritais, empresários, investidores nacionais e estrangeiros, instituições financeiras e parceiros de desenvolvimento.

Na abertura do encontro, a administradora do distrito de Chongoene, Suzete Dança, afirmou que o evento representa um passo importante para reposicionar o distrito como um destino atractivo para o investimento privado.

“Chongoene possui recursos naturais, terras férteis, uma localização estratégica e uma população empreendedora. As enxurradas trouxeram enormes prejuízos para as famílias e para a economia local, mas também nos mostraram a necessidade de acelerar a transformação económica do distrito. Queremos que os investidores olhem para Chongoene como um território de oportunidades, capaz de gerar riqueza, emprego e desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Segundo a administradora, o distrito definiu como prioridades os sectores da agricultura, turismo, agroprocessamento, pescas, comércio e logística, áreas consideradas fundamentais para dinamizar a economia local e reduzir a vulnerabilidade das comunidades aos choques climáticos.

“Estamos a falar de sectores que têm potencial para gerar valor acrescentado, aumentar a produtividade e criar cadeias de negócio capazes de beneficiar tanto os investidores como as comunidades locais. O nosso objectivo é construir uma economia mais diversificada e resiliente”, acrescentou.

Um dos argumentos apresentados pelas autoridades para atrair investidores é a localização privilegiada de Chongoene. O distrito é atravessado pela Estrada Nacional Número Um (EN1) e beneficia da proximidade do Aeroporto e do Porto de Chongoene, infra-estruturas consideradas estratégicas para o transporte de pessoas e mercadorias.

Intervindo no evento, a governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene, destacou que a recuperação económica da província passa necessariamente pela valorização das potencialidades existentes em cada distrito.

“Gaza possui condições únicas para acolher investimento em diversos sectores. Chongoene é um exemplo claro disso. Temos terras aráveis, potencial turístico, recursos pesqueiros e uma posição geográfica privilegiada. O desafio é transformar estas vantagens em projectos concretos que gerem emprego, aumentem a produção e contribuam para o crescimento económico da província”, afirmou.

A governadora defendeu igualmente a necessidade de fortalecer as parcerias entre o sector público e privado para acelerar o desenvolvimento.

“O Governo está comprometido em criar um ambiente favorável ao investimento. Precisamos de mais empresas, mais inovação e mais projectos capazes de responder aos desafios actuais. A recuperação pós-enxurradas exige o envolvimento de todos os actores económicos e sociais”, sublinhou.

Apesar do interesse demonstrado pelos investidores presentes, vários participantes defenderam melhorias no ambiente de negócios, apontando como prioridades a redução da burocracia administrativa, a melhoria da rede viária e o reforço das infra-estruturas de apoio à actividade económica.

Ainda assim, o sentimento dominante ao longo da conferência foi de optimismo. Num distrito ainda marcado pelos efeitos das enxurradas, as autoridades acreditam que a mobilização de investimento privado poderá desempenhar um papel decisivo na recuperação da produção, na criação de emprego e na construção de uma economia mais robusta e preparada para enfrentar futuros desafios.

Para blindar o sistema financeiro nacional contra riscos sistémicos, o Banco de Moçambique decidiu indicar dois inspectores residentes para acompanharem, por dentro, a gestão do Banco Internacional de Moçambique e do Moza Banco.

O regulador do sistema financeiro nacional confiou em Amélia Sirage, quadro do próprio banco central, para, desde o passado dia 23 de Junho, instalar-se naquela que é uma das instituições mais importantes do sistema financeiro.

Essencialmente, serão tarefas da inspectora monitorizar o modelo de negócios e a estratégia do Millennium bim, acompanhar e analisar o sistema de gestão e de controlo interno e participar em reuniões relevantes dos órgãos colegiais.

Mesmo tendo tomado a medida de supervisão, o Banco de Moçambique assegura que o Banco Internacional de Moçambique continua sólido e estável, à semelhança do Moza Banco, que também está sob vigilância do banco central.

No caso do Moza Banco, o inspector residente indicado é Hélder Muianga, também quadro do Banco de Moçambique, uma função que é também desempenhada dentro do banco comercial desde o dia 23 de Junho corrente.

Sendo assim, tanto o Moza Banco como o Banco Internacional de Moçambique (Millennium bim), passaram a partilhar o tecto e as suas decisões estratégicas com quadros indicados pelo regulador do sistema financeiro nacional.

O responsável terá funções similares às da inspectora residente no Banco Internacional de Moçambique. Já no Access Bank, o Banco de Moçambique decidiu retirar a inspectora residente Amélia Sirage, agora no BIM.

“Esta decisão decorre da eficaz colaboração do Access Bank Moçambique, SA, bem como dos progressos significativos alcançados na governação e controlo interno da instituição”, lê-se num comunicado emitido pelo banco central.

Contudo, segundo o regulador do sistema financeiro nacional, o Access Bank Moçambique continua sujeito à supervisão habitual, em conformidade com os procedimentos aplicáveis às demais instituições do sistema bancário nacional.

Importa lembrar que Amélia Sirage exercia a função de inspectora residente no Access desde o dia 27 de Setembro de 2023, onde tinha praticamente as mesmas tarefas que já está a exercer no Banco Internacional de Moçambique.     

O Presidente da Nigéria, Bola Tinubu, defendeu, na quinta-feira, em Abuja, que os países africanos devem assumir um maior controlo sobre os seus minerais estratégicos, deixando de exportar apenas matérias-primas e apostando na transformação local, industrialização e criação de valor. A posição foi apresentada durante a abertura da quinta Cimeira Africana de Recursos Naturais e Energia, num momento em que cresce a procura mundial por minerais essenciais para a transição energética.

Tinubu afirmou que África possui uma parte significativa das reservas mundiais de minerais críticos, mas continua a beneficiar pouco da riqueza gerada por esses recursos, devido à exportação de produtos em estado bruto para mercados internacionais.

Segundo o chefe de Estado nigeriano, o continente deve aproveitar a crescente procura global por minerais como lítio, grafite, cobalto, manganês e terras raras para desenvolver indústrias locais, criar emprego qualificado, promover a transferência de tecnologia e aumentar as receitas fiscais.

O governante defendeu igualmente uma maior coordenação entre os países africanos na definição de políticas para o sector mineiro, com o objectivo de reforçar o poder negocial do continente perante investidores e multinacionais. Para Tinubu, uma estratégia comum permitirá garantir que uma parte significativa dos benefícios económicos permaneça em África.

A intervenção acontece numa altura em que a transição energética mundial está a aumentar a procura por minerais utilizados no fabrico de baterias para veículos eléctricos, painéis solares, turbinas eólicas e outros equipamentos tecnológicos, colocando o continente africano no centro da corrida global por recursos estratégicos.

Especialistas consideram que a industrialização do sector mineiro poderá representar uma oportunidade para acelerar o crescimento económico africano, reduzir a dependência das exportações de matérias-primas e diversificar as economias.

 

Em entrevista ao “O País Económico”, o embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, defende que empresas portuguesas poderão reforçar a sua presença em Moçambique, caso o Governo implemente reformas para dinamizar a actividade económica no País. Neste momento, há cerca de 450 empresas de capitais portugueses presentes no mercado moçambicano. O diplomata falava em Maputo, após Portugal ter disponibilizado 17 milhões de euros para financiar micro, pequenas e médias empresas moçambicanas.

Temos aqui mais uma linha de financiamento de Portugal de 17 milhões de euros para micro, pequenas e médias empresas moçambicanas. Qual é a taxa de juros que poderá ser praticada pelos bancos?

Essa é uma pergunta muito técnica que eu vou deixar para os bancos responderem. Eu aproveito só para sublinhar que o objectivo do FECOP, o Fundo Empresarial da Cooperação Portuguesa, é apoiar aquelas que são o motor da economia moçambicana, que são as micro, pequenas e médias empresas. São empresas que, pela sua própria natureza, têm maiores dificuldades de acesso aos mecanismos tradicionais de financiamento. Portanto, nós, através do FECOP, pretendemos oferecer mais um instrumento desenhado para essas empresas de menor dimensão, e no fundo tem uma componente de assistência técnica e uma de financiamento para ajudá-las a apresentarem projectos válidos que criem valor, que criem emprego e contribuam para o desenvolvimento do País.

O que leva Portugal a apoiar essas empresas moçambicanas através deste financiamento e a não financiar as infra-estruturas que têm criado bastante obstáculos para estas? 

Portugal tem uma cooperação muito abrangente com Moçambique. Não há praticamente nenhum domínio da sociedade moçambicana em que não exista uma cooperação regular, normal e intensa em muitos casos entre Portugal e Moçambique. Moçambique é o nosso principal beneficiário da cooperação para o desenvolvimento, é um dos principais destinos do investimento português no estrangeiro, é uma economia que, acreditamos, tem um enorme potencial de desenvolvimento que ainda está por explorar e, portanto, Portugal está presente em todos os domínios onde é possível estar. Nós queremos apoiar os grandes projectos, mas queremos também olhar para aquilo que é o tecido das micro, pequenas e médias empresas, que são os principais dinamizadores da economia moçambicana. São as que criam o maior número de postos de trabalho e criam valor a nível local, por todo o País. Portanto, não poderíamos deixar de estar presentes também neste importante segmento das empresas moçambicanas.

Que mecanismos foram criados para assegurar que este novo fundo não financia o caixa dos bancos e financia propriamente essas micro, pequenas e médias empresas?

Como hoje aqui ficou claro, o próprio sistema de gestão da operacionalização do FECOP é um sistema de parceria em que juntamos a Associação Moçambicana de Bancos e o Instituto das Pequenas e Médias Empresas. Portugal é o financiador, mas deixamos nas mãos dos especialistas a definição do regulamento e das regras que serão aplicáveis aos projectos. Creio que estamos em boas mãos através da Associação Moçambicana de Bancos e do Instituto das Pequenas e Médias Empresas, que juntamente com as instituições financeiras irão definir a forma concreta de operacionalização deste fundo. O nosso único objectivo é que ele sirva para apoiar a economia, sirva para apoiar as empresas e que ajude a criar valor em Moçambique.

Como está a cooperação entre Moçambique e Portugal, em termos de comércio e Investimento Directo Estrangeiro aqui, no País?

Como eu disse há pouco, Moçambique é um dos nossos principais destinos de investimento. Nós possuímos cerca de 400 a 450 empresas de capitais portugueses, que actualmente estão presentes no mercado moçambicano. Tivemos uma cimeira bilateral há cerca de seis meses, na cidade do Porto. Foi uma cimeira histórica, porque foi uma cimeira que teve uma participação recorde em termos de áreas governativas: doze ministros portugueses e doze ministros moçambicanos participaram nessa cimeira. Realizamos um fórum empresarial que contou com a participação de 700 empresas portuguesas e moçambicanas, e isto constituiu um sinal claro da aposta que nós fazemos na economia moçambicana. Recentemente, tivemos aqui também duas grandes iniciativas europeias, o fórum de negócios do Global Gateway e a conferência RENMOZ, de energias renováveis. Portugal foi o país europeu que contou com a maior participação a nível empresarial. Contamos também com a presença do seu ministro adjunto e da Reforma do Estado, garantindo uma representação também de alto nível político, e isto sinaliza essa aposta clara e esse acreditar em Moçambique, acreditar que Moçambique tem muito para fazer e tem muito para crescer, e nós queremos apoiar Moçambique nesse caminho.

E, como está a questão do investimento português em Moçambique?

Em termos de investimentos, os investimentos têm vindo, como eu disse há pouco, a acontecer. Nos últimos anos, tivemos aqui um reforço dos investimentos portugueses em muitas áreas, desde a energia ao sector agro-industrial, às pescas, mas eu acredito que esses investimentos podem ir muito mais longe. Nós estamos muito atentos e acompanhamos muito de perto aquilo que são as políticas públicas de Moçambique e acompanhamos com grande expectativa aquilo que é a agenda de reformas deste governo. Estamos confiantes que essa agenda de reformas, quando for executada, irá contribuir fortemente para uma dinamização da actividade económica em Moçambique e, dessa forma, seguramente, os portugueses responderão, as empresas portuguesas responderão e serão capazes de levar mais longe os seus projectos de investimento em Moçambique.

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