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O Banco de Moçambique confirma a proliferação de esquemas de fraude financeira no país, que consistem na captação de depósitos de pessoas por entidades não licenciadas. Por isso, alerta que aderir ao grupo é bastante arriscado e pode resultar em graves perdas de dinheiro.

É um sinal de que criminosos perderam medo e “operam” em sistemas fraudulentos para captar depósitos, fazendo-se passar por instituições financeiras, embora não tenham licenças para tal.

É uma nova forma, disfarçada, de actuar, encontrada pelos larápios, para enganar pessoas e ficar com o dinheiro delas. A situação já inquieta o Banco de Moçambique.

“Geralmente, as instituições que actuam ilegalmente na área financeira aderem ao esquema de pirâmide financeira. As pirâmides financeiras são esquemas de negócios fraudulentos que se caracterizam pela promessa de ganho de dinheiro a curto prazo, normalmente, na forma de juros sobre os valores depositados. Estes juros são, frequentemente, muito mais altos do que a média praticada no mercado e aumentam com a angariação de mais depositantes”, alerta o Banco.

Face à situação que tende a ficar mais crítica, o banco central alerta para os perigos associados.

“À medida que a pirâmide cresce, fruto da confiança dos depositantes no esquema, falta dinheiro para pagar a todos e, no fim, a maioria fica com prejuízos. Portanto, o recurso a estas entidades representa um elevado risco e pode resultar em graves perdas para os envolvidos, uma vez que elas (as entidades) não se encontram sujeitas a deveres de informação e a limites prudenciais que salvaguardam os interesses dos consumidores”, indica um comunicado do banco central.

Os esquemas podem ser detectados de várias formas, tais como (i) a oferta de comissões elevadas ou outros bens pelo recrutamento de novos clientes; (i) a adopção, pelos promotores das entidades, de nomes fictícios, tal como “investidor”, “vencedor” e “milionário”; e pouca informação a respeito da entidade, que pode não ter sede, ou ter a sua sede localizada num escritório virtual.

Por estas e outras razões, o banco alerta para mais vigilância na hora de aplicar o dinheiro.

A escassez de divisas e produtos básicos nas prateleiras dos supermercados do Zimbabwe está a forçar uma nova corrida dos cidadãos daquele país ao mercado moçambicano para se abastecerem, numa altura em que aquele país regista um recorde da sua dívida pública.

Autoridades migratórias moçambicanas confirmaram que o número quadruplicou nos primeiros 45 dias deste ano, em relação ao mesmo período de 2022. Em Machipanda, a principal fronteira terrestre entre Moçambique e Zimbabwe, trouxas nas cabeças com arroz, sabão, açúcar, óleo vegetal e até fraldas descartáveis denunciam o agravamento da crise que há duas décadas já obrigava muitos zimbabweanos a atravessar a fronteira em busca de alimentos.

Em declarações à VOA, a zimbabweana Rosi Mutchenga disse que a escassez de divisas está a dificultar a compra de alimentos que também são escassos nos mercados, sendo que algumas pessoas atravessam com produtos não alimentares que vendem em Moçambique para comprar comida.

 

FALTA TUDO… “SÓ A GRAÇA DE DEUS”

“Nós estamos a viver pela graça no Zimbabwe, mesmo quando a crise aperta, sentimos que Deus ainda ama o país”, afirmou Rosi Mutchenga, em alusão à ausência de um Governo capaz de travar uma recessão económica que está “a rasgar o poder de compra da população”.

Outro zimbabweano, Tawanda Ndwere, disse ser necessário ter coragem para viver no país e ter de enfrentar uma “vida toda de dificuldade”, desde a escassez de divisas ao colapso do sistema comercial, de saúde e educação.

“As coisas estão difíceis no Zimbabwe, é preciso coragem, e entendemos que vivemos pela graça de Deus”, aponta Ndwere, que cita a hiperinflação.

O movimento de zimbabweanos que entraram e saíram do país quase que quadruplicou nos primeiros 45 dias do ano em curso.

Dados dos Serviços Provinciais de Migração de Manica indicam que 9524 zimbabweanos atravessaram a fronteira de Machipanda entre 1 de Janeiro e 15 de Fevereiro corrente, contra 2380 no período homólogo de 2022.

“Isso revela um crescimento do movimento migratório de zimbabweanos”, disse Abílio Mate, porta-voz dos Serviços de Migração de Manica, realçando que um número grosso dos passageiros segue até a Beira, onde fica o principal porto que abastece os países do interior do continente.

 

JOAQUIM CHISSANO PROCURA SAÍDAS PARA A DÍVIDA DO ZIMBABWE

Nesta quinta-feira, 23, o antigo Presidente moçambicano, Joaquim Chissano, reuniu-se com o director do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, para mediar a liquidação da dívida em atraso do Zimbabwe.

Em Setembro de 2022, a dívida pública do Zimbabwe era de 17,63 biliões de dólares, dos quais 750 milhões de dólares devido ao BAD, até Dezembro do mesmo ano.

Entretanto, o Governo continuou a contrair empréstimos externos, usando as matérias-primas como garantias, e ampliou os seus empréstimos domésticos por meio da emissão de títulos da dívida, noticiou a imprensa local.

Os gastos do Governo para o ano fiscal de 2023 estão subfinanciados no valor de 1,56 biliões de dólares na sequência da depreciação do dólar zimbabweano, para continuar a financiar despesas públicas e as reformas económicas e de governação, além de compensar os antigos proprietários brancos, cujas propriedades foram expropriadas numa reforma agrária em 2000.

A empresa italiana de engenharia Saipem anunciou que a construção da fábrica de liquefacção de gás da TotalEnergies em Cabo Delgado, deverá ser retomada em Julho.

“Esperamos reiniciar gradualmente o projecto, de acordo com informações recebidas do nosso cliente, a partir de Julho deste ano”, disse o director-executivo da Saipem, Alessandro Puliti, citado pelo portal especializado do sector petrolífero Upstream.

Alessandro Puliti falava durante uma intervenção na Internet (“webcast”) realizada, esta semana, para apresentar a analistas os resultados do quarto trimestre de 2022.

A Saipem lidera o consórcio CCS, que também inclui a japonesa Chiyoda e McDermott dos Estados Unidos da América, responsável pela construção de duas linhas de liquefacção de gás com capacidade combinada de 13 milhões de toneladas por ano (mtpa) em Afungi.

A construção do complexo industrial foi suspensa em 2021 pela petrolífera francesa TotalEnregies, após um ataque à vizinha vila de Palma, na sequência da insurgência armada que atinge Cabo Delgado desde 2017.

A obra é o maior investimento privado em aberto em África, orçado em 20 mil milhões de euros, inclui linhas de captação de gás a grande profundidade, na Bacia do Rovuma, 40 quilómetros ao largo, liquefacção e cais de exportação para cargueiros especiais.

Nele está ancorada boa parte das perspectivas de crescimento da economia moçambicana, bem como de pagamento da sua dívida soberana.

A TotalEnergies anunciou, no início de Fevereiro, ter pedido a um especialista em direitos humanos, Jean-Christophe Rufin, médico, escritor e diplomata, uma avaliação sobre a situação em Cabo Delgado para depois tomar uma decisão.

Alessandro Puliti adiantou que os trabalhos deverão ser retomados em Julho, com uma renegociação de certas partes do contrato original de engenharia e construção no valor de 3,5 mil milhões de euros, adjudicado em 2019.

A província de Cabo Delgado enfrenta há cinco anos uma insurgência armada com alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

A insurgência levou a uma resposta militar desde Julho de 2021 com apoio do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projectos de gás, mas surgiram novas vagas de ataques a sul da região e na vizinha província de Nampula.

O conflito já fez um milhão de deslocados, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e cerca de 4000 mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED.

CUSTO DO PROJECTO SERÁ DETERMINANTE PARA TOTAL RETOMAR

O custo do projecto de gás natural localizado na Bacia do Rovuma vai determinar a retoma das actividades da TotaEnergies em Moçambique, defendeu, em Fevereiro, o CEO da empresa. Citado pela agência de informação financeira Bloomberg, o gestor referiu ainda que a questão dos direitos humanos vai influenciar na decisão.

Os pronunciamentos foram feitos cerca de dez dias depois de o CEO da Total, Patrick Pouyanne, ter visitado a província de Cabo Delgado, para ver de perto se há ou não condições de retoma do projecto no Norte do país.

Patrick Pouyanne falava em uma conversa telefónica com investidores, citada pela Bloomberg. “Não tenho pressa para recomeçar. Se virmos os custos a subir muito, vamos esperar”, diz Pouyanne. Tais custos estão ligados à renegociação de contratos com fornecedores e subempreiteiros.

O projecto, orçado em mais de 20 mil milhões de dólares, está suspenso devido à insegurança na região Norte do país, causada pelo terrorismo. Diante da situação, o consórcio liderado pela TotalEnergies decidiu declarar força maior para suspender as actividades.

Além do custo, o CEO da TotalEnergies diz aguardar pelas conclusões do estudo que a empresa encomendou sobre a questão dos direitos humanos na província de Cabo Delgado. Espera-se que o relatório fique pronto ainda este mês.

Na conversa, o líder da petrolífera francesa rejeitou a ideia de que terá de haver uma escolha entre o regresso a Moçambique ou a aposta no mercado de gás natural liquefeito, dizendo: “Estamos prontos e temos a capacidade para financiar ambos”, escreve o Notícias ao Minuto que cita a Bloomberg.

Com a suspensão do projecto, os investimentos no país reduziram drasticamente. De Julho a Setembro de 2022, segundo o banco central, o sector da indústria extractiva, que era a maior fonte de entrada de Investimento Directo Estrangeiro, caiu 99,6% face a igual período de 2021.

A Electricidade de Moçambique (EDM) registou um prejuízo de cerca de 50 milhões de Meticais devido às chuvas e ventos fortes que têm afectado o país. 

Cerca de 30 mil clientes chegaram a ficar sem electricidade como resultado das chuvas que afectaram as zonas Sul e Centro do país desde o início do mês de Fevereiro.

O distrito de Boane e a Cidade de Maputo foram os pontos mais afectados na região Sul de Moçambique. As autoridades revelam que cerca de 4200 famílias ainda estão sem electricidade, devido a cortes e avarias na rede.

Dados oficiais mostram também que, devido à passagem da tempestade tropical Freddy, cerca de 130 mil clientes das províncias de Maputo, Manica e Sofala ficaram, esta quarta-feira, sem corrente eléctrica.

De acordo com o comunicado da Electricidade de Moçambique (EDM), as subestações da Costa do Sol, Zimpeto e de Marracuene, na Cidade e Província de Maputo, ficaram fora de serviço, afectando os clientes dos bairros do Zimpeto, Magoanine A, B e C e todos os bairros do distrito de Marracuene. Entretanto, o fornecimento de energia eléctrica já foi restabelecido nestes bairros.

Porém, 30 mil clientes da Vila de Mafambisse e do distrito de Gorongosa, na província de Sofala, bem como os clientes da Vila de Inchope, na província de Manica, continuavam sem energia.

Neste momento, várias equipas técnicas da EDM encontram-se no terreno, com o objectivo de restabelecer o fornecimento normal de energia eléctrica às zonas afectadas o mais breve possível.

A EDM refere que as inundações causadas pelo ciclone tropical Freddy causaram maiores obstáculos e inacessibilidade em alguns locais, o que concorre para a demora na reposição da corrente eléctrica.

A empresa salienta que, por razões de segurança, em algumas zonas, o corte preventivo do fornecimento de energia deve-se ao alagamento de Postes de Transformação (PT) e outros equipamentos eléctricos que, estando ligados, podem perigar a vida humana.

Por esta razão, a EDM apela à observância das medidas de prevenção, sobretudo nas proximidades de equipamentos que transportam corrente eléctrica.

Em Moçambique, a ocorrência de inundações é recorrente nesta altura do ano, mas, ainda assim, a pluviosidade esteve acima do esperado durante o mês de Fevereiro.

O Banco Mundial renovou o quadro de parceria com Moçambique para o período 2023-2027. A nova estratégia da instituição financeira internacional visa contribuir para o desenvolvimento verde, resiliente e inclusivo do país e contribuir para a recuperação económica.

Parcerio de desenvolvimento de Moçambique desde a adesão às instituições de Breeton Woods, em 1984, o Banco Mundial acaba de decidir, através do seu Conselho de Administração, renovar a estratégia de parceria com o país.

A ser implementado entre 2023 e 2027, o novo quadro de parceria está virado para um desenvolvimento mais verde, resiliente e inclusivo.

“Esta estratégia vai investir em instituições inclusivas, lançando as bases para uma sociedade mais resiliente. Vamos apoiar o aumento de emprego inclusivo e verde, principalmente através da criação de oportunidades para mão-de-obra pouco qualificada fora da agricultura de subsistência”, diz a Directora do Banco Mundial em Moçambique, citada neste comunicado de imprensa.

Outro objectivo passa por apoiar o país a recuperar a sua economia dos efeitos da crise da pandemia e da Guerra russo-ucraniana.

Durante este novo ciclo de parceria, o trabalho centrar-se-á no reforço da recuperação económica, em sintonia com as iniciativas de reforma do governo moçambicano, tais como o Pacote de Medidas de Aceleração Económica (PAE), lançado em Agosto de 2022.

O Banco Mundial insiste, por outro lado, na necessidade de o país diversificar a economia e reduzir a dependência na indústria extractiva.

A Eni acaba de anunciar resultados históricos como consequência do aumento do preço do petróleo e gás, no mercado internacional, impulsionado pela guerra na Ucrânia. A multinacional italiana vê no gás de Moçambique uma oportunidade para acabar com a dependência da Europa em relação ao gás russo.

A multinacional italiana Eni anunciou um lucro operacional ajustado do ano fiscal de 2022 de 20,4 biliões de euros, o que representa o dobro do valor do ano fiscal de 2021, impulsionado por um forte desempenho dos negócios de petróleo e gás. Trata-se de um lucro recorde na história dos resultados financeiros da petrolífera italiana com interesses em Moçambique.

O lucro líquido ajustado do ano fiscal de 2022, atribuível aos acionistas da Eni, foi de 13,3 biliões de euros e, em comparação com o ano fiscal de 2021, foi nove biliões maior devido a um forte desempenho operacional e resultados mais altos de entidades contabilizadas por património.

O comunicado publicado pela Eni indica que o lucro líquido do ano fiscal de 2022 atribuível aos accionistas da Eni foi de 13,8 biliões de euros e, em comparação com o ano fiscal de 2021, foi impulsionado por um desempenho subjacente aprimorado, parcialmente compensado por ganhos especiais líquidos menores, principalmente devido à avaliação do estoque.

Estes resultados devem-se, principalmente, ao dinamismo do sector E&P (Exploração e Produção), que, por si só, registou um aumento de mais de 70% em relação a 2021, além do aumento do preço do petróleo e gás, no mercado internacional, impulsionado pela guerra na Ucrânia.

Os investimentos líquidos atingiram 8,2 milhões de euros em 2022, mais 42% do que no ano anterior. A 31 de Dezembro de 2022, o grupo tinha um endividamento líquido de sete milhões de euros, contra 8,9 milhões de euros em 2021.

“A companhia apresentou excelentes resultados financeiros e operacionais, contribuindo para a estabilidade do fornecimento de energia na Itália e na Europa e avançando nos seus planos de descarbonização. Durante o ano, conseguimos finalizar acordos e actividades para substituir totalmente o gás russo até 2025, alavancando os nossos fortes relacionamentos com estados produtores e abordagem de desenvolvimento acelerado para aumentar os volumes da Argélia, Egipto, Moçambique, Congo e Catar”, disse Claudio Descalzi, CEO da Eni, citado pelo comunicado de imprensa.

A Eni acredita que o acordo recentemente assinado com o NOC, da Líbia, sobre o desenvolvimento de estruturas e sucessos de exploração em Chipre, Egipto e Noruega, vão fortalecer ainda mais a sua diversificação integrada de fornecimento de energia limpa e que se trata de uma pronta reacção à crise do gás e à integração com as actividades de petróleo e gás.

O lucro líquido ajustado do quarto trimestre de 2022 atribuível aos accionistas da Eni foi de 2,5 biliões de euros e quase 50% maior em comparação com o quarto trimestre de 2021, um aumento de 0,8 bilião de euros devido a resultados mais altos de entidades contabilizadas por património, em parte como resultado da Azule JV, mais do que compensando um lucro operacional menor.

O lucro líquido do quarto trimestre de 2022 atribuível aos accionistas da Eni foi de 550 milhões de euros e foi reduzido por derivativos de commodities com valor justo de 1,1 biliões de euros (em comparação com um ganho de 1,7 biliões de euros no ano anterior), perdas de activos de 0,9 bilião de euros (em comparação com reversões de 0,5 bilião de euros no ano anterior) e contribuições extraordinárias de imposto de solidariedade de 0,7 bilião de euros, parcialmente compensadas por impostos diferidos de 1,6 biliões de euros.

Em Novembro de 2202, a Eni e os seus parceiros realizaram o primeiro carregamento de gás natural liquefeito (GNL), produzido a partir do campo de gás nas águas ultraprofundas da Bacia do Rovuma, em Moçambique; foi embarcado a partir da instalação flutuante de Gás Natural Liquefeito (FLNG) da Coral-Sul, marcando uma nova era no negócio mundial de GNL, graças à sua capacidade de entregar o projecto no prazo e dentro do orçamento, apesar das interrupções da pandemia, enquanto foi lançado o país como um novo hub relevante de GNL.

“Em 2022, a Eni não estava apenas empenhada em progredir nas suas metas de transição energética sustentável, mas também em garantir a segurança e a estabilidade do fornecimento de energia para a Itália e a Europa, construindo um ‘mix’ geográfico diversificado de fontes de energia. Os nossos objectivos estratégicos permanecem inalterados: investiremos para garantir suprimentos estáveis ​​e acessíveis para atender à demanda do mercado de energia e descarbonizar as nossas operações e clientes, mantendo a disciplina financeira para garantir retornos atraentes para os nossos accionistas”, afiançou o CEO da Eni.

Depois de anunciar a venda de activos para exploração e produção petrolífera (upstream), em Angola, a Galp colocou à venda a participação que detém no projecto de gás natural de Moçambique. A petrolífera portuguesa mandatou o Bank of America para encontrar compradores para a posição que tem no projecto de gás natural, denominado Coral-Sul, situado no Norte de Moçambique. Saídas de São Tomé e Namíbia estão também no horizonte.

A Galp pretende vender a sua participação no projecto de gás natural Coral-Sul, em Moçambique. Para tal, a petrolífera contratou o Bank of America, que esteve já envolvido na alienação das posições da empresa em projectos em Angola, para encontrar compradores.

A informação avançada pelo ‘Negócios’ dá conta de que a Galp tem um plano para sair totalmente de África nos domínios de exploração e produção. Depois de Angola e Moçambique, a petrolífera lusa aponta também para sair de São Tomé e Príncipe e Namíbia.

Fontes ligadas ao sector contactadas pelo ‘Negócios’ destacam que o Coral-Sul é um activo que deve atrair muitos investidores, principalmente porque a guerra na Ucrânia aumentou o apetite pelo gás natural em vários países.

O Coral-Sul FLNG, a primeira planta flutuante de liquefacção de gás natural em águas ultraprofundas do mundo, com uma capacidade de produção de 3,4 milhões de toneladas de gás liquefeito, por ano, foi implantada a uma profundidade de cerca de dois mil metros, na Área 4 da Bacia do Rovuma.

Em Junho de 2022, o Governo e a multinacional petrolífera italiana, ENI, anunciaram o início da exploração do gás natural liquefeito, com a introdução, com segurança, do primeiro hidrocarboneto na plataforma flutuante, a partir dos reservatórios no alto mar, em Cabo Delgado.

A Galp está presente em Moçambique no segmento de Upstream desde 2007. A entrada no país foi marcada pela assinatura do contrato de farm-in com a Eni e com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) para a exploração da Área 4, localizada em águas que vão desde profundidades rasas a ultraprofundas da Bacia de Rovuma.

Em Novembro de 2022, teve início da primeira exportação de gás natural liquefeito (GNL), produzido na Bacia do Rovuma pelo Projecto Coral Sul FLNG.

A Galp, que detém 10% da Área 4 da bacia do Rovuma, conta como parceiros a Mozambique Rovuma Venture (MRV) que detém uma participação de 70% na Área 4 e é constituída por ExxonMobil (operador do projecto Rovuma LNG) através de uma participação de 35,7% na MRV, Eni (operador do projeto offshore Coral Sul FLNG) através de uma participação de 35,7% na MRV e China National Petroleum Corporation (CNPC) através de uma participação de 28,6% na MRV; Kogas com uma participação de 10%; Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), que detém 10%.

Recorde-se que a Galp chegou a acordo esta semana com a angolana Somoil para a venda de activos ‘upstream’ em Angola por 830 milhões de dólares (777 milhões de euros), indicou a companhia, num comunicado hoje divulgado.

“A Galp assinou um acordo com a Somoil – Sociedade Petrolífera Angolana S.A. para a venda dos seus activos ‘upstream’ em Angola”, lê-se na mesma nota, na qual a petrolífera detalhou que o valor da operação deverá rondar os 830 milhões de dólares, incluindo 655 milhões de dólares (613 milhões de euros) até à conclusão e mais 175 milhões de dólares (163,8 milhões de euros) em pagamentos contingentes em 2024 e 2025, dependentes do preço do Brent”.

A Galp não fez quaisquer comentários, quando questionada pelo mesmo jornal. A venda da participação no gás de Moçambique fará parte de um plano que passa pela saída da empresa de África na área upstream. À parte de Angola e Moçambique, a petrolífera ainda tem interesses nestes domínios em São Tomé e Príncipe e Namíbia.

 

GALP VENDE ATIVOS EM ANGOLA POR 777 MILHÕES DE EUROS

Ainda esta semana, a Galp chegou a um acordo com a Somoil – Sociedade Petrolífera Angolana para vender activos que controla em Angola para exploração e produção petrolífera (upstream) por cerca de 830 milhões de dólares (777 milhões de euros aproximadamente). O negócio foi anunciado, na última segunda-feira, no mesmo dia em que a petrolífera portuguesa revelou ter fechado em 2022 com um lucro de 881 milhões de euros.

A empresa liderada por Filipe Silva adianta que o negócio deverá estar concluído até ao final deste ano. Quando estiver concretizado, a energética portuguesa deverá encaixar logo 655 milhões de dólares (613,3 milhões de euros), de acordo com o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) de Portugal.

Os restantes 175 milhões de dólares (163,8 milhões de euros) serão recebidos posteriormente em pagamentos contingentes a efectuar em 2024 e 2025, cujo valor dependerá do preço do Brent, petróleo extraído no Mar do Norte.

Para Filipe SIlva, citado em comunicado, o negócio permite “cristalizar valor de activos maduros de upstream e apoiar a renovação do portefólio de upstream e a estratégia de descarbonização”.

“Estamos confiantes que a Somoil, já presente no Bloco 14, será um forte contribuidor para o desenvolvimento para o desenvolvimento destes ativos da Galp”, argumento o CEO da Galp.

O presidente-executivo da petrolífera francesa TotalEnergies considerou que o regresso às obras em Cabo Delgado não pode ser apressado e vai depender parcialmente dos custos de exploração do gás natural. O sector privado diz estar optimista com as declarações de Patrick Pouyanne, no sentido de que o empresariado deve começar a preparar-se para a retoma do projecto.

Patrick Pouyanne, responsável da petrolífera francesa que lidera o projecto de investimento de mais de 20 mil milhões de dólares na província de Cabo Delgado, deixou, assim, claro, na semana passada, que os custos serão importantes na decisão que está a ser avaliada sobre o regresso a Moçambique.

Reagindo às declarações, o empresariado nacional, representado pelo presidente do pelouro de hidrocarbonetos e energias da CTA, Simoni Santi, diz que a provável mexida em alta dos custos é estratégica para a multinacional francesa e que o sector privado deve começar a preparar-se para o arranque do megaprojecto.

“No meu ponto de vista, é, claramente, uma posição estratégica porque, se a gigante francesa declarar que vai iniciar com os subcontratos, pode elevar os preços e impor novas condições. Isto mais pelas variações que o mercado sofreu nos últimos meses. Os custos não foram estáticos”, explicou Simoni Santi.

O sector privado diz estar confiante nas negociações dos custos em caso do regresso da gigante francesa. “ Como sector privado, vamos defender a melhor renegociação possível, sem dúvidas.”

Já o consultor de petróleo e gás, José Mendes, afirma que a declaração do CEO da TotalEnergies é uma mensagem para o Governo, no sentido de alertar sobre o cenário inflacionário global e de transmitir a ideia de que não pretendem reduzir a sua rentabilização.

“Acho que quem deve acautelar-se é o Governo, para tentar perceber quais são [as propostas] que poderão ser trazidas à mesa por parte da TotalEnergies e garantir que não percamos mais do já perdemos. Sabemos que existe um decreto especial para a Bacia do Rovuma, que dá muitos benefícios às petrolíferas, e o histórico mostra que conseguem tirar dividendos quando pressionam com este instrumento. Como é que a rentabilidade do projecto não vai ser acfectada com os custos a subir? Alguém vai ter de ser prejudicado e elo mais fraco parece-me que seja o nosso Governo”, afirmou José Mendes, consultor de petróleo e gás.

Os intervenientes falavam, esta quarta-feira, no programa Noite Informativa da Stv Notícias.

O uso de viaturas movidas a gás nas empresas moçambicanas pode ajudar a diminuir os custos elevados de combustíveis líquidos e a contribuir para a preservação do meio ambiente. A ideia é defendida pelo gestor nacional de Transportes e Refrigeração da Coca-Cola Moçambique.

Diante das novas tecnologias e das transformações nas políticas destinadas a diminuir a poluição do meio ambiente, a Coca-Cola Moçambique identificou a necessidade de se ajustar aos padrões modernos, com a adopção de soluções mais sustentáveis.

Trata-se de duas viaturas movidas a gás apresentadas ao público esta quarta-feira, na Província de Maputo.

Segundo o gestor nacional de Transportes e Refrigeração da empresa Coca-Cola Moçambique, Pierino Traquinho, as viaturas têm a capacidade de fazer a conversão de gás e combustível líquido ao mesmo tempo.

“Com este sistema, conseguimos diminuir a emissão do dióxido de carbono em 20%, mas o principal objectivo é chegar à meta dos 40% ao longo dos anos”, revelou Pierino Traquinho.

Um camião e uma viatura de cabine simples são as primeiras conversões e ainda na fase experimental, mas já mostram resultados considerados positivos. No entanto, segundo a instituição, “estamos a falar de 17% em termos de poupança nos custos dos combustíveis”.

O gás natural é uma das principais ferramentas para a sua implementação, por isso o seu fornecimento será garantido pelos potenciais parceiros que apontam para maior sustentabilidade.

Para João das Neves, director executivo da Empresa Moçambicana Auto-gás, responsável pelo fornecimento de gás natural em algumas províncias do país, a conversão de viaturas para o uso de gás pode ajudar na economia do país e as próprias empresas nas alternativas de sustentabilidade e em termos ambientais.

A conversão de uma viatura, segundo empresas de gás, parte de 80 mil Meticais.

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