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O País – A verdade como notícia

A União Desportiva de Songo goleou a equipa do distrito de Moatize por 5-1, em jogo de preparação com vista a participação do campeão nacional nas afrotaças, concretamente na Liga dos Campeões onde, próxima quarta-feira, defronta o Nkana da Zâmbia, em partida da primeira mão da primeira eliminatória de acesso a fase de grupos.

Os “hidroeléctricos” não sentiram dificuldades para ultrapassar este adversário naquele que foi o primeiro jogo de preparação dos dois que foram agendados pelo técnico Nacir Armando, tendo em vista o jogo da quarta-feira. Neste jogo o destaque vai para os mais recentes reforços, Sunday e Infren, que marcaram pela primeira vez, mostrando que tem muito a dar, de apoio, a esta equipa, para atingir os objectivos de chegar longe nesta competição africana de clubes. Aliás, Sunday marcou dois golos e Infren marcou um, tendo os restantes dois golos sidos apontados por Hélder Pelembe e Terrence, respectivamente.

No que diz respeito aos reforços para a nova temporada futebolística da União Desportiva de Songo, no jogo que teve lugar esta quarta-feira, apenas Telinho não esteve no campo, mas os restantes estiveram, nomeadamente Amarachi, Bheu, Boné e Betão, para além de Sunday e Infren, que deram gosto ao pé.

Recorde-se que a União Desportiva de Songo foi a única equipa moçambicana a se disponibilizar para disputar as afrotaças nesta edição transitória, nomeadamente na Liga dos Campeões, quando o país tinha a possibilidade de levar quatro equipas.

O Nkana da Zâmbia terminou o campeonato local na segunda posição, com menos quatro pontos que o Zesco United, campeão nacional. O jogo da primeira mão desta primeira eliminatória disputa-se no “caldeirão” do Chiveve, campo escolhido pelo campeão nacional para jogos internacionais, uma vez que o seu campo, 27 de Novembro, não reúne condições para acolher jogos sob égide da CAF. A segunda mão terá lugar no dia 02 de Dezembro, em Kitwe, uma das cidades zambianas.

O técnico Antoninho Muchanga renovou o seu contrato com o Maxaquene por mais um ano, com direito de um outro de opção. A renovação decorreu ao longo da semana, tendo como objectivo principal, na próxima temporada, a melhoria da posição em que terminou esta temporada, bem como chegar o mais longe possível na Taça de Moçambique.

Antoninho Muchanga chegou a ser dado como certo no Incomáti de Xinavane, entre outros clubes do Moçambola, incluindo o Baía de Pemba, que ascende ao Moçambola-2019, logo após anunciar que ainda não tinha acordo com o Maxaquene, no final do jogo diante da União Desportiva de Songo, referente a última jornada do Moçambola-2018, em que a sua equipa foi a Songo vencer por uma bola sem resposta.

Na temporada ora terminada, Muchanga levou o Maxaquene ao quinto lugar no Moçambola, e perdeu nas meias-finais da Taça de Moçambique frente ao Costa do Sol, num agregado de 5-2, com 2-1 na primeira mão e 3-1, na segunda. O Costa do Sol foi a equipa que acabou conquistando a prova, após vencer o Ferroviário da Beira, na final, por 4-2, na marcação das grandes penalidades.

 

Sob orientação de Carlos Ibrahimo Aik, o Ferroviário de Maputo atingiu em 2006 a final da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores femininos, prova realizada em Libreville, no Gabão.

Nos quartos-de-final, a 27 de Outubro, as “locomotivas” travaram argumentos com o ISPU, a quem venceram por 73-68.

Com um duplo-duplo (22 pontos e 12 ressaltos), Deolinda Mulói Gimo comandou o Ferroviário de Maputo, tendo sido secundada por Ana Flávia Azinheira e atiradora Nádia Rodrigues, ambas com 12 pontos.

No ISPU, Amélia Macamo, agora Massingue, e Ana Branquinho evidenciaram-se com 19 pontos em 35 e 34 minutos na quadra, respectivamente.

A equipa do Ferroviário de Maputo era constituída por Júlia “Julinha” Machalela, Kátia Machai, Rute Muianga, Janete Monteiro, Nica Gemo, Zinóbia Machanguana, Sílvia Langa, Deolinda Gimo, Ana Flávia Azinheira, Nádia Rodrigues, Márcia Langa e Ondina Nhampossa.

A Politécnica, essa, contava com nomes quais Ana Branquinho, Amélia Macamo, Eduarda Chongo, Tânia Wachene, Marta Gange, Aleia Rachide, Iracema Ndauane, Vaneza Júnior, Vânia Filipe e Naila Simão.

Já em 2007, em Maputo, nova presença no pódio: terceiro lugar. Nos quartos-de-final, o Ferroviário de Maputo arrancou uma vitória a ferros frente ao First Bank da Nigéria por 71-69. Carla da Silva fez das suas com 21  pontos na sua conta.  Mas, nas meias-finais, caiu aos pés do 1º de Agosto de Angola com quem perdeu por 50-43.

Com reforço de duas americanas, nomeadamente Stephanie Faulkner, de 30 anos, e Monica Naltner, 23, o Ferroviário de Maputo apresentava na equipa as atletas Zinóbia Machanguana, Júlia Machalela, Janete Monteiro, Nádia Zucule, Rute Muianga, Carla da Silva, Tatiana Ismael, Ondina Nhampossa e Deolinda Gimo.

Oito anos depois, ou seja, em 2015, o Ferroviário de Maputo ficou em terceiro lugar numa prova havida em Luanda, Angola.

Na luta pelo acesso às meias-finais, as actuais vice-campeãs africanas derrotaram o Dolphins da Nigéria por cinco pontos: 79-74. Com 20 pontos em 30 minutos na quadra, Odélia Mafanela foi determinante na quadra do pavilhão multiusos do Kilamba. A nigeriana Ndidi Madu e Dulce Mabjaia contribuíram com 14 e 13 pontos, respectivamente.  

O Ferroviário de Maputo perdeu nas meias-finais com o Inter Clube por 70-51.

Comandadas por Leonel “Mabê” Manhique, as “locomotivas” tinham o seguinte plantel: Carla Pinto, Vilma Covane, Rute Muianga, Ingvild Mucauro, Cecília Henriques, Onélia Mutombene, Ana Suzana Jaime, Dulce Mabjaia, Ndidi Madu e Helen Ogunjimi e  Odélia Mafanela.

No ano seguinte, em Maputo, o Ferroviário de Maputo voltou a marcar presença numa final da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores femininos.

Nos “quartos”, uma vitória dificílima diante das argelinas do Groupement Sportif des Pétroliers (69-57) fez crescer as expectativas da conquista do título.

Ingvild Mucauro, com 16 pontos, cinco ressaltos e oito roubos de bola, foi a melhor unidade das “locomotivas”. 

Rute Muianga, Ingvild Mucauro, Cecília Henriques, Onélia Mutombene, Ana Suzana Jaime, Dulce Mabjaia, Odélia Mafanela, Anabela Cossa, Vilma Covane, Elizabeth Pereira, Brea Eduards e Rachel Alana Mitchell foram as atletas utilizadas por Leonel Manhique.

Finalmente, em 2017, novamente o Groupement Sportif des Pétroliers da Argélia no caminho das campeãs nacionais. No pavilhão multiusos do Kilamba, superioridade da equipa moçambicana que venceu por 83-44.

A queniana Sara Chan esteve em bom plano neste jogo com 19 pontos e nove ressaltos em 21:35 minutos na quadra, tendo sido secundada por Ingvild Mucauro com 15 pontos.

 

O Ferroviário de Maputo vai jogar, sexta-feira, com o KPA do Quénia nos quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores femininos.

Três vitórias diante do Equity Bank do Quénia, Vita Club da República Democrática do Congo e FAP dos Camarões, e uma derrota frente ao Inter Clube, colocam o Ferroviário de Maputo na segunda posição do grupo “A” da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores femininos com sete pontos.

No cruzamento dos quartos-de-final, a equipa moçambicana joga com o terceiro classificado do grupo “B”, neste caso o KPA do Quénia. É um adversário o qual o Ferroviário de Maputo venceu, a 15 de Novembro de 2017, em Luanda, Angola, por 68-34, em jogo da terceira jornada do grupo “B” da competição.

Para, primeiro, qualificar-se as meias-finais e depois assegurar a terceira presença consecutiva numa final da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol, há que corrigir os erros cometidos no embate com o Inter Clube. O jogo Ferroviário de Maputo – KPA do Quénia está marcado para sexta-feira, às 18 horas, no pavilhão do Maxaquene.

O seleccionador nacional, Abel Xavier, diz que o seu trabalho é definido em função das etapas e projectos já elaborados e que tem conteúdos que muitos desconhecem. Xavier garante que o principal objectivo do projecto é ver o crescimento e comportamento dos jogadores nacionais. “Desde o primeiro dia, quando cheguei ao país que me viu nascer e cheguei a FMF, sempre defini que as etapas que iria enfrentar eram suportadas por um planeamento que muitos chamam de projectos. O nosso projecto tem conteúdo e etapas cujas decisões não são visíveis ao povo, mas o que queremos é ver o crescimento e o comportamento dos jogadores”, disse o seleccionador nacional.

Abel Xavier esclareceu que em todas selecções nas quais vem trabalhando “com muito curto espaço de tempo”, os jogadores sempre deram sinais de crescimento, desde os sub-17 e os sub-20, garantindo que “há objectivos que queremos consolidar e ultrapassar que é competir com os demais que tem melhores condições”, nomeadamente selecções de grande potência ao nível africano.

O seleccionador nacional diz que há muita matéria-prima no país e “devemos estruturar da melhor maneira para que esta matéria-prima possa entroncar nas equipas do campeonato oficial que temos, que é o Moçambola, como forma de haver continuidade no seu crescimento e comportamento.

Relativamente a selecção sub-23, Xavier disse sentir-se satisfeito com o seu comportamento, pois é composta por jovens com ideias de uma nova mentalidade. “Por isso sempre disse que Moçambique tem futuro, tem geração de continuidade e penso que estes resultados devolvem uma crença ao povo” em relação às selecções nacionais.

MENSAGEM AOS MOÇAMBICANOS

Àqueles que acreditam e apoiam o trabalho que é desenvolvido na selecção nacional, o seleccionador nacional diz que não há dia sequer que quando entra para trabalhar não esteja a pensar nas vitórias. “É que muitas vezes estamos expostos a questão resultadista e depois exigem coisas que depois não nos dão para essa mesma exigência”, disse Abel Xavier para explicar aquilo que considera estar a acontecer e que é um estender da alegria que “queremos dar ao povo”.

VOZES QUE CRITICAVAM O MISTER

No que diz respeito aos críticos, Abel Xavier diz ter nenhuma mensagem, mas “penso que existe um espaço para eles”. “O que estamos a fazer por Moçambique nunca foi feito, mas não quer dizer que não podemos perder”, começou por dizer e assumir Abel Xavier, para depois deixar aquilo é o seu pensamento e desejo no trabalho que está a fazer na selecção nacional: “fazer Moçambique ser uma selecção forte”, mas para isso, “tem que haver continuidade e compreensão alargada de vários executores internos e externos”, pois o país tem futuro.

Abel Xavier diz que não está acima de ninguém, mas está “com aqueles que estão comigo”, tendo em conta que o seu compromisso e da estrutura técnica que acompanha o luso-moçambicano é “máxima à causa nacional”. E o compromisso dos jogadores é uma extensão daquilo que é pedido pela equipa técnica.

BALANÇO PRELIMINAR DO ANO

O seleccionador nacional terminou dizendo que não pode avaliar o ano desportivo 2018, até porque não comanda um clube, mas sim uma selecção. Xavier diz que age em conformidade com as datas que existem para as selecções nacionais. Portanto, “a equipa pode ser mais competitiva tendo mais capacidade de treinos e jogos, tal como aconteceu em 2017. Neste ano criamos competições em maiores quantidades para a formação e vamos ter actividades de formação”, referiu Abel Xavier.

Francisco saiu ano passado da Liga Desportiva de Maputo para Portugal, onde foi prestar testes no Marítimo. Não conseguiu singrar na equipa principal, que já tem no Zainadine Jr. um dos capitães e titular indiscutível na defensiva madeirense. Mas porque tem muito talento, a equipa da Madeira optou por ficar com o jogador, que tem estado a evoluir na equipa B.

Diz que a experiência está a ser boa e o facto de já estar a jogar na equipa secundária, abriu espaços para ser chamado à selecção nacional de esperanças, os sub-23. “Pude vir ajudar a selecção a qualificar-se para a eliminatória seguinte com um golo e estou feliz. Vou continuar a trabalhar para ajudar o meu clube e a selecção quando me chamarem”, promete Francisco, autor do golo do empate em Eswatini, que garantiu a passagem dos Mambinhas à segunda fase de qualificação ao CAN-2019, onde vai defrontar o Zimbabwe.

O jogador moçambicano acredita que estar no Marítimo é um trampolim para chegar a grandes clubes europeus, pois: “durante o trabalho dou o meu máximo. Acredito nas minhas capacidades e que com mais trabalho vou chegar lá”, afirma esperançoso Francisco.

Jogar no Real Madrid, Barcelona, Manchester ou outro qualquer clube grande é a ambição de Francisco que agradece a todos que tem apoiado a sua carreira. “Quero agradecer a todos os que me apoiam e dão força para vencer, dizer que vou superar tudo e acredito que estarei no topo e pedir a essas pessoas para que continuem a me apoiar”, terminou satisfeito Francisco, logo após o fim do jogo entre Eswatini e Moçambique, que terminou com empate a uma bola, que qualifica a formação nacional à segunda fase de acesso à fase final do CAN-2019, que por sua vez qualifica as três primeiras posicionadas aos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

Nasceu na Província de Gaza, há 72 anos, tendo saído de Moçambique em 1969 para Portugal, onde passou a ser exibido como artista de circo. O seu gigantismo fê-lo viajar por quase todo mundo. Era, na altura, o homem mais alto do mundo. Regressou ao país depois da Independência. Uma grave queda, a segunda na sua vida, em Janeiro de 1990, foi-lhe fatal: fez um traumatismo craniano e morreu no Hospital de Maputo com apenas 45 anos.

Gabriel Mondlane, conhecido pelo Gigante de Manjacaze, um homem com 2.50 metros de altura, constou do “Guiness Book” (Livro dos Recordes) durante largos anos.

O GIGANTE… “AO VIVO”

O meu irmão mais velho, o Cipriano, era jornalista do Diário de Moçambique. No ano de 1965, foi incumbido de ir a Manjacaze reportar o aparecimento de um jovem que aos 20 anos já ultrapassara os dois metros de altura. Passou a ser o assunto do momento.

Segundo me contou, quando chegou à casa do gigante, ele não estava presente. A mãe, após as apresentações, pediu para que aguardasse. Não tinha então a dimensão do que estava para aparecer. Minutos depois assistia, pasmado com o que via, pois por cima da copa das árvores, surgiu uma figura de tamanho impensável: era o gigante de Manjacaze, até então desconhecido na Nação. Tinha o privilégio de reportar algo até então desconhecido.

As reportagens foram “consumidas” com avidez no Lourenço Marques de então. Desde logo, os apetites dos empresários aguçaram-se e em pouco tempo o Gabriel Mondlane veio para a capital. A sua presença dominava as conversas. Tínhamos, em Moçambique, o homem – faltava confirmar – mais alto do Mundo. Isso passou a atrair curiosidades, muito particularmente da metrópole de então.

Eu, na altura com 16 anos, li e ouvi comentários, mas não tinha a dimensão de como seria o “tal” homem mais alto do mundo. Uma coisa é ver fotos e ler artigos nos jornais e a outra é estar diante dele. E isso acabou acontecendo.

Passava pela Avenida Manuel de Arriaga (hoje Samora Machel), num fim de tarde, quando vi muita gente de pescoço esticado, diante da montra da Reis & Basto Juvenil, um pouco acima da Pastelaria Scala. Juntei-me ao grupo, pus-me em bicos de pés e através da montra, vi o gigante. Não me impressionou. Admiti que era alto, mas… nada de especial. Porém, a surpresa estava para vir porque o Gabriel Mondlane foi convidado a sair do estabelecimento para uma “foto de família” na rua. Aí, a minha surpresa, feita estupefacção, não poderia ser maior.

Porquê? Afinal, o Gabriel não era grande, era… imenso. Do local onde ele estava antes, eu não conseguia vislumbrar que ele se encontrava… sentado! Quando veio para a Avenida e se foi pondo, aos poucos, de pé, vi a sua cabeça enorme subir, subir, subir… Parecia que para nunca mais parar!

Afinal, o homem era mesmo um gigante!

Soube depois que o Gabriel gostava muito de crianças e era uma pessoa calma e tímida. Estava longe da imagem que se projectava dos gigantes nas leituras infantis para obrigar as crianças a comer a sopa. Pelo seu olhar tímido, via-se que não convivia bem com a fama e com o facto de não poder passar despercebido. Aceitava a sua anormalidade com pouca naturalidade, quase como um castigo e com resignação. Sentia-se como que envolvido numa fama para a qual nada tinha feito para atingir.

VÍTIMA DOS “BUSINESS”

Veio depois a fama, mas com custos. Um empresário que não se pode dizer que tivesse muitos escrúpulos, tomou de imediato a “paternidade” do gigante. O Gabriel passou a ser exibido no interior de uma tenda da Feira Popular de Lourenço Marques. Pagava-se para entrar e havia uma cesta à sua frente com o letreiro “Obrigado”. Era para as contribuições, mais esmola que donativo.

Mas a sua presença nos holofotes de Lourenço Marques, foi sol de pouca dura. Havia apetites maiores. Apesar de ser um homem doente, meio deficiente, tudo da sua anormalidade servia para se fazer negócio. A sua cara enorme, o comprimento das suas pernas, o número 60 do seu sapato, enfim.

E foi assim que numa gala de despedida no Cinema Manuel Rodrigues, o gigante foi figura de cartaz na despedida para Lisboa, para onde iria satisfazer outros apetites. Houve música para todos os gostos, com referências de gratidão à Província.

Ultramarina que havia ”parido” um cidadão que iria ser mostrado ao mundo. No palco, com sapatos de tacão alto, um fato quase circense, o gigante foi apresentado pela última vez.

“Obrigado, Felicidade, Adeus”! Foram as palavras de despedida.

E foi assim que do alto dos seus dois metros e meio, pesando cerca de 180 quilos, o gigante de Moçambique como passou a ser conhecido. Chegou a Portugal, causando grande alvoroço e curiosidade: apoiava-se numa bengala e sorria quando alguém o cumprimentasse. Tinha umas mãos muito grandes… e uns pés que nunca mais acabavam.

Foi usado em circos ou eventos privados, como coisa rara e insólita. Depois viajou por todo o mundo. Gabriel Mondlane e o anão de Arcozelo – o homem mais alto e o mais baixo do mundo – estiveram no velório de Salazar. Lado a lado, em pose tensa e respeitosa, foram dar o último adeus ao ditador.

Ferroviário de Maputo e Inter Clube protagonizam, nesta terça-feira, às 18h00, no pavilhão do Maxaquene, o jogo de destaque da quarta jornada do grupo “A” da 24.ª edição da Taça de Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores femininos.

Ao quarto dia, jogo grande na quadra da catedral do basquetebol moçambicano. Reedições. Pois, claro, reedição da final de 2016 em Maputo, quando Sequoa Holmes (MVP da prova) e Italee Lucas, ou melhor o Inter Clube “gelou” o pavilhão do Maxaquene ao vencer na final ao Ferroviário de Maputo por 67-49.

Mais: reedição das meias-finais de 2017, ai que jogo no pavilhão multiusos do Kilamba, em que o Ferroviário de Maputo “deu o troco” e venceu por 71-62.

Um duplo-duplo de Odélia Mafanela (19 e 11 ressaltos) foi determinantes para uma recuperação no marcador do Ferroviário de Maputo.

Destaque também para a espanhola Gisela Vega que contabilizou 14 pontos em 22:34 minutos na quadra.

Ngendula Filipe, também com um duplo-duplo (dez pontos e igual número de ressaltos), foi a tal no Inter Clube que fez uma campanha desastrosa ao terminar a prova na quarta posição.

Italee Lucas, a base americana naturalizada angolana? Foi simplesmente secada por Elizabeth Pereira, agora transferida para o Costa do Sol.

Recuámos três anos, ou seja, em 2015, o Ferroviário de Maputo e Inter Clube estiveram inseridos no grupo “B” da 21. ª edição da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores femininos, prova realizada em Luanda, Angola.

A 28 de Novembro, no Kilamba, houve jogo de cortar a respiração. As “polícias” venceram por um ponto (64-63) com Ana Suzana Jaime a ser o destaque no Ferroviário de Maputo com 19 pontos contabilizados.

Para não variar, Italee Lucas comandou o Inter Clube com 16 pontos, tendo sido secundada por Nadir Manuel com 10.

Novo encontro, na mesma prova, nas meias-finais. Foi precisamente a 5 de Dezembro com as angolanas a saírem-se melhor com uma vitória por 70-51.

Com um duplo duplo, ou seja, 15 pontos e 10 ressaltos, Nadir Manuel levou o Inter Clube à final na qual perdeu com o 1º de Agosto.

Os 12 pontos da estoica Odélia Mafanela não foram suficientes para o Ferroviário de Maputo chegar a final.

Para esta competição, as duas formações reforçaram-se com atletas norte-americanas. O Ferroviário de Maputo foi buscar Cierra Robertson-Warren e Carmen Tyson Thomas, esta última que ainda não fez jogos devido a questões administrativas.

Já o Inter Clube recrutou Amanda Thompson, extremo-poste de 31 anos, e Suriya Annamarie MC Guire, extremo de 27 anos.

DOMINADORES AO NÍVEL INTERNO

Ferroviário de Maputo e Inter Clube dominaram as provas internas. Em Junho, as “locomotivas” conquistaram a Engen Maputo Basket, Campeonato da Cidade, ao derrotarem o Costa do Sol por 60-59 no jogo três dos “play-off” da final da competição.

Um mês depois, novo troféu: o Ferroviário de Maputo sagrou-se campeão nacional de basquetebol em seniores femininos ao vencer na final o seu homónimo das Mahotas, por 68-65. As “locomotivas” conquistavam, desta forma, o quinto título consecutivo.

Já o Interclube conquistou, em Junho, a Supertaça de basquetebol sénior feminino de Angola ao derrotar o 1º de Agosto, por 64-54, em jogo disputado na Arena do Kilamba e que marcou a abertura da época 2018/2019.

Depois, em Agosto, o Interclube conquistou o campeonato angolano de basquetebol ao derrotar o rival 1º de Agosto (77-49) no quarto jogo dos play-offs da final. Para esta competição, Apolinário Paquete treinador do Interclube, conta com a regressada Nadir Manuel, atleta que andou arreda depois de ter sido mãe

As suas fintas e simulações, o flectir para o centro do terreno, em especial vindo da direita com a bola colada aos pés, tornava tudo possível. E quanto mais duros e difíceis fossem as defesas, mais ‘’gozo’’ lhe dava enfrentá-los. Fraco no jogo aéreo, compensava isso com a forma como se desmarcava e buscava as melhores opções para fazer da grande área o seu mais apetecido espaço de acção.

Este é o retrato de Gil Guiamba, que marcou um período de ouro do futebol moçambicano e que tinha condições para ir bem mais longe, caso o mercado de transferências não tivesse sido fechado. Era um brigão da área que adorava duelos com as defesas, nunca se retraindo. A sua arma principal era a intermitência dos ‘’piques’’.

Uma característica particular de Gil Guiamba, é que era jogador 'só” para os grandes momentos. Tinha que estar em boa forma física e ter alta motivação. Disso cuidava o seu treinador, Martinho de Almeida. Daí que, nos momentos altos, colocava o Estádio da Machava em polvorosa, quer jogando pelo Costa do Sol, quer pela Selecção Nacional.

Um golo para a história

Foi dele um dos dois melhores golos moçambicanos de todos os tempos, algo que ficou na retina de quem o presenciou e que deveria figurar nos anais do jogo da bola.

Aconteceu na tarde de 3 de Abril de 1983, com o Estádio da Machava cheio que nem um ovo. O adversário era a terrível equipa dos Camarões, que havia atingido as meias-finais do Mundial de 82 e cuja figura de proa se chamava Teophilo Abega. Jogava-se ainda a 1.ª parte, quando o nosso ponta-de-lança captou o esférico pouco depois do meio-campo, fintou o primeiro contendor partindo, imparável, com um adversário à ilharga.

De repente, tudo aconteceu. O internacional moçambicano, ao seu jeito, protagonizou um “pára-arranca-pára-arranca’’, tão rápido que deixou pelo caminho o seu opositor, estupefacto. O guarda-redes camaronês saiu ao encontro da jogada, numa altura em que Gil já havia lançado um ‘’chapéu de abas largas’’, que acabou sendo um tónico para o 3-0 com que o jogo terminou, numa das mais memoráveis tardes futebolísticas de sempre.

Gil começou a sua carreira no Nova Aliança de Maputo, foi bi-campeão pelo Costa do Sol, actuou 22 vezes pela Seleccão Nacional, com 11 golos obtidos, passando depois para o Estrela Vermelha. “Passou ao lado” de uma grande carreira internacional ao não lhe ter sido permitida a emigração, numa altura em que 'já não cabia” no futebol doméstico.

Ao longo da sua vida, sempre privilegiou a formação académica, sendo um reputado economista da praça.

 

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