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O País – A verdade como notícia

O Sporting Clube de Portugal, equipa na qual milita o moçambicano Jeremias Manjate, conquistou, no final de semana, a sétima Taça de Portugal em basquetebol sénior masculino.

Foi preciso serem mortais para vencerem o Imortal BC, por 83-59, por forma a garantirem a segunda Taça consecutiva para o poste moçambicano, depois de, no ano passado, terem vencido, na final, o FC Porto. Os “leões” repetem a proeza de há 47 anos, quando venceu a competição por duas ocasiões seguidas.

Aliás, para chegar a esta final, o FC Porto foi a vítima do Sporting, mostrando o seu melhor momento na bola ao cesto em masculinos e, diante da equipa, sensação deste ano, que eliminou o SL Benfica nas meias-finais, não teve muitas dificuldades e acabou por vencer por 24 pontos e conquistar o troféu.

Jeremias Manjate esteve no 12 escolhido para esta final e teve alguns minutos em campo, tendo contribuído com um ponto para o conjunto de Luís Magalhães que não deu qualquer hipótese ao Imortal BC e foi construindo, aos poucos, uma vantagem confortável, que se fixou nos 32-44 ao intervalo.

Nos dois últimos períodos, o Sporting manteve-se cada vez mais confiante, com o adversário a tentar responder com lançamentos de três pontos, na maioria das vezes sem sucesso, para evitar ter de furar a defesa leonine bem composta.

Sem espaço para contrariar o favoritismo dos “leões”, o Imortal BC acabou por vergar no final e o resultado de 83-59 acabou por não ser contestado e merecido para o vencedor.

Depois desta partida disputada no passado domingo, os Leões voltam a entrar em acção no próximo sábado, dia 17 de Abril, na deslocação à casa da UD Oliveirense (5° com 43 pontos), em jogo referente à última jornada da fase regular da Liga Placard, a precisar de vencer para fazer a dobradinha, tendo em conta que lidera com mais um ponto em relação ao FC Porto.

Moçambique qualificou-se, hoje, pela primeira vez, para o CAN em futebol de praia, após golear as Comores por 10-3, em jogo da segunda mão da única eliminatória de acesso à prova continental a ter lugar no Senegal.

Fez-se festa na arena da Costa da do Sol…e não era para menos. É que a primeira vez que o pátria amada vai-se ouvir numa fase final do CAN de futebol de praia.

Vamos à história do jogo. A goleada começou a ser desenhada logo no primeiro minuto por intermédio de Gerson Chivale. Três minutos depois, foi a vez de Rachide Smith a enviar um canhão que só foi travar na baliza Comoriana.

Os visitantes reduziram a desvantagem para 2-1 por intermédio de Ammar Said.

O conjunto nacional não se resignou e marcou o terceiro por Nelson Manuel e o quarto através de Rachide, que assim, bisava na partida deixando os comorianos em apuros. Com o 4-1 terminou o primeiro período.

No arranque do segundo período, os visitantes mudaram de guarda-redes, mas, mesmo assim, Moçambique engordou a vantagem por intermédio de Yuran Malate que fez o 5-1.

O sexto não demorou, e veio por intermédio de Hélio Mahota.

Nelson Manuel aproveitou o bom momento da selecção para também a bisar fazendo o 7-1. O oitavo foi da autoria de Júlio Manjate, resultado com que terminou o segundo período.

No terceiro período, já embalados, os moçambicanos voltaram a fazer balançar as redes do adversário por Ramossete Cumbe.

Os comorianos ainda marcaram dois golos, mas o dia era mesmo de Moçambique e Nelson Manuel fez o hatch trick, fechando a contagem em 10-3 e carimbando a presença histórica de Moçambique num CAN em futebol de praia.

Com a vitória, o país qualifica-se para a maior competição Africana da modalidade com o agregado de 17-8, no conjunto das duas mãos.

Moçambique desceu 11 lugares no ranking da FIFA actualizado esta quarta-feira e passou da posição 106 para a posição 117, com menos 23.45 pontos em relação a última actualização de Fevereiro. Para esta descida contribuíram as duas derrotas de Março, de qualificação ao CAN dos Camarões.

A 18 de Fevereiro, na primeira actualização anual, os Mambas ocupavam a 106ª posição, com 1185 pontos, antes dos dois jogos de qualificação ao CAN-2021. Vieram os jogos diante do Ruanda e Cabo Verde, selecções tidas como acessíveis e em que o combinado nacional precisava de um empate e uma vitória.

Mas num espaço de uma semana sofreu duas derrotas, ambas pelo menos resultado de 1-0, em Kigali e Maputo, sendo relegado da segunda para a última posição do grupo F de qualificação ao CAN, com quarto pontos.

Estas derrotas tiveram efeitos negativos para o país, desde a não qualificação ao CAN, passando pelo afastamento da equipa técnica dos Mambas, e agora uma descida brusca no ranking da FIFA.

Esta quarta-feira a FIFA actualizou o posicionamento das selecções nacionais e Moçambique desceu 11 lugares, ocupando agora a posição 117, com 1165.55 pontos, menos 23.45 em relação a actualização de Fevereiro.

Os Mambas estão furos abaixo em relação a Camarões, que desceram cinco lugares, depois da derrota na cidade de Praia e empate em casa, e estão na 55ª posição, e em relação a Cabo Verde, 73º posicionados, depois de subir sete lugares.

Mas estão acima do Ruanda, que depois da vitória sobre os Mambas e empate frente aos Camarões subiram quarto lugares e estão na posição 129.

Em relação aos adversários no grupo de qualificação ao Mundial do Qatar, todos qualificados ao CAN, os Mambas são a pior selecção, já que Camarões está 55ª posição, Costa do Marfim na 59ª posição, depois de subir dois lugares, e Malawi, que subiu oito lugares e está na 115ª posição.

O ranking africano é liderado pelo Senegal, na 22ª posição, seguido da Tunísia, 26º, Nigéria, 32º, Argélia, 33º, e Marrocos, no 34º lugar a fecharem o top cinco.

A nível mundial tudo na mesma, com Bélgica a liderar, seguido da França, Brasil, Inglaterra e Portugal.

Reinildo Mandava anula Di Maria e é preponderante para a vitória do Lille sobre o PSG, por 1-0. O internacional moçambicano foi considerado a melhor unidade da defesa do Lille. Já Luís Miquissone, desta vez na 5ª jornada, foi novamente eleito para o onze ideal da Liga dos Campeões africana.

O fim-de-semana Santo foi de bênçãos para alguns jogadores moçambicanos que actuam no estrageiro. Em terras francesas, Reinildo Mandava foi “gigante” no Parque dos Príncipes, terreno do PSG. Totalista no jogo em que o Lille venceu o Paris-Saint-Germain por 1-0, Isolando-se, desta feita, no comando da tabela classificativa, com 66 pontos, mais três que PSG, o jovem de Chiveve colocou Di Maria e Mbapé em sentido.

Bom taticamente a defender e atacar, a imprensa francesa destaca os bloqueios feitos com categoria na ala esquerda e os contra-taques venenosos por si elaborados.

No total, a defesa fez três desarmes, quatro interceções, dois alívios e igual número de dribles.

Nos duelos, foi superior em oito, dos 13 disputados. E no jogo aéreo, fez o corte in-extremen na única vez que lá foi.

Com uma precisão de 78.1%, completou 25 passes. Foi bem-sucedido em um cruzamento, de duas tentativas e completou apenas um passe longo de cinco lançamentos.

Disciplinarmente, o jovem jogador rocou a perfeição, tendo recorrido à uma falta apenas para parar o adversário.

“MIQUISSONE ESTRONDOSO”

Já Luís Miquissone, depois de ter estado ao serviço dos Mambas, voltou ao Simba, viu e venceu. O internacional moçambicano abriu as hostilidades da vitória do Simba por 4-1, sobre AS Vita Club da República Democrática do Congo.

O prodígio de Angónia foi titular na recepção aos congoleses e abriu o caminho para o triunfo da sua equipa, a passagem do minuto 30.

Por conta da sua actuação, Miquissone voltou a merecer destaque ao constar no onze ideal da 5ª jornada da Liga dos Campões africanos. Foi a segunda vez em que o jogador se figura nos destacados, depois de ter estado no onze na 2ª jornada, após exibição estrondosa diante do Al Ahly do Egipto. Nesse jogo de reencontro com Pitso Muzimane, antigo treinador do jogador, no Mamelodi Sundowns, na África do Sul, o homem de Tete fez o único golo que deu vitória aos tanzanianos.

Já Mexer foi titular na derrota do Bordeaux, diante do RC Strasbourg, por 2-3, mas acabou sendo substituído aos 67 minutos do jogo, por croata Toma Basic. Com a derrota averbada, a equipa do internacional moçambicano trocou de posição com Strasbourg e passou para a 14ª com 36 pontos.

Zainadine Jr entra em acção esta noite, com o seu Marítimo que se desloca ao Estádio da Luz para defrontar o Benfica.

A 10 jornadas do fim do campeonato, o Marítimo ocupa, actualmente, a 17ª posição, com 21 pontos e precisa de vencer, urgentemente, de modo a resolver a manutenção quanto cedo.

Já lá vão seis dias desde que Luís Gonçalves foi demitido do comando técnico dos Mambas, depois da derrota sofrida há uma semana, diante do Cabo Verde, que ditou o afastamento do combinado nacional da fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN), dos Camarões, em 2022.

Sem seleccionador nacional, mas já a pensar nos próximos compromissos internacionais dos Mambas, nomeadamente o torneio regional da Cosafa, em finais de Maio, e a primeira dupla jornada de qualificação ao mundial do Qatar, onde os Mambas vão defrontar Costa do Marfim e Malawi, a Federação Moçambicana de Futebol já procura um novo timoneiro para a selecção nacional.

São quatro nomes cogitados para substituir Luís Gonçalves do comando dos Mambas, dois deles moçambicanos e outros dois estrangeiros, com destaque para Dário Monteiro que está na mira de sentar no banco da equipa de todos nós. Para além de Monteiro, Chiquinho Conde também está na lista, bem como Daúde Faquirá e Litos, esses dois portugueses e que já treinaram no país.

Dário Monteiro leva vantagem por já conhecer a Casa do Futebol, tendo em conta que é o actual seleccionador nacional do sub-20, selecção com a qual conquistou o torneio regional da Cosafa da categoria, feito histórico que elevou o nome do técnico, ora emprestado à Liga Desportiva de Maputo, sendo funcionário da Federação Moçambicana de Futebol.

Outra vantagem que Dário Monteiro leva nesta batalha pelo banco técnico dos Mambas é o facto de permitir um rejuvenescimento ao combinado nacional, tendo em conta que já trabalha com as camadas de formação das selecções nacionais, futuro dos Mambas.

Já Chiquinho Conde tem alguma vantagem por conhecer o futebol moçambicano e ter trabalhado em Moçambique com equipas locais, dentre elas o Maxaquene, Ferroviário de Maputo e União Desportiva de Songo, estando, neste momento, a viver em Portugal, onde esteve a treinar a equipa B do Vitória de Setúbal. Chiquinho Conde já treinou os Mambas numa única partida, em 2010, num particular com Portugal, realizado na África do Sul, de preparação da selecção tuga para o mundial. Nessa partida, os Mambas perderam por 3-0, depois de terem empatado sem abertura de contagem no final da primeira parte.

Já Daúde Faquirá, que tinha cogitado antes de Abel Xavier, actualmente treinador do Sporting da Covilhã, e Litos, sem clube, mas tendo já trabalhado com a Liga Desportiva de Maputo, são outros nomes pensados, Segundo fonte da Federação Moçambicana de Futebol.

O nome do novo seleccionador nacional deverá ser conhecido nos próximos dias para permitir que possa acompanhar os jogadores que serão convocados para os próximos compromissos dos Mambas, nomeadamente o torneio Cosafa, inicialmente agendado para acontecer na vizinha África do Sul, de 31 de Maio a 16 de Junho, para além da dupla jornada de fase de grupos de qualificação ao mundial do Qatar, em 2022, respectivamente diante da Costa do Marfim, entre 5 a 8 de Junho, e frente ao Malawi, entre 11 e 14 de Junho próximo.

O ex-seleccionador nacional de futebol, Luís Gonçalves, disse que muita coisa aconteceu para que os Mambas não se qualificassem ao CAN dos Camarões, dentre aspectos organizacionais e a pandemia, para além da influência de terceiros. Gonçalves diz que a nossa organização (FMF) tem muito por melhorar e que não foi devidamente explorado. Diz que o seu contrato não era por objectivo e que terminava em finais de 2022

Luís Gonçalves escalou a sede do grupo Soico para uma entrevista ao programa Ao Ataque da Stv, onde abordou o passado, presente e futuro do futebol moçambicano. Nas linhas abaixo segue a entrevista, na íntegra, com o ex-seleccionador nacional, Luís Gonçalves.

 

Mister, o que falhou para que os Mambas não se qualificassem ao CAN?

Falharam várias coisas. Se olharmos apenas para dentro das quatro linhas e do jogo, essencialmente falhamos porque não fomos eficazes. Criámos muitas oportunidades de golo, muitas situações de golo, e não foi somente neste jogo, mas infelizmente uma das brechas do futebol moçambicano, que é a finalização, continua a penalizar a selecção nacional. Não é por falta de empenho dos jogadores, não é por falta de profissionalismo, mas é um facto. É uma questão de ver as estatísticas do jogo. Neste jogo creio que tivemos cerca de 16 remates, contra oito do adversário. Mas prontos, tivemos muitas oportunidades, tivemos um volume de jogo ofensivo e não marcamos. Isto dentro das quatro linhas. Mas há outras situações de circunstâncias que condicionam a preparação de jogos. É de domínio publico que o Moçambola não está a decorrer por conta da Covid que afectou todas equipas. Mas há selecções que são penalizadas em relação a outras em função das opções que tem a disposição. Quando o PR comunicou que o Moçambola iria parar imediatamente fiz saber que queria realizar um estágio interno de três semanas, e elaborei, inclusivamente uma lista de 32 jogadores e queria minimizar o impacto desta paragem repentina, mas este estágio não chegou a acontecer.

 

Qual foi a justificação que a FMF alegou para que o estágio não acontecesse?

Falaram de questões de logística e financeiros. E eu como profissional tenho que aceitar. Mas atenção que não estamos aqui a apontar o dedo a A,B ou C, estamos a constatar os factos que aconteceram, e que realmente tiveram alguma influência na preparação da equipa e no resultado final. Mas não me excluo e nunca iria fazer isso, da responsabilidade, tendo que até há bem pouco tempo era o responsável máximo da selecção e porque os resultados não apareceram, tenho a minha quota de responsabilidade. Mas é bom que se diga que a conjuntura não era de todo favorável. Penso que todas as pessoas que acompanham o futebol e estão ligadas ao fenómeno do futebol percebem isso.

 

Estando cientes Luís Gonçalves que aquela seria a derradeira fase de colocar os Mambas no CAN, teria dito ao elenco de Feisal Sidat que as condições não estavam criadas, nomeadamente a paragem do Moçambola e a não vinda de jogadores estrageiros, para esse objectivo?

Não, não. Não disse porque não é minha obrigação dizer e temos que trabalhar com o que temos. Trabalhar com as condições que temos e, apesar de todas dificuldades, eu acreditava que era possível chegar. Quem viu o jogo sabe que teria sido possível, apesar de olhar para o “onze” e ver muitos jogadores habituais na selecção que não estavam, sem desprimor os que estavam e fizeram um bom jogo, deram o seu melhor e honraram a camisola nacional, mas apesar das dificuldades sempre acreditei porque acredito muito no meu trabalho e nestes jogadores. Há coisas que devem melhorar ao longo do tempo, mas há coisas que não vamos conseguir melhorar amanhã, mas há coisas que decorrem, também, de coisas estruturais, de formação, de condições, etc. Mas não estamos aqui a arranjar desculpas, são factos.

 

Mister já trabalhou em Moçambique como adjunto de Abel Xavier e conhece o futebol moçambicano. Acreditava neste projecto de levar os Mambas a uma fase final de um CAN, mesmo tendo em conta que há 11 anos o país não chegava lá?

Realmente vim a Moçambique como adjunto de Abel Xavier num projecto, e em Maio de 2018 decidi sair, segui meu caminho e depois estava na China num projecto da federação chinesa. Quando me convidaram para vir treinar a selecção de Moçambique tive que contar com a compreensão dos dirigentes da federação chinesa e agradeço a eles por isso, aceitei porque é um país que também considero meu, e conhecia muito bem este grupo de jogadores, esta geração, com uma e outra entrada e saída, mas a base era a que conhecia desde o início. E por conhecer bem estes jogadores e o seu potencial, eu acreditava e sempre acreditei que era possível fazermos algo muito positivo. Portanto, apesar de todas dificuldades que nós conhecemos do futebol moçambicano continuo a acreditar que esta selecção pode atingir a qualificação a um CAN. Claro que a meio do percurso há outras condições que se levantam, como a pandemia que afecta a toda gente. Mas também acredito que a pandemia veio por mais a nu as organizações mais frágeis e as dificuldades foram muitas por causa disso.

“Nossa organização tem muito por melhorar”

A nossa organização é fragilizada?

A nossa organização tem muito para melhorar e toda gente reconhece isso. E não é mal nenhum. Eu, por exemplo, faço uma reflexão do meu desempenho profissional e não sou perfeito porque cometo erros e procuro sempre melhorar. Mas nós, acima de tudo, temos que ser mais profissionais. Acho que isso é importante. No futebol moçambicano temos que, todos, e não me excluo, temos que tentar ser profissionais. As vezes não é possível e as vezes, por mais profissionais que sejamos, por mais vontade que tenhamos, as vezes as condições não são possíveis, por falta de condições ou porque a conjuntura não é favorável ou porque somos afectados por decisões de terceiros. Mas penso que podemos fazer muito melhor.

 

Neste projecto que abraçou na selecção nacional, que tinha como principal objectivo qualificar os Mambas ao CAN, houve influência de terceiros que acabaram ditando este percurso inglório?

Para já dizer que não tinha como principal objectivo qualificar os Mambas ao CAN. Apenas era um dos objectivos. Essa foi uma ideia que foi vendida a partir de uma certa altura, mas era um dos objectivos, mas claro todos queríamos qualificar ao CAN e eu e minha equipa técnica fizemos de tudo que estava ao nosso alcance para nos qualificarmos, mas não foi possível. Mas isso não era único objectivo, porque não se faz um contrato até finais de 2022 com único objectivo de ir ao CAN. Para isso o contrato terminava quando terminasse esta fase de qualificação ao Mundial do Qatar. Os objectivos passavam por uma intervenção mais abrangente, e foi com essa primícia que vim cá, de colaborar no desenvolvimento do futebol moçambicano. Por exemplo, não era somente seleccionador nacional da selecção AA, mas também da selecção sub-23, e coordenador técnico das selecções de formação, sub-20 e sub-17. Só dai já dá para perceber que minha intervenção era muito mais abrangente.

 

“Se fosse contrato por objectivo do CAN não aceitaria”

Se fosse um contrato somente para qualificar os Mambas ao CAN 2021, teria aceitado o convite?

Não! Aceitei porque acreditei que era possível fazermos uma coisa mais e que estava a ser feito, que era possível, realmente, estes jogadores atingirem a qualificação para o CAN, porque era a prova logo a seguir, e foi isso que me pediram no princípio quando me contactaram. Aceitei porque também me pediram para renovar a selecção nacional. E aceitei também porque me pediram para colaborar na reformulação do futebol em Moçambique. E isso passa por definir estratégias de projectos a médio e longo prazo. Desenvolvimento do futebol através das selecções jovens. Foi nesse pressuposto que aceitei. Mas sendo seleccionador nacional AA, o foco é sempre na competição. É termos uma selecção competitiva, e que discuta a possibilidade de estar num CAN até ao final e isso aconteceu, porque chegamos ao último jogo e podíamos ser apurados. A selecção vai começar agora a disputar a fase de qualificação ao mundial e agora pergunto qual foi a última vez que Moçambique esteve na fase de grupos de qualificação ao mundial? Já faz alguns anos. Quem é que conseguiu essa qualificação? Foi esta equipa técnica que foi demitida. São estes jogadores que estão a ser postos em causa. Foi nos meus primeiros dois jogos na selecção na eliminatória contra as Maurícias. Mas isso agora não interessa nada porque o que eu quero é que as coisas melhorem e desejo as maiores felicidades a pessoa que me vai suceder.

 

Achas que há falta de reconhecimento do trabalho que desenvolveu?

Há, claramente. E mais: senti-me sub-aproveitado. Quero dizer que podia ter dado muito mais do que aquilo que dei, no sentido de colaborar mais porque tenho curriculum, tenho um passado e tenho algum conhecimento adquirido. Também não sou um falso-modesto porque sei das minhas competências e capacidades.

 

Há alguns dias mister dizia que para além de qualificar os Mambas ao CAN, tinha outros objectivos neste contrato, que passavam por participar nesta fase de qualificação e desenvolver o futebol moçambicano. Como é que reagiu a esta decisão da FMF?

Com surpresa, tristeza e indignação. Porque nem 24 horas passaram e eu ainda estava com azia, estava a digerir a derrota, porque não foi um simples jogo que perdemos, mas a possibilidade de estarmos num CAN. Mas quem pode tomar as decisões toma e fomos chamados para uma reunião cordial e profissional em que nos foi comunicado que rescindiam com os nossos serviços a partir daquele momento e de uma forma imediata. Senti-me indignado da forma como foi feito e não com ninguém em particular.

 

Ficou com essa ideia pré-concebida de que caso falhasse a qualificação Luís Gonçalves deixaria de ser seleccionador nacional?

O treinador de futebol tem consciência de que os resultados são importantes. Quando alguém é convidado para fazer parte de um projecto de uma selecção nacional de médio e longo prazo, não pode viver só dos resultados. E temos que perceber todas as condicionantes e conjunturas a volta das competições. Estava convencido que iria continuar e não senti, em momento algum que me iriam despedir caso não conseguisse a qualificação. Aliás, até tinha sinais contrários, mas as pessoas tem direito de decidir. Não guardo rancor e sigo a minha vida e desejo melhor para Moçambique.

 

Tirando os problemas de finalização que apontou, em termos de organização, estavam criadas condições para uma qualificação tranquila ao CAN, mesmo com todas adversidades, como não termos o Moçambola e não contar com alguns jogadores que actuam fora de portas?

Há aqui muitas situações que não são da responsabilidade da federação e nem da equipa técnica, mas são contingências, são coisas que acontecem. Mesmo antes destes dois jogos tive o cuidado de chamar atenção e até fazer um apelo para que a CAF adiasse estes dois jogos e era possível fazer estes dois jogos em Junho. Mesmo com jogos de qualificação ao mundial, acho que podiam encaixar estes dois jogos de apuramento ao CAN. E não sei se a CAF defendeu os jogadores africanos que jogam na Europa. Então, em relação a este estágio concretamente, as condições existentes foram as necessárias para que nós pudéssemos fazer o nosso trabalho. Para além de que houve a alteração do jogo com Ruanda e jogamos a 1500 metros de altitude e isso influenciou bastante.

 

Mister disse que não foi consultado da alteração do jogo…

Sim, não fui consultado. Quando me perguntaram na conferência de imprensa eu disse, e continuo dizendo que a CAF não me consultou. Agora, se a CAF consultou a FMF ou não, também não sei. Se a CAF pode marcar os jogos sem consultar as federações, também não sei… A mim, nem ninguém da CAF e nem da federação me perguntaram sobre a minha opinião em relação a essa alteração.

 

Ainda assim continua a acreditar nesse projecto?

Continuo a acreditar sempre. Havia duas hipóteses: ou deixava de acreditar e dizia as pessoas que não valia a pena, ou, apesar de tudo isso, iria fazer tudo que estaria ao meu alcance para conseguir atingir o objectivo e foi isso que eu fiz. Se se recorda a minha convocatória incluía jogadores que sabíamos que não viriam e foi no sentido de fazer um forcing, uma pressão para que, tanto a nossa federação assim como a CAF, pressionassem os clubes para que libertassem os jogadores e esse trabalho foi feito pela federação, a que dize-lo, mas não foi suficiente. No meu entendimento o jogo do Ruanda era tão importante quanto o jogo do Cabo Verde.

 

Olhando para o seu contrato, se a FMF diz que era por objectivo, do seu lado, foram cumpridas todas as condições que pediu em termos de condições de trabalho?

Sei das limitações do nosso país por isso nunca pedi algo que fosse inatingível. Há seleccionadores que antes de uma convocatória fazem digressão a Europa, para observarem os jogadores, mas eu nunca pedi isso porque reconheço as limitações. Em termos de condições de trabalho considero que foram suficientes para que nós pudéssemos desenvolver o nosso trabalho. Não sou uma pessoa que faz exigências desmedidas. Nós temos que saber fazer muito com o pouco que temos, que é uma das qualidades do povo moçambicano. Mas se me perguntar se em Moçambique há ou não condições ideais para alta competição, diria que não temos.

 

“Não fui seleccionador de Simango e nem de Feisal, mas de Moçambique”

Foi contratado no tempo de Alberto Simango Jr. e depois trabalhou com Feisal Sidat. Sentiu alguma mudança no tratamento, sob ponto de vista das condições criadas, que condicionou seu trabalho?

Cheguei a dizer ao presidente Feisal que não era o seleccionador do Simango e nem seleccionador do Feisal, mas que era seleccionador nacional de Moçambique e o contrato que celebrei foi com a Federação Moçambicana de Futebol, embora seja verdade que o presidente Simango é que apostou em mim, mas isso não muda nada em relação ao trabalho que desenvolvo e ao profissionalismo naquilo que faço. Acho que o presidente Feisal é que responder essa pergunta. E lembro que aquando da eleição de Feisal sidat a presidência da FMF uma das perguntas que fizeram a ele era se iria manter o seleccionador nacional e ele respondeu que sim, porque estava a fazer um bom trabalho. A relação que sempre tive com o presidente Feisal e toda direcção sempre foi profissional e cordial. Mas se me perguntar se eu era o seleccionador deste presidente, não sei, não consigo responder a essa pergunta. O seleccionador nacional, seja ele qual for, e o presidente da FMF, seja ele qual for, deve sempre pensar, em primeiro lugar, no país. Eu exerci este cargo com muita responsabilidade e estando consciente que era, realmente uma grande responsabilidade e por isso por diversas vezes eu disse que não me considerava um simples treinador, porque ser seleccionador nacional exige uma outra responsabilidade. Porque a selecção nacional é a equipa que representa o país. Por isso o povo tem razão de estar zangado, desiludido e revoltado porque os resultados são negativos.

 

Mister, o que essencialmente deve mudar neste nosso futebol e o que deve ser feito para que vivamos apenas em lembranças?

Deve ser feito uma aposta muito forte no futebol de formação. Acho que a formação, e não falo apenas do futebol, é a principal causa do desenvolvimento de um país. Deve ser feito um plano de desenvolvimento do jogador e o motor desse desenvolvimento deve ser a Federação Moçambicana de Futebol. A federação deve ser a principal responsável da política desportiva daquela modalidade em causa. Claro que há muitas questões como a falta de campos para treinar, clubes que não pagam salários e muito mais. Mas temos que olhar para frente e colocar as ideias no papel e depois colocar em prática. Em relação as competições, em vez de estarmos a exigir sempre que Moçambique vá ao CAN ou vá ao mundial, porque não dizer, nós vamos participar sem que haja essa exigência, mas a fazermos o melhor que pudermos, mas ao mesmo tempo termos que trabalhar para que depois o futebol de formação seja uma realidade no país.

 

Estamos a exigir muito, neste momento, para aquilo que é o nosso contexto?

Claramente! Como é que possível exigir-se sempre que devemos ir ao CAN quando…a última participação foi em 2010. Se me dissesse, Moçambique está sempre nas fases finais do CAN, Moçambique é sempre apurado para o Mundial, se exige tudo e mais alguma coisa das pessoas, não é! Caso contrário, temos que acalentar sempre a esperança. Daí eu dizer, eu tenho um sonho, sou ambicioso e vou trabalhar o máximo, porque não há impossíveis no futebol.

A questão é, nós dizemos assim, esta selecção, este país está normalmente presente nas fases finais, isto significa que o futebol neste país está desenvolvido e é um futebol já com um outros nível. Portugal passou muito por isto.

 

Aliás, temos apenas quatro presenças num CAN…

Portugal passou muito por isto. Portugal só a partir de um plano de desenvolvimento…foi o professor Carlos Queiroz que o fez, não sozinho, mas ele era a cara do projecto, era o líder. Só a partir desse momento é que depois Portugal começou a participar com regularidade nas fases finais do Europeu e também do Mundial. Agora, a questão é quando não se vai lá é uma surpresa. Isto decorre de um projecto que foi feito, um projecto de médio e longo prazo, que foi implementado, com muitas dificuldades, também, e ao longo dos anos. Porque é preciso tempo para as coisas acontecerem. Se estivermos sempre a avançar e a recuar, não saímos do mesmo sítio.

 

“Tinha plano de desenvolvimento que não avançou”

E o plano de desenvolvimento que o mister exigiu como é que está?

Eu não exigi nada, eu tinha um plano de desenvolvimento para propor, mas não foi possível avançar. Se falarmos na questão do desenvolvimento do futebol ao nível de formação.

 

E não foi possível avançar com esse plano aquando da assinatura do contrato?

Não! Vamos lá ver, eu estou a dizer as coisas como elas são e com todo o respeito por todas as pessoas. Neste momento, a Federação Moçambicana de Futebol conta com um profissional de excelência chamado Arnaldo Salvado, uma pessoa que tem curriculum invejável, Director-Técnico Nacional, é uma pessoa que eu reconheço, que tem grande competência, e eu faço votos para que deixem o Arnaldo Salvado pôr em prática as suas ideias.

 

E quanto ao plano técnico?

O plano técnico foi, como eu tinha dito, temos que competir o melhor possível, tentando uma qualificação para o CAN, estivemos quase, e elevar a selecção A, ao longo do tempo, uma qualificação para o Mundial, se possível. Porque na minha cabeça não ia acabar aqui, eu me considerava que estava a meio do projecto.

 

“Devemos baixar expectativas e não pensar na qualificação ao mundial”

Para qualificar ao Mundial, o que efectivamente deveria ser feito?

Em primeiro lugar, dizer publicamente, que depois destes acontecimentos que nós vamos tentar pontuar na qualificação para o Mundial. Que é para baixar de uma vez por todas as expectativas. Também de certa forma alimentei expectativas, mas eu não podia, como líder de uma equipa, dizer publicamente que nós não temos hipótese, porque também eu acreditava que tínhamos, em relação ao CAN, mas em relação Mundial, honestamente, talvez seja mais realista para dizer: não vamos participar nesta qualificação, vamos fazer o melhor possível jogo a jogo e tentar pontuar, até pode acontecer no fim das contas, estarem a disputar essa possível qualificação, mas ao longo desse tempo tem que se continuar a fazer a renovação da selecção. A selecção tem que ser renovada.

 

Mister, há três pontos que podemos aqui levantar, desta conversa que estamos a ter. Quando assinou o contrato com a FMF não tinha como principal objectivo qualificar Moçambique ao Campeonato Africano das Nações.

Não, não era o principal objectivo, era um dos objectivos.

 

O plano era o desenvolvimento do futebol nacional, era a proposta!

Era participar no desenvolvimento do futebol nacional. Atenção, Moçambique tem muita gente com capacidade.

 

Pelo que eu percebi da sua explanação, neste momento não está a acontecer…

Não estava a acontecer comigo, não! A partir de um certo momento, por exemplo, com a entrada desta actual direcção, foi nomeado um Director-Técnico Nacional, que eu já falei aqui, uma pessoa que eu tenho uma grande consideração, é uma pessoa muito competente e essa pessoa, a partir dessa altura fiquei responsável por essa tarefa, ou seja, a partir dos Sub-20 para baixo e também com essa tarefa. Tivemos algumas conversas, muito positivas e estávamos a começar um trabalho de colaboração, inclusive foi criada uma task force.

 

Isso estava preparado ou aconteceu pelo caminho?

Vamos ser claros! Quando eu entrei na Federação, quando assumi eu tinha responsabilidades mais abrangentes. Quando entrou uma nova direcção, entrou um novo Director-Técnico Nacional e a minha intervenção mais limitada, contudo havia diálogo entre o Director-Técnico Nacional e o Seleccionador Nacional e até estava a ser criada uma task force, até com outros treinadores moçambicanos que não fazem parte da federação, mas que foram chamados para isso. Neste momento estava a se começar a discutir o modelo de jogos das selecções nacionais. Portanto, nós estávamos a trabalhar em conjunto.

 

“Fiz o meu trabalho perante condições que recebi”

Mister, olhando para esses dois aspectos, a não qualificação de Moçambique ao Campeonato Africano das Nações, mas este não era o principal objectivo, contrariamente a o que se tem falado e a não execução deste plano de desenvolvimento. Disse que na sua era isso não estava a acontecer…Por que o mister aceitou abraçar um projecto deste, tendo em conta que quando assinou contrato sabia muito bem o que lhe esperava, sabia o que queria fazer…nalgum momento teria se sentido enganado?

Sim! Vamos lá ver, eu vim com um propósito, vinha com uma ideia e a partir de um certo momento…por força das circunstâncias, mas eu acabei por aceitar isso, ou seja, acabei por continuar a fazer o meu trabalho, sempre disponível para colaborar, a partir de um certo momento deixei de ter essa responsabilidade mais abrangente, porque foi imposta, paciência!

 

Porquê acabou aceitando isso?

Eu como Seleccionador Nacional, não há, como já disse…em primeiro lugar eu acredito nos jogadores e no grupo de jogadores que tinha e acreditava firmemente que nós íamos conseguir, pelo menos chegar ao CAN. Depois veio uma série de coisas e uma série de contingências.

 

Qual foi o acordo rubricado entre Luís Gonçalves e Federação Moçambicana de Futebol. O que o mister deixou de fazer que deveria ter feito? O que fez que não deveria de ter feito?

Essa é uma pergunta muito interessante, mas muito difícil de responder. Eu penso que fiz tudo que estava ao meu alcance, perante as condições de trabalho e perante as circunstâncias que foram aparecendo. Atenção, não queria que ficasse aqui uma imagem muito negativa, porque a Federação tem muitas coisas boas e tem muitos profissionais, também, competentes que querem que as coisas aconteçam, mas não consigo dizer mais que isto. Em consciência fiz o melhor que pude perante as circunstâncias.

 

Falo das actividades concretamente…

Como por exemplo…

 

O que fez, que não deveria ter feito…

Então pronto! Vamos por ordem cronológica, se calhar é mais fácil.

Eu entrei em Agosto e logo em princípios de Setembro fizemos dois jogos, e era uma eliminatória que dava acesso à fase de grupos do apuramento para o Mundial, como já disse. Naturalmente fomos competir, saímo-nos bem e fomos apurados. Isso estávamos em Setembro de 2019, já nessa altura foram dados passos no sentido de organizar. Portanto, mesmo ao nível das selecções de base, foram feitas algumas reuniões, não muitas, porque aí havia uma grande urgência ao nível competitivo por parte da selecção A, entretanto tivemos em Outubro mais um estágio, fomos ao Quénia jogar e esse jogo também serviu, de certa forma, de preparação para os jogos que vinham em Novembro, que era o início da qualificação para o CAN, depois em Novembro tivemos dois jogos, recebemos o Ruanda e vencemos, com Cabo Verde empatamos. Entretanto, houve eleições, entrou uma figura nova, o Director-Técnico Nacional e a partir daí a minha intervenção já não pode ser fora dos limites. É só isso, foquei-me na selecção A, na selecção Sub-23.

 

A partir desse período em que há esse novo elenco da Federação Moçambicana de Futebol sentiu-se limitado em exercer algumas actividades ou certas actividades?

Há aqui uma questão de ética e respeito. A partir do momento em que é nomeado um Director-Técnico Nacional, a primeira coisa que fiz e volto a dizer o mister Salvado é uma pessoa muito competente, vamos dizer, cinco estrelas. E eu disse, eu estou disponível para o que precisar e numa altura já estava constituída uma task force, está ainda em marcha e ainda bem. Eu acho que é preciso haver modelos de jogo transversal dos Sub-23 para baixo. Com a A eu entendo que é diferente, porque é mais representativa do país e a prova disso é que o treinador perdeu o jogo, não perdeu a qualificação. Agora vem outro treinador, talvez vem com ideias diferentes.

 

“Decisões de agora vão ditar futebol no futuro”

Como é que olha para futebol moçambicano daqui há cinco anos?

Acredito que estas desilusões sirvam para nós pararmos, no sentido de fazermos uma reflexão e não pararmos as competições. Acredito que as pessoas vão fazer “mea culpa”, e dizer vamos arregaçar as mangas e trabalharmos para fazer com o futebol seja mais forte. E depois há coisas que não controlamos, casos da pandemia, que condiciona muito o futebol. Daqui há cinco anos vai depender muito daquilo quase decidir agora, da estratégia. Sua excelência é a pessoa mais qualificada para falar dessas coisas e acredito que fez uma análise mais profunda da situação e entende que ‘e necessário, talvez seja esse o caminho. Mas uma coisa tenho certeza: há muito talento no país e temos que olhar muito pelo jogador moçambicano, principalmente aquele que joga em Moçambique, que precisa de mais apoios, mais incentivos e mais oportunidades para se desenvolverem e depois poderem representar a selecção ao mais alto nível. Reconheço as dificuldades que os clubes tem e que fazem das tripas coração para poderem sobreviver, mas tem que realmente se apostar a sério. Se o Moçambola não puder ter 14 equipas, que tenha 10, se não se puder pagar salários num certo valor, que se negocie, porque a partir do m omento que há compromissos tem que serem honrados, porque o jogador de futebol deve ser tratado como profissional porque aquele é o seu emprego. Há muita gente boa no futebol moçambicano que quer que as coisas evoluam. Vamos ter esperança que as coisas vão melhorar. Mas o que se fizer agora é que vai determinar o que vai acontecer no futuro.

 

“Não sei se aceitaria o convite de ser seleccionador nacional”

Como é possível que Moçambique consiga fazer quatro pontos em dois jogos e depois consente quatro derrotas consecutivas nesta fase de qualificação ao CAN?

Essa é uma pergunta que me faço sempre e já fiz a minha equipa técnica e faço uma reflexão sobre onde não estivemos tão bem que podíamos ter estado melhor. Efectivamente em quatro jogos marcamos um golo (não conto com os jogos amigáveis em Portugal, devido, também as circunstâncias). Isso não pode. Mas estivemos bem em todos os quatro jogos, desde o jogo diante dos Camarões. Os erros acontecem, não por falta de plano de jogo ou de preparação ou de intenção, mas fomos jogar depois de muito tempo de paragem devido a pandemia. E aqui em Maputo, com nove jogadores e eu mesmo infectado, não seria fácil fazer melhor. Ainda hoje me pergunto como foi possível isso acontecer porque sempre nos preveníamos em relação aos protocolos e não consigo explicar o que aconteceu. Mas sempre tivemos várias oportunidades de marcar e não conseguimos e isso acabou por nos penalizar. Aceito que as pessoas me critiquem e faz parte do meu trabalho. Quem toma as decisões normalmente é criticado porque convoquei este e não aquele, coloquei este a jogar e não aquele, etc, e as pessoas falam sempre e todos são seleccionadores.

 

Mister aceitaria voltar a assumir o comando dos Mambas se recebesse o convite?

Depende. Apanhou-me desarmado porque ainda estou a me refazer do despedimento, como foi feito, por isso não sei.

 

Se sim, o que deveria mudar?

Há muita coisa para mudar e não interessa agora mencionar. Mas já disse que estarei sempre disponível para Moçambique porque sou profissional de futebol. Se eventualmente no futuro, daqui a 10 anos, estaria aberto a todas propostas porque sou profissional de futebol. Neste momento não tenho trabalho e estou disponível para analisar qualquer proposta de qualquer parte do mundo. Um treinador de futebol tem que estar preparado para estar 10 dias, 10 meses, 10 anos num clube ou numa selecção.

 

 

 

 

 

Luís Gonçalves já não é seleccionador nacional de futebol. O técnico luso-mocambicano foi afastado depois de não ter conseguido o apuramento ao CAN-2021.

Gonçalves chegou aos Mambas em meados de 2019 para substituir Victor Matine do comando técnico dos Mambas e foi pela mão de Alberto Simango que foi apresentado.

Com a sua equipa técnica comandou o combinado nacional por 11 ocasiões, tendo alcançado quatro vitórias e um empate, todas partidas disputadas em 2019, ainda com Alberto Simango Jr. na presidência da Federação Moçambicana de Futebol, e seis derrotas, das quais quatro em 2020 e duas em 2021, todas já com Feizal Sidat como timoneiro da Casa do Futebol.

Todos os jogos foram referentes a eliminatórias de acesso a fase de grupos do Mundial, qualificação ao CAN e jogos amigáveis. Mas o maior objectivo da contratação de Luís Gonçalves era de garantir a qualificação ao CAN dos Camarões, ora perdido com a derrota sofrida está terça-feira, diante do Cabo Verde, em Maputo.

Com a não qualificação a maior prova futebolistica do continente, a direcção de Feizal Sidat decidiu pela rescisão do contrato com técnico, que já estava a projectar os próximos compromissos dos Mambas, nomeadamente em Maio, diante da Costa do Marfim, da fase de grupos de apuramento ao Mundial de Qatar, e o torneio regional da Cosafa.

Luís Gonçalves trabalhou durante dois anos como adjunto de Abel Xavier na fase de qualificação ao CAN-2017, objectivo igualmente falhado.

O Secretário de Estado do Desporto diz que, sem resultados positivos dos Mambas nas fases de qualificação a provas continentais e mundiais, o que se deve fazer é parar com futebol, reflectir, reestruturar e reorganizar a Federação Moçambicana de Futebol, para que os resultados possam aparecer no futuro.

O mais recente desaire dos Mambas, na fase de qualificação ao CAN-2021, que culminou com mais uma derrota diante do Cabo Verde, esta terça-feira, mereceu um pronunciamento improvável do Secretário de Estado do Desporto, Gilberto Mendes.

O dirigente governamental diz que é preciso fazer qualquer coisa com o futebol moçambicano, porque “assim como está, não pode continuar”.

E não pode mesmo. Afinal, é a sexta vez consecutiva que os Mambas falham presença numa fase final do Campeonato Africano das Nações, depois da última participação em Angola, em 2010. Foram falhadas as participações de 2012, no Gabão e Guiné Equatorial, em 2013, na África do Sul, em 2015, na Guiné Equatorial, 2017, no Gabão, 2019, no Egipto, e mais recentemente para o CAN-2021, que terá lugar nos Camarões.

Por isso mesmo, medidas devem ser tomadas para parar com o sofrimento dos moçambicanos, e Gilberto Mendes tem uma proposta. “Há que repensar e reorganizar a Federação Moçambicana de Futebol, principalmente. A FMF tem que reorganizar toda estrutura”, ou seja, “alguma coisa tem que ser feita”.

O que seria essa coisa? “Temos que ter a coragem de parar e dizer que precisamos de reorganizar o nosso futebol. Precisamos de reestruturar o nosso futebol, de vermos de onde que vamos começar a fazer a mudança e com critérios, para que os resultados possam aparecer”, recomenda Gilberto Mendes, visivelmente frustrado com o resultado dos Mambas esta terça-feira, em pleno Estádio Nacional do Zimpeto.

Aliás, para o Secretário de Estado do Desporto se for para ir a competição é preciso treinar para se jogar, “se não for para ser assim, se calhar é melhor pedirmos para parar e não competir e deixar passar a vez”.

Deixar passar a vez significa, em outras palavras, suspender a participação dos Mambas em competições internacionais por algum tempo, a reorganizar a Federação Moçambicana de Futebol e criar uma selecção ganhadora, com jogadores novos e jovens que dão garantias de futuro.

E é preciso deixar passar a vez para que não voltemos a obter os mesmos resultados alcançados nesta campanha, onde, nos últimos quatro jogos, os Mambas sofreram igual número de derrotas, sendo duas diante dos Camarões, em Yaoundé e Maputo, uma diante do Ruanda, em Kigali, e a última na terça-feira, diante do Cabo Verde, em Maputo.

E a paragem do Moçambola é, também, o principal culpado, já que há dois meses não se joga, depois dos jogadores terem parado um ano e três meses sem competição. Quando o campeonato nacional de futebol retomou, disputou-se apenas quatro jornadas e, novamente ficou suspenso, fazendo com que os jogadores que actuam internamente ficassem sem ritmo competitivo para as provas internacionais.

O Secretário de Estado do Desporto reconhece que foram muitos entraves na caminhada dos Mambas nesta fase de qualificação, até porque “não podemos pensar que tendo ficado dois meses parados, a selecção de Cabo Verde, que até venceu Camarões por 3-1, viria para cá para ser pêra doce”. E acrescenta que “faltou ritmo e foi notório o facto do Moçambola estar parado e agora só podemos nos reerguer e começar a preparar o jogo com Costa do Marfim”.

Até porque o embate diante da Costa do Marfim é já a 31 de Maio, para a primeira jornada do grupo D de qualificação ao Mundial do Qatar, em 2022. O Moçambola, esse, ainda não tem datas para a sua retoma, aguardando a autorização do Presidente da República, Filipe Nyusi.

 

Feisal Sidat “finta” jornalista

Após o jogo entre Moçambique e Cabo Verde, que ditou o descalabro dos Mambas, que até estavam a ter ajuda dos Camarões, no outro jogo, já que empatavam diante do Ruanda, apenas Gilberto Mendes desabafou.

Feisal Sidat, por seu turno, optou pelo silêncio, fintando os jornalistas que estavam ávidos em ouvir as primeiras declarações do presidente da Federação Moçambicana de Futebol face ao descalabro. Sidat saiu do Estádio Nacional do Zimpeto sem deixar ficar uma única palavra.

Era tanto desapontamento do timoneiro da Casa do Futebol, afinal, foram quatro pontos herdados no elenco de Alberto Simango Jr, desperdiçados nesta campanha de qualificação ao CAN-2021, que terminou inglória, com os Mambas a quedarem-se na última posição do grupo F.

Uma campanha que até começou bem, com vitória em Maputo, diante do Ruanda, por duas bolas sem resposta, e um empate, na Praia, a dois golos diante do Cabo Verde, ainda no elenco de Alberto Simango Jr. Herdou os quatro pontos e a liderança do grupo Feisal Sidat e pensava-se que seria apenas para confirmar a passagem, já que mais um empate e uma vitória garantiriam a qualificação ao CAN dos Camarões. Mas a realidade mostrou o contrário e nem mesmo o estágio na Casa Militar foi suficiente para os jogadores aprenderem os valores de defesa da praia, fazendo com que os Mambas sucumbissem na praia dos Tubarões Azuis.

A selecção nacional de futebol, os Mambas, voltou a falhar a qualificação a uma fase final do CAN, pela sexta vez consecutiva, após consentir mais uma derrota, desta vez caseira, diante do Cabo Verde, e termina a fase de grupos na última posição com quatro pontos. Camarões e Cabo Verde são os dois que se qualificam ao CAN

Já nem dói falhar a qualificação ao CAN, tendo em conta que é a sexta vez consecutiva que os Mambas desiludem os moçambicanos. Foi assim na luta pelas fases finais dos CAN’s de 2012, 2013, 2015, 2017, 2019 e agora, 2021 e, novamente de forma sofrida, tal como aconteceu na última tentativa, em que os Mambas perderam na última jornada, também diante de um PALOP, Guiné-Bissau. Desta vez foi Cabo Verde.

Rodrigues foi quem acabou com o sonho dos moçambicanos, aos 58 minutos, quando apontou o único golo que deu a vitória aos Tubarões Azuis, que regressam assim aos CAN’s, depois de falharem a última qualificação.

 

Mudanças que tentaram, mas não valeram

Luís Gonçalves fez quatro alterações do onze que perdeu em Kigali diante do Ruanda, nomeadamente as saídas de Telinho, Faisal Bangal, Clésio e Kito e para os seus lugares a entrarem de início Kamo Kamo, Domingues, Gildo e Dayo, estes três últimos que fizeram uma excelente ponta final, quando entraram a 15 minutos do final do jogo.

E os Mambas entreram pressionantes e tiveram as primeiras oportunidades de marcar, nos primeiros 20 minutos, primeiro por Dayo, que recebeu uma oferta de Vozinha, e perdeu muito tempo a pensar no remate ou no passe, acabando por perder a bola pela linha do fundo.

Depois foi Kamo Kamo a ter um rasgo pelo corredor central e, à entrada da área, atrapalhou-se com Gildo, perdeu o espaço para o remate, atrasou para Luís Miquissone que rematou com perigo, mas a bola a passar por cima.

Por fim foi novamente Dayo a ter oportunidade de marcar, após cruzamento de Bruno Langa, mas a rematar no vento e perder mais uma oportunidade.
Os Tubarões Azuis também aproveitaram algumas brechas dadas pela defensiva e por duas vezes estremeceram os moçambicanos, mas primeiro foi Jeitoso a fazer o corte, no momento em que Jeffry se preparava para o remate, e mais tarde Sidique a fazer o corte na cabeça de um avançado cabo-verdiano que já se preparava para visar a baliza de Frenque.

Uma entrada em falso dos moçambicanos que acordou os forasteiros que acreditavam que podiam fazer bem melhor para sair do Zimpeto com a qualificação.

Nem de bolas paradas Domingues e Gildo criavam perigo para Vozinha que continuava tranquilo e gastar alguns segundos sempre que tivesse a bola nos pés.
O intervalo chegou com o nulo a prevalecer e ainda com Cabo Verde qualificado ao CAN dos Camarões.

 

Substituições mais cedo desta vez

A iniciar a segunda parte Luís Miquissone fez de uma sentada duas substituições, a promover a estreia de Maestro nos Mambas, bem como a entrada de Faisal Bangal, para os lugares de Dayo e Gildo, duas unidades que estiveram em sub-rendimento na primeira parte.

E Faisal Bangal teve a primeira oportunidade de visar de livre frontal, quando cobrou mais em jeito do que com força a obrigar Vozinha a ir ao relvado.
E na reacção o Estádio Nacional do Zimpeto estremeceu quando Cabo Verde subiu em contra ataque e Fernandes apareceu em boa posição, com todos já batidos a desperdiçar. Foi um ufff nas bancadas e no campo.

O facto é que Moçambique continuava a desperdiçar muitas oportunidades de marcar. Em boa combinação do ataque, Luís Miquissone e Domingues, o Konde Boy rematou rasteiro para uma defesa incompleta de Vozinha e, na recarga, Faisal Bangal atirou contra o guarda-redes cabo-verdiano, quando já se gritava golo.

Na melhor oportunidade que Cabo Verde teve não desperdiçou. Livre de Marco e cabeceamento de Rodrigues para o fundo das malhas. Mal batido Frenque, que podia ter feito bem melhor no lance. Estavam jogados 13 minutos da segunda parte, ou seja, 58 do jogo.

 

Todos avançados em campo

Luís Gonçalves tinha que ariscar tudo e tirou um defesa, Chico, para meter um avançado, Lau King, a pensar já que perder por um ou por muitos não mudava nada, se o plano inicial era vencer. E logo a seguir fez sair Luís Miquissone e fez entrar Clésio, mas as coisas não saiam a contento.

Tudo saia errado nas hostes moçambicanas, mesmo quando Domingues decidiu abrir o livro, ao combinar com Clésio que fez um cruzamento tenso, mas Lau King chegou meio centímetro atrasado e o empate não chegava.

Com a avalanche ofensiva dos Mambas, Cabo Verde aproveitou para voltar a carga e só não fez o segundo golo porque Frenque agigantou-se na baliza para evitar males maiores.

Todos os homens com pendor ofensivo que estavam no banco de Moçambique entraram para tentar ajudar, sendo Telinho o último a entrar, para o lugar de Kamo Kamo, mas sem conseguir o objectivo de marcar.

A sorte não acompanhava os Mambas, que aos 35 minutos tiveram a soberba oportunidade de marcar, num livre de Bruno Langa, para defesa incompleta de Vozinha e, na recarga, novamente Lau King a não acertar com as redes. Era já muito azar para os moçambicanos, que já começavam a se conformar com o resultado.

Caia assim, mais uma vez o Mamba que há muito perdeu veneno e já nem sonha com as fases finais das competições africanas.

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