O País – A verdade como notícia

A primeira mão da final da Liga dos Campeões da CAF 2025/26 coloca frente a frente os técnicos portugueses Miguel Cardoso e Alexandre Santos. O confronto inédito entre o Mamelodi Sundowns (África do Sul) e o FAR Rabat (Marrocos) inicia-se este domingo, 17 de Maio, no Loftus Versfeld Stadium, em Pretória.

Uma final, dois jogos, um duelo de treinadores portugueses e a disputa dos polos  continentais no embate decisivo da Liga dos Campeões africanos. Mamelodi Sundowns da África do Sul e AS FAR Rabat do Marrocos disputam a final da liga milionária africana.

O primeiro jogo dos dois da final da prova disputa-se este domingo, 17 de Maio, a partir das 16h00 locais (mesma hora em Moçambique), no Loftus Versfeld Stadium, Pretória.

Esta final marca um momento histórico para o futebol lusitano, sendo a primeira vez que dois técnicos de Portugal decidem o título máximo de clubes em África. Miguel Cardoso atinge a sua terceira final consecutiva na prova. Do outro lado, Alexandre Santos lidera a armada de Rabat após eliminar os compatriotas do RS Berkane nas meias-finais.

De acordo com a análise oficial da CAF Online, a partida de Pretória apresenta “um claro choque de estilos”. Espera-se que os Sundowns controlem a posse de bola e o ritmo de jogo. Por sua vez, o FAR Rabat deverá apresentar um bloco defensivo compacto focado em transições rápidas.

O Mamelodi Sundowns chega a este jogo focado em recuperar o moral após perder por 3-2 contra o TS Galaxy na liga sul-africana. Na rota continental, os sul-africanos eliminaram o Espérance de Tunis nas meias-finais com um agregado de 2-0. O FAR Rabat carimbou o passaporte para a final ao bater o Berkane por 2-1 no cômputo geral.

Para além do prestígio desportivo, o incentivo financeiro bate recordes nesta temporada. O vencedor do torneio vai arrecadar um prémio monetário de 6 milhões de dólares. Este valor representa um aumento de 50% em comparação com os 4 milhões pagos na edição anterior.

A segunda mão do torneio que decide o novo campeão africano e o qualificado para a Taça Intercontinental da FIFA está marcada para o dia 24 de Maio, em Rabat.

Vencedor da Taça CAF conhecido já no sábado

O USM Alger da Argélia defende a vantagem de um golo contra o Zamalek SC na grande decisão da Taça da Confederação CAF no próximo sábado, 16 de Maio de 2026, no Estádio Internacional do Cairo.

O primeiro confronto da final, disputado no superlotado Estádio 5 de Julho, em Argel, terminou com uma vitória magra mas crucial de 1-0 para os argelinos. O desfecho foi marcado por uma reviravolta dramática nos descontos.

O Zamalek chegou a celebrar o que seria o golo inaugural do suplente Juan Alvina. Contudo, o videoárbitro (VAR) interveio para anular o lance por falta de Hossam Abdelmaguid na origem da jogada. 

Na sequência imediata do mesmo lance, o VAR assinalou penálti a favor do USM Alger. Ahmed Khaldi converteu friamente a grande penalidade aos 90+8 minutos, garantindo o triunfo caseiro.

O técnico do USM Alger, Lamine N’Diaye, destacou a resiliência do plantel antes da partida: “Os jogadores estão naturalmente motivados para procurar mais um título”. 

Pelo lado egípcio, o desaire deixa a equipa sob pressão, necessitando de uma vitória por dois golos de diferença no Cairo para erguer o troféu sem depender das grandes penalidades.

O embate põe frente a frente dois gigantes invictos em finais desta competição. O Zamalek procura a sua terceira coroa após as conquistas de 2019 e 2024, enquanto o emblema de Argel tenta repetir o feito de 2023. Além da glória desportiva, o vencedor vai arrecadar um prémio recorde de 4 milhões de dólares.

A selecção nacional de golfe de Moçambique escreveu uma nova página na história da modalidade ao alcançar o melhor resultado de sempre no Campeonato de Golfe da Região 5, disputado recentemente no Reino de Eswatini.

A equipa nacional terminou a competição na sétima posição entre nove países participantes, numa participação marcada pelo regresso do País ao torneio após uma ausência de dez anos.

A prova decorreu no prestigiado Ezulwini Golf & Country Club, reunindo algumas das selecções mais competitivas da África Austral, numa edição considerada uma das mais equilibradas dos últimos anos.

Moçambique concluiu o campeonato com um total acumulado de 95 pontos, resultado que reflecte uma evolução significativa ao longo da competição. Depois de um início abaixo das expectativas, os atletas nacionais protagonizaram uma recuperação consistente na segunda ronda, demonstrando maior estabilidade técnica, adaptação às exigências do campo e capacidade competitiva frente a adversários experientes da região.

Na categoria “Better Ball”, componente colectiva da competição, a selecção moçambicana voltou a apresentar sinais positivos, destacando-se pelo entrosamento entre os jogadores e pela consistência exibida em momentos decisivos da prova.

A África do Sul confirmou o favoritismo e conquistou o título regional com um impressionante resultado de 18 abaixo do par (-18), reafirmando a hegemonia sul-africana no golfe da região. A Zâmbia terminou na segunda posição, enquanto o Zimbabwe fechou o pódio na terceira colocação.

Além dos três primeiros classificados, participaram ainda as selecções da Namíbia, Eswatini, Botswana, Malawi, Lesotho e Moçambique.

Para a Federação Moçambicana de Golfe, o resultado alcançado representa um sinal encorajador do crescimento gradual da modalidade no País e do investimento feito na preparação dos atletas nacionais.

A participação permitiu igualmente aos jogadores moçambicanos acumularem experiência internacional e avaliarem o actual nível competitivo do golfe nacional no contexto regional.

Mais do que a posição final na tabela classificativa, a presença moçambicana no campeonato foi vista como uma oportunidade estratégica de afirmação regional, intercâmbio desportivo e consolidação do trabalho técnico desenvolvido nos últimos anos.

A edição deste ano voltou também a reforçar o papel do Campeonato da Região 5 como uma das principais plataformas de integração desportiva da África Austral, promovendo o desenvolvimento do golfe africano e fortalecendo os laços competitivos entre os países da região.

A selecção nacional de futebol Sub-17 de Moçambique já se encontra em Rabat, Marrocos, onde vai disputar o Campeonato Africano das Nações (CAN) da categoria, competição que arranca nesta semana e que servirá igualmente de qualificação para o Mundial Sub-17 da FIFA, marcado para o Qatar ainda neste ano.

Os “Mambinhas” integram um grupo considerado competitivo, ao lado da Tanzânia, Mali e Angola, numa edição que reúne 16 selecções africanas e que poderá garantir até dez vagas africanas para o Campeonato do Mundo, num novo formato alargado da FIFA.

A estreia moçambicana está marcada para esta quinta-feira diante da Tanzânia, seguindo-se os confrontos frente ao Mali, vice-campeão africano, e Angola, no encerramento da fase de grupos.

Apesar dos resultados menos positivos nos jogos de preparação realizados em território marroquino, o seleccionador nacional, Luís Guerreiro, considera que o estágio pré-competitivo foi produtivo e importante para avaliar o nível competitivo da equipa.

Nos três encontros amigáveis realizados, Moçambique perdeu diante do Uganda e dos Camarões por 3-1, e frente ao anfitrião Marrocos por 3-2, tendo marcado quatro golos e sofrido nove.

A participação moçambicana ganha relevância pelo simbolismo do regresso aos grandes palcos juvenis africanos. Segundo dados da imprensa especializada, esta será apenas a terceira presença de Moçambique numa fase final do CAN Sub-17, depois das edições de 1995 e 2001.

Mambinhas passam nos testes MRI da CAF

Um dos pontos que marcaram a preparação dos Mambinhas sub-17 foi a aprovação integral dos atletas nos testes de Ressonância Magnética (MRI), mecanismo utilizado pela Confederação Africana de Futebol (CAF) para verificar a idade dos jogadores inscritos na competição.

Em comunicado divulgado pela Federação Moçambicana de Futebol (FMF), a instituição confirmou que todos os jogadores moçambicanos cumpriram os requisitos estabelecidos pela CAF.

“No âmbito dos protocolos obrigatórios definidos pela Confederação Africana de Futebol (CAF), os atletas foram submetidos aos testes de Ressonância Magnética (MRI), mecanismo utilizado para verificação da elegibilidade etária dos jogadores inscritos na competição. Os resultados confirmaram que a totalidade dos atletas moçambicanos cumpre os requisitos estabelecidos pela CAF”, refere a nota da FMF.

A CAF reforçou, nos últimos anos, os mecanismos de controlo etário nas competições juvenis africanas, depois de sucessivos casos de fraude de idade no futebol de formação.

O regulamento do CAN Sub-17 determina que apenas atletas nascidos depois de 1 de Janeiro de 2008 podem participar na edição de 2025, sendo os testes MRI obrigatórios antes e durante a competição.

A FMF considera que a aprovação dos atletas representa “um compromisso com a verdade desportiva, a transparência e o desenvolvimento sustentável do futebol juvenil”.

Sonho mundialista motiva jovens moçambicanos

Além da luta pelo título continental, a competição em Marrocos representa uma oportunidade histórica para Moçambique alcançar pela primeira vez uma qualificação para o Campeonato do Mundo Sub-17.

O novo formato da prova mundial, que contará com mais selecções participantes, aumentou o número de vagas africanas disponíveis, alimentando as expectativas das equipas emergentes do continente.

O primeiro desafio dos “Mambinhas” será disputado no Complexo Desportivo Mohammed VI, uma das infra-estruturas utilizadas pelo futebol marroquino para acolher competições internacionais juvenis.

Num grupo equilibrado e diante de adversários com tradição no futebol jovem africano, Moçambique procura surpreender e escrever uma nova página na história do futebol nacional.

O Sporting assegurou esta quarta-feira, 22 de Abril, a passagem à final da Taça de Portugal, ao empatar sem abertura de contagem com o FC Porto no Dragão, depois de ter vencido em Alvalade (1-0) na primeira mão das meias-finais, a 3 de Março, com golo de penálti de Luis Suárez.

O encontro ficou ainda marcado pela lesão do defesa leonino Gonçalo Inácio ainda nos minutos iniciais, quando faltam cerca de 50 dias para o Campeonato do Mundo.

Já nos derradeiros minutos da partida, o médio portista Alan Varela viu o cartão vermelho directo devido a uma entrada dura sobre Suárez.

Antes do jogo, os jogadores do Sporting tinham sido barrados à entrada do corredor de acesso aos balneários do Estádio do Dragão, onde disputaram a segunda-mão das meias-finais da Taça de Portugal.

No momento de se dirigirem às cabines, à chegada ao palco do jogo, os atletas leoninos viram a passagem ser-lhes bloqueada por vários elementos da segurança privada.

A situação gerou alguma tensão e só foi resolvida depois da intervenção da Polícia de Segurança Pública (PSP).

De acordo com a imprensa desportiva, o Sporting solicitou aos delegados da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para entrar numa porta mais próxima e que dá acesso direto ao balneário, depois de, na última visita ao Dragão, para o campeonato, a comitiva dos leões se ter cruzado com adeptos portistas. Os delegados acederam ao pedido, mas a entrada foi impedida pelos assistentes de recinto desportivo (ARD), uma situação entretanto desbloqueada por elementos da PSP.

Segundo o jornal A Bola, que cita fonte dos dragões, o FC Porto expôs os seus sete títulos internacionais no acesso ao balneário, mas o Sporting não quis passar por esse acesso, que é sempre utilizado pelas equipas visitantes.

O projecto conjunto “Pamoja”, que une Quénia, Uganda e Tanzânia, enfrenta desafios logísticos críticos. A África do Sul surge como o “Plano B” de prontidão para garantir a realização do maior torneio do continente, segundo revelou o presidente da Confederação Africana de Futebol, Patrice Motsepe.

A Confederação Africana de Futebol (CAF) mantém o estado de alerta sobre a organização do Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2027. Embora o mandato oficial de organização pertença à candidatura conjunta de Quénia, Uganda e Tanzânia, a África do Sul foi identificada como o destino do recurso caso os prazos de infraestruturas não sejam cumpridos.

O projecto “Pamoja” (que significa “juntos” em suaíli) marcou um momento histórico ao atribuir a prova à África Oriental. Contudo, relatórios de inspecções recentes da CAF revelaram preocupações significativas, particularmente no Uganda.

Actualmente, o País enfrenta dificuldades para finalizar recintos que cumpram a “Categoria 4” da FIFA, o nível de exigência necessário para jogos internacionais de elite.

Fontes próximas da CAF indicam que, embora a vontade política nos três países seja forte, o ritmo das obras em estádios como o de Talanta (Quénia) e as renovações em Kampala (Uganda) estão a ser monitorizados “ao milímetro”.

A escolha da África do Sul como alternativa estratégica não é surpreendente. Com uma infra-estrutura herdada do Mundial de 2010 e do CAN 2013, o País possui estádios de classe mundial, rede hoteleira e logística de transportes pronta a operar num curto espaço de tempo.

Apesar dos rumores de uma mudança iminente, o presidente da CAF, Patrice Motsepe, tem procurado acalmar os ânimos. Em declarações recentes, o dirigente reafirmou a confiança nos actuais anfitriões, sublinhando que a CAF está a realizar workshops técnicos e visitas frequentes para garantir que o torneio arranque a 19 de Junho de 2027 em solo luso-oriental.

As próximas inspecções técnicas, previstas para os próximos meses, serão decisivas. Caso os marcos de construção definidos no caderno de encargos não sejam atingidos até ao final do ano, a CAF poderá ser forçada a activar o protocolo de emergência para evitar o adiamento da prova, garantindo assim a estabilidade do calendário futebolístico africano.

O Presidente da República, Daniel Chapo, endereçou uma mensagem de  felicitação à antiga basquetebolista moçambicana Clarisse  Machanguana, por ocasião da sua integração no FIBA Hall of  Fame, classe de 2026, numa cerimónia realizada em Berlim,  na Alemanha. 

Na sua mensagem, o Chefe do Estado destaca que a distinção  representa “um marco histórico para o desporto moçambicano e  motivo de orgulho para toda a Nação”, sublinhando o percurso 

de excelência da atleta ao longo de mais de duas décadas ao  serviço da Selecção Nacional de Basquetebol Feminino. 

Daniel Chapo prossegue enaltecendo ainda o  contributo de Machanguana para a projecção internacional de  Moçambique, referindo que a sua carreira “é exemplo de  dedicação, resiliência e compromisso com a elevação do nome  do país além-fronteiras”. 

Para além das conquistas desportivas, o estadista reconhece o  impacto social das acções da homenageada, destacando o  trabalho desenvolvido pela Clarisse Machanguana Foundation,  vocacionada para o empoderamento da juventude nas áreas  do desporto, educação e saúde. 

O Presidente da República conclui reiterando o orgulho nacional por esta conquista, afirmando que a distinção eterniza o nome  de Moçambique, de Machanguana e inspira a juventude  moçambicana, sobretudo a criança, a adolescente e jovem  mulher nacional.  

Refira-se que o FIBA Hall of Fame é o prestigiado salão da fama da Federação  Internacional de Basquetebol criado em 1991 para honrar os  protagonistas que fizeram contribuições significativas ao  basquete competitivo internacional.

O mercado de transferências de Verão ainda não abriu, mas o nome de Geny Catamo já domina as manchetes desportivas na Europa. O extremo moçambicano do Sporting CP, que se tornou uma peça fulcral na estratégia dos “leões”, está a ser acompanhado de perto por vários emblemas da Premier League, com o Liverpool e o West Ham na linha da frente da corrida.

A imprensa britânica tem colocado Catamo como um dos nomes na lista de sucessão de Mohamed Salah no Liverpool. A polivalência do moçambicano, capaz de actuar em todo o corredor direito, aliada à sua explosividade e capacidade de drible, agrada particularmente aos observadores dos Reds.

Por outro lado, o West Ham vê em Geny o perfil ideal para reforçar o seu ataque, procurando antecipar-se à concorrência de outros clubes ingleses como o Newcastle e o Aston Villa.

Ciente do crescente assédio, a SAD do Sporting agiu preventivamente. Após uma renovação contratual que estendeu a ligação do jogador até 2029, o clube de Alvalade fixou uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros.

Embora o valor de mercado de Geny tenha disparado após as suas exibições consistentes na Liga Portugal e na Liga dos Campeões, os especialistas acreditam que uma proposta na ordem dos 25 a 30 milhões de euros poderá levar os responsáveis leoninos para a mesa de negociações, dada a necessidade de realizar mais-valias financeiras.

A temporada 2025/26 tem sido a da afirmação absoluta para o camisola 10 do Sporting. Com números que já superam os registos da época passada, Geny Catamo celebrou recentemente a marca histórica de 100 jogos oficiais pelo clube, consolidando-se como um dos extremos mais desequilibradores a actuar em Portugal.

Em Alvalade, o discurso oficial é de tranquilidade. O treinador Rui Borges tem reiterado a importância do jogador para os objectivos da equipa, mas o próprio Geny, embora focado nos títulos nacionais, nunca escondeu o sonho de actuar na “melhor liga do mundo”.

Se a transferência se concretizar pelos valores especulados, Geny Catamo poderá tornar-se a venda mais cara de sempre de um jogador moçambicano, superando largamente os registos anteriores e confirmando o excelente momento que o futebol de Moçambique atravessa no palco internacional.

O Ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, foi recebido na sede da Administração Geral do Desporto da República Popular da China, por Gao Zhidan, Ministro do Desporto e Presidente do Comité Olímpico Chinês, onde discutiram áreas de cooperação, numa nova forma do estreitamento das relações, na área desportiva.

O encontro entre Caifadine Manasse e Gao Zhidan, Ministro do Desporto e Presidente do Comité Olímpico Chinês, aconteceu num ambiente de hospitalidade e de amizade, respeito e confiança mútua.

Do encontro foram identificadas as seguintes áreas de cooperação, nomeadamente formação de atletas de alto rendimento em centros de excelência chineses, capacitação de treinadores, médicos desportivos e fisioterapeutas, desenvolvimento do desporto escolar e comunitário, reforço do combate ao doping, em nome de um desporto limpo e ético, apoio em infra-estruturas desportivas modernas para todo o País.

A experiência desportiva da China é uma das mais notáveis do planeta na actualidade, oportunidade não deixada de lado pelo ministro moçambicano para buscar experiências e parcerias para o crescimento do desporto moçambicano. 

Em poucas décadas, a China tornou-se uma potência olímpica global, organizou duas edições dos Jogos Olímpicos, Beijing 2008 e Beijing 2022, construiu um sistema desportivo de referência mundial, que combina, de forma exemplar, desporto escolar, identificação precoce de talentos, formação científica de atletas e treinadores, medicina desportiva de ponta e infra-estruturas de excelência. 

Na ocasião, Caifadine Manasse destacou o facto de ser uma experiência rica, inspiradora e altamente replicável, da qual Moçambique tem muito a aprender.

Para o dirigente moçambicano, “o desporto é, hoje, muito mais do que competição: é saúde pública, é disciplina, é coesão social, é afirmação soberana de um país perante o mundo”. 

Por isso, segundo Manasse, “investir no desporto é investir na juventude, na economia e na imagem de Moçambique, e essa é, precisamente, a leitura estratégica que orienta a acção do Presidente Daniel Chapo”.

Nos últimos anos Moçambique tem estado a afirmar-se no mundo do desporto, com destaque para as modalidades individuais, onde ganha protagonismo e respeito ao nível global, para além das modalidades colectivas, como futebol masculino e basquetebol feminino, onde vai ganhando o seu espaço ao nível continental.

“A visita de Estado à República Popular da China é prova inequívoca dessa visão, uma visão que coloca a juventude e o desporto no centro da agenda nacional e que eleva Moçambique a um patamar superior de diálogo e cooperação internacional”, escreve o MJD na sua página das redes sociais.

Caifadine Manasse integra a delegação moçambicana liderada pelo Presidente da República, Daniel Chapo, que está de visita à China, a convite do presidente chinês, Xi Jimping.

O dia 21 de Abril de 2026 ficará gravado na história do desporto lusófono. Clarisse Machanguana, a poste que durante décadas personificou a resiliência do basquetebol moçambicano, foi oficialmente entronizada no FIBA Hall of Fame. A distinção, atribuída em Berlim, coloca a “Estrela de Maputo” num grupo restrito de lendas mundiais, ao lado de nomes como Dirk Nowitzki e Sue Bird. 

Numa noite carregada de simbolismo e emoção, a bandeira de Moçambique brilhou no topo do basquetebol mundial. Clarisse Machanguana, a eterna “Rainha” das quadras moçambicanas, foi formalmente induzida no prestigiado Hall of Fame da FIBA, numa cerimónia realizada esta terça-feira em Berlim. A antiga poste torna-se a primeira atleta do país a figurar no “Passeio da Fama” da modalidade.

Acompanhada por lendas como Dirk Nowitzki e Sue Bird, Clarisse foi celebrada não apenas pelos seus números — que incluem passagens históricas pela WNBA e mais de duas décadas ao serviço da selecção nacional — mas pelo seu papel como pioneira do desporto africano.

Visivelmente emocionada, Machanguana subiu ao palco sob uma forte ovação. No seu discurso de aceitação, dedicou a distinção às gerações de jovens que, em Maputo ou em qualquer ponto do continente, sonham com uma bola de basquetebol nas mãos.

“Este troféu não me pertence apenas a mim. Ele pertence a cada rapariga moçambicana que acredita que o desporto pode ser uma ferramenta de mudança. Receber este reconhecimento em Berlim, rodeada de gigantes, prova que o nosso basquetebol tem lugar no topo do mundo”, afirmou a homenageada.

O reconhecimento da FIBA surge num momento em que a carreira de Clarisse é revisitada pelo seu impacto integral. Além da medalha de prata no AfroBasket 2013 e do ouro nos Jogos Africanos de 1991, a federação internacional destacou o trabalho humanitário desenvolvido pela Fundação Clarisse Machanguana, que utiliza o desporto para promover a saúde e educação em Moçambique.

Durante a cerimónia, Clarisse não escondeu o simbolismo do momento. Em declarações exclusivas após receber o troféu, a ex-atleta sublinhou a dureza do percurso:

“Sair de Moçambique nos anos 90, chegar à WNBA e hoje estar aqui… é a prova de que o talento africano não tem limites, apenas precisa de oportunidades. Sinto que este prémio valida cada gota de suor que deixei nos pavilhões de Maputo e do mundo. É uma vitória contra todas as probabilidades”, disse.

Em reacção ao anúncio, Clarisse destacou que a sua entrada para o Hall of Fame deve servir de catalisador.

“Este reconhecimento chega num momento em que precisamos de olhar para a nossa formação. Espero que o facto de haver uma moçambicana entre os maiores do mundo sirva para convencer os decisores de que o investimento nas nossas raparigas vale a pena. O Hall of Fame é o topo, mas a base é onde tudo começa”, afirmou a ex-atleta.

Machanguana: a única moçambicana distinguda

Um dos dados mais relevantes desta distinção é o seu caráter inédito: Clarisse Machanguana é a primeira e única personalidade moçambicana a integrar o Hall of Fame da FIBA. 

Até à data, nenhum outro jogador, treinador ou árbitro de Moçambique tinha recebido tal honraria. A nível africano, Clarisse junta-se a um grupo muito reduzido de imortais, reforçando o peso de Moçambique como uma potência histórica no basquetebol feminino do continente.

Embora Moçambique tenha uma tradição rica, com figuras como Anabela Cossa ou Deolinda Ngulela, e treinadores de renome, a distinção de Clarisse é a primeira a quebrar a barreira da imortalidade institucional da FIBA. Este reconhecimento eleva o patamar do País, colocando a Federação Moçambicana de Basquetebol no mapa das nações com “Lendas Certificadas”.

Ao tornar-se a primeira e única cidadã nacional a receber tal honra, a “eterna camisola 12” coloca Moçambique num mapa onde apenas os gigantes do basquetebol mundial têm lugar.

Com esta indução, Clarisse junta-se a um grupo restrito de africanos imortalizados, como o angolano Jean-Jacques Conceição e o nigeriano Hakeem Olajuwon.

Reconhecimento celebrado no País

Em Moçambique, a notícia foi recebida com festejos nas redes sociais e círculos desportivos. Antigos colegas de equipa e dirigentes descrevem a distinção como “o maior prémio individual da história do desporto nacional”.

O ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, endereçou as felicitações a Clarisse Machanguana, “com enorme orgulho, satisfação e elevado sentido patriótico (…) pela sua histórica introdução no Hall of Fame, ocorrida em Berlim, Alemanha”.

Para Manasse, o momento singular representa não apenas o reconhecimento do talento, dedicação e excelência de uma atleta extraordinária, mas também “um marco histórico para o desporto moçambicano, para a mulher moçambicana e para toda a nação”.

Segundo escreve Manasse, “Moçambique celebra consigo este feito extraordinário e rende homenagem ao seu legado, que ficará eternamente gravado na história do basquetebol e do desporto nacional”.

Outro antigo seleccionador nacional de basquetebol disse que “a Clarisse sempre foi uma embaixadora, mesmo antes de ter este título formal. Ela abriu portas na WNBA quando ninguém achava possível”.

A Classe de 2026 do Hall of Fame da FIBA fica assim marcada pelo selo da “Pérola do Índico”, imortalizando uma trajetória que começou nos pavilhões de Maputo e conquistou o mundo.

O Legado Técnico e Social

A FIBA não olhou apenas para os anos de WNBA (onde Clarisse brilhou nos LA Sparks e Orlando Miracle) ou para a sua longevidade na selecção — que culminou na prata do AfroBasket 2013. A distinção premiou a integridade da atleta.

Para os analistas desportivos, o “Efeito Clarisse” trará benefícios imediatos ao país, dentre eles a acreditação internacional, onde Moçambique passa a ter uma voz de prestígio dentro das estruturas da FIBA para influenciar programas de desenvolvimento, para além da inspiração tangível, onde o sucesso da Fundação Clarisse Machanguana ganha agora um selo de qualidade global, facilitando parcerias internacionais para usar o basquetebol como ferramenta de saúde e educação em solo moçambicano.

A Classe de 2026, que inclui estrelas como Sue Bird e Dirk Nowitzki, reconhece em Clarisse a capacidade de transcender o desporto. Enquanto os seus colegas de classe são celebrados pelos títulos mundiais e anéis da NBA, a moçambicana é celebrada por ter sido a “ponte” que ligou o basquetebol africano ao profissionalismo norte-americano numa era de acesso limitado.

Com este marco, o debate sobre quem é o maior atleta moçambicano de sempre ganha um novo e indiscutível argumento a favor da poste que nunca esqueceu as suas raízes em Maputo.

 

+ LIDAS

Siga nos